Uma Jornada de Fé - Antonio Gilberto.

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Uma Jornada de Fé - Antonio Gilberto.

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0 CPAD Um a Jo rn a d a de FÉ a w Moisés , o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida

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Um a Jornada de FÉ M o isés , o Êxodo e o C am inho à Terra Prometida A l e x a n d r e C o elh o e S ilas D aniel Ia edição C B© Rio de Janeiro 2013

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Todos os direitos reservados. Copyright © 2013 para a língua portu­ guesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação dos originais: Daniele Pereira Capa: Flamir Ambrósio Projeto gráfico e editoração: Elisangela Santos C D D : 22 2.12 - Êxodo ISBN : 9 7 8 -8 5 -2 6 3 -1 0 9 2 -6 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Cor­ rigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 I a edição: Outubro/ 2013 Tiragem: 30.000

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1. O Nascimento e a Chamada de um Libertador..................5 2. Um Libertador para Israel........................................................ 16 3. As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó...................... 24 4. A Celebração da Primeira Páscoa..........................................35 5. A Partida do Egito e a Travessia do M ar Verm elho.........45 6. A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai............... 58 7. Os Dez M andam entos.............................................................. 67 8. A Liderança de Moisés e seus Auxiliares............................. 78 9. Um Lugar de Adoração no D eserto ..................................... 88 10. As Revolucionárias Leis Entregues por Moisés aos Israelitas....................................................................................... 102 11. A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio.... 128 12. A Consagração para o Sacerdócio Levítico...................... 138 13. O Legado de M oisés.................................................................146 Bibliografia...............................................................................159

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1 O N a sc im e n t o e a de um C h a m a d a Lib e r t a Alexandre Coelho dor salvação. E isso não é sem motivo, pois não se pode imaginar um estu­ do sério da Palavra de Deus sem que se examine o Pentateuco, e, mais precisamente, a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida. Este capítulo trata da origem de Moisés, o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel. Levemos em conta que Deus costuma se utilizar de instrumentos humanos para que a sua glória seja manifesta, e por isso podemos estudar os exemplos de homens e mulhe­ res usados por Deus para grandes feitos ao longo da Bíblia Sagrada. A história do êxodo de Israel tem figurado por séculos na his­ tória dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da O Livro de Êxodo Autoria A autoria do livro de Êxodo é atribuída a Moisés, homem de Deus. De acordo com o D icionário Wycliffe, O livro do Êxodo, como parte do Pentateuco, foi atribuído pelos ju­ deus à máo de Moisés, desde o tempo de Josué (Js 8.31-35). [...] O

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U m a J o r n a d a de fé Senhor Jesus Cristo fez citações do livro do Êxodo (3.6) e chamou-o especificamente de “livro de Moisés” (Mc 12.26; cf Lc 20.37). O texto indica que seu autor participou dos eventos descritos, e a pessoa realmente mais indicada e mais aceita no tocante à autoria do texto tem sido Moisés. Esboço do livro de Êxodo De forma sintética, o livro de Êxodo pode assim ser dividido para fins didáticos: c® O povo de Deus é escravizado (Êx 1) " Moisés é chamado para libertar o povo (Êx 2— 4) Moisés fala com Faraó; As Dez Pragas mandadas contra o Egi to (Êx 5— 11) A Páscoa (Êx 12— 13) A saída dos israelitas do Egito (Êx 14— 19) A entrega da Lei de Deus (Êx 2 0 — 24) A construção do Tabernáculo (Êx 2 5 — 40) Esse esboço é apenas exemplificativo, pois pode ser ampliado de acordo com o estudo de outros acontecimentos dentro do próprio livro. O propósito do livro de Êxodo A palavra “êxodo” traz a ideia de “saída”, “partida”. O livro recebe esse nome, Êxodo, por mostrar o início da escravidão dos hebreus pelos egíp­ cios, a escolha de Moisés como libertador e a forma como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. Conforme o Dicionário Wyclijfe, O êxodo é o acontecimento crucial na história de Israel. Foi a po­ derosa libertação realizada pelo Senhor, para trazer todo o povo de 6

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O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e u m L ib e r t a d o r Israel da escravidão no Egito e levá-lo à Terra Prometida. Esta sa­ ída do Egito e a consequente migração em direção a Canaã, sob a liderança de Moisés, foi marcada por muitos milagres, e resultou no estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus, que era seu próprio governador teocrático.1 Dentro do Pentateuco, o Êxodo faz uma ligação para que a história dos hebreus seja encadeada de forma que haja continuidade na narrativa mosaica. Um olhar panorâmico no Pentateuco nos mostra que em Gêne­ sis Deus cria o mundo, a humanidade, promete um Salvador e conduz Abraão, Isaque e Jacó a um relacionamento com Ele. O fim do livro de Gênesis fala sobre José, filho de Jacó, que vai para o Egito como escravo e se torna governador, com uma administração pautada no temor a Deus e no bom senso. José traz seus irmãos e seu pai para o Egito, para que tenham um lugar mais tranquilo para viver, e o livro é encerrado com o pedido de José para que os israelitas tirassem os seus ossos daquelas terras, pois Deus os visitaria e os tiraria de lá. A seguir, o livro de Êxodo mostra a escravidão dos hebreus no Egito e a libertação divina por intermédio de Moisés, um personagem que vai figurar nos demais livros do Pentateuco. O livro de Levítico se encarrega de ensinar ao povo o valor da comunhão com Deus, a lei sacrificial e o trabalho no Tabernáculo. O livro de Números aborda a peregrinação dos israelitas no deserto, e o livro de Deuteronômio mostra os discursos de Moisés ao povo antes de entrarem na Terra Prometida. A escravidão O livro de êxodo fala de escravidão. Essa expressão traz para nós a ideia de uma pessoa que está sob controle absoluto de outra por meio da força, e para essa pessoa trabalha sem qualquer direito. Tendo em vista os avanços na esfera social que o homem moderno obteve por meios demo­ cráticos, falar em trabalho escravo em nossos dias é uma coisa absurda, apesar de ele existir em muitos lugares no mundo. Não se pode pensar em um trabalho que não seja remunerado (exceto o voluntário), nem se pode imaginar pessoas trabalhando sem hora de descanso e ainda sendo 1 PFEIFFER, Charles F; VO S, Howard F.; REA, John. D icionário Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 735. 7

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U m a J o r n a d a de fé tolhidas de direitos como o descanso e alimentação adequada. Mas no mundo antigo, a escravidão era uma prática bem difundida. Uma pessoa poderia cair nessa situação caso fosse vendida por familiares ou se fosse uma presa de guerra, ou mesmo se não pudesse pagar dívidas. O certo é que era uma situação constrangedora e humilhante para homens e mu­ lheres que se viam envolvidos por ela. O livro de Êxodo narra o princípio da escravidão do povo hebreu pelas mãos dos egípcios. Um rei se levantou no Egito, e esse monarca não tinha prazer em recordar a história daquela nação. Ele não conhe­ ceu a José, e essa expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema prova­ ção, quando os alimentos se tornaram escassos, e que se não fosse pela instrumentalidade de José, filho de Jacó, o Egito provavelmente não subsistiria. Deus fora misericor­ / "Qualquer egípcio ou egípcia po pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem, pegar a \ dioso para com os egíp­ cios, dando-lhes um ad­ ministrador como José. E muito tempo depois, o Egito decide retribuir o livramento dado por José usando os hebreus como mão de obra escrava. Essa foi uma forma muito ruim de demonstrar gra­ tidão, mas de forma geral essa é a tendência huma­ na: esquecemo-nos das bondades de Deus e nos âeria entrar nas casas dos israelitas, criança recém-nascida, conferir-lhe o sexo e, se fosse um menino, tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê, a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por \ crocodilos." tornamos senhores das bênçãos que Ele nos tem dado graciosamente. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Êx 3.8, N T L H ). A expressão “poder” mostra o grau de opressão com que os egípcios tratavam os hebreus, considerando-os como se fossem nada, descartáveis. 8

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O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r Clamor por libertação A busca pela liberdade também é um dos temas descritos no livro de Êxodo. Quem está preso deseja ser livre, e o mesmo ocorre para com aqueles que estão sendo submetidos à escravidão. Não foi à toa que Moisés escreveu: E aconteceu, depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão. E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó; e atentou Deus para os filhos de Israel e conhe­ ceu-os Deus. (Êx 2.23-25) O rei que decretou a escravidão falecera, mas seu sucessor manteria aquele sistema até que Deus visitasse o seu povo e o libertasse daquela situação. Reter os israelitas no Egito como escravos se mostrou caríssi­ mo para Faraó e a nação egípcia. Aqui cabe uma observação: apesar de o povo de Deus passar por aquela tribulação, a Bíblia nos diz que Deus manteve o seu plano de levar seu povo a uma terra onde poderiam viver como uma nação. Para isso, Deus usaria Moisés como o instrumento não apenas de libertação, mas também como um legislador, a fim de que o povo pudesse seguir regras adequadas para sua existência na nova terra. Deus não perdeu o controle da história. Ele apenas estava esperando o momento certo para agir. O Nascimento de Moisés Os israelitas no Egito Moisés nasceu em um momento desfavorável aos filhos de Abraão no Egito. O livro de Êxodo começa indicando que “os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito” (Êx 1.7). Esse cenário nos parece bastante favorável à existência de um povo, tendo em vista que as re­ lações sociais entre os hebreus são descritas como propícias à expansão demográfica. Os israelitas podiam se casar, ter filhos e criá-los, e estes cresciam, tinham seus filhos e os criavam, e assim sucessivamente. 9

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U m a J o rn a d a de fé Mas no versículo 8, a história nos mostra uma mudança no cenário político do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. “Depois, levantou-se um novo rei no Egito, que náo conhecera a José”. Este verso mostra o que eu chamo de “princípio das dores” para os hebreus que mora­ vam no Egito. Até esse momento, não há indicação de que eles eram vistos como uma massa de trabalho escravo pronta para satisfazer os desejos de reformas e construção de novas estruturas no Egito. Os hebreus tinham seus afazeres, e ao que tudo indica, não influenciavam negativamente em qualquer fato social dos egípcios. Mas não foi isso que o novo rei do Egito viu. Ele assumiu o poder e entendeu que três situações poderiam ocorrer. Conforme Êxodo 1.11, a) os israelitas, como um grande grupo de pessoas, estava crescendo bastante; b) ele imaginou que em um caso de guerra futura, os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios; c) ele também entendeu que no caso de uma guerra, os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”), o que traria uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional. Podemos extrair dessas observações que o homem sem Deus vai buscar razões malignas para justificar seus feitos, e vai convencer a si mesmo e aos que o cercam. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo, era um sinal claro da bênção de Deus. Além disso, não há registros de que Israel tivesse intenções de se associar a outras nações em uma guerra futura contra os egípcios. Mas a Bíblia declara que os pensamentos de Faraó esta­ vam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. Um bebê é salvo da morte Como foi dito, Moisés não veio ao mundo em um período propício ao nascimento de um menino hebreu. Quanto mais os israelitas eram afli­ gidos, mais se multiplicavam, a ponto de o rei dar ordens às parteiras das hebreias, Sifrá e Puá, para que matassem os meninos recém-nascidos. Faraó acreditou que poderia contar com a obediência dessas mulheres, mas estas temeram a Deus e não obedeceram ao rei, sendo posteriormente recom­ pensadas por Deus. Quando chamadas para prestar contas, disseram ao rei que as mulheres hebreias eram “vivas”. A Versão Atualizada da Bíblia usa a 10

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O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r expressão “vigorosas”, e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz que as mulheres hebreias “dão à luz com facilidade”. Independentemente das versões utilizadas, os textos mostram que as parteiras foram inquiridas por Faraó e deram a ele uma resposta que as isentou de sujarem as máos com sangue inocente. A nossa fé em Deus deve sempre nos motivar a fazer o que é certo e justo, e acima de tudo, a não compactuar com o que está errado. Mas os planos de Faraó não pararam. Se as parteiras hebreias não cumpriam as ordens dadas, a ordem agora passou para o povo egípcio: “Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida” (Ex 1.22). Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas, pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem, pegar a criança recém-nascida, conferir-lhe o sexo e, se fosse um menino, tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê, a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. Os planos de Satanás eram cruéis, e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Abraão. Outra coisa a se observar é o fato de que a maldade humana cria métodos malignos para conseguir seus feitos. Mas se Satanás tinha um plano de opressão, escravidão e morte contra os hebreus, Deus também tinha um plano, mas de livramento, libertação e de vida para os seus filhos. A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino, e, não podendo mais escondê-lo, colocou-o em um cesto de juácos, uma construção bem frágil para proteger uma criança. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio, entre as plantas. E exatamente naquele lu­ gar a filha de Faraó foi se banhar, e vendo o cesto, ordenou que uma de suas criadas o fosse pegar. A filha de Faraó se compadeceu do menino, decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés, usando a filha de Faraó para tal livramento. A mãe de M oisés A Bíblia apresenta a mãe de Moisés como uma mulher que descendia de Levi, um dos irmãos de José. Ela teve um menino, e tentou escondê-lo por três meses. Precisamos concordar que esse foi realmente um grande II

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U ma J o r n a d a de fé feito, pois em uma época em que os egípcios caçavam bebês meninos dos hebreus, essa mulher arriscou-se muito para preservar em vida o fruto do seu ventre. Foi um ato de fé. Observe que a Palavra de Deus não cita o nome dos pais de Moisés nesse momento, mas cita o de Miriã. Léo G. Cox, comentarista do livro de Êxodo no Comentário Beacon, sugere que Moisés não era o primeiro filho do casal, pois a irmã Miriã tinha idade suficiente para cuidar do irmão (4; Nm 26.59). Além disso, o irmão de Moisés, Arão, era três anos mais velho que ele (6.20; Nm 26.59). Parece que o édito do rei entrou em vigor depois do nasci­ mento de Arão, sendo Moisés o primeiro filho deste casal cuja vida estava em perigo por causa da proclamação do rei.2 O certo é que essa mulher colocou seu filho em um cesto de juncos pela fé, e pela fé viu a vida de seu filho ser preservada por Deus. O Se­ nhor não apenas guardou a vida do menino, mas fez com que a mãe de Moisés fosse remunerada para cuidar do próprio filho. A filha de Faraó A filha de Faraó entra em cena na história do povo hebreu. Deus tem um senso de humor interessante: Se o rei do Egito ordenara a mor­ te dos meninos hebreus, Deus graciosamente usa­ “ Dwight L. Moodij comentou sabiamente que ‘A íoisés passou seus primeiros quarenta anos pensan­ do que era alguém. Os segundos quarenta anos, passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos quarenta anos ele os passou desco­ brindo o que Deus pode fazer com ^ um ninguém'." • ria a filha do Faraó para preservar em vida o me­ nino que seria, anos mais tarde, o libertador dos is­ raelitas. Quase nada é fa­ lado acerca dessa mulher, mas o que temos aqui é suficiente para entender que a providência divina 2 LIVINGSTON, George Herbert et all. Comentário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 144. 12

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O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r pode utilizar pessoas que desconhecemos, e que nem mesmo têm o mesmo temor a Deus que nós, para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos. A filha de Faraó não apenas se sentiu comovida com a situação da­ quele menino colocado no cesto de juncos. Ela soube imediatamente que aquele bebê era dos hebreus, e apesar de haver uma ordem para que os egípcios jogassem os bebês do sexo masculino do rio, a filha de Faraó decidiu não obedecer. Ela guardou o menino em vida. A Chamada e o Preparo de Moisés Deus chama o seu escolhido De forma mui peculiar, Deus chama seus escolhidos nas mais diversas funções. Mateus era um fiscal da receita em Israel, nos dias de Jesus. Saulo estava a cargo de procurar pessoas que falavam em nome de Jesus, para trazê -las presas, quando se encontrou com o Senhor na estrada para Damasco. E Moisés estava “muito bem, obrigado”, pastoreando as ovelhas de seu sogro próximo ao Horebe, o monte de Deus, uma elevação de aproximadamente 2.300 metros. Nessa época, Moisés habitava com os midianitas, descen­ dentes de Abraão com Quetura. Depois de matar um egípcio, Moisés fugiu para essa região, onde encontrou abrigo e formou uma família, casando-se com a filha de Reuel, cujo nome significa “amigo de Deus”, mas também era conhecido como Jetro. Zípora deu-lhe dois filhos: Gérson, que significa “peregrino fui em terra estranha”, e Eliézer, que significa “o Deus de meu pai foi minha ajuda e me livrou da espada de Faraó” (Ex 18.2-4). Aparentemente, nesse período de sua vida, Moisés desvencilhou-se de quem era, de sua origem e de sua educação no Egito. Foi um período em que a própria Bíblia nada fala sobre Moisés, até o seu encontro com Deus no deserto. Deus prepara o seu escolhido Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer a sua obra? Com certeza. Não há referências na Palavra de Deus que indiquem que Ele despreza talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Saulo era 13

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U m a J o r n a d a de fé versado em três línguas diferentes, e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens missionárias. Mateus era um cobrador de impostos, e utilizou seus conhecimentos para escrever seu Evangelho. Davi era um comba­ tente, mas também era um poeta que compôs diversos cânticos de ado­ ração ao Senhor. Daniel era um profeta, mas também era um estadista. Portanto, entenda que Deus utiliza nossos recursos em prol do seu Reino. Deus capacita pessoas para a sua obra? Com certeza. Ninguém pode dizer que está totalmente pronto para dar passos definitivos na caminhada com Deus. Elias, o tisbita, ressuscitou um menino morto, mas para isso teve de passar uma temporada no anonimato em Querite, sendo mantido por corvos, e depois que o ribeiro secou, foi direcionado por Deus para ficar uma temporada sendo mantido por uma viúva pobre em Sarepta, uma localidade de Sidom, terra natal de Jezabel. Ele foi capacitado por Deus para os desafios que enfrentaria. O mesmo se deu com Moisés: sua formação no Egito e o tempo no deserto, pastoreando as ovelhas de seu sogro, fizeram dele o homem escolhido por Deus para uma obra sem igual. Como cristãos, somos desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus, e isso in­ ,________ -A/ "Ele não conheceu a José, e essa V clui buscar uma formação sólida e coerente. Há uma frase que cir­ cula em adesivos de carros que diz: “Deus não cha­ ma os capacitados, mas capacita os escolhidos”. É uma frase estranha, ao menos em minha ótica, pois Deus não costuma desprezar a nossa expe­ riência de vida, como se expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito an­ teriormente passara por um período < de extrema provação, quando os alimentos se tornaram escassos, e que se não fosse pela instrumentalidade de José, filho de Jacó, o Egito provavelmente não subsistiria." nada em nossa existência prestasse. Deus pode usar qualquer pessoa em sua obra, mas ao longo do texto bíblico Ele chama pessoas capacitadas, ainda que limitadamente, para servi-lo. Na prática, Deus utiliza nossos dons, estudos e demais recursos que adquirimos ao longo da vida para 14

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O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L ib e r t a d o r serem utilizados em prol do seu Reino. Portanto, quanto mais recursos obtemos ao longo da vida, mais eles poderão ser usados no serviço do Mestre. E é nossa função estar capacitados dentro de nossas forças para prestar o melhor ao Senhor. Em sua sabedoria, Ele complementará o que nos falta. 0 preparo de M oisés Deus sempre tem um objetivo quando chama um de seus servos para que exerça alguma função ou ministério e tem sua forma própria de preparar seus escolhidos, como aconteceu com Moisés. Na prática, nunca estaremos sempre prontos para atender à voz de Deus. Sempre faltará alguma atitude da qual só teremos ciência quando estivermos no meio da jornada. Ainda assim, em sua paciência, Deus nos pede que andemos confiando nEle, e não que acumulemos a bagagem de conhe­ cimento e experiência antes para depois decidir que vamos obedecer. Quando foi chamado por Deus, Moisés estava apascentando as ovelhas de seu sogro. Após ter passado quarenta anos no Egito como membro da corte de Faraó, tendo recebido uma educação própria de sua classe social, Moisés foge do Egito por ter matado um egípcio. Ele passou a próxima tem­ porada de quarenta anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica, onde aprendeu os caminhos do deserto, a forma como so­ breviver nele, os tipos de animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. Eram questões simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito, mas foi dessa forma que Deus preparou Moisés. A sabedoria dos egípcios ele já possuía. Ele precisava agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma jornada que duraria anos. Dwight L. Moody comentou sabiamente que “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. Os segundos qua­ renta anos, passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos qua­ renta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém” (citado por Charles Swindoll).3 Guarde isso em seu coração. 3 SW IN DO LL, Charles. M oisés. Série Heróis da Fé. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 31. 15

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