DEMO RELATÓRIO ANUAL DE CARTÕES

 

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DEMO RELATÓRIO ANUAL DE CARTÕES

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Relatório Anual de Cartões Elaborado a partir dos dados obtidos na Sondagem 2013 Todos os anos os clientes da CardMonitor recebem um relatório como esse contendo opiniões de respeitados executivos sobre TENDÊNCIAS para o ano. Conheça a edição de 2013

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Relatório Anual de Cartões Elaborado a partir de dados obtidos na Sondagem 2013 Previsões 2013 Este é um presente da CardMonitor para você Este Relatório Anual faz parte de nosso Serviço de Monitoração do Mercado de Cartões que inclui também os Flashes Semanais, os Relatórios Mensais, o Market Share Trimestral e os Plantões. Esse serviço se consolidou no mercado e tem como clientes praticamente a totalidade dos players de representatividade que atuam ou se relacionam com o mercado de cartões. Ao longo desses últimos anos investimos fortemente na qualidade das informações montando uma equipe de colaboradores internos e externos antenadíssima para lhes posicionar sobre os principais movimentos do mercado. Fechamos o ano de 2012 monitorando mais de 400 cartões, sendo 80 deles pela técnica do consumidor misterioso o que nos permite acesso às informações de fatura, encartes, malas diretas, ações de telemarketing, SMS, e-mail marketing etc. Semanalmente lhe posicionamos sobre os principais movimentos do mercado por meio de nosso best seller: o Flash CardMonitor. Neste trabalho, precioso e único no mercado, colhemos a opinião de 26 executivos de elevada reputação no mercado. Alguns deles, por não serem os porta-vozes oficiais de suas empresas não quiseram se identificar, mas suas opiniões foram computadas nas médias. Acrescentamos também os melhores momentos de nosso 4º Fórum de Inteligência de Mercado realizado em 30/11/2012, que contou com a presença de importantes executivos do mercado. Enfim, nos esforçamos muito para produzir um material da mais alta qualidade para lhe ajudar a tomar decisões importantes. Essa é nossa missão e razão de existir. Agradecemos muito aos executivos que responderam ao questionário enviado. Esperamos que esse trabalho faça jus ao precioso tempo investido. Desejo a todos um excelente ano de 2013 José Antonio Camargo de Carvalho Sócio-Diretor

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ÍNDICE Retrospectiva 2012 ......................................................... Entrevista Exclusiva com Gustavo Loyola ...................... 5 9 Os Melhores Momentos do Fórum CardMonitor ............. Resumo das opiniões da Sondagem 2013 ..................... A íntegra dos depoimentos .............................................. 16 34 49 Relatório Anual de Cartões Edição: Valéria Serpa Leite 4

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Linha do Tempo: Fatos Relevantes em 2012 Janeiro  Banrisul lança cartão pré-pago de viagem MasterCard.  Itaú reduz prazo de validade dos pontos de seus programas de fidelidade.  Edenred e Carrefour anunciam parceria para lançamento de pré-pagos. Fevereiro  Itaú anuncia intenção de fechar o capital da Redecard.  Elavon inicia período de testes.  Bradesco Seguros anuncia exclusividade, por dez anos, para a venda de seus produtos nas lojas da Máquina de Vendas.  Fidelity atinge a marca histórica de 50 milhões de cartões processados.  Banrisul lança cartão platinum para público de alta renda.  CardMonitor lança estudo especial “Empréstimo Pessoal no Cartão” para os assinantes do produto PRICING. Março  Itaú inicia campanha “controle”, incentivando clientes a solicitar, sem custo, aviso por SMS de transações efetuadas no cartão.  ShopCards, empresa comandada por Waldemar Petty, é lançada no mercado e apresenta como um de seus diferenciais a possibilidade de parcelamento de compras em até 200 vezes.  Cielo anuncia acordo comercial com a CyberSource para oferecer soluções de prevenção a fraudes no comércio eletrônico. Abril  Impasse na negociação com acionistas minoritários leva Itaú cogitar vender sua participação e recomeçar atividade de adquirência a partir da rede Hipercard.  Inicia-se o processo de redução dos juros liderado pelos bancos públicos e seguido por alguns privados como HSBC, Santander, Bradesco e Itaú. Nesse momento, foco da redução foram os clientes com recebimento de salário em conta corrente do banco.  Credicard lança Shopping Credicard.  GetNet firma parceria com a Credicard para a distribuição e recarga de cartões pré-pagos.  Bradesco anuncia o lançamento de cartões habilitados com a tecnologia contactless nos terminais da Cielo.  Gol se prepara para transformar Smiles em empresa independente.  HSBC passa a emitir o Global Travel Card, da American Express.  CSU é homologada pela Visa para processamento de adquirência.  TSYS assume todo processamento dos cartões Carrefour.  Stefanini adquire a Orbitall. Maio  Cielo lança função crediário em seus POSs (serviço inicialmente disponível para cartões do Banco do Brasil e Bradesco).  American Express troca cartões com tarja por versões com chip.  Renner anuncia plano de permitir pagamento de fatura em rede bancária.  Santander GetNet entra na disputa pela adquirência no comércio eletrônico.  Caixa supera a marca 3,5 milhões de cartões com bandeira Elo.  MasterCard lança carteira digital.  Cetelem BGN lança cartão Mercado Livre MasterCard.  Quero-Quero será aceito na Rede Banricompras.  ACG, MasterCard e Conductor lançam cartão pré-pago de uso geral. 5

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Linha do Tempo: Fatos Relevantes em 2012 Junho      Redecard inclui função crediário em seus POSs. Camisaria Colombo troca de parceiro e relança cartão com a Losango. Lecca lança cartão da Redeconomia, que atua no setor de supermercados. CSU estabelece acordo para processar cartões do Banco do Nordeste. Americana TransUnion inicia operações no Brasil e competirá com Serasa Experian e Boa Vista Serviços.  CardMonitor lança estudo especial “O Internet Banking dos Cartões” para os assinantes do produto PRICING. Julho           Cielo compra empresa americana Merchant e-Solutions. Itaú e BMG criam joint venture para explorar negócio de crédito consignado. Bandeira japonesa JCB anuncia entrada no Brasil em 2013. Edenred compra empresa Comprocard. Acesso inicia projeto de cartões pré-pagos. CSU passa a processar cartões do Banco do Pará. Hélio L. Magalhães deixa Amex (NYC) e assume presidência do Citigroup no Brasil. Banco do Brasil e Bradesco anunciam criação de novo Banco sob a estrutura da Alelo. Multiplus atinge a marca de 10 milhões de clientes. Dotz atinge 3 milhões de clientes. Agosto  PayPal e Vivo lançam sistema que permite o envio e o recebimento de pagamentos usando o telefone móvel, sem instalação de programas ou acesso à internet.  Banco do Brasil reduz fortemente a taxa de juros do rotativo.  Itaú lança Itaucard 2.0.  Itaú rompe parceria com Lojas Americanas, C&C e com outros 300 varejistas.  Santander firma parceria com rede de cinema Cinépolis para oferta de 50% de desconto para seus clientes.  Osvaldo Cervi assume presidência da Alelo no lugar de Newton Neiva.  Mario Mello assume cargo de VP mundial da PayPal.  Milton Kruger assume diretoria estatutária da Elo.  Carlos A.C. Moreira Jr assume Superintendência de cartões da Caixa.  Santander lança plataforma única de benefícios do cartão batizada de “Santander Esfera”.  Banricompras passa a capturar transações Visa.  Empresa americana Wright Express compra controle da Unik, Administradora de Cartões da gestora de recursos Rio Bravo. Setembro  Caixa divulga reduções expressivas nas taxas de juros do cartão.  Governo pressiona emissores para baixar taxa de juros no cartão.  Hipercard lançou programa de pontos no cartão.  MasterCard torna-se patrocinadora da CBF.  Itaú conclui com sucesso fechamento de capital da Redecard. 6

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Linha do Tempo: Fatos Relevantes em 2012 Outubro  Milton Maluhy Filho assume presidência da Redecard no lugar de Claudio Yamaguti.  Carlos Zanvettor deixa a Redecard e assume presidência da Contax.  Banco do Brasil estende serviço de pagamento por celular do cartão Oi para toda linha Ourocard MasterCard.  Itaú estende venda do Itaucard 2.0 para toda a sua base de clientes.  Itaú implanta limite mínimo de 20.000 pontos para transferência do Sempre Presente para companhias aéreas.  Cadastro Positivo é regulamentado.  Bonsucesso lança cartão pré-pago em parceria com Rêv e MasterCard.  Gol/Smiles lança Smiles Shopping e amplia possibilidades de resgate das milhas para outros produtos. Novembro       Proposta do Governo sobre regulamentação de pagamentos móveis vai para Casa Civil. Carrefour lança cartão La Carte focado no público de alta renda. Sonda relança seu cartão com a DM Card. Daycoval lança cartão pré-pago do Corinthians na bandeira Visa. Caixa anuncia que lançará cartão de crédito do Corinthians. Bradesco e Claro lançam cartão pré-pago vinculado a aparelho celular. O produto deve estar disponível no início do segundo trimestre de 2013.  Telefônica e MasterCard, anunciam a oferta de um novo produto para disputar o mercado de pagamentos via celular, que será ofertada através da joint-venture Mobile Financial Services (MFS).  Cartão de crédito Oi alcança 400 mil clientes.  CardMonitor realiza a 4ª edição do Fórum de Inteligência de Mercado com a presença dos principais executivos do mercado. Dezembro  Stefanini anuncia planos de investir R$ 150 milhões na Orbitall em um período de três anos.  CSU anuncia que atuará na gestão de plataformas de comércio eletrônico e de programas de recompensa.  CSU CardSystem anuncia que processará cartões do Banco Fibra.  Losango firma parceria com a CVC.  Carrefour encerra operação online no Brasil.  Amazon inicia operação no Brasil.  Justiça do Trabalho começa a aceitar pagamento com cartão.  Itaú 2.0 supera a marca dos 350 mil plásticos.  Alelo lança loja on-line de “cartões pré-pagos de presente”. 7

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O 4º Fórum CardMonitor de Inteligência de Mercado contou com a presença de 250 executivos do mercado de cartões. Nas próximas páginas você verá os principais temas abordados pelos executivos, além de uma entrevista exclusiva com o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. 8

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Entrevista: Gustavo Loyola Ex-presidente do Banco Central por duas vezes e atualmente sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola fala, em entrevista à CardMonitor, sobre a atual política econômica do Brasil, redução de juros e sobre o mercado de crédito. CardMonitor Temos visto diversos economistas fazendo críticas na condução da política econômica. O senhor acredita que algo deveria ser diferente? Gustavo Loyola - Acho que o governo está nesse afã de fazer a economia crescer e acaba gerando muito mais incertezas e inclusive alguns equívocos de política econômica. Acho que a ideia de depreciar o câmbio é errada, a ideia de protecionismo, essa ideia de entupir o BNDES de recurso do Tesouro, comprometendo cada vez mais o endividamento público. Acho que isso não apenas são medidas de pouca repercussão prática do ponto de vista do estímulo, como pode até causar incertezas, inseguranças futuras. Acho que o Brasil precisa de medidas que de algum modo favoreçam o investimento, diminuam a burocracia e coisas que de fato melhorem, em primeiro lugar, a competitividade do país e que levem o empresário a se tornar mais confiante, temer menos o futuro. O governo tradicionalmente, e isso não é culpa do governo atual, é ineficiente, submete o setor produtivo a uma burocracia sem fim, etc. Mas essas questões têm se agravado. De fato alguns pontos sistematicamente apontados pelos investidores são pontos que têm a ver com a atuação do governo. Desde dificuldades burocráticas para se abrir uma empresa até incertezas legais, questões tributárias. CardMonitor - O senhor acredita que a maneira como o governo tem levado os bancos a reduzirem os juros, spreads e rentabilidade pode levar o setor a crescer menos e com isso contribuir para puxar o PIB ainda mais para baixo? GL - Claro que independentemente da atuação do governo, quando você vai reduzindo o spread evidentemente você afeta a rentabilidade e os bancos têm que buscar compensar essa menor rentabilidade seja aumentando os seus ativos, seja buscando receitas de outra natureza e, também evidentemente, em um esforço de corte de gastos. Acho que os bancos brasileiros vão se adaptar ao ambiente de menor juros. Outros países têm histórico de juros baixos e nem por isso o sistema bancário historicamente tem rentabilidade baixa. Então, é outra maneira de fazer o mesmo negócio. É um processo de adaptação. Agora, eu vejo uma diferença. Uma coisa são os juros caírem por uma mudança do ambiente do país, mudança do ambiente regulatório, macroeconômico. Outra coisa é 9

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Entrevista: Gustavo Loyola você de fato forçar essa queda. Eu acredito que os bancos não vão baixar os juros de maneira irresponsável, que cause problemas. O grande problema desse esforço, dessa interferência do governo não é apenas sobre os bancos. Na verdade você tem aí o mercado entendendo que isso pode virar um hábito. Todo setor que você acha que está ganhando muito dinheiro, você vai e intervém para baixar os preços. A sinalização muitas vezes importa mais do que a própria medida. A sinalização que eu acho que não é boa. Você acha que pode interferir em um setor porque você acha que ele deveria ganhar menos. CardMonitor - A redução dos spreads pode levar os bancos a serem mais restritivos na aprovação do crédito? GL - Na medida em que você pratica um spread mais baixo, você acaba tendo que emprestar para clientes menos arriscados, ou seja, você vai recusar mais crédito porque os clientes vão ficar com um risco muito alto vis-à-vis o retorno. Isso pode acontecer pelo menos durante algum tempo. Claro que à medida que o tempo passa você pode ter uma melhora dessa percepção de risco. A situação macroeconômica evolui e aí você tem uma retomada do crescimento do crédito. Mas o efeito imediato é de fato uma concessão mais restritiva. CardMonitor – Na sua avaliação, por que o Brasil está crescendo menos do que outros países latino-americanos? GL - É claro que parte do baixo crescimento tem a ver com o setor externo. Mas se esse efeito fosse realmente muito forte você teria outros países sofrendo também. E quando você olha a taxa de crescimento do PIB mundial, ele não é tão ruim assim principalmente se comparado com o problema que tivemos em 2008. Claro que há incertezas, a situação merece toda atenção, mas não acho que seja aí que está tendo o maior problema em termos do crescimento do Brasil. São questões domésticas, locais. 10

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Entrevista: Gustavo Loyola CardMonitor - Após a divulgação do PIB trimestral a Tendências Consultoria revisou as projeções para 2013 com relação a PIB, câmbio, comércio varejista, inflação e juros? GL - Revisamos o PIB para 2012 de 1,3% para 0,8% e para 2013, de 3,6% para 3,2%. O mal desempenho do PIB no terceiro trimestre afeta e alguns indicadores antecedentes do quarto trimestre também mostram que, de fato, o nosso número anterior de crescimento de 2012 não tem muita possibilidade de ser atingido. Quando se reduz o ritmo de crescimento da economia esse ano, pelo efeito carry over você acaba afetando o PIB também de 2013. Então daí essa nossa revisão para baixo tanto para 2012 quanto para 2013. Acho que todo mundo, menos o ministro Guido Mantega, revisou pra baixo a projeção para o ano que vem. Ele continuou firme e forte na projeção de 4%. Eu acho que já era difícil e está ficando cada vez mais difícil esse número, infelizmente. Fizemos uma mudança também no câmbio. Achamos que existe uma chance maior de em 2013 ele ficar acima de R$ 2,10. Antes estava mais próximo de R$ 2,10, achamos agora que pode ficar um pouco acima disso. A inflação tanto para 2012 quanto para 2013 está em torno de 5,4%. Se mantém mais ou menos no mesmo patamar considerando que vai puxar a inflação para baixo o pacote de redução das tarifas no setor elétrico. Essa redução de tarifas, mesmo com a ausência da Cesp e da Cemig, tem um impacto muito forte na inflação. Então a inflação que poderia chegar próximo a 6% vai ficar mais em torno de 5,4%, à semelhança do que acontece em 2012. Mas esses números não se revisaram. “ Acho que os bancos brasileiros vão se adaptar ao ambiente de menor juros. Agora, eu vejo uma diferença. Uma coisa são os juros caírem por uma mudança do ambiente do país, mudança do ambiente regulatório, macroeconômico. Outra coisa é você de fato forçar essa queda. ” 11

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Gustavo Loyola Painel: O ambiente político-econômico e sua influencia no mercado de cartões Situação Europeia Olhando um pouco o panorama para 2013 eu diria que do ponto de vista externo a maior fonte de risco que nós temos continua sendo a Europa, que ainda não conseguiu uma solução mais definitiva para a sua crise, que na verdade são três crises em uma só. É uma crise de crescimento, fiscal e em certa medida, financeira, bancária em função de o sistema bancário ser uma dos maiores credores dos países que estão em dificuldades. Mas a nossa visão sobre o problema europeu é relativamente otimista. Há muito em jogo na Europa. Acho que do ponto de vista político o que está em jogo na Europa é toda a experiência de cooperação europeia, de integração europeia que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Essa experiência de integração - que no fundo nasce de uma vontade política e que termina com a criação do euro - a meu ver não será abortada. Acho que nenhum líder europeu, principalmente alemães e franceses, vai assumir ônus de ter sido o deflagrador da quebra desse processo de integração. Acredito que o que se está fazendo nesse momento é ganhando tempo para que os eleitores, principalmente os alemães, se acostumem com a ideia. Na realidade essa cooperação, essa integração tem que ser aprofundada com a criação de mecanismos supranacionais, inclusive de natureza fiscal, de maneira a completar esse processo de integração. Significa dar tempo para a Grécia pagar as suas dívidas, eventualmente resgatar a Espanha, dar tempo para os outros países também se ajustarem. Não é um ajuste indolor, é uma ajuste aliás muito doloroso do ponto de vista social e também com intenções políticas, mas a nossa visão é de que de fato esse processo de dar tempo ao tempo, de soluções parciais, que são muito ao estilo dos políticos de resolver um problema hoje para amanhã resolver o problema de amanhã, é um processo que vai continuar. No nosso cenário, o resultado de tudo isso é que a Europa não quebra. Não há um evento de ruptura, mas há um processo de baixo crescimento europeu ainda perdurando por algum tempo. No entanto, é claro que você pode ter algum acidente e de repente o quadro pode se agravar. Não podemos dizer que a probabilidade disso é zero. 12

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Gustavo Loyola Situação dos EUA Do lado dos EUA, que é o segundo ponto de dúvida, acho que a questão central é a entrada automática em vigor, a partir de 2013, de cortes de despesas e elevação de impostos o que significaria do ponto de vista fiscal uma política muito, muito contracionista, que faria com que as previsões de crescimento do PIB para 2013, que hoje se situam na faixa de 2%, caíssem para zero ou até para um terreno negativo. Também nesse caso, apesar das dificuldades políticas de termos um presidente democrata, um Senado democrata e uma Câmara republicana e haver uma distância muito grande da posição dos partidos nos EUA, apesar disso acreditamos numa solução. E essa solução virá, provavelmente, por um acordo temporário, dando tempo para que haja discussões políticas já no novo congresso americano – a Câmara se renova no final do ano e o Senado, parcialmente também. Então acho que esse é o cenário e se esse cenário se confirmar a economia americana é capaz de entregar um crescimento de 2% em 2013. Situação da China A China, passando por um terceiro foco de crescimento, continuará sendo em 2013 o grande motor de crescimento da economia mundial, só que um motor um pouquinho desacelerado em relação aos anos anteriores. A China deve ter uma taxa de crescimento em torno de 7,5% a 8%. Sabemos que a legitimidade das lideranças chinesas depende da entrega desse crescimento. A China não pode se dar ao luxo de crescer pouco e, portanto, há todo esse esforço que vemos nas ações do governo de preservar o crescimento. Está em andamento um processo de transformação na dinâmica econômica. O consumo assume cada vez mais um papel relevante como driver do crescimento chinês. O chinês passa a ser um consumidor, os salários reais deles passam a subir. Existe todo um processo de transição da economia chinesa para uma economia mais madura. Não quero dizer que não haja riscos nesse processo, não quero dizer que a China não tenha alguns dilemas muito sérios para resolver nos próximos anos como a questão demográfica, por exemplo. Mas olhando mais especificamente para 2013, nós não esperamos uma desaceleração muito forte na China. Isso significa que nós podemos nos sentir razoavelmente confiantes de que as commodities não terão uma queda de preços no horizonte que estamos considerando aqui. Ou seja, do ponto de vista mais A China global eu diria que há uma tendência de estabilidade continuará sendo desses preços. Claro, pode haver quebras, mas não em 2013 o grande serão tão sensíveis a ponto de atingir profundamente a motor de economia brasileira. crescimento da Em relação às commodities agrícolas evidentemente há economia uma questão relativa a choques de oferta. Esse ano mundial, só que [2012] foi um ano muito difícil do ponto de vista de commodities agrícolas. Para o ano que vem só São um motor um Pedro sabe o que pode acontecer. O que se pode dizer pouquinho é que os estoques estão muito baixos em alguns grãos desacelerado e que qualquer frustração de safra pode ter um impacto importante sobre preço. Este é um cenário de economia mundial que traz um crescimento na faixa de 3,5% da economia mundial, que é um crescimento positivo. “ ” 13

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Gustavo Loyola Situação do Brasil Nós temos culpado muito a crise externa pelo baixo crescimento na nossa economia, mas na realidade, sem querer reduzir a zero a influência da crise externa, o Brasil está crescendo pouco por fatores idiossincráticos, particulares da nossa economia. Basta comparar o desempenho brasileiro com o desempenho do México, Peru, Colômbia, Chile, ou seja de países muito próximos a nós. Não adianta, ao projetarmos nosso crescimento para 2013, olharmos só a questão externa, embora ela seja também relevante. Acho que a economia brasileira em 2011 e em 2012 pagou o preço pelo excessivo crescimento em 2010, pelo prolongamento excessivo das medidas de estímulo que se seguiram à crise de 2008. Então, na realidade, quando se aplicou o freio na economia no final de 2010, e isso foi especialmente sentido na área do crédito, esse freio foi muito forte. Evidentemente isso trouxe uma queda muito abrupta do crescimento econômico em 2011, mas evidentemente o BC e o governo perceberam isso, começaram a reagir através de um processo de queda de juros e de expansão monetária, retirada de alguns freios ao crédito, de expansão do crédito por parte dos bancos públicos, etc, mas esses estímulos estão demorando a fazer efeito. Então por que estão demorando a fazer efeito? Temos que procurar outras causas. Acho que existe uma dicotomia hoje na economia brasileira: o setor de serviços vai bem e percebemos isso pelo comportamento das vendas do varejo, que têm tido crescimento positivo na faixa dos 4% a 5% quase constante nos últimos meses. Mas a produção industrial é que não reage. Abriu-se uma boca de jacaré entre as vendas no mercado doméstico, que têm como driver principal o crescimento da renda e do emprego e a confiança do consumidor, e a produção industrial. É aí que acho que está a raiz do problema brasileiro que é a falta de condições de competitividade da nossa indústria. De todo modo, o que temos visto nos últimos meses são medidas para tentar incentivar a indústria brasileira. A questão é saber: isso vai gerar resultados para 2013? Algum resultado sim. “ Nós temos culpado muito a crise externa pelo baixo crescimento da nossa economia, mas na realidade, o Brasil está crescendo pouco por fatores particulares da nossa economia Crédito Acho que o crédito continua sendo um elemento importante do crescimento, do consumo. Agora, é sempre bom chamar a atenção para um aspecto: nós não estamos mais naquele momento em que o consumidor brasileiro estava totalmente desalavancado, não tinha dívida ou tinha muito pouca dívida. Hoje as famílias brasileiras já estão com um certo nível de endividamento, então a capacidade que o crédito tem de criar consumo adicional é menor, na margem, do que foi no passado. Essa é uma questão importante do ponto de vista da dinâmica do crescimento do Brasil porque não apenas o crédito não está mais com essa força toda como também outros vetores de crescimento que foram muito importantes nos últimos anos também estão, de certa forma, esgotados ou têm sua ação hoje muito mitigadas, que são as transferências do governo. Principalmente a partir do governo do presidente Lula houve um aumento muito grande para as famílias de menor renda, um aumento real do salário mínimo, que também foi muito forte nos últimos anos. Estes elementos continuam a atuar nos próximos anos, mas de maneira mais mitigada. É importante considerar isso ao fazer projeções de médio e longo prazos. 14 ”

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Gustavo Loyola Pressão do governo Eu acho que essa política do governo de pressionar, de constranger mercados – e não foi o caso só do sistema financeiro, mas isso aconteceu em alguns outros mercados regulados - desestimula o investidor. A regulação é inerente, acho que quem compra ação de um banco, de uma empresa de telefonia, de energia elétrica, sabe que está comprando ação de uma empresa regulada. O que não pode haver é surpresa, discricionariedade. É mais o modo de agir do que as intenções. As intenções são boas, mas o modo de agir me parece que causa esse tipo de retração por parte dos investidores. Me preocupa muito a intervenção do governo quando ela é imprevista, não antecipável. É a diferença entre risco e incerteza. O risco é mensurável, você consegue colocar em modelos, você consegue se preparar para ele. A incerteza não. Juros As taxas de juros no Brasil têm tido uma tendência de queda mas ainda estão em níveis elevados. A equação a qual os bancos estão sujeitos é uma equação muito parecida com a equação de qualquer outra empresa (custo de mercadoria, custo para transformar a matéria e colocar essa mercadoria na prateleira, impostos - e os imposto de intermediação financeira no Brasil são elevados -, custos de compulsórios, custos administrativos...). Mas tem no Brasil um outro aspecto que é a inadimplência elevada. Outro fator que afeta muito a intermediação financeira no Brasil é um aspecto que foi resumido numa frase do ex-ministro Pedro Malan que eu gosto muito. Ele diz que no Brasil até o passado é incerto. Inadimplência Não é um problema de renda. É uma inadimplência comportamental, ambiental, não é conjuntural e ela é crônica. Os ofertantes de crédito no Brasil têm certa dificuldade em identificar claramente o perfil dos clientes. Acho que a regulamentação do cadastro positivo é um passo gigantesco. Por outro lado, acho que as pessoas acabam também não tendo a educação financeira suficiente. São vários fatores, mas certamente não é que as pessoas não têm renda, que o mercado de trabalho não tem um grau de formalização muito maior do que no passado. Os números mostram que nós evoluímos muito nessa direção. Investimentos Sem duvida acho que o Brasil tem uma taxa de investimento baixa e uma baixa eficiência no nosso investimento. Claramente temos gargalos que já estão dificultando o nosso crescimento. Acho que tudo depende do que o governo fará daqui para o futuro. Precisamos atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura. A atração de investimentos para infraestrutura no Brasil depende basicamente, não exclusivamente, de tornar muito claras, transparentes, estáveis as regras do jogo. Os investidores precisam saber, nesses investimentos que têm retorno de médio e longo prazos e que têm regulação estatal, quais são as regras do jogo pelo menos durante todo o prazo da sua concessão. O que a gente pode dizer é que o crescimento do Brasil nos próximos anos depende muito e muito mesmo de investimentos em infraestrutura. 15

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