Colina do Sol: Uma perspectiva histórica.

 

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Um documentário sobre a implantação do Centro Naturista Colina do Sol, até sua transferência para o CNCS - Clube Naturista Colina do Sol.

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Colina do Sol Uma perspectiva histórica Celso Rossi 1

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AGRADECIMENTOS A existência da Colina do Sol se deve ao empenho, experiência, coragem, criatividade, companheirismo, arrojo e confiança de um grupo de pessoas que tiveram a ousadia de acreditar que seria possível construir uma área de naturismo no extremo sul do Brasil. Aos meus pais, agradeço pelo apoio constante e por terem arriscado seu patrimônio, resultado de uma vida de trabalho e sonhos, para hipoteca-lo em garantia do empréstimo que viabilizou a compra da área da Colina do Sol. A Paula Andreazza, agradeço pela dedicação e empenho absolutos e por ter aberto mão de uma viagem ao Caribe, com todas as despesas pagas por uma importante revista nacional, para poder estar presente no primeiro encontro naturista na Colina do Sol, que resultou na abertura da caminhada para a realização desse grande projeto que é a Colina do Sol. Aos demais amigos, por terem acreditado nos meus sonhos e feito deles seus próprios sonhos, construindo esse paraíso terreno que é a Colina do Sol. Celso Rossi 30/11/2013 3

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A HISTÓRIA DA COLINA DO SOL Convidado a escrever um pouco sobre a história da Colina do Sol, para inserir no novo site do clube, encontrei uma dificuldade quase intransponível: como descrever uma história da Colina sem dar uma perspectiva mais ampla, para que o leitor pudesse compreender as ideias, as regras de convivência, de construções, etc.. Resolvi fazer um resumo do tanto que poderia contar, de modo que não ficasse apenas em tópicos incompreensíveis, pela economia de palavras, nem numa obra literária que, de tão ampla, desestimulasse a leitura. Desse modo, aqui vai uma “reportagem” narrada na primeira pessoa, quase como pequenos extratos de um diário, que foi o modo mais adequado e convidativo que encontrei para atingir esse objetivo. As fotografias selecionadas, na sua maior parte de autoria de Paula Andreazza, que compartilhou a maior parte dessa história comigo, foram um recurso que encontrei para deixar a leitura mais agradável, ou mesmo para atender àqueles mais impacientes que se satisfazem apenas “vendo as figurinhas”. Celso Rossi 5

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PREFÁCIO Do Pinho à Colina, vemos uma estrada com múltiplas paisagens. Por ela segue um semeador de ideias. Gaúcho, têmpera dos pampas, ousadia no pensar. Imagina um mundo novo, a natureza sendo respeitada, o corpo não estigmatizado por tabus. Defende e propaga um ideal: a vida naturista, o fim dos estereótipos que envolvem o corpo. Lança sementes, vai do discurso à ação. Esta jornada teve início em 1985, com a elaboração de um Código de Ética orientador à prática do naturismo nas areias do Pinho; na sequência, foi fundada uma associação, a AAPP – Associação Amigos da Praia do Pinho. Depois, a decisão heroica de, surpreendendo a família, abandonar o cargo que exercia como profissional de marketing e diretor de uma empresa em Porto Alegre; deixar a confortável vida que levava e ir morar numa simples barraca, numa praia quase que desconhecida, em Santa Catarina. Ao incorporar radicalmente o naturismo como estilo de vida, o passo seguinte foi tomar providências para viabilizar um projeto maior: a constituição de uma Federação Brasileira de Naturismo. Como frutos da ideia concretizada, surgiram três novas associações: em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 88, nos elevados do Pinho, surge o “Paraíso da Tartaruga” e um projeto de vida comunitária. A construção de cabanas, o trabalho 7

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intenso, as dificuldades econômicas: uma epopeia que acompanhei e registrei em imagens. “Pedras Altas”, ao sul de Florianópolis, foi outro empreendimento levado à prática. A partir de 1995, a “Colina do Sol”, no município de Taquara, no RS, começou a ganhar os contornos de um centro naturista em excelência. Ao longo desses anos todos, mantendo sempre o estímulo à implantação de novas áreas naturistas, no nordeste (Tambaba), no Rio de Janeiro (Abricó), em São Paulo (Rincão Naturista), etc. Também, atuando intensamente na divulgação do movimento nos diferentes meios de comunicação; na organização de congressos e encontros, na elaboração do informativo “Pinho É”, na publicação da revista “Naturis”, muito bem elaborada, bilíngue. E o contato imprescindível com as autoridades, incluindo uma exposição, em auditório do Congresso Nacional, das nossas reivindicações: a defesa do Projeto de Lei 1.411/96, que buscava estabelecer normas gerais para a prática do naturismo no Brasil. Assim são os passos deste caminhante, sempre buscando traduzir suas ideias em ações. Agora, Celso Rossi nos surpreende com este livro online. Mais um “diário de viagem”, no qual o narrador faz das palavras um elemento indicativo do que as imagens expressam. Estas se sucedem com largueza, falam alto mostrando as sementes que foram lançadas pelo sonhador. E enfatizam o projeto atual, a dinâmica e o crescimento da Colina do Sol, suas potencialidades e beleza. Contam-nos sobre seus lagos, as áreas voltadas ao esporte e ao lazer, a adequação dos quase cinco quilômetros de ruas internas, a construção das piscinas, casas, edificações várias. Tudo o que foi necessário para tornar a “Colina do Sol” um empreendimento internacionalmente conhecido. 8

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Assim, em linguajar imagético, vamos reconhecendo os passos do movimento naturista no Brasil. Aos olhos mais atentos, facultada está a reflexão sobre o destino que estamos dando às nossas vidas. Tenham todos uma boa e proveitosa viagem, pelas páginas seguintes. Edson Medeiros* *Edson Medeiros é sociólogo, de São José dos Campos/SP, fundador do CENA— Centro de Estudos Naturistas e personagem importante no desenvolvimento do naturismo Brasileiro. 9

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UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA Tudo começou num dia de sol, em janeiro de 1985, nas areias da Praia do Pinho quando, em meio a bate-papos e mergulhos com mais duas ou três famílias que lá estavam, me deixei levar pelo devaneio e visualizei uma sociedade na qual o naturismo imperasse e onde o respeito ao próximo, a fraternidade e o cuidado com a natureza fossem regras assimiladas e vivenciadas, naturalmente, por todos e a liberdade aflorava, junto com a maturidade e o desenvolvimento social do próprio grupo. Era uma ideia bonita e praticamente já a vivenciávamos ali, com aquelas poucas pessoas, de modo inocente e natural. A realidade que se seguiria, entretanto – eu o sabia – transformaria irremediavelmente aquele local e o tempo, assim como os diferentes caminhos, dissolveria o grupo que até então compartilhava daquele momento único. De minha parte, continuei cultivando o sonho e o decorrer dos acontecimentos acabou me levando a dar os primeiros passos. Uma vez descoberto pela mídia, pelas comunidades vizinhas e pelas autoridades, o pequeno grupo de naturistas da Praia do Pinho passou a sofrer o duro choque com a realidade externa àquela utopia: jornalistas chegando à praia, com máquinas fotográficas; a polícia, com seus camburões, e a população local, com pedaços de pau e pedras. Meu primeiro passo foi criar um código de ética, para organizar, pelo menos, o comportamento dos naturistas de primeira viagem, para que aquele local não fosse irremediavelmente perdido para outros usos. Em seguida, redigi uma ata de fundação da Associação Amigos da Praia do Pinho e fui coletar assinaturas. Uma vez formalmente empossado como representante do grupo, na condição de presidente da AAPP – Associação Amigos da Praia do Pinho, fui levar nossa bandeira para a imprensa, para as autoridades e para a comunidade, declarando que estávamos dispostos a lutar por aquele espaço. Os primeiros anos foram caracterizados por um intenso trabalho de relações públicas, tanto a nível local, na própria praia, quanto junto à prefeitura, ao governo do estado, à polícia, órgãos oficiais de turismo, entre ou11

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tros. O sonho inicial foi se adaptando à realidade dos homens, com CGC, endereço, cargos de diretoria e reuniões, que me levavam a dirigir mais de oito horas para ir e outras tantas para voltar, apenas para um final de semana, pois eu morava a 550 quilômetros. Ao mesmo tempo, a vida “normal” que eu levava me fazia questionar cada vez mais os valores sociais e culturais que me haviam formado. Até que, num determinado momento, o Celso profissional de marketing, diretor de empresa, deixou de existir dentro de mim, restando apenas o Celso naturista, idealista, sonhador. Assim, em dezembro de 1987, coloquei minha barraca no portamalas do carro e me mudei para o camping da Praia do Pinho. Foi como morrer e renascer para uma nova vida. Não era o Paraíso, que aqueles antigos devaneios me levavam a supor que seria, mas já era muito melhor que a minha vida de executivo “almofadinha”. Uma das mudanças que logo me chamou à atenção foi a beleza da chuva. Na manhã seguinte a que cheguei “de mala e cuia” na Praia do Pinho, o dia amanheceu chovendo. Minha surpresa foi enorme ao olhar para as folhas dos arbustos e da grama, logo ao lado da minha barraca, e perceber que elas tinham um brilho e uma vida intensos e que eu jamais havia percebido antes. Era a primeira vez que uma chuva amanhecia o dia sem estragar as minhas férias! A aritmética, que antes era uma conta de subtração: trinta dias, menos um, menos dois, menos três...; transformou-se numa adição: mais um dia, vivendo livre e feliz; mais outro dia, fazendo o que quero; mais outro dia, dono do meu tempo... A tarefa de liderar aquele grupo tão heterogêneo não era fácil, pois, tal qual um motorista de ônibus escolar, tinha de conduzir os interesses da associação e da Praia do Pinho, em meio a um trânsito conturbado de interesses políticos e comerciais. Tinha de reinterpretar leis e descobrir novos caminhos para um tipo de comportamento não previsto pela sociedade e, ao mesmo tempo, lidar com os conflitos internos causados pela intersecção de interesses de um grupo que tinha sua espontaneidade aflorada pela prática do naturismo que, em determinados momentos, fazia-os portarem-se feito crianças. Diante de tantos riscos que se apresentavam para a continuidade da 12

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associação e da prática do naturismo na Praia do Pinho, resolvi “espalhar os ovos em outras cestas” e fundei a FBN – Federação Brasileira de Naturismo. Poucos meses mais tarde, convoquei e coordenei as reuniões que culminaram na fundação de outras três associações: a SP-Nat, no estado de São Paulo; a APAN, no Paraná, e a AGN, no Rio Grande do Sul. Terminada a temporada de verão 87/88, tentei negociar uma condição mais econômica para continuar morando no camping à beira da praia; afinal, o meu trabalho beneficiava diretamente os donos do comércio local. Sem sucesso, acabei indo morar por um tempo numa confortável pousada na praia ao lado, aproveitando o período para escrever o livro “Naturismo: A Redescoberta do Homem”, documentando os primeiros anos da luta pelo naturismo na Praia do Pinho. O objetivo do livro era também ajudar a fortalecer o trabalho das associações estaduais, que já começavam a procurar novos locais para a prática do naturismo em seus estados. 13

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Praia do Pinho em 1985. Escultura feita por Celso Rossi, quando da criação do logotipo da AAPP. Primeiro grupo de naturistas da Praia do Pinho. Entre eles, Odoni Branco e família, Edo e Rose, Zig, Celso e Márcia 14

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MOMENTOS Celso inaugurando o camping da Praia do Pinho. Márcia ensaiando um topless, no primeiro dia na Praia do Pinho. Edo, Celso, Eduardo, Trude, Zig, Mônica, Dagmar, Odoni, Márcia e Rose: não havia luz elétrica, mas a amizade e o idealismo superavam qualquer desconforto. 15

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