Informativo O Penitenciarista Maio/Junho

 

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entre os dias 13 a 19 de maio foi realizada a 11ª semana dos museus organizada pelo instituto brasileiro de museus ­ ibram o tema deste ano foi museus memÓria criatividade mudanÇa social o museu penitenciário paulista participou com exibição de trechos das gravações realizadas no projeto de memória oral do sistema penitenciário esses trechos resultaram no curta intitulado bifada uma alusão à transformação ocorrida na vida dos personagens após começarem trabalhar no sistema penitenciário o documentário busca contar de uma forma dinâmica e criativa a vida dos personagens na tentativa de enxergar as mudanças sofridas em suas vidas desde as dificuldades na chegada ao sistema a opinião da família o preconceito da sociedade e deles mesmo sobre o sistema prisional no curta são relatadas suas vivências no sistema o dia a dia do seu trabalho e suas transformações íntimas transformações tão intensas que se assemelham a uma tapa ou um abalo que levaram a mudanças na atuação de cada um e à consequente transformação social a apresentação do filme ocorreu no dia 16 de maio auditório da escola de administração penitenciária dr luiz camargo wolffmann eap com participação dos alunos antes de iniciar o filme ocorreu uma fala explicativa sobre a produção e intenção do filme e após apresentação foi proposto um diálogo reflexivo sobre o filme a exibição desse primeiro curta metragem foi uma oportunidade de apresentar ao público pela primeira vez o projeto memória oral do sistema penitenciário que tem como finalidade captar depoimentos visando resguardar a memória de pessoas que tem ou tiveram sua história de vida relacionada ao sistema penitenciário hoje já contamos com mais de 30 depoimentos o potencial do material registrado é enorme e no decorrer do desenvolvimento do projeto será produzida uma série de curtas metragens sobre diversos temas na inauguração da nova sede do museu o material poderá ser assistido na biblioteca ou na exposição permanente do mpp o penitenciarista · 1

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no início de minha carreira meio relutante e com reservas assumia como guarda de presídio na penitenciária do estado sabendo que estava ingressando num ambiente onde tudo ia ser novo porém não imaginava o quanto aos poucos fui me incorporando num mundo que desconhecia muitos comentavam que os presídios eram o verdadeiro inferno porém descobri que o inferno podia estar muito mais próximo do que imaginava dentro de cada um de nós tinha em mente que o preso deveria ser tratado como preso mas não tinha consciência de que o que ocorria no interior das prisões nada mais era do que o reflexo do que ocorria na sociedade não imaginava que essa experiência fosse me modificar tanto o tempo inexorável foi passando aos poucos fui assimilando os ensinamentos dos companheiros mais antigos o sistema foi se tornando parte de mim havia sido picado pelo famigerado e sem antídoto vírus do sistema penitenciário o mesmo que vitimou muitos outros colegas que se engajaram de corpo e alma nesta árdua porém apaixonante missão tantos anos praticamente a maior parte de minha vida convivendo com pessoas agressoras da sociedade que passaram ou estão numa prisão gradativamente foram mudando minha visão a respeito de tudo que se relacionava ao assunto personalidades mais diversas mesclavam paz e guerra onde o bom senso e equilíbrio tinham que prevalecer sempre procurava todos os dias de modo incansável entender os meandros do mundo prisional novos aprendizados novos métodos de tratamento aos presos e consequentemente novos resultados entendi que a melhor maneira de se desenvolver um bom trabalho é através do tratamento respeitoso é claro sem abrir mão da disciplina melhor é ser respeitado do que ser temido pois as reações são imprevisíveis aprendi a olhar não para o uniforme e sim para o que está dentro dele e ter consciência de que o preso não fica violento após ser preso ele já vem violento da rua onde assimilou todo tipo de permissividade e o que é pior assimilou o lado mau ainda hoje apesar de ter mudado muitos conceitos vejo que o mais importante continua do mesmo modo tudo o que ocorre nas cadeias nada mais é do que o reflexo do que ocorre em nossa sociedade É só questão de tempo observei que muitos conflitos que afligem a sociedade no mundo fora das prisões a nós são endereçados cabendo ao sistema munido dos recursos que dispõe com muita perseverança encontrar soluções esses anos de trabalho me transformaram sei que os momentos da vida são transitórios hoje tenho consciência de que nós servidores penitenciários somos incumbidos de uma tarefa que reputo ser uma das mais relevantes o museu nasceu em 1930 com ele o dipartimento dell amministrazione penitenziaria desenvolve estudos históricos e de direito penitenciário em sua exposição é possível perceber a história da execução penal contada por meio de objetos fotografias documentos e da recuperação de memórias relevantes sobre os sistemas punitivos o museu é utilizado como um instrumento para divulgação científica formação de funcionários e magistrados além de uma ferramenta educacional para escolas e instituições de formação sobre o patrimônio prisional histórico e documental da itália http www.museocriminologico.it 2 · o penitenciarista

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zelar para que a pessoa que agrediu a sociedade cumpra sua pena em boas condições dentro das normas de legalidade já que um dia ela obterá novamente sua liberdade guilherme silveira rodrigues a estrutura predial do centro de progressão penitenciária prof noé azevedo de bauru foi construída na década de 1940 para abrigar a escola prática de agricultura gustavo capanema em 12 de julho de 1955 o então atualmente o cpp possui uma área total de 6.599.660,00 m2 em um complexo dividido em três pavilhões habitacionais e subdividido em 16 alojamentos com capacidade para abrigar 1.119 reeducandos do sexo masculino o pavilhão escolar conta com seis salas de aulas uma sala de áudio e vídeo uma sala de artes e uma biblioteca conta ainda com o setor industrial pocilga estábulo horta oficina mecânica dois tanques destinados à piscicultura pomar e paisagismo governador do estado jânio quadros transfere os bens os prédios e respectivas dependências para secretária da justiça para a instalação do instituto penal agrícola em 1973 a unidade passou a denominar-se instituto penal agrícola prof noé azevedo de bauru o homenageado professor noé azevedo exerceu por várias décadas a função de membro do conselho penitenciário constituindo-se num dos precursores da implantação dos estabelecimentos penais abertos em nosso país já em agosto de 2011 teve sua denominação e organização alterada passando a ser denominado centro de progressão penitenciária cpp prof noé azevedo de bauru além das atividades de manutenção interna e agrícola os reeducandos também exercem atividades de prestação de serviços às empresas privadas e públicas mediante remuneração as atividades agropecuárias desenvolvidas na unidade estão voltadas para a criação de gado de corte caprinos peixes e cultivo de verduras café milho frutas goiaba maracujá coco caqui laranja limão entre outras eucalipto e mudas em geral titulo da obra anjos autor sidney ano sem data o penitenciarista · 3

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no início do século xx surgiram tipos modernos de prisões adequadas à qualificação do preso segundo categoriais criminais contraventores menores processados loucos e mulheres percebemos nesta forma de distribuição uma tentativa de racionalização do espaço adequando-o à tipologia do crime tendo por critério o grau de infração e periculosidade do réu a separação do réu levando-se em conta o sexo idade índole antecedentes e grau de criminalidade do condenado porém o isolamento dos detidos por categorias criminais entrou em choque com o cotidiano da realidade carcerária o que impossibilitava a aplicação dessas modalidades lemos brito em os sistemas penitenciários do brasil registrou em 1924 a situação em que se encontravam as prisões de algumas capitais brasileiras apontando-a como nefasta e odiosa a administração carcerária com base em suas denúncias chegou a receber uma série de propostas de reformas sugeridas por vários juristas o próprio lemos brito propôs em 1925 a adoção de um novo sistema penal com base nesses conceitos foi elaborado o projeto para o novo aprisionamento de mulheres nessa concepção seria construída uma prisão nacional localizada no rio de janeiro ali seriam recolhidas as mulheres criminosas de todos os estados condenadas a penas maiores de quatro anos mediante a subvenção de cada estado de origem com base nos relatórios penitenciários da época sabe-se que a porcentagem de mulheres no cárcere era muito pequena em torno de 3 se comparadas aos homens as causas mais comuns apontadas para a condenação feminina eram a desordem vadiagem furto ferimentos e infanticídio interesante notar que a criminalidade não era considerada como um problema insolúvel ela poderia ser resolvida através da prevenção nesse sentido foi decretada em 1924 durante o governo arthur bernardes a criação da escola de reforma do direito penal destinada a recolher os menores desprovidos de qualquer orientação de vida menores reincidentes considerados rebeldes pelos próprios pais nesse universo de ideias surgem os reformatórios agrícolas visto que a maioria dos delinquentes provinha da região rural o modelo de prisão apresentado custava menos que o industrial e sanearia as grandes cidades das populações marginais que vinham de fora a confrontação entre cidade e campo reforçava na mentalidade de época os anseios de progresso e modernização de um lado temos o mundo rural identificado como a barbárie e atraso e do outro a metrópole como espaço do novo atrelado à ideia de progresso tais ideais reformadores estabeleciam a modernização como meta histórica acobertando a prática da violência e do descaso pelo homem a concepção de cidade pressupunha trabalho dinamismo e arraigamento a ela logo os preguiçosos os não trabalhadores e estrangeiros não pertenciam ao quadro de legalidade dos habitantes das cidades a prisão rural como modalidade de profilaxia ao crime não comportava nenhum tipo de inovação os modelos penitenciários das décadas de 1920 e 1930 buscaram nas colônias agrícolas ou em prisões distantes dos centros urbanos os locais por excelência para o ocultamento da marginalidade à solta nas cidades cláudio tucci junior 39 advogado mestre em filosofia do direito especialistas em políticas públicas e gestão governamental foi secretário adjunto da administração penitenciária do estado de são paulo titulo código de cela os mistérios das prisões autor guilehrme s rodrigues gênero ciências humanas e sociais ano 2001 editora madras com base em sua experiência de quase 40 anos trabalhando no sistema penitenciário o autor guilherme silveira rodrigues faz um levantamento de elementos da cultura prisional que retrata muito da comunicação codificada dos presos filme os Últimos passos de um homem duração 122 minutos duração gênero drama gênero ano 1996 ano diretor diretor tim robbins em louisiana a freira católica helen prejean susan sarandon passa a ser guia espiritual do condenado matthew poncelet sean penn ela luta pela vida do homem que espera ser executado pelo assassinato de dois adolescentes quando a data se aproxima os verdadeiros eventos do crime são revelados e matthew se mostra cruel manipulador e muito mais denso do que ela imagina sidney soares de oliveira edson galdino designer william costa santiago estagiários bruno neves evellyn cristina colaboradores guilherme silveira rodrigues claudio tucci junior revisão jorge de souza apoio imprensa sap programa de difusÃo cultural o penitenciarista acompanhe-nos participe envie nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição de o penitenciarista mande sua opinião para o informativo e-mail museupenitenciario@sap.sp.gov.br visite nossos blogs www.museupenitenciario.blogspot.com.br www.penitenciariapraque.blogspot.com.br 4 · o penitenciarista

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