TEMPLOS E ESPAÇOS SAGRADOS DAS ILHAS DE QUERIMBA. 1ª Parte

 

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TEMPLOS E ESPAÇOS SAGRADOS DAS ILHAS DE QUERIMBA. ACHEGAS PARA O SEU ESTUDO.. (1ª Parte)

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memÓrias das ilhas de querimba t e mp lose espaÇos sagrados das ilhas de querimba achegas para o seu estudo 1ª parte por carlos lopes bento 1

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memÓrias das ilhas de querimba templos e espaÇos sagrados das ilhas de querimba achegas para o seu estudo 1ª parte por carlos lopes bento1 depois de divulgar as fortificações construídas pelos portugueses na ilha do ibo passarei a partir de agora a debruçar-me sobre os principais templos sagrados edificados nas ilhas de querimba e terras firmes a religião assente em crenças normas de comportamento e rituais manifesta-se exteriormente através de cultos por intermédio dos quais os crentes estabelecem uma relação com a divindade os cultos religiosos cerimoniais sempre de natureza pública têm lugar em locais adequados entre os quais se destacam os edifícios próprios construídos para o efeito genericamente denominados templos dos templos religiosos e a sua distribuição erigidos nas ilhas de querimba e terras adjacentes darei de seguida especial relevo aos templos edificados nas ilhas de quirimba e do ibo para o culto dos cristãos igrejas capelas e cemitérios alguns dos quais com ruínas ainda visíveis ou ainda em activos em 1974 nestas duas ilhas que foram capital da capitania-mor das ilhas quirimbas o número cristãos foi durante centenas de anos predominante quando comparado com os moradores que professavam as religiões islâmica e de raiz africana segundo a relação geral dos habitantes das ilhas de 1798 da população livre num total de 2909 pessoas 24,43 era cristã 21,73 islâmica e 21,73 seguia princípios religiosos africanos na ilha do ibo a percentagem de cristãos era de 97,96 e a de maometanos de 0,82 o peso dos cristãos estava reflectido no grande número de templos religiosos erigidos na ilha do ibo 1 igrejas e capelas nesta parte setentrional das terras moçambicanas a evangelização que havia sido partilhada nesta costa de África entre jesuítas e dominicanos2 ficou sob a responsabilidade da ordem de são domingos a situação colonial teria sido instituída no 1º quartel do século xvi após a conquista das ilhas pelos portugueses depois desta data teriam sido erguidos alguns templos religiosos nas principais ilhas do arquipélago a construção dos conventos das ilhas de quisivafig i de que se encontram ruínas e de macaloé atribui-se não comprovadamente aos padres jesuítas estes religiosos que chegaram a moçambique depois de 1560 segundo o historiador da companhia de jesus padre francisco rodrigues nunca estiveram a missionar nas ilhas3 1 2 3 administrador do concelho do ibo entre 1969 e 1972 doutorado em ciências sociais pelo instituto superior de ciências sociais e políticas da universidade técnica de lisboa antropólogo e prof universitário arquivo português oriental tomo iv vol ii p 211 carta de 83/1617 gerards constantino algumas datas e factos cit p 2 2

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fig i ruínas de convento na ilha de quisiva 1970 crédito carlos bento a primeira igreja dominicana referida pela primeira vez em 15304 e descrita por frei joão dos santos foi edificada por diogo rodrigues correia primeiro senhor desta ilha que a deu aos religiosos de são domingos a solicitação destes com terras e palmares com a obrigação de rezarem semanalmente duas missas ficando sufragânea à de moçambique5 o administrador episcopal de moçambique em 17536 chamava a atenção das autoridades régias para o estado de desamparo em que se encontrava a cristandade sob a sua responsabilidade e para os abusos praticados no seio da comunidade religiosa tanto por parte dos cristãos como do clero lamentava profundamente a falta de igrejas de curas e de párocos verificada desde as ilhas de cabo delgado até moçambique onde não existiam mais do que as igrejas das ilhas de querimba e da amisa a desta sem telhas e de paredes arruinadas e ambas então sem pároco ou qualquer outro sacerdote a ausência de pároco nesta altura ficava a dever-se ao facto dos dois frades que ali residiam terem deixado com pretextos frívolos originados nas suas desordens e inconsiderado modo de viver como de ordinário se experimenta fora da disciplina claustral 7 as respectivas paróquias as dificuldades no preenchimento destas seriam uma constante com o decorrer dos tempos a capela de são joão baptista criada novamente pelo fundador da vila do ibo que servia de capela militar em 17678 não tinha capelão ficando da sua administração incumbido o vigário da querimba cuja missão era ministrar os sacramentos aos elementos do presídio militar o mau estado da igreja de amisa levaria mais tarde a que o seu pároco fosse residir no ibo onde desempenhava as funções de capelão militar continuando a ir anualmente a amisa para exercer os actos de desobrigação e demais funções9 a deterioração constante do edifício e despovoamento do local onde estava erigida levaria a que os párocos aí fossem mais raros a partir da última década do século xviii a falta de clérigos a instabilidade política e a falta de segurança como resultado dos ataques dos franceses makhwa e sakalava levariam a que algumas vezes apenas um vigário que passava a residir no ibo ficasse com a responsabilidade das paróquias da querimba e amisa e da capelania do ibo10 dizia missa interpoladamente em cada domingo no ibo e querimba e ia quando tal era possível anualmente à amisa sempre que adoecia11 bocarro a o livro cit p 40 nazareth prelazia de moçambique p 171 que entre as igrejas dominicanas construídas em moçambique destacava em 1570 a de nossa senhora do rosário de querimba cacegas l história de são domingos p 435 santos j etiópia cit vol i p.p 273 e 274 e brÁsio a a igreja em moçambique p 286 6 a.h.u doc av moç cx 9 doc 3 carta de 20/12/1753 7 idem códice 1310 carta de 4/8/1753 do cap gen para o vice-rei da Índia 8 idem doc av moç cx 27 docs 134 e 138 descrição geral de todas as igrejas de 19/8/1767 9 idem ibid cx 35 doc 17 representação de janeiro de 1781 do pároco da amisa francisco josé azevedo enviada para lisboa por carta de 25/9/1781 cx 37 doc 26 10 a.h.u doc av moç cx 76 doc 31 carta nº 197 de 28/10/1796 do cap das ilhas para o cap gen 11 idem ibid cx 133 doc 30 carta nº 443 de 28/7/1810 5 4 3

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as coisas complicavam-se depois do ataque à ilha do ibo de 1796 perpetrado pelos corsários franceses por o capelão ter sido feito prisioneiro e depois assassinado solicitava-se a sua substituição por outro que porventura chegasse da Índia12 À escassez de missionários juntava-se o problema relacionado com a remuneração e sustento factores decisivos no prestígio e desempenho das suas funções a fazenda real remunerava em 175813 cada sacerdote em serviço na colónia com 250 cruzados por ano que somados a alguns dízimos devidos à igreja se tornavam insuficientes para as necessidades da paróquia e do seu pároco os padres das ilhas14 em 1760 recebiam 140 mil réis/ano ou seja 350 cruzados quanto ao capelão militar do presídio percebia em 1787 segundo a respectiva folha civil e eclesiástica a importância de 300 cruzados na tentativa de alcançar um remédio para este problema de penúria o administrador episcopal de moçambique dava conta à rainha de portugal da situação de muitos párocos que explicava não tinham rendimentos suficientes para seu sustento e explicava as razões a igreja não lhe rende coisa alguma das igrejas que experimento com esta indigência pela repugnância que os eclesiásticos têm de os ocupar a 1ª é de amisa uma das igrejas sitas nas ilhas de cabo delgado é a última e a mais remota de moçambique para a parte das ditas ilhas e como tal a mais solitária e que for costume se diz ter muitos poucos homens de chapéu e como todos os paroquianos a maioria são cafres ou outros da mesma qualidade que são cristãos enquanto o querem e não são oprimidos procuram subterfúgios para não enterrarem os seus defuntos na igreja 15 a situação por falta de solução continuava em aberto o vigário paroquial da igreja de nossa senhora do rosário da ilha de querimba e encarregado de toda a cristandade da ilha do ibo em virtude dos emolumentos da igreja serem muito ténues e não chegarem para sustento de um pároco requeria em 180816 para ser provido na capelania do ibo cujo cargo estava vago ao solicitar providências ao soberano o bispo de são tomé prelado de moçambique17 expunha claramente e de novo o problema o pároco da ilha de querimba tem a mesma côngrua de 350 cruzados paga umas vezes na referida moeda nesta capital outras em panos na feitoria daquelas ilhas e neste 2º caso são 280 panos isto é 350 braças de pano grosso que vestem os negros e outros efeitos de que eles usam que é a moeda com que se compra o necessário nada se pode dizer dos seus rendimentos porque à excepção de uns 120 panos que tem de 2 festividades quando eles se celebram não percebem senão de ano a ano algumas vezes de mais tempo 1 ou 2 ofertas por ocasião de 1 baptizado ou enterro de pessoa de maior distinção os outros ou não pagam o que devem ou o fazem em géneros tão insignificantes que não podem entrar em razão de vendas o que não procede da pobreza em que vivem os habitantes dessas ilhas o mesmo se deve dizer da paróquia da amisa que se acha vaga daqui se segue idem ibid cx 76 doc 69 carta de 16/12/1796 do cap das ilhas para o cap gen idem ibid cx 14 doc 34 carta de 8/8/1758 do administrador episcopal para o reino 14 a.h.u doc av moç cx 22 doc 49 folha eclesiástica do pagamento do soldo de 7/7/1763 que inclui os vigários da querimba frei josé carlos e da amisa frei manuel tomás 15 a.h.u doc av moç cx 38 doc 8 carta de 24/9/1781 16 idem ibid cx 123 doc 4 petição de 2/5/1808 feita pelo padre josé xavier raposo 17 idem ibid cx 159 doc 11 plano do estado actual da prelazia de moçambique p 4v o capelão do presídio mantinha o ordenado de 300 panos/ano p 5 a carta régia de 13/2/1797 fixou o côngrua anual dos prelados de moçambique em 3000 cruzados cx 79 doc 20 carta de 27/11/1797 do cap gen para o reino 13 12 4

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que os párocos destas 2 freguesias que não têm do seu não podem subsistir com os rendimentos da sua estola as carências continuariam durante todo o século xix e nos princípios do século xx o governador voltava a levantar o problema que aliás persistia embora sem escravos os padres nas suas pouco rendosas paróquias longe da tutela dos superiores utilizam os seus escravos que passam de seus neófitos a serem seu arrimo colimam caçam pescam carregam-no no andor transportam madeira para a igreja cristãos por momentos breve se tornam aos seus feitiços e superstições18 como já foi salientado a evangelização desta parte norte de moçambique pertenceu aos padres dominicanos que foram responsáveis pela construção dos templos levantados nas ilhas caber-lhe-ia a missão particular de pregar a devoção de nossa senhora do rosário não sendo pois de estranhar que as paróquias da ilhas de querimba e da amisa de mocímboa da praia e a 1ª confraria criada nas ilhas lhe fossem dedicadas depois da reconquista das ilhas que teve lugar em 1523 foram edificados vários templos19 que de sul para norte seguidamente se inventariam capela de santo antónio na ilha de m funvo capela de nossa senhora da graça em arimba igreja de nossa senhora do rosário na ilha de querimba capela de santo antónio na da ilha de querimba igreja de são luís gonzaga na ilha de querimbasec xix capela/igreja de são joão baptista na ilha do ibo capela militar de são joão baptista na ilha do ibo capela de família na ilha do iboséc xix capela de são miguel na ilha de matemo capela de são domingos na ilha de macaloé igreja de nossa senhora do rosário em mocímboa da praiasec xix igreja de nossa senhora do rosário na ilha de amisa capela de santo antónio em mulúri sobre cada um destes templos fornecerei seguidamente mais alguns dos seus principais traços 18 19 vilhena ernesto de tete a quiloa cit p 46 cunha sebastião notícias históricas cit p 16 este pároco faz a sua enumeração dos existentes no seu tempo 5

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fig ii situação geográfica das ilhas de querimba e suas terras firmes crédito orlando do amaral 1992 capela de santo antonio na ilha de m funvo a ilha de m´funvo situa-se a sul a ilha de sancar ou samucar e a norte de ilha de de quisiva o quisiwa ver fig ii em 1970 quando o autor deste trabalho esteve nesta ilha os seus habitantes não foram capazes de localizar a capela apenas havia próximo da praia um nicho com uma imagem de santo antónio que aliás havia sido roubada há pouco tempo por desconhecidos capela de nossa senhora da graÇa de arimba 6

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construída nas terras firmes que serviria especialmente a família morais residente em bringano ou beringano ver situação geográfica na fig.ii povoação onde estava provavelmente localizada entre 1796 e 1798 ainda estava em funcionamento neste período foi nela enterrado um menor20 do inventário dos bens e alfaias da igreja de querimba de 8/3/1793 consta um cálice todo lavrado e oirado com a patena e uma pedra d ara muito pequena recolhidas para maior segurança depois da morte de joão morais dezembro de 1792 É muito provável que este notável mestre de campo também aí tenha sido sepultado para além desta capela há notícia da capela de santa ana21 teriam sido abandonadas por serem desnecessárias aos filhos da terra porque em religião e bons costumes são virtuosos os cafres 22 desconhece se ainda existem vestígios desta capela e respectivo cemitério em princípio construído no seu interior onde era costume enterrar os defuntos das famílias mais ilustres da área É provável que os sakalava tudo tenham destruído e roubado quando em agosto de 1808 por lá passaram igreja de nossa senhora do rosÁrio na ilha de querimba mandada construir pelo primeiro senhorio da ilha diogo rodrigues correia cerca de 153023 foi oferecida aos padres dominicanos era a igreja matriz e paroquial e os seus vigários de vara e forâneos 24 cabeça de todos os outros templos levantados nas ilhas a primeira descrição que se dispõe sobre esta igreja paroquial pertenceu a um dos seus párocos joão dos santos autor da etiópia oriental1609 uma formosa igreja que é dos religiosos de são domingos a qual serve de freguesia assim desta ilha como as demais que estão nesta costa até cabo delgado e todos os moradores dela são obrigados a vir ouvir missa a esta igreja certos domingos e festas do ano e na quaresma a confessar-se e comungar25 esta igreja reparada em 178026 estava nesta data quase comida pelo mar que lhe batia na porta principal 27 inconveniente que se poderia resolver com uma estacada de paus a serem cortados pelos escravos dos moradores em 1793 o pároco da querimba testemunhava a pobreza da sua igreja e respectiva confraria não dispondo esta de fundos mais do que 1400 cruzados dos quais 1000 estavam emprestados a juros e 400 nas mãos de um morador que não pagava juros nem devolvia o capital dando como penhora 2 casas de laca-laca e 4 palmeiras que nada valiam28 também em 1793 do inventário da fábrica da igreja de nossa senhora do rosário constavam para além de alguns de prata e de cobre objectos em madeira entre os quais duas imagens grandes uma de santo antónio e outra de são domingos além destes objectos existiam livros novos e antigos de registo de testamentos de baptizados casamentos e enterros ainda faziam parte do a.h.u códice 1488 fls 4v receita do padre vigário estalisnau torres de 21/5/1796 a 31/8/1798 giraldes c cardoso memórias sobre a capitania de moçambique a.c lisboa 1810 manuscrito 17 fls 7v a.h.u códice 1321 carta de 18/8/1764 do cap gen para o reino 23 resende pedro livro cit p.p 432 e segts e bocarro a o livro cit p 40 24 cunha sebastião op cit p 16 25 etiópia oriental vol i p 273 26 a.h.u doc av moç cx 38 doc 8 de 24/9/1781 cit 27 idem ibid cx 40 doc 21 carta nº 20 de 10/9/1782 do pároco para o cap gen 28 a.h.u doc av moç cx 40 doc 21 carta nº 20 cit de 20/9/1782 o devedor era simão pinto para quem se solicitava a sua prisão até ao pagamento da dívida 21 22 20 7

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inventário desta paróquia duas negras maria e domingas velhas incapazes cujo cativeiro é duvidoso 29 afirmava-se no ano 1796 há a indicação de estarem enterrados nesta igreja vários defuntos em locais diferenciados junto dos bancos cruzeiro coro debaixo do coro no altar e em cova consoante a sua posição social30 nesta paróquia funcionou durante quase dois séculos a confraria de nossa senhora do rosário os frades dominicanos logo após a sua instalação em goa instituíram nesta cidade do oriente uma original confraria de cafres de nossa senhora do rosário como a de são domingos31 nas suas pregações faziam grandes admoestações ao povo a favor dos escravos pretos para que os deixassem ir servir na dita irmandade pedindo-lhes ainda um tratamento humano estas confrarias depois disseminadas por todo o oriente que englobava então também a África prestaram valioso contributo para o desenvolvimento do culto público cristão e para além do domínio religioso ajudaram economicamente os mais desfavorecidos na ilha de moçambique foi instituído o compromisso dos irmãos da confraria de nossa senhora do rosário com sede no convento do patriarca de são domingos ali erigido32 que foi treslado em 1667 passando a constituir o compromisso da irmandade da virgem de nossa senhora do rosário33 que funcionava na igreja de querimba a.h.u códice 1488 fls 1 e 2 inventário datado de 8/3/1793 idem ibid fls 5v receita do vigário cit de 21/5/1796 a 31/8/1709 em 1796 foram sepultados junto aos bancos o sargentomor manuel antónio carrilho reinol cujo enterramento custou 56:000 e no altar diogo domingos baptista capitão-mor e foreiro da ilha de querimba por cujo enterramento se pagou 36:000 31 rocha l as confrarias cit p 33 no convento de são domingos em lisboa em 1496 já existia a confraria do rosário para pretos que exercia uma acção corporativista de grande alcance social e cristão ver brÁsio a os pretos em portugal p.p 76 e 77 este autor também nos fornece as outras localidades portuguesas e brasileiras onde foram estabelecidas confrarias do rosário para brancos e quando possível para pretos também em irmandade privativa p.p 99 e segts 32 compromissos de moçambique in boletim oficial 1894 13ª série nº 3 p.p 177-195 o 1º compromisso parece datar de 1602 lapa j páginas de pedra 33 a.h.u códice 1291 com 10 fls livro que foi numerado por josé carrilho À nossa senhora do rosário protectora dos pretos juntou-se nos finais do século xix o são benedito africano cuja imagem pintada de escuro encontrada em 1969 no cemitério de munawa do ibotemos foto e depois guardada na câmara da vila no brasil os escravos fundavam irmandades como as de nossa senhora do rosário e são benedito existindo a primeira em 1552 em pernambuco constituída por negros e índios sobre este assunto ver melo idalina a civilização das américas p.p 60 e 61 30 29 8

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fig iii primeira página a:h:u códice 1291 era composto por 20 capítulos que continham as normas que regulavam a sua constituição e funcionamento festa de nossa senhora do rosário no 1º domingo de outubro eleição dos 13 confrades da mesa e seus deveres direitos e deveres dos irmãos da confraria procissões do 1º domingo de cada mês festa do patriarca de são domingos missa por alma dos irmãos falecidos graças e indulgências e enterramentos dos irmãos e oficiais da mesa a confraria da querimba destinava-se especialmente a cristãos filhos da terra mestiços e pretos podiam admitir-se alguns reinóis desde que beneméritos homens bons e bons cristãos em caso algum se tomavam como irmãos pessoas justiciadas naiques galinheiros e alabardeiras preceito ao que parece nem sempre respeitado34 em princípios de 180135 a confraria elegia nova mesa assim constituída antónio francisco fernandes presidente na condição de oferecer à conferência 34 em 1801 pedro baptista que em 1787 fora naique do santo ofício cx 85 doc 83 relação dos moradores de 23/11/1787 cit fazia parte da mesa da confraria 35 idem códice 1488 fls 17 e 25 9

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200 cruzados para a festa da padroeira pedro baptista procurador francisco xavier baptista escrivão e calisto de morais joão baptista simões francisco baptista simões nicolau de meneses caetano josé francisco de morais irmãos em 180436 a organização da festa de nossa senhora do rosário coube a caetano josé cordeiro e por não haver novos irmãos na ilha de querimba a mesa mantinha-se como os do ano anterior a confraria estava a chegar ao fim por causa dos ataques dos sakalava que levariam à mudança de muitos dos seus moradores para o ibo terras firmes e ilha de moçambique terá existido pelo menos até 1806 e da sua mesa fizeram parte moradores de várias ilhas e terras firmes pertencentes às famílias detentoras do poder políticoadministrativo e económico também a paróquia da amisa teve a mesma irmandade poucos anos depois seria esta igreja barbaramente atingida pelos sakalava provenientes de madagáscar os primeiros assaltos da 2ª grande invasão dos sakalava às ilhas de querimba começaram nos meados de agosto de 1808 por changa37 passando pela arimba com numerosa população escrava bringano ilhas de quisiva e de m funvo até atingirem mortalmente a ilha de querimba a igreja de nossa senhora do rosário foi totalmente destruída em 1808 por aqueles invasores marítimos no dia 1º de setembro desembarcaram na ilha de querimba assolando roubando matando aprisionando tudo o que encontravam assenhorando-se do batel de manuel onofre pantoja que estava fundeado no porto da mesma ilha carregado de cauri com a maior parte do seu fato ao qual deitaram fogo e avariaram as embarcações que ali estavam o dito pantoja caetano josé cordeiro e o padre vigário escaparam da fúria destes bárbaros à sua vista no escaler do referido cordeiro que se transportou pelo passo que há para este ibo e chegada à minha presença me narraram o sucedido e que o número de embarcações ou lacas era grande38 para além destes enormes prejuízos ficaram também despojados dos ornamentos vasos e imagens sagradas e de toda a prata da igreja paroquial nossa senhora do rosário material religioso que se encontrava num batel39 que para os pôr a salvo os levaria para fortaleza de são joão baptista do ibo o governador das ilhas atribuiu a responsabilidade desta lamentável perda à falta de diligência e cuidado do pároco que tivera o tempo suficiente para os guardar em lugar seguro e preocupava-se com as imagens sagradas roubadas pois temia pelo desacato que estes bárbaros farão nelas 40 até 1816 6 de dezembro esta igreja serviu várias vezes como base daqueles piratas do mar41 voltou depois a ser restaurada mas no fim do século xix viria a ser substituída por uma nova igreja dedicada a são luís gonzaga fig.vi idem códice 1478 fls 26 reunião de 15/8/1803 idem ibid cx 124 doc 42 carta de 20/9/1808 e códice 1478 fls 208 e segts ver carta nº 401 de 10/11/1808 cx 125 doc 14 e carta de 4/12/1808 em que o cap gen comunica a lisboa os estragos feitos pelos sakalava cx 125 doc 23 nesta povoação sita junto a uma lagoa do mesmo nome a sul da baía de pemba queimaram uma barquinha do baneane gapalgi que depois de preso se escapou por este tempo também surgiu a falsa notícia do ataque ao mossuril pela parte de condúcia com grande poder de gente e embarcações que teriam sido completamente destroçadas por 2 navios portugueses 38 a.h.u doc av moç carta nº 401 de 10/11/1808 também no códice 1478 fls 210 39 propriedade de manuel onofre pantoja 40 a.h.u doc av moç carta nº 414 cit fls 213 do códice 1478 41 para mais informações sobre ao ataques a esta costa norte de moçambique consular cap.x da minha tese de doutoramento as ilhas de querimba ou de cabo delgado :http br.geocities.com/quirimbaspemba/index.htm 37 36 10

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desta igreja paroquial chegaram aos nossos dias algumas das suas paredes fig iv sepulturas tanto no seu interior como exterior entre as quais se destaca a do 1º governador e capitão-mor caetano alberto júdice fig.v fig.iv ruínas da igreja de n.s do rosário 1970 crédito carlos bento fig v sepultura de caetano júdice 1970 crédito carlos bento capela de santo antÓnio da ilha de querimba esta capela levantada junto ao mar a menos de 2 quilómetros da igreja de nossa senhora do rosário foi mandada construir em 1593 por frei joão dos santos dela ainda se encontravam em 1974 algumas paredes de pé embora em franca ruína42 fig 42 tanto as ruínas da igreja de nossa senhora do rosário como desta capela encontram-se referenciadas na carta corográfica de palma velho citada no capítulo i 11

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fig.vi ruínas da capela de stº antónio 1970 crédito carlos bento igreja de sÃo luis gonzaga na ilha de querimba de acordo com informações fornecidas pelo padre constantino gerards coube a d antónio barroso restaurar em 1892 a paróquia da ilha de querimba sob o título são luís gonzaga construída à custa dos moradores católicos da ilha do ibo a sua primeira pedra foi lançada em 16 de fevereiro de 1893 e a nova igreja benzida em 21 de junho de 1896 esta segunda paróquia de querimba não alcançou os frutos desejados por falta de fiéis eis algumas das razões segundo o pe gerards em 1900 veio o governador da prelazia fazer a visita pastoral no registo das visitas pastorais escreveu para se ver o estado de desolação a que chegou esta freguesia basta dizer-se que sendo este dia domingo celebrou o pároco missa às 7 horas da manhã e eu às 8 sem que assistissem mais que o sacristão nesta ilha só há maometanos asiáticos e pretos sem adeptos o pároco de querimba escreveu em 1913 a meia dúziapouco mais de bons católocos que há aqui em 1923 escreveu o pároco do ibo encarregado também da paróquia de querimba hoje não há gente católica em querimba 43 em 1969 encontrei o edifício da antiga paróquia em mau estado que depois tornei útil preparando para ser uma escola fig xi fig vii edifício em 1969 edifício em 1972 pesquisa e texto de carlos lopes bento antropólogo e prof universitário continua 43 algumas datas e factos acerca das ilhas de querimba .p 5 e 6 12

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