Chave para a identificação de presas em regurgitações de coruja-das-torres

 

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Chave simplificada e ilustrada para identificação das principais presas presentes nas regurgitações de coruja-das-torres (Tyto alba) em Portugal

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José Carlos Morais Chave simplificada para a identificação da presas mais comuns em regurgitações da Coruja-das-torres Tyto alba (Scopoli, 1769) www.jcmorais.com

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Mamífero ou Ave? A coruja-das-torres alimenta-se essencialmente de roedores (ratos domésticos, ratos do campo, rato-cego, ou ratazanas), mas também de insectívoros (musaranhos, toupeiras) e pequenas aves. Comece por analisar a presença ou ausência de dentes no crânio da presa. Classe dos Mamíferos Crânio com dentes. Siga para a página 4 Crânio sem dentes, com bico. Classe das Aves Anfíbios e escaravelhos, embora de modo residual, podem também fazer parte da dieta. Chave para identificação das presas 3

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Chave para identificação das presas Insetívoro ou Roedor? Centremo-nos agora nestas duas ordens de mamíferos que se distinguem facilmente pela forma dos dentes e crânios. Ordem dos Insetívoros Siga para a página 5 Dentes pontiagudos, sem espaço entre os dentes incisivos e os dentes seguintes. A Ordem dos Roedores Siga para a página 6 4 Dentes diferenciados em incisivos e molares, com espaço entre eles. (A)

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Para distinguir estes dois grupos de insetívoros o tamanho do crânio é fundamental. As toupeiras são maiores e por isso mesmo menos frequentes nas regurgitações de coruja-das-torres. A forma do crânio e o desenvolvimentos dos caninos também ajudam a identificar toupeiras que possuem úmeros achatados característicos. •Crânio grande, com arcadas zigomáticas (A) •Caninos desenvolvidos (B) •Úmeros achatados caraterísticos (C) Família Talpidae toupeiras Família Soricidae musaranhos •Crânio pequeno, sem arcadas zigomáticas (A). •Incisivo inferior desenvolvido, quase horizontal (B). Chave para identificação das presas 5 Toupeira ou Musaranho?

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Chave para identificação das presas Rato! Mas que rato? Existem 3 famílias de pequenos roedores a que normalmente chamamos de ratos. Com hábitos ecológicos e morfologias diferentes, estes “ratos” podem distinguir-se facilmente pela sua dentição. Trabalho Laboratorial Familia Muridae Siga para a página 7 Molares  Dentes tuberculados e com raízes. 3 Familia Cricetidae Siga para a página 9 Molares  Dentes prismáticos (em zig-zag) e sem raízes. 3 Familia Gliridae Género Elyomis rato-dospomares 1 A 6 Pré-molar e 3 Molares.  Dentes tuberculados e com raízes.  Maxilar inferior com perfuração no processo angular (A)

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Ratinhos ou ratazanas? Neste caso o tamanho é essencial para fazer a distinção entre estes dois grupos de ratos, mas há mais características que possibilitam a identificação a partir dos crânios. Trabalho Laboratorial Géneros Mus e Apodemus Siga para a página 8 Crânios de pequena dimensão (inferior a 15 mm de comprimento)  Crânios de grande dimensão (superior a 25 mm de comprimento)  M1 superior com 5 raízes (A).  M1 Inferior com os lobos da porção anterior em forma de crescentes opostos (B). Géneros Rattus ratazanas Chave para identificação das presas 7

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Chave para identificação das presas Ratinhos do campo ou da cidade? Características dentárias podem ajudar-nos a distinguir estes dois “primos” , de dimensões semelhantes mas pertencentes a géneros diferentes. Trabalho Laboratorial Maxilar Superior Maxilar Inferior Género Mus Ratinho doméstico  M1 e M2 do maxilar superior com dois tubérculos do lado interno (A).  M1 superior com coroa maior que M2+M3 e com 3 raízes (B).  M1 inferior com 4 lobos unidos na porção anterior (C).  Incisivo superior com chanfradura na sua aresta cortante (D). Maxilar Superior Maxilar Inferior  M1 e M2 do maxilar superior com 3 tubérculos do lado inter- Género Apodemus Ratinho do campo 8 no (A).  M1 superior de tamanho aproximadamente igual a M2+M3, e com 4 raízes (B).  M1 do maxilar inferior com 5 lobos unidos na sua porção anterior (C).  Incisivo superior com aresta cortante inteira (D).

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Dos prados ou na água? Entre os ratos de cauda curto e dentes sem raízes, diferença de tamanho distingue os grandes ratos-de-Água dos pequenos ratos dos prados. Trabalho Laboratorial A Maxilar Inferior • Dimensões Pequenas (22-23 mm de comp.) • M1 inferior com o 1º triângulo externo comunicando com o 1º triângulo interno (A). Género Microtus Ratos dos prados Maxilar Inferior  Dimensões Grandes (40-44 mm de comp.) Género Arvicola Rata-deágua • M1 inferior com o 1º triângulo externo não comunicando com o 1º triângulo interno (A). Chave para identificação das presas 9

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Chave para identificação das presas Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Mus Nome vulgar: Ratinho caseiro ou Rato ruivo (M. spretus) Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 90 mm, comprimento da cauda 95 mm, peso 20 g; Corpo alongado, olhos e orelhas desenvolvidos, focinho pontiagudo e cauda longa; Coloração geral escura com dorso entre o sépia e o acinzentado escuro (M.domesticus) castanho ruivo (M.spretus); flancos mais claros com uma tonalidade amarelada. Atividade, em geral, noturna com dois picos: após o pôr-do-sol e antes do amanhecer. Habitat: As populações comensais podem encontrar-se em todos os locais onde a sua associação com o Homem lhes proporcione alimento e abrigo adequados. As populações selvagens ocorrem, de preferência, em zonas húmidas como culturas de regadio, jardins, áreas litorais arenosas e margens de cursos de água (M. domesticus). Áreas cultivadas, jardins e campos de gramíneas, geralmente não entrando em habitações (M.spretus) Distribuição: Em Portugal está presente em todo o território continental e nas ilhas. As populações comensais apresentam densidades mais elevadas. Duas espécies: M. domesticus e M. spretus 10

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Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Apodemus Nome vulgar: Rato-do-campo Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 90 mm, comprimento da cauda 95 mm, peso 22 g; (A. sylvaticus). Corpo alongado, olhos e orelhas bem desenvolvidos, focinho pontiagudo e cauda longa; Coloração do dorso castanho-amarelado, mais escuro na parte média; ventre esbranquiçado, evidenciando-se uma mancha amarela no peito. Atividade quase exclusivamente noturna, sendo os machos mais ativos que as fêmeas. Não hiberna, mas pode ser encontrado em torpor quando as temperaturas ambientais são baixas. Habitat: Ocorre caracteristicamente em bosques e áreas florestais, mas também está presente em áreas agrícolas. Pode viver em associação com o Homem. Distribuição: Em Portugal está presente em todo o território continental. In “Mamíferos Terrestres” Edição do ICN Chave para identificação das presas 11

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Chave para identificação das presas Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Rattus Nome vulgar: Ratazana; Rato Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 200 mm, comprimento da cauda 230 mm, peso 250 g; (R. rattus) ou Comprimento do corpo 250 mm, comprimento da cauda 200 mm, peso 350 g; (R. norvegicus); Corpo alongado, cabeça bem separada do tronco, olhos e orelhas desenvolvidos, focinho pontiagudo e cauda muito longa; Coloração com o dorso entre o negro e o castanho claro; ventre negro, cinzento ou branco amarelado; Animal gregário e com atividade, em geral, noturna. Habitat: Prefere biótopos secos e de temperatura média (Rattus rattus) ou perto de água (Rattus norvegicus). Associada aos esgotos em áreas urbanas ou a quintas, armazéns e culturas cerealíferas. Distribuição: Em Portugal está presente em todo o território continental e nas ilhas. In “Mamíferos Terrestres” Edição do ICN 12

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Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Microtus Nome vulgar: Rato-cego; arganaz Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 90 mm, comprimento da cauda 25 mm, peso 18 g; (M. lusitanicus) ou Comprimento do corpo 100 mm, comprimento da cauda 27,5 mm, peso 28 g; (M. duodecimcostatus).Corpo cilíndrico, com cabeça arredondada e pouco distinta do tronco; Coloração geral castanho amarelado com ventre acinzentado; Atividade principal ao amanhecer e anoitecer. Habitat: Ocorre em áreas agricultadas (pomares e hortas) e com densa vegetação herbácea. Distribuição: M.agrestis e M. lusitanicus na zona norte e centro do território continental; M. duodecimcostatus no centro e sul; M. cabrerae no sul e centro-este In “Mamíferos Terrestres” Edição do ICN Chave para identificação das presas 13

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Chave para identificação das presas Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Arvícola Nome vulgar: Rato-de-água; Rata-de-água Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 190 mm, comprimento da cauda 120 mm, peso 200 g; (A. sapidus) ou Comprimento do corpo 150 mm, comprimento da cauda 65 mm, peso 80 g; (A. terrestris); Corpo cilíndrico, cabeça larga e pouco distinta do tronco, focinho arredondado; orelhas subcirculares, saindo pouco da pelagem; olhos pequenos; Coloração geral castanho escuro; face e flancos mais claros; Atividade, em geral, diurna. Habitat: A. sapidus habita margens de cursos de água lentos e de nível constante, ou de lagos e canais de irrigação; A. terrestris prefere áreas húmidas com vegetação rasteira. Distribuição: A. terrestris apenas em Trás-os-Montes; A. sapidus em todo o território de Portugal continental. In “Mamíferos Terrestres” Edição do ICN 14

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Biologia e Ecologia das presas mais habituais Género Elyomis Nome vulgar: Rato-dos-pomares Trabalho Laboratorial Características Gerais: Comprimento do corpo 150 mm, comprimento da cauda 110 mm, peso 20 g; (E. quercinus); Forma geral arredondada; Orelhas desenvolvidas e olhos grandes e salientes; Focinho cónico; Cauda longa, ligeiramente achatada na sua metade distal; Dorso com uma coloração castanho-avermelhado, nitidamente contrastante com o ventre brancosujo; Tufo de pelos negros na extremidade da cauda. Animal de hábitos arborícolas, fundamentalmente noturnos. Pode hibernar. Habitat: Habita as florestas de coníferas, os jardins, os pomares e as hortas. Também presente em áreas rochosas onde se abriga na fenda das rochas. Distribuição: Em todo o território de Portugal continental. In “Mamíferos Terrestres” Edição do ICN Chave para identificação das presas 15

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