Revista F&N #137

 

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n carta do editor toral que decorreu em agosto do ano transacto para além das habituais rubricas mais refrescantes que retratam o dia a dia da nossa sociadade fazemos uma incursão ao mundo das religiões neo-petencostais que arrasta milhões de crentes e transforma as novas igrejas em eficientes centros de arrecadação de fundos o que ajuda a explicar a rapidez com que proliferam e a indiscutível influência que exercem no novo tecido social tal como reporta o nosso correspondente no brasil wallace nunes que também visitou as obras de construção e reabilitação dos estádios que vão albergar os jogos de futebol do campeonato do mundo em diferentes estados do seu país de temas da sociedade passando pelo desporto há que salientar igualmente nesta edição uma análise com cabeça tronco e membros feita pelo nosso colaborador norberto costa que descarrega a tinta da sua pena para destrinçar este estilo musical já considerado como o principal cartão de visita da cultura angolana na diáspora incluindo países como os estados unidos o brasil e a frança a capital da cultura mesclada mundial neste texto pode-se ter uma ideia sobre a influência que os seus mais brilhantes intérpretes têm na moda em páginaaberta o grito de indignação do presidente de uma das associações cívicas mais activas mãos livres salvador freire conta-nos como ela age no seu quotidiano de busca permanente da verdade sobre a violação dos direitos humanos da liberdade de imprensa e sobre as demolições ilegais levadas a cabo no país um bom cacimbo para todos este mês de maio a oposição esteve particularmente activa fora de portas e não mediu esforços no sentido de arregimentar mais apoios em diversos países que considera cruciais para as novas batalhas que se avizinham isaías samakuva líder da unita e abel chivukuvuku da casa-ce decidiram fazer as malas e rumar para o estrangeiro nove meses depois de terem sido derrotados por josé eduardo dos santos e o mpla nas passadas eleições gerais cujos resultados foram considerados por ambos fraudulentos na presente edição daremos o destaque devido a essa peregrinação aos supostos santuários externos por parte destes dois líderes políticos que juntos teriam feito melhor no pleito elei · melhor empresa do ano do sector financeiro 2012 a sua confiança faz-nos brilhar o banco de todos os momentos o banco angolano de investimentos foi distinguido com o prestigiado prémio de melhor empresa do ano do sector financeiro na edição 2012 dos prémios sirius uma iniciativa da deloitte que visa promover a excelência e o talento dos principais agentes económicos angolanos esta é uma conquista que devemos a quem sempre nos tem inspirado os nossos clientes são eles que nos motivam diariamente a superar objectivos e a melhorar o nosso desempenho e é por isso que partilhamos esta honra com eles 4 figuras&negócios 222 693 800 maio· 2013 222 335 749 tel 244 nº 137 693 899 fax 244 www.bancobai.ao rua major kanhangulo 34 po box 6022 luanda

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7 editorial o jogo de oportunidade 10 pÁgina aberta continuamos a fazer denÚncias contra a corrupÇÃo 16 leitores isaÍas samakuva e o banho de sangue 19 ponto de ordem lavagem de roupa suja 28 figuras de cÁ 34 cultura sou uma referÊncia obrigatÓria no cinema angolano 37 mundo real a importÂncia das redes sociais no contexto angolano 42 sociedade modismo da irreverÊncia juvenil ou expressÃo musical que veio para ficar 61 em directo portugal em coma 62 economia negÓcios o cfb a interligaÇÃo ferroviÁria regional e o desafio da integraÇÃo efectiva da sadc 66 polÍtica samakuva e chivukuvuku querem conquistar o poder em 2017 78 mundo segundo mandato de obama com problemas capa bruno senna 20 paÍs o arranque para saber quantos somos em angola reportagem templo É dinheiro 86 moda e beleza o mundo fashion de helsavador 90 tecnologia ver ouvir e sentir 94 vida social ernestro muangala visitou murÇa portugal 48 6 figuras&negócios nº 137 maio 2013

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África 72 uma África emergente desporto 100 figuras de lÁ 80 libolo recoloca nome de angola na alta roda do futebol africano 104 recado social onde estÁ o orgulho de ser angolano publicação mensal de economia negócios e sociedade ano 13 n º 137 maio ­ 2013 n º de registo 13/b/97 director geral victor aleixo redacção carlos miranda sebastião félix venceslau mateus e suzana mendes fotografia nsimba george e adão tenda colaboradores juliana evangelista crisa santos rita simões joão barbosa portugal wallace nunes brasil design e paginação humberto zage e sebastião miguel publicidade paulo medina chefe nádia coelho teresa brito portugal secretariado e assinaturas katila garcia revisão baptista neto distribuição e assinaturas portugal logista portugal distribuição de publicações s a Área industrial do passil lote 1 a palhavã 2894-002 alcochete londres diogo júnior e16-1ld tel 00447944096312 tlm 07752619551 email todiogojr@hotmail.com brasil wallace nunes móvel 55 11 9522-1373 e-mail nunewallace@gmail.com produção gráfica cor acabada lda tiragem 10.000 exemplares direcção e redacção edifício mutamba-luanda 2º andar porta s tel 222 397 185 222 335 866 fax 222 393 020 caixa postal 6375 e-mails figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao site www figurasenegocios.com figuras&negócios nº 137 maio 2013 7

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o jogo da oportunidade o editorial presidente eduardo dos santos esteve no mês de maio na província do bengo e constatou que o desenvolvimento que ali se regista está em sentido oposto ao preconizado aquando da sua última presença não satisfeito dos santos nao só garantiu o reforço de uma verba avaliada em um bilhão de dólares à província para a realização de obras de vária índole como nomeou uma comissão ministerial para acompanhar todo esse processo esta foi a primeira visita pública do presidente da república após ter exonerado duas figuras chaves do seu executivo e nomeado novas caras nomeadamente os ministros das finanças e da construção os anteriores ministros agora penalizados tinham alguma responsabilidade na nova cara que se pretende para a província do bengo o primeiro era o responsável pela atribuição de verbas enquanto que o segundo respondia pela planificação de obras estruturantes que a província bem merece desde pontes estradas de acesso a moradias para o funcionamento de instituições e para habitação das populações.houve na altura das eleições o compromisso do presidente da republica que a situação na província do bengo então mutilada com a saída de alguns municípios para a circunscrição de luanda iria mudar o que ainda nao acontece o governador provincial ouviu e sentiu a crítica sobre a sua governação que até pode ser entendida como um cartão amarelo à gestão mas existem aspectos mais profundos na dinâmica governativa do país que nessa altura não podem deixar de ser tidos em conta desde logo a questão da descentralização que continua muito concentrada na capital do país nas mãos dos governantes centrais e que penaliza o interior na maior parte dos casos colocando os governadores provinciais amarrados e à mercê da vontade de luanda a exoneração dos dois ministros não pode estar longe desse enquadramento se se tiver em conta que o atraso no desenvolvimento do bengo constitui aspectos negativos que podem jogar contra a governação de um partido que ganhou as eleições e prometeu leituras abrangentes sobre a governação global.ade mais e no caso particular do bengo quando está em causa um engajamento do próprio presidente da república Êh verdade que neste cenário todo o executivo governamental dirigido por eduardo dos santos tem quota parte de responsabilidade porquanto atrasa em pensar que o desenvolvimento harmonioso do país só se verificara quando haver coragem de se descentralizar a governação e obrigar-se os homens a uma gestão planificada e com objectivos obedecendo-se às realidades específicas de cada província município ou comuna não é isto o que acontece pelo que os responsáveis directos das comissões para a partir de luanda gerirem esses acompanhamentos à distancia são sempre penalizados o caricato é que no meio de todo esse embróglio que a governação pesada de angola obriga os diferentes partidos da oposição não têm sabido somar pontos andam a reboque do partido da situação e não vislumbram a oportunidade de apresentar programas exequíveis alternativos à governação um cenário que continua a permitir fazer de eduardo dos santos enquanto presidente da república a cabeça mais importante de um xadrez onde ele é o jogador e o árbitro fazendo da política o seu pão nosso de cada dia o presidente eduardo dos santos tem espaço para errar e rectificar o seu erro sancionar os seus coadjutores incumpridores efectuar mudanças na sua equipa e mesmo assim continuar a cimentar a sua liderança porque do outro lado do campo mesmo com a baliza escancarada o opositor não marca golos melhor dizendo a oposição não se sabendo inserir no cenário político angolano manifesta-se distraída ante os desafios enormes que a democracia reclama e quer dar um ar da sua graça com comunicados quantas vezes secundários esquecendo-se de mergulhar de facto no contexto interno em política isso chama-se falta de senso para a perspicácia de identificação de oportunidades uma doença que nesse campo nao tem tratamento adequado e a terapia não é outra senão subalternidade constante visionário o presidente eduardo dos santos sabe disso e não deve ser acusado de jogar com as suas pedras quando os outros intervenientes do jogo político situam-se fora do salão figuras&negócios nº 137 maio 2013 9

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pÁgina aberta apresenta-se como actor de teatro jornalista e advogado mas antes de mais como um cidadão que vive num dos musseques mais miseráveis de luanda,sem que tenha beneficiado de qualquer espécie de mordomias vindas de cima ou do nada.por isso preparado para a luta apesar dos seus problemas pessoais vê a sua actividade quotidiana na associação mãos livres como uma oportunidade única de fazer vincar a luta pela justiça social no quadro de uma nova revolução que se ajuste à procura permanente da paz concórdia e harmonia social.fruto de uma série de atropelos aos seus direitos como militar que defendeu o país numa esfera importante o jovem salvador freire e outros companheiros da época constituíram um núcleo de advogados e jornalistas para defesa dos mais desfavorecidos denunciando o já evidente flagelo social da época em 25 de abril de 2000 foi criada a associação mãos livres actualmente considerada como uma das mais interventivas no país ela vai fazendo o seu caminho como poderemos deduzir das palavras de salvador freire durante a entrevista a seguir por carlos miranda texto fotos george nsimba continuamos a f denÚncias contr salvador freire presidente da associação mãos livres 12 figuras&negócios nº 137 maio 2013

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fazer tra a corrupÇÃo figuras&negócios nº 137 maio 2013 13 iguras negócios f&n de acordo com o que me contou foi a partir do seu sentimento de revolta que se transformou num agente cívico salvador freire s.f eu e muitos dos meus companheiros por exemplo o david mendes que já o conhecia desde os seus catorze anos sofreu a mesma discriminação da tropa foi posto compulsivamente na rua e até hoje ninguém sabe explicar por quê essas situações de intrigas de injustiças fizeram com que se criasse uma organização que hoje é as mãos livres eu e o david mendes fomos os seus criadores f&n agora como cidadão considera-se livre destas arbitrariedades da época ou existe muita luta pela frente por parte da associação a que pertence s.f não sou um cidadão totalmente livre uma vez que temos muito trabalho pela frente é preciso que os cidadãos demonstrem na prática que sendo livres devem contribuir como quando e onde quiserem para a democratização do país para o seu progresso e o bem estar comum sinto-me que em certa medida cumpri o meu dever como oficial das forças armadas mas agora faço uma outra caminhada tendente a pressionar que haja justiça e estabilidade entre os angolanos f&n no fundo são esses os objectivos da associação mãos livres mas parece-me que têm f pÁgina aberta dado passos muito mais importantes na esfera política inclusive s.f os nossos objectivos primários são de ajuda às pessoas desprovidas de quaisquer recursos para uma sobrevivência condigna são as pessoas pobres discriminadas que vivem do nada isto aqui existe e está aos olhos de todos nós.como há uma série de injustiças sociais elas têm a possibilidade de recorrerem à nossa instituição para verem os seus direitos readquiridos em função do que está plasmado na constituição da república de angola e demais leis que a sustentam ao longo de todos estes anos temos estado alertar as pessoas os sindicatos os partidos políticos e outras instituições quer ligadas ao estado ou não para a consciência jurídica f&n a associação tem sido bem vista pela sociedade mas já por uma certa franja ligada aos círculos do poder nem tanto assim não é verdade s.f em termos gerais estamos a cumprir com os objectivos da organização mas temos que admitir que já estivemos muito mais activos os motivos são do conhecimento público e resumem-se na falta de recursos materiais e financeiros nós já estivemos representados em todas as províncias do país e assistíamos anualmente mais de dez mil pessoas que acorriam aos nossos escritórios para resolverem diversos assuntos com o concurso dos nossos advogados f&n sente que a certa altura a associação mãos livres terá chegado a ser amarrada ou sufocada pelo poder s.f amarrada pelo poder não penso que o que acontece com a organização é a falta de recursos e ela está atada se quiser por não puder cumprir integralmente os seus objectivos embora cada um de nós continue a contribuir com o dinheiro dos próprios bolsos nós já ficamos cerca de três anos sem os nossos salários mas nunca abdicamos das nossas responsabilidades face a organização.com os nossos parcos meios fomos acudindo variadas situações para que a associação não morresse a causa da instituição leva-nos a fazer com que deixemos as questões pessoais para nos colocarmos ao serviço da nação evidentemente não se pode medir os efeitos deste nosso esforço mas de facto já vivemos uma situação precária complexa,difícil que precisa do apoio da cidadania para que possamos ter um país justo de direito enfim um país onde se consiga respirar a paz social f&n mas o que o cidadão comum pensa é que a vossa associação sempre viveu dos apoios de algumas embaixadas estrangeiras nomeadamente do ocidente e/ou instituições ligadas a elas s.f eu digo não porquê a associação mãos livres não recebe nenhum dólar do ocidente para sua informação a associação trabalha com instituições dos países nórdicos o governo da noruega por exemplo através da ajuda po-

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pÁgina aberta pular da noruega fazia o financiamento directo para a organização mãos livres nunca desenvolveu projecto algum com a embaixada dos estados unidos da américa que apontasse que tivéssemos recebido algum dinheiro dos imperialistas como alguns chamam temos sim parcerias com algumas instituições norte-americanas a exemplo de uma organização de jornalistas e advogados dos e.u.a aliás temos também parceria com a embaixada deste país em angola mas trata-se de um apoio moral incentivador ao nosso trabalho social existem outras parcerias com representações diplomáticas da grã bretanha da holanda temos relações com a cooperação espanhola enfim com elas estamos a trabalhar no sentido de vermos a defesa dos direitos humanos como porta-estandarte das nossas actividades f&n vamos analisar os pontos críticos da vossa actividade onde é que mais vocês se batem em relação aos problemas mais graves existentes a nível da sociedade angolana s.f nós estamos focalizados nas questões dos direitos económicos sociais e políticos vou tentar destrinçar este quadro quanto aos direitos políticos nós temos estado bastante activos quando constatamos que existe uma violação grosseira destes mesmos direitos por exemplo no que diz respeito às manifestações já que é um direito constitucional em que o cidadão se revê quando acha que está indignado diante de certas situações que atropelam as normas estabelecidas legalmente hoje muitos não podem fazer manifestações no nosso país mas é permissível para outros f&n explique isso melhor está a dizer-me que o sol não abre para todos s.f não aqui em angola não até o ar que nós respiramos parece-me que precisa de ser direcionado apenas para alguns até a própria chuva cria mais embaraços nos musseques aos pobres e isso tem as suas razões e não são naturais aos ricos não pois são protegidos porém os ricos também ficam chateados quando chove pois as chuvas tendem a descobrir outros pecados de quem os protege f&n fala-se em perseguições confirma s.f há perseguições visíveis nesse país e não é necessário que lhe esclareça isso.há perseguição institucional e há perseguição individual você repare o que estão a fazer ao folha 8 os indivíduos que trabalham neste semanário são tivamos a trabalhar contra o executivo angolano não nós trabalhamos para toda a sociedade combatemos as pessoas que estão fora da lei precisamos de puxar por estas pessoas para que de facto cumpram o que está plasmado na lei constitucional um advogado que não esteja em conflito com o governo,em angola não sei acho impossível porque o governo tropeça em questões que não são de direito existe o problema das demolições estas foram feitas de forma administrativa mas hoje a constituição,as leis não permitem isto aliás houve uma resolução que mandava parar pois é um acto judicial em toda a parte do país elas continuam baseadas em actos administrativos fn vocês acham que até aqui tiveram uma actividade meritória no caso das demolições s.f sim nós fomos os primeiros a denunciar estes actos ilegais começando na boavista no zango etc eu e o david mendes quando decidimos advogar as pessoas que iam para o zango fomos presos a polícia achou que estávamos a fazer uma luta contra o governo perguntámos porquê na altura cidadãos que tinham casas escolas por perto e condições razoáveis para viver foram transferidos para uma tenda onde viviam várias famílias durante anos houve crianças que lá nasceram em condições sub-humanas tentamos defendê-los mas fomos presos felizmente houve indivíduos lúcidos,que pertenciam à corporação entenderam a situação e disseram não estes advogados estão a defender uma causa e fomos libertados aliás no zango existiam pessoas ligadas à administração pública enfim mas mesmo assim éramos vigiados como se fóssemos desestabilizadores como até hoje somos considerados em alguns meios f&n valeu a pena há situações muito difíceis mulheres são violadas em muitas cadeias por funcionários prisionais há adolescentes presos junto de criminosos junto dos adultos.há violações de presos efectuadas por outros as cadeias estão abarrotadas de presos dos como contra-revolucionários os das mãos livres também e os da rádio despertar Ídem porquê porque não estão satisfeitos com o modelo de governação deste país eles fazem denúncias de alguns casos de corrupção com as quais o governo não concorda e a mensagem que algumas instituições ligadas ao poder passam é que estes indivíduos querem destruir o país esquecem-se que os direitos humanos é uma questão político-social de todos estão para os ricos e para os pobres para todos vou lhe dar um exemplo concreto algumas pessoas que não compreendiam o trabalho das mãos livres pensavam que está 14 figuras&negócios nº 137 maio 2013

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