Revista Jornal Empresarios Outubro 2013

 

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® do Espírito Santo ANO XIV - Nº 166 www.jornalempresarios.com.br OUTUBRO DE 2013 ANTÔNIO MOREIRA Sonegação está com os dias contados Com a implantação da nota fiscal eletrônica e da escrituração digital, a Receita Federal controla as empresas. Páginas 2, 4, 14 e 15.

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2 OUTUBRO DE 2013 FOTOS ANTÔNIO MOREIRA VITÓRIA/ES CARLOS AMORIM 13 ANOS Juarez Neves tem ateliê na Praia do Suá ❫ MODA MASCULINA❫❫ Ternos sob medida ressaltam a elegância Em Vitória, são poucas as alfaiatarias que sobreviveram ao processo de industrialização. Os ternos feitos sob medida, sem dúvidas, deixam os homens mais elegantes e chegam a custar R$ 2 mil, mas as tradicionais alfaiatarias registram queda nas encomendas, pois o consumidor tem opções e condições de pagamento oferecidas pelas lojas de shopping. Página 18. Imóvel comercial seduz investidor ❫ VISÃO❫❫ Investir em imóvel comercial é bom negócio Luiz Carlos Menezes, João Luiz Tovar e José Luiz Kfuri, especialistas do mercado imobiliário, são de opinião que o mercado vai se acomodar em 2014, os preços serão mais realistas e o imóvel comercial continuará a ser um investimento seguro. Página 12. MARCOS FÉLIX LOUREIRO (COLUNISTA CONVIDADO) A gestão que o povo quer os últimos meses, milhões de brasileiros foram para as ruas a fim de mostrar seu descontentamento com os rumos políticos, econômicos e sociais tomados por nossos representantes em todas as esferas governamentais. Apesar de alguns excessos cometidos, que resultaram em ondas de violência por todo o país, o grito do movimento é legítimo e merece ser ouvido por nossos governantes. Os pedidos que ecoaram por todo país nesse período foram amplos, mas se basearam na exigência da ética, responsabilidade e transparência na administração dos recursos públicos. Não por acaso, esses valores são o foco do trabalho do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES) e se confundem com as demandas apresentadas pela sociedade. A população, que paga 45% do seu salário em impostos, segundo cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), quer per- N Lojas já vendem artigos natalinos VENDA❫❫ Natal é a última oportunidade para o comércio Os lojistas se preparam para as vendas de fim de ano. É nesta época que os comerciantes têm a oportunidade de aumentar as vendas, liquidando o estoque e melhorando o caixa. O presidente da Fecomércio, empresário José Lino Sepulcri, estima que as vendas do período natalino deverão ter um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Página 16. ceber esse investimento com serviços públicos de qualidade em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Além disso, o país é a 7ª maior economia do mundo e fechou 2012 com PIB de R$ 4,403 trilhões, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, não são raros os investimentos falhos e a falta de planejamento em diversos setores da administração pública. E é exatamente em busca dessas garantias que o CRAES vai à campo, fiscalizando editais, empresas e órgãos públicos, além de Comissões Permanentes de Licitação (CPL’s) de todos os municípios do Espírito Santo. Ao defender os direitos dos administradores e tecnólogos, o trabalho do Conselho também defende a população, garantindo a lisura nos processos de aquisição de bens e serviços pelos municípios e Estado. É também por isso que o papel do profissional de administração assume grande importância para a so- ciedade, principalmente em pontos estratégicos da gestão, visto que contam com maior conhecimento sobre questões essenciais em longo prazo, como a execução do planejamento e da gestão de políticas públicas, a implementação de programas de responsabilidade social, a gestão de organizações sociais e a elaboração de programas governamentais, assim como também são requisitados para atuar em agências reguladoras e de fomento social. O risco de leigos atuarem em funções estratégicas é o despreparo para lidar com determinadas situações ou não saberem conduzir um planejamento estratégico e sustentável. Quando isso acontece, o prejuízo é de toda a população porque o dinheiro arrecadado e gerenciado pelo governo é nosso. Se, por um lado, o Administrador e o Tecnólogo em Gestão têm melhores condições técnicas para exercer as funções de sua competência, por outro a sociedade pode con- tar com mais um órgão independente para fiscalizar seu trabalho, que é o CRA-ES. Assim, a sociedade ganha mais uma garantia de que o profissional irá cumprir com suas funções de acordo com os princípios éticos do código da profissão. Ou seja, é mais uma forma para inibir vícios na gestão pública, como a corrupção, e garantir que nossos recursos sejam empregados com consciência, de maneira correta e limpa. Além disso, é preciso acordar para a necessidade de ter profissionais de Administração atuando nas esferas públicas para que possam colocar o conhecimento adquirido na academia a serviço da sociedade. Chega de leigos gerindo os seus recursos. Os profissionais da Administração, sujeitos à fiscalização ética, técnica, civil e até mesmo criminal do Sistema CFA/CRA’s estão à sua disposição para trabalhar pelo coletivo. ■ Marcos Félix Loureiro é Presidente do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES)

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4 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS Leão da Receita tem apetite voraz Programa de computador identifica inconsistência nas informações e Receita Federal vai notificar as microempresas D esde o dia 16 de setembro, os contribuintes optantes do Simples contam com um novo suporte para suas declarações, o programa Alerta Simples Nacional. Com o novo sistema, quem acessa o Portal do Simples receberá um aviso da fiscalização quando houver inconsistências entre os dados declarados pelas microempresas e empresas de pequeno porte ao Fisco e aqueles obtidos ou coletados pela Receita Federal do Brasil e/ou Secretarias Estaduais, Municipais ou do Distrito Federal. O novo programa da Receita é destinado a informar sobre irregularidades nas informações, permitindo a autorregularização, com a retificação de erros de preenchimento nas declarações e a apuração de tributos e inconsistências. Se as correções forem feitas antes do procedimento formal de fiscalização, não haverá aplicação de multa de ofício, que varia de 75% a 225% sobre o valor dos tributos devidos. De acordo com dados da Receita Federal, mais de 3,4 milhões de contribuintes entregam atualmente de- claração como optantes do Simples, regime diferenciado de tributação, menos burocrático, com impostos reduzidos e que facilita a entrada e permanência no mercado formal. Para isso, eles precisam acessar mensalmente o Portal do Simples Nacional (www.receita.fazenda.gov.br/Simples Nacional) para emitir o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). A estratégia do Alerta Simples Nacional segue a mesma ideia da malha fina das pessoas físicas, já que se utiliza de uma parametrização técnica e da divulgação dos in- dícios de infração que permite que os contribuintes possam regularizar as pendências antes de qualquer procedimento de fiscalização por meio de notificação ou provar que declararam corretamente. Quem receber o aviso e não proceder à regularização ficará sujeito a receber notificação de fiscalização por parte das Receitas Federal, Estadual e Municipal, conforme o caso. Na primeira fase, serão emitidos 29 mil alertas referentes a indícios de omissão de receitas auferidas em 2010, decorrentes dos repasses re- cebidos das administradoras de cartão de crédito – que são informados à Receita Federal via Declaração de Operação com Cartão de Crédito (Decred) –, e das vendas efetuadas ao Governo Federal, cujos dados são obtidos pelo Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Os avisos resultantes do cruzamento das informações com as declarações serão disponibilizados no site até o final de outubro e, a partir de dezembro, a Receita passa a fiscalizar os que não fizeram as correções. ■ EUSTÁQUIO PALHARES O que chegou com a primavera E ssa primavera começou auspiciosa para o pessoal que busca se antenar nos desdobramentos de uma realidade desafiante. Primeiro Domenico De Mase brindou o público que lotou o auditório da Findes com uma palestra inspiradora, onde rebobinou as relações históricas de produção para chegar às modalidades de trabalho atual, físico, intelectual repetitivo e intelectual criativo e preconizou uma brutal redução da jornada de trabalho. Isso se faria por um consenso da sociedade em relação à sua própria capacidade de gerar o emprego. Os ganhos de produtividade carreados pela ciência e tecnologia determinam uma liberação do fator humano no trabalho que exige uma ressignificação. Ou um terço opera para o consumo do conjunto ou todos atuam, absorvidos em menor intensidade, para equalizarem as chances de renda e subsistência. Não passa despercebido ao sociólogo italiano a hegemonia da mulher no mundo produtivo por atributos de gênero que lhe dão muito mais competitividade que ao homem. Ela, multifocada, dissonante cognitivamente, e o homem serial, lógico, incapaz de multipercepções. De Mase evoca também o mito do homem cordial para enaltecer a alegria do brasileiro e deplora o fato de nossa cultura subestimar-se quando adota padrões exógenos, como os europeus ou norte-americano, principalmente quando não reforçamos nossa tendência para a alegria e a celebração da vida. O italiano esfregou-nos o óbvio, ilustrando a irracionalidade do nosso sistema com o tempo que ele levou, numa tarde de quinta-feira, para vencer um percurso de dois quilômetros até o auditório da Findes. Os cerca de 50 minutos despendidos no trajeto, por força do rush, evidenciaram para ele a estupidez de repetirmos padrões por meros condicionamentos culturais. Os tempos de deslocamento no espaço urbano hoje são subtraídos ao lazer, já que a jornada de trabalho ainda permanece intacta. Ironizou o culto dos workholics que se ufanam das longas jornadas produtivas, sentenciando que muita reunião é mera encenação para simular um compromisso produtivo cujos resultados necessariamente não refletem o aparente esforço. “E por isso correm o risco de só verem os filhos pelas fotografias que ornamentam suas mesas, filhos que, na verdade, nem sabe se é deles, já que estão sempre absorvidos pelo trabalho.” Pegou pesado o Domenico, tocando no cerne da autoestima do macho latino. Estendeu-se também sobre a relação com o trabalho criado por uma ética protestante que distingue o trabalho como uma louvação, enquanto uma ética católica tratou o trabalho como uma expiação. Mas recusou-se a embarcar numa provocação da plateia se isso explicava o fato de países protestantes serem, habitualmente, ricos, enquanto países católicos – exceto a sua (dele) Itália – serem tradicionalmente pobres e periféricos. Outra provocação, esta a de que o que se faria com o tempo liberado do trabalho, ele retrucou que seria o momento de buscar o lazer, novos ritos de convivência e o enriquecimento intelectual como modos de alargar uma perspectiva de mundo. Mostrou grande familiaridade com a obra de Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda, de onde parece ter extraído suas percepções do nosso povo. E de Oscar Niemeyer, cujas curvas, lembrando as mulheres, enseadas e montanhas do país, prefere às retas e à funcionalidade austera de Le Corbusier. Complementou esse promissor início de primavera, para regozijo das pessoas que lotaram o Itamaraty Hall, a palestra do economista Paulo Guedes, na programação do Forum Liberdade e Democracia, promovido pelo Instituto Líderes do Amanhã. Mordaz e com amplo domínio do tema, Guedes ofereceu um consistente panorama da economia mundial a partir, também, da mudança de eixo das grandes culturas em relação ao trabalho. Os Estados Unidos se viciaram no rentismo, na geração de renda por apli- cações financeiras, do que resultou a crise das subprimes de 2008 e o desnudamento da fragilidade de um sistema que se revelou com a quebra do Leman Brothers. “É ridículo supor que apenas a quebra de um banco ocasionasse tudo isso” afirmou. O que exis, tia era um sistema financeiro hiper alavancado; uma única hipoteca lastreava 38 transações de crédito E citou a montanha de dólares, um trilhão por ano, que o Governo está colocando no sistema para assegurar liquidez, o que já antecipa uma crise cambial para os próximos dois anos, advertida pelo susto recente da alta do dólar por conta da decisão do Governo em começar a (re)comprar os seus papéis. Por aqui, o dólar ameaçou desgarrar para mais de R$ 3,00 e a longo prazo nada garante que não o fará. Do lado da Europa, a crise do Euro é ainda relativa, porque a paridade cambial mostra a moeda europeia muito valorizada, mas é prenunciada pelo déficit fiscal dos países pródigos em prover o bem estar social de suas populações às custas desses déficits, como Grécia, Espanha, Itália, França, Portugal, Irlanda e por aí afora. Ou seja, essa conta não fecha mais. O Governo supria tudo – saúde, educação, segurança – sedimentando a cultura de que mais vale a pena fazer política do que trabalhar. Embora aqui também muitos, “preocupados com o po- vo” se guiem pela mesma lógica. , Para os Brasil sobra a ressaca de uma social democracia que não se sustenta pela incapacidade das lideranças políticas acordarem um pacto social acima de suas ambições “pelo pudê” . Oposição denuncia a corrupção do governo que retruca ter apenas aprimorado os métodos da oposição enquanto esta era poder. Os papéis apenas são alternados, resultando a perda de produtividade da economia por conta do déficit educacional, das reformas que o Brasil necessita para destravar suas possibilidade, a começar por uma reforma política, a reforma tributária, descentralizando a receita e reduzindo impostos, a reforma da legislação trabalhista e a reforma da previdência, uma bomba de tempo que se transfere para os sucessores e que não fechará as contas. E como pano de fundo a nova realidade: os países hoje brigam por empregos, esta é a grande disputa econômica. E, advertiu o economista, 3,5 bilhões de asiáticos buscam emprego, sem aumento de salário, direitos trabalhistas e remunerados a US$ 0,30/hora. A China tem excesso de capital e excesso de mão de obra. ■ Eustáquio Palhares é jornalista eustaquio@iacomunicacao.com.br

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6 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS ❫ EDITORIAL❫❫ Não dá mais 300 bilhões. Esse é o montante estimado de impostos sonegados no Brasil de janeiro a outubro. O valor só perde para os PIBS estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Até o final do ano, esse valor deve chegar à casa dos R$ 415 bilhões, o equivalente a 10% do PIB nacional. Um número assustador e crescente no país, e prática recorrente de pessoas físicas e jurídicas – seja por má fé ou por falta de conhecimento ou orientação técnica para a correta declaração de valores ao fisco ou faturamento de impostos sobre serviços, por exemplo. Uma nova realidade vem de encontro a esse cenário histórico, a partir da tecnologia. As notas fiscais eletrônicas e a escrituração digital tem se tornado prática em diversos municípios e está bem próxima de se tornar a regra para o país. Iniciada em 2007, a implantação do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital transmite informações para os órgãos fiscalizadores e, em cruzamento com as informações financeiras da empresa, tornará quando efetivo em sua totalidade a sonegação próxima de zero. Isso em função de um processo de auditoria baseado em inteligência artificial que cruza uma base de dados alimentada em tempo real e virtualmente à prova de fraudes. A eficiência do sistema que combate à sonegação fiscal gera um alerta importante para a economia do país: qual o tamanho do impacto nas pequenas empresas, que movem a economia do país e que compõem a maioria da massa jurídica que sonega impostos em busca de maior lucro ou da mera sobrevivência no mercado? E uma pergunta fundamental: a redução da sonegação de impostos a próximo de zero irá reduzir as taxas tributárias impostas ao cidadão e às empresas? Com a carga tributária em 36% e os investimentos públicos na casa dos 2,5%, é imperativa a reavaliação do equilíbrio dessa escala. Estima-se que, sem sonegação, as taxas poderiam cair em 20% e manter o mesmo nível de arrecadação para os cofres públicos. É pagar pra ver. ■ DELFIM NETTO R$ Cinco anos N esta meia-década de uma crise que – honestamente falando - não precisava ter existido, mesmo com muito boa vontade talvez não se consiga preencher os dedos da mão com boas notícias da economia mundial. Nada parecido com estes primeiros 10 dias de outubro quando surgiu o primeiro sinal inteligente de que a política monetária da maior potência mundial vai mudar, escolhendo a recuperação do nível de emprego como a sua meta principal. É dessa forma que se deve entender a indicação da economista de 67 anos Janet Yellen à presidência do Banco Central dos Estados Unidos para substituir Ben Bernanke a partir de janeiro de 2014. Na vice-presidência do FED desde 2010 ela já vinha exercendo forte influência sobre Bernanke, como ficou demonstrado em junho deste ano quando defendeu publicamente a manutenção dos estímulos monetários até que a taxa de desemprego voltasse ao nível de 6,5%. Disse com muita clareza naquela ocasião que para ela os objetivos de recuperação da atividade econômica e de elevação dos níveis de emprego têm que estar à frente das metas de controle da inflação. Para quem achar que estou exagerando na ênfase, apenas lembro que a política monetária dos governos nacionais desde setembro de 2008 se orienta mais das decisões do colegiado do Federal Reserve dos Estados Unidos do que dos comitês monetários de seus próprios Bancos Centrais. Esses comentários sobre o anúncio da ascenção da primeira mulher ao comando do órgão que dita a política monetária mundial (após 14 presidentes) acabou ocupando grande parte do tema que tinha preparado para o artigo des- ta semana sobre os reajustes salariais que nestes três primeiros trimestres do ano pressionaram menos os custos industriais no Brasil. O que estava acontecendo é que a partir de 2003/2004 o crescimento do salário nominal na indústria vinha se situando muito acima dos aumentos de produtividade, resultando num nível de salário real incompatível com equilíbrio adequado para a nossa economia. Aumentos do salário real que não correspondem ao crescimento da produtividade, terminam se dissipando ou em inflação ou em déficits em conta corrente que é o que nós estamos vivendo. Durante muito tempo isso aconteceu. Como tínhamos uma taxa de juro muito alta, o câmbio real se valorizou, roubando um pedaço da exportação e a demanda interna da indústria brasileira porque o sub- sídio cambial à importação era enorme, o que produziu um grande enfraquecimento da indústria. O setor de serviços que não era submetido à concorrência permitia a elevação dos salários, aumento que migrava para a indústria, desarticulando o sistema produtivo. A partir do ano passado, isso começou a ser corrigido. Nos três trimestres de 2013 os aumentos reais de salário foram menores: creio que qualquer coisa entre 1% e 1,5% de crescimento real, ao ano, o que continua acima do aumento da produtividade, porque ela praticamente não cresceu; mas já é uma situação melhor do que foi nos anos passados. ■ Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, exministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. contatodelfimnetto@terra.com.br JOSÉ DIRCEU Caminho para o futuro ouve um redesenho do mapa político e econômico mundial, não há dúvida. O Brasil está se preparando para prosperar em um cenário em que os EUA já não são mais hegemônicos e a China avança cada vez para a condição de maior potência? Definitivamente, sim. Um dos caminhos para isso é a negociação de grandes acordos bilaterais, como o que o Mercosul -- liderado pelo Brasil -- vai propor à União Europeia. Hoje, a União Europeia detém um PIB de US$ 17 trilhões, superando os EUA (US$ 15,4 trilhões) e a China (US$ 8,1 trilhões), e um acordo de livre comércio com o bloco pode ser uma excelente oportunidade para ampliar as exportações do Brasil - e para todo o Mercosul, formado por países cujos PIBs somam US$ 4,5 trilhões. A proposta brasileira, ainda sem uma resposta dos europeus, deve englobar entre 85% e 90% do H comércio bilateral entre Brasil e UE. Haverá um cronograma gradual de redução da tarifa de importação dos produtos, com diminuição das alíquotas a cada dois anos, até chegarem a zero. Devem ficar de fora da lista elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior os setores de serviços e de compras públicas, medicamentos, equipamentos da área de saúde e químicos. Cada país do Mercosul pode negociar suas pautas separadamente com a União Europeia, mas está previsto para dezembro uma reunião para a apresentação das propostas em conjunto pelos dois blocos. Vamos aguardar a oferta dos europeus, é claro, antes de realmente classificar o acordo como positivo. Ao Brasil, o mais interessante é que a UE reduza suas tarifas de importação na área de agricultura, setor em que os europeus, historicamente, atuam com exagerado protecionismo. Se a proposta europeia for tímida na redução do protecionismo agrícola, não é para valer. Quantas vezes a União Europeia já não se recusou a reduzir essas tarifas? Esse ponto vai ser o termômetro para medir a seriedade da oferta europeia e revelar se o interesse da UE não é negociar apenas o que é benéfico para eles, mas não para nós, como era muito comum ser aceito na política externa subserviente que vigorou no Brasil até 2002. O setor empresarial brasileiro está animado com as negociações. Estudos preveem que um acordo de livre comércio com a União Europeia pode elevar em 12% as exportações brasileiras para os países do bloco. A UE é o destino de aproximadamente 20% das exportações brasileiras. Neste ano, foram registradas vendas de US$ 34,2 bilhões até setembro. Mas é fundamental ter em mente que esses acordos bilaterais são o ponto de partida, e não de chegada, de uma política externa que realmente defenda os interesses brasileiros. É preciso um verdadeiro Departamento de Comércio Exterior, priorizando o Mercosul e a Unasul. Temos de ter o nosso Eximbank, um banco de importação e exportação. E uma verdadeira política comercial tem de se preocupar com o aumento da produtividade, a redução dos custos, a reforma tributária e o investimento em inovação, educação e infraestrutura. Essa é uma agenda fundamental para que o Brasil esteja à altura dos desafios impostos pelo novo equilíbrio de forças global e amplie seu protagonismo já crescente no plano internacional. ■ José Dirceu é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT zedirceu.com.br É publicado por Nova Editora - Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda ME - Insc. Municipal: 1159747 - CNPJ: 09.164.960/0001-61 Endereço: Praça San Martin, 84, salas 111 e 112, Edifício Alphaville Trade Center - Praia do Canto, Vitória - Espírito Santo - CEP: 29055-170 Diretor e jornalista responsável Marcelo Luiz Rossoni Faria rossoni@jornalempresarios.com.br Repórter fotográfico Antônio Moreira Colaboradores Antonio Delfim Netto, Eustáquio Palhares, Jane Mary de Abreu e José Dirceu. E-mail: jornal@jornalempresarios.com.br Diagramação Márcio Carreiro redacao@jornalempresarios.com.br Contato comercial comercial@jornalempresarios.com.br Telefone (27) 3224-5198 Site: www.jornalempresarios.com.br Impressão Gráfica JEP - 3198-1900 As opiniões em artigos assinados não refletem necessariamente o posicionamento do jornal.

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8 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS MAIORES Fiscaliza Vitória A Câmara Municipal de Vitória oferece agora o serviço de atendimento ao cidadão, o Fiscaliza Vitória, que vai monitorar com auxílio da população a qualidade dos serviços prestados pela prefeitura. Pesquisa O edital lançado pelo Governo Federal tem objetivo de selecionar projetos de pesquisa acadêmica ligados à área de proteção e desenvolvimento social. A meta é apoiar os estudos de pesquisadores relacionados aos temas: Assistência Social; Bolsa Família; Inclusão Produtiva; Segurança Alimentar e Nutricional; Temas Transversais e Ações de Integração de Políticas de Desenvolvimento Social; Economia e Financiamento das Ações de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Educação A Secretaria de Educação da Prefeitura de Vila Velha ampliou a Educação Integral para os alunos da rede municipal de ensino. Em 2013, o número de escolas beneficiadas pelos programas do projeto subiu 28%, passando de 32 para 41 unidades, atendendo aproximadamente 10 mil alunos. Com o repasse de R$ 1, 8 milhões do Governo Federal e a contrapartida de R$ 700 mil do município, as escolas já estão iniciando ou dando sequência a oficinas pedagógicas, culturais e esportivas, que acontecem nos finais de semana. Online As edições do Jornal Empresários, de propriedade de Nova Editora Empresa Jornalística do Espírito Santo Ltda., podem ser lidas em qualquer plataforma eletrônica. Um programa desenvolvido pela empresa Arco Informática, de Cachoeiro de Itapemirim, permite a leitura por meio de PC, Mac, todo tipo de tablet e telefone celular. Acesse agora mesmo o site www.jornalempresarios.com.br e boa leitura. Ineficiência Um dos caixas eletrônicos que o Banco do Brasil instalou no shopping Day by Day, na Praia do Canto, não funciona plenamente há meses. Simplesmente não emite recibos das operações. Se o banco fosse privatizado, como era o desejo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com certeza este probleminha não existiria. Assessoria é tudo! Por duas vezes consecutivas, Jimmy McManis e a equipe de produção do programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, estiveram no Espírito Santo para mostrar a todo o Brasil o potencial da nossa gastronomia. A iniciativa partiu da assessora de imprensa Camila Fregona, da Raiz Comunica, que pautou em agosto a omelete de 10 mil ovos, na GranExpoES, e em outubro a paella de 700 kg, no Festival Capixaba de Frutos do Mar. Estado maior O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, sanciona lei que cria duas novas empresas para cuidar da área de cartões do Banestes. A solenidade foi realizada neste dia 25 na sede do banco, em Vitória. A criação da Banestes Cartões e da Banestes Administradora de Cartões dará mais força às operações do banco no segmento de cartões. A expectativa é que essas empresas tragam mais autonomia para implantação de projetos, além de expandir a cobertura dos cartões Banestes. O Projeto de Lei 236/2013, que autoriza o Executivo a criar duas subsidiárias do Banestes para atuar no setor, foi aprovado pelos deputados estaduais no dia 16 de outubro. Saber O ex-prefeito de Vila Velha e atual corretor de imóveis Neucimar Fraga recebeu e aceitou convite do governador Renato Casagrande para ser um dos conselheiros do Bandes. Neucimar vai emprestar seus conhecimentos ao Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito Santo e, por mês, receberá a remuneração de exatos R$ 5.752,04 por apenas uma reunião. Logística Oferta de mão de obra, espaço para implantação e áreas próximas aos principais corredores logísticos e portos do País. Essas são as vantagens que Vila Velha e Serra oferecem a empresas e indústrias e por isso, grande parte dessas unidades fica nesses municípios da Grande Vitória. Além disso, os municípios oferecem infraestrutura adequada, como saneamento básico, coleta de lixo, abastecimento de água, entre outros. Perigo O deputado Euclério Sampaio quer cancelar, por meio de Decreto Legislativo, a licença emitida pelo IEMA permitindo a instalação de mais 10 tanques de combustíveis em Paul. Segundo o deputado “a população local já vive em risco há muitos anos. Agora chega” . Posição A ex-senadora Marina Silva, agora filiada ao PSB, elegeu o agronegócio como seu inimigo. No mesmo caminho vai a senadora Ana Rita, que quer proibir a utilização de pulverização das lavouras por meio de aviões.

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13 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2013 9 JANE MARY DE ABREU Apaixone-se por você! me o seu próximo como a si mesmo... A gente cresce ouvindo isso, mas o curioso é que ninguém nos ensina o que vem antes do amor altruísta: o amor por nós mesmos. Como dar ao outro aquilo que não temos para consumo próprio? Esse é o nó da questão. Se não aprendi a me amar, é certo que fracassarei em todas as tentativas de amar o meu próximo. Entender isso é fundamental para a construção de uma sociedade mais amorosa. A violência nada mais é que a ausência do amor. Uma pessoa que não se ama, é uma pessoa infeliz que enxerga o mundo como um grande problema para ser resolvido, não como um lindo mistério para ser desfrutado. Se ela não está bem consigo mesma, não conseguirá se harmonizar com ninguém à sua volta, reagirá com agressividade em qualquer situação. Não existe nada mais perigoso no mundo do que a infelicidade, que parece ser a principal doença do mundo moderno. É um mundo curioso esse... tem solução negociada para quase tudo. O Google só perde para Deus em eficiência e instantaneidade. Basta acionar um botão e lá vem a solução pronta para ser consumida. É fato que o mundo virou o nosso quintal, mas é fato também A que nunca os corações humanos estiveram tão afastados, tão famintos de amor. Todos estão grudados nos celulares em busca de algo que possa preencher o vazio que tomou conta do grande contingente humano que hoje perambula à procura de um sentido para suas vidas. As pessoas estão à procura de algo que ninguém sabe exatamente o que é... elas temem a solidão porque detestam a própria companhia, afinal somos desconhecidos de nós mesmos. Não aprendemos a nos apreciar, a nos conhecer, não sabemos lidar com nossas emoções, ignoramos que já nascemos completos, não precisamos de ninguém, além de Deus, para nos completar e nos sentirmos plenos e felizes. Faltou Educação Espiritual em nosso currículo escolar. Fomos educados para o emprego e não para a vida; incentivados a buscar o sucesso, não a felicidade; ensinados a usar o cérebro, não o coração. E assim foi se criando a grande legião dos desconhecidos, formada por pessoas que habitam o mesmo espaço, mas não se conhecem. Se não se conhecem, não se respeitam e nem se amam... Se não se amam, se agridem e se matam. A Educação que se pratica hoje é insatisfatória, superficial e in- completa porque é baseada na competição. O coleguinha passa a ser um concorrente que precisa ser vencido ali na frente... na prova final... no vestibular... no concurso... no mercado de trabalho. As crianças são incentivados a chegar em primeiro lugar. Transformaram a vida num estúpido campeonato, onde todos almejam ser campeões de alguma coisa, não importa o quê. O foco desse tipo de educação é cumprimento de objetivos meramente financeiros, onde a criança é motivada a escolher a profissão mais rentável e não a se auto-realizar; incentivada a desejar sempre mais, tornando-se prisioneira das conquistas materiais que não têm nada a ver com a sua natureza espiritual. A pergunta é: se Deus criou as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas, por que ainda insistimos em amar as coisas e usar as pessoas? A mudança passa pelo autoconhecimento, pela prática do silêncio e a vivência dos valores humanos na família e na escola. Através do contato consigo mesmo, o ser humano acessa elevados níveis de consciência, que por sua vez proporcionam o acesso a elevados sentimentos. É nesse território de infinitas possibilidades que estão a criatividade, a intui- ção e a genialidade. Einstein dizia: “Penso 99 vezes e nada descubro... Deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio, e eis que a verdade me é revelada” . O silêncio é a chave para a transformação social com a qual todos nós sonhamos. Não é a sociedade que muda, são os indivíduos. A paz que eu quero ver no mundo, precisa nascer primeiro dentro do meu coração. Se eu estiver em paz comigo mesma, vou irradiar amor por onde passar, e esse amor envolverá as pessoas à minha vida, modificando os ambientes e, numa escala maior, afetará a vibração do planeta. A Ciência demorou a descobrir o óbvio, gastou muito tempo zombando dos místicos, mas agora ela também já sabe que o amor é a mais poderosa energia existente no planeta. O mundo científico já reconhece o poder de cura do amor – o Reiki, o Johei e o Passe conquistaram o status de tratamentos complementares da Medicina, mas chegará o tempo em que serão aceitos em sua totalidade e o mundo despertará para uma verdade muito simples ensinada pelos grandes mestres espirituais: Toda doença é um pedido de amor. O corpo é a roupa que precisamos usar em nossa passagem pela Terra para a manifestação do espírito que somos... Portanto, o corpo não tem autonomia, ele não pode adoecer. Só a mente tem esse poder. Curando-se a mente, a saúde do corpo é restabelecida. O melhor dessa história é que todos os seres humanos, independente dos diversos graus de consciência, têm amor em abundância dentro de si. O Universo não privilegia e nem discrimina ninguém, tudo nos foi oferecido com absoluta igualdade e fartura. Isso significa que não precisamos morrer para acessar o paraíso celestial, é possível vivenciá-lo aqui mesmo, agora! Basta abrir o coração e praticar exaustivamente o amor. Só assim merecermos o título de humanos... Apaixone-se por você, irradie esse amor para todas as pessoas à sua volta, e assim você estará contribuindo efetivamente para a construção de um mundo melhor, feito por pessoas éticas, gentis e amorosas, gente de primeira classe! ■ Jane Mary de Abreu é jornalista, consultora de marketing político e empresarial e palestrante motivacional, com foco no endomarketing, descompressão de ambientes e espiritualidade no trabalho. janemaryconsultoria@gmail.com

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10 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS Sobram empregos para os “homens de preto” As empresas de segurança privada são submetidas a rígidas regras da legislação federal e ainda enfrentam a informalidade mercado de segurança privada regular está em plena expansão não somente em consequência do aumento da violência e da criminalidade, mas também pelo aquecimento da economia com a criação de novas agências bancárias, shoppings, condomínios residenciais, supermercados, indústrias e comércio em geral. E o mais importante: a conscientização dos tomadores dos serviços sobre a necessidade de se contratar empresas regularmente constituídas, idôneas e estruturadas", revela o coronel Ladislau Paulino Campos, presidente da VSG, uma das empresas que mais crescem no Estado na área de segurança privada. Em 2010, havia um efetivo de 11.723 vigilantes trabalhando nas empresas particulares de segurança no Estado, e estima-se que esse número chegue a 12.900 até o final de 2013, com o crescimento aproximado de 10%. O salário básico de um vigilante atualmente está fixado em R$ 1.001,50, mas com os acréscimos de vantagens e benefícios, como adicional de risco de vida 18%, adicional noturno de 40% sobre a hora trabalhada, vale alimentação e horas extras, o profissional consegue atingir uma remuneração liquida em média de R$ 1.500,00, podendo ultrapassar os R$ 2.000,00 com outras gratificações de funções como ronda motorizada, escolta armada, segurança pessoal, dentre outras. Formação - O curso básico de vigilantes tem duração média de cinco semanas, contemplando 200 horas/aula, incluindo armamento e tiro (24 horas/aula), defesa pessoal (20 horas/aula), segurança e vigilância (22 horas/aula), sendo o restante do tempo distribuído em relações humanas no trabalho, combate a incêndios, primeiro socorros, dentre outros tipos de formação. A legislação federal que trata da segurança privada exige criteriosos requisitos para abertura e funcionamento das empresas. Além de não permitir capital estrangeiro, deve ter no mínimo R$ 106.410,00 de capital social integralizado; sócios, diretores, administradores, gerentes e vigilantes não podem ter condenação criminal e nem estar respondendo a inquérito policial. As empresas devem possuir instalações físicas adequadas para as atividades administrativas que devem estar sepa- “O FOTOS ANTÔNIO MOREIRA Antes de serem contratados os seguranças recebem treinamento e depois passam por constantes programas de reciclagem e condicionamento físico radas das atividades operacionais, com certificado de segurança expedido pela Polícia Federal. Elas também devem possuir veículos com radiocomunicação direta com a sede, bem como instalações seguras e adequadas para guarda de armas e munições, seguro de vida coletivo, dentre outras exigências. DiFerença - Há uma grande diferença entre a contratação de uma empresa de Segurança devidamente regularizada e a de seguranças avulsos particulares. A atividade de Segurança Privada é exclusiva de empresas especializadas de vigilância e segurança que só poderá ser exercida por profissionais vigilantes devidamente registrados e qualificados, conforme determinação da Lei Federal especial pertinente ao setor. Contratar segurança de empresa clandestina ou seguranças avulsos é o mesmo que entregar a vida e o patrimônio nas mãos de pessoas estranhas. Além disso, o contratante passa a ser responsável solidário civil e criminalmente pelos atos praticados pelos contratados irregulares. Para o coronel Ladislau Paulino Campos, presidente da VSG, "o contratante deve levar em conta que segurança é investimento e o empresário não deve ser seduzido por propostas de preços inexequíveis irrisórios, porque assim procedendo estará fazendo uma falsa economia que pode acarretar sérios aborrecimentos e grandes perdas". Planilha De custos - Mesmo quando se tratar de uma empresa regularizada na área de segurança, o empresário contratante deve exigir uma Planilha de Custos, verificar a idoneidade da empresa e de seus sócios antes da contratação, através de consulta aos clientes, checar a sua estabilidade no mercado e a certificação expedida pela Polícia Federal. Em resumo: ele deve contratar com critério, porque ao contratar uma empresa irregular, além de alimentar a indústria da clandestinidade, em vez de proteção ao seu patrimônio, estará contratando insegurança com grandes riscos. "No meu entendimento, a Segurança Privada regularizada atua como fator inibidor na cadeia da atividade criminosa, quando impede de modo preventivo que os recursos subtraídos da propriedade privada estejam financiando outras atividades criminosas, refletindo diretamente na Segurança Pública", sintetiza o presidente da VSG, coronel Ladislau Campos. ■ SERVIÇO Artigo 144 da Constituição Federal: “Segurança Pública: dever do Estado, direito e responsabilidade de todos” . Não adianta culpar o Estado pelo fracasso das políticas de segurança pública. Temos que reconhecer o esforço do Governo na área de segurança na tentativa de minimizar os efeitos danosos da violência e da criminalidade. Um claro exemplo é o investimento no atual programa “Estado Presente” Mas o Es. tado não tem condições de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo e nas lacunas entra a atividade de segurança privada, legalmente reconhecida como atividade complementar da Segurança Pública (Lei 7.102/83 - Decreto 89056/86 e portaria 3233/12 da Polícia Federal). O presidente da VSG, coronel Campos, diz que mercado está em expansão

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13 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2013 11 Setor terá crescimento em 2014 O presidente do grupo VIGSERV, Marcos Felix Loureiro, acredita que o mercado de segurança privada continuará em expansão em 2014, mesmo com a ampliação do efetivo policial e dos investimentos em segurança pública anunciados pelo Governo. Com o aumento da insegurança no país, são cada vez maiores as contratações de empresas de segurança privada por empresas comerciais, industriais e até hospitalares. O mercado de trabalho para vigilantes está em expansão e em 2010 tínhamos cerca de 10.000 mil vigilantes, número que ultrapassou os 12 mil profissionais sindicalizados em 2013. Sobre agentes pessoais não há pesquisas nem estatísticas disponíveis para informação, mas não há como negar a existência desse mercado paralelo. Marcos Felix Loureiro ressalta que hoje “o segurança pessoal tem a nomenclatura definida como Agente de Segurança Pessoal” Pa. ra exercer a função, este profissional deve possuir curso de vigilância e possuir extensão para a atividade de Agente de Segurança. O Curso de Vigilância possui 16 dias de duração com carga horária de 160 horas. Já o curso de formação de vigilantes somente poderá ser ministrado por instituição capacitada e idônea, autorizada a funcionar pelo Ministério da Justiça. De acordo com o presidente da VIGSERV, são requisitos para a inscrição do candidato ao curso de formação de vigilantes: ser brasileiro; ter instrução correspondente à quarta série do ensino do primeiro grau; ter sido aprovado em exames de saúde física, mental e psicotécnico; não ter antece- ANTÔNIO MOREIRA SERVIÇO Exigências para formação de vigilantes ■ DISCIPLINAS CURRICULARES: 138 h/a ■ VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM: 20 h/a ■ ABERTURA DE CURSO: 2 h/a ■ TOTAL: 160 h/a O presidente da Vigserv, Marcos Felix Loureiro, afirma que são muitos os requisitos para quem quer se tornar vigilante dentes criminais registrados; cumprimento das horas/aula exigidas na legislação. Loureiro alerta aos empresários que "a contratação de empresas não regulamentadas junto a Policia Federal, ou de policiais e até de pessoas que se dizem aptas, constituiu contratação para atividade ilegal de acordo com a lei 7.102 e decreto 89.059 que regulamentam a atividade". Segundo ele "é comum encontrarmos situações ilegais nesta modalidade que somente são observadas quando há uma denúncia ou algum sinistro. Outro risco observado na contratação ilegal de segurança é o passivo trabalhista que é gerado, em face da falta de garantias e regulamentação, pois, se ocorrer algum incidente na atuação da atividade não haverá amparo da lei". ■ Segurança pessoal Curso de extensão ■ DISCIPLINAS CURRICULARES: 33 h/a ■ VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM: 7 h/a ■ TOTAL: 40 h/a O que diz a Lei Confira as exigências da Polícia Federal e Secretaria de Segurança Pública para o funcionamento das empresas particulares de segurança: Processo de autorização Art. 8º - Para obter autorização de funcionamento, as empresas de vigilância patrimonial deverão apresentar requerimento dirigido ao Diretor-Executivo, anexando os seguintes documentos: I - cópia ou certidão dos atos constitutivos e alterações posteriores, registrados na Junta Comercial ou Cartório de Pessoa Jurídica; II - comprovante de inscrição nos órgãos fazendários federal, estadual e municipal; III - certidões negativas de débito do FGTS, da Previdência Social, da Receita Federal e da Dívida Ativa da União; IV - comprovante do capital social integralizado mínimo de 100.000 (cem mil) UFIR; V - cópia da Carteira de Identidade, inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, Título de Eleitor e Certificado de Reservista dos administradores, diretores, gerentes e sócios; VI - certidões negativas de registros criminais expedidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar dos Estados e da União, onde houver, e Eleitoral, relativamente aos sócios, administradores, diretores e gerentes, das unidades da federação onde mantenham domicílio e pretendam constituir a empresa; VII - certidão negativa de débito da Dívida Ativa da União, relativamente aos sócios; VIII - memorial descritivo do uniforme dos vigilantes, mencionando apito com cordão, logotipo da empresa, plaqueta de identificação, acompanhado de fotografias, coloridas, de corpo inteiro do vigilante devidamente fardado, de frente, costas e lateral; IX - declaração das Forças Armadas e Auxiliares ou das DELESP e CV, informando que o modelo de uniforme apresentado não é semelhante aos utilizados por aquelas instituições; X - fotografias das instalações físicas da empresa, em especial da fachada, setor operacional e do local de guarda de armas e munições; XI - cópia dos documentos de posse ou propriedade de, no mínimo, 02 (dois) veículos comuns para uso exclusivo da empresa, dotados de sistema de comunicação, identificados e padronizados, contendo nome e logotipo da empresa; XII - fotografias coloridas dos veículos, demonstrando o nome e logomarca da empresa, da frente, lateral, traseira e do sistema de comunicação veicular; XIII - autorização para utilização de frequência concedida pelo órgão competente ou contrato com prestadora de serviço; XIV - comprovante de recolhimento da taxa correspondente. § 1º Na instrução do procedimento a DELESP ou CV deverá, obrigatória e previamente, ouvirem termo de declarações os sócios ou proprietários da empresa, bem como proceder a outras diligências que se fizerem necessárias, visando a obter as seguintes informações: I - atividade econômica exercida anteriormente; II - origem dos recursos financeiros apresentados para a formação e/ou constituição do capital social da empresa, vinculando-os ao total de quotas integralizadas no capital social; III - eventual participação anterior ou atual em empresa de segurança privada cancelada, encerrada ou extinta, como sócio, diretor, administrador ou proprietário; IV - razões pelas quais a empresa anterior foi cancelada, encerrada ou extinta; V - existência de dívida fiscal, tributária, trabalhista ou em cartório de protesto de títulos em nome do declarante; VI - outros esclarecimentos considerados úteis. § 2º Analisadas as informações obtidas, a DELESP ou CV, considerando qualquer delas relevante para a instrução do processo, fará constar do parecer conclusivo as observações pertinentes, as quais, em sendo incompatíveis com a atividade de segurança privada, poderão implicar a exclusão do entrevistado do quadro societário da empresa ou o indeferimento do pedido. Art. 9º - As empresas de vigilância patrimonial autorizadas a funcionar na forma desta portaria deverão comunicar o início de suas atividades à Secretaria de Segurança Pública da respectiva Unidade da Federação. ■

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12 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS Investir em imóvel comercial dá lucro Empresários acreditam na ampliação dos investimentos em imóveis comerciais em 2014 presidente do Conselho de Administração da Metron Engenharia e membro do conselho do Plano Diretor Urbano (PDU) de Vitória, engenheiro Luiz Carlos Menezes, não tem dúvida de que o ano de 2013 foi o ano dos lançamentos de imóveis comerciais na região da Grande Vitória. Ele lembra que "os imóveis comerciais bem localizados sempre atraíram muitos investidores no Estado, e posso garantir pela minha presença há tantos anos no mercado que não temos caso de quem perdeu no segmento a não ser por erro de localização". Ele acrescenta que "o imóvel comercial continua sendo o melhor investimento do mercado para quem pensa no futuro". “Estou há 45 anos no mercado imobiliário observando seus altos e baixos e observo que estamos saindo de um período de vacas magras neste limiar entre 2013 e 2014. O mercado imobiliário acaba refletindo a situação da economia como um todo, acredito sinceramente que vamos crescer ainda mais em 2014” destaca Luiz , Carlos Menezes. Ele adianta que "as empresas não têm o que desovar no próximo verão, mas em 2014 o mercado deve ressurgir e os novos empreendimentos irão recomeçar. Somente aí, os preços do mercado podem melhorar para os investidores". Quem também acredita em expansão do mercado em 2014 é o presidente da Galwan Construtora e Incorporadora, José Luis Gal- Salão do Imóvel movimenta R$ 120 milhões em setembro O 20º Salão do Imóvel, realizado pela Ademi-ES no estacionamento do Shopping Vitória durante cinco dias no final de setembro, atingiu a marca de R$ 120 milhões em negócios fechados e encaminhados, segundo dados divulgados pela entidade. De acordo com o coordenador do Salão e vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo, Moacyr Brotas Netto, foi apresentado ao público "um mix completo de imóveis comerciais e residenciais, incluindo empreendimentos no interior do Estado e na região de montanhas". Segundo a Ademi-ES, o valor negociado representa um volume 60% maior em relação ao alcançado no mesmo período da 19º edição, realizada no ano passado, no município da Serra, na Grande Vitória. O evento deste ano apresentou uma oferta de 16 mil unidades e a maior parte dos interessados procurou por empreendimentos mais econômicos, mas os imóveis de médio e alto padrão também estiveram na mira dos compradores, de acordo com a associação. A procura por plantas localizadas no interior do Estado também se destacou no evento de 2013. Mais de 100 empresas do mercado imobiliário do Espírito Santo ofereceram unidades situadas nos municípios da Serra, Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana e Guarapari, principalmente, mas não faltaram empreendimentos também no interior do Estado, como Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Marechal Floriano, Domingos Martins e Aracruz. ■ O Ventura Office Life: Plantas de 26,58m² a 37,17m². Andares corporativos de até 539,19m² - 1 vaga 162 unidades ideais para consultórios médicos, odontológicos ou escritórios, três opções de plantas com ou sem recepção. Tecnologia Dry Wall que permite a modulação das salas de forma rápida e prática. vêas Loureiro, empresa que se especializou em obras de condomínios fechados a preço de custo. Ele mantém a expectativa de inúmeros empreendimentos de alto padrão, mas alerta para o excesso de feriados que teremos no próximo ano. Galvêas lembra que "Vila Velha acaba de ter seu mercado destravado e tem hoje a construção do maior shopping do Estado, com previsão de entrega para meados do ano que vem, o que irá provocar mudanças no mercado em função do revigoramento de novas áreas, antes inviáveis para novos lançamentos imobiliários". ■

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13 ANOS VITÓRIA/ES OUTUBRO DE 2013 13 Mercado espera equilíbrio 2014 será um “ano curto” para o setor produtivo por causa das paralisações provocadas pelo Carnaval, Copa do Mundo e eleições consultor imobiliário José Luis Kfuri garante que sua maior expectativa para o mercado imobiliário da Grande Vitória em 2014 é no sentido de que vamos ter um mercado equilibrado. "Entendo que será um ano de cautela, pois teremos um ano muito curto, com Carnaval em março, Copa do Mundo em junho e eleições em outubro, além de vários feriados durante os dias de semana. Teremos menos lançamentos, menos ofertas de imóveis, e creio que isto fará com que o mercado volte a ficar equilibrado", ressalta o expresidente da Ademi. Kfuri não acredita que o "boom" de lançamentos de salas comerciais registrado em 2013 volte a se repetir em 2014. "Tivemos muitos lançamentos nos últimos meses e isto nos deixou um saldo de unidades à venda bastante razoável. O que prevejo para 2014 são lançamentos comerciais, de forma mais cirúrgica, onde identificaremos regiões que tenham demanda para tal", observou o consultor. O empresário mantém a expectativa de que o novo PDM aprovado pelo prefeito Rodney Miranda e pela Câmara Municipal de Vila Velha conseguirá destravar a paralisação dos empreendimentos imobiliários no município. "Vila Velha tem perdido muitos empreendimentos com O ANTÔNIO MOREIRA Luiz Carlos Menezes: melhor investimento essa insegurança que perdura desde antes da eleição municipal do ano passado. Acredito que as coisas voltem ao normal já para o ano que vem", previu Kfuri. Sobre os rumores de mudanças no PDU em Vitória, sobretudo em áreas como Reta da Penha e Enseada do Suá, José Luis Kfuri mantém a expectativa de que "a cidade é dinâmica e sempre precisaremos ajustar e ordenar seu crescimento". Mas ele garante desconhecer rumores de mudança de PDU: "Sei que o Plano Diretor Urbano precisa ser atualizado. Existem vazios urbanos na Região Noroeste de Vitória, e todos nós, José Luiz Kfuri: equilíbrio empresários, políticos, engenheiros, arquitetos, urbanistas, precisamos reinventar a Ilha, pensando mais nas pessoas e menos nos automóveis. Estamos caindo na armadilha de criar mais e mais condições para o uso do automóvel em detrimento do transporte coletivo", concluiu. eXPansão - Ex-presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon) e um dos sócios da Metron Engenharia, o engenheiro João Luis Menezes Tovar espera melhores dias para o mercado imobiliário no próximo ano, quando o país será movimentado por dois acontecimentos João Luiz Tovar: preço irreal marcantes: a realização da Copa do Mundo em junho, e as eleições presidenciais e para governador em outubro, além da eleição parlamentar para o Congresso Nacional e Assembleia Legislativa. Tovar lembra que nos últimos anos, o mercado imobiliário do Espírito Santo teve uma abrupta invasão de empresas de grande poder aquisitivo e experiência profissional de outros Estados, que promoveram o lançamento de um número de unidades que saturou o mercado. "Este saturamento levou o preço dos imóveis para serem os mais baixos do Brasil, ao ponto de um aparta- mento de 100 metros quadrados na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, valer R$ 800 mil, enquanto outro de mesmo tamanho numa área nobre da Grande Vitória ficar em torno de R$ 400 mil, ou seja, a metade do preço", frisou o empresário. Segundo João Luis Tovar, "a chegada dessas empresas deixou a mão-deobra muito disputada, gerando uma convenção coletiva de trabalho fora da realidade nacional". Segundo ele, este foi um dos motivos para os custos da construção civil dispararem no Espírito Santo. "A concorrência, assim, reduziu substancialmente a margem de resultados e fez os preços caírem devido à saturação de ofertas", acrescentou, lembrando que hoje o custo da mão-de-obra e dos materiais da construção civil no Estado está entre os mais caros do Brasil. O empresário acredita que "a tendência de lançamentos nos próximos anos ocorrerá na Serra e em Vila Velha, enquanto Cariacica terá grande ênfase nos projetos do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida". Este fato é consequência de Vitória não ter mais para onde crescer em termos de novos lançamentos, mas apesar de tudo a Grande Vitória ainda constitui um dos melhores mercados para a construção civil país. ■

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14 OUTUBRO DE 2013 VITÓRIA/ES 13 ANOS ANTÔNIO MOREIRA Sonegação já está com os dias contados A nota fiscal eletrônica e a escrituração digital a Receita Federal terá controle total sobre a movimentação comercial das empresas presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo (CRCES), Cristina Amélia Fontes Langoni, faz um alerta aos empresários para a urgência da adaptação de seus negócios à nova realidade fiscal brasileira, que promete zerar os índices de sonegação, graças ao uso obrigatório da tecnologia para escrituração. Ela elogiou a iniciativa do Jornal Empresários ® de colocar a questão em pauta neste momento, em que ainda há tempo para uma adequação indispensável para quem não pretende ser riscado do mapa empresarial de fornecedores e clientes. “Infelizmente muitas empresas não se adequaram e hoje correm o risco de não ter tempo nem recursos suficientes para os investimentos necessários para tornar seus controles internos seguros de modo a transmitir informações corretas ao Fisco” . Veja sua entrevista exclusiva: Jornal emPresÁrios: a senhora acha que a sonegação fiscal está com os dias contados com a implantação do sPeD – sistema Público de escrituração Digital? O projeto SPED teve início em janeiro de 2007 com a implantação da Nota Fiscal Eletrônica – Cristina Amélia Fontes Langoni é presidente do Conselho Regional de Contabilidade A NF-e, que como primeiro passo já conseguiria identificar muitos casos de sonegação, haja vista o não reconhecimento contábil pelas empresas de todas as notas fiscais de compra emitidas em seu favor. Com o cruzamento das saídas de NF e a entradas delas na contabilidade das empresas, a autoridade fiscal pode facilmente identificar os casos de sonegação das informações. Quais os primeiros sinais desse novo perfil do Fisco brasileiro? Tudo começou na verdade em 1995, com a implantação do SINTEGRA, mas infelizmente as empresas repassam informações incorretas até hoje, por falta de controles internos e pela cultura da sonegação de impostos. O SPED, no entanto, é muito mais amplo do que podemos pensar e, infelizmente, durante muitos anos a contabilidade foi (e ainda é) encarada como o mal necessário pelos empresários, que mantiveram a rotina de contabilizar o mínimo necessário, para evitar o pagamento dos impostos. A Tecnologia da Informação possibilitou avanços como esse que o Fisco está utilizando através de um supercomputador denominado “Harpia” que é um sis, tema de inteligência artificial de- senvolvido em parceria com a UNICAMP e o ITA, capaz de cruzar uma quantidade elevada de dados e fazer correlação entre eles, com o objetivo de combater a sonegação. e o que as empresas ainda fazem que não perceberam esta nova realidade? A grande questão é que as empresas não acompanharam esse movimento no mesmo sentido. Hoje é praticamente inviável para uma pequena empresa implantar um sistema informatizado com controles básicos que permitam a informação correta, tanto pelo valor do investimento, quanto pela falta de histórico de suas operações. A contabilidade realizada até então não serve de parâmetro para dar seguimento ao processo. Enquanto as empresas estão começando a se preocupar com o SPED, o país já está em fase de teste do Sistema de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias, Projeto Brasil-ID, que utiliza chip para identificar as mercadorias e que será rastreado em todo o território nacional, por onde a mercadoria passar. O avanço do fisco no combate à evasão fiscal está servindo de modelo para outros países considerados de Primeiro Mundo em outras áreas. como o conselho regional de contabilidade está orientando seus associados em relação ao novo sistema? O Conselho Regional de Contabilidade vem oferecendo cursos e palestras sobre o tema, desde o início do processo e bem mais intensificado a partir de 2012, inserindo artigos em seus informativos e na mídia para capacitar os profissionais da contabilidade e informar à sociedade. Porém não basta apenas capacitar os profissionais, precisamos que as empresas entendam que todas as informações são geradas no âmbito interno destas e repassadas à contabilidade em arquivos eletrônicos, que depois de contabilizados vão gerar os arquivos da Escrituração Contábil e Fiscal Digital. Sem um controle confiável de todas as operações de entrada e saída de mercadorias e de todos os fatos ocorridos na empresa, a contabilidade não conseguirá realizar o trabalho de escrituração, bem como o preenchimento das declarações, de forma correta. Mais que isso, estamos caminhando para uma unificação de informações, as quais conterão todos os dados necessários ao preenchimento das mais diversas obrigações hoje existentes. há possibilidade de algumas empresas não suportarem e terem que fechar as portas? O grande anseio do CRCES é mostrar aos empresários a necessidade de adequação urgente em suas empresas para evitar que sejam sacrificadas exatamente aquelas que funcionam como o grande motor da economia do país: as pequenas empresas. Estas não suportarão o ônus das pesadas multas mensais por descumprimento das obrigações e por informações incorretas transmitidas. E a responsabilidade de gerar as informações precisas não é do profissional da contabilidade e sim do sistema de informações alimentado pelas empresas. Qual o impacto que o crc acredita que o novo sistema terá entre os grandes, pequenos e médios empresários? As grandes empresas já acompanham desde o início a necessidade da tecnologia da informação para gerar informações confiáveis, mesmo porque nesse estágio não há espaço para amadorismo ou intuição. Os médios empresários, dependendo da atividade, estão no mesmo nível dos pequenos empresários, pouca importância estão dando até o momento para essa questão. Urge um amadurecimento dos empresários para a necessidade de plane-

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13 ANOS jamento, acompanhamento, e análise entre planejado e o que se conseguiu realizar. É preciso ter controles que permitam executar essa tarefa, mas não adianta adquirir um sistema e não alimentá-lo com todas as informações, é preciso mudar a mentalidade pensando no sistema como ferramenta que, se utilizada corretamente, fornecerá informações precisas e tempestivas para a tomada de decisão, para o fornecimento de informações corretas ao fisco e, principalmente, que permita uma visão de futuro da empresa propiciando a elaboração de um planejamento estratégico. o novo sistema está sendo implantado de forma paralela também pelas Prefeituras da Grande Vitória em relação ao iss. Qual o impacto disso? As Prefeituras Municipais, em sua maioria, já implantaram a NFS-e – Nota Fiscal de Serviços Eletrônica, com o mesmo objetivo que o fisco federal: reduzir a sonegação tributária, ou seja, o impacto é o mesmo que no âmbito federal e estadual. Essa ação atende ao Protocolo de Cooperação ENAT nº 02, de 07/12/2007, que embora estabeleça um modelo nacional único, cada município tem autonomia para definir e adotar o seu sistema. Da mesma forma que as demais NF-e’s, as de serviço também deverão ser corretamente contabilizadas para evitar sanções às empresas. Nesse mesmo movimento de inserção da tecnologia nos processos, todas as empresas e seus representantes, num curto espaço de tempo, terão que portar o Certificado Digital até mesmo para gerar a NFS-e. Os documentos eletrônicos assinados com certificados digitais garantem a autoria de que os assinou e também a integridade do documento, pois não pode ser alterado. VITÓRIA/ES Qual a expectativa do crc para 2014, ano de copa do mundo e de outros eventos importantes para o comércio? É importante esclarecer os principais objetivos do Conselho Regional de Contabilidade é registrar, fiscalizar o exercício profissional em favor da sociedade e, a partir de 2010 com a aprovação da Lei 12.249, promover a educação continuada. Nesse sentido a atuação de registro e fiscalização do exercício profissional já está consolidada há anos e fazemos isso rotineiramente. Para que o profissional possa se manter no mercado, nosso grande OUTUBRO DE 2013 15 empenho tem sido o foco na educação continuada e acredito que em 2014 não será diferente, haja vista que receberemos em todo o país consumidores de todo o mundo e os profissionais da contabilidade precisam estar preparados para assessorar as empresas para as quais prestam serviços quanto à melhor forma de conduzir suas empresas para esse momento sazonal em suas atividades. Para que isso ocorra precisamos da conscientização de todos para a necessidade de um aparelhamento de seus controles ao nível do que está sendo exigido pelo fisco. Um passo a passo para as empresas O primeiro passo é a quebra de paradigma para entender que a contabilidade é o retrato da empresa e não um mal necessário. O Contador pode ser o maior aliado de uma empresa na análise de seus indicadores com vistas a um planejamento que a leve ao crescimento. O Sistema CFC/CRCs lançou em 2013 a campanha “Ano da Contabilidade” com o objetivo de mostrar à , sociedade o verdadeiro papel desse profissional, que não é, de forma alguma, prestar serviço ao fisco. Ele registra as informações geradas na empresa e a ela cabe a responsabilidade com o que informa, e que, consequentemente, influirá em sua carga tributária. De forma objetiva, as empresas precisam: 1- Conhecer profundamente o que está ocorrendo no entorno do seu negócio, principalmente com relação às questões fiscais e perceber que não há mais espaço para o amadorismo. Ou profissionaliza a gestão ou morre; 2- Ter um sistema integrado para a gestão empresarial, de modo que as informações gerenciais coincidam com as informações contábeis. Isso não significa adquirir o software mais caro do mercado. Ele precisa ser adequado às necessidades da empresa e em sua capacidade de alimentar o sistema com os fatos nela gerados. Na era em que vivemos possuir tecnologia não significa muito, o que gera diferencial e valor agregado é o uso correto dessa tecnologia. 3- Exigir do responsável técnico pela contabilidade a apresentação periódica das demonstrações contábeis, com uma análise conjunta entre o que vem ocorrendo e o que foi planejado, identificando os pontos fracos para replanejar as ações. Muitas empresas sequer sabem que não tem sua contabilidade realizada, muitas vezes por falta de repasse das informações ao responsável; 4- O grande diferencial de uma empresa não é a tecnologia e nem a metodologia de trabalho, é o perfil e a formação das pessoas que nela atuam: pró-ativo, capacitado, criativo, ou seja capital humano é que agrega valor ao negócio e isso é tarefa de longo prazo e contínua: educação continuada. Roberto Dias Duarte, estudioso do Projeto SPED desde a sua concepção e autor de vários livros sobre o assunto, resume o modelo eficaz em três pilares: “formação, informação e tecnologia, complementares entre si. Isoladamente têm pouco valor” ■ .

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