Curso de Ciências da Religião

 

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Apostila de Introdução e apresentação

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CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO APOSTILA 1 APRESENTAÇÃO E INTRODUÇÃO PROFESSOR DR. JOÃO BATISTA HENRIQUE UNIVERSIDADE LIVRE DO BRASIL DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

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ESTUDOS HERMENÊUTICOS DA BIBLIA SAGRADA HERMENÊUTICA TEOLÓGICA E EXEGESE

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara brasileira do livro, SP, Brasil) Henrique, João Batista, 1957. Estudos Hermenêuticos da Bíblia Sagrada/Hermenêutica Teológica: Teologia exegética: Metodologia para interpretação dos textos sagrados/J.B. Henrique – São Paulo, 2010. Bibliografia. 1.Hermenêutica - Aspectos religiosos – Cristianismo 2.Teologia - Metodologia 3.Teologia – Século XXI 1. Titulo 99 – 3346 CDD – 220 .601 Índice para catálogo sistemático: Hermenêutica Teológica 220 . 601/ Edição Revisada 2010

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Sumário Apresentação ..................................................................... 9 Nota do autor ................................................................... 12 Prefácio ............................................................................ 15 Capítulo 1 História bíblica ................................................................. 21 O cenário político do inicio do cristianismo .................... .25 Aspectos religiosos do tempo de Jesus ............................ 28 Os gregos e suas influencias na igreja primitiva .............. .30 A restauração do evangelho em oposição a sociedade contemporânea 31 A nação Hebraica – Herança genealógica e o sentimento de exclusividade 36 Diáspora – A dispersão dos judeus. 42

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Capitulo 2 Fé e paciência: Disposições para o estudo das Sagradas Escrituras .......................................................................... 49 Capitulo 3 A linguagem bíblica: Observações gerais ......................... 56 Capitulo 4 Considerações gerais sobre o método de interpretação.. 60 Capitulo 5 O sentido usual dos Textos Sagrados ............................ ..65 Capitulo 6 O significado das palavras ...............................................70 Capitulo 7 Texto e contexto ............................................................ 75 Capitulo 8 Metas e objetivos dos Textos Sagrados ......................... 81 Capitulo 9 Paralelos de palavras .................................................... 88

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Capitulo 10 Os paralelos de idéias .................................................. 95 Capitulo 11 Paralelos de ensinos gerais ......................................... 98 Capitulo 12 A linguagem bíblica ................................................... 104 Capitulo 13 Figuras retóricas ........................................................ 108 Capitulo 14 Figuras de retóricas .................................................. 115 Capitulo 15 Hebraísmos ............................................................... 123 Capitulo 16 Apêndice: A linguagem simbólica ............................ 133 Notas, referências e leituras complementares.......... 147

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Apresentação “As sagradas páginas, escrita sob a inspiração de Deus, são de per si ricas de sentido próprio; dotadas de força divina, são poderosas por si mesmas; ornadas de supremo esplendor, por si mesmas brilham e resplandecem, se o intérprete, com uma explicação fiel e completa, souber desentranhar todos os tesouros da sabedoria e prudência que nelas estão encerrados.”(Baruch Spinoza). A Bíblia Sagrada tem despertado, nos últimos tempos, grande interesse e vem adquirindo cada vez mais importância na formação ética, moral e religiosa das sociedades do mundo todo. Os círculos de estudos bíblicos aumentam a cada dia, em todos os setores das igrejas e, principalmente nos meios estudantis e empresariais, que cada vez mais, procuram nos textos sagrados respostas para a solução de seus problemas. A Escritura Sagrada torna-se então, a principal fonte de vida no ensino e na formação das famílias e da sociedade como um todo. Daí a importância desta obra, deste trabalho de pesquisa, desenvolvido em linguagem simples e fiel, realizado ao longo de vários anos por este dedicado estudioso da hermenêutica e da exegese bíblica e filosófica. Temos consciência de que não foi fácil desenvolver este projeto. O grande número de confissões religiosas e “interpretações”da Bíblia, dificultam por demais o trabalho daqueles que, imbuídos de seriedade procuram mostrar a verdade que os escritos sagrados encerram. Apressados em suas conclusões, muitos dos que se dizem líderes religiosos, provocam com suas interpretações desastradas, verdadeiros escândalos aos que buscam nas Escrituras Sagradas o entendimento para a direção de suas vidas.

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Este curso poderá, aos olhos de outros pesquisadores, hermeneutas, e exegetas, parecer desnecessário ou no mínimo estranho, por estarem acostumados a lidar com os avanços e desenvolvimento mais recentes, das ciências bíblicas. Entretanto, é fácil notar a intenção do autor ao escrever esta obra. Quer ele, entregar aos não habituados com a hermenêutica e exegese bíblica, um livro onde possam dissipar suas duvidas sobre os textos, muitas vezes, aparentemente complicados e contraditórios, apresentados na Bíblia Sagrada; e ao mesmo tempo, oferecer aos estudantes de teologia, um elemento a mais para suas pesquisas e estudos dos textos bíblicos. Além disso, fica bastante clara a idéia de mostrar outros fatores não menos importantes, más que muitas vezes, escapam das analises superficiais dos apressados e deturpadores da verdade: a importância da interpretação que é dada aos textos sagrados. Torna-se cada vez mais importante, nos dias de hoje, entender e interpretar as Sagradas Escrituras; e isto só é possível mediante uma hermenêutica séria. Sem ela, no entanto, corremos o risco de nos tornarmos falsos profetas, cegos, guiadores de cegos, como os fariseus e hipócritas da época de Jesus Cristo, perdidos no meio desta multidão de credos e crendices, denominações religiosas, que se proliferam pelos quatro cantos do mundo. Estudioso desses sinais dos tempos, o autor que é professor, filósofo, teólogo, psicopedagogo e pesquisador cientifico no campo das ciências humanas, procura neste livro que agora vem a lume, oferecer uma ampla visão de como se deu, ao longo desses dois mil anos de cristianismo, a evolução do trabalho de pesquisa exegética e hermenêutica, para a interpretação dos Textos Sagrados.

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Este curso é, portanto, fruto do dedicado e exaustivo trabalho de pesquisa do autor, que aproveitou sua tese de doutorado em ciências teológicas, sempre levando em consideração as inúmeras polemicas entre as varias religiões á cerca da exegese, na elaboração desta obra. Sua intenção, entretanto, não é criar polemicas e nem fazer apologias, más sim, colaborar para o desarmamento dos espíritos num dos assuntos mais importantes para o entendimento e interpretação dos Textos Sagrados.

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Nota do autor Antes de palavra dirigida a alguém, a linguagem é dizer, é palavra como manifestação do ser. Devemos ouvir o dizer antes de exercermos nossa responsabilidade de sujeito falante”(Claude Geffré; Como fazer teologia hoje, p. 46). De que forma deve proceder o estudioso dos Livros Sagrados ao abordar um texto bíblico? Qual o método ou técnica ele utiliza para propor suas soluções? Esta e outras questões são geralmente colocadas, por qualquer leitor da Bíblia Sagrada. Tais questionamentos são dirigidos, principalmente aos que se dedicam a hermenêutica, ou seja, ao trabalho de interpretação destes textos para a aplicação na formação de crianças, jovens, e adultos. Este trabalho que hora apresentamos, embora incompleto, pretende ajudar a todos os que se interessam, por um motivo ou outro, pela leitura da Bíblia Sagrada, principalmente á professores e professoras de escolas bíblicas dominicais ou de ensino religioso não confessionais, das escolas públicas. Ele não tem a pretensão de ser, sob qualquer aspecto, o mais completo manual de hermenêutica, porém, deseja servir de porta de entrada, aos que estão iniciando seus estudos de teologia exegética, matéria da qual a hermenêutica é parte integrante. Com base nos estudos aqui apresentados, o leitor poderá entender como funcionam as diferentes técnicas e métodos da moderna ciência bíblica, utilizados por especialistas na interpretação das Escrituras Sagradas. .Espero que todos os que a ele tiverem acesso, possam por si mesmos, compreenderem toda a riqueza e maravilhas que a Palavra de Deus nos proporciona, sem nenhuma dificuldade de entendimento. Professor Doutor João Batista Henrique.

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INTRODUÇÃO A hermenêutica é uma das principais ciências que um pregador de qualquer denominação religiosa, seja ela de confissão católica, protestante, evangélica ou petencostal, precisa e deve estudar. Más quantos destes pregadores ignoram desta tão valiosa ciência até mesmo o nome! Que é, então, a hermenêutica? Segundo nos ensinam os dicionários, a hermenêutica é a arte de interpretar corretamente os textos; sejam eles filosóficos, históricos ou teológicos. No entanto, a hermenêutica, palavra, que tem sua origem no termo grego hermeneuein, que significa interpretar e da qual trataremos neste trabalho, faz parte da Teologia Exegética, ou seja, da teologia que trata da reta interpretação das Escrituras Sagradas. O próprio apostolo Pedro, admite em suas cartas, referindo-se a estas mesmas Escrituras, que entre as do Novo Testamento, bem como nas demais, ou seja, também as do Velho Testamento, há algumas passagens de difícil entendimento, as quais os indoutos e incosequentes torcem para a sua própria perdição. Pior ainda, é quando estes indoutos nos conhecimentos hermenêuticos, se apresentam como doutores e torcem as Sagradas Escrituras para provar os seus erros, arrastando consigo multidões de incautos à perdição. Esses pseudos doutores e falsos profetas, em sua maioria, são hereges, pessoas ambiciosas e extraviadas, dissidentes de outras denominações de onde foram expulsos por motivos diversos, que vão da desobediência ao roubo, e criam suas arapucas disfarçadas em igrejas, distorcendo as verdades que estão contidas nas Escrituras Sagradas. Qualquer pessoa com pretensões de subir a um púlpito para pregar a Palavra de Deus, não pode ignorar tão importante ciência, ou então ver-se-á, muitas vezes perplexos, e facilmente cometerá erros gritantes de interpretação dos Textos Sagrados.

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A principal arma do soldado cristão é, sem duvida alguma, a Sagrada Escritura e, se ele desconhece o seu valor ou ignora correta interpretação de seus textos, que tipo de soldado poderá ser? Não existe livro mais perseguido pelos inimigos, nem mais torturado pelos amigos que a Bíblia Sagrada, devido a ignorância de toda boa regra de interpretação. Este dom divino não nos foi dado para que cada qual o use a seu propósito, ou a seu próprio gosto, mutilando-o, inventando ou torcendo suas verdades, para a nossa perdição. É preciso lembrar aqui, que as circunstancias variadissimas que concorreram na produção dos textos da Bíblia, exigem do expositor ou do estudioso, que a sua analise seja meticulosa, cuidadosa e sempre cientifica, de acordo com os princípios hermenêuticos. Entre os escritores biblicos que falavam da parte de Deus inspirados pelo Espírito Santo, encontramos pessoas de todas as camadas sociais e diferentes níveis de educação, tais como: poetas, como Salomão; profetas, como Isaias; pastores de ovelhas, como Amós; sacerdotes, como Esdras; guerreiros, como Davi; pescadores, homens sem estudos e sem formação intelectual, como Pedro e João; sábios, como Moisés ou Paulo. Entre estes, uns formularam leis, como Moisés; outros, escreveram histórias, como Josué; outros compuseram salmos, como Davi; ou provérbios como Salomão, profecias, como Jeremias; outros, biografias, como os evangelistas ou cartas, ao modo dos Apóstolos. No entanto, cada um destes homens, viveram em tempos bem diferentes. Moisés, por exemplo, viveu 400 anos antes do cerco de Tróia e 300 anos antes de aparecerem os mais antigos sábios da Grécia e da Ásia Menor, como Tales de Mileto, Pitágoras e Confúcio. Já o ultimo escritor bíblico, João, viveu cerca de 1.500 anos depois de Moisés.

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Não bastasse o fator tempo, temos ainda, a diferença de lugares em que cada um desses escritores bíblicos viveram, tais como o centro da Ásia, os desertos da Arábia e da Judéia, os Pórticos dos Templos, as escolas dos profetas em Betel e Jericó, os Palácios da Bibilônia, as margens do Chebar e em meio a civilização ocidental; colocando em seus textos, os usos e costumes, as figuras, os símbolos e expressões, bem como as cenas peculiares que ofereciam tão variados tempos e lugares. Os escritores que redigiram e compuseram os textos da Bíblia foram totalmente inspirados, isso é incontestável. Esse fato, no entanto, não invalida o bom senso que recomenda, estudar minuciosamente os escritos bíblicos para uma reta interpretação e conhecimento, compreendendo o modo de vida das pessoas daquela época, seus costumes e os lugares onde viviam. Tais circunstâncias, como é natural, influíram não na verdade divina expressa na linguagem bíblica, mas na própria linguagem de que se ocupa a hermenêutica e que é tão necessária ao teólogo, interprete ou professor de assuntos bíblicos ou filosóficos. Uma breve observação mais atenta e geral com respeito a essa linguagem, nos fará, certamente, mais convencidos da grande necessidade que temos de conhecer as regras de interpretação para o estudo proveitoso das Sagradas Escrituras. Certos pregadores, sem nenhuma formação teológica, e que sempre viveram sem ter nenhuma intimidade com a linguagem bíblica, ou que nunca estudaram hermenêutica, encontram nesta linguagem, um choque cultural e incompatível com sua imaginação de ideal de revelação divina, pela grande variedade de gênero de palavras e expressões figuradas e simbólicas que ocorrem nos textos bíblicos. O estudo da hermenêutica, não só os libertaria desta dificuldade, como também os convenceria de que tal linguagem, divina por natureza, é também, a mais cientifica e literária.

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Um famoso cientista costumava recomendar aos seus colegas de cátedra que estudassem o invisível, porque, afirmava ele, só é possível conceber aquilo que não vemos, trabalhando sobre o que vemos. No entanto, esta idéia da ciência moderna, é mais antiga que os próprios textos bíblicos, porque, na verdade, o primeiro ser a encarnar os seus pensamentos invisíveis nas coisas visíveis do universo foi o próprio Deus revelando-se desse modo à si mesmo: “Porque o que se pode conhecer de Deus, é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade – tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que não tem desculpa”(Romanos 1.19, 20). Aqui está, portanto, o universo transformado em um grande dicionário divino, repleto de inúmeras palavras que são as coisas visíveis; vivas e mortas, ativas e passivas; expressões simbólicas das suas idéias invisíveis. Nada mais natural, no entanto, que ao inspirar os textos bíblicos, tenha Deus criado o seu próprio dicionário guiando-nos por meio do visível ao invisível, pela encarnação do pensamento ao próprio pensamento; pelo objetivo ao subjetivo; pelo conhecido e familiar, ao desconhecido e espiritual. E isto não foi só natural, mas também absolutamente necessário, por causa da nossa condição atual. No entanto, as palavras exclusivamente espirituais ou abstratas, pouco ou nada dizem ao homem natural. Haverá apenas um fato relacionado com a mente e a verdade espiritual que se possa comunicar com proveito sem lançar mão da linguagem nascida de coisas visíveis. Deus teve em conta esta nossa condição. Não estranhemos, portanto, que para nos elevar a concepção do possível do céu, tenha Ele, feito uso de figuras ou semelhanças tomadas das cenas gloriosas da terra, nem de que para nos levar a possível da sua própria pessoa, se valha Deus, do que foi a mais importante de suas criações, se apresentando aos homens, como ser corporal semelhante a nós.

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Vale dizer ainda, que para a reta compreensão da verdade, apresentada na Bíblia Sagrada na forma de figura e símbolo pela necessidade humana, é necessário profunda meditação e árduo estudo. Porém é preciso observar aqui, que as ditas expressões figurativas ou simbólicas contidas nos textos bíblicos, não se devem, meramente á natureza da verdade espiritual; à maravilhosa relação entre o invisível e o visível, mas também ao fato de que tal linguagem se torna mais apropriada por ser a mais formosa e expressiva maneira de comunicação entre o criador e sua criação. Leva idéias à mente com muito mais clareza que a descrição material, positiva, comum e natural. Encanta e diverte a imaginação, ao mesmo tempo que instrui a alma e fixa a verdade na memória, alegrando o coração. Ignoram o assunto aqueles que acham que a Bíblia Sagrada, por ser revelação divina, deveria ter sido escrita no estilo da aritmética, ou da geometria! Não enlouqueceu Deus, por sua sabedoria, a sabedoria do mundo? Notemos, pois, em resumo, que os textos bíblicos, tratando de temas que abarcam o céu e a terra; o tempo e a eternidade; o visível e o invisível; o material e o espiritual, foram escritos por pessoas das mais variadas natureza, e em épocas tão remotas, em países tão distantes entre si e no meio de gente de costumes tão diferentes e em linguagem tão simbólica, que facilmente se compreenderá que, para a reta inteligência e compreensão de tudo, é de grande importância o bom e dedicado estudo da hermenêutica. João Batista Henrique

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