Figuras&Negócios #145

 

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Figuras&Negócios #145

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E CARTA DO EDITOR potencialmente rico sendo a sua maior riqueza o homem angolano. Numa altura que o mundo e, muito particularmente o continente africano reclama a falta de líderes com clarividência que possam galvanizar as populações por uma dinâmica positiva em torno do melhor aproveitamento das riquezas naturais existentes, não é demais recordar o exemplo de Mandela, um guia exemplar que conseguiu unir os sul-africanos afastados pelo apartheid e criado as bases para um verdadeiro País multiracial e democrático. Vale recordar exemplos da sua história de luta, de combate pela igualdade do homem, pela valorização do continente, pelo que se justifica a abordagem que fazemos nesta edição, onde também é de destacar a réplica da ADRA e da OPSA em torno do Orçamento Geral do Estado de Angola já aprovado pelo governo. Uma iniciativa que é reclamada como contribuição positiva da sociedade civil na esteira de se criar uma ponte para se esboçarem as linhas para um desenvolvimento seguro de Angola. Uma Angola que precisa do esforço de todos para se eliminar as assimetrias hoje bem evidenciadas e prosseguir-se na construção de uma sociedade mais justa, como bem canta o rapper Yannick Afromen que acaba de lançar o seu novo disco. O seu percurso artístico recebe nesta edição também umas pinceladas. Como notícia de última hora, registamos a eliminação da selecção nacional senior feminina de andebol no recentemente terminado campeonato africano das nações realizado na Argélia, depois de muitos anos de hegemonia do nosso país em África. Em nossa próxima edição, daremos conta da participação das nossas selecções (feminina e masculina) na maior cimeira desportiva andebolística do continente. Boa Leitura m Página Aberta,o Padre Raúl Tati, antigo Vigário da Diocese de Cabinda, afastado do ministério católico desde 2011,se assume como o rosto mais visível das vozes que naquela parte do território angolano reclamam pela continuação do diálogo com o governo para que se encontre outro estatuto para àquela Província. Assumindo-se como pacifista, Raúl Tati não defende taxativamente a independência do Enclave, afirmando mesmo que esse não é o único caminho que resta. Para ele, é a principal reivindicação política dos cabindas e a causa do conflito ainda vigente, mas as soluções são sempre negociáveis. É uma entrevista interessante onde Raúl Tati desdramatiza a tese do desmoronamento e desintegração de Angola por força da independência de Cabinda, e recorda que Angola é um País 4 Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014

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7. EDITORIAL COMPROMISSOS DE ÁFRICA 10. PÁGINA ABERTA CABINDA PRECISA DE DIÁLOGO CONSTRUTIVO E SEM SUBORNO 16. LEITORES RUA SENADO DA CÂMARA: UMA POUCA VERGONHA! 19. PONTO DE ORDEM CORTAR NA RAIZ 24. FIGURA DO MÊS MULHERES EMPRESÁRIAS DISTINGUIDAS 26. CULTURA QUEBRA O SILÊNCIO COM O ÁLBUM "TERRA A TERRA" 30. FIGURAS DE CÁ 35. MUNDO REAL RESPOSTAS SUSTENTÁVEIS 36. ECONOMIA & NEGÓCIOS NOVA PAUTA ADUANEIRA 54. REPORTAGEM O DRAMA DA "RELAÇÃO A TRÊS" 56. SOCIEDADE CONTINUA-SE À PROCURA DA RAIZ DA JUSTIÇA SOCIAL 91. FIGURAS DE JOGO JOSEPH BLATTER E RUI FALCÃO NOVA ESCALADA DE CONFLITOS PAÍS 20 62 MUNDO IMIGRAÇÃO ILEGAL É GUERRA QUE VITIMA VÍTIMAS 92. VIDA SOCIAL O CASAMENTO DE MÁRIO E GRACIETE LOURENÇO 100. FIGURAS DE LÁ CAPA: BRUNO SENNA 6 Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014

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CONJUNTURA LIÇÕES DE UM LÍDER 74 82 DESPORTO FOI-SE O HOMEM MAS FICOU A HISTÓRIA 104. RECADO SOCIAL EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA SABIA.... O REI SABIA Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 14 - n. º 145, Janeiro – 2014 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Juliana Evangelista, Crisa Santos, Rita Simões, João Barbosa, Manuel Muanza e Shift Digital (Portugal), Wallace Nunes (Brasil) Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal: Assinatura e Publicidade Ana Vasconcelos Telefone: (351) 914271552 Secretariado e Assinaturas: Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Distribuição: Urbanos Press S.A. Rua 1º de Maio, Centro Empresarial da Granja Junqueira 2625 - 717 Vialonga Londres: Diogo Júnior E16-1LD - tel: 00447944096312 Tlm: 07752619551 Email: todiogojr@hotmail.com Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Produção Gráfica: Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014 7

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COMPROMISSOS DE ÁFRICA N EDITORIAL a capa desta edição desejamos sucessos ao mundo em 2014 mas atenções maiores estão centradas em África, o nosso continente, que numa altura que se deveria apostar no seu desenvolvimento, fazendo jus às potencialidades existentes, continua a registar elevados indice de pobreza, fome e outras calamidades naturais e guerras fratricidas. No momento presente, por exemplo, preocupa a comunidade internacional os conflitos fratricidas no Sudão do Sul, um País que adquiriu recentemente o seu estatuto de independência e membro da comunidade das nações, na República Centro Africana, na República Democrática do Congo, na República da Guiné Bissau se procura a normalização constitucional com a tentativa de realização de eleições, em Moçambique, a Renamo que mesmo em paz nunca se desfez do seu exército, e hoje desafia o governo criando-se uma instabilidade generalizada em parte do território, verificando-se diariamente na comunicação social notícias que, ao continuarem, podem desincentivar o investimento que para lá caminhava em ritmo galopante. No Mali, também se procura apagar incêndios que provocaram, num passado recente, escaramuças violentas, não esquecendo a instabilidade que continua em todos os países protagonistas do que se convencionou chamar como a Primavera Arabe. Curioso é que na maior parte desses conflitos que se registam no continente está bem evidente a mão de potências ocidentais que, regra geral, atiçam os conflitos entre irmãos para depois aparecerem como os paladinos das soluções mágicas para a paz. Foi assim na chamada Primavera Arabe, onde se inculcou na mente das pessoas que a verdadeira democracia em África só seria possível com a cópia a papel químico da realidade da Europa, ignorando-se, o que é grave, as especificidades de cada País africano. Tem sido assim nas antigas colónias francesas em África onde já não é possível as actuais autoridades governamentais da França esconderem, a sua cumplicidade pelas crises mais evidentes como do Mali e da República Centro Africana. Quer dizer, eles acirram problemas tribais e regionais transformando-os em clivagens ideologicas insanáveis para se generalizar as guerras fratricidas cujas chamas, após o deflagrar da fogueira, só têm de ser apagadas pela intervenção dessas potências coloniais e, por arrasto, da comunidade internacional. Estamos diante de um ensaio encapotado para uma pretensa neocolonização do continente, um caso que pode se efectivar se as lideranças políticas africanas, para além de compreenderem o ensaio, não forem capazes de contrapor com medidas que têm de passar por uma verdadeira unidade e concertação de esforços na elaboração de políticas corajosas de inclusão nos seus respectivos países capazes de apagar os focos da discriminação e fazer prevalecer a vontade de se construir nações fortes onde se respeita a dignidade da vida humana, a diferença de opiniões políticas de cada um, mas, acima de tudo, se vistam as realidades democráticas dos países africanos dentro das especificidades etnico-culturais de cada um. Já o dissemos por mais de uma vez, que a democracia, sendo um verdadeiro sistema que respeita a liberdade das pessoas e permite governações participativas, não tem modelos acabados, pelo que a África, numa altura que tem de ser chamada a reflectir sobre as melhores formas como aproveitar as suas enormes potencialidades para emergir para uma grande potência e deixar de ver os seus países de mão estendida, precisa de adoptar outra postura e fazer valer a força da solidariedade e fraternidade. Oxalá esse 2014 possa constituir o marco de arranque para essa mudança de postura. Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014 9

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PÁGINA ABERTA Raúl Tati, antigo Vigário da Diocese de Cabinda, afastado do ministério católico desde 2011, continua a ser o rosto visível das vozes que naquela parte do território angolano reclamam pela independência do Enclave, ou, no mínimo, a autoderminação de uma província que, segundo ele, não pode continuar a ser eternamente "uma colónia de Angola". Raúl Tati diz-se pacifista nessa reivindicação por um outro estatuto para Cabinda e por isso condena aqueles que extremam posições, como a ampliação da luta armada para o alcance do novo estatuto do território. Mas não poupa o actual regime que o acusa de colonialista e de sistemático violador dos direitos humanos. Actualmente em Lisboa (Portugal), em formação para não se deixar ultrapassar pela própria época, Raúl Tati concedeu essa entrevista a Victor Aleixo, por email. Aqui fica o registo: F iguras&Negócios (F&N) - Padre Tati, o seu livro "Cabinda-Percurso histórico de uma igreja entre Deus e César-de 1975 a 2012" é mais água na fervura da questão Cabinda ou acha que os pontos de vista que apresenta podem constituir elementos valiosos para uma nova abordagem da situação no Enclave e que obrigará a leituras mais progressistas entre o governo e os que contestam a situação que hoje se vive? Raúl Tati (R.T.) - Seria um óptimo presságio que o meu livro provocasse uma nova abordagem, sobretudo de pendor progressista, em relação ao diferendo de Cabinda. Dar-me-ia uma incontida satisfação. F&N - O senhor Padre é hoje um dos rostos visíveis dos que se manifestam contra a situação que se vive em Cabinda, reclamando-se, no entanto, como um Pacifista. No seu entender, que passos devem ser tomados para que haja uma inversão de valores na situação hoje vigente em Cabinda? R.T. - O primeiro passo consiste em desarmar as mentes dos nossos opressores que insistem em empunhar a espada contra os filhos de Cabinda. Estes fizeram da violência a única linguagem possível para tratar os cabindas que não aceitam o actual status. Puseram contra nós o exército, a polícia, os serviços de informação e os tribunais. É esta máquina (hard power) que sustenta a política colonialista de Angola em relação a Cabinda. O segundo passo, seria a criação de um clima de aproximação e de respeito mútuo entre os representantes dos interesses do Estado angolano e os apologistas da emancipação política de Cabinda. O terceiro passo, vencidas as crispações, apostar num diálogo construtivo sem manipulações nem subornos. Este, sim, levar-nos-ia finalmente a uma solução negociada do actual diferendo político. F&N - Acredita que a Igreja Católica, influenciada por uma postura tida como renovadora cultivada pelo Papa Francisco, pode jogar um papel determinante que obrigará os intervenientes da questão Cabinda a terem uma postura mais dialogante e com benefícios evidentes, a curto prazo, para as populações do Enclave? R.T. - Tenho acompanhado e acolhido com alguma simpatia a atitude e os gestos do Papa Francisco e parece-me estar a imprimir "suavemente", mas com vigor, uma nova dinâmica na Igreja. Todavia, o Papa não pode reformar a Igreja sozinho. A reforma deve ser um ecumenismo de mentes e de corações a remar no mesmo sentido. Daí que, se a igreja particular de Cabinda, animada pelo seu Bispo, clero e cristãos leigos estiver galvanizada nessa dinâmica evangélica e profética, o compromisso com a justiça, a paz e a liberdade será inevitável. E isso poderá fazer diferença em termos de benefícios para o actual problema de Cabinda. A Igreja que está em Cabinda não pode continuar a fingir diante dos problemas políticos e sociais, sob pena de trair o evangelho libertador de Jesus, o nazareno. F&N - Ainda sobre o novo Papa, o senhor Padre e outros seus colegas penalizados pela CABINDA PRECIS CONSTRUTIVO E S Padre Raúl Tati 12 Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014

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PÁGINA ABERTA Igreja em Cabinda, não acreditam que outros envolvimentos que vos venham a beneficiar possam surgir nos tempos mais próximos? R.T. - Não creio que vá mudar algo nesse sentido. Embora tenhamos um novo Pontífice, o Bispo que engendrou compulsivamente os processos de dispensa canónica de três sacerdotes autóctones de Cabinda chama-se D. Filomeno do Nascimento Vieira Dias. O mesmo governa actualmente a Diocese de Cabinda e nada indicia que vá agora mudar de ideias. Não é da praxe da Igreja o Papa decidir directamente sobre a sorte de sacerdotes sem passar pelo Bispo. Cada Bispo é soberano na sua diocese, por isso se diz na gíria eclesiástica "nihil sine episcopus" (nada sem o Bispo). F&N - Não acha o senhor Padre que essa sua postura de mais político e menos padre é que pode estar na origem das penalizações a que tem sido alvo? R.T. - Não sei se está a ponderar bem a questão que me coloca: como pode ver, deixa escapar aqui um juízo categórico e temerário de que eu seria "mais político e menos padre". Todavia, não pretendo sofismar. A verdade é que sou doutorado em Teologia Moral com especialização em moral política e tenho uma tese publicada sobre as reformas políticas no continente africano com a chegada dos ventos da democracia. Toda a reflexão feita nessa obra está centrada no papel da Igreja africana diante dos desafios políticos, económicos, sociais e culturais do continente berço da humanidade à luz da sagrada escritura, da tradição apostólica e do magistério da SA DE DIÁLOGO SEM SUBORNOS Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014 13

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PÁGINA ABERTA Igreja. A tese foi aprovada com dezanove valores pelo júri. Não tenho feito outra coisa no meu ministério sacerdotal senão ser coerente com aquilo que defendi publicamente e me valeu a láurea doutoral. Por outro lado, o livro que acabo de publicar traz igualmente reflexões pertinentes no mesmo sentido. F&N - Se o preço para o pastor voltar a ter livremente o seu rebanho for o do Padre Tati se empenhar mais nas questões eclesiásticas e menos no activismo político nas questões de Cabinda como agora acontece, o senhor aceitaria enveredar por esse caminho? R.T. - Tratando-se de uma hipótese remota e improvável, dispenso comentários. F&N - O governo nos últimos tempos quase não se pronuncia sobre Cabinda fazendo crer que a paz é uma realidade, vocês insistem em dizer que se registam grandes violações aos Direitos Humanos, espaçadamente se fala em acções armadas que são realizadas em Cabinda, matando e ferindo pessoas. Este é um percurso para continuar ou acreditar que em 2014 a situação pode mudar para melhor? R.T. - Cada ano que começa, desenha-se sempre no horizonte um cenário diferente para Cabinda; um cenário de liberdade, de respeito pela dignidade da pessoa humana, de desanuviamento político, de tranquilidade, justiça e paz. Os mais optimistas acreditam que o governo vai abrir as portas para iniciativas de diálogo e que a FLEC vai depor definitivamente as armas. Infelizmente, terminamos todos os anos com as esperanças adiadas e com o mesmo rosário de desgraças: operações militares das FAA no interior do Maiombe e nos países vizinhos, ataques esporádicos da guerrilha, execução sumária de civis suspeitos, detenções e torturas, etc. Em Agosto de 2013 foram detidos e encarcerados na unidade penitenciária do Yabi vários indivíduos naturais de Cabinda sob a acusação de crime de rebelião. Outros presos políticos ´´jazem´´ há anos na mesma unidade por força de sentenças "instruídas" a partir dos círculos castrenses. Isto é pacificação? Tenho as minhas reservas. No ano passado, numa conversa espontânea que tive com uma alta patente das FAA, este fez um desabafo que reproduzo mais ou menos com estas palavras: "Nós, os militares, já cumprimos a nossa parte. Desmantelamos as bases da FLEC, desarticulamos a guerrilha e temos a situação sob nosso controlo. Agora cabe aos políticos fazer a sua parte, pois, nós militares, não fazemos política". F&N - Os feitos do governo no economia angolana, donde resulta a vigente economia de predação e delapidação das riquezas de Cabinda. Em segundo lugar, pelo depauperamento sistemático do tecido humano e societário cabindês e pela destruição irresponsável do ecossistema, tendo em conta os impactos ambientais decorrentes da exploração frenética e galopante do ouro negro quer no mar quer em terra, da madeira e dos fosfatos. Por conseguinte, nenhuma economia de tipo colonial pode proporcionar um desenvolvimento sustentável e, neste sentido, Cabinda não é uma excepção como "província ultramarina" de Angola. F&N - Estando de parte a hipotese do governo ceder na independência de Cabinda, pelos precedentes que pode implicar para a unidade de Angola, que outro caminho, em vossa opinião, se deve seguir para Cabinda continuar a estar alinhada na filosofia de desenvolvimento integral de Angola? R.T. - A tese do desmoronamento e desintegração de Angola por força da independência de Cabinda não passa de um mito. Por duas razões: primeiro, porque a entidade nacional chamada Angola não está erguida historicamente sob um alicerce chamado Cabinda. Não vejo porque é que a autonomização de Cabinda tenha de resultar, necessariamente, no desaparecimento de Angola. Segundo, Angola é um país potencialmente rico mesmo sem Cabinda. A sua maior riqueza é o Homem angolano. Não creio que os milhões de angolanos que constituem os recursos humanos desse grande país possam permitir o desaparecimento catastrófico da sua nação. O medo de que Angola não poderia sobreviver sem Cabinda é infundado. Os impérios coloniais europeus perderam todas as suas ex-colónias, mas não desapareceram. Hoje são potências económicas e tecnológicas em forte crescimento. Os angolanos deveriam habituar-se a pensar Angola sem Cabinda. A independência de Cabinda não pode ser uma fatalidade para os angolanos. F&N - A Auto-estima do Povo de Cabinda é maior enquanto “ A tese do desmoronamento e desintegração de Angola por força da independência de Cabinda não passa de um mito. Por duas razões: primeiro, porque a entidade nacional chamada Angola não está erguida historicamente sob um alicerce chamado Cabinda. Não vejo porque é que a autonomização de Cabinda tenha de resultar, necessariamente, no desaparecimento de Angola. Segundo, Angola é um país potencialmente rico mesmo sem Cabinda. A sua maior riqueza é o Homem angolano” campo económico e social não são trunfos para acreditar em boa fé numa Cabinda renovada e em paz? Ou, na sua visão, não existem políticas realísticas do Governo que possam augurar um desenvolvimento seguro de Cabinda em sintonia com o resto do País? R.T. - A gestão político-administrativa e económica que o MPLA impôs em Cabinda desde 1975 está baseada num paradigma colonial. Noutros termos: Cabinda é gerida como uma colónia angolana. Em primeiro lugar, por ser a galinha dos ovos de ouro da 14 Figuras&Negócios - Nº 145 - JANEIRO 2014

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