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-Comercio-Industria-Julho-2010

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Julho/2010 • Ano 4 • N° 60 CARIMBOS ARARAQUARA UMA HISTÓRICA CAMINHADA QUE CHEGA AOS 40 ANOS Quatro funcionários do Banco do Brasil decidiram montar uma fábrica de carimbos no final da década de 60. Para dirigi-la contaram com a experiência, visão e dedicação do seu administrador Celso Moraes Silveira, pai de um dos sócios: Alberto, que hoje segue só como proprietário, comemorando uma longa jornada de sucesso, pautada por novas tecnologias no processo de confecção dos carimbos.

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do editor Ivan Roberto Peroni ta vis de to pon Renato Haddad - Presidente da ACIA CORTESIA COM CHAPÉU ALHEIO MELHORAR CADA VEZ MAIS O ATENDIMENTO NA EMPRESAS É UM CAMINHO A SER PERSEGUIDO que cumprimos foi a missão empresarial com a viagem, em parceria com o Sebrae, a São Paulo, no dia 10 de Junho, para visitar a ABF Franchising Expo, a maior e melhor feira de franquias que temos em nosso País, onde, dos contatos realizados, poderemos ter grandes benefícios no futuro. A convite do professor Adalberto, participei do Programa Meio Ambiente, da Rádio Uniara e, já acertamos com nossos diretores a presença do mesmo numa próxima reunião, para que possamos sugerir, ainda neste ano, algumas ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, para que, uma vez introduzidas nas empresas e, na sequência, em nossas casas, haja melhoria na qualidade de vida para todos. Quero aproveitar para dizer-lhe que muitos outros projetos estão em andamento, tais como convênios e cartões e, brevemente teremos os desfechos dessas negociações. Fidelizar, aquela idéia de que tudo o que temos é essa terra que nos dá, então nada mais justo do que prestigiarmos as empresas daqui, sendo assim, podemos muito bem começar agora, com esse convite que lhe faço: pense no que sua empresa pode oferecer de desconto, de prazo, enfim, uma condição melhor para os outros associados da entidade. Ligue já para a ACIA informando essas condições e faça parte de uma rede que já nasce com um grande número de interessados e com a força e tradição da nossa ACIA. Todos os associados de todos os ramos, seja comercial, industrial ou de serviços podem fazer parte desse convênio ou clube de benefícios. Ao finalizar deixo a vocês em nome da diretoria, o nosso agradecimento e um forte abraço pelo apoio, desejando ainda aos associados paz, saúde e progresso nos seus negócios, pois o objetivo é trabalharmos na construção de uma grande cidade. M s notícias referentes às vendas do Dia dos Namorados em nossa cidade foram boas. Como esperado pelos empresários, houve um crescimento em torno de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. E, como havíamos prometido, veiculamos publicidade em jornais, rádios e na fachada do nosso prédio; tudo com o intuito de fidelizar cada vez mais o consumidor da nossa cidade e da região. E, para o Dia dos Pais, estaremos com nova campanha, mostrando as vantagens de se comprar aqui. Melhorar cada vez mais o atendimento nas empresas, de um modo geral, é um caminho a ser perseguido em nossa gestão e para que isso possa se concretizar, tivemos no dia 30, em nossa sede, a primeira palestra sobre gestão da qualidade no atendimento. Outras virão, bem como a repetição dessa e julgo ser importante termos a consciência de que os primeiros a serem transformados somos nós, os proprietários, para em seguida, atingirmos os colaboradores, levando a uma mudança de comportamento que reflita numa satisfação maior de consumidores, lojistas e dos próprios colaboradores. Daí a necessidade de todos os envolvidos frequentarem as palestras que acontecerão na ACIA. Nosso Coordenador de Serviços, José Janone Júnior, já está finalizando o layout do banco de talentos, que estará disponível em nosso site – www.aciaararaquara.com.br – facilitando, assim, a contratação de funcionários nesse banco de dados. Boa notícia, também, é a de que finalizamos um acordo com alguns escritórios de advocacia, associados da entidade, como você verá nesta edição, para prestação de orientação jurídica aos associados da ACIA, o que proporcionará muitas vezes, o encaminhamento correto de determinado assunto, seja na esfera cível, trabalhista, tributária e outras. Também a promessa de campanha A eses atrás, a Prefeitura Municipal iniciou um processo de retomada das áreas doadas para algumas empresas que demonstraram interesse em ampliar suas instalações ou iniciar atividades em Araraquara. Como deixaram de cumprir cláusulas contratuais, é evidente que esses terrenos têm que voltar para o município. Porém, a questão da doação é muito mais complexa do que se imagina, pois em meio a tantas empresas conceituadas, há logicamente os aproveitadores. Doação de áreas, subsídios, principalmente para empresas de fora, não são coisas novas. Isso vem de um passado bem distante sob a chancela de que vamos gerar empregos e mais divisas para o município. Avaliar as doações que foram feitas e não cumpridas, é uma atitude correta do Poder Público, que também deve analisar as empresas e os seus interesses. Entendemos porém, que melhor seria não praticar esse expediente de se fazer cortesia com o chapéu alheio, pois fica clara a discriminação que se comete contra aqueles empreendedores que comeram o pão que o diabo amassou para ter sua empresa em área adquirida com o suor do seu trabalho. Capa Mário Francisco ORGULHA PARA NOSSA CIDADE Alberto segue os passos do seu pai Celso Moraes Silveira e mantém a Fábrica de Carimbos Araraquara como empresa modelo em seu ramo. Pelos seus 40 anos de atividades, os nossos parabéns! EDIÇÃO N° 60 - JULHO/2010 Diretor Editorial: Ivan Roberto Peroni Supervisora Editorial: Sônia Marques Assistente Editorial: Michele Rampani Depto. Comercial: Gian Roberto - Sebastião Barbosa Designer: Bete Campos, Mário Francisco e Carolina Bacardi Tiragem: 3 mil exemplares Impressão: Gráfica Bolsoni - (16) 3336 9008 A Revista Comércio & Indústria é distribuida gratuitamente em Araraquara e região INFORMAÇÕES ACIA: (16) 3322 3633 COORDENAÇÃO, EDITORAÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Fone/Fax: (16) 3336 4433 Rua Tupi, 245 - Centro Araraquara/SP - CEP: 14801-307 marzo@marzo.com.br

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Benefício ASSISTÊNCIA JURÍDICA PARA OS ASSOCIADOS DA ACIA A nova diretoria da ACIA acaba de premiar os seus associados com a criação de um departamento que vai oferecer na área jurídica, gratuitamente, consultoria e orientação preventiva. Essa iniciativa tem recebido muitos elogios dos nossos empreendedores. Um benefício de extrema importância foi anunciado no começo do mês pela nova diretoria da Associação Comercial e Industrial de Araraquara. A entidade vai manter à disposição dos seus associados, gratuitamente, um departamento jurídico para consultoria e orientação preventiva, com profissionais especializados em diversas áreas, como Direito do Consumidor, Tributário, Trabalhista, Cível, Comercial, Criminal, entre outras. Para o presidente Renato Haddad, a medida tem como objetivo proporcionar através da assistência jurídica, segurança e agilidade no atendimento aos associados. Estamos oferecendo esse benefício, assegura Renato Haddad, cumprindo a missão de defender os interesses dos nossos associados. Segundo ele, o associado poderá optar pelo nome do profissional conveniado. QUEM VAI ATENDER O Escritório Alberici e Vanalli Advogados Associados, iniciou suas atividades em 1989 e é composto por 13 advogados especializados nos mais variados ramos do Direito, destacando-se sua atuação em: Direito Empresarial, Ambiental, Penal, Presidente da ACIA, Renato Haddad com os advogados Roberto Mota e Thaíse Fiscarelli discutindo teor do convênio Advogados Gesiel de Souza Rodrigues, Mello Franco, Marcelo Eduardo Vanalli e Fabrício de Carvalho, em reunião na ACIA Contratos, Cível e Trabalhista. Outras informações podem ser obtidas no site: www.albericievanalli.com.br Advocacia Souza Rodrigues e Lisboa Advogados, que tem como titulares os advogados Gesiel de Souza Rodrigues e Maria José Sanches Lisboa Rodrigues, atua há 15 anos na advocacia empresarial, com ênfase em Direito Tributário, Cível e Societário. Com uma equipe de 12 pessoas, entre advogados, assistentes e estagiários, tem condições de realizar relevantes serviços no segmento jurídico de atuação. Mota & Zanim Advogados Associados tem à disposição dos associados da ACIA, 7 profissionais, além de advogados parceiros. Suas principais áreas de atuação: Direito Empresarial (área de contratos, cobrança e execuções) e área de Executivo Fiscal; Direito Imobiliário (retificação de área, loteamentos, incorporações e locações) e Direito Trabalhista (Empregador). Sua atuação se estende nas capitais brasileiras por meio de advogados parceiros. O Escritório Mello Franco Sociedade de Advogados atua no ramo assistencial a empresas, tendo como proposta o objetivo de humanizar a relação cliente-empresa e advogado, fazendo com que a empresa tenha sempre que necessário, um atendimento pessoal e imediato de alta qualidade. O escritório conta com equipe qualificada nas áreas Trabalhista e Cível, voltadas à consultoria empresarial, pessoa jurídica ou física. Seu corpo jurídico é formado pelos advogados: Antonio Carlos de Mello Franco, Marcelo de Almeida Benatti e Frany de Mello Franco.

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Lembranças DE VOLTA AO PASSADO PARA VISITAR O COMÉRCIO A história comercial de Araraquara tem início por volta de 1837, quando com uma população estimada em 2.800 habitantes, possuia 12 carpinteiros, 4 ferreiros, 1 fabricante de tijolos e telhas, 1 alfaiate e 2 sapateiros. O básico para o começo de uma grande cidade. Abro um diário neste instante. Amarelado pelo tempo, busco encontrar coisas que ficaram pelo caminho. Ando com os passos de ontem, pois quem está nesta idade não caminha lento. É bom, pois neste vagar é que me recordo da venda do Manoel Joaquim Pacheco, na Rua Humaitá com a então Avenida Guianazes, hoje Djalma Dutra. Na esquina da Sete de Setembro, com a mesma rua (Humaitá), o Carlos Bersanetti tinha seu estabelecimento. De repente, alguém parece soprar nos meus ouvidos que pouco abaixo, Avenida Sete com a Expedicionários do Brasil, era o armazém do Luiz Longo. Fico a imaginar também, a saga do José Furlan com seu armazém no começo da Avenida Sete, que era a porta de acesso para quem aos domingos vinha da região fazer suas compras no bairro do Carmo. A Casa Brasileira de João Gurgel e Amaral na XV de Novembro com a Voluntários da Pátria, em 1910 Bem próximo, na Sete com a Rua do Comércio (Rua Nove de Julho), o Apolinário tinha o seu estabelecimento. Em alto e bom tom, às vezes ele gritava para quem passava do outro lado da rua: “A cidade passa por aqui” e na verdade, Araraquara não tinha nem 10 mil habitantes. Mas, se ali com o Apolinário, o freguês não encontrava o que queria, havia a recomendação: “Dê um pulo na XV de Novembro com a Sete, você vai ter o que deseja na Casa Comercial de “Secos & Molhados”, do José Nunes. Parceria era assim; coisas de amigo pra amigo e que o João Gurgel e o Amaral, faziam questão de preservar na Avenida XV de Novembro com a Voluntários da Pátria, esquina do Jardim Público. Ali, era a Casa Brasileira que recebia pessoas de todos os cantos. Até os pedidos podiam ser feitos pelo Vista parcial da Rua Padre Duarte em 1913: Jardim Público, inaugurado em 1899; a Fábrica de Bolachas Giácomo Pasetto (2); redação do Jornal A Folha do Povo, fundado em 1890 (3), Casa Velosa (4) e ao fundo, a cruz da Matriz de São Bento, colocada em novembro de 1908

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“telephone”, bastando solicitar para a telefonista chamar o n° 100. Só que a ligação demorava tanto que o Luiz Soler, dono de uma fábrica de macarrão na Expedicionários do Brasil preferia ir pessoalmente. Tudo acontecia na Casa Brasileira, que pouco antes fora residência do Cendom. Com o tempo, armazém e moradia do Jorge Frem. Por ironia do destino, transformouse em Caixa Econômica Estadual e em 1971, Coletoria Estadual e Posto Fiscal de Araraquara. Ainda perto do Jardim, na Avenida XV de Novembro, o Giácomo Paseto e seus filhos tinham uma padaria. Coincidentemente, uma outra padaria - a dos Flório, ocupa o mesmo lugar. Giácomo, vez ou outra com os filhos sentavam num dos bancos do Jardim Público, à espera de uma edição do jornal O Popular, preparado pelo pai do Paulo Silva e avô do José do Imparcial, o “seo” Antônio. Curioso, é que dali do banco o Giácomo estendia os olhos e via a meia distância os frequentadores do Bar do Giagini, na Voluntários com a D. Pedro II. “E se o pingaiada ficar ruim não precisa andar muito para chegar na Farmácia Popular do Gonçalo Samaha e suas irmãs, na Padre Duarte com a Brasil. A esta altura, descendo a Brasil e chegando na Rua São Bento, estava a Princesa do Oeste, uma fábrica de balas e a Padaria e Confeitaria do José Palamone. Saltando para uma rua abaixo, toda pomposa, se via a Casa Logatti. Pedro Rodella e seus filhos mantinham a Casa Rodella com matriz em São Paulo e a filial em Araraquara, trabalhando como papelaria, livraria e a venda e oficina para conserto de instrumentos musicais monarquista. Quando se entrava na bomboniere, deparava-se com o retrato do Imperador D. Pedro II. Mas, tudo isso parece que ainda foi ontem e me faz dar um mergulho no passado e ouvir o bater do sino da Matriz anunciando seis horas da tarde. No alto falante da igreja começa a tocar a Ave Maria. É um silêncio só. Até o Sampaio Aranha no seu grande armazém de ferragens e secos & molhados, está na porta e parece balbuciar a oração. A mesma coisa dá pra perceber no Pedro Rodella, cercado pelos seus filhos, um deles o Paulino, também à porta da Casa Rodela, tradicional livraria e papelaria que talvez, para contracenar com o casal monarquista da doceria, ou mostrar que era republicano, logo na entrada tinha colocado na parede um grande retrato do Presidente Rodrigues Alves. Casa Logatti, marca de uma família empreendedora na rua Nove de Julho Era comum ouvir ali da Casa Logatti, o som que vinha da rua de baixo, já perto do rio, hoje encoberto pela Via Expressa, o som de acordeon. Era o Giuseppe, fabricante de harmônicas, apressado em entregar uma que o Galhardo deixara para arrumar. Para encontrar a fábrica não era nada complicado, afinal uma tabuleta anunciava em frente ao prédio: Corpo Giusepe Fabricante de Harmônicas. Uma hora dessas, final de tarde, ainda perambulo pelas ruas da minha cidade nestes anos 10. O cheiro de doce está no ar, soando como um convite para saborear na Avenida São Paulo, no Largo da Matriz, os finos doces feitos pelo casal Sampaio e a Sebastiana. O casal se vangloriava de ser Casa da Moda, de Bruno Ópice, fundada em 1902. Uma parte dela mais tarde tornou-se na Ótica Lupo

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Casa João Lupo já nos anos 20 apresentava uma característica inovadora no visual; a partir de 1930 em seu lugar surgia a Ótica Lupo, após Edmundo, filho de João (falecido em 1926), se especializar em ótica no Rio de Janeiro Bons Tempos AUDACIOSOS EMPREENDEDORES QUE TORNARAM GRANDE O NOSSO COMÉRCIO Alguns empreendimentos importantes começam a surgir nos anos 20, com o objetivo de oferecer maior qualidade de vida à nossa população. É entregue, por exemplo na área de saúde pela colônia, a Beneficência Portuguesa, cuja fundação aconteceu em 1914. 1932. O centro comercial de Araraquara vive um dos seus melhores períodos. É a recuperação da economia após a crise do café nos anos 20. O Miguel Haddad, grande atacadista de cereais e ferragens da Rua do Comércio (agora passando a se chamar Nove de Julho por causa da Revolução Constitucionalista), chega a comentar essa ascensão comercial num final de tarde com uns amigos no Bar do Nicola Comito, o pai do Aldo Comito, que foi presidente da Ferroviária. Nesse trecho, o movimento torna-se grande com a Casa Russa de Móveis, a Loja Rua do Comércio (Nove de Julho) com Feijó: Farmácia Italiana (1), de Francisco Satriani, Casa da Âncora, do Pedro Galeazzi (2) e a Sapataria do Celiberto (3)

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Hotel Bella Venezia, de Ângelo Bignardi: comodos para viajantes e famílias em 1914 do José Francisco e a Casa dos Dois Mil Réis, talvez uma réplica das inúmeras lojas de R$ 1,99, do que temos nos tempos atuais. As Grandes Casas Vieira que iam da São Bento até a Rua do Comércio, pela Avenida Espanha Era crescente o progresso no coração da cidade: o Assad Jorge anunciava os bons preços da sua loja, a Casa Barbieri, confirmava sua supremacia, a Casa de Móveis Castelan, despontava no cenário. A Rua Nove de Julho, tornava-se o principal espaço comercial. Tudo aparecia com boa rentabilidade por ali: a Farmácia Abrita, o Salão de Barbeiro do Marica, os grandes Armazéns Vieira, abrangendo quase todo quarteirão, da Rua 2 até a São Bento (onde estão hoje as Casas Pernambucanas). Na esquina a Farmácia Raia, mais adiante o Teatro Central que mais tarde cedeu espaço ao Grêmio Recreativo 27 de Outubro, do ainda jovem Saturno Gagliardi que partiu no ano passado. Esse processo de desenvolvimento envolvia na esquina da Avenida Feijó, “A Botica” ou Farmácia Italiana, da mulher do Francisco Satriani, que era o boticário. Rosavalina sua esposa era a depositária, uma espécie de farmacêutica responsável, pois Satriani ficava mais na filial de Américo. Dia de baile no 27 de Outubro em 1930 Era um tempo romântico da Rua do Comércio e de visões: a “ouriversaria” do Henrique Lupo, ocupando o n° 78, em frente à Santa Cruz. Em 21 de março de 1921, ele deixa o ramo e funda a Fábrica de Meias Lupo. No outro lado da Feijó com a Rua do Comércio, a Casa da Âncora, do Pedro Galeazzi, que anunciava a chegada das últimas novidades em ferragens e louças em sua loja. Mais acima, a Casa do Ambrósio Sala, bem perto do movimentado comércio do José Lodo. Era um comércio diversificado: a Sapataria do Celiberto Quarantioto, a Alfaiataria do Amábile Fatori, o Hotel Bella Venezia do Ângelo Bignardi, que recebia o jornal “Popular”. Sua esposa, gentilmente oferecia um copo com leite, pão e manteiga ao entregador do jornal, Olívio Simões, que agradecia num italiano modesto “tanti grazia signora”. Era o número 36, da Rua do Comércio. Seguindo em frente, a Casa do Felício Tobias, que num certo dia colocou um anúncio num jornal dizendo: “Esta casa tem uma fama quase mundial visto os milagrosos preços de excessiva barateza nunca vista nessas vizinhanças”. Bem próximos, como se fossem famílias, a Relojoaria do Dondó Blundi, a Serralheria do Adolpho Lupi, a Casa José Gabriel Haddad, pai do Chafic, sãopaulino doente. E um pouco mais adiante, o Bar do Beata e a Marcenaria do Augusto Machado.

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A Em 1915, Typographia Gravina na esquina da Maria Janazi Biagioni, em frente à Matriz, depois Padaria Palamone e atualmente a Nossa Caixa Saudades HISTÓRIAS DE UM TEMPO DE PAZ Embora simples, essa é a homenagem que a Revista Comércio & Indústria, nesta ocasião, presta aos primeiros comerciantes de Araraquara. Os dados foram passados por Olívio Simões, num artigo para O Imparcial em 1994 e que trouxemos para os tempos atuais. Em 1913, o Araraquara College, mais tarde Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, projetado pelo Eng.° Agostinho Tucci Passear pela minha cidade nestes anos 30, de fato nos enchem de alegria, ainda que seja em sonho. Me falam agora que estou chegando na Marcenaria e Loja de Móveis do Guilherme Santiago, português que chegou ao nosso País em junho de 1900, casado com a dona Clara Furlan (Rua Gonçalves Dias). Mais tarde viria saber que era avô do Fábio Santiago, presidente da Beneficência Portuguesa e que Guilherme foi um dos fundadores da Associação Comercial e Industrial de Araraquara, em 1934. Nas proximidades, ainda na Rua 1, a Fábrica de Gelo Pólo Norte. Mas, quem não se entusiasma ao ouvir e conhecer as qualidades da tradicional Padaria Perez, da Fábri- Casa Bolonha, fábrica de bolachas e biscoitos do Luiz Selleri, na ca de Macarrão do Pe- Rua do Comércio, 97, a primeira movida a eletricidade em 1912. dro Martini, da mara- Mais tarde o prédio passou para o Supermercado Gonçalves Sé vilhosa Casa Bolonha. São coisas assim que nos dão orgulho, comentava o Sebastião Salerno, da Bicicletaria. Eu, por brincadeira, dizia para uns e outros, “você sabe quem morreu? O Sebastião Salerno” e, como ele era muito conhecido, muitos amigos se diri-giam a sua casa para oferecer solidariedade à família e lá topavam com o velho, mais vivo do que nunca. Mais acima se encontrava a Fábrica de Macarrão do Carmelo Tenuta. O “seo” Carmelo me pediu para pôr uma carta no correio. Coloquei o envelope dentro de um outro e subscritei: Caro compadre Nicola, província de Catanzaro, direto a casa mia.

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As maravilhosas Casas Pernambucanas O então suntuoso Hotel Municipal em 1940 Bem, se a carta chegou lá eu não sei, coisas de moleque que éramos, dizia Olívio Simões. Na esquina a Casa Andrade, o Bar Hortelani e a Casa Liza. Lá em cima, no fim da rua, o falado “Último Gole” da Terezona. No largo da Santa Cruz, a Fábrica de Tachos de Cobre do Lombardi, a Tinturaria do Sansão lavava e passava com esmero, e a gente dizia, sabe quem está passando mal? Quem? O Sansão. Ele está doente? Não, é que mandei um terno para ele passar e voltou todo amarrotado. As pessoas daquele tempo eram mais divertidas. Infelizmente os políticos entristecerem o povo. Agora, descendo a Rua São Bento, nesta volta pela esteira do tempo, a Typographia Gravina, a Casa do Ângelo Longo, a Torrefação de Café Zerbini, o Açougue do Panini e a Fábrica de Calhas do Gagliacozzi. Vamos descendo a rua. Mais abaixo o Cine Politheama, o Araraquara College, a Alfaiataria Barbato, o Éden Municipal, o Theatro Municipal, o Clube Araraquarense, o Hotel Municipal, o Bar Bresserie, o Bar Tamoio, a Agência de “Oldesmóbile” do Cecílio Karam e seu irmão Mário, o Cartório de Notas do Dorival Alves, a primeira sede do Grêmio Recreativo 27 de Outubro (Avenida Portugal), o Banco Comercial, o Hotel Central. Poxa, esqueci do Hotel Fioretti, tão falado pela qualidade dos seus serviços. E, por todos os cantos da nossa cidade eram lembradas as fábricas de ladrilhos do José Vieira dos Santos foi o primeiro proprietário do Theatro Polyteama, em 1913, depois Theatro São Bento e Cine Odeon. Pena que tudo acabou. Zanarela e do Micheti, o Oficina Mechanica do Carnesseca, a Escola de Farmácia, hoje Faculdade de Farmácia e Odontologia, a Fábrica de Móveis de José Ópice, a Casa Nassuti e, passando por baixo da estação, até quando adentramos à Vila Xavier, o falado “Morro Querosene”, dos bons tempos, via-se a Casa Meia Lua, do Haim Jorge, a Casa de Secos & Molhados do João Vernier de Oliveira, a Casa Rodrigues, do pai do João da Venda depois proprietário da Fábrica de Bebidas A Lua e por fim o Armazém do João Batista Zaniolo, um conceituado comerciante. A Padaria Franceza, de Casimiro Perez se apresentava como um estabelecimento conceituado e de primeira ordem com máquinas modernas, movidas à eletricidade, na Rua do Comércio, 146; produziam os afamados pães francês e alemão, além de aceitar encomendas para casamentos e batizados

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Documento A tradicional Rua Nove de Julho com a Avenida Feijó apresentando em primeiro plano na década de 60: O Rei das Roupas Feitas, Casas Texidal, Casa Nazarian e a Loja Ultragaz ACIA, 76 ANOS NEM O TEMPO VAI APAGAR Ao completar 76 anos no dia 30 de junho, a nossa Associação Comercial e Industrial consolida-se como referência dentro dos conceitos empresariais da cidade, participando do debate das questões políticas e administrativas e cumprindo seu papel classista na defesa dos anseios dos seus sócios. A Associação Comercial e Industrial de Araraquara (ACIA) nasceu em 30 de junho de 1934. De acordo com os registros históricos, numa noite fria, um grupo formado de 52 empresários se reuniu na sede da União Syria, localizada na Rua São Bento, n° 37, para fundar uma Associação Comercial. Em assembleia geral, uma comissão definiu que no dia 7 de julho daquele ano, seria eleita a primeira diretoria. Benevenuto Colombo foi aclamado o primeiro presidente com a missão de dirigi-la por um ano. A primeira diretoria foi composta pelos empresários Índio Brasileiro Borba, Herculano de Oliveira, João Vieira Fernandes, Miguel Haddad, Mário Lupo, José do Amaral Sampaio, Antônio Deliza, Carlos Francisco Martins, Domingos Lia, Felippe Mauro, Graciano R. Affonso, Hadib Sabag, João Gurgel Filho, Quirino Queiroz, Raphael Logatti, Valeriano Álvares e Luiz Soler. A fundação de uma entidade que congregasse comerciantes, industriais, prestadores de serviços e outros segmentos foi o coroamento de uma série de reuniões iniciadas em janeiro de 1934. Depois de Benevenuto Colombo, vieram homens empreendedores que sempre acreditaram no progresso da cidade para presidir a ACIA: Índio Brasileiro Borba, Gentil L. Martins, Rômulo Lupo, Orlando Da Valle, Mário Barbugli, André Lia, Francisco Pedro Monteiro da Silva, Roberto José Fabiano, Clodoaldo Medina, Jovenil Rodrigues de Souza, Vicente Michetti, Apparecido Dahab, Péricles Medina, Joel Aranha, Ivo Dall’Acqua Júnior, Pedro Augusto Lia Tedde, Jorge Lorenzeti Netto, Samuel Brasil Bueno, Sônia Maria Corrêa Borges e Valter Merlos. Empossado em 30 de abril deste ano, Renato Haddad responde por um mandato de três anos. O ideal de seus fundadores jamais foi esquecido por outros dirigentes que lutaram e lutam em favor do desenvolvimento de nossa cidade. CRESCIMENTO Da sua fundação aos dias atuais, a associação teve pleitos memoráveis, que sua história registra com grande satisfação. À diretoria eleita em 1942 deve-se a aquisição da

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Vista da Avenida Brasil nos anos 50 Nove de Julho em 1970 sede social. A primeira reunião em sede própria foi realizada em 20 de dezembro de 1942, sob a presidência de Orlando Da Valle. A partir de então, o número de associados foi crescendo gradativamente, juntamente, com a capacidade de trabalho e o aumento do número de serviços prestados. Durante todos esses anos, a ACIA não se limitou a defender e prestigiar a classe empresarial. Esteve sempre na vanguarda das grandes causas em favor de Araraquara e da população. Sua história é repleta de atitudes corajosas sempre com uma visão de um futuro ainda melhor. Com a evolução e o crescimento da cidade, em 1962, a sede social passou por sua primeira reforma. A diretoria eleita com Clodoaldo Medina na presidência, realizou algumas modificações na estrutura interna, tornando-a acessível até para reuniões. O tempo foi passando e a associação ficando cercada de prédios de grande porte. Com isso, foi nascendo o sonho de uma sede mais moderna com alguns andares. A realização desse sonho chegou com o presidente Jovenil Rodrigues de Souza que trabalhou pela compra do terreno localizado entre a entidade e a antiga sede do Banco Bradesco. O negócio foi firmado quan- do Cecílio Karam vendeu a propriedade para a associação. Era o primeiro passo, tornando possível a construção do chamado Palácio do Comércio e Indústria. Sucedendo Jovenil Rodrigues de Souza, o empresário Vicente Michetti assumiu a presidência em 31 de janeiro de 1970 e, em sua gestão, o prédio ganhou novo projeto arquitetônico, além do segundo e o terceiro andares. Apparecido Dahab foi eleito presidente em 1978, entre suas realizações destacase a criação da Semana do Freguês, hoje Semana do Consumidor; em seguida, no ano de 1980, a ACIA foi comandada por Péricles Medina. Nos anos 70, a Kibelanche já despontava com lanchonete das mais conceituadas A Casa Barbieri não é apenas uma das mais antigas lojas em atividade, como também criou enorme tradição pelo presépio montado sobre sua sacada a partir de 1936. Hoje a loja está na Avenida Brasil esquina com a São Bento e o seu antigo prédio é ocupado com muito sucesso pela Montreal

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DELES, NÃO DEVEMOS ESQUECER JAMAIS Como presidentes de uma entidade de classe, cada qual escreveu a seu modo na época em que dirigiram a ACIA, páginas importantes no desenvolvimento econômico da cidade, merecendo a nossa eterna lembrança. Documento O PODER DA Benevenuto Colombo 1934 - 1936 ACIA Indio Brasileiro Borba 1936 - 1940 Gentil Martins 1940 - 1941 Rômulo Lupo 1941 - 1942 Orlando da Valle 1942 - 1948 A partir dos anos 80, as novas diretorias da ACIA com ideias bem ousadas, buscaram modificar o relacionamento com todos os segmentos e uma integração ainda mais forte da entidade com a comunidade. Na década de 80, o empresário Ivo Dall’Acqua Júnior assumiu o Sindicato do Comércio Varejista e iniciou o processo de mudança no comportamento empresarial da cidade. Quase simultaneamente, em abril de 1984, o empresário Joel Roberto Aranha foi empossado presidente da ACIA. Uma de suas principais iniciativas foi ampliar o relacionamento com a Associação Comercial de São Paulo. No período de 1989 a 1992, foi a vez de Ivo Dall’Acqua assumir a presidência da ACIA. Durante sua gestão foi realizada a primeira edição da Feira Agro Comercial e Industrial da Região de Araraquara (FACIRA). Sua administração foi marcada por fatos importantes na entidade: instalação do Escritório Regional do SEBRAE-SP, implantação de projetos de associativismo em Araraquara e a formalização da transferência do terreno para construção do SESC em nossa cidade. O empresário Pedro Augusto Lia Tedde foi o presidente seguinte e em suas realizações destaca-se a criação do posto regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP). Em 1998, depois de concorrida eleição, Jorge Lorenzeti Neto assumiu a presidência com um programa de governo dos mais arrojados: reforma da sede (mais moPhotocolor, uma novidade nos anos 80 Mário Barbugli 1948 - 1950 André Lia 1950 - 1958 Francisco P. M. da Silva 1958 - 1960 Roberto José Fabiano 1960 - 1962 Clodoaldo Medina 1962 - 1966 Jovenil R. de Souza 1966 - 1970 Vicente Michetti 1970 - 1978 Apparecido Dahab 1978 - 1980 Péricles Medina 1980 - 1984 Joel Roberto Aranha 1984 - 1989 Ivo Dall’Acqua Júnior 1989 - 1992 Pedro A. Lia Tedde 1992 - 1998 Jorge Lorenzeti Neto 1998 - 2001 Samuel Brasil Bueno 2001 Sônia M. C. Borges 2001 - 2004 Valter Merlos 2004 - 2010

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Casa das Ferragens, uma das maiores da cidade na década de 80 derna), aquisição de novos computadores e campanhas promocionais para intensificar as vendas no comércio. Em janeiro de 2001, Lorenzeti foi eleito Presidente da FACIRA e o vice-presidente, Samuel Brasil Bueno, assumiu a ACIA por três meses. Na eleição seguinte, os associados elegeram a primeira mulher a presidir a associação, Sônia Maria Corrêa Borges, que pautou por uma linha de aproximação com o empresariado. Uma das iniciativas de Sônia foi ampliar o auditório com capacidade para 150 pessoas. Em 2004, o empresário Valter Merlos tornou-se presidente, iniciando um projeto de revitalização da ACIA, chegando com seu plano aos principais corredores comerciais da cidade. Paralelamente, Merlos abriu espaço para implantação de projetos surgindo então, o Movimento Degrau, Empreender e o Conselho de Mulheres Empreendedoras. Foi parceiro da AESCAR e SINCOAR para transformar em Escritório Regional, o Posto da JUCESP. Mais forte politicamente, a ACIA cumpriu com destaque sua responsabilidade social no Governo de Valter Merlos. Renato Haddad, presidente atual, formando os Departamentos da Indústria, Comércio e Serviços para fortalecimento das inúmeras atividades

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