Cadernos de Fotografia

 

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cadernos de fotografia fotografia memória e patrimônio volume 1

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organizadores sinara sandri carlos carvalho cadernos de fotografia festival internacional de fotografia de porto alegre fotografia memória e patrimônio volume 1 brasil imagem porto alegre 2010

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capa e projeto gráfico santo expedito editoração e arte-final foto de capa d pedro ii em traje de campanha foto luiz terragno 1865 porto alegre acervo fbn revisão sinara sandri texto de acordo com a nova ortografia dados internacionais de catalogaÇÃo na publicaÇÃo cip s471f seminário coleções públicas e privadas um olhar autoral no tempo 4 2010 porto alegre fotografia memória e patrimônio [anais organizadores sinara sandri carlos carvalho ­ porto alegre brasil imagem 2010 48 p cadernos de fotografia v 1 1 fotografia ­ memória ­ patrimônio ­ eventos ­ porto alegre i festival internacional de fotografia de porto alegre 4 2010 porto alegre ii sandri sinara iii carvalho carlos iv título v série cdu ­ 77061.3 816.51 bibliotecária maria amazilia penna de moraes ferlini ­ crb-10/449 distribuição gratuita o conteúdo pode ser reproduzido mediante autorização e citando a fonte todos os direitos reservados a brasil imagem rua sofia veloso 168 90.050-140 ­ porto alegre ­ brasil tel 55 51 3392.9982 info@brasilimagem.com.br o 4º festfotopoa foi realizado em abril de 2010 no santander cultural em porto alegre teve como patrocinador máster o banco santander e como patrocinadora a funarte impresso no brasil primavera de 2010

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apresentação 7 1 patrimônio e memória fronteiras e centralidades marcos vinicius neves e albertina malta 9 2 políticas públicas para memória joaquim marçal 27 3 imagem história e patrimônio cássia mello e isabel mendes 37 4 pontos de memória fotográfica carlos carvalho e sinara sandri 45 cadernos de fotografia 5

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apresentação em sua quarta edição o festival internacional de fotografia de porto alegre consolida-se como espaço para diálogo e recuperação da trajetória do desenvolvimento da fotografia no brasil estabelecendo os vínculos entre a produção contemporânea e a obra dos pioneiros nesta empreitada fomos recolhendo evidências que demonstram os acertos e as dificuldades impostos à preservação e guarda do patrimônio fotográfico brasileiro os casos revisitados e analisados deixam evidente a importância da existência de uma política estatal que organize e estimule tanto a produção quanto a conservação da memória visual nacional esta política passa pelo planejamento e financiamento de ações de longo prazo além de investimento na formação e estímulo ao pessoal técnico responsável por um trabalho caracterizado pela dedicação domínio técnico e extrema sensibilidade no século xix a ousadia esclarecida de um imperador resultou em uma coleção de fotografia de valor inestimável que constitui um patrimônio da humanidade pelas mãos de d pedro ii a monarquia estimulou a prática da fotografia e a produção de imagens empenhando-se na construção de uma identidade nacional na mesma trilha de fomento o estado brasileiro através da funarte protagonizou o início de uma bem sucedida estratégia de estímulo à preservação e conservação com o programa nacional de preservação e conservação a iniciativa posta em andamento no último quartel do século xx estimulou a criação de uma série de núcleos de conservação em instituições espalhadas por todo o país e estimulou a formação de uma grande massa crítica entre fotógrafos pesquisadores e profissionais especializados abrindo um vigoroso campo de produção e estudo no país além dos novos e importantes desafios impostos pela mudança da plataforma tecnológica e entrada no mundo digital o recuo imposto pelo desmonte da estrutura estatal nos anos noventa ainda causa prejuízos e agrava a urgência da tarefa que se avoluma em progressão geométrica os governantes do século xxi estão diante da necessidade de não apenas consolidar políticas públicas para garantir a segurança e a ampliação do acesso a acervos já formados É preciso recuperar o protagonismo do estado como agente fomentador na organização da memória nacional e na formulação de soluções que incorporem setores e temas ainda não representados adequadamente no monumento visual brasileiro na intenção de colaborar neste esforço o festfotopoa realizou a quarta edição do seminário coleções públicas e privadas um olhar autoral no tempo cujo objetivo foi traçar um paralelo entre as políticas e as ações de preservação postas em andamento por instituições no centro e nas fronteiras do país as instituições e os profissionais convidados trouxeram suas experiências e deram uma importante contribuição que reunida neste caderno deve influenciar nos próximos e necessários debates sobre o tema cadernos de fotografia 7

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autor não identificado avenida getúlio vargas década de 40 rio branco acre acervo digital do departamento de patrimônio histórico e cultural governo do estado do acre

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1 patrimônio e memória fronteiras e centralidades marcos vinicius das neves fundação garibaldi brasil historiador desde 2005 é presidente da fundação municipal de cultura garibaldi brasil rio branco acre entre 1999 e 2004 trabalhou no departamento histórico e cultural da fundação elias mansour instituição do governo do estado do acre responsável pelas políticas estaduais de patrimônio cultural o acervo fotográfico analisado é gerido pelo governo estadual âmbito onde conseguimos ter um pouco mais de consistência apesar de tantas fragilidades estruturais mas para início de conversa é preciso situar rapidamente o lugar a partir do qual falamos o acre tem apenas 130 anos de existência para o estado brasileiro e está na tríplice fronteira brasil ­ bolívia ­ peru em uma região conhecida como amazônia ocidental em uma piada muito recorrente as pessoas têm o mau hábito de dizer que o acre é o fim do mundo onde o vento faz a curva ou onde o diabo perdeu as botas sempre dizemos o contrário o acre é o início do mundo o mundo começa lá onde nascem os rios rio acre purus e juruá que são alguns dos mais importantes formadores da bacia hidrográfica do rio amazonas o acreano é muito orgulhoso tem uma história muito intensa de resistência e de luta um dos nossos orgulhos é dizer que o acre é o único estado que lutou para ser brasileiro enquanto outros lutaram para se separar do país1 É uma história muito diferente e completamente desconhecida no brasil seria difícil compreender a constituição de nosso acervo fotográfico sem entender ainda que superficialmente esta história também é importante dizer que boa parte da história não brasileira do acre diz respeito a uma tríplice fronteira viva a distância entre brasiléia acre e cobija bolívia corresponde à extensão entre as margens do rio acre mas a distância cultural entre brasileiros e bolivianos é muito maior que a largura do rio mesmo estando na fronteira padecemos do mesmo perverso vício de viver de costas para a américa latina e de frente para o oceano no nosso caso o tão distante oceano atlântico em 1999 quando iniciamos o trabalho não havia qualquer setor da administração estadual formalmente responsável pela guarda preservação e difusão dos acervos fotográficos do acre as poucas coleções que totalizavam não mais de uma centena de fotos estavam dispersas no arquivo geral do estado na fundação elias mansour no museu da borracha e em alguns outros locais em rio branco a situação dos acervos era vergonhosa no arquivo geral do estado havia um volume maior mas o material estava guardado em caixas de sapato ainda havia o problema dos saques sistemáticos aos acervos feitos entre 1904 e 1998 em 1999 começamos uma batalha para reunir o que restava destes acervos não havia qualquer imagem digitalizada e o acervo fotográfico era assistemático desorganizado e sem qualquer condição de preservação hoje ainda estamos longe do ideal mas já conseguimos reunir um conjunto de 27 mil fotos e temos cerca de 50 mil imagens digitalizadas conseguimos constituir cadernos de fotografia 9

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condições razoáveis de armazenamento apesar de estarmos na amazônia onde as condições de umidade são extremamente desfavoráveis para a conservação de fotografia a digitalização ao invés de diminuir a importância deste trabalho de organização física favoreceu a disponibilização e a democratização sistemática deste acervo temos dois técnicos especializados que pertencem ao quadro permanente do estado e estão dedicados exclusivamente ao gerenciamento deste acervo não é nada mas frente ao panorama que tínhamos dez anos atrás é uma grande conquista o conteúdo do acervo o acre tem 150 anos de história nacional mas a ocupação efetiva do estado brasileiro na região tem apenas 130 anos formado a partir de 1880 com o ciclo da borracha e uma migração nordestina extraordinária especialmente do ceará dando origem ao mito de que o acre teria sido formado por cearenses isso é apenas parcialmente verdade pois além dos cearenses vindos do ceará também tivemos cearenses de pernambuco maranhão paraíba rio de janeiro e até cearenses do rio grande do sul também havia cearense italiano sírio libanês espanhol boliviano peruano etc em 20 anos o acre surgiu como um resumo do mundo os italianos dominavam os hotéis enquanto os espanhóis controlavam os bordéis os portugueses tinham os cinemas e restaurantes e os sírio-libaneses o comércio os cearenses eram os senhores das estradas de seringa2 e formaram a base popular da sociedade acreana o período de formação do acre que vai de 1899 até 1903 quando os brasileiros defenderam o território em uma guerra contra a bolívia a chamada revolução acreana3 é extremamente pobre em fotografias temos uma única foto de luis gálvez e duas fotos do exército acreano são imagens de pouca qualidade e sem identificação de local ou autoria mas são usadas mesmo nestas condições por serem as únicas existentes de um momento tão importante da história do acre este conjunto de quatro imagens duas fotos do exército acreano a foto do galvez e a imagem que mostra o estado maior do exército acreano comandada por plácido de castro ­ representa praticamente 90 por cento do acervo que temos sobre a revolução acreana dois anos depois do final da revolução um judeu chamado emilio faulk sob o codinome de emílio falcão publicou o Álbum do rio acre4 no pará para fazer este livro ele subiu o rio purus e o rio acre e fotografou os seringais É um documento com uma qualidade bastante significativa por muito tempo pensamos que faulk havia fotografado todas as propriedades alguns relatos indicam que fotografou apenas os seringais onde foi pago pelo serviço a história do emilio faulk e da publicação original deste livro é uma lacuna um problema relacionado à falta de uma história da fotografia no acre do período entre 1899 e 1910 tudo que temos é o Álbum do rio acre e mais uma dúzia de outras fotografias muito provavelmente existam acervos no peru e na bolívia mas o diálogo com estes países está apenas começando nunca houve interesse em fazer este diálogo especialmente nas regiões de fronteira muitas lacunas e fragilidades talvez pudessem ser minimizadas pelo intercâmbio internacional se contássemos com o intercâmbio internacional efetivo poderíamos duplicar e melhorar a constituição do nosso acervo 10

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na fase posterior encontramos imagens de qualidade bastante razoável em 1912 houve a missão carlos chagas à amazônia5 fizeram uma série de fotografias em vidro e de um conjunto de mais de mil fotos temos apenas quatro esse material nunca esteve integralmente disponível para nós apesar de sua qualidade extraordinária uma das fotos de rio branco de 1912 tem tanta qualidade que permite ampliação para observação de seus detalhes É o primeiro shopping center do acre todas as lojas eram de síriolibaneses que dominavam o comércio no acre especialmente em rio branco no lado esquerdo tem o centro comercial no lado direito só tem barracos É a rua da África local de moradia dos negros que trabalhavam para os comerciantes na época dizia-se que era necessário ter passaporte para atravessar o rio e entrar na parte comercial da cidade porque lá não era brasil era beirute com a chegada de uma grande colônia portuguesa a rua da África foi extinta e transformada em rua portugal metáfora brasileira repetida em pequena escala no acre com o final do ciclo da borracha provocado pela concorrência das plantações da malásia a riqueza acabou e a amazônia foi jogada em uma condição de miséria absoluta as décadas de 20 e 30 do século xx são consideradas décadas perdidas o autor acreano océlio de medeiros diz que o acre se transformou em um igapó de almas de rios que perderam o seu destino curiosamente a qualidade fotográfica neste período diminuiu sensivelmente as fotos deste período são de qualidade bastante inferior a das imagens da belle epóque amazônica6 a fotografia vai perdendo em qualidade e em diversidade de temas e a partir da constituição do território federal do acre passa a ser basicamente a fotografia oficial a fotografia dos governantes o regime de território federal foi criado especialmente para o acre tendo sido o primeiro a ser implantado no país era um regime em que os acreanos não tinham direito de eleger seus governantes nem arrecadar seus próprios impostos não tinham direito a nada o governador era nomeado no palácio do catete no rio de janeiro geralmente como compensação para políticos derrotados em eleições configurando períodos muito difíceis da história do acre décadas de 30 e 40 hugo carneiro e guiomar santos foram os governadores que mais documentaram suas administrações e publicaram boa parte destas fotografias a memória fotográfica está relacionada à memória do próprio poder talvez não seja por acaso que eles sejam considerados até hoje como grandes governadores foram os únicos que documentaram seu trabalho e deixaram esta documentação no acre hugo carneiro por exemplo construiu o palácio do governo o quartel da polícia a penitenciária e outros prédios que são referências da paisagem urbana de rio branco a partir da década de 40 temos um novo evento no acre o segundo ciclo da borracha no que se convencionou chamar de batalha da borracha7 houve uma nova grande leva migratória e sintomaticamente à medida que melhorou a condição econômica do acre aumentou também a documentação fotográfica cerca de 80 por cento da documentação fotográfica que temos foi feita a partir da década de 40 o acervo do semta em fortaleza montado nos anos 40 para documentar esta migração para amazônia é extraordinário mas ainda não temos este material no acre temos acesso apenas ao que está publicado cadernos de fotografia 11

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À medida que o volume de fotografias aumenta por força da presença governamental e do dinheiro da borracha podemos observar outros aspectos além das obras dos governos começamos a ver o tipo humano o comércio as festas religiosas um dos fotógrafos de maior atividade no acre o foto araújo fotografou a cidade inteira por mais de 15 anos e não temos qualquer informação sobre ele o ser humano por trás da câmera só temos suas fotos o que revela a fragilidade da pesquisa realizada até aqui no acre graças ao seu trabalho conseguimos observar melhor a cidade independente das intervenções governamentais a partir das décadas de 30 e 40 os índios começaram a aparecer nas fotografias mas vestidos como brancos não temos qualquer material feito nesta época com uma boa caracterização de seu cotidiano a primeira imagem que temos de povos indígenas já mostra os índios vestidos são índios kaxinawá em uma foto feita por equipes do ibge na década de 50 o acre tinha 50 etnias indígenas no momento da ocupação no século xix hoje tem apenas 15 etnias e a documentação fotográfica sobre esta população é muito pequena especialmente no período de ocupação e formação do acre a comissão rondon passou pela região em 1937 mas não ficou qualquer material no estado balanço final o acesso e utilização do acervo público foram democratizados com a digitalização mas ainda trabalhamos com equipamento inadequado e um número reduzido de profissionais especializados não temos uma história da fotografia no acre tentei fazer aqui um esboço de sua trajetória mas estamos longe de ter um conjunto significativo de informações outro problema é que ainda não conseguimos produzir publicações sobre estes acervos nosso esforço nestes últimos 10 anos foi de organizar e salvaguardar o que ainda existia digitalizamos e disponibilizamos mas ainda não conseguimos avançar na publicação do material existente nos acervos ainda assim é importante ressaltar que o trabalho está restrito à cidade de rio branco mesmo sendo um trabalho feito no âmbito do governo estadual os outros 21 municípios estão em situação semelhante a encontrada na capital no período anterior a 1998 acervos públicos saqueados sistematicamente e prefeituras municipais guardando fotografias em caixas de sapatos uma boa novidade é o fato de estar surgindo um movimento muito interessante de formação de centros de memória privados ou comunitários e de termos conseguido triplicar o número de museus em 1999 existiam três hoje são nove não conseguimos chegar a todos os municípios mas a partir desta ação muitas comunidades sentiram-se estimuladas a começar a preservar sua própria memória um exemplo é a iniciativa dos hansenianos8 de montar um centro de memória e organizar o acervo sobre sua trajetória na amazônia infelizmente o movimento não teve condições de manter este centro de memória funcionando É uma iniciativa extremamente importante que não está conseguindo manter-se e ter sustentabilidade estamos tendo mais sucesso nos grupos ligados a ayahuasca9 todas as igrejas do santo daime estão usando leis de incentivo municipal e estadual para montar centros de memória e fazer o trabalho de limpeza 12

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catalogação e digitalização de fotografias o trabalho já começou a socializar a memória fotográfica desta trajetória tão original da cultura acreana neste cenário é importante destacar a falta de ações conjuntas entre as instituições públicas e privadas para superar lacunas na documentação e na memória da sociedade acreana por exemplo o acervo da fundação instituto oswaldo cruz e da batalha da borracha ainda não estão disponíveis para nós além de diversos outros acervos que precisaríamos acessar com ações de intercâmbio e troca internacional todo este panorama é complementado pelo fato de estarmos na amazônia onde as coisas são diferentes e os custos muitas vezes proibitivos foto araújo grupo de senhoras em frente ao obelisco na esplanada do palácio do governo rio branco acre década de 50 acervo digital do departamento de patrimônio histórico e cultural governo do estado do acre foto araújo foi um dos maiores fotógrafos do cotidiano acreano cadernos de fotografia 13

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para terminar essa conversa acho interessante fixar esta imagem de um dos vapores que não puderam mais navegar pela região a partir dos anos 70 porque várias pontes foram construídas a uma altura que impediu a passagem dessas grandes embarcações mostra também as catraias que ainda permanecem como meio de transporte dos moradores de rio branco fazendo a ligação entre as duas margens do rio e mostrando um pouco da imanente contradição entre a cidade que se foi e aquela que permanece autor não identificado catraia embarcação tradicional ainda utilizada na travessia do rio acre ao fundo construção da ponte jk ponte metálica e um dos últimos vapores a navegar no acre rio branco final da década de 60 acervo digital do departamento de patrimônio histórico e cultural governo do estado do acre 14

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1 pelos tratados de madrid 1750 e da ayacucho 1867 as terras acreanas pertenciam à bolívia e ao peru 2 percurso formado por um conjunto médio de 150 a 200 árvores de seringa seringueira dispersas na floresta os seringueiros andam diariamente cerca de seis horas no interior da floresta para fazer os cortes nas árvores e recolher o látex 3 o acre pertencia à bolívia e no final do século xix foi arrendado para o bolivian syndicate a região tornou-se alvo de interesse mundial pela enorme reserva de látex insumo fundamental à indústria pneumática a bolívia tentou recuperar a posse do terreno e instalou um posto aduaneiro reduzindo o lucro dos seringalistas e governos brasileiros da região o conflito teve episódios como a proclamação da república do acre 1899 pelo espanhol luis gálvez e culminou com a revolução acreana em 1902-3 evento em que o gaúcho plácido de castro atuou como comandante do exército acreano a posse brasileira da região foi garantida e plácido transformou-se em seringalista o conflito foi resolvido com o tratado de petrópolis 1903 em que o brasil negociou com a bolívia o reconhecimento da soberania em troca de 2 milhões de libras esterlinas e a promessa de construção da ferrovia madeira-mamoré 4 Álbum do rio acre 1906-1907 editado por emilio falcão no pará disponível para visualização no site do centro cultural dos povos da amazônia no endereço http www.povosdamazonia.am.gov.br/prg_045.jsp?input=1 5 entre 1911 e 1913 o médico carlos chagas coordenou a expedição científica do instituto oswaldo cruz ao vale do rio amazonas o objetivo era fazer um levantamento das condições médico-sanitárias e da carta epidemiológica da região 6 período áureo da riqueza da borracha 1880-1910 que geou uma euforia social e cultural que tomou conta da região principalmente do pará e do amazonas para mais informações consultar a belle Époque amazônica de ana maria daou obra em que a autora descreve a inserção das elites amazônicas na dinâmica do mercado mundial e o estilo de vida que implantaram em pleno coração da floresta 7 segundo ciclo de exploração da borracha amazônica voltado ao fornecimento de borracha às tropas aliadas durante a segunda guerra mundial no esforço de guerra o esquema de produção precisava trazer mão de obra para extração do látex a estratégia foi coordenada pelo serviço especial de mobilização de trabalhadores para amazônia semta criado em 1943 para fazer o alistamento compulsório treinamento e transporte de nordestinos para amazônia o órgão fazia parte do departamento de imigração do governo vargas e recebia financiamento do governo dos estados unido no âmbito do chamado acordo de washington com sede em fortaleza estima-se que o órgão tenha enviado à amazônia cerca de 60 mil trabalhadores entre 1943 e 1945 com o fim da guerra os chamados soldados da borracha ficaram entregues à própria sorte o fotógrafo carlos carvalho localizou as famílias e recuperou a história de alguns destes homens no livro história social da borracha ­ os seringueiros do acre 8 movimento de reintegração de pessoas atingidas pela hanseníase morhan na internet www.morhan.org.br um vídeo sobre os hansenianos no acre está disponível no endereço http www.youtube.com/watch?v=djbxlvbifry 9 a cultura indígena do ayahuasca é a base para uma doutrina religiosa conhecida como santo daime fundada pelo mestre irineu em uma comunidade negra nos arredores de rio branco cadernos de fotografia 15

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artur gomes leal com a ama de leite mônica foto de joão ferreira villela coleção francisco rodrigues carte de visite 9,1 x 5,5cm fundaj/cehibra

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albertina malta fundação joaquim nabuco coordenadora geral do centro de documentação e de estudos da história brasileira da fundação joaquim nabuco a fundação joaquim nabuco fundaj tem 61 anos e surgiu como resultado de um projeto de lei do então deputado gilberto freyre cujo objetivo era estudar o homem nordestino e seus problemas além de apresentar soluções com sede em recife a instituição reúne grupos de pesquisadores historiadores sociólogos e cientistas sociais para estudar este homem nordestino a instituição cresceu e ganhou abrangência no norte e nordeste trabalho na fundação há 24 anos e há mais de 22 anos estou no arquivo fotográfico como historiadora cuido para que este material esteja disponível para as próximas gerações na década de 1970 a fundaj recebeu o seu grande aporte documental que foi o arquivo de joaquim nabuco através de uma doação feita pelo seu único filho vivo na época josé tomas nabuco a partir daí o acervo da fundaj não parou de crescer em 2008 o arquivo joaquim nabuco foi incluído no programa memória do mundo da unesco mesmo estando fora do eixo cultural sul-sudeste temos feito um trabalho de preservação de acervos que nos traz muito orgulho a fundaj está estruturada em três diretorias sob a responsabilidade da diretoria de documentação estão o museu do homem do nordeste a biblioteca central blanche knopsf o laborarte laboratório de pesquisa conservação e restauração de documentos e obras de arte e o cehibra centro de documentação e de estudos da história brasileira este centro abriga um acervo de quase 1 milhão de documentos e conta com uma equipe de 30 pessoas entre técnicos bibliotecários pessoal de nível médio historiadores e pesquisadores que conservam catalogam e colocam este material à disposição do público o cehibra conta com um núcleo de pesquisa em história oral uma equipe de difusão das coleções uma coordenação de preservação e um núcleo de digitalização o trabalho tem como linhas de ação a identificação seleção aquisição reunião e organização de acervos documentais preservação e disponibilização do bem cultural desenvolvimento de pesquisa consultoria técnica e prestação de serviços o acervo é bem diversificado contendo documentação fonográfica e musicográfica cinematográfica com um acervo extraordinário da época do cinema mudo administrativa e institucional iconográfica e um conjunto em microfilmes a microfilmagem continua sendo uma importante estratégia de preservação documental para a fundaj continuamos a microfilmar por tratar-se de um suporte altamente estável e de comprovada durabilidade além de considerarmos a microfilmagem uma grande aliada na preservação de conteúdos e documentos textuais o acervo iconográfico conta com 150 coleções com mais de 250 mil documentos fotográficos entre originais e negativos neste conjunto destaca-se a coleção francisco rodrigues considerada uma das principais coleções fotográficas do brasil com um relevante número de exemplares das cadernos de fotografia 17

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