Figuras & Negócios #141

 

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Revista Angolana Figuras & Negócios

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N CARTA DO EDITOR em Angola. Eles manifestam preocupação pela forma como as elites políticas as vezes fazem leituras erradas sobre o quadro das relações que deve existir os estados que, independentes e soberanos, integram a CPLP, o conjunto de países que têm a língua portuguesa como factor de identidade. E falando da lusofonia, ou melhor, dos países lusofonos, trazemos uma abordagem sobre o combate cerrado que, no Brasil, se faz ao fenómeno corrupção. Os responsáveis do tão falado caso Mensalão foram condenados e estão já a cumprir penas de prisão. Igualmente se desmembrou uma quadrilha de fiscais publicos que em S.Paulo, agarrados aos cobertores do poder, se enriqueciam de forma ilícita. É um caso que, segundo a imprensa brasileira, poderá fazer correr muita água debaixo da ponte com o risco de se punir políticos que a essa altura pensaram em vôos mais altos no panorama político brasileiro. De Moçambique, outro país lusófono, onde se realizaram agora as eleições autárquicas, chegam-nos sinais preocupantes quanto a paz que se sente ameaçada devido a clivagens entre o governo/Frelimo e o maior partido da oposição, a Renamo. Mas o mais preocupante é que se regista no País uma acção de raptos a cidadãos estrangeiros que alí emprestam o seu esforço na reconstrução nacional, exigindo os raptores, como contrapartida para a libertação dos raptados, geralmente quantias enormes de dinheiro. Uma situação que está a levar muitos cidadãos, sobretudo portugueses, os mais visados, a abandonar o País quando o governo e a Renamo não encontram caminho para se entenderem e colocarem ponto final à violência que disparou nos últimos dois meses. Essas e outras matérias de carácter político, económico e cultural são abordadas com relevância nesta edição e desejamos aos nossos respeitados leitores Boa Leitura. o mês em que o País comemora mais um aniversário, o 38º, da sua independência nacional, a nossa edição está recheada de assuntos que espelham as diferentes fases vividas no processo de reconstrução nacional, com especial destaque nas conquistas conseguidas nesses ultimos dez anos de paz. Fazemos um percurso de A a Z pintando em letras do abecedário o mais saliente que os nossos olhos registaram. E nesse embalo, centramo-nos também na análise do estado actual das relações entre Angola e Portugal, colhe ndo depoimentos de cidadãos ambos os países que dão corpo ao estreitamento de relações seculares que se pretendem cada vez mais solidificadas e descomplexadas na mira de melhor servir os dois países e povos e dá-se ênfase às declarações de figuras políticas portuguesas, algumas delas com interesses empresariais 4 Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013

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7. EDITORIAL PACTO DE NAÇÃO! 10. PÁGINA ABERTA A POLÍTICA PORTUGUESA TEM SIDO ERRÁTICA EM RELAÇÃO A ANGOLA 14. LEITORES RASGUEI AS MÁS NOTÍCIAS E VOU REGRESSAR NO MEU PAÍS! 17. PONTO DE ORDEM EXCESSO DE ZELO 24. POLÍTICA PROSTITUIÇÃO MADE IN BRASIL EXCLUSIVO PARA ANGOLA 28. FIGURAS DO MÊS A DANÇA ESTÁ NUM ESTADO DESOLADOR 32. FIGURAS DE CÁ 38. CULTURA SUPERA CONCORRÊNCIA E VENCE TOP DOS MAIS QUERIDOS EDIÇÃO 2013 42. ECONOMIA & NEGÓCIOS A APOSTA NO KWANZA 80. MUNDO MENTORES DO MENSALÃO ESTÃO PRESOS 89. FIGURAS DE JOGO KANGAMBA NA PRAÇA PÚBLICA 90. MODA & BELEZA DIGNIFICAR A BELEZA FEMININA CAPA: BRUNO SENNA 18 REPORTAGEM PORQUÊ SE LÊ POUCO EM ANGOLA? DOSSIER 52 UM MOSAICO DE LUTA, GLÓRIA, PAZ E RECONSTRUÇÃO 94. VIDA SOCIAL DIA DAS FINANÇAS PÚBLICAS 6 Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013

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84 DESPORTO OS GASTOS FEITOS (NÃO) COMPENSARAM ÁFRICA 72 COMEÇA A GUERRA DO PETRÓLEO ENTRE KINSHASA E KAMPALA 100. FIGURAS DE LÁ 104. RECADO SOCIAL SENTAR, CONVERSAR E RESOLVER AS MAKAS SEM CACETE Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 13 - n. º 143, Novembro – 2013 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Sebastião Félix, Venceslau Mateus, Suzana Mendes, Júlia Mbumba e Norberto Costa Fotografia: Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Juliana Evangelista, Crisa Santos, Rita Simões, João Barbosa, Manuel Muanza e Shift Digital (Portugal), Wallace Nunes (Brasil) Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe), Teresa Brito (Portugal) Secretariado e Assinaturas: Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Distribuição e assinaturas: Portugal: Urbanos Press S.A. Rua 1º de Maio, Centro Empresarial da Granja Junqueira 2625 - 717 Vialonga Londres: Diogo Júnior E16-1LD - tel: 00447944096312 Tlm: 07752619551 Email: todiogojr@hotmail.com Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Produção Gráfica: Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013 7

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PACTO DE NAÇÃO! N EDITORIAL ovembro mês da independência nacional de Angola, que comemorou agora 38 anos como País livre e soberano, não foi pacífico e o momento permitiu destapar problemas afinal nunca eliminados, e que estavam encapotados à espera da melhor oportunidade para se fazerem presente e exigir dos angolanos uma discussão desapaixonada, descomplexada e aberta se efectivamente se pretende construir uma verdadeira nação onde todos nela se revejam. Com efeito, a pretexto de uma manifestação pela vida, trabalho e paz, organizada por uma formação política, onde o objectivo era protestar contra o desaparecimento de alguns jovens que criticam as acções dos órgãos de soberania, o País conheceu, já na ponta final do mês, um clima de agitação de que resultou, pelo menos na capital, a morte de duas pessoas, cerca de trezentos presos e poucas instituições destruídas. Em algumas províncias também se registaram acções de violência envolvendo a polícia nacional e cidadãos filiados a algumas forças políticas legalmente reconhecidas. Por alguns instantes acreditou-se que o clima de violência, de guerra fratricida, tinha ressurgido no País depois de há pouco mais de dez anos se terem assinado os acordos de paz. Ficamos, então, a saber que, afinal, os angolanos ainda não estão reconciliados e que o ódio impera, sobretudo no seio de militantes das maiores forças políticas representadas no parlamento nacional. Ficou em evidência que se está muito longe do percurso para a consolidação da democracia, porque não se aceita o contraditório e a sociedade, de muito partidarizada, também se tornou fortemente policial, sendo que as forças de defesa e segurança, a pretexto da protecção dos órgãos constituídos, tomam sempre partido, quantas vezes com excesso de zelo, da força política que está no poder. Com precedentes pouco animadores em alguns países do continente onde se criam relações dolorosas entre os poderes instituídos e as forças vivas da Sociedade na procura de melhor leitura sobre o catecismo da democracia, o que se passou em Angola é um caso grave que exige uma profunda reflexão. Desde logo, as forças políticas, como causadoras principais do regulador da temperatura que se deve criar para um bom ou mau clima na Sociedade, têm de ser chamadas a interiorizar a necessidade de se colocar os interesses da nação acima dos partidários, pelo que não é demais repetir que a reconciliação da família angolana de forma plena passa, necessariamente, pelo estabelecimento de um pacto de nação. O conflito angolano foi longo, deixou marcas profundas que só podem ser vencidas com introspecções colectivas que reclamam diálogos permanentes, debates profundos e desapaixonados sobre os problemas que dividem os angolanos, respeitando-se, evidentemente, as diferenças políticas e pontos de vista de cada um. Vivendo-se como se vive agora, onde as forças políticas privilegiam a intriga, a maldade e o crime, entre outros males, como o tribalismo, o racismo e a exclusão, o momento não é saudável, e, por arrasto, pode vir a criar, num futuro próximo, consequências dolorosas e desastrosas para o País e para as populações. Novembro de 2013 permitiu-nos ver tudo isso, de que não existindo um verdadeiro divisar de águas entre um passado tenebroso e violento entre irmãos, que só deve mesmo ficar para a história, e um presente que tem de ser de paz e concórdia no respeito das opções de cada um, é imperioso o acto colectivo de lavar as mãos e os corações para que de alma lavada e enxaguada possamos pensar País. Os sul-africanos, por exemplo, fizeram esse exercício de reflexão com jornadas extensas que intitularam como da verdade e reconciliação nacional. Não se tendo eliminado todos os problemas que alí se vivia, e que não eram poucos quando pensamos na política do apartheid que então reinava, se criou naquele país um quadro salutar para o respeito das diferenças políticas e traçou-se o rumo da democracia de forma mais pacífica e nada violento. Este não é ainda o quadro de Angola, não podemos omitir esse facto. Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013 9

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PÁGINA ABERTA As relações entre Angola e Portugal têm conhecido, nos últimos tempos, sobressaltos. Em causa estão declarações de responsáveis portugueses e acções de organismos públicos de Portugal acerca de destacadas figuras angolanas. Política, justiça e economia são os pontos quentes que têm esfriado as relações entre Luanda e Lisboa. Celso Filipe, jornalista português e subdirector do Jornal de Negócios, causou alguns incómodos com o seu livro «O Poder Angolano em Portugal – Presença e Influência de um País Emergente». Lançado no início de Julho deste ano, o documento vai na sua terceira edição. O relator afirma que o livro se abstém de fazer juízos de valor acerca de qualquer um dos assuntos ou intervenientes. Celso Filipe diz que apenas quis fazer um ponto de situação. Nesta terceira edição, o autor irá actualizar informações e precisar alguns aspectos. Desta entrevista destaca-se o desejo de escrever um livro sobre o poder português em Angola. Por: João Barbosa (Texto) Foto: Miguel Baltazar F iguras & Negócios – Qual a tua relação com Angola? Tens ligações familiares? Celso Filipe – A ligação foi um acaso. Um acaso do destino, quando comecei, foi ter trabalhado no África Hoje e África Confidencial, em 1986. Simultaneamente, já tinha a ideia de que Portugal só se afirmaria, junto dos seus parceiros europeus, com a ajuda de Angola, Moçambique e Brasil. Foi com a morte de Savimbi e é nesse momento que o Estado angolano começa a ter disponibilidade financeira, porque já não tem o esforço de guerra. Quis explicar a natureza do investimento em Portugal, que é de categorias diversas e não podem ser classificados do mesmo modo. Há um poder que se identifica com o círculo do poder. Angola é um país em que o Estado ainda é muito importante; veja-se o caso da Sonangol, do BCP ou da Galp. F&N – Tens uma curiosidade para contar acerca do teu trabalho sobre África... CF – Foi por causa de Angola que consegui manter o emprego. Em 1990 fazia a revista do semanário Tempo. Um dia, o director diz-nos que, por razões financeiras, a revista iria fechar; fiquei num limbo, mas integrado da redacção do jornal. Nessa altura ia realizar-se o «Primeiro Congresso de Quadros Angolanos». Diz-se que foi preparatório das conversações, entre o MPLA e a UNITA, que iriam resultar no Acordo de Bicesse. Dizia-se que era uma cortina de fumo para poder haver conversações. Fiz a cobertura desse congresso e o director gostou muito do meu trabalho. Houve as rescisões no Tempo e fiquei. Um dia disse-lhe que também tinha trabalhado na revista... ele disse-me que não costumava ler a revista... Por isso que Angola me salvou o emprego. F&N – O que te levou a escrever o livro? CF – Foi um desafio dum colega, o José Vegar. Fala-se tanto do poder angolano em Portugal e não havia nada escrito sobre o tema, só informação avulsa e muitos mujimbos. O que procurei fazer foi sistematizar as relações económicas, políticas e sociais entre os dois países. Como Angola muda? Foi com a morte de Savimbi e é nesse momento que o Estado angolano começa a ter disponibilidade financeira, porque já não tem o esforço de guerra. Quis explicar a natureza do investimento em Portugal, que é de categorias diversas e não podem ser classificados do mesmo modo. Há um poder que se identifica com o círculo do poder. Angola é um país em que o Estado ainda é muito importante; veja-se o caso da Sonangol, do BCP ou da Galp. F&N – Há vozes na sociedade portuguesa que ou têm rancor devido ao passado ou criticam muito a forma como os diversos poderes são exercidos em Angola. Indo Celso Filipe A POLÍTICA PORTUG ERRÁTICA EM RELAÇ 12 Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013

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PÁGINA ABERTA directo ao ponto: há quem afirme que o poder em Angola é corrupto. Pensas isso? CF – Não sei. Na lista da Transparência Internacional está mal colocada. Mas depois há uma resposta, que, embora corriqueira, não deixa de ser verdade: só há corruptores se houver corruptos. A corrupção não é um problema típico dos angolanos. Como não é dos portugueses. No caso dos grandes investimentos angolanos, não há nenhum angolano que não tenha A corrupção não é um problema típico dos angolanos. Como não é dos portugueses. No caso dos grandes investimentos angolanos, não há nenhum angolano que não tenha colaboração de portugueses, como consultores de gestão ou jurídicos e legais... Essas pessoas saberão melhor dizer com quem lidam. colaboração de portugueses, como consultores de gestão ou jurídicos e legais... Essas pessoas saberão melhor dizer com quem lidam. F&N – O poder em Portugal é corrupto? CF – Todos os poderes são corrompíveis, seja político, judicial ou económico. A cobiça e a ganância fazem parte da natureza humana; o que é diferente de ser ambicioso, que é um sentimento legítimo. Quando se torna incontrolável, podem ser manipulados. GUESA TEM SIDO ÇÃO A ANGOLA Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013 13

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PÁGINA ABERTA F&N – Perante tantas críticas e suspeitas, de parte de alguns sectores portugueses, consideras que Angola tem corrompido Portugal? CF – Não acredito nem deixo de acreditar. Para mim é irrelevante. Remeto a pergunta: Os portugueses têm corrompido os angolanos? É para averiguar isso que existem os poderes político e judicial. São eles que têm de tratar dessa matéria. Não vejo o poder angolano em Portugal como uma coisa maquiavélica e que vai dar cabo de nós. F&N – Como vês o bruá das declarações do ministro português dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete? CF – No livro já me referia a isso. É preciso ver a situação em perspectiva acerca dos processos do general Kopelipa e de Manuel Vicente, que vinham de 2012. Nessa altura já tinha havido diversos ataques violentos, do Jornal de Angola, a Portugal. As declarações de Machete fizeram foi reavivar o assunto, que Acho que Portugal se tem comportado duma forma muito errática, não só com Angola como com todos os países da lusofonia. Fala-se muito em cooperação estratégica, mas penso que esse discurso se destina aos seminários do croquete. Estende-se aos restantes PALOP..., Moçambique é um caso flagrante... Cabo Verde, que se dizia ser um caso exemplar na transição para a democracia, deixou de existir para nós. estava adormecido; mas que não deixava de existir e que não deixava de ser um espinho na garganta dos dois Governos. E aqui distingo uma coisa: uma é o que disse o Presidente José Eduardo dos Santos – que neste momento não há condições para constituir uma parceria estratégica –, sabendo que quem estava sob suspeita eram o número dois e o número três do seu Governo. É entendível. Outra coisa são os editoriais e artigos de opinião, violentos e virulentos do Jornal de Angola. Esses, desvalorizo-os, porque são «soldados» a quererem mostrar-se úteis... e os soldados só são úteis quando há guerra. F&N – Perante todos os factos recentes, como se podem acalmar as tensões? CF – Isto que aconteceu, em Outubro, não se resolve dum momento para o outro. Acho que Portugal se tem comportado duma forma muito errática, não só com Angola como com todos os países da lusofonia. Fala-se muito em cooperação estratégica, mas penso que esse discurso se destina aos 14 Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013

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PÁGINA ABERTA seminários do croquete. Estende-se aos restantes PALOP..., Moçambique é um caso flagrante... Cabo Verde, que se dizia ser um caso exemplar na transição para a democracia, deixou de existir para nós. F&N – E como se sai do impasse? CF – Vai sair-se como se saiu doutros impasses. As coisas vão resolver-se. Mas vai levar tempo. Há dois aspectos preponderantes: os dois países precisam um do outro. As nossas culturas e a nossa história unem-nos mais do que nos separam. Podemos ter divergências, o que também é saudável – a unicidade mete-me medo. Por exemplo: Em Angola aprende-se que a independência se deveu à Luta Armada. Em Portugal dizemos que foi a revolução do 25 de Abril, que permitiu a descolonização. Qual delas é verdadeira? São as duas! Este exemplo prova que as divergências podem coexistir. F&N – O teu livro fez mossas nas relações entre Portugal e Angola? CF – Tive muitas pessoas, tanto portuguesas como angolanas, pessoas relevantes e que conhecem a reafoi apontar factos, dar-lhe interpretações com várias visões, e contribuir para tornar público coisas que andavam separadas e dispersas. Por ser o primeiro, tem lacunas tem falhas... muitas pessoas disseram-me que podia ter ido mais além. Mas não quis comunicar dados sobre os quais não tenho a certeza, para não desvalorizar o trabalho. Não quis fazer um trabalho panfletário a favor de qualquer um dos lados. F&N – Que reacções tiveste de angolanos? CF – Vieram feedbacks importantes, pessoas que me deram os parabéns. F&N – Quem foram essas pessoas? CF – Não posso revelar. O que sinto é que se me abriu um porta. Gostaria de escrever um livro sobre o poder português em Angola. Não sei se terei essa hipótese. As duas realidades coexistem e uma não pode viver sem a outra. Todos os poderes são corrompíveis, seja político, judicial ou económico. A cobiça e a ganância fazem parte da natureza humana; o que é diferente de ser ambicioso, que é um sentimento legítimo. Quando se torna incontrolável, podem ser manipulados. lidade, e de diferentes quadrantes, a darem-me os parabéns. Procuro, enquanto jornalista, não fazer juízos de valor. O que pretendi Figuras&Negócios - Nº 143 - NOVEMBRO 2013 15

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