O AFAMADO CAFÉ DO IBO GANHA MEDALHA DE OURO EM LISBOA

 

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UMA PÉROLA DE MOÇAMBIQUE - O AFAMADO CAFÉ DO IBO - GANHA MEDALHA DE OURO EM LISBOA - Por Carlos Lopes Bento

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uma pÉrola de moÇambique o afamado cafÉ do ibo ganha medalha de ouro em lisboa por carlos lopes bento 1

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uma pÉrola de moÇambique o afamado cafÉ do ibo ganha medalha de ouro em lisboa por carlos lopes bento1 considerando o contributo e a mais valia que o saboroso e aromático café do ibo poderá dar à divulgação do norte de moçambique designadamente de cabo delgado e das ilhas de querimba achei oportuno divulgar alguns interessantes dados extraídos das minhas fichas de leitura e bibliográficas relativos à sua produção e consumo nos séculos xix e xx durante a minha estadia em cabo delgado de 1967 a 1974 e especialmente na ilha do ibo onde residi de 1969 a 1972 tive o privilégio de saborear o delicioso café do ibo e de o oferecer a muitas centenas de visitantes nacionais e estrangeiros que então a visitaram sendo por todos muito apreciado o cafezeiro continuava ainda na década de 70 do século passado a crescer ao ritmo natural que até se desenvolvia nos solos pedregosos de coral existentes na parte insular do território merecendo poucos ou nenhuns cuidados por parte das populações do distrito embora algumas tentativas tivessem sido feitas para alterar a situação 1 doutor em ciências sociais pelo iscsp univ técnica de lisboa antigo administrador colonial foi presidente da c municipal do ibo entre 1969 e 1972 antropólogo e prof universitário continua a ser um dedicado amigo das históricas ilhas de querimba que continua a investigar de maneira sistemática e a divulgar as suas inquestionáveis belezas neste trabalho de modo a evitar o plágio tão usual no nosso tempo apenas se indica um autor para os interessados desde que o solicitem poderei fornecer outros elementos bibliogáficos que lhe serviram de base 2

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fig i ilha do ibo cafezeiro entre palmeiras 1970 foto carlos bento foi nesse sentido que autoridades portuguesas do reino procuraram nos finais do século xviii passar da recolecta à cultura do cafezeiro de modo a introduzir o café no comércio com lisboa facto que acarretaria grandes benefícios tanto para o reino como para as colónias de modo a promover e a animar a plantação do café nas ilhas de querimba a provisão real de 2/3/1800 determinava que anualmente delas fossem remetidas 10 arrobas do melhor café obrigando-se para tanto cada morador e agricultor a plantar tantas árvores proporcionalmente ao terreno que possuir persuadindo-os que isto poderá a vir a ser em pouco tempo um ramo de comércio muito útil aos moradores em 1803 foram enviadas para o palácio real de queluz 3 arrobas e 18 arráteis de café das ilhas remessas que continuariam até 1808 data em que seriam suspensas pelas dificuldades da sua aquisição nas terras firmes embora se tenham plantado algumas machambas de cafezeiros tanto na parte insular como continental do território os resultados em 1810 ainda não eram visíveis por vários motivos a pouca idade dos cafezeiros plantados que ainda não produziam as incursões dos sakalava que perturbaram essa campanha e pouco interesse dos 3

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agricultores por essa cultura cujos benefícios imediatos não eram comparáveis por exemplo à cultura do coqueiro no sentido de ultrapassar todas as dificuldades uma nova provisão real de 1810 recomendava todo o interesse das autoridades para incrementar a cultura do cafezeiro e outros produtos agrícolas que pudessem constituir-se objectos de exportação e compensar-se os de importação as tentativas para introduzir nas ilhas e terras firmes uma agricultura orientada para uma economia de mercado redundariam em completo fracasso nos meados do século xix o governador das ilhas jerónimo romero presta-nos as seguintes informações sobre a produção de café são escassas as colheitas de café na ilha do ibo no lumbo margens do rio cariamacoma achava-se café silvestre nas margens do rio lúrio encontram-se espessas matas de cafezeiros silvestres em tungué as margens do rio meninguene são ricas em café do mato era somente na ilha do ibo e proximidades do rio cariamacoma que se fazia a cultura de algum café por um ou outro morador curioso pois os demais não davam importância nem se dedicavam a tão útil cultura deste modo o cafezeiro produzia espontaneamente como qualquer outra planta do mato sendo a sua apanha dificultada por eles se acharem entre matos cercados de arvoredo e pelo risco dos animais ferozes existentes nestas paragens então as maiores colheitas de café faziam-se na ilha do ibo 12 arrobas em criamacoma ou lumbo 14 ar em fragane 14 ar próximo da quissanga e em bringano 10 ar a sul da ilha de querimba os preços praticados eram no ibo de 5 a 6$000 réis a arroba e o que saía para a ilha de moçambique poderia atingir os 7$000 réis fig ii ilha do ibo cafezeiro em flor 1970 foto de carlos bento 4

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em 1902 o governador dos territórios da companhia do niassa ernessto jardim de vilhena dava conta que no ibo anexa à propriedade urbana nomeadamente nos quintais os moradores plantavam os seus cafezeiros três anos depois em 31 de julhode 1905 governador dos mesmos territórios joão dos santos pires viegas escreveu algumas notas sobre o café do seu distrito enviado para a exposição colonial de algodão borracha cacau e café abril a maio de 1906 realizada na sua sala algarve pela sociedade de geografia de lisboa o café dos territórios da companhia do nyassa geralmente conhecido por café do ibo tem qualidades de preferência muito superiores a muitas variedades das nossa colónias mas quase sempre passa despercebido atendendo à sua quase nula exportação e esta devido ao nulo desenvolvimento que os filhos do ibo e de querimba senhores de enormíssimos tratos de terreno no litoral dão ao cultivo do cafezeiro hoje o cafezeiro nasce cresce produz e morre sem que alguém pense no amanho da terra sem que o limpem ou cuidem renová-lo na época própria não só não o cultivam como não procuram tirar daqueles que existem e cuja maior parte espontaneamente surgiu da terra convenientemente o seu produto inteiramente verde a formar-se ainda o proprietário colhe-o sacudindo as árvores ou batendo os ramos com varas seca-o ligando pouca atenção às propriedades que ele poderia ter se a maturação se deixasse fazer e fosse completa e isto para que o preto não o roube ainda assim o café da ilha do ibo é mais saborosos e superior em qualidade a outro qualquer dos territórios porque sendo fácil vigiar a propriedade só é colhido na época própria e algum é seco e arrecadado segundo os preceitos aconselhados nestas condições em terreno próprio entre altos coqueiros que pouca sombra lhe dão ou entre acácias e macieiras bravas que lhes roubam o espaço os cafezeiros encontram-se em quase todas as circunscrições dos território aquém do rio lugenda o seu preço varia segundo as necessidades que o indígena tem de dinheiro e assim não é difícil encontrar pretos pelas ruas do ibo na quissanga e no litoral a oferecerem-no à venda a 150 e 200 réis o seu preço ordinário porém é de 300 réis o quilo quando bem seco e limpo o café da vista alegre ibo o melhor talvez dos territórios tem sido vendido a 500 réis em anos de colheita fraca a produção em relação ao tratamento que o cafezeiro recebe é grande mas a sua aparência desagrada pela sua pequenez do seu grão comparada a outras qualidades contudo o café é apreciado e apetecido pelo seu aroma delicioso e pelo seu sabor É afamado o café do ibo porém poucas pessoas o conhecem além daquelas que têm permanecido ou passado pelos territórios e pelo distrito de moçambique e ainda aquelas que no reino têm relações nesta parte desta nossa África nos territórios da companhia do nyassa não tem consumo outro café encontra-se café em quantidade não só em todo o litoral como nas margens do m´salo naquidunga e pequeue no concelho de mocimboa nas encostas das serras muare e m´chibala serras que formam um garganta onde se acha estabelecida a sede do concelho do medo no mualia os territórios da companhia do nyassa concorrem à exposição da sociedade de geografia de lisboa com nove amostras de café quririmisi quiriamacoma olumbua ib do concelho do ibo tandanhangue memba do concelho de quissanga naquidunga do concelho de mocimboa 5

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do catÁlogo geral então publicado consta as seguintes amostras salienta ainda o dito catálogo uma nova espécie de café o coffea ibo de frohner assim caracterizado dos cafés além dos tipos coffea liberica e coffea arábica especializaremos um espécie nova o coffea ibo de frohner apresentado pela companhia do nyassa e que pela pequenez do seu grão alongado semelhante mais ao bago do trigo do que o do café ordinário cultivado com esmero deve por certo produzir um produto que alcançará boa cotação no mercado pelas suas qualidades aromáticas 6

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relativamente ao cafÉ a companhia do niassa foi distinguida com o diploma de medalha de ouro fig iii ilha do ibo cafezeiro com flor 1970 foto de carlos bento o cafezeiro florido de extrema beleza também poderá futuramente constituir mais um factor de atracção turística a ter em consideração no desenvolvimento sócio-cultural de cabo delgado e de moçambique bibilografia vasconcelos ernesto de exposição colonial de algodão borracha cacau e café abril a maio de 1906 catÁlogo lisboa sociedade de geografia de lisboa 1906 p 104 7

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