Meio Ambiente

 

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meio ambiente 167 meio ambiente

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apresentaÇÃo são grandes os desafios a enfrentar quando se procura direcionar as ações para a melhoria das condições de vida no mundo um deles é relativo à mudança de atitudes na interação com o patrimônio básico para a vida humana o meio ambiente os alunos podem ter nota 10 nas provas mas ainda assim jogar lixo na rua pescar peixes-fêmeas prontas para reproduzir atear fogo no mato indiscriminadamente ou realizar outro tipo de ação danosa seja por não perceberem a extensão dessas ações ou por não se sentirem responsáveis pelo mundo em que vivem como é possível dentro das condições concretas da escola contribuir para que os jovens e adolescentes de hoje percebam e entendam as conseqüências ambientais de suas ações nos locais onde trabalham jogam bola enfim onde vivem como eles podem estar contribuindo para a reconstrução e gestão coletiva de alternativas de produção da subsistência de maneira que minimize os impactos negativos no meio ambiente quais os espaços que possibilitam essa participação enfim essas e outras questões estão cada vez mais presentes nas reflexões sobre o trabalho docente a problematização e o entendimento das conseqüências de alterações no ambiente permitem compreendê-las como algo produzido pela mão humana em determinados contextos históricos e comportam diferentes caminhos de superação dessa forma o debate na escola pode incluir a dimensão política e a perspectiva da busca de soluções para situações como a sobrevivência de pescadores na época da desova dos peixes a falta de saneamento básico adequado ou as enchentes que tantos danos trazem à população a solução dos problemas ambientais tem sido considerada cada vez mais urgente para garantir o futuro da humanidade e depende da relação que se estabelece entre sociedade/natureza tanto na dimensão coletiva quanto na individual essa consciência já chegou à escola e muitas iniciativas têm sido tomadas em torno dessa questão por educadores de todo o país por essas razões vê-se a importância de incluir meio ambiente nos currículos escolares como tema transversal permeando toda prática educacional É fundamental na sua abordagem considerar os aspectos físicos e biológicos e principalmente os modo de interação do ser humano com a natureza por meio de suas relações sociais do trabalho da ciência da arte e da tecnologia a primeira parte deste documento aborda a questão ambiental a partir de um breve histórico e discorre sobre o reconhecimento da existência de uma crise ambiental que muito se confunde com um questionamento do próprio modelo civilizatório atual apontando para a necessidade da busca de novos valores e atitudes no relacionamento com o meio em que vivemos enfatiza assim a urgência da implantação de um trabalho de educação ambiental que contemple as questões da vida cotidiana do cidadão e discuta algumas visões polêmicas sobre essa temática 169

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nesta primeira parte ainda são apresentadas algumas reflexões sobre o processo educacional propriamente dito com destaque para a explicitação de indicadores para a construção do ensinar e do aprender em educação ambiental na segunda parte são apresentados os conteúdos os critérios adotados para sua seleção neste documento e a forma como eles devem ser tratados para atingir os objetivos desejados secretaria de educação fundamental 170

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a questÃo ambiental a perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo no qual se evidenciam as inter-relações e a interdependência dos diversos elementos na constituição e manutenção da vida À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para satisfação de necessidades e desejos crescentes surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos nos últimos séculos um modelo de civilização se impôs alicerçado na industrialização com sua forma de produção e organização do trabalho a mecanização da agricultura o uso intenso de agrotóxicos e a concentração populacional nas cidades tornaram-se hegemônicas na civilização ocidental as interações sociedade/natureza adequadas às relações de mercado a exploração dos recursos naturais se intensificou muito e adquiriu outras características a partir das revoluções industriais e do desenvolvimento de novas tecnologias associadas a um processo de formação de um mercado mundial que transforma desde a matéria-prima até os mais sofisticados produtos em demandas mundiais quando se trata de discutir a questão ambiental nem sempre se explicita o peso que realmente têm essas relações de mercado de grupos de interesses na determinação das condições do meio ambiente o que dá margem à interpretação dos principais danos ambientais como fruto de uma maldade intrínseca ao ser humano a demanda global dos recursos naturais deriva de uma formação econômica cuja base é a produção e o consumo em larga escala a lógica associada a essa formação que rege o processo de exploração da natureza hoje é responsável por boa parte da destruição dos recursos naturais e é criadora de necessidades que exigem para a sua própria manutenção um crescimento sem fim das demandas quantitativas e qualitativas desses recursos as relações político-econômicas que permitem a continuidade dessa formação econômica e sua expansão resultam na exploração desenfreada de recursos naturais especialmente pelas populações carentes de países subdesenvolvidos como o brasil É o caso por exemplo das populações que comercializam madeira da amazônia nem sempre de forma legal ou dos indígenas do sul da bahia que queimam suas matas para vender carvão vegetal os rápidos avanços tecnológicos viabilizaram formas de produção de bens com conseqüências indesejáveis que se agravam com igual rapidez a exploração dos recursos naturais passou a ser feita de forma demasiadamente intensa a ponto de pôr em risco a sua renovabilidade sabe-se agora da necessidade de entender mais sobre os limites da renovabilidade de recursos tão básicos como a água por exemplo 173

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recursos não-renováveis como o petróleo ameaçam escassear de onde se retirava uma árvore agora retiram-se centenas onde moravam algumas famílias consumindo escassa quantidade de água e produzindo poucos detritos agora moram milhões de famílias exigindo a manutenção de imensos mananciais e gerando milhares de toneladas de lixo por dia essas diferenças são definitivas para a degradação do meio sistemas inteiros de vida vegetal e animal são tirados de seu equilíbrio e a riqueza gerada num modelo econômico que propicia a concentração da renda não impede o aumento da miséria e da fome algumas das conseqüências são por exemplo o esgotamento do solo a contaminação da água e a crescente violência nos centros urbanos À medida que tal modelo de desenvolvimento provocou efeitos negativos mais graves surgiram manifestações e movimentos que refletiam a consciência de parcelas da população sobre o perigo que a humanidade corre ao afetar de forma tão violenta o seu meio ambiente em vários países a preocupação com a preservação de espécies surgiu há muitos anos no final do século passado iniciaram-se manifestações pela preservação de sistemas naturais que culminaram na criação de parques nacionais e em outras unidades de conservação1 nas regiões mais industrializadas passou-se a constatar uma deterioração na qualidade de vida o que afeta tanto a saúde física quanto a saúde psicológica das pessoas especialmente das que habitam as grandes cidades por outro lado os estudos ecológicos começaram a tornar evidente que a destruição e até a simples alteração de um único elemento pode ser nociva e mesmo fatal para todo o ecossistema2 grandes extensões de monocultura por exemplo podem determinar a extinção regional de algumas espécies e a proliferação de outras vegetais e animais favorecidos pela plantação ou cujos predadores foram exterminados reproduzem-se de modo desequilibrado prejudicando a própria plantação eles passam a ser considerados então uma praga a indústria química oferece como solução o uso de praguicidas que acabam muitas vezes envenenando as plantas o solo a água e colocam em risco a saúde de trabalhadores rurais e consumidores assim como em outros países no brasil a preocupação com a exploração descontrolada e depredatória de recursos naturais passou a existir em função do rareamento do pau1 É nesse contexto que no final do século passado surgiu a área do conhecimento que se chamou de ecologia o termo foi proposto em 1866 pelo biólogo haeckel e deriva de duas palavras gregas oikos que quer dizer morada e logos que significa estudo a ecologia começou como um novo ramo das ciências naturais e seu estudo passa a sugerir novos campos do conhecimento como a ecologia humana e a economia ecológica mas só na década de 1970 o termo passa a ser conhecido do grande público com freqüência porém ele é usado com outros sentidos e até como sinônimo de meio ambiente 2 entende-se por ecossistema o conjunto de interações desenvolvidas pelos componentes vivos animais vegetais fungos protozoários e bactérias e não-vivos água gases atmosféricos sais minerais e radiação solar de um determinado ambiente sÃo paulo estado secretaria do meio ambiente 1992a 174

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brasil há poucos séculos foi estabelecida uma regulamentação para a extração de alguns tipos de madeira que passaram a ser tratadas como madeiras de lei hoje além de ser um dos maiores países do mundo em extensão o brasil ainda possui inúmeros recursos naturais de fundamental importância para todo o planeta desde ecossistemas como as florestas tropicais o pantanal o cerrado os mangues e restingas até uma grande parte da água doce disponível para o consumo humano dono de uma das maiores biodiversidades3 do mundo este país tem ainda uma riqueza cultural vinda da interação entre os diversos grupos étnicos americanos africanos europeus asiáticos etc que traz contribuições singulares para a relação sociedade/natureza parte desse patrimônio cultural consiste no conhecimento importantíssimo mas ainda pouco divulgado dos ecossistemas locais seu funcionamento sua dinâmica e seus recursos É preocupante no entanto a forma como os recursos naturais e culturais brasileiros vêm sendo tratados poucos produtores conhecem ou dão valor a esse conhecimento do ambiente em que atuam muitas vezes para utilizar um recurso natural perde-se outro de maior valor como tem sido o caso da formação de pastos em certas áreas da amazônia com freqüência também a extração de um bem minérios por exemplo traz lucros somente para um pequeno grupo de pessoas que muitas vezes não são habitantes da região e levam a riqueza para longe e até para fora do país a falta de articulação entre ações sistemáticas de fiscalização legislação e implantação de programas específicos que caracterizariam uma política ambiental adequada além da falta de valorização por parte de todos induz esses grupos a deixar essas áreas devastadas o que custará caro à saúde da população e aos cofres públicos além disso a degradação dos ambientes intensamente urbanizados nos quais se insere a maior parte da população brasileira também é razão de ser deste tema a fome a miséria a injustiça social a violência e a baixa qualidade de vida de grande parte da população brasileira são fatores fortemente relacionados ao modelo de desenvolvimento e suas implicações problemas como esse vêm confirmar a hipótese que já se levantava da possibilidade de sérios riscos em se manter um alto ritmo de ocupação com invasão e destruição da natureza sem conhecimento das implicações para a vida no planeta por volta da metade do século xx ao conhecimento científico da ecologia somouse um movimento ambientalista voltado no início principalmente para a preservação de grandes áreas de ecossistemas intocados pelo ser humano criando-se parques e reservas isso foi visto muitas vezes como uma preocupação poética de visionários uma vez que pregavam o afastamento do ser humano desses espaços inviabilizando sua exploração econômica 3 a respeito do termo biodiversidade bio vida diversidade diferença ver anexo iii deste documento 175

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após a segunda guerra mundial principalmente a partir da década de 60 intensificou-se a percepção de a humanidade caminhar aceleradamente para o esgotamento ou a inviabilização de recursos indispensáveis à sua própria sobrevivência assim sendo algo deveria ser feito para alterar as formas de ocupação do planeta estabelecidas pela cultura dominante esse tipo de constatação gerou o movimento em defesa do ambiente que luta para diminuir o acelerado ritmo de destruição dos recursos naturais ainda existentes e busca alternativas que conciliem na prática a conservação da natureza com a qualidade de vida das populações que dependem dessa natureza toda essa situação colocou em xeque a idéia desenvolvimentista de que a qualidade de vida dependia unicamente do avanço da ciência e da tecnologia todos os problemas sociais e econômicos teriam nessa visão solução com a otimização da exploração dos recursos naturais diante dos problemas que emergiram desse sistema surgiu a necessidade de repensar o conceito de desenvolvimento do confronto inevitável entre o modelo de desenvolvimento econômico vigente que valoriza o aumento de riqueza em detrimento da conservação dos recursos naturais e a necessidade vital de conservação do meio ambiente surge a discussão sobre como viabilizar o crescimento econômico das nações explorando os recursos naturais de forma racional e não predatória estabelece-se então uma discussão que está longe de chegar a um fim a um consenso geral será necessário impor limites ao crescimento será possível o desenvolvimento sem o aumento da destruição de que tipo de desenvolvimento se fala a interdependência mundial se dá também sob o ponto de vista ecológico o que se faz num local num país pode afetar amplas regiões e ultrapassar várias fronteiras É o que acontece por exemplo com as armas atômicas se um país resolve fazer um experimento atômico o mundo todo sofre em maior ou menor grau as conseqüências dessa ação um desastre numa usina nuclear atinge num primeiro momento apenas o que está mais próximo pessoas alimentos e todas as formas de vida num segundo momento pelas correntes de água pelos ventos e pelas teias alimentares dentre outros processos o desastre pode chegar a qualquer parte do mundo com a constatação da inevitável interferência que uma nação exerce sobre outra por meio das ações relacionadas ao meio ambiente a questão ambiental isto é o conjunto de temáticas relativas não só à proteção da vida selvagem no planeta mas também à melhoria do meio ambiente4 e da qualidade de vida das comunidades passa a compor a lista dos temas de relevância internacional em todos os espaços os recursos naturais e o próprio meio ambiente tornam-se uma prioridade um dos componentes mais importantes para o planejamento político e econômico dos governos passando então a ser analisados em seu potencial econômico e vistos como 4 a respeito da conceituação de meio ambiente ver anexo iii deste documento 176

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fatores estratégicos o desnível econômico entre grupos sociais e países exerce importante pressão sobre as políticas econômicas e ambientais em cada parte do mundo além disso o poderio dos grandes empreendimentos transnacionais torna os recursos naturais e o meio ambiente capazes de influir fortemente nas decisões ambientais que governos e comunidades deveriam tomar especialmente quando envolvem o uso dos recursos naturais É nesse contexto que se iniciam as grandes reuniões mundiais sobre o tema5 ao lado da chamada globalização econômica assiste-se à globalização dos problemas ambientais instituiu-se assim um fórum internacional em que os países apesar de suas imensas divergências se vêem politicamente obrigados a se posicionar quanto a decisões ambientais de alcance mundial a negociar e a legislar de forma que os direitos e os interesses de cada nação possam ser minimamente equacionados em função do interesse maior da humanidade e do planeta a ética entre as nações e os povos passa então a incorporar novas exigências com base numa percepção de mundo em que as ações sejam consideradas em suas conseqüências mais amplas tanto no espaço quanto no tempo não é só o crime ou a guerra que ameaça a vida mas também a forma como se gera se distribui e se usa a riqueza a forma como se trata a natureza de qualquer forma é fundamental a sociedade impor regras ao crescimento à exploração e à distribuição dos recursos de modo a garantir a qualidade de vida daqueles que deles dependam e dos que vivem no espaço do entorno em que são extraídos ou processados portanto deve-se cuidar para que o uso econômico dos bens da terra pelos seres humanos tenha caráter de conservação isto é que gere o menor impacto possível e respeite as condições de máxima renovabilidade dos recursos nos documentos assinados pela grande maioria dos países do mundo incluindo-se o brasil fala-se em garantir o acesso de todos aos bens econômicos e culturais necessários ao desenvolvimento pessoal e a uma boa qualidade de vida relacionando-o com o conceito de sustentabilidade6 sabe-se que o maior bem-estar das pessoas não é diretamente proporcional à maior quantidade de bens consumidos entretanto o atual modelo econômico estimula um consumo crescente e irresponsável condenando a vida na terra a uma rápida destruição impõe-se assim a necessidade de estabelecer um limite a esse consumo 5 a primeira conferência internacional promovida pela organização das nações unidas onu foi a de estocolmo em 1972 e a segunda foi no rio de janeiro em 1992 a rio/92 6 o debate em torno do conceito de desenvolvimento sustentável apresentado pelo programa das nações unidas para o meio ambiente pnuma como sendo a melhoria da qualidade da vida humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas trouxe à tona essa outra terminologia optou-se pelo termo sustentabilidade pois muitos consideram a idéia de desenvolvimento sustentável ambígua permitindo interpretações contraditórias desenvolvimento é uma noção associada à modernização das sociedades no interior do modelo industrial um dos aspectos mais relevantes para a compreensão da discussão diz respeito a uma característica fundamental dessa idéia de desenvolvimento a busca da expansão constante e de certo modo ilimitada neste sentido a necessidade de garantir o desenvolvimento sustentável consenso nos pactos internacionais é uma meta praticamente inatingível numa sociedade organizada sob este modelo de produção para maiores esclarecimentos sobre tais conceitos ver anexo iii 177

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de fato o que se tem de questionar vai além da simples ação de reciclar reaproveitar ou ainda reduzir o desperdício de recursos estratégias que não fogem por si da lógica desenvolvimentista É preciso apontar para outras relações sociais outros modos de vida ou seja rediscutir os elementos que dão embasamento a essa lógica a forma de organização das sociedades modernas constitui-se no maior problema para a busca da sustentabilidade e estão embutidas aqui as profundas diferenças entre países centrais e periféricos do mundo a crise ecológica a primeira grande crise planetária da história da humanidade tem dimensão tal que a despeito das dificuldades e até impossibilidade de promover o desenvolvimento sustentável essas sociedades se vêem forçadas a desenvolver pesquisas e efetivar ações mesmo que em pequena escala para garantir minimamente a qualidade de vida no planeta no interior dessas relações mundiais porém somente ações atenuantes têm sido possíveis pois a garantia efetiva da sustentabilidade exige uma profunda transformação da sociedade e do sistema econômico do capitalismo industrial substituindo radicalmente os modelos de produção da subsistência do saber de desenvolvimento tecnológico e da distribuição dos bens sustentabilidade assim implica o uso dos recursos renováveis de forma qualitativamente adequada e em quantidades compatíveis com sua capacidade de renovação em soluções economicamente viáveis de suprimento das necessidades além de relações sociais que permitam qualidade adequada de vida para todos a própria perspectiva das necessidades do mercado mundial dificultam muitas iniciativas nesse sentido um bom exemplo disso vem da ii conferência das nações unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento a rio/92 que estabeleceu uma série de diretrizes para um mundo ambientalmente mais saudável incluindo metas e ações concretas entre outros documentos aprovou-se a agenda 21 que reúne propostas de ação para os países e os povos em geral bem como estratégias para que essas ações possam ser cumpridas os países da américa latina e do caribe apresentaram a nossa agenda com suas prioridades e os governos locais apresentaram a agenda local apesar da extrema importância desses documentos ainda não foi posta em prática boa parte dessas diretrizes e metas principalmente as de grande escala pois a competição no mercado internacional não permite crise ambiental ou crise civilizatória para uns a maior parte dos problemas atuais pode ser resolvida pela comunidade científica pois confiam na capacidade de a humanidade produzir novas soluções tecnológicas e econômicas a cada etapa em resposta aos problemas que surgem permanecendo basicamente no mesmo paradigma civilizatório dos últimos séculos para outros a questão ambiental representa quase uma síntese dos impasses que o 178

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atual modelo de civilização acarreta pois consideram o que se assiste no final do século xx não só como crise ambiental mas civilizatória e que a superação dos problemas exigirá mudanças profundas na concepção de mundo de natureza de poder de bem-estar tendo por base novos valores faz parte dessa nova visão de mundo a percepção de que o ser humano não é o centro da natureza e deveria se comportar não como seu dono mas percebendo-se como parte dela e resgatar a noção de sua sacralidade respeitada e celebrada por diversas culturas tradicionais antigas e contemporâneas porém a maioria reconhece que a forma clássica para estudar a realidade subdividindo-a em aspectos a serem analisados isoladamente por diferentes áreas do conhecimento não é suficiente para a compreensão dos fenômenos ambientais algumas das idéias fundamentais para a estruturação do conhecimento a partir da idade moderna desvinculam-no de ideais ético-filosóficos afirmando e buscando a objetividade científica com isso os seres vivos e os elementos da natureza foram destituídos de qualquer outro tipo de valor místico que podem ter tido em diversos momentos da história e em várias culturas tal concepção se estruturou dessa forma no contexto de possibilidades e necessidades criadas no interior de um novo ordenamento da produção econômica e organização política da sociedade assim acabou contribuindo para legitimar a manipulação irrestrita da natureza uma das premissas dessas novas relações de produção desvendar os segredos dessa natureza significava também poder construir novas máquinas para aumentar a produção esse novo poder que o saber adquiria advinha do fato de possibilitar o ritmo de utilização dos objetos e do próprio conhecimento necessários à moderna organização social do trabalho que então se estruturava afinal formava-se um extenso mercado consumidor sem os estudos empírico-experimentais fundamentais para a construção do conhecimento científico certamente não seria possível todo o saber que a civilização ocidental acumulou no entanto boa parte do desenvolvimento científico que se evidencia nos progressos tecnológicos do século xx está ligado a essa razão instrumental centrada na preocupação de desvendar intervir operar servindo de suporte ao crescimento econômico transcendendo inclusive a intencionalidade do cientista em sua ação individual portanto está inserido nas regras do mercado na lógica desenvolvimentista e pouco preocupado com aspectos finalistas da vida humana hoje percebendo os limites e impasses dessa concepção está claro que a complexidade da natureza e da interação sociedade/natureza exigem um trabalho que explicite a correlação entre os diversos componentes na verdade até a estrutura e o sentido de ser desses componentes parecem ser diferentes quando estudados sob a ótica dessas interações É preciso encontrar uma outra forma de adquirir conhecimentos que possibilite enxergar o objeto de estudo com seus vínculos e também com os contextos físico biológico histórico social e político apontando para a superação dos problemas ambientais entretanto a busca dessa abordagem não tem sido fácil nem isenta de contradições 179

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mesmo a ecologia que em sua origem tinha como objeto de estudo os componentes de grandes sistemas tendo em vista a compreensão de sua dinâmica foi adquirindo significados variados nas últimas décadas para diferentes grupos em diferentes contextos para alguns trata-se de estudos mais técnico-científicos de sistemas biológicos ou de sistemas sociais para outros a concepção de ecologia inclui a atuação concreta na gestão e participação efetiva nas soluções dos problemas ambientais num compromisso com a manutenção do equilíbrio de diversos ecossistemas e em ações coerentes com essas idéias esta última está mais associada ao movimento ambientalista tantos outros problemas de ordem de concepção de ideologias de modos de vida e de valores ligados aos impasses concretos e materiais deste nosso final de século se impõem à humanidade salienta-se a necessidade de trabalhar também os aspectos subjetivos das interações individuais e coletivas a problemática ambiental exige mudanças de comportamentos de discussão e construção de formas de pensar e agir na relação com a natureza isso torna fundamental uma reflexão mais abrangente sobre o processo de aprendizagem daquilo que se sabe ser importante mas que não se consegue compreender suficientemente só com lógica intelectual hoje essa necessidade é clara vêm daí as teorias das inteligências múltiplas e tantas outras que entretanto acabam não transcendendo os velhos parâmetros de validação de saberes hegemônicos na civilização ocidental entre os grandes anseios atuais está a busca de uma forma de conhecimento que inclua energias afetividade etc que se traduzem nos espaços cultos como procura de novos paradigmas É a necessidade de validar a procura de novas explicações e saídas que faz emergir novas possibilidades por intermédio de conceitos filosóficos como o holismo ou simplesmente do apego a idéias religiosas assim a questão ambiental impõe às sociedades a busca de novas formas de pensar e agir individual e coletivamente de novos caminhos e modelos de produção de bens para suprir necessidades humanas e relações sociais que não perpetuem tantas desigualdades e exclusão social e ao mesmo tempo que garantam a sustentabilidade ecológica isso implica um novo universo de valores no qual a educação tem um importante papel a desempenhar a educação como elemento indispensável para a transformação da consciência ambiental uma das principais conclusões e proposições assumidas em reuniões internacionais é a recomendação de investir numa mudança de mentalidade conscientizando os grupos humanos da necessidade de adotar novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas e das constatações feitas nessas reuniões 180

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por ocasião da conferência internacional rio/92 cidadãos representando instituições de mais de 170 países assinaram tratados nos quais se reconhece o papel central da educação para a construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado o que requer responsabilidade individual e coletiva em níveis local nacional e planetário e é isso o que se espera da educação ambiental no brasil assumida como obrigação nacional pela constituição promulgada em 1988 todas as recomendações decisões e tratados internacionais sobre o tema7 evidenciam a importância atribuída por lideranças de todo o mundo para a educação ambiental como meio indispensável para conseguir criar e aplicar formas cada vez mais sustentáveis de interação sociedade/natureza e soluções para os problemas ambientais evidentemente a educação sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta mas certamente é condição necessária para isso nesse contexto fica evidente a importância de educar os brasileiros para que ajam de modo responsável e com sensibilidade conservando o ambiente saudável no presente e para o futuro saibam exigir e respeitar os direitos próprios e os de toda a comunidade tanto local como internacional e se modifiquem tanto interiormente como pessoas quanto nas suas relações com o ambiente a preocupação em relacionar a educação com a vida do aluno seu meio sua comunidade não é novidade ela vem crescendo especialmente desde a década de 60 no brasil exemplo disso são atividades como os estudos do meio porém a partir da década de 70 com o crescimento dos movimentos ambientalistas passou-se a adotar explicitamente a expressão educação ambiental para qualificar iniciativas de universidades escolas instituições governamentais e não-governamentais por meio das quais se busca conscientizar setores da sociedade para as questões ambientais um importante passo foi dado com a constituição de 1988 quando a educação ambiental se tornou exigência a ser garantida pelos governos federal estaduais e municipais artigo 225 § 1o vi8 neste final de século de acordo com o depoimento de vários especialistas que vêm participando de encontros nacionais e internacionais o brasil é considerado um dos países com maior variedade de experiências em educação ambiental com iniciativas originais que muitas vezes se associam a intervenções na realidade local portanto qualquer política nacional regional ou local que se estabeleça deve levar em consideração essa riqueza de experiências investir nela e não inibi-la ou descaracterizar sua diversidade9 ver anexo i até meados da década de 90 não havia sido definida completamente uma política nacional de educação ambiental as características e as responsabilidades do poder público e dos cidadãos com relação à educação ambiental fixaramse por lei no congresso nacional cabe ao conselho nacional do meio ambiente conama definir os objetivos as estratégias e os meios para a efetivação de uma política de educação ambiental no país 9 para conhecer mais ver bibliografia 8 7 181

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