REVISTA RETICÊNCIAS EM VERSOS - 2013

 

Embed or link this publication

Description

Revista que contém os poemas selecionados no I Sarau Virtual Reticências em Versos, promovido pela Trupe Reticências em seu blog www.trupereticencias.blogspot.com

Popular Pages


p. 1

revista reticências em versos edição nº 1 ano i 2013 trupe reticências

[close]

p. 2

organização trupe reticências sarau virtual revista reticências em versos organização trupe reticências ilustrações freepik.com design franklin jones trupe reticências bianca nuche franklin jones jéssica leandro roman lopes guarulhos sp junho 2013 essa revista é o resultado de um trabalho muito gratificante ficamos extremamente felizes com a repercussão do nosso sarau recebemos 165 poemas de diversos lugares do país e do mundo a qualidade dos poemas recebidos mostra que a poesia não está morta ela pulsa em pessoas das mais diversas idades e origens aliando experiência de vida com o vigor jovem resultando em pura beleza agradecemos a todos os poetas que confiaram seus trabalhos a nós infelizmente por uma questão de organização de tempo e espaço não pudemos colocar todos os poemas que gostaríamos aqui nessa revista escolhemos 21 poemas que retratam não só a beleza da poesia como também a riqueza diversa do nosso país são vários estilos e várias regiões retrato típico de lugares onde a poesia vive plenamente parabéns aos poetas aqui publicados e viva a arte!

[close]

p. 3

versos em páginas rosas de ferro coletivo em chamas estilhaços talvez presunção carta para um velho amigo solidão a outra criação um mar para eu ouvir doces sonhos sobre o selvagem iluminado karma ipsis literis ao que interessa porque por vezes despalavrando rompimento cantiga o estudante Álbum revisitado deixe-me ler para ti o menino laçador 04 05 06 07 11 12 13 15 16 17 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

[close]

p. 4

rosas de ferro esculpir a poesia em fios de ferro no alicate das próprias mãos na forja no fogo no jogo do coração modelar a palavra com sabedoria dar vida ao verso livre à fantasia na lida insana cotidiana oficina da emoção a mão delicada e pura modelando o prazer de fazer o verso faminto que ora sinto À luz da manhã que inicia silenciosa apalpar a poesia e o enigma na perplexidade de criar do ferro bruto rosas modeladas em brasa viva compor a fachada da alma de um templo ornado de magia interior esconder em páginas vibrantes as idéias gigantes de um escultor em sua hora plena de criação ultrapassar o tempo de um mundo para outro enquanto a descoberta da felicidade embriaga-nos e enlouquece e não há cansaço ao fundir as rosas as rosas em versos da minha emoção sublime centelha minha inspiração amélia luz ­ pirapetinga mg revista reticências em versos 04 trupe reticências

[close]

p. 5

coletivo em chamas o ônibus está em chamas defronte à escola de educação infantil É de horror a feição dos docentes decerto as aulas serão suspensas fato que as crianças seres em desenvolvimento são mero ludibrio afinal chegado é o espetáculo veio por meios próprios sem leis de fomento ou editais de ocupação o picadeiro é a própria rua e os atores ali estão prontos para a cena metralhadoras em mãos seus instrumentos musicais e o que os tambores tocam são baladas de 38 no carro abre-alas corroído pelo fogo o desenredo de uns carnavais laboratórios à encenação viver no limite olhares acesos dedos em riste para que tornem felizes meninos tão tristes que o estado não quis e o terror acolheu que fazem das armas seus ricos brinquedos e acionam gatilhos brincando de deus bruno bennedetti guarulhos sp 05

[close]

p. 6

estilhaços de frente ao espelho a certeza crua minha vida o meu passado os laços minhas vitorias e os meus fracassos minha realidade pura vestida e nua olhei o tempo enrugando meus traços e só a saudade é a mesma continua meu corpo cansado mas ainda sua ao relembrar os beijos os abraços atirei ao chão o espelho e nos estilhaços vi-me refletido em pequenos pedaços e me senti qual vidrilhos sutil e fraco restou-me amargurado e triste recolher os pedacinhos de vidro vida e ser e eram simplesmente cacos só caco carlos cintra ­ petrolina pe revista reticências em versos 06 trupe reticências

[close]

p. 7

talvez presunção o cheiro da terra o clangor da guerra o grito da morte o riso da sorte o brilho do sol o explodir de um atol mensagens sinais notícias de jornais e o mais tanto mais senhores até quando até quando senhores os que vivem as dores os que morrem os que choram os que riem os que ignoram os que esquecem e os que existem sem saber até quando rios de sangue até quando mares de dor desertos de amor e cais abandonados até quando os sem regresso os apátridas e sem berço até quando 07

[close]

p. 8

vão os soldados os mercenários e os vendedores da guerra e depois instalado o caos a fome e o sofrimento chegam sofredores os falsos salvadores diplomatas doutores os soldados da paz o que fez fazendo que faz em mesas de hipocrisia engendram-se cimeiras de um lado os enganados do outro as toupeiras e ao meio o problema que todos conhecem para que seja discutido até que se esqueçam as razões senhores até quando até quando filhos da puta cabrões e engravatados até quando terá o mundo que ter estupores que enganam e pobres enganados 08

[close]

p. 9

até quando mudam-se os tempos não se mudam as vontades morrem porque sim responde o pai à criança que nada percebe ainda porque sim não é porque sim é sim porque todos queremos uns mais do que outros uns sim outros porque sim porque não sabemos ou não queremos dizer não falemos de uma pomba que voa branca de preferência se quiserem mas para quê o símbolo para que possamos ficar sentados ou adormecer as nossas consciências quando essa pomba por nós criada nada vale o absurdo não é morrer é sofrer o absurdo é comprar e vender a morte sem saber que a podemos receber como presente o absurdo é mais do que submissos sermos estúpidos o absurdo não é o inverno vir antes do tempo nem um homem esquecer-se às quantas anda o absurdo é ninguém saber às quantas anda e trazermos o inverno quando ainda é só verão o absurdo é o estendermos a mão com tanta facilidade mas não de verdade falam de solidão como se a conhecessem falsos profetas da dor alheia assassinam tal como assinam com a mesma falsa modéstia e com a mesma modéstia falsa como quem assina um cheque que não lhe será descontado na conta filhos da puta 09

[close]

p. 10

entra o embaixador bom dia senhor embaixador sorridente conivente negociador negocia a dor vende pelo melhor preço umas tantas vidas gritos de pavor senhores por favor quanto quanto vale uma vida tão pouco mundo louco mundo de loucos até quando senhores os que vivem as dores os que morrem os que choram os que riem os que ignoram os que esquecem e os que existem sem saber queria perceber a razão de ser de tanta cobiça e infrutífera busca queria saber as razões que nos lançam aríetes de alguém e queria ser capaz de estar para além de tudo isso sem que a razão fosse presunção nem melhor nem pior toda a miséria é igual queria apenas poder sentar-me e sentir o cheiro bom da tarde sem pensar ou então pensando apenas no cheiro de todas as tardes que estão para vir hum hoje há um cheiro de resina no ar emílio gouveia miranda portugal 10

[close]

p. 11

carta para um velho amigo as novidades são as mesmas de sempre pois as novidades estão ficando cada vez mais velhas mais que a própria idade que também não é nova o que não chega a ser novidade ela pode ser nova idade mas tão velha quanto o prazo de validade que vai se esgotando à medida que a idade vai chegando e o paradoxo é que a cada dia que a idade fica mais velha deveria se cansar e chegar devagarzinho mas só para contrariar contrariando a própria idade ela chega como quem tem pouca idade bem rapidinho e a idade nova se junta à idade velha deixa de ser nova e fica velha num instantinho pobre vaidade por mais que se vai a idade a mesma percorre o caminho contrário e vem a idade e quando vem a idade só fica o espectro da vaidade por isso pouco importa a vaidade pois à medida que vai a idade independe de qual idade a nova idade sempre se torna uma velha idade não se repete a idade ou se recua a idade isso também não é novidade olha como é perversa a idade eu ia falar de novidade mas o peso da idade me fez perder a vontade e olha que novidade eu de novo falando de idade revista reticências em versos fábio batista de almeida belo horizonte mg 11 trupe reticências

[close]

p. 12

solidão a dor já passou a doida boi e boiada boiadeiro não passou que já não é tempo de haver mais boiadeiros o tempo passou passou a época das monções dos campos verdes da seca das jabuticabas maduras o negro negrume das graúnas e anus passou o dia a hora o exato instante de se dizer obrigado desculpas de enciumar-se falar que te amo o tempo passou os anos passaram o trem o apito o carnaval o ônibus passou a época das viagens mudanças chegadas das partidas passaram os amigos o verão as montanhas e o mar a embriaguez os desejos a oportunidade também já passou passou o tempo de se provar teoremas de publicar poemas de retirar o lixo salvar o planeta de se fazer escolhas a vida também já passou francisco ferreira betim mg 12

[close]

p. 13

a outra criaÇÃo conhecer as encostas neste mar de cascalho onde proliferam lágrimas e risos de condição humana nesta pequena aventura que recomeça a cada dia homem por dentro a prisão da carne ou a liberdade do grito e ressurge como os capins o impacto da pedra na fronte quisera ser os pastos de bois e pássaros e pragas e conhecer cada pequeno existir cada fuga de carne mínima cada centímetro de ruptura e colisão como numa caçada de falcões o homem por dentro ser posto no mundo largado no mundo feito coisa painel de guerra e fúria como ouvir este silêncio escondido sob os ventos do turbilhão homem coração de pedra e carne homem leão rato palavra desígnios do mundo de terno e gravata conhecer tantas faces dentro da face qual trama de mar e tinta abjeta escrevendo as memórias revista reticências em versos 13 trupe reticências

[close]

p. 14

do porão uma concepção de paraíso debaixo das pernas do tempo bandeiras de derrotas e vitórias crescendo como pendões de milho nos campos minados da solidão e a palavra homem criando personalidade própria como mosca nascendo do barro criação mas não é só isso há também a foice recurva que reclama o pescoço as notícias de amor e morte vindas de longe muito longe pelos fios de cobre ondas do ar receio de dizer quanto ainda resta de homem no dicionário e no zoológico quanto resta de homem na memória dos bichos nas pegadas da lama nos dentes da lua nos ossos da solidão elias antunes ­ taguatinga ­ df revista reticências em versos 14 trupe reticências

[close]

p. 15

um mar para eu ouvir ouve o vento na noite grande lá fora embala a folhagem que gira como bailarina o ar caminha monótono cantando nostálgicas baladas de pressagos tempos caminham os astros no céu pintalgando o zimbório escuro de olhinhos azuis e tiritantes mansamente felizes a noite passa irresoluta trazendo algo que de mim que ainda não fui vozes vultos velhas vidas vulneráveis versos vagidos encobre pensamentos medos e sonhos de um tempo que não se vislumbra só em mim ficaram estas sombras estes sons que se confundem com desejos pendidos e silentes qual vultos ondulando na silhueta dos versos a noite traz seus silêncios de fogueiras acesas em praias solitárias murmurando o crepitar dos silêncios e o rumor das brasas quem dera houvesse um mar pra eu ouvir com sua voz de contralto com sua sede de areia com seus cabelos de espuma com suas águas acesas quem dera houvesse um mar pra eu mergulhar neste mosaico incontido de água e de sal onde dormem as noites várias e seus segredos onde flutua o beijo rubro afogueando sonhos idílicos eu queria a adejante solidão do mar pra te dizer que ainda hoje trago os braços cheios da inquieta saudade sibilando incomunicáveis instantes de imarcescíveis mares onde teus olhos se refletiam em azuis solitários e em lembranças furta-cor ecos de sentimentos submersos em constelações e precipícios e como um poema inaudito meu coração embebedado da tua ausência salteia a lua escondida no nicho da noite de olhos tristes olhos submersos no silêncio inviolável da nostalgia e do tempo informe e incomensurável ah quem dera houvesse um mar para eu ouvir josé leite da silva florianópolis sc 15

[close]

Comments

no comments yet