Brito & Freire. Gente braba!

 

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JORNAL DE ARCOVERDE edição 276 – Novembro/Dezembro 2013 – Caderno 1, pág.19

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JORNAL DE ARCOVERDE edição 276 – Novembro/Dezembro 2013 – Caderno 1, pág.19

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Brito & Freire. Gente braba! Pedro Salviano Filho Nesta coluna já foram apresentados vários temas envolvendo famílias e fazendas pioneiras que deram origem ao povo arcoverdense. Famílias que se estabeleceram no início do século 19 quando as primeiras casas da vilazinha Olho d´Água começaram a surgir (parece que somente a partir de 1860 os registros eclesiais começam a mostrar o nome Olho d´Água dos Bredos). Eram moradoras das fazendas dos vaqueiros sertanejos, pioneiros da nossa região. Duas dessas famílias são agora o tema desta coluna: Brito e Freire. Vários pesquisadores apontam como origem do tronco Brito um inglês, filho de uma holandesa, que aqui adotou o nome de Francisco Ricardo Nobre que, casando-se com Theresa de Jesus Maria, em Jabitacá, na fazenda Volta, Ribeira do Pajeú, tiveram muitos descendentes, hoje espalhados pelo mundo. Já a família Freire teve origem no português Sérvulo José Freire e sua esposa Ana Pacheco do Couto (filha de Leonardo Pacheco Couto). Iniciamos com os relatos do pedrense Victorino Freire, no seu livro A Laje da Raposa. Memórias, 1978, página 15: «Meu pai, Victorino José Freire, de quem herdei o nome, era fazendeiro e comerciante, atuando, também, na política local, na Vila de Olho-d'Água dos Bredos e Pedra, município de Cimbres, desenvolvido o bastante para ser a cabeça da comarca, vizinho dos importantes distritos de Pesqueira e Mimoso. Meus bisavós paternos, ainda muito jovens, se estabeleceram no interior de Pernambuco e ai fundaram uma vila, à qual chamaram de Olho-d'Água dos Bredos. Anos mais tarde, o nome foi mudado para Rio Branco, sendo posteriormente substituído por Arcoverde, homenagem ao Cardeal Joaquim Arcoverde que lá havia nascido. Existia naquela época uma acirrada luta politica entre os Brittos, que moravam em Pesqueira, Ipojuca, Cimbres e Mimoso, e os Freire, Arcoverde, Pacheco, Cavalcanti de Albuquerque e Siqueira, de Olho-d'Água dos Bredos e Pedra. Frequentemente, por ocasião dos pleitos eleitorais, a luta das famílias trazia perspectivas trágicas, e era sempre um sobressalto quando um Britto e um Freire encontravam-se pelas estradas da região. Quis o destino que meu pai, numa ida a Cimbres, conhecesse Anna de Britto, aquela que viria ser minha mãe. Os Britto, do lado de minha mãe, ao saberem que existia um namoro entre Anna e um Freire, ela com dezesseis anos na época, reuniram um conselho de família para por fim ao problema. Decidiram que ela seria mandada para outra cidade, Pajeú das Flores ou Varas, onde viviam alguns parentes. A jovem Anna, porém, fez pé firme reafirmando seu desejo de casar-se com Victorino, meu pai.

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Reunido novamente o conselho de família, foi convocado um tio de Anna, o velho Chico de Britto, que era o mais ouvido pela família. Chico de Britto era fazendeiro em Mimoso; homem religioso, mas muito violento. Ladrão de cavalos que passasse na área de influência de Chico de Britto de lá não saía vivo, e a punição pelo roubo de animais com a pena de morte passou a ser conhecida como a "lei de Chico de Britto". Pois foi o velho Chico de Britto quem resolveu o assunto, argumentando que casamento nada tinha que ver com política, e que, além do mais, se fosse consentido por ambas as famílias haveria a possibilidade de se acabar com uma luta que já atravessava gerações. E assim aconteceu o casamento, num clima de grande expectativa e que se transformou no marco de paz entre as duas famílias. Do casamento de Victorino com Anna, nasceram 17 filhos dos quais criaram-se 12, nove homens e três mulheres: Elpídio, Euclides, Benjamim, José, Severiano, Victorino, Arquimedes, Milton e Pedro; Alzira, Dulce e Nair. Ainda moços, faleceram Elpídio, Alzira, Arquimedes, Euclides e Benjamim. Dos demais, alguns ficaram em Arcoverde, como Severiano, Pedro, Milton, Dulce e Nair, onde se casaram e constituíram família. Eu e José viemos para o Rio de Janeiro, anos mais tarde. Passei minha infância em Arcoverde, até 1917 [ver também http://goo.gl/EueUGN ]. Em companhia de meus irmãos, aprendi a trabalhar na fazenda, tomando conta do gado e presenciando as lutas políticas de meu pai pelo controle do município. Minha mãe, extremamente enérgica com os filhos, acordava-nos a cada segunda-feira às 5,30 horas da manhã para irmos ao colégio, com as seguintes palavras: "Hoje é segunda, amanhã é terça, e depois já é quarta; metade da semana já passou e ainda ninguém fez nada! Para fora das camas!" E ai de quem se atrasasse! — a palmatória de braúna era um argumento muito eficaz para que pulássemos da cama... Meu pai dividia seu tempo entre a fazenda, os negócios e a politica. Não raro, entretanto, envolvia-se em questões e lutas de sua família contra grupos de bandidos armados, na época coisa típica da região. Um desses conflitos ficou de tal maneira conhecido que acabou virando história e cantiga do folclore nordestino. Existia nas redondezas de Pesqueira uma malta de cangaceiros conhecida como "Os Guabirabas"; eram três irmãos e um cunhado, assassinos por índole, cada qual pior que o outro. Face aos permanentes tumultos criados pelos Guabirabas, o velho Delfino Batista, delegado de Pesqueira, solicitou ao presidente da Província auxílio policial para pôr fim à situação. Não obtendo o reforço pedido, renunciou ao cargo, entregando-o ao suplente, Liberato Britto, nosso parente. Logo ao assumir a delegacia, Liberato mandou avisar aos cangaceiros, que aos sábados sempre faziam arruaças na feira da cidade, que estava assumindo a delegacia e passaria a exigir ordem. Os cabras mandaram um recado de volta dizendo que não tomavam conhecimento do novo delegado, e que no sábado estariam na feira. O recado partira de Cirino, o mais perigoso de todos. Liberato reuniu a família, juntou seus cabras de confiança, e jurou por sua honra que se os Guabirabas aparecessem ou eram presos ou morriam. Sendo Liberato nosso parente, meu pai, em companhia de dois de seus cabras, Manuel Pau Ferro e Cassiano, partiu rumo a Pesqueira para com Liberato esperarem a feira de sábado. O sábado chegou com todo mundo preparado. Por volta das dez horas da manhã, apareceu um moleque em casa de Liberato com um recado de Cirino, dizendo que estava em Pesqueira, e se duvidassem ele acabava com a feira. Liberato reuniu a cabroeira, pronto para o que desse e viesse. Naquele instante, chegava o Coronel Ildefonso Freire, que

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fez ver a Liberato os riscos de um tiroteio na feira, pois conhecendo o Guabiraba sabia que ninguém o pegaria sem violenta reação, o que poderia causar vítimas inocentes. Ponderou que uma fera como aquela só se pegaria bem no mato. Sugeriu emboscá-lo na ladeira que sai de Pesqueira para Jatobá e passar-lhe fogo. Liberato, acolhendo a sugestão, mandou avisar a Cirino que o estava esperando na saída da cidade. Cirino saiu da feira para enfrentá-los. Chegando no início da ladeira, apeou-se do cavalo, apertou as cilhas, verificou as armas e tornou a montar. No meio da ladeira sentiu o cavalo amedrontado e subitamente parou. Foi quando Chico Ramalho, um dos cabras de Liberato, saiu de dentro do mato, correu para o cavalo de Cirino e agarrou-lhe as rédeas. O bandido passou-lhe a pistola e partiu-lhe o ombro ao meio. Nesse instante, outro cabra de Liberato, chamado João Luz, correu para Cirino, sendo mortalmente ferido pelo bandido. João Luz, sentindo que estava morrendo, ainda teve forças para gritar para Zé do Carmo, chefe dos homens de Liberato: — Não afrouxe o cangaceiro! Vamos ver lá no inferno quem conta a história primeiro. — Cabra, tens o couro seco e quero ver a tua fama! Do lado de Zé do Carmo, o cabra Chico Cabrita atirou em Cirino gritando: Na pressa de atirar, errou e o Guabiraba passou-lhe fogo gritando ao mesmo tempo: — Não lhe mostro a minha fama, mas cabra perca o costume de atirar à traição! O cavalo de Cirino saltava para todos os lados, o que fez com que o bandido também errasse o seu tiro. Cassiano correu para o bandido atirando. Cirino atirou de volta. Cirino ficou ferido na perna e Cassiano saiu cambaleando também ferido. Ao ver Cassiano encolhido na beira da estrada, meu pai perguntou-lhe: — Cassiano, estás esmorecido, cabra? — Não senhor, Coronel, eu tô é baleado no figo — respondeu o cabra. Zé do Carmo saltou na frente de Cirino e passou-lhe o bacamarte. O tiro de arma pesada varou-o de lado a lado. Caindo do cavalo, quase morrendo, o cangaceiro ainda disse a Zé do Carmo: — Moleque, sinto não poder matá-lo! A carga do bacamarte de Zé do Carmo era de trinta caroços de chumbo grosso e duas balas de bronze. O cavalo de Cirino disparou e ninguém conseguiu pegá-lo, correndo de volta, sem cavaleiro, até a fazenda dos Guabirabas. Os bandidos, ao verem o cavalo do irmão, deduziram o que havia acontecido. Reunindo-se os dois irmãos restantes com o cunhado e a mulher de Cirino, prometeram que a morte do irmão seria vingada, custasse o que custasse. João, o irmão mais velho e lider do grupo, sentenciou: — Vou afiar meu facão. Amanhã entro na casa do assassino de me irmão e não deixo ninguém com vida. E saíram em demanda de Pesqueira dispostos a cumprir o juramento. Chegando próximo à ladeira onde fora morto o irmão, os Guabirabas, a título de provocação, sangraram até à morte um velhinho chamado Taveira . Liberato, cabra valente, moveu-lhes implacável perseguição e os bandidos fugiram para um lugar chamado Bom Nome, de onde nunca mais voltaram. Ainda hoje as antigas famílias da região lembram seus nomes e suas façanhas. » Vários autores, entre eles Ulysses Lins de Albuquerque (“Um sertanejo e o sertão”), Luís Wilson (vários livros) e mais recentemente (2003) Yony Sampaio & Geraldo Tenório Aoun (“Francisco Ricardo Nobre, o inglês da Volta e sua descendência”) pesquisaram sobre essas famílias nordestinas. Compilação desta matéria pode ser acessada em http://goo.gl/TSPdnT Mais artigos desta coluna: http://goo.gl/lWA4Hv

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Do livro ÍCONES. PATRIMÔNIO CULTURAL DE ARCOVERDE, de Roberto Moraes: Família Brito. pág. 157 Versão completa (Youblisher). Compilação de pesquisa complementar. COMPILAÇÃO: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E FOTOS AVULSAS (Continuação do livro A Laje da Raposa. Memórias, 1978, pág. 19: Em meus tempos de menino, acostumei-me a assistir pelas ruas de Arcoverde. especialmente nos dias de feira, aos famosos cantadores do Nordeste. Ficavam os cantadores esperando quem lhes desse algum dinheiro e um tema para o desafio. Entre os renomados cantadores, havia o célebre pernambucano Leandro Gomes de Barros que, por ocasião de uma viagem minha ao Recife, em companhia de meu tio Severiano, tive a oportunidade de ver numa guerra de versos com outro não menos famoso cantador de Alagoas, conhecido como "Pelado". Havia naquele dia um torneio de cantadores, e um prêmio para quem contasse em versos a maior mentira. A estrada de Ferro que vai do Recife para Arcoverde atravessa uma serra chamada Serra da Rússia, ou Russinha. Nessa estrada existiam diversos viadutos e, acostumado a por ali passar, começou assim o desafio o pernambucano Leandro de Barros: "Entre o sexto e sétimo viaduto da Russinha Corria um trem da Serra em disparada

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E de um tranco que eu dei na retaguarda Joguei todo o trem fora da linha. Porém como ali viajavam amigos Que por negócios não podiam ter demora Eu fiz de um facheiro uma escora, Uma alavanca de dois cambões de milho Joguei de novo todo o trem no trilho 0 maquinista apitou e foi-se embora!" O alagoano Pelado, não se dando por achado, atacou imediatamente com a sua história: "Chegando no porto de Alagoas Encontrei tudo em ótimas condições Tinha mais de mil embarcações Entre paquetes, navios e canoas. Num navio alemão eu me encostei Ele quis sair e eu não deixei E nesse dia o Pelado criou fama Pois o oceano ficou da cor da lama E o alemão só saiu quando eu deixei!" Debaixo das palmas dos presentes, o Pelado ganhou o desafio. Nem só em festas e feiras apareciam os cantadores. Toda grande vaquejada atraía diversos deles, que sempre ganhavam dinheiro fazendo versos que, normalmente, se referiam aos presentes à vaquejada. Entravam nos versos os vaqueiros, os cavalos, os bois, os donos das fazendas e alguns dos assistentes. Uma das mais conhecidas vaquejadas do Nordeste era a da Fazenda Boa Esperança, do Coronel Chico André. Certa feita, meu pai, meu irmão Benjamim, meu tio, o velho Zuza Britto e meus tios de Ipojuca foram participar da famosa vaquejada, representando a Fazenda Arara, de propriedade de meu pai. Estavam presentes os mais conhecidos vaqueiros da região, entre eles o velho "seu" Dé e outro conhecido como Zé Malungo, que derrubava um boi exatamente em cima de um ponto pré-determinado, onde existia uma lona, esticada no chão. No fim da vaquejada, os cantadores cantavam as histórias ocorridas. E assim foi descrita a participação de meus parentes na derrubada dos bois: "No dia treze de junho, do ano que vai correndo Houve na Boa Esperança uma festa sem barulho Correu tudo em santa paz, com ordem e sem confusão Todos muito satisfeitos com a magnífica função; Alferes e Coronéis, Capitães e Delegados, Marretas e Liberais andaram sempre embrulhados Gritaram ao "fama" da Arara

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E esse saiu muito lorde Montado no Duvidoso, torcendo o seu bigode Pegou no rabo do boi, para dele fazer molde; A "fama" lá da Quixaba, Zuza Britto, o celebrado Deu uma bonita carreira, embora distanciado Por doente nada fez, apesar de bem montado Teve palmas e aplausos, o novíssimo Serafim Que d'uma queda que deu causou inveja sem fim A Arcelino de Britto, no Bacorinho certeiro Foi mesmo que um pensamento, de parelha com Foveiro Vaquejada como esta, tão cedo não vejo igual Não houve perna quebrada, nem ninguém se sentiu mal. Nessa vaquejada tinha aparecido um boi torino, de propriedade do Dr. Benjamim, parente de Chico André, que ninguém tinha conseguido derrubar. Diversos vaqueiros tentaram dar-lhe a queda, mas o bicho não caía. Um cantador resolveu então dirigir-se ao Dr. Benjamim, falando como se fosse o boi, e saiu-se com esta: "Peço agora, meu Senhor, Senhor Doutor Benjamim Que não consinta que venha correndo atrás de mim Vaqueiro sem destreza, montado em cavalo ruim!" Trabalhava em casa de minha mãe uma empregada que tinha o nome de Maria Trubana. A nossa diversão era aborrecer a negra Trubana com versos, para que ela igualmente em versos nos respondesse. Por suas qualidades de repentista, tornou-se conhecida em Arcoverde e, em diversas ocasiões, quando havia alguma festa ou reunião da família, invariavelmente a negra era chamada para se apresentar. Num aniversário de minha mãe, apareceu em nossa casa um cantador, e resolvemos fazer com que Maria Trubana o enfrentasse num desafio. O cantador topou a parada e começou: Nega Maria Trubana Que é nega de sistema Quero que tu me digas Quantos ovos põe a ema É sabido que as emas colocam todos os seus ovos no mesmo ninho, razão pela qual a resposta da negra Trubana foi rápida e precisa: Quantos ovos põe a ema Não te posso responder Porque não põe uma só Põe a mãe e põe a tia Põe a filha e põe a avó O cantador ficou surpreso com a rapidez e a lógica da resposta, e, para terminar logo com o assunto, arrematou:

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Cantador como eu Merece todo o respeito E uma nega como tu Costumo levar no peito! A negra Trubana, inteligente e atrevida, longe de considerar desafio encerrado, fulminou o cantador: Quanto a me levar no peito Isso a mim não embaraça Pois mais peito que tu Tem uma porca de raça Porque tem de oito a dez peitos Mas de porca não passa! Desancado por Maria Trubana, o cantador nunca mais apareceu! © Um sertanejo e o sertão. Memórias. Ulisses Lins de Albuquerque. Rio, 1976 – 2ªedição. Cap. XXXI – Pág. 112. Italianos e um... inglês ... Mas não eram apenas os portugueses que se embrenhavam pelos sertões. Alguns italianos ali apareceram – em Afogados de Ingazeira, por exemplo, um Sansoni e um Perazzo deixaram seus nomes perpetuados através de gerações. E outros, em vários municípios. E até um inglês (embarcadiço que chegando ao Recife, com 11 anos, internou-se pelo interior) surgiu no lugar Volta, de Afogados da Ingazeira, e dali não voltou mais: - ligou o seu destino ao de uma sertaneja, da família Siqueira Cavalcanti (conforme uns me informaram, e, segundo outros, a uma descendente do mameluco Amorim, que provinha dos índios da serra do Jabitacá). Seu nome era Richard Breitt, traduzido logo pela gente da terra como Ricardo Brito, e pelo que me informaram, sua mãe era holandesa. Deixou vasta prole no Pajeú — meus compadres Jovino e Antônio de Freitas Vidal eram seus netos, bem assim Arcelino de Brito e muitos outros que conheci no povoado Ipojuca (hoje Urubá), do município de Pesqueira, pertencendo atualmente ao de Arcoverde. © MINHA CIDADE, MINHA SAUDADE – RIO BRANCO (ARCOVERDE) REMINISCÊNCIAS – Luís Wilson - Recife – 1972. Pág. 58 ... Mas, além da rua Velha (hoje, rua Leonardo Pacheco do Couto, o que existia, em Rio Branco, até a chegada dos trilhos da Great Western, eram apenas algumas casas, entre as quais: 1 – O chalé do Cel. Vitorino Freire (pai do Senador Vitorino Freire, a qual a família chama “Sinhô”). Ali residiram, de 1925 a 1931 ou 1932, o Dr. Leonardo Arcoverde e, de 1932 a 1953, o Dr. Luiz Coelho.

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2 – Um depósito de Açúcar e Álcool, que ficava no meio da rua Grande (atual Cel. Antônio Japyassu), também do Cel. Vitorino Freire e, mais tarde, parece-me que do Dr. Leonardo Arcoverde. Era um casarão, em frente ao beco de Dr. Coelho, anterior beco do Motor da Luz. Foi derrubado em 1924. 3 – Outra casa na qual negociou o pai do Senador Vitorino Freire (vizinha à casa onde mora, hoje, Clóvis Padilha, antiga residência do Cel. Antônio Japyassu). Ali negociava o português Manoel Cardoso, pai de “seu” Suçu (Marcelino Cardoso) e avô de Pedro Suçu. 4 – Outra casa, ainda, onde se instalaria mais tarde a Loja Paulista, depois de sair de uma das esquinas do beco do Bacurau. Neste último prédio, negociaram, antes da Paulista, José Estrela e Ernani Gomes, com tecidos, ferragens, chapéus, perfumes, miudezas etc. É a casa que fica mais ou menos em frente ao Bar e Sorveteria Confiança, de “seu” Noé, totalmente modificada. Atrás e em frente ao velho chalé, em que moraram o Dr. Leonardo Arcoverde e, depois, o Dr. Luís Coelho (vizinho à residência atual deste último), tudo era um sítio do Cel. Vitorino Freire, filho de Sérvulo José Freire, outro português, mas, este, procedente do São Francisco, quando chegou a Olho d´Água dos Bredos, onde contraiu matrimônio com Ana (Aninha), uma das filhas de Leonardo Pacheco do Couto. Sérvulo José Freire e sua esposa tiveram os seguintes filhos: o Cel. Delmiro Freire, o Cel. Vitorino Freire, Severiano José Freire, Ildefonso Freire, Maria, Francisca, Antônio Freire, Leonardo (Tinaldo, o mais velho), José e Sérvulo. São filhos do Cel. Delmiro Freire: 1 – Eutrópio Freire (Tenor), já falecido. Casou com dona Severina, filha do Cap. David de Souza, havendo descendentes. 2 – Frederico (formado em Medicina, no Rio de Janeiro, em 1934); vive, há muitos anos, no Rio de Janeiro, GB. 3 – José Freire. 4 – Alzira (Branca), falecida; era casada com Manuel Vieira Lopes (Neco), havendo sucessão. 5 – Lídia (Menininha). Casou com José Batista (falecido). 6 – Alzineta (Neta), que casou com Pedro de Oliveira, havendo descendentes. 7 – Maria Amélia. Era casada com Aprígio Lima (mecânico, antigamente em Rio Branco). 8 – Alice, que casou com Epaminondas (“seu” Paizinho). O Cel. Vitorino Freire e sua esposa, dona Ana (irmã do Cel. Arcelino Brito), tiveram os seguintes filhos: 1 – Elpídio. 2 – Euclides. 3 – Benjamim. 4 – Severiano de Brito Freire. 5 – o Senador Vitorino Freire. 6 – Antônio. 7 – Dona Dulce. 8 – José. 9 – Nair. 10 – Arquimedes. 11 – Milton. 12 – Pedro. Elpídio e Euclides, 1 º e 2º filhos do Cel. Vitorino Freire, morreram solteiros. Benjamim, o 3º, casou com dona Isabel, havendo sucessão. Severiano de Brito Freire, prefeito de Rio Branco na época do Dr. Agamenon Magalhães, tem os seguintes filhos: Jurandir, Célia, Iná, Juracy, José Roberto e Maria do Socorro.

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[Severiano de Brito Freire. Foi prefeito por nomeação de 1945 a 1947. Vereador durante 17 anos, foi casado com Marieta Brito, tiveram os filhos: Jurandir, Célia, Iná, Juracy, Roberto e Socorro. Nasceu na Pedra, em 24-1-1900 e faleceu em Arcoverde, em 2-12-1979. Do livro ÍCONES. PATRIMÔNIO CULTURAL DE ARCOVERDE – de Roberto Moraes. Recife, 2008] O Senador Vitorino Freire tem um único filho – Luís Fernando de Oliveira Freire. José (8º filho do Cel. Vitorino Freire), tem os seguintes filhos: Francisco, Maria da Paz, Ana Nery, Aguinaldo, José, Judith, Miriam e Maria das Graças.

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[Casa de outra fazenda de Arcoverde (A Fazenda Arara, do Cel. Vitorino Freire, pai do senador Vitorino Freire). A foto é de 1925, casamento de D. Dulce Freire e de “seu” Antônio Vidal, onde estão, entre outros, os noivos, Gumercindo Cavalcanti e D. Adelaide, o tenente Salgado e Antônio de Brito e D. Porcina, pais de Ulisses Brito. Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson. Pág. 54] Dona Dulce casou, em 1925, na fazenda Arara, com Antônio Vidal (Antônio Alves de Freitas Sobrinho), ex-agente do Lloyd Brasileiro no Recife, atualmente funcionário público aposentado. São filhos do casal: Inalda (casada com Abelardo Brito, filho de João de Brito), Antônio de Brito Vidal Filho (Maninho), funcionário público, casado, com descendentes. Marisa (casada com José de Brito Sobrinho, filho de Luiz de Brito e dona Francisca de Brito Cavalcanti, havendo sucessão). Dr. José Carlos de Brito Vidal (médico, casado, com descendentes. Reside em Brasília). José Geraldo de Brito Vidal (engenheiro-civil, casado, com filhos). Maria Yeda (casada com Giovani Magalhães, tendo descendentes). Vitorino de Brito Vidal (solteiro). E Walter (engenheiro-civil). Nair (9º filho do Cel. Vitorino Freire) é solteira. Milton, seu irmão, tem 9 filhos, entre os quais: Ana Maria, Maria Lúcia, Vitorino, José Milton, José Roberto e Dulce Maria. Pedro tem os seguintes filhos: Vitorino, Ana Isabel e Maria do Socorro. Depois de negociar em Rio Branco, na Pedra, em Venturosa e em todo aquele mundo, o Cel. Vitorino Freire, mais ou menos em 1912, com a chegada da Great Western, foi residir na sua fazenda Arara. Para que os trilhos passassem nas suas terras, exigiu a construção de um bebedouro para o gado, que provavelmente ainda existe para os lados da antiga mercearia do “seu” Yoyó. O chalé da rua Grande, residência do Cel. Vitorino Freire, foi depois a escola do professor Gastão. Mais tarde passou à propriedade de Janja Valença, de Pesqueira. Ali esteve, também, o Hotel Bolieiro, antes de 1920. São filhos de Severiano José Freire (3º filho do casal Sérvulo José Freire: Walfrido Freire (funcionário da Great Western, boêmio, jornalista, poeta e autor do livro de versos “Gargalhadas”). Osvaldo Freire (antigo senhor de engenho em Floresta dos Leões, hoje

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Carpina) e ainda, entre outros, Agenor Freire (cirurgião-dentista) e Severiano José Freire Filho (dr. Freire), médico, antigo criador e agricultor em Rio Branco e ex-prefeito do município, falecido. [Severiano José Freire Filho. Elegeu-se prefeito em 26-10-1947. Foi casado com Inalda Gaioso e teve os filhos Herbert e Stelio. Posteriormente, casou com Deolinda Cavalcanti, tiveram os filhos: Yara, Branca. Fernando, Glady e Glauco. Nascido em Paudalho-PE em 24-8-1886, e falecido em Arcoverde, em 1-4-1928. Do livro ÍCONES. PATRIMÔNIO CULTURAL DE ARCOVERDE – de Roberto Moraes. Recife, 2008] O dr. Freire e sua esposa, dona Inalda Gaioso, tiveram 2 filhos: Herbert (trabalha no Rio de Janeiro, GB, casado, com sucessão) e Stélio (casado, com filhos, vive em Brasília). Tiveram ainda o nosso velho e saudoso amigo e dona Deolinda Cavalcanti (da família Tenório Cavalcanti, de Quebrangulo, Alagoas), os seguintes filhos: Yara (enfermeira Ana Nery, casada). Branca (cirurgiã-dentista, no Recife, solteira). Fernando (gerente de um Banco, em Maceió, casado, com descendentes). Glady (falecida). Fernando e Glauro. Idelfonso Freire (filho também de Sérvulo José Freire) morreu, em Rio Branco, na minha época de garoto, na casa vizinha à de “seu” Noé, pegada à Padaria Confiança.

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Antônio Freire casou, em segundas núpcias, com dona Maria Ferraz (Maria Freire). São filhos do casal: Teodolina (v. Capítulo “Meu velho Cine-Rio Branco” [ver http://goo.gl/irNlDe ]), Teodomira, Teopompo, Teonila, Teodoreto, Teódulo (o caçula), Teobaldo, Teóplisto e Teófilo. [No dia 24 de abril de 1902 o jornal A PROVÍNCIA informava a morte , aos 93 anos, de Sérvulo José Freire, ocorrida no dia 28 de março daquele ano, na sua fazenda Taboril, em Olho d´Água dos Bredos. http://goo.gl/9F0TV2 ] [Pág.61 a 65] ESTÓRIA DE UM MENINO INGLÊS Um dia, na Inglaterra, na primeira metade do século passado, um garoto, filho de ingleses e de holandeses, jogou um tinteiro no rosto do professor. Castigado, ou temeroso de um castigo, embarcou como clandestino em um navio que vinha para o Brasil, do qual o comandante era seu tio e já o descobriu a bordo, muito longe da Inglaterra. Aqui, o jovem, para não ter que voltar à sua casa, ganhou o sertão. Richard Breitt, que era o nome do menino inglês, foi bater nas Varas, município de Afogados da Ingazeira, onde, segundo algumas pessoas, casou mais tarde com a descendente de um mameluco, que provinha dos índios da Serra de Jabitacá. Pessoas da família o que dizem, no entanto, é que Richard Breitt (que aqui passou a adotar o nome de Francisco Ricardo da Nóbrega), casou com dona Teresa de Jesus Amorim, filha de Manuel Cavalcanti, do município de Jaboatão, aonde, vez por outra, ia Richard Breitt. Filhos do casal Richard Breitt - Teresa de Jesus Amorim: Belmira, Porcina, Eduardo, Teodoro, Arcelino, Marcolino, Augusto, Jorge, Ricardo (Ricardinho) e Henriqueta Nóbrega. Esta última é a avó de Benzinho Vidal e de Juvino, pai de Antonio Vidal (Antonio Alves de Freitas Sobrinho) e, entre outros, de dona Santa (Antonia), que foi esposa do Dr. Fausto Campos, Juiz de Direito, antigamente, em vários municípios do sertão, inclusive Pesqueira. Ricardinho (tenho a impressão de que o filho mais velho de Richard Breitt), gostava de tocar viola, de cantar e de fazer serenatas. Apaixonou-se, em Pesqueira, por uma viúva rica e bonita, Maria de Brito Cavalcanti, e roubou-a com seus dois filhos e alguns escravos. Saíram no rastro dos fugitivos até muito além de Cimbres, desistindo, depois, de procurá-los na caatinga ou "mato branco" da poeira do sertão. Casou Ricardinho com a viúva, e os dois filhos desta, um casou com Porcina e o outro com Belmira, irmãs de Ricardinho. Antonio de Brito Cavalcanti (filho da viúva) e Porcina (filha do inglês), são os pais, entre outros, do Cel. Arcelino de Brito (que nasceu na fazenda Volta, nas Varas, município de Afogados de Ingazeira). Francisco de Brito Cavalcanti (o outro filho da viúva) e Belmira (outra filha do inglês Richard Breitt) são os avós de Abelardo Brito, industrial no Estado. Há quem diga que o nome “Brito”, do Cel. Arcelino de Brito e dos Britos (Britos Cavalcanti, aliás) de Rio Branco, teve origem no fato de haverem os sertanejos transformado “Breitt” em

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“Brito”. Seria possível o homem humilde do sertão ter mudado o nome Richard Breitt para Ricardo Brito, mas isto não aconteceu, porque o inglês adotou o nome de Francisco Ricardo da Nóbrega, assinando-se todos os filhos como ele, com o sobrenome “Nóbrega”. O “Brito” do Cel. Arcelino de Brito, de seus irmãos e de toda a família, enfim, vem do nome da viúva Maria de Brito Cavalcanti (pertencente à família Brito, ou Brito Cavalcanti, de Pesqueira) e de seus dois filhos: Antônio e Francisco de Brito Cavalcanti. São filhos de Antônio de Brito Cavalcanti (filhos da viúva Maria de Brito Cavalcanti) e de sua esposa Porcina (filha do inglês Richard Breitt e irmã de Ricardinho): I – O Cel. Arcelino de Brito, que morreu em julho de 1946 (com 75 anos de idade) em sua fazenda Ipojuca, à margem direita do rio do mesmo nome, próxima a Cimbres, com sucessão, como veremos logo mais. [Faleceu dia 15 de julho de 1946 http://goo.gl/szuapc Arcelino de Brito Cavalcanti com 74 anos de idade casado em 3ª núpcias com Maria Elifia Brito – filho de Antonio de Britto Cavalcanti e dona Pulcina Nobre Cavalcanti e deixa um filho menor, de seis anos de idade, José Sergio de Britto, Causa mortis – úlcera de estômago. Sepultado no cemitério de Ipojuca, onde residia] II – José Lins de Siqueira Brito, dono da fazenda Quixaba e pai de dona Adelaide (que casou com Gumercindo Cavalcanti), de dona Porcina (que casou com Antônio de Brito, pai do vereador Ulisses Brito), de Hermelindo de Siqueira Brito, de José (“seu” Dé), de dona Alcina (que casou com Olímpio Freire), e de Napoleão Cavalcanti de Siqueira Brito (velho professor dos Britos, em Ipojuca). Homem inteligente, estudioso e culto para a Ipojuca e o sertão de sua época, Napoleão é o pai de Napoleão Cavalcanti de Brito, tesoureiro do INPS, no Recife, exVereador em Rio Branco e casado com dona Maria José da Rocha, com descendentes. III – Antônio de Brito Cavalcanti, de quem são filhos: André, Anísia, Maria das Montanhas, Arthur, Teresa, Antônio, Luís e Miracy. IV – Serafim, cujos filhos são: SERAFIM (Cafim), Antônio (pai de Ulisses Brito) Vitorino, Porfírio, Ary, Alísio, Manuel, Arthur, Lídio, Napoleão, Porcina, Lídia, Elisa e Aracy. São filhos de Cafim (Serafim de Brito Cavalcanti): Maria da Paz de Brito Lucena (casada com Josino Alves de Lucena, comerciante no Recife), José, Maria Isabel, Maria Paula, Emmanuel e Moisés. V – Francisco, pai de Luís, Francisco e Consuelo (Conchinha). VI – Ana (que casou com o Cel. Vitorino Freire, pai do Senador Vitorino Freire). VII – Teresa. Casou com Chico de Brito, irmão de João de Brito, pai de Abelardo Brito. São filhos de Chico de Brito e dona Teresa (entre outros): Delmira, Pedro, Francisca e Antônio. VIII – Hermelindo. IX – Pedro, de quem são filhos: Pedro, “Nina”, Agripino (Pina), Antônio e Maria (que casou com um filho de Yoyô Tenório e é o sogro do Dr. Levy).

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X – Santa. Casou com Joaquim de Brito, irmão de Chico e João de Brito. Pirra, que conheci ai pelo ano de 1931 ou 1932, a tocar violão e a cantar na alfaiataria de Marciano Costa, em frente à atual residência do Dr. Luís Coelho, era filho de dona Santa e Joaquim de Brito. Não sei se, na realidade, eram compadres, mas meu pai chamava Pirra de “compadre Pirra” e Pirra chamava meu pai de “compadre Noé”. Em Rio Branco e no sertão, amigos de farra e de brincadeiras chamavam um ao outro de compadre, não porque fossem compadres, de fato, mas significando o tratamento prova de estima, de amizade e consideração, transformando-se, depois, uma grande parte, em compadres, na realidade. Entre os cangaceiros acontecia a mesma coisa. Lampião chamar a um de seus companheiros de “cumpadre” não queria dizer que fosse padrinho de um de seus filhos ou vice-versa, mas era uma deferência ou uma prova de confiança. A vida de Pirra, quando eu o conheci, era tocar violão e cantar umas modinhas que hoje recordo com saudade: “A lua vem surgindo cor de prata No alto da montanha verdejante E a lira do cantor em serenata Reclama na janela a sua amante Ao som da melodia apaixonada Das cordas do sonoro violão Confessa o seresteiro à sua amada O que dentro lhe dita o coração”... Em 1919, Pirra voltou de uma viagem que tinha feito ao Rio de Janeiro, onde passou uma temporada no Realengo. Regressou como motorista e técnico em pólvora. Em 1924, todavia, quando derrubaram o casarão que ficava no meio da rua Grande, em Rio Branco, Pirra quase que acaba com o automóvel “Poppe” (inglês), do Cel. Arcelino de Brito, nos escombros do antigo armazém. Mais ou menos em 1932, perderia a vista na explosão de uma pedreira. O desastre, porém não o abateu. Continuou a tocar violão e cantar. Era uma criatura de espírito imenso!

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