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bombeiros sexta-feira 05 de novembro de 2010 arquivo dos bombeiros voluntários do peso da régua as melhores imagens da sua história um incêndio nas caldas do moledo c erta vez há já mais de meio século a nossa corporação foi chamada para debelar um incêndio nas caldas do moledo numa casa pertencente a basílio rodrigues osório trunfo político e regedor vitalício o qual dava cartas sem todas aquelas redondezas nessa casa tinha de instala da uma pequena loja de negócio cuja clientela ele próprio atendia era uma serie de casas gémeas que ali havia construídas até à altura da padieira com pedra miúda e barro e as paredes do primeiro andar constituídas por taipas com as madeiras muito ressequidas pelas intempéries e pelo correr dos anos e que eram verdadeiros ramos de carqueja que o incêndio lamberia num momento se não lhe tivéssemos travado a tempo a vertiginosa e assustadora corrida sob as ordens do comandante camilo guedes montou-se o serviço num prazo de tempo record ficando nós com a certeza absoluta adquirida logo após os primeiros jactos de três agulhetas de que liquidaríamos rapidamente esse pequeno biscate mas enganamo-nos redondamente tendo-se esgotado a água que abastecia as bombas proveniente de uma taça que existia e creio que ainda existe no jardinzinho situado em frente do edifício do casino tivemos de ir buscá-la para lá dos quartéis amarelos a uma propriedade pertencente à casa ferreirinha perdeu-se assim algum tempo mas valeu a pena pois que daí em diante tivemos água em abundância com a qual dominamos o incêndio que devido a este contratempo chegou a atingir proporções espectaculares e preocupantes ora quando chegamos ao moledo já o incêndio se havia propagado à casa do tenente francisco nogueira na qual funcionava uma pequena fábrica de doce principalmente de pão-de-ló que tinha vasta clientela e rendia largos lucros a certa altura o nosso comandante sintetizando o comandante salvou a vida ao rouxinol que não voltaria a dar nas lindas madrugadas de abril os seus alegres e melodiosos trinados e gorjeios e por sua vez o capacete salvou a vida ao comandante e quando chegados ao quartel comentávamos o assunto diz-nos camilo guedes com a cabeça empanada e a rabeca do charuto ao canto da boca para se salvar uma criatura de uma morte certa todos temos a obrigação de sacrificar seja o que for mesmo que sejamos nos próprios ora este critério está absolutamente de acordo com o exposto na poesia o bombeiro que camilo guedes escreveu há muitos anos e que foi recitado por gabriel gouveia numa récita de gala em benefício da corporação e que o jornal arrais publicará oportunamente nessa récita como não podia deixar de ser também tomou parte o autor destas linhas sou o remanescente desse denodado grupo de bairristas belos tempos antónio guedes antigo chefe dos bombeiros da régua notas 1-este artigo faz parte das memórias de chefe antónio guedes que se encontram publicadas no jornal o arrais este artigo saiu na edição de 5 de setembro de 1980 como o título de recordando 2-na fotografia o chefe antónio guedes está fardado de 2º comandante dos bombeiros da régua ao lado do comandante lourenço de almeida medeiros 3-o chefe antónio guedes como gostava de ser conhecido era filho de um bombeiro o comandante camilo guedes castelo branco e faleceu nos finais da década de 80 estando o seu corpo sepultado no cemitério municipal sempre velando pela segurança dos seus homens verificou que o taipal da frente da casa do tenente nogueira se encontrava perigosamente desaprumado dando inequívocos sinais de uma próxima derrocada e por toques de apito como se usava então deu ordem para se abandonar imediatamente o serviço todos nós o fizemos com ordem com disciplina sem atrapalhações e procuramos lugares abrigados ou afastados todos nós o fizemos mas houve um bombeiro o corneteiro agostinho rouxinol que parado no meio da estrada voltado de costas para o comandante e com a corneta debaixo do braço se moveu não prestando atenção às ordens transmitidas pelo comando estava completamente abstracto absolutamente alheio então o comdante camilo guedes enerva-se dá uma breve corrida e prega um violento encontrão ao rouxinol obrigando-o a mudar ele poleiro e dá-se a derrocada neste momento indo o taipal com as suas duas janelas cair a prumo e de cutelo precisamente no lugar em que o rouxinol tinha permanecido tendo ao tombar sobre o lado direito sepultado sob uma montanha de destroços incandescentes o nosso velho e abnegado comandante angustiados todos nós corremos como loucos para o local do desastre tirando o comandante da crítica situação em que se encontrava e levando-o em braços para a farmácia de napoleão de pinho valente republicano ferrenho que por duas vezes já havia sido eleito vereador municipal este tratou o ferido com todo o cuidado e desvelo principalmente a brecha que apresentava na cabeça semanÁrio independente defensor do alto douro 5
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