Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 103

 

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ANO XII | 103a EDIÇÃO Bancos privados fecham 5,8 mil postos de trabalho em 2013 são da pesquisa elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). O estudo foi realizado a partir de dados do Cadastro Geral de Emprego SINTRACON - SP IMPRENSA SINDICAL 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 Mesmo com lucro de cerca de R$ 20 bilhões, bancos privados fecharam 5,8 mil postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Os dados SECOVI - SP e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho. O levantamento ainda aponta que as instituições financeiras dispensaram 23,5 mil funcionários no período e contrataram 17,7 mil. A entidade representante dos trabalhadores acredita que as demissões são uma forma de reduzir a média salarial dos empregados. O levantamento aponta que os dispensados recebiam em média R$ 4,5 mil, enquanto os admitidos ganham na média R$ 3 mil. Secovi-SP realiza mais uma Semana Imobiliária Página 3 Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP Contra a impunidade, Sindicato faz manifestação em frente a prédio que desabou em São Mateus Página 6 SÃO PAULO Regionalização da saúde é marca de gestão Página 6 SUPLICY Fim das doações de pessoas jurídicas e transparência em tempo real nas campanhas eleitorais Página 8 Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP SINDUSCON - SP LU ALCKMIN Construção promove formalidade e dá atenção à saúde e segurança do trabalhador Página 9 CUT - SP Angatuba e Pirajuí recebem novas unidades do Polo Regional da Escola de Beleza Página 9 São Paulo implementa 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus Fernando Haddad, prefeito de São Paulo BRASIL HADDAD Página 14 Sancionada lei que destina royalties do petróleo para Saúde e Educação Página 11 PARÁ Dia Nacional de Mobilização paralisa Paulista Página 4 Vagner Freitas, presidente da CUT-SP Visite nosso site www.jornalimprensasindical.com.br MARANHÃO GRÁFICOS - SP RIO GRANDE DO SUL Nilson do Carmo Pereira, diretor executivo do Sindicato dos Gráficas Mais de 4,9 mil famílias do Noroeste são beneficiadas com projeto de sustentabilidade Página 10 Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul AEROVIÁRIOS - SP Hospital Regional do Marajó investe em tecnologia e humanização Página 7 Governadora participa de lançamento do projeto de restauro da Igreja da Sé e Palácio Arquiepiscopal Página 16 Fotos: Geraldo Furtado Políticos, não confundam o povo, não somos um moinho de vento Página 4 FORÇA SINDICAL - SP Aeroviários de São Paulo, força total no dia nacional de lutas Página 11 Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP ITUIUTABA-MG GUARULHOS - SP Governador do Estado do Pará, Simão Jatene PARAÍBA Governadora Roseana destacou importância da iniciativa para a memória do Maranhão BAHIA Ituiutaba sediou Audiência Pública para discutir a criação de uma Região Metropolitana Página 11 Famílias de baixa renda recebem moradias em Guarulhos Página 7 Paraíba terá mais R$ 10 milhões paraenfrentamento da estiagem Página 10 Força Sindical e demais centrais realizam ato em frente o INSS, em São Paulo Página 5 Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba PIB baiano supera o nacional com crescimento de 4% no segundo trimestre Página 16 Jaques Wagner, governador da Bahia Anuncie no IMPRENSA SINDICAL Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (11) 3666-1159 99900-0010 99683-8235

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Opinião IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 2 Editorial Em um encontro que discute a fome no mundo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Prêmio Nobel da Paz Leymah Gbowee debateram sobre como desenvolver um efetivo combate à fome e à pobreza. O encontro “Um mundo sem fome: estratégias de superação da miséria”, realizado pela revista Carta Capital, dia 11 de setembro, debateu “A democracia, a paz e a justiça social no Brasil e na África” e foi mediada pelo ex-ministro Franklin Martins. Leymah é extremamente crítica às pessoas que vêm de fora e querem resolver problemas sem conhecer as realidades locais. Ela ressaltou que conhecer e aproveitar os conhecimentos e habilidades locais é muito importante para entender como o combate à fome pode acontecer na prática. O tratamento de igual para igual, em uma relação de aprendizado mútuo também é colocado por ela como básico para que a sociedade esteja envolvida no processo. O ponto central da fala de Gbowee foi a importância das mulheres nas políticas de combate à fome por serem elas as mais afetadas por esse problema. Lula começou sua fala reforçando esta opinião e lembrou que o Brasil reconhece o papel das mulheres. Ele disse que este é o motivo de o Bolsa Família ser prioritariamente entregue às mulheres. Para Lula, a questão da fome não pode ser tratada apenas como números e indicadores. “Eu sempre disse que para acabar com a fome era preciso transformá-la em um problema político”. O evento contou com a presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello que afirmou que os desafios que se apresentam hoje para o Brasil são muito diferentes daqueles de dez anos atrás. Ela ressaltou que “Pela primeira vez o Brasil cresceu com diminuição das desigualdades” e que esse resultado não foi natural, mas fruto de uma série de decisões. O Brasil é um grande aliado na luta contra a fome no mundo. Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. Intervenção na RedeTV! bilidades praticadas na admi- va as irregularidades, vai além por Beto Almeida - de São Paulo nistração de uma concessão de e pede ao governo que casse Ironia da história: quanto serviço público de televisão. a concessão da REDETV. Vale mais os governos Lula e Dilma Oportunidade perdida. lembrar, na triste memória de tenham evitado tomar mediPor mais que a SECOM, com um rol infindável de irregula- das fortes, fugindo de possí- marcada presença de mentali- ridades que marcam a comuveis rupturas, para democra- dade tucana em seus quadros, nicação no Brasil, que esta critizar a comunicação, mais o mantenha intacta a dívida se neste canal se arrasta desde desenrolar do processo polí- informativo-cultural contra 1992. Naquela altura, quando tico tem colocado diante de- os brasileiros e por mais que um colapso trabalhista, triles oportunidades e desafios o Ministro das Comunicações, butário, administrativo e fi- novos para avançar nesta área utilize-se das Páginas Amare- nanceiro envolveu a então TV em que o campo popular leva las da Veja para desrespeitar Manchete, Leonel Brizola, gouma surra por dia das elites. uma história de lutas e a mi- vernador do Rio, e a Cut, can- Em 2003, em crise, a Globo litância de seu próprio parti- didataram-se a dirigir a conCabo bateu às portas do BN- do, defendendo ali o privilégio cessão de televisão, que hoje DES em busca desesperada dos magnatas da mídia, surge é a REDETV. O governo fede- de recursos para safar-se de agora, inesperadamente, nova ral de então preferiu, como a sua má administração. Nossa oportunidade para o governo SECOM hoje, não alterar os proposta, na época, apresen- Dilma recuperar democrati- privilégios que magnatas da tada numa Audiência Pública camente para a legalidade, a mídia têm no Brasil desde que para discutir especificamente concessão de TV nas mãos da aqui se instalou a televisão. A aquela crise, na Comissão de REDETV. Em completo desa- concessão foi entregue a um Cinco eixos para democratizar a mídia por Alexandre Haubrich - de São Paulo Ciência, Tecnologia e Comu- cordo com a legislação, os con- grupo empresarial que manA democratização da comuninicação da Câmara Federal, cessionários deste canal foram teve todas as irregularidades cação há de ser parida. Com dor, foi de que o banco público, denunciados vigorosamente que conduziram à crise da en- com suor, com esforço. Há de sim, aportasse recursos pú- pelo Sindicato dos Radialis- tão Rede Manchete, irregulablicos, mas não na forma de tas de São Paulo por violar leis ridades logo transferidas para empréstimos, mas tornando- previdenciárias, trabalhistas, o grupo concessionário atual, -se acionista da empresa dos tributárias, a Constituição e as que as prorrogou até hoje. O Marinho. Na época, o governo próprias normativas do Mini- que irá diferenciar a conduta declarara que “a crise da Glo- com. Mesmo assim, a empresa da SECOM de administrações bo era uma questão de Esta- que dirige a REDETV continua passadas? Eis aí a nova opordo”. Lamentavelmente, a situ- recebendo recursos publicitá- tunidade. ação de debilidade da empresa rios da SECOM, o que configuDe um governo progres- não foi aproveitada pela via de ra conivência com as irregula- sista espera-se, no mínimo, uma medida democrática que ridades denunciadas. que impeça lesão de recursos colocasse mais presença do esO Sindicato dos Radialistas públicos e utilize suas prerintervenção temporária na tado para impedir irresponsa- de SP, que denuncia e compro- rogativas legais, entre elas a Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 99683-8235 300 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. REDETV, até que seja democraticamente discutida com a sociedade, via Congresso, nova destinação para a concessão pública do canal. Condição inarredável: cumprimento rigoroso da Constituição. Especialmente na linha do artigo da Carta Magna, que prevê a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação. Eis aí a nova oportunidade para saldar, pelo fortalecimento da missão pública em uma área eminentemente pública que é a TV, a gigantesca dívida informativo-cultural que se formou, por décadas e décadas, contra o povo brasileiro. Beto Almeida é jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur ser lutada e, mais do que isso, os debates em torno de como deve ser gerada são fundamentais para que nasça com o mínimo de distorções possíveis, como um passo o mais seguro possível em direção à democracia não apenas neste setor, mas em toda a sociedade. Entendemos cinco eixos como fundamentais para levar a cabo esse combate, cada um deles com desdobramentos ou sub-eixos que igualmente devem ser desenvolvidos. Esses eixos precisam ser amadurecidos pelo conjunto de militantes, e que não podem ser considerados ou tratados de forma isolada. Dialogam de forma natural e inseparável, e só podem ser individualizados com fins didáticos, para que ações práticas sejam formuladas em cada um desses sentidos. São eles: 1. Fortalecimento dos veículos alternativos enquanto individualidades e enquanto conjunto – avançar em formas de financiamento, produção de conteúdo, qualificação dos materiais produzidos; encontrar pontos de intersecção para fortalecer a unidade, construir coberturas colaborativas e troca constante de conteúdo e divulgação. 2. Fomento à criação de novos veículos – Para uma mídia verdadeiramente combativa não basta a busca pelo fortalecimento dos próprios veículos. É preciso ir além, pensar de forma colaborativa e solidária, e, assim, amparar das mais diversas formas a construção de mais e mais espaços de comunicação alternativa, tanto através de ações diretas (promoção de oficinas e apoio na estruturação de veículos, por exemplo) como através de pressões por leis que garantam o acesso da mídia alternativa a apoio financeiro e logístico do Estado. 3. Atacar o controle dos conglomerados de mídia – é fundamental a compreensão de que não basta fortalecer os meios alternativos, é necessário enfraquecer os grupos empresariais que, via abuso de poder econômico e político, controlam a comunicação no país. Esse ataque pode se dar através de convocação de atos, denúncia de práticas de manipulação e controle, construção de análises que demonstrem a forma de atuação desses conglomerados, sua vocação monopólica e a barreira criada por esse domínio à liberdade de comunicação, expressão e informação. 4. Pressão sobre o Estado – é dever do Estado garantir a liberdade de expressão e cumprir o que determina a Constituição da República. A quase totalidade dos artigos da Carta que versam sobre a Comunicação Social não está regulamentada, o que representa um vácuo legal que acaba criando a possibilidade de abusos e absurdos como o controle de quase toda a informação que circula no país por apenas nove famílias. 5. Expansão do debate sobre o tema à toda a sociedade – o conjunto da população precisa apropriar-se da temática da comunicação, questão central na disputa social em defesa da democracia real. Expandir a consciência de que cada um é um comunicador em potencial e de que todos têm direito a plataformas de expressão é atuar pela emancipação popular e dos indivíduos. Alexandre Haubrich é jornalista, editor do Blog Jornalismo B

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 3 Secovi-SP Secovi-SP realiza mais uma Semana Imobiliária Evento é um dos mais importantes do Brasil na categoria e vai acontecer de 18 a 21 de setembro Em entrevista ao Imprensa Sindical, Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação),fala sobre o assunto Imprensa Sindical – O que é a Semana Imobiliária? Claudio Bernardes – Realizamos esse grande evento para apresentar as principais novidades do mercado imobiliário e debater temas de importância para a categoria e a cidade. Historicamente, o evento é realizado no mês de setembro e reúne empresários nacionais e internacionais, autoridades governamentais, jornalistas e estudantes. IS – Quais eventos compõem a Semana Imobiliária? Bernardes – A Semana Imobiliária começa com a entrega do Prêmio Master Imobiliário, que está em sua 19ª edição. Em uma grande festa, os contemplados nas categorias Profissional e Empreendimento recebem o prêmio. Este ano, a cerimônia acontece no Clube Monte Líbano, no noite de 18 de setembro. Há também a Convenção Secovi e o Fórum Urbanístico Internacional. IS – Fale um pouco mais sobre o Master Imobiliário. Bernardes – Como disse anteriormente, o Prêmio Master Imobiliário chega à sua 19ª edição neste ano de 2013 e reforça a máxima de que inspiração e trabalho, unidos, são as chaves para o sucesso de toda e qualquer empreitada. Secovi-SP e o Capítulo Brasileiro das Profissões Imobiliárias, a Fiabci/Brasil, promovem anualmente esta premiação, que consistem em destacar, dentre muitos inscritos, os empreendimentos e as iniciativas que se destacam pela efetividade de seus resultados, pela competência técnica e qualidade construtiva, entre outros quesitos que comprovam que os projetos brasileiros têm acompanhado o avanço tecnológico registrado pelo mundo afora. A escolha dos cases é feita por um corpo de jurados presidido por Sergio Mauad, conselheiro do Sindicato, e integrado por líderes e especialistas de entidades de grande prestígio e representatividade no setor imobiliário. tes, visitas técnicas a empreendimentos diferenciados na cidade, e um Real Estate Showcase, além do Fórum Urbanístico Internacional. IS – Qual o tema da Convenção deste ano? Bernardes – Este ano fizemos uma analogia com o futebol e o tema é “Entre em campo para ganhar!”. Na abertura oficial, no dia 18 de setembro, às 10 horas, vamos debater o que o setor imobiliário precisa para fazer gols de placa. Teremos uma mesa-redonda, onde eu, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Fernando Haddad e o presidente do Itaú Unibanco S/A, Paulo Egydio Setubal, vamos tratar dos desafios para melhorar o desempenho desse importante segmento econômico, que gera empregos, renda e torna realidade o sonho da casa própria de milhões de pessoas. O mediador será o jornalista esportista Mauro IS – E a Convenção Secovi? Betting. Durante os dias 19, 20 e 21 Bernardes – A Convenção Seco- de setembro acontecem inúmeras vi acontece há uma década e se con- palestras, dos mais variados temas. figura em um grande espaço para o debate e a atualização do setor. São IS – O que vai tratar o Fórum realizadas palestras, painéis, deba- Urbanístico Internacional? Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP Bernardes – Trataremos de mobilidade urbana, tema que debatemos há, no mínimo, quatro anos, e que agora entrou na pauta governamental. Especialistas internacionais, e também nacionais, vão apresentar as iniciativas de sucesso em termos de modais adequados para o transporte urbano e para projetar a cidade com escala humana. IS – Como as pessoas podem fazer para participar desse evento? Bernardes – Todas as informações estão disponíveis no site www. convencaosecovi.com.br. Quem participar vai querer voltar em 2014.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 4 CUT - SP Sindical xam de se aposentar para não perder renda. Sob o mesmo ponto de vista, reduzir a jornada também seria capaz de criar mais de dois milhões de novas vagas, conforme cálculos do Dieese, além de se tratar de uma questão de justiça. “Os empresários continuam recebendo desoneração, mas isso não volta como contrapartida social para a sociedade”, criticou. Superávit e taxa de juros – Vagner defendeu ainda um debate nacional sobre a economia para discutir questões como o superávit primário, que é a parcela do Orçamento reservada pelo governo para o sistema financeiro, e a elevação da taxa de juros. “É desnecessário a manutenção de um superávit de 3,2%, quando você precisa investir no mercado interno. Também fica claro para nós que aumentar a taxa de juros para controlar a inflação é um erro, porque isso prejudica o crescimento. A saída para controlar os preços é taxar as grandes fortunas e investir na produção”, defendeu. Dinheiro para banqueiro e capital estrangeiro – Recém-eleito presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo defendeu a mais ampla unidade “contra a agenda regressiva de precarização das relações de trabalho, de flexibilização de direitos e conquistas para atender os banqueiros e o capital estrangeiro”. Como a CUT, ele também avalia que é preciso apostar na potencialidade do mercado interno, “na geração de emprego e não em deixar o PAC empacado”, da mesma forma que Lula fez em 2007. Estudantes presentes – No vão livre do Masp, representantes de entidades estudantis falaram sobre a importância de acabar com os leilões de petróleo para defender a soberania nacional, trataram da necessidade de promover as reformas política e da comunicação e cobraram a apuração das denúncias contra o propinoduto tucano, esquema de corrupção que envolve governos do PSDB em São Paulo e teria desviado R$ 9 bilhões dos cofres públicos. As denúncias ainda aguardam investigação na Assembleia Legislativa do Estado. “Isso aqui é a continuidade da luta que vivemos em São Paulo e não podemos esquecer que, dois meses após irmos às ruas para cobrar transporte público de qualidade e a diminuição do preço das passagens, fomos surpreendidos com as denúncias de corrupção no metrô”, alertou a presidente da UEE, Carina Vitral. Dia 3, mobilização no Congresso contra o PL 4330 – Antes da mobilização na Paulista, no início da tarde, uma aula pública comandada pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), diante da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, uniu trabalhadores e estudantes. “Estamos nas ruas em defesa de uma educação de qualidade e da nossa soberania, contra o superávit primário e os leilões do petróleo”, afirmou Rodrigo Lucas, presidente da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo). Com expressiva participação na passeata, os estudantes responderam enfáticos: “Leilão é privatização! O petróleo é nosso e não abrimos mão!” Na ocasião, o Secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, valorizou a unidade das centrais e ressaltou que a luta contra o PL da terceirização, vai continuar. João Felício também alertou para a ação nefasta dos Presidente da CUT-SP, Vagner Freitas Dia Nacional de Mobilização paralisa Paulista Em ato, presidente da CUT, Vagner Freitas diz que é preciso acabar com PL 4330, fator previdenciário e diminuir jornada de trabalho para aprofundar mudanças por Luiz Carvalho e Leonardo Severo A CUT fechou a semana em que comemora 30 anos com uma grande mobilização na Avenida Paulista, na tarde do dia 30 de agosto, ao lado de outras centrais e do movimento estudantil. O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação reuniu cerca de cinco mil manifestantes, que fecharam os dois sentidos do coração financeiro de São Paulo, para cobrar que governo federal e Congresso Nacional trabalhem para aprovar uma pauta de reivindicações com nove pontos. Conforme destacou o presidente da CUT, Vagner Freitas, o Brasil avançou muito nos últimos 10 anos, porém, ainda de maneira insuficiente para deixar de privilegiar os interesses dos mais ricos. “Nas bases, o país ainda continua voltado aos interesses da burguesia, do latifúndio, da concentração de renda. Precisamos lutar muito mais para mudar esse cenário e transformarmos em um Estado democrático, que permita a participação de todos e garanta direitos iguais. A CUT foi criada com essa concepção e continuará nas ruas por uma sociedade socialista”, afirmou. Para ele, a transformação passa por atender as propostas da classe trabalhadora e citou três pontos que unificam o movimento sindical: a retirada de pauta do PL 4330, o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário. Vagner alertou que a CUT não aceitará qualquer proposta de terceirização da atividade-fim e comentou que a extinção do fator previdenciário seria capaz de gerar mais de um milhão de empregos, já que muitos trabalhadores dei- grandes conglomerados privados de comunicação contra a democracia e sublinhou a necessidade de um novo marco regulatório para garantir a efetiva liberdade de expressão. “No dia 3 estivemos em Brasília para impedir que o Congresso aprovasse esse projeto que acaba com a carteira assinada no país”, falou. Presidente da CUT-SP, Adi dos Santos Lima, também destacou que o dinheiro desviado pelo propinoduto tucano em São Paulo poderia servir para melhorar o ensino. “O dinheiro público que falta nas escolas foi para alimentar esse cartel e até agora não vimos os desfechos dessas denúncias”, recordou Adi. Plano Nacional de Educação – Presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a Bebel, explicou que os professores convocaram o ato para, além de defenderem a pauta da classe trabalhadora, cobrar a implementação do Piso Nacional da Educação em São Paulo e cobrar medidas que garantam a destinação dos royalties do petróleo para o ensino público. “É importante reafirmar que esses recursos têm de ir para as escolas públicas e não privadas, porque não queremos grupos se aproveitando desses recursos para aumentarem ainda mais os lu- cros”, explicou. Bebel falou ainda da necessidade de planejamento para que o país melhore as condições de ensino e destacou a importância de aprovar o Plano Nacional de Educação, que aguarda votação no Senado. “Primeiro, espero que seja aprovado, para que tenhamos um planejamento nacional e, mais que isso, seja uma política de Estado, com continuidade para que possamos não ter uma fragmentação. A educação exige continuidade.” Conheça a pauta que a CUT levou às ruas de todo o país: 1 – contra o Projeto de Lei nº 4330/04, o PL da terceirização de autoria do deputado-empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), que retira direitos dos trabalhadores e piora muito as condições de trabalho, renda e segurança; 2 – pelo fim do fator previdenciário; 3 – pelas 40 horas semanais sem redução de salário; 4 – 10% do PIB para a educação; 5 – 10% do orçamento da União para a saúde; 6 – transporte público e de qualidade; 7 – valorização das aposentadorias; 8 – reforma agrária; e, 9 – suspensão dos leilões do petróleo. GRÁFICOS - SP Políticos, não confundam o povo, não somos um moinho de vento O Brasil todo está acompanhando as ações e o comportamento dos nossos parlamentares tanto na câmara dos deputados como no senado e notamos que muitos ainda não se inteiraram do que o povo vem realmente buscando através das manifestações nas ruas e praças públicas. Ou parte dos parlamentares está louca, ou está se fazendo de “rogada”. Alguns políticos aventureiros estão dando uma visível demonstração que querem realmente é continuar tirando um sarro com a cara do povo, principalmente do cidadão eleitor. Estão tentando nos classificar como um bando de idiotas, que simplesmente os elege e depois nos tornamos inertes, reclamando pelos quatro cantos do País das suas atitudes mesquinhas, contrárias aos nossos interesses. É como disséssemos pra eles “amém por nos trair”. No dia 28.08.2013 assistimos direto de Brasília a mais uma demonstração de traição na sessão plenária que analisou e rejeitou o pedido de cassação do mandato do Deputado Federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO), que além dos votos apoiando “ad referendum” os atos de bandidagem do citado condenado, foi o mesmo, blindado pela ausência programada de 104 deputados (15 só do Estado de São Paulo), que nos dá a entender que foram explicitamente planejadas no intuito de que, se não fosse atingindo o “quórum” de 257 votos, que é o numero mínimo necessário para a cassação. É óbvio que ausentando estariam ajudando a salvar o mandato do amiguinho condenado. Ai entrou o Supremo Tribunal Federal, que já tem uma batata quente nas mãos que é o pessoal do mensalão, que resolveu acatar um pedido de liminar protocolada por um deputado do PSDB (vale tência para cassar quem, ou se quem está certo é a caça e a culpa é do caçador. Fica aí a polêmica. Enquanto o povo fica com as penas na mão, engolido um frango (quero dizer, um sapo) por ter ido às urnas confiado no cara e o seu voto acabou por eleger –mais um colarinho branco das “mãos sujas”. Na verdade está difícil para nós sabermos quem é o sujo ou o mau lavado, pois não somos nós que sabatinamos os caras. Somente quando estiverem longe das cédulas eleitorais não teremos mais que passar por este vexame nacional. E por falar em urnas, até hoje, desde sua implantação, ninguém me explicou como se faz para computar os votos das urnas eletrônicas. Se os votos são enviados automaticamente para uma central (base de processamento) ou se os chips são simplesmente recolhidos das urnas e processados para uma base receptora no planalto central de onde são distribuídos os informes chamados “resultados das urnas” para a mídia, (Má quê? Ali não se apura nada sô, só soma). Ainda não entendi também o porquê que diante de tanta tecnologia, existem países do chamado primeiro mundo que ainda não adotou este avanço tecnológico brasileiro e continuam com a velha cédula de papel. Só sei de uma coisa..., que na cédula de papel eu tinha certeza que anotei meu voto para um determinado candidato e este ato ficou ali registrado, nunca poderiam me tirar, mas o voto através da urna eletrônica já não tem tanta garantia. Eu me pergunto: porque os americanos não promoveram uma sequencia de viagens para a Lua, já que eles dizem que a conquistaram. Depois de tantos anos, talvez hoje ela já estivesse até povoada, ou não? Será que a Lua foi mesmo conquistada, quem conquista toma posse pra ninguém tomar, mas ninguém mais quis saber. Outras vezes me pergunto; “E se no Congresso, ainda nos dias de hoje o voto fosse através de cédula de papel?” Será que aumentaria meu nível de confiança nos nossos representantes? Porque muitos deles se preocupam em agradar o governo, ao invés do voto aberto, declarado, para que o País todo possa ouvir, como foi o voto que promulgou a nova constituição. Porque parlamentares preferem transformar o voto limpo em voto de cabresto? Aliás, não estou vendo ou ouvindo o Tribunal Superior Eleitoral fazer campanha pelo voto limpo, ou será porque a da ficha limpa continua suja. Em resumo, nós, o povo, buscamos e queremos respeito. Nilson do Carmo Pereira (61 anos) - Diretor Executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de São Paulo lembrar que desta sigla, empatada com o PSB e o DEM se ausentaram seis deputados de cada uma e as maiores ausências foram pelo PT com 20; o PMDB com 19; o PP com 14; PR com sete; as demais siglas ficaram entre um e três ausentes) suspendendo a mal falada audiência. Vamos ver no que vai dar. Nesta guerra para definir quem é que tem a compe-

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Sindical FORÇA SINDICAL - SP da Silva, Paulinho, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos SP, Miguel Torres, estiveram presentes. Já os trabalhadores da construção civil de SP e de Santos, além das costureiras SP fizeram passeatas pelo centro de São Paulo. Depois estas categorias seguiram pela Rua Antonio de Godoy até o Viaduto Santa Ifigênia. Dia de protestos Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente da Força Sindical, afirmou que 30 de agosto “foi mais um dia de protestos” porque o governo federal não atende as reivindicações dos trabalhadores. “Na campanha eleitoral entregamos a pauta trabalhista para a então candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, que depois de eleita não atendeu a nenhuma delas. Já os aposentados lutam pelo fim do fator previdenciário. Por exemplo, se eles tivessem direito de receber mil reais, quando aposentam ganham R$ 600 (homens) e R$ 550 (mulher)”, declarou. Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP, ressaltou a forte e expressiva presença dos metalúrgicos nas manifestações em São Paulo para rei- IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 5 Força Sindical e demais centrais realizam ato em frente o INSS, em São Paulo Costureiras, metalúrgicos, químicos, aposentados, trabalhadores da construção civil de SP e de Santos; empregados de empresas de refeições coletivas, além das áreas da saúde e condomínios e edifícios, entre outros, participaram das manifestações realizadas pelas ruas da capital paulista e no protesto em frente a Superintendência do INSS, no Viaduto Santa Efigênia vindicarem a pauta trabalhista. “A presidente atende apenas os empresários e não os trabalhadores”, disse. O secretário-geral da Central, João Carlos Gonçalves, Juruna, destacou a luta constante dos trabalhadores contra o PL 4330, que amplia a terceirização e pelo fim do fator previdenciário. “Hoje é o dia do grito dos trabalhadores”, declarou Danilo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical estadual SP, ao destacar que o governo precisa ouvir as reivindicações dos trabalhadores. Carlos Alberto dos Reis, presidente do Sindicato dos Eletricitários SP, também enfatizou a necessidade de o governo fazer negociar concretas com os trabalhadores. Atos pelo País Milhares de trabalhadores estiveram presentes nos atos realizados pelas centrais em várias cidades do País cobrando a aprovação da pauta trabalhista entregue pelas entidades ao governo federal e paralisando vários serviços pelo Brasil. Os ônibus pararam em sete capitais –Porto Alegre, Fortaleza, São Luís, Palmas, Vitória, Belo Horizonte e Salvador. Ocorreram manifestações nos seguintes locais: São Paulo Guarulhos – metalúrgicos paralisaram suas atividades. Campinas – mobilização às 3h em frente as garagens de ônibus; às 4h, greve dos aeroviários no Aeroporto de Viracopos. Às 7h30, passeata na avenida São Jorge. Santos – 5h fechamento das entradas das rodovias Anchieta, de São Vicente e nenhuma fábrica teve expediente em Cubatão. Ribeirão Preto – atos e assembléias em empresas da região. Piracicaba – Protestos nas empresas metalúrgicas. Outros Estados: BA – Força Sindical travou os dois sentidos da BR324, em Porto Seco Pirajá. Desde às 4 horas, rodoviários entraram em greve e manifestações aconteceram em vários pontos de Salvador. Também foram bloqueadas a BR116, na região de Feira de Santana e a BA093, que dá acesso ao pólo industrial de Camaçari. GO – A partir das 4h30, metalúrgicos paralisaram o Distrito Industrial de Anápolis e seguiram em passeata até a porta da Hyundai. RS – 6h trabalhadores se concentraram na estação rodoviária, após fecharem o cruzamento da rua Conceição, eles bloquearam os principais acessos à Capital: avenida Mauá, Castelo Branco e Farrapos permanecendo nos locais por três horas. RN – Em Natal, ato em frente a prefeitura e petroleiros bloquearam acessos na RN277. AP – Em Macapá, os mototaxistas e sindicalista da Força Sindical e UGT se reuniram na Praça do Barão, no centro da cidade. ES – Em Vitória, a Terceira Ponte foi interditada pelas centrais. MA – Em São Luís, os rodoviários pararam. MG – Em Belo Horizonte, as estações de ônibus em Barreiro e Diamante foram fechadas pelos rodoviários. Na cidade de Juiz de Fora também teve ato. PR – Às 13h, manifestação de trabalhadores em frente a Fiep (Federação das Indústrias do Paraná). PI – Os professores das redes estadual e municipal de Teresina aderiram a manifestação. Os aposentados iniciaram os protestos às 16 horas do dia 29, com vigília em frente a superintendência do INSS. Dormiram no local e participaram do ato junto com os trabalhadores da ativa. “Os aposentados lutam pela recomposição do poder de compra, porque eles têm custos maiores cada vez mais”, disse João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados. Eles foram elogiados por todos os oradores do ato. Antes da manifestação no Viaduto Santa Ifigênia, os metalúrgicos realizaram atos em frente as indústrias, por exemplo, na MWM, onde o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira Economia Economistas dão braço a torcer e já admitem alta no PIB brasileiro As instituições financeiras pesquisadas pelo Banco Central (BC) precisaram fazer novos ajustes nas projeções para o crescimento da economia. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país volta a subir e passou de 2,32% para 2,35%, este ano. Para 2014, a percepção é de uma pequena queda, de 2,30% para 2,28%. A estimativa para a expansão da produção industrial, no entanto, caiu de 2,11% para 2,10%, este ano, e segue em 3%, para 2014. A projeção das instituições financeiras para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB permanece em 35%, este ano, e foi ajustada de 34,85% para 34,80%, no próximo ano. Ainda de acordo com a pesquisa do BC a instituições financeiras, o dólar deve fechar este ano cotado a R$ 2,36, a mesma estimativa da semana passada. Para 2014, a previsão segue em R$ 2,40. A estimativa para o superávit comercial, saldo positivo de exportações menos importações, passou de US$ 3 bilhões para US$ 2,5 bilhões, este ano, e de US$ 8 bilhões para US$ 10 bilhões, em 2014. A previsão das instituições financeiras para o saldo negativo em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) foi ajustada de US$ 77 bilhões para US$ 78,00 bilhões este ano, e segue em US$ 78,9 bilhões, em 2014. A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 60 bilhões tanto para 2013 quanto para o próximo ano. Juros maiores As mesmas instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) esperam por uma taxa básica de juros (Selic) maior ao final do ano. A projeção passou de 9,50% para 9,75%. Para o final de 2014, a estimativa também é 9,75% ao ano, a mesma da semana passada. Atualmente, a Selic está em 9% ao ano. Essa mudança na projeção para 2013 ocorreu depois da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na ata, o Copom explica que era preciso dar continuidade ao ritmo de elevação da Selic em 0,50 ponto percentual, tendo em vista os danos que a persistência da inflação alta “causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos”. A taxa Selic é usada como instrumento para influenciar a atividade econômica e, por consequência, a inflação. Quando considera que os preços estão em alta, o comitê eleva a Selic. É função do BC fazer com que a inflação convirja para a meta (4,5%), com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O indicador da meta é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que na previsão das instituições financeiras deve ficar acima do centro da meta, mas abaixo do limite superior. A projeção para o IPCA passou de 5,83% para 5,82%, este ano, e de 5,84% para 5,85%, em 2014. A pesquisa do BC também traz a mediana das expectativas para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que foi ajustada de 4,38% para 4,22%, este ano, e segue em 5,27%, em 2014. A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi alterada de 4,57% para 4,79%, em 2013, e de 5,64% para 5,72% em 2014. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), as projeções foram ajustadas de 4,45% para 4,62%, este ano, e de 5,55% para 5,59% no próximo ano. Mais empregos A opinião dos consumidores em relação ao mercado de trabalho melhorou 2,5% entre julho e agosto deste ano, segundo o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado mostra uma acomodação do indicador, que havia registrado piora de 7,2% no mês anterior. Das quatro classes de renda consultadas pela FGV, a que mais contribuiu para a melhoria foi a mais baixa (até R$ 2.100). Esses consumidores melhoraram 8,1% sua percepção em relação ao mercado de trabalho. O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), índice da FGV que avalia o futuro do mercado de trabalho com base nas sondagens da indústria, do setor de serviços e do consumidor, também mostrou resultado positivo, com alta de 2,6% em agosto, depois de queda de 5,7% em julho. De acordo com a FGV, os componentes que mais contribuíram para a alta do Iaemp foram a expectativa dos empresários de serviços em relação à tendência dos negócios (alta de 12,8%) e o grau de satisfação com a situação atual dos negócios de serviços (4,4%). Preços estáveis Por último, na fila das notícias positivas no cenário econômico brasileiro, o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), que mede a inflação para famílias com renda até 2,5 salários mínimos, fechou agosto próximo à estabilidade, com taxa de 0,06%. O índice voltou a apresentar alta de preços, depois de registrar deflação (queda de preços) de 0,29% em julho. O IPC-C1 também ficou abaixo da média do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-BR), que foi 0,2% em agosto. Os grupos de despesa alimentação e transportes continuaram apresentando queda de preços em agosto, embora em ritmo mais moderado do que em julho. Os alimentos registraram deflação de 0,22%, ante uma queda de preços de 0,54% no mês anterior. Os transportes passaram de uma deflação de 1,54% para 0,17%. Os gastos com vestuário passaram de uma queda de preços de 1,04% em julho para uma inflação de 0,42%. Mais dois grupos tiveram inflação mais alta em agosto: educação, leitura e recreação (cuja taxa passou de 0,48% em julho para 0,67%) e comunicação (de 0,05% para 0,11%). Os três grupos de despesas restantes registraram redução do IPC-C1: habitação (de 0,29% para 0,23%), despesas diversas (de 0,44% para 0,14%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,26% para 0,19%). O IPC-C1 acumula taxas de 2,79% no ano e de 5,36% nos últimos 12 meses.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 6 Sintracon-SP Contra a impunidade, Sindicato faz manifestação em frente a prédio que desabou em São Mateus O grande número de mani- tando novamente. Temos o festantes impediu o trânsito na dever de evitar novos aconteciAvenida Mateo Bei e imediações. mentos do gênero”, ponderou o líder da nossa categoria. O discurso do Ramalho Ramalho da Construção, viFrente Parlamentar Como deputado estadual, sivelmente consternado, agradeceu aos participantes do ato, Ramalho da Construção encamiàs associações, às centrais tra- nhou, na Assembleia Legislatibalhistas, aos militantes e, em va, a criação de uma Frente Parespecial, aos trabalhadores. lamentar para coibir situações “Esse tipo de absurdo que como a da Avenida Mateo Bei. ocorreu neste lugar deve sim O deputado e sindicalista conser discutido por todos os ci- firmou, ainda, que o Sindicato dadãos. Devemos nos colocar por ele dirigido já está em contato no lugar da família desses tra- com os familiares das vitimas. “Faremos o que for necessábalhadores que estavam aqui trabalhando e buscando pelo rio para prestar toda solidarieseu pão de cada dia quando, dade necessária. Se for preciso, pela incompetência de patrões enviaremos nossos advogados irresponsáveis, foram colhidos até o Maranhão, onde prestarão por um desmoronamento que atendimento aos familiares”, poderia sim ter sido evitado”, ressaltou. afirmou Ramalho, que também é deputado estadual pelo PSDB. “Minha experiência diz que, em pouco tempo, acontecerá outra fatalidade, pois o desleixo e o grau de impunidade no setor são enormes. A mídia esquecerá esse triste acontecimento. Ninguém mais se lembrará das famílias que perderam seus entes queridos. Mas nós, como representantes de categorias, não podemos deixar acontecer outra tragédia como essa para sairmos às ruas nos manifesEm seu discurso, Ramalho salientou ter encaminhado um ofício ao prefeito da cidade solicitando o fechamento completo no local da obra, pois, durante o ato, foi presenciada a permanência de crianças e curiosos no meio dos escombros, o que considerou um perigo. Também compareceram à manifestação a Associação Comercial de Moradores do Jardim Santa Bárbara; Associação de Lojistas (moradores do bairro) e a Associação da Indústria e Comércio. O movimento teve a presença marcante do pintor Edicarlos Coutinho, trabalhador autônomo que, no dia da tragédia, se atrasou para chegar à obra e recebeu a notícia pelo telefone. “Foi por Deus”, disse Coutinho. Manifestação contra a impunidade na construção civil foi realizada, no último dia 6 de setembro, em frente à obra que desabou na Avenida Mateo Bei, em São Mateus, ceifando a vida de dez trabalhadores e ferindo outros 26. O ato, convocado pelo líder do nosso Sindicato, Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, contou com a participação de várias entidades sindicais e da sociedade organizada, entre elas: . Sindicato dos Metalúrgicos – secretário geral Araquem. . Ubirajara Dantas – presidente da CGTB . Sindicato dos Comerciários – José Gonzaga da Cruz, diretor vice-presidente; . Sindicato dos Eletricitários – presidente Carlos Reis; . Sindicato das Costureiras – presidente Eunice Cabral; . Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de São Paulo – vice-presidente Josevaldo dos Santos; . Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo – presidente Marcos Antonio Ribeiro; . Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho – presidente Armando Henrique; . Sintracomos (Baixada Santista) – presidente Macaé; . José Tadeu Castelo Branco – presidente do Sindinstal. Em memória às vítimas, o evento teve as presenças do Padre Lauro, da Paróquia de São Mateus Apóstolo e do pastor evangélico, Régis (representando a UGT). O sindicato patronal (SindusCon-SP), abalado pelo ocorrido, enviou a representante Marivonel. São Paulo-SP Regionalização da saúde é marca de gestão O Governo do Estado está investindo 40,2 milhões na modernização de hospitais estaduais e centros de saúde atingiu, em 2010, o menor nível da história. O índice desse ano ficou em 11,9 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidas vivas no Estado, contra 31,2 em 1990. Nos últimos 16 anos, (1995/2011) a queda foi de 50%. Na última década, a redução da mortalidade infantil significou 4,8 mil óbitos de crianças paulistas evitados. Dos 645 municípios paulistas, 301 apresentaram, em 2010, índices de mortalidade infantil inferior a dois dígitos, comparável aos de países desenvolvidos. São Paulo oferece à população centros de excelência em saúde que atendem pelo SUS: o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, o Hospital de Transplantes, a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Pio XII de Barretos, o Instituto Emílio Ribas de Infectologia, o Dante Pazzanese, entre muitos outros. Uma pesquisa de satisfação realizada pela SES-SP com 204 mil pacientes de 630 hospitais públicos em 2010 revelou que os usuários dão nota média de 8,9 para o SUS paulista. O sistema também dá cobertura a usuários fora do Estado: a cada 30 minutos, um paciente de outro Estado é internado em um hospital público paulista. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo tem dado importantes passos para agilizar e aumentar a eficiência no atendimento à população usuária da rede pública de saúde. Além de reformar e construir hospitais, centros de especialidades que são referência até mesmo em outros países e laboratórios para produção de medicamentos e vacinas, a SES-SP trabalha sob um novo e moderno modelo de gestão, que contempla o usuário do sistema público de saúde em sua região. É a regionalização da saúde, que veio para garantir que cada região do Estado tenha o necessário para garantir o atendimento à população sem que os pacientes tenham que viajar à capital. Prova de que a saúde paulista está no caminho certo é o dado que aponta que a mortalidade infantil caiu 61,8% nos últimos 20 anos e

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 7 Geral Sindical Bancários da Bahia lançam Campanha salarial 2013 com força total Mais uma vez, os diretores do Sindicato esclarecem ao trabalhador e à população a importância do período em que a categoria entra em um jogo duro com os banqueiros para garantir avanços em todo o sistema bancário. A largada foi dada na véspera, na agência do Banco do Brasil do Comércio, em Salvador. Depois de protagonizarem várias manifestações no decorrer do ano, os bancários mais uma vez foram os personagens principais do ato e deram um show de unidade durante o evento. Com tom bastante descontraído, o ato chamou a atenção para problemas que afetam toda a sociedade. Destaque para a insegurança nas agências, para as condições precárias de trabalho e as demissões, que afetam diretamente o atendimento ao cliente, e as elevadas taxas de juros, que contribuem para o lucro sempre recorde do setor. Grupos teatrais se encarregaram da parte lúdica, com apresentações de trabalho e outras melhomágica, palhaços, mono- rias. Esse é o momento de ciclo, malabarismo, perna apresentar os problemas de pau e muita encenação. para a população e co– O Sindicato é o brar que as organizações principal elo entre os financeiras façam a sua funcionários e os ban- parte – afirma o presicos. Compramos a briga dente do SBBA, Euclides por condições dignas de Fagundes. Concentração de renda Um por cento mais rico tem mais dinheiro do que 99% da humanidade As 300 maiores fortunas do planeta acumulam mais riqueza que os mais de 3 bilhões de pobres que existem no mundo e representam 99% da população. Assim afirma o professor Jason Hickel, da escola de Economia de Londres, assessor do movimento The Rules, que luta contra a desigualdade. – Citamos estes números porque nos oferece uma comparação clara e impressionante: as 200 pessoas mais ricas possuem aproximadamente US$ 2,7 trilhões e isso é muito mais que o que possui as 3,5 bilhões de pessoas, que possuem um total de US$ 2,2 trilhões – explica o economista Jason Hickel, citando um estudo recente da ONG Oxfam, que salienta que o 1% dos mais ricos aumentou seus ingressos em 60% nos últimos 20 anos com a radicalização das políticas imperialistas. No vídeo A desigualdade da riqueza mundial, o movimento The Rules expõe como cresce esta desigualdade social com o passar do tempo em diferentes países. Assim, durante o período colonial, a brecha entre os países ricos e pobres aumentou de 3:1 a 35:1. Desde então, a brecha cresceu até um nível de 80:1. De acordo com o economista, o crescimento da brecha se deve em parte às políticas econômicas neoliberais que instituições internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) impuseram aos países em desenvolvimento durante as últimas décadas. – Essas políticas estão desenhadas para liberar os mercados à força, abrindo-os a fim de dar as multinacionais um acesso sem precedentes à terra barata, recursos e mão de obra. Mas a um preço muito alto: que os países pobres percam por volta de US$ 500 milhões por ano de seu PIB –explica o professor citando o economista Robert Pollin, da Universidade de Massachusetts. Guarulhos-SP Pará Famílias de baixa renda recebem Hospital Regional do Marajó investe em tecnologia moradias em Guarulhos Foto: Fábio Nunes Teixeira/PMG O prefeito Sebastião Almeida e representantes da Caixa Econômica Federal entregaram dia 29 de agosto, 500 unidades do Conjunto Residencial Esplanada, no Pimentas. As moradias, localizadas na Estrada do Caminho Velho (em frente ao campus da Unifesp), fazem parte do Programa Federal Minha Casa, Minha Vida e são destinadas às famílias que recebem até R$1.600 por mês. Foram beneficiadas famílias de sete regiões diferentes da cidade: Jardim Novo Portugal (65), Vila Any (115), Vila Rio (17), Lenize (111), Cocho Velho (33), Taboão (33 famílias das ruas Xisto e Ursa Maior) e Jardim Cidade Cumbica I (126 famílias da rua Guataporanga). Durante a solenidade de entrega dos apartamentos e assinatura dos contratos, o prefeito Sebastião Almeida agradeceu o apoio recebido dos mais diferentes setores da administração, da Câmara, do Governo Federal e da Caixa Econômica, entre outros. Na oportunidade, Almeida fez questão de salientar que os apartamentos do Esplanada são os primeiros entregues completos da cidade, ou seja, já com piso e acabamento. “É fundamental destacar que não se trata apenas de remover famílias de áreas de risco. Os novos moradores vão receber um lar, onde poderão criar seus filhos e sem dúvida melhorar a qualidade de vida. Essas famílias vão morar perto de tudo. Aqui tem universidade, tem CEU, terminal de ônibus, shopping, supermercado, padaria e até hospital. Agora, essas pessoas têm endereço. Isso significa dignidade e valorização.” A construção desses apartamentos foi resultado de um convênio entre a Prefeitura de Guarulhos e o Governo Federal, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida. O valor total do investimento superou R$ 27 milhões. Em contrapartida, o município entrou com as isenções do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e do Imposto sobre Serviços (ISS) para a construção civil, e com a prestação de serviços como coleta de lixo, água, esgoto, pavimentação, transporte público e instalação de equipamentos públicos como creches, escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Referência da Assistência Social (CRAS). Os novos moradores ainda serão beneficiados com isenções de IPTU por cinco anos e ITBI. O secretário de Habitação Orlando Fantazzini ressaltou que a cidade vem trabalhando bastante para minimizar o déficit habitacional. “Guarulhos conta com mais de 22 mil unidades contratadas, entre moradias de interesse social em andamento e já entregues e as que fazem parte do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de três a 10 salários-mínimos”. A solenidade contou com a presença do prefeito Sebastião Almeida e da presidente do Fundo Social de Solidariedade Lourdes Almeida, do secretário de Habitação Orlando Fantazzini, da deputada federal Janete Pietá, do deputado estadual Alencar Santana, da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Maria Fernanda Ramos Coelho, do gerente regional de Negócios da Caixa Silvio Renato Gomes Diz, além de diversos vereadores, secretários e gestores da Prefeitura e de líderes de movimentos por moradia. e humanização Maior segurança e acesso às informações dos pacientes, significativa redução do consumo de papel e melhoria dos processos e do atendimento aos usuários. Estes são alguns resultados práticos da recente implantação do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), do Hospital Regional Público do Marajó (HRPM). O novo serviço deriva do planejamento estratégico, que destinou investimentos para aquisição de equipamentos e redimensionamento da rede, além de capacitação específica para médicos, enfermeiros e técnicos. Segundo a diretora executiva do HRPM, Cleide Rillo, a nova ferramenta de trabalho é indispensável para instituições da área da saúde, tendo em vista o armazenamento das informações e eficiência no controle de materiais e de medicamentos. Tudo isso sem abrir mão da humanização das ações voltadas para o desenvolvimento do programa, que usa a tecnologia como aliada para o fortalecimento e capacitação da mão de obra que lida diretamente com os processos de captação e armazenamento das informações, melhorando cada vez mais o atendimento dos pacientes. Cleide Rillo diz que a implantação do serviço contou com o suporte do setor de tecnologia da informação do hospital, que usou a ferramenta de gestão hospitalar “Tasy da Philips Healthcare”. “O PEP é uma atividade fim e demanda uma força tarefa. São várias etapas cumpridas para o êxito do serviço, que vai desde a aquisição de novos equipamentos, melhoria da infraestrutura de tecnologia da informação, treinamento dos profissionais envolvidos e a participação da direção e líderes de setores do HRPM, em todos os processos”, avalia. Com a implantação do PEP, outros benefícios também são destacados: não existirão mais prontuários rasurados, letras ilegíveis e informações perdidas, mantendo um histórico do paciente de fácil acesso e com garantia de segurança das informações. Serviço: o Hospital Regional do Marajó garante atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira, das 7 às 18 horas. O hospital fica na Avenida Rio Branco, 1.266, no Centro de Breves. Mais informações pelos telefones (91) 3783-2140 e 3783-3783.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 8 Suplicy Fim das doações de pessoas jurídicas e transparência em tempo real nas campanhas eleitorais conhecimento do eleitor. E acho que é um encaminhamento natural, porque a tecnologia a serviço de princípios como a transparência é que está, no momento, sendo o grande dado de investimento da Justiça Eleitoral. Então, se os partidos fizerem isso, isso vem na mesma direção. Senador Eduardo Matarazzo Suplicy: recentemente aprovamos, no Senado, que em vez de cada Senador ser eleito com dois suplentes, será apenas um, vedado qualquer parentesco com o Senador titular, ou seja, esposa, filho, avô, pai, irmão não podem mais ser. Mas eu tenho ainda outra contribuição, que terá que ser apresentada, pelo rito da Casa, só no ano que vem, mas que pretendo fazê-la, porque eu acho que, mesmo para esse único suplente, melhor será se os eleitores puderem escolhê-lo em eleições diretas. Ou seja, para cada Senador titular, o partido ou coligação apresentará dois ou três nomes, e o eleitor, sabendo qual será o suplente, vota pelo menos entre duas, três alternativas, de tal forma que só cheguem aqui ao Senado os eleitos diretamente pelo povo. países, em diversos estados norte-americanos. Ou seja, no meio do mandato, caso a população se veja insatisfeita com o governante ou com o eleito para o Parlamento, possa apresentar, com alguma forma aqui proposta, um mecanismo pelo qual poderá referendar se o eleito deve continuar ou não. eleição direta pelos eleitores filiados ao partido, no âmbito da circunscrição eleitoral correspondente ao cargo em disputa. Poderíamos ter variações em torno disso, inclusive vejo, com muita simpatia – e agradeço se puder nos dar sua opinião, o sistema de prévias que mais e mais se realiza nos mais diversos países democráticos. Por exemplo, o caso da França, no Partido Socialista Francês, realizou-se uma prévia, em 2011, com 200 mil filiados, abrindo oportunidade – Senador Sérgio Souza, isso é uma coisa importante – a todos os seus simpatizantes de assinarem se estavam de acordo com os objetivos maiores daquele Partido e pagarem € 1,00 – algo como R$2,70. E esses puderam votar – no 1º turno, 2,7 milhões de eleitores, e no 2º turno, três milhões de eleitores – e acabaram escolhendo Monsieur Hollande, por uma forma tão democrática, que ele conseguiu vencer as eleições em relação ao adversário, Presidente Sarkozy, obviamente muito forte. Ministra CÁRMEM LÚCIA: acho que, quando a Constituição optou por dotar de autonomia o partido político, foi no sentido de crescer o partido e, hoje, como pessoa jurídica de direito privado, de fazer com que ele pudesse resolver as suas questões internamente e com a sociedade, e não com outras instituições estatais. Eu não sei em que ou como poderíamos considerar mais legítimo que o Estado interviesse para criar essa obrigação. Acho que deve ser um tema, que é extremamente democrático, que é a realização de prévias, para que o próprio partido, depois, não caminhe em sentido oposto. Mas é preciso que o partido resolva isso, o que seria, a meu ver, uma forma de fortalecimento dos partidos. Acho que, quando se entra muito no partido, não se tem uma maior solidificação ou uma consolidação das condições de autonomia. Tem-se isto, a interferência, às vezes, demasiada. Acho que as prévias, para nós, cidadãos, são sempre bem-vindas, mas é preciso que os partidos sejam imbuídos dessa necessidade e cheguem a essa conclusão. Conforme se pode ver, os temas discutidos na proposta de Reforma Política são de capital importância para a sociedade brasileira. Assim, avalio que todos nós devemos dar uma atenção especial ao assunto, porque ele está diretamente ligado ao futuro de nosso país. Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República No final de agosto, o Senado Federal realizou uma sessão temática sobre Reforma Política, matéria em discussão na Casa. A convidada especial foi a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE – Tribunal Superior Eleitoral. Na ocasião, o senador Eduardo Suplicy, autor de vários projetos sobre o tema, foi um dos oradores e teve a oportunidade de questionar a ministra sobre algumas de suas propostas relativas à Reforma Política. Após destacar a trajetória da ministra, sua formação jurídica e sua consciência de cidadão, o senador externou sua confiança no trabalho da ministra frente ao TSE e apresentou seus questionamentos: Senador Eduardo Matarazzo Suplicy: como a senhora vê a questão das contribuições de campanha. O movimento Eleições Limpas sugere que se coíbam as contribuições de pessoas jurídicas e que se limite em R$ 700,00 as contribuições de pessoas físicas. Poderíamos chegar a uma quantia um pouco mais elevada, mas que significaria uma limitação importante com vistas a se evitar o abuso do poder econômico nas eleições. É claro que isso seria combinado com o financiamento público de campanha, mas haveria ainda um procedimento para o qual os eleitores, a população poderia, sim, contribuir, e poderiam os candidatos e partidos terem uma forma de, por meio da Internet hoje, receber essas contribuições. Ministra CÁRMEM LÚCIA: vou falar em tese. Há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo em que a Ordem dos Advogados entrou neste assunto. Acho que não estou antecipando voto, até porque já me manifestei, em alguma ocasião, sobre isso. Tenho para mim que, realmente, esse seria um avanço significativo se apenas as pessoas físicas, os cidadãos contribuíssem. E a justifi- cativa que apresento para isso é a circunstância de que o cidadão é que é eleitor e, no Brasil, o cidadão é só a pessoa física. Hoje se fala em empresa cidadã, mas, verdadeiramente, o que nós temos é o eleitor pessoa física que tem o título da cidadania. Então, eu acho que quem nos representa quem representa, basicamente, é o eleitor, e, portanto, aquele que haverá de ter a participação mais significativa, eu tenho para mim que seria um avanço muito grande eticamente, administrativamente, juridicamente e coerente com a ética constitucional se avançássemos no sentido de estabelecer que as contribuições partissem apenas de cidadãos, e aí seria conveniente mesmo que se estabelecesse critério, pelo menos critério máximo, para que não houvesse alguém que achasse que pode contribuir tanto fisicamente que desequilibrasse de novo, uma vez que o que se busca aqui é que não haja preponderâncias no sentido de haver abusos. Mesmo o uso, que poderia ser legítimo do poder econômico, pode, realmente, colocar em situação de desigualdade entre os eleitores doadores. Então, quanto a isso, eu sempre me coloquei exatamente nesse sentido. Como eu disse, há uma ação direta em curso, já para interpretar a Constituição, para dar interpretação conforme, de tal maneira que nem seria necessário se o Supremo chegasse a essa conclusão. Mas, pelo sim, pelo não, há possibilidade de haver esta inovação. Senador Eduardo Matarazzo Suplicy: a outra sugestão, que é um projeto de lei de minha autoria, segundo o qual se torna obrigatório o registro em tempo real, logo após a contribuição ser dada. Ou seja, o partido ou candidato que receber aquela contribuição deverá registrá-la na sua página eletrônica, de tal forma que, não depois, mas às vésperas Ministra CÁRMEM LÚCIA: Na Constituinte, quando foi cogitado o recall, no art. 14, que viria com iniciativa popular de leis, plebiscito e referendo, cogitou-se, no que depois veio a ser o art. 14, introdas eleições, nos primeiduzir-se o recall, e isso não ros dias de outubro, antes passou na Constituinte. E do primeiro domingo de os argumentos foram váoutubro, qualquer cidadão rios, como, por exemplo, possa conhecer, na págiquais os critérios que tena eletrônica do partido e riam de ser estabelecidos do respectivo candidato, para que se faça o recall em quais as contribuições e a relação a um representannatureza do financiamente e não a outro. Em que to de cada partido. condições? Como se fazer? Muitos dizem que isso Como se criar um espaço poderá criar problemas. para que a pessoa também Se uma pessoa der uma se apresente e se defenda? contribuição para certo O recall é para os casos em candidato, será que ele que já não há mais legitivai sofrer retaliação por midade do mandato. parte de outros que sejam Essa é a razão pela adversários dele? Eu acho qual, , isso foi discutido. que cada cidadão poderá Lembro-me de que houve perfeitamente contribuir uma discussão grande sode maneira aberta e transbre isso na Constituinte, parente sem criar esse tipo na biblioteca, com vários de preocupação, ainda professores de Direito, e mais com as contribuições não chegamos nem a ofesendo relativamente modestas. A SRª CÁRMEM LÚ- recer algo que fosse facilCIA: eu gostaria de dizer mente incluído naquele Ministra CÁRMEM que nós já questionamos, projeto. Acho que o recall é um LÚCIA: eu tenho batalha- durante algum tempo, a do por isso durante mui- questão de suplentes no mecanismo para evitar, to tempo, porque, quanto Brasil. Em décadas passa- por exemplo, contaminamais transparente for todo das e sob a égide de outras ção de um caso isolado o processo eleitoral mais Constituições, questiona- para toda a instituição e, perfeito ele se torna. Eu va-se tanto a figura dos principalmente, para que digo que o Tribunal Supe- vices quanto a figura dos alguém não permaneça, rior Eleitoral e os Fóruns suplentes. Quanto à figu- porque “pensei que era onde atuam juízes eleito- ra do vice, hoje, a Justiça uma situação, votei nele, e, rais são de vidro, mas essa Eleitoral conseguiu que se depois, no meio do camitransparência é simbólica, colocassem as fotos, de tal nho, houve uma mudança mas é uma boa transpa- maneira que o eleitor saiba de rota”. Entretanto, vejo, rência para o cidadão, para de quem se cuida. Quanto do ponto de vista até douo eleitor que, no interior, aos suplentes, caminha-se trinário, estas dificuldapor exemplo, vê o que o para a mesma coisa, mas, des: quais seriam os critéjuiz está fazendo, quem ele como se sabe, não é o su- rios? Em que condições? está recebendo. E é bom ficiente, porque se vota no Por que um poderia se submeter ao recall e outro que essa transparência se titular. passe no processo da canParece-me que a ideia não? Como seria feito de didatura e na dinâmica das de um suplente que não maneira igual para todos? candidaturas, muito mais tenha relação de paren- Essas seriam as dificuldano que diz respeito à par- tesco com o titular vai no des práticas. Então, o recall é uma te do financiamento das mesmo sentido que foi a campanhas. Constituição quando, para bela criação, mas tem sido Caminha-se exatamen- outras atividades, negou aplicado, por exemplo, até te para que nós, da Justiça o nepotismo. Então, não nos Estados Unidos, com Eleitoral, demos cada vez vejo esse tipo de dado com muita parcimônia, exatamais transparência. Para nenhuma dificuldade, em- mente para não se perder o senhor ter uma ideia, os bora seja uma escolha, aí essa legitimidade, que, no dados do relatório dessas política, do Congresso que nosso sistema, é racional, últimas eleições, as mais terá de ser feita mesmo. como disse. recentes, de 2012, não Mas, juridicamente, eu Senador Eduardo Maapenas foram colocados na vejo como coerente com Internet, como também esse fluxo constitucional, tarazzo Suplicy: ministra foram feitas estatísticas com essa proposta consti- Cármen Lúcia, para finalipara que os que pesquisam tucional que já não se per- zar, gostaria de falar sobre não precisassem ficar en- mite para o serviço público outra proposta que tenho, que possam os partidos trando em várias abas para em geral. políticos e coligações realisaber quanto cada empresa doou. As estatísticas Senador Eduardo Ma- zar prévias para a escolha já foram feitas de modo a -tarazzo Suplicy: Outra de seus respectivos canficar tudo claro e facilita- proposta, sobre a qual didatos. Que a escolha de do para o eleitor. Eu acho apreciaria muito a sua opi- candidato a cargo eletivo, que esse registro eletrôni- nião, refere-se a termos o tanto para as funções execo em tempo real facilita sistema do chamado recall, cutivas quanto para as lerealmente muito mais o que já existe em diversos gislativas, se dê mediante

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 9 Sindical SINDUSCON - SP Construção promove formalidade e dá atenção à saúde e segurança do trabalhador SERGIO WATANABE O triste episódio ocorrido recentemente no bairro paulistano de São Mateus, onde o desabamento de uma construção irregular ocasionou dez vítimas fatais, reforça a necessidade de o setor organizado de empresários e trabalhadores combaterem duramente a informalidade. Na construção civil, há mais um forte motivo para tanto. A responsabilidade por realizar obras de construção e reformas, por ser muito grande, só deve ser assumida por profissionais, gente que tenha formação adequada, entenda bem do que faz e esteja dentro de um marco de relacionamento legal. A formalidade na construção civil só traz ganhos para os trabalhadores, as construtoras e a sociedade. O trabalhador tem seus direitos assegurados, um vínculo empregatício e a perspectiva de se aperfeiçoar continuamente e crescer dentro do mercado. As construtoras podem lhe proporcionar treinamentos em aperfeiçoamento profissional, segurança e saúde, o que contribuirá para um canteiro bem organizado e funcional, com reflexos inegáveis sobre a qualidade das obras. E os usuários receberão edificações executadas dentro de normas técnicas que vão garantir seu desempenho e sua durabilidade durante toda a vida útil das mesmas. Naturalmente, isso não exime o poder público de fiscalizar e orientar quem projeta e executa obras de atender às legislações e normas do setor. Hoje, as construtoras exigem de suas empresas subcontratadas atenção a todos esses cuidados. Tanto é assim que, nas convenções coletivas assinadas entre o SindusCon-SP, a Federação Estadual e os sindicatos municipais dos trabalhadores do setor no Estado de São Paulo, há uma extensa cláusula pela qual as partes se obrigam à formalidade quando se trata de subcontratações da execução de partes das obras. Há um grande cuidado por parte do SindusCon-SP com relação à segurança e a saúde dos trabalhadores. Neste segundo semestre, estamos promovendo mais uma edição da Megasipat –a Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes. O espírito da Megasipat ultrapassa os meros cuidados com os equipamentos e procedimentos de segurança nos canteiros de obras. O evento busca sensibilizar diretamente o trabalhador da construção civil para uma série de aspectos de sua vida profissional e privada, envolvendo alguns temas delicados, mas que precisam ser abordados. Assim, a 14ª Megasipat (Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho) iniciou seu calendário de atividades em São Paulo e em mais nove regionais do SindusCon-SP no interior paulista sob o tema central “Segurança e Saúde – Trabalhe com Esta Ideia”. O programa compreende palestras sobre dependência química e alcoolismo; saúde da mulher e do homem; dificuldades de comunicação auditiva; nutrição; ginástica laboral; ergonomia e posturas; violência doméstica e contra a mulher; e moradia segura. Os trabalhadores ainda têm à disposição exames gratuitos de pressão arterial, glicose, colesterol e visão, além de café da manhã, lanche, almoço e sorteio de brindes. Permeando as palestras e atividades, um grupo teatral anima os participantes enquanto os faz pensar sobre temas cotidianos, problemas de relacionamento e hábitos comportamentais. O reflexo da Megasipat nas atividades do canteiro de obras e sobre as famílias dos trabalhadores é bastante positivo. Uma consciência prevencionista se dissemina e ajuda a evitar acidentes de trabalho. Além disso, temas considerados tabus no âmbito pessoal e familiar come- çam a ser discutidos abertamente, em busca de uma melhor qualidade de vida para todos. Desta forma, empregadores e trabalhadores se unem e constroem uma relação profissional mais madura, fortalecendo cada vez mais o segmento formal da construção civil. SERGIO WATANABE é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) São Paulo-SP - Ação Social Angatuba e Pirajuí recebem novas unidades do Polo Regional da Escola de Beleza Projeto do FUSSESP que capacitará em quatro áreas da beleza é levado para as regiões de Sorocaba e Bauru para os alunos. A parceria ainda prevê transferência de conteúdo didático e know-how e o pagamento dos professores por parte do FUSSESP. A iniciativa é uma parceria do FUSSESP com os Fundos Municipais e entidades assistenciais da capital. Ao todo, serão Lu Alckmin foi recebida em Pirajuí pela prefeita Juliana Nagano para a inauguração da 10ª unidade do inaugurados até o final do Polo Regional da Escola de Beleza ano 28 Polos Regionais No dia 27 de agosto, a primeira-dama e presidente do Fundo Social da Escola de Beleza no interior e 28 de Solidariedade do Estado de São na capital. Já estão em funcionamenPaulo, Lu Alckmin, inaugurou a 9ª e to oito Polos de Beleza no interior, a 10ª unidades do Polo Regional da nas cidades de Juquiá, Registro, São Escola de Beleza nos municípios de Manuel, São Pedro, Santa Fé do Sul, Angatuba, na região de Sorocaba, e Colina, Tupã e Tarumã. Pirajuí, na região de Bauru. “O nosso objetivo é capacitar principalmente as pessoas desempregadas, para que tenham uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho qualificadas”, afirmou Lu Alckmin. Os cursos oferecidos são Assistente de Cabeleireiro, Depilação e Design de Sobrancelhas, Manicure e Pedicure e Maquiador. Por meio do convênio com o FUSSESP, os Fundos Municipais recebem todos os equipamentos necessários para a realização dos cursos, um repasse de verba para a compra de insumos e o uniforme Sobre a Escola de Beleza O projeto Escola de Beleza foi lançado em outubro de 2011 na capital, na sede do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, no Parque da Água Branca, para oferecer qualificação profissional na área da Beleza, com cursos de Maquiagem, Depilação e Design de Sobrancelhas, Assistente de Cabeleireiro e Manicure e Pedicure. O objetivo da iniciativa é atender pessoas desempregadas a partir de 18 anos. Desde o início do projeto, foram capacitadas 1.941 pessoas.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 10 Brasil Rio Grande do Sul Mais de 4,9 mil famílias do Noroeste são beneficiadas com projeto de sustentabilidade Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul A Emater/RS-Ascar está mobilizada para auxiliar agricultores familiares a concretizarem projetos com amplitude social, econômica e ambiental em suas propriedades ao longo dos próximos anos. Supervisores, assistentes técnicos regionais, grupo de formação e parceiros da proposta reuniram-se, dia 9, para ajustar e debater os próximos passos da proposta referente à Chamada Pública da Sustentabilidade, que abrange 26 municípios do Noroeste gaúcho, sendo 16 da região de Santa Rosa e dez da região de Ijuí. Aos agricultores familiares, será oferecido serviço gratuito e intensivo, uma vez que o trabalho será desenvolvido por meio da Chamada Pública nº 10/2012, no lote 44, proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A ideia é implementar melhorias nas propriedades e na qualidade de vida das mais de 4,9 mil famílias atendidas pela proposta. Neste primeiro estágio, já foram selecionadas as famílias beneficiadas e estão sendo realizadas reuniões para apresentação da proposta e levantamento de dados para posterior diagnóstico, planejamento e implan- tação de projetos individuais e comunitários, que visam ao desenvolvimento rural de modo sustentável. Para atender os diferentes eixos da proposta, os extensionistas envolvidos recebem capacitações periódicas. “Foram duas capacitações realizadas na pré-chamada, levando em conta a proposta técnica e a reflexão sobre o processo participativo e o tema da sustentabilidade. Também foram discutidas a seleção das famílias, o diagnóstico e o pós-diagnóstico, levando em conta os projetos comunitários e os individuais”, afirmou o coordenador da Chamada Pública na região de Ijuí, João Schommer. Será realizada mais uma capacitação sobre as próximas etapas e, de modo especial, sobre gênero e juventude rural. A preocupação com o cerne da família São diversos os temas transversais que serão levados em conta ao longo do desenvolvimento da proposta técnica da Chamada Pública, entre eles, gênero e juventude rural. Por esse motivo, convidados especiais participaram da última reunião. A assistente técnica estadual da Emater/RS-Ascar em Juventude Rural, Vera Carvalho, destacou que um dos problemas da sucessão familiar rural é o modelo produtivo e o papel que os jovens ocupam na propriedade. Este mesmo anseio foi apresentado pelo pesquisador da área socioeconômica da Embrapa Pecuária Sul, Jorge Sant’Anna. Segundo ele, o problema da sucessão é de toda a sociedade, uma vez que a agricultura familiar é essencial para a produção de alimentos do mercado interno. Neste sentido, as relações familiares podem ser decisivas para a permanência ou saída do jovem da propriedade. “O pai, por vezes, é um patrão terrível. O filho trabalha e não recebe salário, precisa ‘mendigar’ por um dinheirinho quando quer sair no final de semana. Aprende uma coisa nova que julgou interessante e quer implementar na propriedade, e o pai não deixa. Aí as empresas urbanas se interessam por aquele jovem, que pode ser um trabalhador dócil, e o levam para trabalhar na cidade”. Além disso, a juventude é atraída por outro fator, que é o consumo, diante das inúmeras tecnologias oferecidas nos grandes centros. “Muitas vezes a família tem um projeto de ascensão que acredita que o melhor para o jovem é a saída do meio rural. Neste caso, é preciso manter a propriedade como alternativa para que se o trabalho na cidade não der certo, ele possa retornar”, acrescentou Sant’Anna. Neste sentido, o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Gilmar Vione, lembrou que, muitas vezes, “quando a família coloca o retorno financeiro na ponta do lápis, o jovem retorna. Até porque, quando o jovem vai até a propriedade no final de semana, retorna para a cidade cheio de alimentos, produzidos pelos pais, que na cidade não é ofertada”. O coordenador da Chamada Pública na região de Santa Rosa, Ivar Kreutz, destaca a importância dos desejos da família estarem no centro do debate. “É preciso compreender e atender ao anseio de todos. São necessárias novas perguntas e novas respostas, levando em conta o conhecimento já acumulado na propriedade”. Neste contexto, a mulher exerce um papel importante, enquanto produtora de alimentos, e na construção de decisões e estratégias produtivas e sociais da família. É por isso que seu papel no contexto familiar e comunitário será evidenciado em diferentes momentos. Paraíba Paraíba terá mais R$ 10 milhões para enfrentamento da estiagem O governo do Estado do dia 30 de agosto. conseguiu a liberação de de o primeiro semestre está em execução doan- nicípios do Estado, com estiagem continua crítica Os recursos adicionais de 2012. No programa do 8.330 mil toneladas, investimento total de R$ no Sertão, Cariri e Curiaproximadamente mos que as chuvas que caíram até então não foram mais R$10 milhões junto serão utilizados nos pro- de distribuição de ração com um investimento 22.892.000,00, que bene- mataú do Estado, e sabeao Ministério da Integra- gramas de abastecimento animal, foram adquiridas R$ 2.998.000,00 contri- ficia tinuidade das ações de -pipa e distribuição de ra- das, de agosto de 2012 te com a sobrevivência socorro, assistência e res- ção animal desenvolvidos a junho deste ano, com do rebanho do Estado. tabelecimento de serviços pela Secretaria de Esta- um investimento de R$ essenciais para as vítimas do da Infraestrutura por 9.110.000,00, autorização do empenho dual. dos recursos foi publicada no Diário Oficial da União com esse objetivo desção Nacional para con- de água através de carros- e doadas 29 mil tonela- buindo significativamen- 353 mil pessoas. De acordo com o se- suficientes para recarrecretário de Estado de gar os mananciais, porEfraim tanto, vamos garantir o Já o programa de dis- Infraestrutura, benefi- tribuição de água através Morais, os programas abastecimento por meio da estiagem no Estado. A meio da Defesa Civil Esta- ciando cerca de 45 mil de carros-pipa, iniciado desenvolvidos hoje pela de carros-pipa e entrega produtores rurais de 120 em julho de 2012, pos- SEIE e Defesa Civil terão de ração animal enquansui hoje 505 carros dis- continuidade em todo to persistir o período de programa tribuídos em 155 mu- período de estiagem. “A estiagem”, destacou. Hoje o O governo trabalha municípios.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 11 Sindical AEROVIÁRIOS - SP Aeroviários de São Paulo, força total no dia nacional de lutas Cumprindo a sua histórica tradição de participar de todas as lutas da classe trabalhadora brasileira, o SAESP esteve presente no dia nacional de lutas, convocado pela FORÇA SINDICAL e demais centrais, conclamando toda a categoria aeroviária ao engajamento nas reivindicações gerais, envolvendo: fim do fator previdenciário; jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial; reajuste digno para os aposentados; mais investimentos em saúde, educação e segurança; transporte público de qualidade; fim do projeto de lei 4330 –que amplia a terceirização; reforma agrária e fim dos leilões do petróleo. Além das bandeiras gerais de lutas, o SAESP abordou temas específicos da categoria aeroviária, destacando-se o protesto contra as demissões em massa da TAM; a exigência dos pagamentos dos adicionais de insalubridade e de periculosidade; o combate ao assédio moral; a exigência do pagamento de PPR; o registro do apoio e solidariedade aos aposentados e pensionistas do AEROS E AERUS e a reestruturação do setor de transportes aéreos no Brasil. É sempre bom lembrar que em 2014 será realizada a Copa do Mundo, estando previsto um enorme fluxo de turistas para o Brasil, que intensificará, ainda mais, a procura pelas viagens aéreas. O governo federal destinou verbas vultosas para a reforma de vários aeroportos e as empresas aéreas cada vez mais exigem o esforço profissional dos trabalhadores da aviação. A movimentação do lado patronal tem sido intensa, principalmente em relação a investimentos, tais como aquisição de empresas, encomenda de novas aeronaves, desenvolvimento tecnológico, etc. O problema é que quando o assunto é remunerar condignamente os trabalhadores, as empresas recorrem à conversa mole de que estão em crise. É preciso mudar o disco, pois passou da hora dos aeroviários serem reconhecidos pela forma altamente profissional com que desempenham a suas atividades, sendo merecedores de melhores salários e condições dignas de trabalho! Este cenário motivou uma ampla mobilização da categoria, que respondeu à convocação do sindicato e da FORÇA SINDICAL, resultando em manifestações e paralisações ocorridas no Aeroporto de Congonhas e no Aeroporto de Viracopos. Em ambos os casos, sempre contando com amplo apoio da FORÇA SINDICAL, os aeroviários de São Paulo deram uma pré-largada na campanha salarial que se avizinha, deixando claro que não cairá nos famosos “contos do vigário”, aos quais as empresas aéreas teimam em recorrer. “O SAESP deixou claro para os trabalhadores que a COPA DO MUNDO COMEÇARÁ PELOS AEROPORTOS e que o sucesso do evento dependerá dos seus esforços laborais, cada vez mais exigidos pelas empresas”, afirma Mandú, presidente do SAESP. Os trabalhadores da aviação conhecem muito bem como as empresas do setor atuam para atingir os seus objetivos: alegam falsas crises, ameaçam com demissões, criam formas alternativas para efetivá-las, como os casos de licenças não remuneradas, planos de demissões voluntárias e, finalmente, sem obedecer aos critérios estabelecidos em convenção coletiva de trabalho, executam aqueles que um dia foram chamados de “colaboradores”. Tais situações são provocadas sempre às vésperas das campanhas salariais, visando colocar os trabalhadores numa posição defensiva diante das intimidações. O SAESP sabe que time que entra em campo para se defender, acaba perdendo o jogo. Neste cenário é que o SAESP, membro ativo da FORÇA SINDICAL, traça um esquema tático para a categoria aeroviária ir para o ataque sem medo de ser feliz, convicto de que este é o grande momento para exigir melhores salários e condições de trabalho, pois os grandes investimentos em infraestrutura aeroportuária e nos transportes aéreos terão de contemplar o fator humano e o seu lado profissional. “A COPA DO MUNDO COMEÇARÁ PELOS AEROPORTOS” Brasil Sancionada lei que destina royalties do petróleo para Saúde e Educação Os recursos serão aplicados progressivamente. O primeiro repasse, de R$ 770 milhões, deverá ser feito ainda em 2013; chegando a R$ 19,96 bilhões, em 2022; e ao total de R$ 112,25 bilhões, em dez anos A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou sem vetos dia 9, no Palácio do Planalto, o texto do projeto que destina 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para educação. O documento determina ainda que 25% dos royalties devem ser usados para a pasta de saúde. A saúde pública deve receber R$ 83 bilhões em recursos ainda em 2013. O projeto foi aprovado na Câmara em 14 de agosto, depois de ter sido votado no Senado. O texto assinado pela presidenta é o mesmo aprovado nesta data pelo Congresso Nacional. Os recursos serão aplicados progressivamente – 75% dos valores para a educação e 25% para a saúde. O primeiro repasse, de R$ 770 milhões, deverá ser feito ainda em 2013; chegando a R$ 19,96 bilhões, em 2022; e ao total de R$ 112,25 bilhões, em dez anos. Com relação ao Fundo Social do pré-sal, o texto prevê que 50% dos recursos sejam destinados para a educação, até que sejam atingidas as metas do Plano Nacional de Educação (PNE); e para a saúde. Conforme regulamentação posterior, o fluxo de dinheiro do Fundo para as duas áreas será diminuído. A sanção foi baseada nos artigos da Constituição Federal, que definem que educação e saúde são direitos de todos os brasileiros e dever do Estado. Em seu discurso a presidenta Dilma reiterou o embasamento e destacou a importância dos investimentos. “É um investimento que precisa ser feito. Sem concentração de recursos não há investimento futuro e esses recursos estão sendo investidos para o futuro do povo brasileiro”, discursou. Plano Nacional de Educação Atualmente, o investimento total do Brasil na educação pública corresponde a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O projeto de lei que cria o novo PNE, já aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado Federal, inclui uma meta para que o percentual de investimento na área seja ampliado para 10% do PIB. Pelo projeto, a expectativa é que, em até 15 anos, os rendimentos obtidos pelo fundo sejam suficientes para cumprir as metas do PNE e da saúde. A mudança, no entanto, vale apenas para os novos contratos da União. Os campos em atividade, que permaneceram controlados pelos governos estaduais, ficaram fora da proposta. Dilma explicou que os recursos do pré-sal para a educação chegarão a R$ 112 bilhões em dez anos. “Começam com R$ 1,4 bilhão em 2014, devem saltar para R$ 3 bilhões em 2015 e para R$ 6 bilhões em 2016, chegando a R$ 13 bilhões em 2018”, disse. Royalties Royalties é uma palavra de origem inglesa que se refere a uma importância cobrada pelo proprietário de uma patente de produto, processo de produção, marca, entre outros, ou pelo autor de uma obra, para permitir seu uso ou comercialização. No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade. O valor arrecadado fica com o poder público. Ituiutaba-MG Ituiutaba sediou Audiência Pública para discutir a criação de uma Região Metropolitana A cidade de Ituiutaba sediou, nesta, dia 2 de setembro, na Câmara Municipal de Vereadores, uma importante Audiência Pública, onde foi discutido a criação de uma Região Metropolitana do Triângulo e Alto Paranaíba. De acordo com o Projeto de Lei Complementar, 66 municípios vão fazer parte da Região Metropolitana, que é uma proposta da deputada Estadual, Liza Prado, e tem o objetivo de facilitar investimentos e unir interesses econômicos e políticos, buscando viabilizar projetos para beneficiar as cidades da região. Participaram da reunião, que foi presidida pela Deputado Estadual, Romél Anízio, os deputados Estaduais, Zé Maia, Liza Prado, Elismar Prado, e o deputado Federal Weliton Prado, além de representantes de diversas cidades que compõem a micro região.

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Venezuela Mundo O ex-presidente Hugo Chávez, que morreu em março, governou durante vários meses sob amparo de leis conhecidas como “habilitantes”, que permitiam a ele baixar decretos sem a necessidade de aprovação pela Assembleia Nacional. Desde que tomou posse IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 12 Nicolás Maduro pedirá poderes especiais para combater corrupção na Venezuela O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na segunda-feira que vai buscar a aprovação de uma lei que lhe conceda poderes especiais e permita governar por decreto para tentar combater a corrupção que tem afetado a sua popularidade. há quatro meses, Maduro tem liderado uma “guerra contra a corrupção”, em que 50 pessoas foram detidas nas última duas semanas. No entanto, nenhum ministro ou alto dirigente do partido governista foi detido até o momento. Com a popularidade atingida pela alta inflação, o crime e a escassez de produtos, o sucessor de Chávez busca adotar a bandeira da luta contra a corrupção após uma apertada vitória na eleição de abril. - Vou convocar uma emergência nacional na luta contra a corrupção e vou pedir poderes especiais para adotar um processo de reforma das leis e de mudança da institucionalidade – disse Maduro, em uma cerimônia pública transmitida em cadeia nacional de rádio e TV. - Se é necessário mudar todas as leis para enfrentar a corrupção, irei fazer – acrescentou o presidente, de 50 anos. Para conseguir uma lei habilitante, o governista precisa de três quintos do Parlamento, ou 99 deputados, e atualmente o governo conta com 98 parlamentares. Irã Rouhani assume Presidência do Irã e trabalha para suspender sanções ao país Durante o discurso de posse no parlamento dia 1 de setembro, o presidente eleito do Irã, Hassan Rouhani, pediu ao países ocidentais que derrubem as sanções econômicas e políticas ao país. O Irã enfrenta sanções impostas por países como os Estados Unidos desde a Revolução de 1979, mas estas barreiras se tornaram ainda mais intensas depois que o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad reiniciou o programa nuclear do país, o que fez a ONU aprovar um pacote que impôs novas restrições a partir de 2006. Durante seu pronunciamento ao parlamento na capital Teerã, Rouhani disse que: “se você quer uma reposta adequada, você não deveria falar a linguagem das sanções, mas sim a linguagem do respeito”. O novo líder do Irã já nominou seu gabinete de governo, que inclui como ministro das relações exteriores o ex-membro representativo da ONU no país, Mohammad Javad Zarif, considerado moderado. A Casa Branca se pronunciou dizendo que o Irã poderia ser um “possível parceiro” se o país “se engajar seriamente” com suas obrigações internacionais. – A todos que votaram, para mim ou para outra pessoa, ou mesmo os que não votaram, todos vocês são cidadãos iranianos e possuem direitos de cidadania –disse. Diálogo Rouhani disse ao parlamento que vai oferecer uma oportunidade de diálogo com o resto do mundo, incluindo o ocidente. Ele disse que deveria haver mais “transparência” de ambos os lados. Desde 2002, o ocidente tem acusado o Irã justamente pela falta de transparência sobre o programa nuclear do país –a questão causadora das sanções. As palavras do novo presidente do Irã devem ser bem recebidas pelos governos ocidentais. O presidente ainda falou diretamente ao seu eleitorado, ressaltando “a todos que votaram, para mim ou para outra pessoa, ou mesmo os que não votaram, todos vocês são cidadãos iranianos e possuem direitos de cidadania”. Ele disse que ainda que as pessoas votaram “sim” para a “moderação e esperança”. O presidente eleito também disse que vai atuar na recuperação da economia do país, que possui um inflação anual de 40%. A maioria dos especialistas dizem que a economia foi mal conduzida no governo de Mahmoud Ahmadinejad. Eles ressaltam que o cenário econômico certamente piorou ainda mais quando as sanções do ocidente não permitiram mais que o Irã vendesse petróleo, seu principal item de exportação. ainda continua nas mãos do líder religioso Ayatollah Ali Khamenei. A agência iraniana de notícias Irna confirmou que 11 presidentes estrangeiros estavam entre os que assistiram Rouhani assumir o cargo. Dentre as presenças estrangeiras, destaca-se o oficial sênior da Coréia do Norte, Kim Yong-nam, que teve encontro oficial com Rouhani no dia 31 de agosto. Irã e Coréia do Norte têm fortes laços e enfrenKhamenei Ainda que Hassan Rou- tam o mesmo tipo de sanhani seja o presidente de- ções ocidentais por causa pois de vencer as eleições, de seus programas nucleo poder supremo do país ares. Mercosul Paraguai deixa em aberto volta ao Mercosul Líderes sul-americanos viajam a Assunção dispostos a convencer paraguaios a retornarem ao bloco, mas restrições de Horácio Cartes em relação à Venezuela ameaçam prolongar impasse e mal-estar entre países-membros. Horácio Cartes tomou posse dia 15 de agosto como presidente do Paraguai com perspectivas de melhorar a relação bilateral com os vizinhos, abalada desde o impeachment de Fernando Lugo, em 2012. Um retorno ao Mercosul, no entanto, é ainda incerto, assim como a normalização da relação com a Venezuela, hoje na presidência temporária do bloco. O Paraguai está suspenso do Mercosul desde junho do ano passado, quando o impeachment, qualificado como golpe pelos países-membros, tirou Lugo do poder. A manobra possibilitou a entrada da Venezuela, que vinha sendo seguidamente rejeitada pelo Senado paraguaio. A postura de Cartes continua sendo a mesma sustentada desde então pelos políticos de seu partido, o Colorado: a entrada da Venezuela não se ajusta aos tratados internacionais firmados pelos fundadores do bloco. E, por isso, ele afirma que, embora a suspensão tenha fim com a sua posse, o Paraguai só voltará ao Mercosul quando o país comandado por Nicolás Maduro deixar a presidência rotativa. – O Paraguai atuará para maximizar o seu poder dentro do bloco, utilizando todos os fatores possíveis a seu favor, inclusive esse da entrada da Venezuela – afirma a cientista política Maria Izabel Mallmann, da PUC-RS. “Golpe por golpe, a entrada da Venezuela também pode ser interpretada pelo Paraguai como um golpe.” A expectativa é de que Cartes promova uma gradual aproximação com os parceiros do Mercosul, importantes para a economia paraguaia. O processo deve ser conduzido de forma lenta e sem estardalhaço. No dia 15 de agosto, ele teve reuniões com os presidentes de Brasil, Argentina e Uruguai, que devem tentar convencê-lo a voltar ao bloco. – Cedo ou tarde, Cartes vai negociar a adesão da Venezuela com o Senado paraguaio e promover a normalização das relações com a Venezuela –aposta o professor de Relações Internacionais Antonio Jorge Ramalho, da UnB. Flerte com a Aliança do Pacífico Durante o isolamento que sofreu por parte do Mercosul, o Paraguai, presidido interinamente por Federico Franco, foi incluído como membro observador da Aliança do Pacífico –bloco formado por Chile, Colômbia, México e Peru. Os quatro países somam 206 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 2 trilhões de dólares, o equivalente a 35% de toda a riqueza da América Latina e mais de 55% das exportações da região. O dinamismo do novo bloco econômico, que pretende zerar a tarifa de importação de todos os produtos em cinco anos, impõe uma dura concorrência ao Mercosul, ainda minado, mesmo 20 anos após sua fundação, por conflitos comerciais entre seus membros. – Enquanto a institucionalização do Mercosul é muito lenta, outros países fazem seus blocos com uma rapidez fantástica. A Aliança do Pacífico já tem um volume de comércio equivalente às exportações do Brasil, o que não é algo desprezível –diz o economista Evaldo Alves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mesmo assim, alguns especialistas acreditam que o Paraguai não iria trocar o Mercosul pela Aliança do Pacífico. A estrutura econômica do país, segundo eles, está muito mais vinculada ao Brasil e à Argentina do que a qualquer outro país latino-americano. – Muito difícil isso acontecer. Pode ser que seja membro observador da Aliança do Pacífico, mas deixar de ser parte do Mercosul é dar um tiro no próprio pé –opina Ramalho. Imagem desgastada Para alguns analistas, o conflito entre Paraguai e Venezuela mostra as diferenças quanto aos projetos políticos e econômicos de cada país-membro do Mercosul e pode, ao mesmo tempo, colocar em xeque sua credibilidade externa como união aduaneira e possível parceiro de outros blocos, como a União Europeia. – O conflito entre Venezuela e Paraguai somente torna mais evidente as falências institucionais tanto a nível interno como regional do bloco –afirma Ana Soliz Landivar, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo. “A credibilidade do Mercosul não está em risco com este caso, ele só mostra um problema mais profundo do bloco: a falta de consistência institucional, já que nunca chegou a ser um mercado comum nem sequer uma zona de livre comércio.” Mesmo com problemas dentro do Mercosul, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, diz que o processo de negociação de um acordo comercial com a União Europeia está avançado e que, com vontade política, poderá ser concluído em um ano ou pouco mais. – Dificilmente essa expectativa será confirmada –afirma Mallmann, que vai além: “O acordo entre os dois blocos não se concretizará. O Mercosul não se viabilizou como um interlocutor coletivo de fato, não possui coesão interna, o que o torna um ‘bloco frouxo’, e não possui uma liderança legítima para levar adiante negociações externas. Já a União Europeia passa por uma profunda crise, o que retira suporte político para negociações externas.” Segundo fontes diplomáticas, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o evento em Assunção para tentar convencer o Paraguai a voltar imediatamente ao Mercosul. A expectativa brasileira é que, uma vez que esteja na presidência, Cartes deixe de lado a retórica agressiva adotada por seu partido e seu antecessor e renegocie o retorno ao bloco.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 13 “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.” Ciência Friedrich Nietzsche Pesquisa identifica mutações que dão origem a câncer Cientistas anunciaram o que dizem ser um novo marco na pesquisa do câncer, após identificarem 21 mutações que estariam por trás da maioria dos tumores. O estudo, que foi divulgado na revista Nature, afirma que estas modificações do código genético são responsáveis por 97% dos 30 tipos mais comuns de câncer. Descobrir o que causa as mutações pode levar à criação de novos tratamentos. Algumas dessas causas, como o hábito de fumar, já são conhecidas, mas mais da metade delas ainda são um mistério. Durante o período de uma vida, células desenvolvem uma série de mutações que podem vir a transformá-las em tumores letais Os pesquisadores, lideque crescem incontrolavel- rados pelo Instituto Sanger, do Reino Unido, procuramente. ram por mais exemplos destas “assinaturas” em 7.042 Origens do câncer A equipe internacional amostras tiradas dos 30 tide pesquisadores estava pos mais comuns de câncer. Eles descobriram que procurando as causas das mutações como parte da 21 marcas diferentes eram maior análise já feita sobre responsáveis por 97% das o genoma do câncer. mutações que causavam os As causas mais conheci- tumores. das de mudanças no DNA, – Estou muito animado. como a superexposição aos Esses padrões, essas assiraios UV e o hábito de fu- naturas, estão escondidos mar, aumentam as chances no genoma do câncer e nos dizem o que está realmende desenvolver a doença. Mas cada uma delas te causando o câncer em deixa também uma marca primeiro lugar é uma comúnica uma espécie de assi- preensão muito importannatura que mostra se foi o te –disse Sir Mike Stratton, fumo ou a radiação UV, por diretor do Instituto Sanger, exemplo, o responsável pela à BBC. – É uma conquista sigmutação. nificativa para a pesquisa sobre câncer, é bastante profundo. Está nos levando a áreas do desconhecido que não sabíamos que existiam. Acho que este é um grande marco. Mistérios Outras marcas encontradas no genoma do câncer estavam relacionadas com o processo de envelhecimento e com o sistema imunológico do corpo. As células respondem a infecções virais ativando uma classe se enzimas que modificam os vírus até que eles não funcionem mais. – Acreditamos que quando ela (a célula) faz isso, há efeitos colaterais seu próprio genoma se modifica também e ela fica muito mais propensa a se tornar uma célula cancerígena, já que tem uma série de mutações é uma espada de dois gumes –diz Stratton. No entanto, doze dessas marcas genéticas encontradas no genoma do câncer ainda estão sem explicação. Espera-se que se algumas delas puderem ser atribuídas a fatores ambientais, novas formas de prevenir a doença possam ser desenvolvidas. As dúvidas também podem fomentar novas pesquisas. Uma das causas desconhecidas das mutações cancerígenas acontece no neuroblastoma, um câncer em células nervosas que normalmente afeta crianças. – Sabemos que fatores ambientais como o fumo e a superexposição aos raios UV podem causar modificações no DNA que podem levar ao câncer, mas em muitos casos nós não sabemos o que provoca as falhas no DNA –afirmou o professor Nic Jones, da instituição britânica voltada para pesquisa do câncer Cancer Research UK. – As marcas genéticas encontradas nesse estudo fascinante e importante identificam muitos processos novos por trás do desenvolvimento do câncer. De acordo com Jones, entender o que causa esses processos pode levar a novas maneiras de prevenir e tratar a doença. Lazer Culinária Pudim de choolate INGREDIENTES • 1 lata de leite condensado • 1 e ½ medida da lata de leite condensado de leite integral • 3 ovos • 1 tablete de chocolate meio-amargo (170gr) MODO DE PREPARO o leite condensado com o leite integral. Bater os ovos e adicionar a mistura anterior. Coar e reservar. Caramelo: Colocar o açúcar numa panela e adicionar uma quantidade de água suficiente para molhá-lo. Cozinhar até virar um caramelo e colocar numa forma de pudim (18cm de diâmetro). Horóscopo 21/03 a 19/04 Alegria, alegria... Sorria! A vida é bela. Só lhe resta vivê-la. Energize-se com o Sol. Aproveite as boas novas da vida. Tudo conspira para dar certo pra você. Pensamento posivo sempre. A força do universo o conduz. Confie mais. 20/04 a 20/05 21/05 a 21/06 Cozimento: Adicionar a base do pudim a forma com carameRalar o chocolate e adicionar leite lo e cozinhar em banho-maria no forno a 150˚C quente para derretê-lo, formando por aproximadamente 1 a 1 hora e meia ou até o uma mistura homogênea. Misturar centro do pudim estar firme. Fonte: http://culinaria.terra.com.br/receitas/chef/chef-ensina-a-fazer-pudim-de-chocolate,ca61165e7c3f0410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html 22/06 a 22/07 Humor Quem inventou o amor, me explica por favor 23/07 a 22/08 23/08 a 22/09 Ouça os cantos dos passarinhos. Caminhe na relva, dance, cante!... Seja feliz. Curta a vida. A vida é curta. Um sorriso bate à sua porta. Deixe-o entrar. Àquele sonho que há muito deseja... Está prestes a se realizar. Felicidade sim! O amor tudo conquista. Acredite! 23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 22/11 a 21/12 22/12 a 19/01 Fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/1133-quem-inventou-o-amor-me-explica-por-favor-7/ 20/01 a 18/02 Boas emoções, bons sentimentos geram mais harmonia. Ame a vida, as coisas e as coisas. Há um caminho traçado para cada um. Às vezes a intuição nos diz coisas que não acreditamos. Mas tá escrito! “Logo que, numa inovação, nos mostram alguma coisa de antigo, ficamos sossegados.” Friedrich Nietzsche 19/02 a 20/03

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Geral São Paulo-SP A cidade de São Paulo atingiu dia 9 a marca de 150 quilômetros de faixas exclusivas implantadas desde o início do ano. Em oito meses de gestão, a prefeitura concluiu a meta inicial de novas vias prevista no Programa de Metas 2013-2016 para os quatro anos de governo. Por determinação do prefeito Fernando Haddad, essa meta foi ampliada e entrarão em operação mais 70 km de faixas, somando um total de 220 km até o final de 2013. Por meio da Operação Dá Licença para o Ônibus, foram inaugurados sete novos trechos de vias destinadas a aumentar a velocidade do transporte coletivo nas zonas Sul e Leste da Capital, somando 9,9 km de extensão. Foram implantadas faixas nas avenidas Ragueb Chofi, Amador Bueno e Nordestina, na Zona Leste, nas ruas Pedro de Toledo, Clímaco Barbosa e na avenida Dom Pedro, na Zona Sul. A avenida Imirim também ganhou um novo trecho de faixas. Zona Leste A avenida Ragueb Chofi ganhou 3,5 km de faixas exclusivas à direita, no trecho entre a avenida Aricanduva e a rua Bento Guelfi. A via funciona de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h, e das 17h às 20h, em ambos os sentidos. No sentido Centro da Ragueb Chofi, no trecho entre a Bento Guelfi e a Jacu Pêssego, circulam 24 linhas de ônibus, transportando 225.006 passageiros por dia. No trecho entre a Jacu Pêssego e a Aricanduva, no mesmo sentido, circulam 23 linhas, transportando 215.408 passageiros. No sentido bairro, entre a IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 14 São Paulo implementa 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus Com a criação de sete novas faixas dia 9, a Prefeitura atingiu a meta inicial de implantar 150 km de faixas exclusivas prevista no Programa de Metas 2013-2016 Aricanduva e a Jacu Pêssego, circulam 23 linhas que transportam 215.408 usuários. Entre a Jacu Pêssego e a Bento Guelfi, circulam 22 itinerários com 223.487 passageiros por dia útil. A avenida Amador Bueno da Veiga, na Penha, ganhou 1,3 km de faixa exclusiva à direita de segunda a sexta-feira, no sentido Centro, das 6h às 9h, e no sentido Bairro, das 17h às 20h. No sentido Centro, a faixa é operada entre avenida São Miguel e a rua Enéas de Barros e em direção ao bairro, entre a praça Micaela Vieira até a rua Francisco Coimbra e entre a ruas Embiruçu e a Evans. Pela via circulam 33 linhas de ônibus que beneficiam 193.391 passageiros. Na avenida Nordestina foram implantados 1,2 km de faixas à direita, distribuídos em dois trechos distintos com 600 metros de extensão cada um. No sentido Guaianazes, a via exclusiva vai da Praça do Forró até a avenida Pires do Rio e depois, entre as ruas Coleirinha e Manuel da Silva Leão. No sentido Marechal Tito, é operada da Manuel Silva até a Coleirinha. A exclusividade vale de segunda a sexta-feira das 17h às 20h no sentido Guaianazes e das 6h às 9h no sentido Marechal Tito. Zona Sul Na Vila Mariana, foram inauguradas 500 metros de faixas exclusivas na rua Pedro de Toledo, entre a rua dos Otonis e a avenida Professor Ascendino Reis. A via funciona das 6h às 22h de segunda a sexta-feira. Na Pedro de Toledo, sentido Bairro circulam 14 linhas, transportando aproximadamente 232.822 passageiros por dia. Na rua Clímaco Barbosa, no Cambuci, entraram em operação mais 1,1 km de faixa exclusiva à direita entre a rua da Independência e o Largo do Cambuci. A exclusividade vale de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h. No fim do mês passado, a região já havia ganhado 2,2 km de faixas nas ruas Lavapés e Independência. Pela Clímaco Barbosa circulam 17 linhas de ônibus, que beneficiam 158.206 passageiros diariamente. Próximo dessa região, foram implantados mais 900 metros de faixas exclusivas à direita na avenida Dom Pedro I, no Ipiranga, no trecho entre a Rua da Independência e a Mariano Procópio, em ambos os sentidos. Os ônibus têm exclusividade de segunda a sexta-feira das 6h às 9h no sentido Centro e das 17h às 20h no Bairro. No local, circulam 14 linhas no sentido Centro, transportando 110.954 passageiros por dia no pico Manhã. Já no pico Tarde, em direção ao bairro, passam 10 linhas de ônibus com 74.959 usuários diariamente. Zona Norte Na avenida Imirim foram implantados 1,4 km de faixa exclusiva para ônibus, no trecho entre a rua Quirinópolis e a Praça Lions Clube, na avenida João Marcelino Branco. A nova faixa funciona de segunda a sexta-feira, no sentido Centro, das 6h às 9h e no sentido Bairro, das 17h às 20h. No sentido Centro, circulam 14 linhas de ônibus, que transportam 142.353 passageiros por dia e no sentido contrário, circulam 11 linhas que transportam 123.081 pessoas diariamente.

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IMPRENSA SINDICAL | 15 DE SETEMBRO A 15 DE OUTUBRO/2013 | PÁGINA 15 Política Reforma política Sociedade civil duvida se Congresso será capaz de votar reforma política Sob a descrença de movimentos sociais, os deputados que fazem parte do grupo de trabalho da reforma política da Câmara terão o desafio de chegar a um texto que concilie os interesses dentro e fora do Congresso. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) questiona o sucesso da discussão do tema no Congresso. – Há um pessimismo sobre o que este Congresso pode produzir sobre reforma política –disse o advogado especialista em direito eleitoral do MCCE, Luciano Santos. Para ele, até agora, todas as vezes que deputados e senadores se movimentaram “foi para retroceder, facilitar a vida de quem hoje já detém mandato”. O advogado lembrou que a mais recente comissão fracassada sobre o tema, que teve como relator do deputado gaúcho Henrique Fontana (PT), trabalhou por mais de dois anos. A proposta foi engavetada antes de ser votada em plenário. – Foi gasto muito dinheiro nisso, a comissão realizou audiências públicas em todo o país –disse. Hoje o projeto (PL 5735/13) que serve de base para a discussão do novo grupo que trata do assunto tem vários pontos polêmicos como o que autoriza candidatura de quem teve as contas rejeitadas pela Justiça Eleitoral. Ainda pela proposta, as despesas pessoais do candidato, como deslocamento em automóvel próprio, remuneração de motorista particular, alimentação, hospedagem e chamadas telefônicas de até três linhas registradas no nome do candidato não precisarão ser comprovadas na prestação de contas. Na avaliação de movimentos que militam nessa causa, a única alternativa viável para uma verdadeira reforma política é a aprovação de um projeto de iniciativa popular. Duas propostas estão em fase de recolhimento de assinaturas. A do MCCE batizada de eleições limpas, sugere em um dos pontos a adoção do sistema eleitoral em dois turnos para o legislativo. “No primeiro turno o eleitor votaria só na plataforma do partido e no segundo turno escolheria que candidato deveria executar o plano”, explicou Luciano Santos. A outra proposta, elaborada pela Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político propõe um texto mais amplo que do MCCE: propõe que determinados temas como, por exemplo, aumento dos salários dos parlamentares, grandes obras e privatizações, só possam ser decididos pelo povo por meio de plebiscito e referendo. Para que um projeto de iniciativa popular seja apresentado ao Congresso é necessário que ele venha avalizado por 1,5 milhão de assinaturas. Para que as novas regras tenham validade nas eleições de 2014, o texto teria de ser votado pelo Congresso e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff até o dia 3 de outubro. A dois meses do fim desse prazo representantes dos movimentos reconhecem que as chances são pequenas. Na avaliação da Plataforma dos Movimentos Sociais apesar de chamar de reforma política, o Congresso até hoje só propôs mudanças restritas à questão eleitoral. – O Congresso nunca aceitou, por exemplo, o fortalecimento de mecanismos democráticos de participação popular. Uma proposta de reforma política tem que pensar numa melhor representação dos grupos: mulheres, negros, indígenas e homoafetivos –ressaltou José Antônio Moroni, membro da Plataforma. Na tentativa de mostrar transparência e disposição de ouvir a sociedade foi lançada dentro do portal da Câmara dos Deputados, uma comunidade virtual para discutir o tema. A ferramenta já teve mais de 16 mil acessos. O financiamento de campanha e sistema eleitoral são os assuntos que mais despertaram interesse até agora. Sobre financiamento de campanha, Geraldo César Rodrigues, participante de um dos fóruns, defendeu que ele passe a ser exclusivamente público. “Doações podem sugerir sutilmente tráfico de influência e troca de favores –ou intenções de favorecimento– no meio político”. Para ele, campanhas eleitorais financiadas exclusivamente com recursos públicos inibem essas práticas. – Penso que não se deva proibir a doação de pessoas físicas. Foi com base nessas doações que Obama se elegeu. O que é preciso é estabelecer limites. Além disso, a doação de pessoas físicas pressupõe a participação efetiva do cidadão que puder contribuir. O financiamento exclusivo não impede a existência de caixa-dois pelos candidatos poderosos –avaliou outro participante, Claudionor Rocha. Para a coordenadora da Frente Parlamentar pela Reforma Política com Participação Popular, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), o canal virtual que foi aberto para receber sugestões da sociedade não supre a necessidade de novos debates com a sociedade. Ela acredita que a proposta em discussão é um grande retrocesso para o país já que estimula o abuso do poder econômico e flexibiliza a Lei da Ficha Limpa. Ainda segundo a deputada, os protestos de junho, realizados em várias cidades brasileiras, não explicitaram com força a necessidade de realização de uma reforma política no país. Erundina lembrou ainda que na legislatura passada, a Frente apresentou uma proposta que nem sequer chegou a ser votada na Comissão de Legislação Participativa da Câmara. – Na verdade não há vontade política. O Congresso não vai dar uma resposta a todo esse marco legal que está obsoleto. Lamentavelmente será mais uma frustração que só contribui para desqualificar o poder legislativo –disse. Ex-presidente da Petrobras presta esclarecimentos sobre compra de refinaria A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado ouviu dia 10 o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli. Ele prestou esclarecimentos sobre a compra, em 2006, de uma refinaria em Pasadena, no Estado americano do Texas. O requerimento propondo a audiência pública é do senador Ivo Cassol (PP-RO). No pedido, ele citou informações publicadas pela revista Veja, segundo as quais a Petrobras teria comprado 50% da refinaria em 2006 e os demais 50% alguns anos depois, tendo gastado no total US$ 1,8 bilhão, valor dez vezes superior à oferta que recebeu pela refinaria em dezembro do ano passado. Antes da audiência, o presidente da CMA, senador Blairo Maggi (PR-MT) disse que a comissão ouviu a versão de Gabrielli e, se considerar necessário, dará prosseguimento soli- US$ 700 milhões pela oucitando mais informações tra metade das ações da refinaria. A sócia belga levou sobre o caso. a negociação para a Justiça e o negócio só foi concluíEntenda o Caso Em 2006, a Petrobras do em 2012, com a estatal se tornou sócia da empresa brasileira pagando US$ belga Astra Oil, ao adquirir 820 milhões. por US$ 360 milhões meAo todo, foram pagos tade da Pasadena Refining US$ 1,18 bilhão e a PetroSystem Inc, uma unidade bras é acusada de superde refino de petróleo no faturamento, tendo em estado americano do Te- vista que a Astra Oil havia adquirido a refinaria sete xas. Em 2008, desentendi- anos antes por US$ 42,5 mentos na sociedade leva- milhões. Conforme a Petrobras, ram a Petrobrás a oferecer os preços pagos se justificam por mudanças no mercado de petróleo, após a crise na economia mundial, em 2008, e por determinação judicial decorrente de processo movido pela sócia belga. A disputa foi motivada por divergências quanto a planos de ampliar a refinaria e a Astra Oil buscou cumprimento de cláusula contratual, que obrigava a estatal brasileira a comprar a parte da sócia. Em junho deste ano, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro iniciou investigação para apurar indício de superfaturamento na compra da refinaria, com possível evasão de divisas e peculato (desvio de recursos por funcionário público). O processo, a cargo do procurador Orlando Cunha, segue em sigilo. A operação também é investigada pelo Tribunal de Contas da União, sob a relatoria do ministro José Jorge, conforme informações da assessoria de imprensa do TCU. Sociedade não deve tratar com naturalidade mortes de jovens negros A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse que a sociedade não pode tratar com naturalidade o grande número de mortes de jovens negros no país. Dados publicados pela Agência Brasil em julho deste ano mostram que de 2006 a 2011, a taxa de homicídios de negros aumentou 9%, ao mesmo tempo em que a taxa entre os brancos caiu 13%. Do total de homicídios cometidos no Brasil em 2011, mais de um terço teve como vítimas jovens negros. “Não podemos mais naturalizar essas mortes. Elas têm que ser investigadas, têm que ser punidas. As famílias das vítimas têm que ser mobilizadas no sentido de cobrar cada vez mais do setor público”, disse a ministra, em entrevista à Agência Brasil, no lançamento do programa de capacitação da Petrobras (BR) Distribuidora. Cerca de 26 mil frentistas que trabalham em 4 mil postos de combustíveis serão capacitados para lidar com questões raciais. Segundo a ministra, “é um paradoxo se ter uma violência letal tão grande entre negros”, ao mesmo tempo em que são instituídas várias ações afirmativas para essa população. “Só podemos atribuir isso à permanência do racismo como um fator de desumanização das pessoas negras, fazendo com que a vida de um jovem negro apareça como tendo um valor tão pequeno já que ela está sendo desperdiçada em tão grandes números.” De acordo com os dados, obtidos junto ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, dos 52.198 homicídios ocorridos no Brasil em 2011, 18.387 tiveram como vítimas homens negros entre 15 e 29 anos, ou seja, 35,2% do total.

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