Tribuna de Rio Piracicaba

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Edição Número 226 - Agosto / Setembro de 2013 - Ano XX

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Tribuna de Rio Piracicaba Rio Piracicaba - Agosto / setembro de 2013 - Ano XX, nº 226 - Distribuição Gratuita Dirigida Rafaela Pantuza 9anos! 1 Congado nos 300 anos de Rio Piracicaba Centenas de Congadeiros de toda região e da capital estiveram participando da 256ª Festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Pretos Esse ano foi lançado a idéia de convidar os ex-reis festeiros para participarem da festa. Na foto Reis e Rainhas de anos anteriores junto aos de 2013, Geraldo Magela Dindão e Maria Aparecida Gonçalves Rainha e Rei Festeiro 2014 - Martha Aparecida Ferreira e Luiz de Barros Souza Aderp lança revista Na foto acima os voluntários que, com carinho, amor e dedicação fazem a festa acontecer. Veja o que foi preservado nesses 300 anos de história Páginas 7 A Agência de Desenvolvimento Social de Rio Piracicaba, Aderp, lançou nesse mês a Revista “Descubra Rio Piracicaba” em comemoração aos 300 anos de fundação do lugar. Página 3

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Opinião Agosto / Setembro de 2013 - 2 opinião.2 União Há 256 anos acontece a Festa de Nossa Senhora do Rosário em Rio Piracicaba. Eu, como Rei Festeiro de 2013 - ano que a cidade completaria seu tricentenário - queria fazer algo diferente - uma festa dígna à tradição e a fé em Nossa Senhora do Rosário. Infelizmente, alguns percalços nesse ano não permitiu que dedicasse apenas à festa, sendo quye muitos afezeres ficou para última hora. Entretanto, apesar de acompanhar mais de perto o evento há 20 anos, pela primeira vez, nos bastidores, vi o quão grandioso é o “Reinado”. O envolvimento da comunicade católica é intenso - todo mundo de uma forma ou de outra contribui para com a realização da festa. Essa “máquina” quando colocada para funcionar mostra a força que tem. Com a graça de Nossa Senhora pudemos conhecer essa máquina funcionando em pleno vapor. desenvolvimento comercial e social da cidade; à Polícia Militar que garantiu a segurança e a tranqüilidade durante todo dia de domingo. A todos que deixaram seus afazeres e fizeram coletas de doações nas comunidades; à Copasa, através de Marcelo Varsconcelos que também vem apoiando os eventos esportivos e culturais da cidade. Enfim, a todas as comunidades que participaram da Novena e dedicaram com carinho as co-celebrações. "Gostaria de listar um a um, mas além de correr o risco de esquecewr alguém, de tantos, se for listar tomaria várias páginas, então farei pessoalmente os agradecimentos - aqui resumo apenas em desejar saúde e paz a todos que dedicaram - ao menos um pensamento - em homenagem à Nossa Senhora do Rosário". Durante todos esses anos, apesar de ter uma ótima arrecadação, a cidade não andou muito - e perde para vários municípios vizinhos que não contava com a arrecadação generosa que o minério propicia - como no caso São Domingos do Prata, Dom Silvério, Nova Era, entre outras. Como exemplo de administrações que souberam aproveitar e estão aproveitando a mineração, temos a vizinha São Gonçalo do Rio Abaixo, Catas Altas, Santa Bárbara entre outras. 4º - Da mineração sobrou apenas um imenso passivo. Idéias Pessoas criativas, inteligentes e idéias é o que não falta na cidade, entretanto teria que se ter também inteligência para ouvir e colocar em prática e ou humildade para aceitar. Eu mesmo já passei inúmeras idéias, mas nenhuma foi aproveitada. Uma recente, sobre o palco do centro - jogou-se mais de R$400 mil fora - pois o local foi usado apenas 10 dias no ano. Na ocasião questionou porque não fazer um palco concha na praça Maria do Rosário Caldeira, aproveitando mais o espaço nobre do local. Mas entrou no ouvido e saiu em outro. Posteriomente dei idéia de se fazer um parque municipal no Campo do Cajuca - mas pelo visto a administração prefere investir R$3 milhões em sede própria do que em lazer para a população. Outra idéia também foi em relação à Pìscininha do Fundão - uma cachoeira no centro daquela comunidade. Poderia se fazer no local um centro de lazer ímpar, sem muito investimento, mas também entrou em um ouvido e nem saiu pro outro. Outras pessoas apresentam mil idéias, mas apenas as que não interessa à população é colocada em prátiva, - não entendemos o motivo. Enquanto isso a cidade vai ficando a mercê de “maus” gestores com aval de grande parte da população. Frase do mês “Todo povo tem um governo que escolheu”. Anônimo Rep. Comercial: Super Mídia Brasil; Dindão - 7165-4503 Circulação: 300 Anos Rio Piracicaba completa 300 anos no próxima dia 29 de setembro. No meu ponto de vista, não existe muita coisa para comemorar. Começando pela própria data do aniversário vamos explicar isso: 1º - Existe controvérsias quanto a data da chegada do primeiro homem branco ao local - O comerciante e escritor Raymundo Fonseca, autor do livro Bastão de Ouro, através de pesquisa, questiona essa data e existe claras evidências que o mesmo estaria correto, mesmo porque, a data apresentada, 29 de setembro de 1713 não existe nenhum documento atestando a veracidade da mesma. 2º - A nomeclatura da comemoração não está correta - na verdade deveria ser: 300 Anos da Fundação do Arraial de São Miguel do Piracicaba - já que a cidade comemorou seu aniversário no ano passado, completando 100 anos. O senhor José de Souza Ataíde - Zé de Quitito - autor da música do hino da cidade - chegou a levantar esse tema em várias rodas de convera entre amigos e me pontuou. 3º - Há 50 anos chegava para a cidade a S.A Mineração da Trindade - Samitri - que se instalou para exploração de minério de ferro. Hoje a mineradora que explora o minério na cidade é a Vale. Agradecimentos Diante do com,prometimento de toda comunidade, vimos prestar nossos agradecimentos pela participação efetiva de toda a comunidade piracicabense durante a realização da Novena e da Festa de Nossa Senhora do Rosário. Agradecemos os amigos da região que deram todo apoio; ao comércio de Rio Piracicaba e João Monlevade que fizeram doações consideráveis à Nossa Senhora do Rosário. A AhProdutora de Belo Horizonte que forneceu e montou um grande, belo e prático palco ao lado da igreja do Rosário, palco esse alvo de centenas de elogios. Agradecemos à Paróquia de São Miguel Arcanjo, através do Padre Nivaldo e as secretárias que sempre com muita educação, simpatia, carinho e competência nos apoiaram em tudo que lá buscamos; ao Padre Nivaldo desejamos muita luz. Á Aderp, através de Tatiana Camilo que com sua criatividade, competência, dedicação e entusiasmo, deu uma nova cara aos eventos da cidade (isso quando a deixam trabalhar”. e Aciarp; que vem apoiando, há longos anos, o Tribuna de Rio Piracicaba Um jornal a serviço da comunidade O jornal Tribuna de Rio Piracicaba é uma publicação da Rafaela Yara Pantuza Gonçalves ME Editor/ Diagramador : Geraldo M. Gonçalves (Dindão) Colunista Esportivo: João Bosco Drumond de Barros Colunista e Fotógrafo Cidademais - Paulo Alexandre Impressão: Gráfica Bom Dia - 31 - 3851-1515 End. Eletrônico: dindao@cidademais.com.br Rio Piracicaba / João Monlevade CNPJ - 13.970.485/0001-98 - Rua Lucindo Caldeira, 159 Loja 01 - Alvorada- Telefáx - 31 - 3851-1515 CEP 35930-028 - João Monlevade - MG

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Gerais Agosto / Setembro de 2013 - 3 Descubra Rio Piracicaba: Aderp lança revista comemorativa aos 300 anos de fundação da cidade Fotos: Débora Guimarães Fotografia Rio Piracicaba - Na noite da última quintafeira, 19, a Aderp (Agência de Desenvolvimento de Rio Piracicaba) promoveu o lançamento da revista "Descubra Rio Piracicaba", uma publicação especial em comemoração aos 300 anos de fundação do lugar. O evento aconteceu no salão nobre Paulo Neves de Carvalho, da Câmara Municipal de Rio Piracicaba e contou com a participação de autoridades políticas e empresariais da cidade. Um dos fundadores e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Rio Piracicaba (Aciarp), José Flávio Linhares, participou efetivamente do evento do lançamento da publicação. Abrindo o cerimonial, José Flávio destacou: "Boa noite, senhoras e senhores, piracicabenses de coração, autoridades presentes, enfim, todos que se identificam com essa nossa terra querida que Rio Piracicaba. Este é um ano especial para nossa cidade, pois é o ano do tricentenário dessa terra que nos inspira, que nos envolve de tal maneira que, perto ou longe, nos faz sempre querer estar por perto". Disse. Tatiana Camilo, responsável por todo trabalho desenvolvido pela Aderp, fez a apresentação a entidade e a revista ora lançada. Quem também fez seu pronunciamento foi o presidente da Aciarp, Tarcísio Guimarães, que elogiou a iniciativa e o trabalho desenvolvido pela Aderp e Tatiana. Durante a abertura, a paixão pela cidade foi o destaque, o que não podia ser diferente: "O Estado de Minas Gerais possui 853 municípios, cada um deles portador de uma diversidade cultural expressiva. Mesmo com tamanha pluralidade, cada cidade possui suas peculiaridades, seus hábitos, o que torna cada canto de Minas um charmoso, intrigante, saboroso e tranquilo lugar para viver ou passear. Mas, sobre uma coisa não há como não concordar. O melhor lugar que há é aquele de onde viemos. Quem é de Rio Piracicaba sabe muito bem disso. Quem vive aqui se apega e sente a cidade no seu dia-a-dia, nos acontecimentos, nos encontros, no trabalho, no A revista teve a direção de Tatiana Camilo, sendo diagramada por Elizâmgela Bicalho e fotos de Débora Guimarães jeito de ser. E quem não mora mais aqui nunca deixa de voltar para re- ver os amigos, a família, curtir as festas, as tradições e manter os laços sempre bem amarrados". Para adquirir um ou mais exemplares, basta procurar a Vera Barros, na Aciarp, ou a Tatiana Camilo, na Aderp. O lançamento contou com a presença de um dos fundadores e ex-presidente da Aciarp, José Flávio Linhares, que fez a apresentação da revista Quinha recebe um exemplar das mãos de Tatiana

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Gerais Agosto / Setembro de 2013 - 4 Congado Nos 300 anos de Rio Piracicaba festa é destaque Débora Guimarães Fotografia Enquanto a tradição da Festa de Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Pretos completava seus 256 anos, o Arraial de São Miguel de Piracicaba caminha para os 300 anos de fundação. Diante o ano do tricentenário, toda comunidade piracicabense se uniu ao Rei Festeiro Geraldo Magela Dindão Gonçalves e a Rainha Maria Aparecida Gonçalves Costa para juntos promoverem uma festa digna da tradição congadeira da cidade e à importante data. Sob coordenação de Sandra Pantuza Gonçalves, todos os detalhes foram observados e o evento arrancou elogios tanto dos visitantes quanto dos moradores locais. As Guardas visitantes também não pouparam elogios à Festa. A Novena, que esse ano teve como tema "Com Maria Celebramos o Ano da Fé", começou no dia 16 de agosto e contou com a participação de padres da Diocese Itabira / Coronel Fabriciano sob a direção do pároco local Padre Nivaldo Souza Aranda. A cada dia as comunidades piracicabenses se uniam para preparar a "Santa Missa" da Novena que culminou com a Festa da Noite no sábado. A Festeira da Noite, senhora Ana Miranda dos Santos, recebeu a Guarda local que buscaram a "Bandeira" em sua residência saindo em procissão para a Igreja do Rosário onde uma missa finalizou a Novena, seguida do has- ros Souza e Martha Aparecida Ferreira. Outra tradição foi o re- torno para a posse dos novos reis na “Casa de Nossa Senhora” Rafaela Pantuza Padre Nivaldo junto a Rainha e o Rei Rei e Rainha chegando para a Missa Conga na Igreja do Rosário Débora Guimarães Fotografia teamento da Bandeira, o ascender da fogueira, show pirotécnico e apresentação da "Folia de Reis" de Padre Pinto. No domingo, 25, ápice das comemorações, uma Alvorada com a participação da Banda Pio XII da Comunidade do Bairro Bicas acordou a cidade enquanto as Guardas visitantes eram recebidas na Codorna para um café da manhã. Aos poucos foi formando um grande cortejo, com dezenove Gaurdas e a Nação Maracatu Lua Nova de Belo Horizonte, buscando o Rei Geraldo M. Dindão Gonçalves à Rua Antônio Saturnino e em seguida a Rainha Maria Aparecida Gonçalves Costa, na Rua Camilo M. Ataíde, Praia. Esse ano o cortejo deu uma volta na área central da cidade, saindo da Gruta, passando pelo centro, indo até a Praia e retornando pela rua da Matriz de São Miguel até a Igreja do Rosário. Há muitos anos que não acontecia um cortejo tão longo quanto desse ano. Durante o evento, algumas tradições foram retomadas. Uma delas foi quanto a chegada à Igreja de Nossa Senhora do rosário Mãe dos Pretos, que há algum tempo vinha passando pela rua lateral à igreja. Esse ano, tanto a procissão da Bandeira quanto o cortejo do dia 25 subiram as escadarias chegando à porta frontal da Igreja passando por dentro da mesma e saindo pela lateral para a área da Missa Campal. A Missa Conga, programada para as 10 horas, atrasou, começando apenas as 11 horas devido ao trajeto longo. A mesma também foi prolongada diante a participação efetiva dos presentes envolvidos pela inspiração do Padre Nivaldo. Logo em seguida, as Guardas formaram novo cortejo em direção ao centro para o tradicional almoço na Codorna. O almoço também arrancou elogios, onde as Guardas competiam para agradecer à dádiva de Nossa Senhora e dos festeiros. A apresentação das Guardas ao Rei e Rainha aconteceu na Praça Getúlio Vargas / Maria do Rosário Caldeira, onde após uma breve apresentação os presidentes das mesmas eram convidados a subirem ao palco onde receberam uma simples lembrança (um Standarte) para marcar a participação na festa. Logo após a apresentação uma procissão com as Imagens de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efhigência e São Benedito retornou à Igreja onde aconteceu também a posse dos Reis Festeiros 2014, sendo empossado Luiz de Bar- Guardas e fiéis durante a Missa Conga Cortejo percorre as ruas da Cidade Dindão Capitã, Dona Celina, acompanha a Festeira da Noite, Ana Miranda, com a Bandeira de Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Pretos

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Gerais Agosto / Setembro de 2013 - 5 A Aderp promove 1ª oficina: "Fé e identidade cultural" Fotos: Dindão A Agência Desenvolvimento Econômico e Social de Rio Piracicaba envidando esforços para resgatar, preservar, promover e divulgar a cultura local com o apoio de moradores, professoras e artesãs desenvolveu sua 1ª oficina "Fé e identidade cultural". A oficina tem o intuito de incentivar os moradores e principalmente os jovens a valorizar as raízes culturais. A oficina veio de encontro à realização da Festa de Nossa Senhora do Rosário - o Congado, que aconteceu no último domingo do mês de agosto, há 256 anos, sendo umas das manifestações afro-brasileira mais senvolvimento da Aderp. O projeto que teve início no dia cinco terminou no dia 24 de agosto com a distribuição dos estandartes pelas ruas da cidade onde o cortejo passaria. Todo trabalho foi desenvolvido pelas artesãs: Maria Aparecida Leite e Rosângela Cunha, pelas professoras: Antonieta Quintão, Ediméia Maso e Mônica Santos, pelas moradoras: Luzia Soares e Vera Oliveira e pela rio piracicabense ausente: Ana Maria Dimas. 300 estandartes foram confeccionados e distribuidos no percurso do cortejo tradicionais de Minas Gerais e do Brasil. O Congado em Rio Piracicaba já tem identidade cultural, a representação religiosa e a preservação da tradição se transforma em arte e cores há mais de 2 séculos e meio, sendo uma das mais antigas tradições de nossa tricentenária Rio Piracicaba. Em homenagem aos 300 anos de Rio Piracicaba forão confeccionados 300 estandartes em papel e distribuídos ao longo do trajeto da festa. "É impressionante como tudo está ganhando vida e expressividade, tenho total respeito e admiração pelo trabalho artesanal, transmitem emoção com seu colorido de encher os olhos, um espetáculo de fé e devoção" disse Tatiana Camilo, agente de de- Além da confecção, as artesãs ainda distribuirão o material. Na foto Rosângela, Musqueba e Tueta A história do congado e a igreja do Rosário em Rio Piracicaba A Festa de Nossa Senhora do Rosário, também conhecida como Dança dos Pretos, foi criada pelo “preto” Chico Rei, que tinha por devoção a santa. Desde que conseguiu sua libertação, decidiu realizar a festa todos os anos. Esta devoção estendeu-se por todo o Brasil e, há 256 anos, chegou até Rio Piracicaba, onde foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, em 1801. Porém, segundo relato constante no livro “Bastão de Ouro”, de Raymundo Fonseca, lançado em 1993, a devoção chegou mesmo aos pretos de São Miguel do Piracicaba nas décadas de 1750 a 1770, continuando até os dias de hoje. Para demonstrar sua fé, os devotos escolheram uma das ruas do arraial onde iniciaram a construção de uma capela em homenagem à Nossa Senhora do Rode Ouro” - relatou sobre alguém que teve um pressentimento real sobre um cavaleiro que pretendia impedir a dança do congado. Segundo ele, a comemoração seguia animada na rua quando o mestre da dança parou e disse aos dançantes: “Hó! Tem dúvida! Alguém quer atrapalhar nossa festa! Mas não tem nada não! Já não vem mais.” E um preto que saiu de João Monlevade a cavalo com a intenção de jogar o animal contra os dançantes e machucá-los, quando passava pela rua da Praia sofreu acesso e caiu na água do pequeno córrego que descia da Rua Camilo M. Ataíde. Alí onde é o Colégio havia uma grande área aberta e uma cobertura, que servia como rancho de tropas. Alguém encontrou o homem caído e levou-o para o rancho, onde ele dormiu até terminar a festa. Nesta hora o mestre falou de novo: “Agora não há mais perigo! Quem vinha nos fazer mal pode voltar.” Foi quando o homem acordou e reclamou: “Ora, eu dormi aqui e não pude fazer o que queria. Agora já não tem mais nada na rua! Vou-me embora.” Então montou em seu cavalo e voltou para Monlevade. tom ainda mais agressivo. Depois de muita “briga”, chegam a um acordo quando um diz que está entrando naquele reino sem pedir licença porque é mandado pela Virgem do Rosário. E pergunta se o oponente quer guerra ou festa. Aí obtém a resposta: “Já que é ordem da Virgem do Rosário, não tem mais guerra. Apenas festa.” Assim os instrumentos começam a tocar e continua a folia. Às vezes, são usados cavalos para as embaixadas e correm toda a cidade. Nos dias atuais há alguma modificação, mas a beleza e essência da tradição estão conservadas ao serem transferidas de pai para filho. Atravessando séculos Entre lendas e realidade, o congado atravessa os séculos guardando toda alegria e o ritmo africano, com vestes e fitas coloridas. A dança é acompanhada por cânticos, violas, caixas, pandeiros, sanfonas, arrimbas e tambores. No começo das novenas ouve-se os sinos repicarem e duas caixas e um Caxambu soam pelas ruas, assim como na véspera do primeiro dia de festa. Segundo a tradição, faz parte da festa as embaixadas com disputa de reino. Um insulta o outro em nome do reino e o desafiado responde em A igreja do Rosário hoje possui apenas uma torre. A igreja anterior possuia 2 torres e ricos adornos sário, adquirindo um terreno com apoio dos senhores das fazendas. A autorização para erguer o templo foi concedida pelo vigário Antônio Pereira Coutinho de Vasconcelos, em 1757. A capela, com duas torres, foi construída na rua posteriormente chamada de “do Rosário” e durou até 1944, quando foi demolida a mando do vigário Padre Levi de Vasconcelos Barros. Neste intervalo foi construída a Ma- triz de São Miguel, que sediou a festa até erguerse a nova capela de Nossa Senhora, que ficou pronta em 1961. Lendas Os pretos de origem africana eram reconhecidos como detentores de conhecimentos na área da magia e pressentimentos das coisas que iriam acontecer. Contam, inclusive, que certa vez o velho negroAntônioAnacleto Carneiro - citado no “Bastão Demonstração de fé Quando as pessoas se acham em situação difícil, por doença ou outro motivo qualquer, recorrem à Virgem do Rosário com a promessa de receber a sua Coroa durante a festa. Todos se dizem atendidos nas suas pretensões.

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História Agosto / Setembro de 2013 - 6 Congado: Uma manifestação que atravessa os séculos zar a economia necessária para comprar a sua libertação e a do filho, escondendo pó de ouro nos cabelos. Chico Rei dançou na igreja para comemorar a libertação Posteriormente, obteve a libertação de seus súditos de nação e adquiriram a mina da Escandideira. Casou-se com uma nova rainha e o prestígio do “rei preto” foi crescendo. Organizaram a irmandade do Rosário e Santa Efigênia e construíram a igreja do alto da santa cruz. Por ocasião da festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, havia grandes solenidades generalizadas Auto retrato de Chico Rei, segundo historiadores com o nome de “ReisaO congado é uma ma- ligada à igreja Nossa dos”. Nestas solenidanifestação cultural e reli- Senhora do Rosário des, Chico Rei coroado, giosa de influência africa- dos Pretos. Segundo a antes da missa cantada, na celebrada em algumas lenda, Francisco, escravo batizado com o regiões do Brasil. Trata basicamente de nome de Chico-Rei, três temas em seu enre- era imperador do Condo: a vida de São Bene- go e veio para Minas dito, o encontro de Nos- Gerais com mais de sa Senhora do Rosário 400 negros escravos. Na sofrida viagem, submergida nas águas, e a representação da luta Francisco perdera a mude Carlos Magno contra lher e os seus filhos, sobrevivendo apenas um. as invasões mouras. Chico Rei instalou-se em Vila-Rica, trabalhou nas Chico Rei A lenda de Chico Rei minas e somando o trarevela que a origem das balho de domingos e dias festas do Congado está santos, conseguiu realiaparece com a rainha e a corte, vestido de ricos trajes; e seguidos por dançarinos e músicos. Os batedores, na festa, seguem com Caxambu, pandeiro, marimbas, canzás em intensas ladainhas. O congado também é conhecido como “congada” ou “congo”, um festejo popular religioso afro-brasileiro mesclado com elementos religiosos católicos, com um tipo de dança dramática na coroação do rei do Congo, em cortejo com passos e cantos, onde a música é o “fundo musical” da celebração É um movimento cultural sincrético, um ritual que envolve danças, cantos, levantamentos de mastros, coroações e cavalgadas, expressos na festa do Rosário plenamente no mês de outubro. São utilizados instrumentos musicais como cuíca, caixa, pandeiro e recoreco, os congadeiros vão atrás da cavalgada que segue com uma bandeira de Nossa Senhora do Rosário. Na antiga capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, inaugurada no início do século 17, até ser completada em 1750, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, como já citado, para zelar e cuidar das tradições da santa padroeira dos escravos. No fim do festejo coroa-se o rei e a memória de uma cultura afrobrasileira. Alem disso o congado no Brasil e comum em algumas regiões, eles tem uma agenda com o mês deles. Ocorre em várias festividades ao longo do ano, mas especialmente no mês de outubro, na festa de Nossa Senhora do Rosário. O ponto alto da festa é a coroação do rei do Congo. Na celebração de festas aos santos, onde a aclamação é animada através de danças, com muito batuque de zabumba, há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc. São divididos em turmas de números variáveis, chamados ternos ou guardas . Os tipos de ternos variam de acordo com sua função ritual na festa e no cortejo: Moçambiques, Catupés, Marujos, Congos, Vilões, contra-danças, ternos femininos e outros.

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Gerais Agosto / Setembro de 2013 - 7 Veja o que foi preservado nesses 300 anos de história

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