Tragédia na Ponte da Régua - 1º de Maio de 1964

 

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Eram perto das 18.45 de 1.º de Maio de 1964. Mais uma tarde primaveril acabava num horizonte cercado de montes de vinhas verdejantes e as aguas serenas de um rio pasmado na beleza das suas margens. De repente, um estrondoso ruído iria marcar de dor e so

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feliz natal e p rospero a novo no sexta-feira 10 de dezembro de 2010 bombeiros arquivo dos bombeiros voluntários do peso da régua as melhores imagens da sua história tragédia na ponte da régua ram perto das 18.45 da 1.ª de maio de 1964 mais uma tarde primaveril acabava num horizonte cercado de montes de vinhas verdejantes e as aguas serenas de um rio pasmado na beleza das suas margens de repente um estrondoso ruído iria marcar de dor e sofrimento a sossegada vila da régua cumprindo com exactidão o horário uma camioneta de passageiros da eavt fazia o percurso habitual e rotinado entre a cidade de lamego e a vila do peso da régua atravessava a ponte nova já nos últimos tabuleiros ­ construção destinada a uma linha ferroviária que nunca veio a ser construída avistava-se já muito pertinho o velho casario do corgo o imponente cais de mercadorias da estação do caminho-de-ferro os táxis e camionetas de carreira a aguardarem passageiros no largo da estação onde também esta iria fazer a última paragem de giro ao chegar prestes do fim da ponte a camioneta cruza com um carro um pequeno austin mini colidem lateralmente a camioneta descontrola-se e guina para a esquerda sobe o passeio derruba o gradeamento de ferro e precipita-se numa queda de 30 metros a camioneta cai sobre lajes e pedregulhos que ladeiam a margem do rio próximo do local onde as crianças costumavam brincar e tomar banho conhecido como cais da junqueira desfaz-se em ferros retorcidos e vidros partidos gera-se o pânico nos passageiros surpreendentemente um passageiro o sr matos ferreira sai ileso e a primeira coisa que faz é voltar a trás à procura de um botão caído do seu casaco no meio daqueles destroços pouco tempo depois chegavam os primeiros bombeiros o josé manuel clemente e o pai que ficam horrorizados com o cenário encontrado são estes dois homens que prestam os primeiros socorros às vitimas feridas ajudando-as a sair do interior da camioneta de imediato pedem reforços para responder e com dignidade à gravidade da situação chegam os médicos e enfermeiros que trabalham na régua e em lamego para memória futura joão de araújo correia chamado ao local para entre os quais é de salientar a presença do dr joão de araújo correia começaram a ser retirados os corpos sem vida o condutor e o cobrador da camioneta entre as manchas de sangue aparecia calçado feminino pastas de estudantes uma colecção de pontos de matemática chapéus de homem um tubo de pasta dentífrica e as folhas de um ponto de matemática com o nome do dono camilo bernardes pereira os feridos continuavam a ser retiradas do meio dos ferros retorcidos mais uma jovem sem vida maria henriqueta filha do vice-presidente da câmara roque cruz entretanto os feridos são transportados nas ambulâncias dos bombeiros para a urgência do hospital d luís i pouco tempo depois corre a notícia de que acabava de falecer mais uma criança durante a madrugada outra menina não resiste aos ferimentos no dia seguinte uma outra desiste de viver acabam de perder a vida neste trágico acidente cinco adolescentes na primavera da vida e dois homens adultos a régua vive momentos de grande pesar deixando-se enlutar pela tragédia das três famílias atingidas prestar assistência aos feridos na sua qualidade de médico não deixou de evocar a dor e o sofrimento dos sinistrados dos familiares dos amigos de toda a população nem deixou de criticar a falta de civismo dos condutores em geral pouco dispostos a cumprirem o código e lamentou que a tragédia acontecesse numa ponte nova mas sem condições mínimas de segurança para circulação de veículos nos dois sentidos quem o ouviu nesse tempo ninguém fizeram ouvidos de mercador foi como se nada ali tivesse acontecido passados muitos anos naquela ponte tudo permanece igual mas com riscos cada vez maiores tudo isso faz parte de uma séria reflexão que ele próprio expôs na crónica duas pontes publicada no jornal comércio do porto de que aqui se transcreve o essencial mais um desastre de viação e desta vez horroroso cinco meninas em flor ainda estudantes e dois homens válidos dois trabalhadores encontraram a morte dentro de um autocarro despenhado do alto de uma ponte na régua sobre a margem direita do rio douro mas além dos mortos os feridos o hospital da régua foi hospital de sangue no fim de uma batalha quem assistiu àquelas ansiedades àqueles estertores continua a sonhar amargo pesadelo o dia 1º de maio de 1964 dia de rosas fica assinalado na régua como dia de goivos e martírios de quem foi a culpa a culpa senhores não foi de ninguém a culpa deve atribuir-se ao fatalismo crença absoluta do automobilista português no que tem de acontecer com semelhante credo tanto lhe faz guiar mal como bem tanto lhe faz obedecer como desobedecer ao exame de condução o código só tem valor antes do exame feito o exame é letra morta fanático do fatalismo o motorista português é suicida sem desgosto e assassino sem rancor e se assim se pode dizer um inocente maneira de o desviar de si próprio fazer-lhe crer no livre arbítrio ou no determinismo seria castigá-lo de modo que lhe doesse quando prevarica mas a lei portuguesa e o tribunal português são benignos com o motorista desastrado no fim das audiências ouve-se dizer pobre de quem morre sobre a má filosofia o vinho a pressa a inveja o delírio fazem da estrada portuguesa um cemitério não o seria se a lei fosse mais dura e o tribunal menos indulgente pobre estrada portuguesa em vez de caminho florido é um calvário uma fábrica de lutos na régua há hoje exemplos da maior dor humana dois casais felizes perderam cada um duas filhas são como diria camilo sepulcros vivos de duas filhas mortas quem acode à nossa estrada quem acode à família portuguesa o caso da régua é um grito que implora eco na consciência nacional tanta morte em estrada tão pequenina os desastres em portugal são o dobro e o tresdobro dos inevitáveis o caso da régua à parte o erro ou erros de condução é atribuível a bastantes para o seu tráfego seriam duas pontes sem desastres porque o trânsito se faria em sentido único ia-se da régua a lamego pela ponte velha e regressava-se à régua pela ponte nova diz-se que o tempo tudo apaga mas não parece ser verdade quando se recordam os acontecimentos da tragédia na ponte da régua que não está esquecida por ninguém lembram-se dela os familiares das vítimas onde a dor permanece viva os feridos que sobreviveram da queda acreditando que foi um milagre que lhes aconteceu nesse dia os bombeiros também não esquecem o dia da tragédia aqueles que ajudaram na operação de salvamento e no transporte dos feridos e os que acompanharam o funeral das duas irmãs da família roque cruz transportadas no velho pronto socorro buick pela ruas da régua entre o hospital e o largo da igreja matriz no peso onde se celebraram as últimas cerimónias religiosas esta era a única missão que os bom outra espécie de incúria se na ponte malfadada estreita e desprotegida com duas guardas que são dois ornatos fossem proibidos cruzamentos e ultrapassagens o desastre não teria ocorrido mas nem do lado de lamego nem do lado da régua há sinal proibitivo nem sequer se reforça num letreiro o mandamento que obriga a moderar a marcha numa ponte não há nada o que ali se faz de vez em quando é espantoso vai pela sua mão um motorista pacato de repente sem tir-te nem guar-te passa-lhe à esquerda uma sombra É um automóvel que vai para o outro mundo e quer levar consigo outros automóveis mais adiante o motorista pacato avista uma nuvem É outro automóvel que vem ao seu encontro para o matar e fazer do seu carrinho um bolo pobre motorista pacato na régua há duas pontes há a ponte nova onde se deu o desastre e a ponte velha inutilizada por avaria do tabuleiro mas com pilares tão rijos que pede tabuleiro novo se lho dessem teria a régua duas pontes beiros gostavam de não ter cumprido como aconteceu nas últimas viagens ficou uma dor e luto profundo no coração daqueles homens que pelo caminho interminável da vida choraram a morte daquelas crianças do acidente trágico em cima da ponte nova da régua os nossos bombeiros prefeririam não ter participado nesta missão de dor que enlutou a população da sua vila natal pelo facto de um acontecimento abrupto ter cortado o fio da vida a algumas jovens da sua comunidade e terem de ser eles a conduzir os restos mortais à última morada mas dar acolhimento a tal preferência seria traírem a razão da sua existência na régua a dor custa a suportar a todo o ser humano É nessas ocasiões que as pessoas em sofrimento mais precisam da presença do apoio e do auxílio dos amigos os bombeiros igualmente em sofrimento marcaram a sua presença amiga oferecendo o seu auxílio até ao fim até ao fel amargo da dor dos familiares destroçados no meio das lágrimas que choraram mantiveram alta a nobreza que sempre os tem caracterizado semanÁrio independente defensor do alto douro 5

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