AS BRUXAS DE FRANKLIN CASCAES INVADEM A SALA DE AULA

 

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O presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados do desenvolvimento de um Projeto extracurricular a partir da Disciplina Prática Curricular Imagem e Som I e II, cujo objetivo era estabelecer uma proposta de intervenção escola, capaz de esti

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universidade do estado de santa catrina centro de ciÊncias da educaÇÃo ­ cce/faed departamento de histÓria luciana carlos geroleti manoel osvaldo mello junior priscila catarina hoffmann as bruxas de franklin cascaes invadem a sala de aula projeto cultural extracurricular da disciplina prática curricular imagem e som i e ii florianÓpolis 12 de dezembro de 2006

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luciana carlos geroleti manoel osvaldo mello junior priscila catarina hoffmann as bruxas de franklin cascaes invadem a sala de aula projeto cultural extracurricular da disciplina prática curricular imagem e som i e ii trabalho de conclusÃo apresentado na disciplina prÁtica curricular imagem e som i e ii curso de histÓria habilitaÇÃo em licenciatura e bacharelado coordenadora geral de estÁgios prof.ª dr.ª nadir esperanÇa azibeiro orientadora prof.ª dr.ª marcia ramos de oliveira florianÓpolis 12 de dezembro de 2006.

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agradecimentos agradecemos à professora doutora márcia ramos de oliveira e à direção alunos e funcionários da escola estadual presidente roosevelt pelo apoio e colaboração.

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epÍgrafe a ilha de santa catarina traz junto com suas historias as lendas de um lugar encantado e misterioso são as lendas que falam de reuniões de bruxas bruxas que atacam pescadores que roubam barcos bruxas que bailam dentro de tarrafas de pescaria e de vassouras bruxolicas bruxas que dão nós em caudas de cavalos franklin cascaes

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resumo o presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados do desenvolvimento de um projeto extracurricular a partir da disciplina prática curricular imagem e som i e ii cujo objetivo era estabelecer uma proposta de intervenção escola capaz de estimular os alunos a preservar o folclore local particularmente as bruxas na perspectiva de franklin cascaes durante o projeto as crianças produziram representações de bruxas através de desenho gravaram risadas e contos e visitaram locais em que esta manifestação cultural e folclórica pode ser percebida na cidade teve também como produto a construção de um blogger ­ um diário de campo virtual ­ onde foram relatados os encontros e divulgadas fotos das atividades do projeto palavras-chave bruxas franklin cascaes projeto extracurricular

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introduÇÃo o objetivo de nosso projeto foi abordar a temática das bruxas na ilha de santa catarina a partir da perspectiva de franklin cascaes foi com esta proposta que invadimos a sala de aula convidando os alunos para conhecer o folclore local este relatório tem por finalidade registrar o resultado do projeto que foi realizado na escola estadual presidente roosevelt no bairro coqueiros em florianópolis a escola atende crianças do ensino fundamental e médio o projeto foi desenvolvido em etapas diferentes iniciamos construindo sua fundamentação teórica buscando dar base teórica e metodológica as atividades propostas depois fomos a campo colocando-o em prática finalmente chegamos a esta terceira etapa quando apresentamos este relatório que reúne nossos ensaios e definem como percebemos o trabalho realizado.

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trajetÓria do estÁgio o nosso projeto foi realizado na escola estadual presidente roosevelt localizada no bairro coqueiros no município de florianópolis a escola não possui laboratório de informática consequentemente não pudemos usar computador nos encontros como recurso de mídia a escola possui apenas televisão e vídeo quando decidimos o tema estávamos pensando em usar tudo que fosse possível entre recursos e linguagens para mostrar a história das bruxas na ilha fizemos a divulgação nas salas e para nossa surpresa vieram apenas meninas com idades bem diferentes desde a primeira até a sétima série nenhum menino durante todo o projeto para incentivar a participação das alunas adotamos diversificadas linguagens vídeos temáticos e desenhos ainda conseguimos introduzir nesta proposta o uso da internet levando o grupo de alunos ao laboratório do cefid/udesc localizado ao lado da escola também saímos do espaço escolar visitando a praia de itaguaçu,4 conhecendo de perto a lenda das bruxas que se transformaram em pedra e a praça de franklin cascaes como anexos encontram-se neste relatório 1 os desenhos feitos pelas alunas onde é possível perceber que elas se representavam nos mesmos 2 fotografias das atividades do projeto 3 projeto 4 nesta visita mostramos a praia onde segundo a lenda as bruxa foram transformadas em pedra

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sumÁrio introdução 1 trajetória do estágio 07 2 descrição e análise do estágio 2.1 a dificuldade de ensinar história através de atividades extracurriculares 09 2.2 ressignificação da cultura popular local na sala de aula 12 2.3 a questão da bruxa como referência e a construção de uma identidade feminina 15 3 considerações finais 22 4 referência bibliográfica 23 5 anexos 24 a desenhos 25 b fotografias 41 c projeto 44

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2 descriÇÃo e anÁlise de estÁgio 2.1 a dificuldade de ensinar história através de atividades extracurriculares luciana carlos geroleti um projeto de trabalho é segundo selva guimarães fonseca composto de três fases 1ª identificação e formulação do problema 2ª a construção do desenvolvimento do trabalho e 3ª a apresentação dos resultados.5 ao iniciar nosso projeto extracurricular na escola presidente roosevelt no bairro coqueiros em florianópolis santa catarina tentamos seguir o que foi declarado concordando com o autor afirma-se um dos objetivos mais importantes do conhecimento histórico é a compreensão dos processos e dos sujeitos históricos o esclarecimento das relações que se estabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempo e espaço 6 o projeto então elaborado pelo grupo pretendia abordar o tema da bruxa como evidência do folclore local na cidade através de contos de franklin cascaes.7 precisava haver sentido no que elas estavam aprendendo foi onde pensamos que a figura da bruxa atrairia a atenção tendo ocorrido com as meninas que participaram trabalhamos com oito meninas inicialmente e terminamos com apenas cinco durante os dois primeiros encontros elas estavam se sentindo confortáveis com a atividade utilizamos como recursos principalmente a exibição de vídeos e a elaboração de desenhos pelo grupo estávamos mostrando a nossa proposta na medida em que as atividades foram repetitivas as meninas não sentiram vontade de 5 fonseca selva guimarães didática e prática de ensino de história campinas sp papirus 2003 p 109 bezerra holien gonçalves ensino de história conteúdos e conceitos básicos in karnal leandro 6 história na sala de aula conceitos práticas e propostas são paulo contexto 2003 p 41 utilizamos como referência a obra cascaes franklin o fantástico na ilha de santa catarina fpolis oficina gráfica ufsc 1979 7

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10 participar buscamos como alternativa apresentar outro recurso a internet através de jogos e pesquisa acessada na sala virtual do cefid8 a alternativa deu resultado pois percebemos que esta nova atividade motivou novamente as meninas nas palavras de fonseca o aluno tem vida própria fora da escola participa de outras organizações além da escola com as quais convive e aprende ou seja possui conhecimentos prévios e esse saber já construído deve ser o início do 9 caminho a percorrer então quando a proposta é diferente acaba atraindo fora do espaço escolar é a atividade elas aprendem tanto como se estivessem na escola formamos um grupo de meninas que já se conheciam fora deste ambiente que tiveram atritos mas eram amigas quando voltaram voltaram juntas existiam laços entre elas agora o interesse não era o mesmo para todas embora todas formassem um grupo e quisessem sair da rotina escolar naquele momento a escola era vista como chata aí estava a dificuldade de manter este grupo de trabalho como indício dessas mudanças a universidade do estado de santa catarina ­ udesc ­ na qual o departamento de história atual reformulou recentemente o currículo do curso de história com o objetivo de adequá-lo as demandas de nosso tempo e espaço entre os objetivos da disciplina de prática curricular imagem e som i e ii encontra-se a iniciativa de propor aos acadêmicos que usem da criatividade trabalhando com recursos midiáticos envolvendo imagem e som no sentido de despertar o interesse do aluno pela aula de história a prática do ensino de história atualmente possibilita que o aluno compreenda porque é importante aprender esta disciplina e participe do processo de sua construção partindo da história local estimula-se o aluno a entender como se formou a sua comunidade sua cidade seu país o mundo em que vive nosso projeto encontra-se de acordo com esta perspectiva que busca principalmente inovar a prática docente na área de história 8 centro de educação física e desporto campus florianópolis-coqueiros da universidade do estado de santa catarina 9 idem nota 1 p 111

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11 referências bibliográficas fonseca selva guimarães didática e prática de ensino de história campinas sp papirus 2003 bezerra holien gonçalves ensino de história conteúdos e conceitos básicos in karnal leandro história na sala de aula conceitos práticas e propostas são paulo contexto 2003 senge peter escolas que aprendem um guia da quinta disciplina para educadores pais e todos que se interessam pela educação porto alegre artmed 2005

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2.2 ressignificação da cultura popular local na sala de aula manoel osvaldo mello junior antes de discutirmos sobre a ressignificação da cultura popular local na sala de aula vamos procurar entender quem é o aluno a que estamos trabalhando e com quem compartilhamos experiências pois devemos sempre partir da premissa de que o aluno a é desde cedo um sujeito histórico um ser social completo não podemos classificá-lo como uma tabula rasa o professor a deve valorizar a vida do aluno fora do estabelecimento escolar compreender as suas relações através do convívio e aprendizagem com outras organizações sociais trazendo para sala de aula os seus conhecimentos prévios e os seus saberes já construídos segundo fonseca 2003 ele não apenas estuda e aprende mas faz história participa da história tem concepções prévias dos fatos históricos p 111 durante a aplicação do projeto o fantástico franklin cascaes e as bruxas de santa catarina essas premissas foram colocadas em prática quando nos primeiros encontros solicitamos que as alunas relatassem as representações de bruxas que já conheciam e se representassem como bruxas procurando valorizar dessa forma os seus conhecimentos e experiências já construídas anteriormente outro aspecto importante quando se trabalha com cultura popular local na sala de aula diz respeito às concepções de patrimônio pois o valor cultural da cultura popular local é muito pouco percebido diante da construção de uma cultura imposta pelas classes dominantes que só impõem valor aos grandes monumentos fundantes ou a representações composta por uma grande erudição portanto a sala de aula surge como um espaço importante para discutirmos essa cultura popular muitas vezes esquecida no cotidiano desse nosso mundo moderno É somente com o processo histórico pelo qual todas as sociedades civilizadas mantêm o vínculo de valores entre passado e o presente valores que se agregam aos objetos às práticas e às paisagens que nasce o reconhecimento desse conjunto de coisas atos e lugares um património aceito por convenções socialmente institucionalizadas que podem ir desde a vontade popular manifestada por consenso na democracia representativa até o mais tirânico gesto centralizador tognon p.163 a cultura popular na sala de aula surge como uma opção de ir além das disciplinas curriculares através dele conseguimos romper barreiras e trabalhar com as inúmeras possibilidades de interdisciplinaridade exigidas nos pcns ­ parâmetros curriculares nacionais e

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13 tão pouco praticada nas escolas devemos encarar os trabalhos com cultura popular como um ponto de partida não se trata de apenas mais um estudo para os alunos as é preciso ressignificálo através do desenvolvimento de atitudes de respeito e solidariedade necessárias à sua preservação e continuidade promover a criatividade por meio de atividades com música dança desenho confecção de fantasias entrevistas etc as pesquisas sobre a cultura popular podem começar primeiramente em casa no bairro na comunidade com isso conseguimos romper as barreiras escolares aproximando a família e a comunidade da escola para obter êxito nesse trabalho a escola e o professor devem ampliar sempre o universo da cultura popular perceber suas mudanças para não promover somente a transmissão de uma cultura dominante que pretende moldar os alunos tornando-os agentes passivos e contemplativos dessa cultura pensar falar escrever pesquisar sobre o folclore cultura popular é sempre muito prazeroso porque se trata de vivências antigas ou atuais compartilhadas ao longo de gerações afinal traduz o pensar sentir e agir do povo como definiu cascudo franklin cascaes interagia desde de cedo com a cultura popular local ela estava presente no seu cotidiano como por exemplo confecções de balaios tarrafas e nos contos que atraia sua curiosidade portanto quando ele percebe que essa cultura esta ameaçada de extinção em virtude das transformações do mundo moderno como por exemplo as mudanças ocorridas com a implantação da universidade federal de santa catarina e construção da br-101 ele busca sem pretensão preservá-la através do registro do cotidiano das populações do interior da ilha constituindo a base da sua obra que posteriormente vai ser ressignificada pela universidade federal e pela sociedade moderna catarinense cascaes foi sem dúvida primeiramente um artista que buscou retratar a realidade do cotidiano do seu povo em esculturas pinturas e relatos escritos parte ficção e parte realidade lupi p.175 quando comecei a trabalhar já estavam começando a desmontar a nossa cidade de nossa senhora do desterro cascaes 1981 deve ter sido por saudades saudades do passado fiz o trabalho sem nenhuma pretensão as vezes expunha por que me obrigavam algumas pessoas me levavam a fazer isso aí mas eu sempre estive quieto cascaes 1981 podemos concluir que a cultura popular é uma importante ferramenta na produção de conhecimento entre educando e educador mas além disso possibilita a reflexão sobre a

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14 importância da sabedoria popular para que no futuro ela esteja presente em nosso imaginário atuando na mobilização das expectativas positivas dos alunos promovendo o aprendizado de todos transformando a escola em um espaço de cidadania para os professores alunos e a comunidade referências bibliográficas fonseca selva guimarães didática e prática de ensino de história campinas sp papirus 2003 cascudo luís da câmara dicionário do folclore brasileiro 3ª ed.brasília ministério da educação e cultura/instituto nacional do livro 1972 pcn-parâmetros curriculares nacionais vol 10 pluralidade cultural e orientação sexual ministério da educação e do desporto secretaria de educação fundamental brasília 1997 tognon marcos patrimônio entre o presente e o passado cascaes franklin joaquim vida e arte e a colonização açoriana florianópolis ed ufsc 1981 lupi suzana o método em cascaes in anais do museu de antropologia florianópolis ed ufsc 1992 graipel junior hermes josé universo de franklin cascaes museu universitário oswaldo rodrigues cabral ufsc.

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2.3 a questão da bruxa como referencia e a construção de uma identidade feminina priscila catarina hoffmann a disciplina de pratica curricular imagem e som ii do curso de história da udesc me colocou pela primeira vez diante da situação de tentar entender o que é ser um professor a disciplina tem por base a elaboração de um projeto produzido pelos acadêmicos que colocaram em pratica nas escolas no contra turno por um período de aproximadamente dois meses realizei a pratica curricular no colégio presidente roosevelt em coqueiros na cidade de florianópolis sc com algumas alunas do colégio um projeto sobre frankilin cascaes abordando a crença em bruxas que o povo da ilha possui como em nosso projeto tivemos a participação apenas de meninas e não de meninos pensei em falar sobre a relação de identidade a partir da figura da bruxa e a participação das meninas no projeto procurando compreender em que medida a figura da bruxa associava ao elemento feminino em contraposição ao masculino.quem sabe entender que os meninos não se identificaram com o projeto o autor carlos roberto figueredo afirma que o ato de praticar bruxarias ou feitiçarias estaria representado no papel feminino ou seja estes tipos de obras são mais comumente realizadas por mulheres do que por homens10.segundo o autor isso não quer dizer que homens não realizassem bruxarias ou feitiçarias o fato é que eles realizavam mas em menor proporção do que as mulheres.muitos autores defendem a tese de que a revolta feminina tem sido a origem da bruxaria.utilizam-se de argumentos de ordem biológica para afirmar que as mulheres apresentam uma tendência física que as predispõem ao fantástico ao sobre natural que as transforma em um ser delinerante segundo michelet a bruxa surge numa época em que a miséria da vida a inferioridade e a incerteza da condição feminina a permanecia dos deuses pagãos nos campos medievais envolvem-se e interligam-se produzindo fenômenos mágicos· É surpreendente a sua maneira de tentar recriar o universo mental medieval e a intuição de uma existência real do 10 nogueira,carlos roberto figueredo bruxaria e historia :as praticas mágicas no ocidente cristão .bauru :edusc,2004 p.312 .

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