Jornal Domus Nostra 2008/9

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

17 de maio 2009 2 laços passos laÇos de amizade

[close]

p. 2

Índice pág aqueles que passam por nós maria joana cordeiro 4 6 8 9 10 12 13 16 17 18 20 21 24 25 26 27 28 30 31 512 s song catarina faria patrícia cristina teresa salvador domus nostra ­ uma experiência de vida ana filipa gomes madalena pais e rita martins ser finalista que sensação ana filipa gomes e chegou ao fim ana isabel ferreira casa ana sofia dias domus nostra 5 anos e 2 meses filipa borges figueira um dia a maioria de nós inês silva o voo do passarinho fora do ninho laura anselmo breve instante sara fernandes a minha experiência académica sara melo do sonho à realidade um testemunho em jeito de memória retrato de família ana filipa gomes marta salgado areias erasmus na domus nostra naima b.l maria exemplo de vida sandra lopes o dia em que choveu e fez sol teresa bettencourt ambiente social e saúde ana rita da costa lago cessação tabágica joana moreira joana teixeira e nídia calado 2

[close]

p. 3

comtodas em movimento família valadão 34 34 37 39 40 42 43 carnaval de 2009 ana andrade sem-abrigo um pequeno mundo à parte carolina rocha o que é ser sem-abrigo ana sofia cipriano até onde me levou o voluntariado ana filipa gomes nascemos nascemos nascemos josé tolentino mendonça É por dentro de cada pessoa p vítor gonçalves adptado 3

[close]

p. 4

aqueles que passam por nós não vão sós não nos deixam sós deixam um pouco de si levam um pouco de nós começaram a chegar para a festa aqueles que são de mais longe a família da laura da sara da ana filipa da kelly É sempre assim todos os anos os primeiros que chegam são os que vêm de mais longe É preciso cruzar o céu e o mar são também os que ficam mais tempo mas para os que vêm de longe ou de mais perto para todos há um tempo que antecede a viagem um tempo de preparação de fazer as malas de trazer à memória e ao coração as pessoas e os acontecimentos de trazer à memória e ao coração a nossa filha que há mais ou menos tempo não a vemos de trazer à memória e ao coração o dia em que na domus nostra a nossa outra casa a deixamos pela primeira vez de trazer à memória e ao coração as horas que passamos com ela ao telefone as alegrias que connosco partilhou porque afinal as caloiras de quarto não são nenhuns monstrinhos e são umas grandes amigas o exame nem correu tão mal e passou a primeira cadeira a comida é uma delícia e até já come sopa não sabia estrelar um ovo e agora já faz uns belos petiscos não sabia pôr uma máquina de roupa a lavar e descobriu que afinal basta deitar o detergente e ligar um botãozinho de trazer à memória e ao coração as palavras que soubemos dizer-lhe quando se perdeu em lisboa quando reprovou a primeira cadeira quando a competição entre colegas e a inveja é maior que a amizade quando as saudades de casa apertavam para as que aqui estão há menos de um ano há mais ou menos tempo a acabar o curso é também o tempo de trazer à memória e ao coração os pequenos e grandes passos que demos para construirmos amizades que duram para a vida toda os pequenos e grandes passos que demos para construir esta domus que é cada vez mais nostra os pequenos e grandes passos que demos para estudar os pequenos e grandes passos que demos para conquistarmos os nossos sonhos e desejos mais profundos 4

[close]

p. 5

o laço foi o símbolo escolhido pelas finalistas este ano como disse a filipa um laço que simboliza a união por causa do nó e ao mesmo tempo simboliza que terminámos uma tarefa em analogia com um embrulho de uma prenda a última coisa que fazemos é o laço ou quando nos calçamos fazemos o laço como sinal de que estamos prontos para a caminhada e eu fiquei a pensar que precisamos de muito tempo para aprender a fazer laços para saber fazer o nó dos sapatos o laço do presente é também a primeira coisa que temos que desmanchar para abrir o presente e que quando precisamos de nos descalçar o nó é também a primeira coisa que temos que desfazer cada pessoa é um mundo um presente por descobrir e só a coragem e o amor irão permitir essa aventura É por dentro de cada pessoa que se descobre o rosto de deus e aí só entra quem ama quem se descalça e se despe de ideias de domínio ou poder quem serve viver juntas é como canta mafalda veiga guardar cada lugar teu atado em mim a cada lugar meu e hoje apenas isso me faz acreditar que eu vou chegar contigo onde só chega quem não tem medo de naufragar obrigada a cada uma porque não teve medo de se dar porque ousou desfazer muros e construir pontes porque ousou amar maria joana 5

[close]

p. 6

512 s song do norte já veio a dormir a do sul sempre a saltar do alentejo veio cá cair tivemos de nos juntar todas aqui p rá melhor companhia animação todo o dia se te sentires só já sabes vem aqui refrão porque não há um melhor quarto e as mais fixes estão aqui aqui aqui onde 512 refrão e qual é a melhor iluminação de natal e a melhor porta e qual é o melhor quarto 512 e onde é que são os melhores chás e música todo dia e quem dá festas pijama 512 6

[close]

p. 7

quem diz as melhores piadas e quem é que vai tocar à baixa e ainda ganha 15 euros e 23 meio 512 onde é que está a mais linda e a dorminhoca de serviço e como é que é hi5 512 refrão catarina faria patrícia cristina teresa salvador 7

[close]

p. 8

domus nostra ­ uma experiência de vida cheguei assustada e a sentir-me deslocada colocaram-me no 201 quarto triplo viver no mesmo quarto com duas pessoa que nunca tinha visto pensei que ia ser horrível mas enganei-me foi uma das experiências mais marcantes e enriquecedoras pois três pessoas tão diferentes a viver no mesmo espaço aprendem a crescer a viver e a conviver o espírito na domus era algo fantástico convívio até altas horas veteranas dvra praxis mas muito amigas muitas piadas e anedotas enfim tudo o que era necessário para que uma caloira se sentisse em casa essa fase passou passei a viver no 304 quarto deixado pela jenny uma amiga do coração a esta reles híbrida um quarto só para mim sentia-me sozinha no início era necessário encher o quarto de pessoas para haver risos e sorrisos em resumo alegria tinha uma boa vizinhança a madrinha e amiga de um lado e uma futura melhor amiga do outro muitas noites à conversa muitos sustos e partidas nos corredores muitas batidas na parede só para sabermos que estávamos acordadas e acima de tudo muita amizade nunca esquecerei estes momentos pois são estas pequenas coisas que fazem a diferença que marcam as pessoas e que dão alegria de viver fiz escolhas erradas que felizmente consegui ultrapassar mas muito provavelmente não o teria conseguido sem o apoio e a amizade da joana a nossa directora que é uma boa ouvinte amiga companheira e conselheira obrigada por tudo a vida continua dentro e fora da domus e há-de continuar as pessoas aqui entram e saem mudam as gerações mas uma coisa todos nós sabemos certas amizades são para a vida e nasceram aqui 8

[close]

p. 9

finalmente sou finalista já era tempo disso e por mais anos que passem daqui para a frente não esqueço esta experiência de vida que a domus me proporcionou ana francisco gestão e engenharia industrial iscte das caldas da rainha ps adoro-vos pindies do meu coração ser finalista que sensação de um dia para o outro o futuro bate-nos à porta parece que foi ontem que entrei pequenina na domus nostra vinha à descoberta do desconhecido cheia de sonhos e determinação partilhar um quarto com duas raparigas não é problema e não foi de facto foi das melhores se não a melhor experiência de todas com as minhas colegas de quarto aprendi a partilhar não algumas coisas mas tudo e não posso esquecer as meninas do quarto em frente que achavam que o nosso quarto era uma extensão do delas durante a minha estadia nesta casa conheci muitas pessoas umas marcaram-me mais que outras mas acho que isso é normal nasceram algumas amizades verdadeiras amizades que irão durar uma vida e que nem a distância de um oceano poderá separar com estas amigas ri chorei desabafei estudei brinquei cantei dancei matei melgas e mosquitos resumindo com estas amigas vivi e mais importante cresci na domus nostra não encontrei apenas um ambiente familiar mas sim uma verdadeira família e pessoas que estiveram sempre a meu lado nos bons e nos maus momentos aqui em casa houve sempre um coração aberto para me receber fosse o da joana para um simples «olá » o da d maximina para longos passeios até castelo branco o da carla para os relatos das minhas peripécias académicas o da cristina para as sessões de fotografia repentinas o da maria adelaide para as 9

[close]

p. 10

nossas rápidas conversas de elevador o da cidália da cristina da angelina e o da vina para prepararem refeições maravilhosas que eram a delícia do meu dia principalmente quando comparadas com as da cantina o da d júlia para me receber sempre que eu chegava tarde do espanhol o da tina para me consolar quando parece que ninguém é capaz a todas as filhas do coração de maria funcionárias funcionários e residentes o meu muito obrigada hoje passados apenas 3 anos sou finalista e volto a partir à descoberta do desconhecido cheia de sonhos e determinação não tenho medo nem receio porque sei que esteja onde estiver aqui na domus nostra vou ter sempre uma família à minha espera ana filipa gomes gestão iscte do funchal madeira e chegou ao fim e é-me muito difícil falar da casa que me acolheu nos últimos 5 anos É muito difícil porque o meu 205 o meu metro quadrado o meu quarto cor-de-rosa está estranhamente entranhado em mim como se realmente me pertencesse não consigo sequer imaginar que para o próximo ano lectivo alguém o vai ocupar e torná-lo seu quando ele me pertence desta maneira aliás estou seriamente a pensar falar com a irmã joana para fazer um museu da matança na domus nostra e mais ninguém ocupar aquele quarto sagrado tanta coisa vivida por entre aquelas 4 paredes que me transformaram na pessoa que sou hoje tanto a nível profissional como pessoal tanto sacrifício tanta luta tanto choro ao telefone com a mãe de outro lado mas também tanta alegria tantos risos e sorrisos e segredos partilhados sim porque não é o edifício que eu aqui quero sublinhar mas sim todas as pessoas que entraram passaram e graças a deus algumas ficaram na minha vida porque a domus nostra e o 205 não eram mais do que paredes vazias sem as pessoas com que partilhei o meu espaço todo este tempo porque todas as vezes que 10

[close]

p. 11

precisei havia sempre uma porta a quem bater um ombro onde chorar um sorriso com quem partilhar o sucesso e uma mão amiga o insucesso e foram essas pessoas que contribuíram para que conseguisse resistir e superar toda esta batalha pessoalmente queria agradecer a uma madrinha que logo no meu primeiro dia nesta casa me disse que podia contar com ela para tudo o que precisasse e realmente os seus apontamentos e conselhos foram os melhores do mundo a uma afilhada com sotaque do norte que adoro e com quem vou à bola às minhas caloirinhas do 201 todas as que lá passaram a uma bolachinha deliciosa com quem partilhei grandes momentos às meninas de direito uma alta outra bem pequenina mas duas grandes mulheres a uma vizinha bem disposta que gostava do tony carreira entre tantas outras que vou levar para sempre comigo para onde quer que vá e que terão aquele lugar especial no meu coração À tina por ter sempre a melhor solução para tudo à dona maximina por ser tão bem disposta à d júlia à carla à joana a todas gostava de lhes dizer que apesar de todas as regras e restrições não poderia ter escolhido melhor lugar para viver nestes anos que como toda a gente diz são os melhores da nossa vida apesar de este dia ser um dia de felicidade não posso deixar de sentir o coração apertado por saber que em breve vou abandonar todo este espaço que me é tão familiar e no qual já estou tão à vontade mas a vida é feita de mudanças e desafios e o futuro leva-me em frente o quarto da matança vai ter de deixar de assustar as novas caloirinhas mas nunca irei esquecer todos os momentos aqui vividos e da forma como deus me abençoou ao vos ter conhecido a todas muito obrigada por tudo sejam felizes ana isabel ferreira ciências farmacêuticas fful de castro daire 11

[close]

p. 12

casa setembro de 2005 destino lisboa passados dois meses a ansiedade que antes irradiava dos meus olhos em forma de alegria imensa e acima de tudo de muita curiosidade dava lugar a uns olhos amedrontados pela solidão a receios em seu do dia-a-dia pequenos em e casa eu transformavam-se monstros refugiava-se no companhia canto permanecia em silêncio tentando aliciá-la a uma bela noite de filmes e novelas simples conversas e risadas o apartamento era perfeito para duas recém-chegadas a lisboa todo decorado por nós os papás sempre a fazer tudo para o conforto das suas meninas o que no início era perfeito ­ jantares cinemas praxes festas amigos novos amigos rapidamente se transformou em noites passadas em frente à televisão e aos livros chegar a casa jantar mal sem vontade sem ninguém sentar no sofá e deixar mais um dia passar de facto a minha experiência domus nostra fez-se um pouco ao contrário do que a maioria das residentes acredito que se não fosse a minha experiência de vida em lisboa se ter iniciado num apartamento com amigos nunca conseguiria compreender a tão grande dimensão que pode ter na nossa vida um espaço como a domus nostra cheguei à domus no segundo semestre do primeiro ano ano perdido curso perdido alma meio perdida entre tantas dúvidas do que quero e não quero do que gosto e não gosto uma coisa era certo quarto triplo hora de entrada meia-noite o que na altura me amedrontou depressa se 12

[close]

p. 13

transformou numa das mais ricas e inexplicáveis experiências da minha vida domus nostra nossa casa não poderia haver um nome melhor para esta minha casa aqui reaprendi a andar agradeço a todos aqueles que não me julgaram e que acreditaram em mim aqui fiz amizades que são impossíveis de serem apagadas aqui chorei de tanto rir e ri de tanto chorar aqui percebi o significado do termo porto seguro quando o mundo lá fora nos quer comer e chegamos a casa e temos um chá quentinho à nossa espera uma conversa amiga temos quem pergunte como estamos como correu o dia quem olhe por nós aqui sinto-me em equilíbrio cresci amadureci sonhei agradeço a todas as aquelas com quem vivi durante estes quatro anos todos os momentos inesquecíveis as minhas asas começaram a abrir lentamente finalmente ana sofia dias política social iscp de abrantes domus nostra 5 anos e 2 meses a ideia de vir para lisboa estudar já estava decidida há algum tempo o curso escolhido com a ajuda dos meus bons conselheiros pai e mãe seria direito em outubro de 2003 o desejo de vir para a capital consumia todos os meus pensamentos em lisboa já me esperavam dois portos de abrigo os abraços do manel e os conselhos do meu irmão duarte e ali estava à minha espera uma nova cidade uma nova rotina uma nova vida a ideia de ir para uma residência universitária deixava-me ainda mais expectante iria partilhar o quarto com mais duas caloiras e no total seríamos 13

[close]

p. 14

perto de 20 a passar pelo mesmo fazer as malas deixar os pais ir para um nova cidade e começar os estudos na faculdade confesso que nos meus planos contava ficar apenas um ano na domus nostra um ano serviria para fazer novas amizades ambientar-me com lisboa e dar os primeiros passos na minha independência o resultado foi inesperado para mim enquanto caloira acabei por ficar na domus nostra 5 anos e dois meses da minha vida ao início estamos longe de acreditar que existe uma magia tão grande à volta das amizades que se constroem na domus nostra foi sobretudo pelos laços tão fortes que criei aqui que decidi ficar e nem mais me passou pela cabeça outra hipótese no primeiro ano tudo foi novidade o estatuto de caloira foi óptimo o calendário das praxes deixava-me ansiosa o exame de admissão à domus o baptismo o tribunal de praxe a praxe de quarto as festas que se proporcionaram andei os primeiros meses com um sorriso estampado no rosto nessa altura a faculdade ainda não me tirava o sono ai pobre e incauta caloira que eu era no fim desse 1.º ano fiquei a saber que os nervos antes dos testes e dos exames me desregulavam os intestinos além disso criei uma admiração pelo meu cérebro pois também percebi que ele é capaz de criar um sem fim de doenças para me demover de estudar e ter descanso na época de exames depois das primeiras férias de verão na companhia dos pais amigos e namorado o regresso à capital já não foi igual estranhamente voltei triste a saudade começou a ter impacto na minha condição de estudante universitária felizmente os miminhos dos pais conseguem concretizar-se em bolinhos chocolates e palavras quentes e isso ajudava a minimizar a saudade comecei a ver o meu futuro com outros olhos o estudo começou a ser a minha grande missão pois a faculdade de direito não me dava descanso testes trabalhos frequências exames orais e apanhei com cada assistente ai marchante no fim do 2.º ano o esforço não foi o suficiente acabei por repetir o ano e isso foi uma grande lição fez-me perceber que não podia fraquejar perante desilusões ainda que fossem injustas por muito que me tivesse esforçado para 14

[close]

p. 15

um teste ou exame isso não era suficiente podia dar sempre mais e este foi o verdadeiro desafio aperfeiçoar-me e superar sempre o meu limite não podia deixar de agradecer aos meus inspiradores pai e mãe por todas as conversas sérias e não sérias que tivemos nesta fase que me ajudaram bastante recordo principalmente dois momentos quando depois de ter reprovado na oral que me impossibilitou de transitar de ano entre baba e ranho consegui telefonar à minha mãe e ouvir-lhe as palavras reconfortantes que tem sempre para me dar e do meu pai sempre mais assertivo e prático ouvi a frase que me fez acordar não é o teres reprovado que está mal mal é se não aprenderes nada com isso depois deste percalço comecei a encarar o curso de forma mais responsável e séria mas o que seria destes 6 anos se não tivesse o conforto que encontrava sempre quando chegava à domus nostra tantas aventuras que guardo no coração as reuniões nos quartos das grandes amigas ­ sousa isabel vânia sofia edite ana lúcia e inês uma amizade que se estende para lá das paredes da domus outras grandes amizades mais recentes mas que crescem como as searas alentejanas sarinha e ana luísa ­ também colegas de curso e os pilares da casa d maximina d alda mª adelaide tina bina tânia carla sempre bem disposta cristina biacha eva e joana a nossa cumplicidade vale mil um muito obrigada domus nostra guardo-vos no coração filipa borges figueira direitofdul de beja 15

[close]

Comments

no comments yet