Informativo "O Penitenciárista" Julho/Agosto 2013

 

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desde agosto deste ano a equipe do museu penitenciário paulista mpp está atendendo em novo endereço avenida zaki narchi 1207 ­ carandiru são paulo ­ capital a nova sede instalada em um prédio moderno e bem localizado facilitará o acesso dos servidores da sap e da sociedade tornando possível o oferecimento de serviços de qualidade a mudança foi necessária porque a antiga sede localizada em araraquara ficou pequena para a demanda hoje estima-se que o mpp atenderá cerca de 100 pessoas por dia agora com a mudança para o novo prédio o museu está organizado em um espaço bem maior o processo de reorganização do mpp teve inicio por meio da resolução sap-144 de 4 de junho de 2009 no intuito de retorná-lo para são paulo como também de tornálo aberto ao público uma vez que não se justificava o investimento em guarda e conservação do patrimônio se o objetivo educacional da comunidade não fosse atingido o trabalho de restruturação buscou criar novos espaços expositivos e estruturas de trabalho que possam possibilitar o desenvolvimento de uma política pública voltada à cultura e à educação tornando o museu uma ferramenta capaz de proporcionar a análise privilegiada da história da pena por intermédio de seu acervo no cronograma de implantação do projeto está prevista para os próximos meses a inauguração da nova sede do mpp quando será possível a realização de diversos eventos como palestras num auditório com sistema de audiovisual de alta tecnologia outra novidade será o agendamento de visitas escolares à nova exposição permanente do museu que está sendo montada o penitenciarista · 1

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você já notou que no dia a dia nós nos valemos de expressões que julgamos corriqueiras e de fácil entendimento para definir uma ideia porém sem sequer nos preocuparmos em saber de onde e como surgiu tal frase ou palavra no universo prisional então isso acaba sendo uma constante principalmente para os agentes de segurança penitenciária que por força da função lidam diretamente com os presos eles [agentes têm de decifrar um dialeto paralelo à sociedade que é usado pelos internos com uso demasiado de gírias na antiga penitenciária do estado diante da rigidez imposta no cárcere onde os presos eram proibidos até de conversarem entre si eles desenvolviam várias outras formas de comunicação algumas não verbais como o abano por exemplo alguns chegavam até a namorar com presas da penitenciária feminina que ficava a 200 metros de distancia sem nunca tê-las visto ou tocado a técnica consistia em trocar as letras do alfabeto por números de vezes que se abanava um pano o detalhe é que ninguém podia abanar com o abano do outro ou trocando em miúdos ninguém podia falar com a namorada do outro no livro código de cela o mistério das prisões o pedagogo e profundo conhecedor do sistema penitenciário guilherme silveira rodrigues além de contar histórias antológicas que viveu ao longo do tempo em que trabalhou e ainda trabalha em penitenciárias de são paulo também define alguns termos e palavras criadas no cárcere e que muitas vezes saíram dos parâmetros da prisão para serem usadas à revelia em nosso cotidiano o glossário se é que podemos assim definir traduz expressões como pão esse pãozinho francês que compramos na padaria era chamado de marroco na prisão o vaso sanitário por exemplo ainda é conhecido como boi um simples recado anotado em papel chama-se pipa e por aí vai café é moka em referência à famosa marca do produto viatura é bonde etc dentre tantas esquisitices o que chama a atenção é a palavra boia mesmo quem não está preso foto esquerda penitenciária do estado direita penitenciária feminina da capital a fortaleza chamada de castillo de san severino foi construída para defender a entrada do porto da cidade de matanzas em cuba por volta de 1870 tornou-se um presídio e se manteve como tal até 1982 durante o período da ditadura de fulgêncio batista e no período pós-revolução foi cárcere de vários presos políticos e local de execução por pelotão de fuzilamento em uma das paredes de sua muralha é possível notar a quantidade de buracos deixados pelos tiros atualmente o local abriga o museu da abolição contando a história dos escravos em cuba e a cultura que teve origem na tradição dos que vivenciaram a escravidão há uma parte do museu dedicada à religião que em muito se assemelha com a umbanda e candomblé nesta região as religiões de origem africana são muito presentes e praticadas até hoje incluindo alguns tipos de bruxaria e o vodu 2 · o penitenciarista

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sabe que a hora da boia é a hora do almoço mas por que boia de onde e como surgiu esse termo para denominar alimento ou hora de se alimentar em uma pesquisa rápida consegui algumas explicações que se não eliminam a dúvida por completo ao menos dão algumas pistas para que formemos uma opinião a explicação mais interessante que se encaixa perfeitamente no contexto penitenciário fala de uma presiganga navio usado como prisão ou que recolhe prisioneiros e foi citada no livro história das prisões no brasil a nau grande embarcação de guerra ou mercante chamada príncipe real inutilizada para o serviço de combate passou a ser usada como prisão depois de já ter transportado de passagem a rainha dona maria i e o príncipe regente dom joão por ocasião da transferência da corte portuguesa para a colônia da américa em 1807 o texto explica que nas primeiras décadas do século xix a santa casa de misericórdia fornecia assistência alimentar aos presos e os alimentos eram transportados do continente para a embarcação em caldeirões sobre boias fica a sugestão para pesquisar ou simplesmente refletir jorge de souza jornalista a casa de custódia e tratamento psiquiátrico dr arnaldo amado ferreira de taubaté é um dos estabelecimentos mais antigos do sistema penitenciário do estado de são paulo instalada aos 26/08/1955 na condição de presídio fechado abriga presos em cumprimento de medida de segurança e internos submetidos a tratamento psiquiátrico a casa foi instalada no imóvel onde outrora funcionou a penitenciária agrícola de taubaté antiga seção agrícola da penitenciária do estado pe dos primeiros internos dois grupos chegaram em 03/09/1955 procedentes do instituto correcional da ilha anchieta/icia a denominação de dr arnaldo amado ferreira foi dada em 1980 após em 1985 foi criado o centro de readaptação penitenciária crp em 2001 foi criado o regime disciplinar diferenciado rdd destinado a receber em regime fechado presos de alta periculosidade em 2003 cria-se o regime disciplinar especial feminino rde também em regime fechado hoje os regimes rdd e rde estão desativados atualmente são desenvolvidos projetos como artesanato comemoração de aniversariante do mês palestras educativas grupos terapêuticos grupos operativos esporte e recreação artesanato festividades projetos de saúde além do aproveitamento da mão de obra na fábrica de botões corozita e fábrica de produtos em mdf n° vagas para esta unidade hospitalar 244 n° vagas para o crp 160 instituto correcional de taubaté ­ janeiro de 1915 a 15/05/1934 as oficinas de marcenaria e de mecânica foram concluídas em 1916 instituto disciplinar da escola profissional p/menores ­ 15/05/1934 a 24/12/1935 reformatório profissional de taubaté p menores ­ 24/12/1935 a 31/12/1938 instituto de menores de taubaté ­ 01/01/1939 a 31/12/1939 seção agrícola da penitenciária do estado p adultos ­ 01/01/1940 a 31/07/1955 casa de custódia e tratamento de taubaté ­ 26/08/1955 casa de custódia e tratamento dr arnaldo amado ferreira ­ 08/01/1980 hospital de custódia e tratamento psiquiátrico dr arnaldo amado ferreira 28/06/2002 autor a l brazette ano 17/08/1926 o penitenciarista · 3

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durante o império de d pedro ii surgiu à necessidade de que um lazareto fosse construído uma espécie de hospital de quarentena adequado ao tratamento de viajantes e imigrantes do cólera-morbo malária e outras doenças uma comissão foi constituída para escolher o lugar apropriado para a construção do lazareto e após sugestões foi escolhida a ilha grande na bahia de angra dos reis rio de janeiro pois apresentava as condições necessárias de isolamento e habitação a autorização de sua construção deu-se em 06 de julho de 1884 em 19 de novembro de 1884 a coroa adquiriu de alfredo guimarães a fazenda do holandês e naquele mesmo ano iniciaram-se as obras cujo responsável foi o engenheiro francisco de paula freitas e seu ajudante henrique Álvares da fonseca a obra foi finalizada em 1886 e tiveram cuidado para dividir os alojamentos conforme as classes dos navios 1ª 2ª e 3ª classes não permitindo que se misturassem para isso aproveitaram parte da construção da fazenda para os alojamentos os pavilhões de 1ª e 2ª classes foram construídos a uma distância de 500m da orla marítima enquanto os de 3ª classe encontravam-se à beira-mar o la zareto funcionou de 1886 a 1913 no que diz respeito ao lazareto o controle e a disciplina rígida além do isolamento necessário para a contenção das doenças infecciosas contribuíram para a sua transformação em prisão o lazareto foi destinado à prisão militar preventiva em dois momentos entre 1925 e 1927 e de 1930 até 1945 durante o governo de getúlio vargas tendo em vista as características arquitetônicas de vigilância o exército ficou responsável pela guarda dos prisioneiros sendo utilizado o prédio destinado à 3ª classe cujas medidas eram de 55m em cada lateral possuindo diferentes salas e salões e com área interna subdividida em dois pátios cercados por muros os integrantes da revolta constitucionalista presos em 1932 foram enviados para a unidade com o ingresso desses novos presos o efetivo carcerário atingiu aproximadamente 2 mil presos desse período temos o testemunho de orígenes lessa 1932 que ficou preso lá por três meses e relatou sua experiência na obra ilha grande no ano de 1942 foi transferida para lá a colônia penal cândido mendes que existiu até 1962 quando por ordem do governador carlos lacerda o prédio do antigo lazareto foi implodido hoje existem apenas vestígios do prédio antigo josé paulo de morais souza 45 professor graduado em letras português/latim especialista em literatura brasileira mestre em memória social e doutorando em memória social diretor do centro de estudos e pesquisas da escola de gestão penitenciária do rio de janeiro e responsável pelo museu penitenciário do rio de janeiro titulo cela forte mulher o tema aprisionamento já foi tratado em jornais livros teses filmes e textos de dramaturgia etc porém a parte feminina desse universo sempre foi deixada a segundo plano nesse trabalho temos o relato sobre o aprisionamento de mulheres feito por um experimentado jornalista voluntário em presídios durante muitos anos autor carlos antônio prado gênero ciências humanas e sociais ano 2003 editora labortexto editorial filme filme césar deve morrer duração 76 minutos duração gênero drama gênero ano 2013 ano diretor diretor paolo taviani vittorio taviani numa época de tantos reality shows os diretores irmãos paolo e vittorio taviani levam sua câmera para uma prisão de segurança máxima italiana na unidade os presos encenam a peça júlio césar um dos mais belos textos de william shakespeare a peça em si e o impacto que a arte tem sobre os condenados fazem deste filme uma obra-prima do cinema vencedor do urso de ouro no festival de berlim sidney soares de oliveira edson galdino designer william costa santiago estagiários bruno neves evellyn cristina mateus eustáquio colaboradores revisão jorge de souza apoio imprensa sap josé paulo de morais souza programa de difusÃo cultural o penitenciarista acompanhe-nos pa c rti ip e enviando suas opiniões fotos ou histórias relacionadas ao sistema penitenciário para a próxima edição do informativo o penitenciarista e-mail museupenitenciario@sap.sp.gov.br visite nossos blogs www.museupenitenciario.blogspot.com.br www.penitenciariapraque.blogspot.com.br 4 · o penitenciarista

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