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bombeiros sexta-feira 15 de outubro de 2010 arquivo dos bombeiros voluntários do peso da régua as melhores imagens da sua história o bombeiro pintor uando esta fotografia quando me chegou às mão fez-me regressar à rua dos camilos na década de 1980 para junto à mercearia do sr arnaldo marques perto da antiga agência do banco nacional ultramarino assistir à passagem de mais um desfile dos carros de bombeiros da régua num dia de um aniversário da associação não foi o velho buick de 1930 a reluzir no seu vermelho vivo que abria o desfile mas o homem que o conduzia que fez escrever sobre aquele momento já há algum tempo que o antónio rodrigues da silva o toninho pintor como era conhecido entre amigos merecia ser recordado como um dos mais abnegados bombeiros sempre que revejo a fotografia sem grande qualidade de nitidez na imagem lembro-me de bombeiro dos velhos tempos que ainda conheci um exemplo de dedicação boa vontade e generosidade nascido na régua em 1925 sobrinho de um grande bombeiro da velha guarda o corajoso patrão Álvaro rodrigues da silva por influência deste seu familiar alistou-se no corpo de bombeiros nos finais de 1960 não quis fazer parte do quadro activo apenas se fez bombeiro para poder ajudar como motorista e se fosse preciso como pintor dos carros e das ambulâncias desde que ficou a fazer parte quadro auxiliares nunca mais deixou de ser bombeiro umas vezes era mais um dos bons motoristas das dos velhos prontos socorros e das ambulâncias outras vezes para evitar as despesas das oficinas pintava qualquer carro que não estivesse em condições este homem simples afável e bem disposto deixava a sua família os amigos para ir para o quartel fazer o que fosse necessário não era preciso que a sirene tocasse para ser o primeiro a aparecer e pegar nos carros quando o pessoal assalariado os motoristas profissionais não chegavam para tanto serviço era com o toninho que podiam contar para fazer os transportes de doentes que costumavam dar mais trabalho ou tinham como destino os hospitais do porto uma longa distância a percorrer pela q velha estrada nacional nº108 dessas longas viagens de transportes de doentes que fez vezes sem conta e sem receber qualquer gratificação o seu filho norberto gonçalves recordou uma delas que fez na sua companhia assim recordo que numa madrugada depois de chegar de uma festa bateram à porta de nossa casa para o meu pai ir levar um doente a sua casa que ficava em miranda do douro meu pai que estava já deitado depressa se levantou e vestiu a sua farda para seguir para o quartel que ficava ainda afastado mas antes de sair veio ter comigo ao meu quarto e perguntou-me se não queria fazer com ele aquela viagem como eu já era bombeiro e o meu seguro de acidentes estava garantido disse-lhe que sim ainda meio ensonado levantei da cama sem saber para onde íamos eu estava cansado de uma grande e divertida noitada com amigos mas quis fazer a vontade ao meu pai lembro-me que me disse que eu podia continuar a dormir na ambulância enquanto ele guiava a ambulância como havia muita estrada para percorrer ele pensava que não tardava a acordar o que não aconteceu mas ele deixou-me descansar sem me incomodar não me lembro de mais nada depois de me sentar ao seu lado só sei que acordei para ir com ele comer um saboroso pequeno-almoço e depois voltei a adormecer até ao nosso regresso à régua quando acordei o meu pai já estacionava a ambulância no quartel e me perguntou fizestes boa viagem ele sabia que sim meu pai era um às a conduzir de olhos bem abertos sorri e percebi a sua troça mas sentiu-o feliz pela companhia que lhe fiz naquele dia eu também estava feliz com a ternura e carinho do meu pai que me tinha deixado descansar de uma noite de folia nas festas do socorro nunca mais voltei a fazer com meu pai assim uma viagem igual até ao fim da minha vida o meu pai será sempre o meu herói enquanto o toninho foi bombeiro pintor o parque automóvel da associação muito beneficiou não havia nenhum pronto-socorro nem nenhuma ambulância que circulasse avariada ou com a pintura estragada como a pintor de carros nas oficinas da famosa garagem janeiros passou também a fazer esse serviço nas viaturas dos bombeiros sem qualquer custo para os cofres da associação sempre que fosse preciso dar uma pintura ele não perdia tempo chegava a perder noites inteiras para os deixar em perfeito estado das suas mãos saíam a reluzir como novos o parque automóvel dos bombeiros nesse tempo tinha poucas viaturas talvez as necessárias mas o toninho pintor estimava como mais nenhum o elegante buick que cuidava como se fosse o seu próprio carro e quando havia oportunidades a sua felicidade era conduzi-lo nos desfiles festas e aniversários e até nos funerais foi um bombeiro admirado e respeitado pelos seus superiores e companheiros os bombeiros mais novos gostavam da sua presença a sua humanidade contagiava-os ouviam-no contar as histórias da sua vida a sua simplicidade fez do toninho um ídolo no corpo de bombeiros da régua alguém tinha de lhe reconhecer os seus méritos a liga dos bombeiros portugueses agraciou-o com as medalhas de mérito grau ouro e grau prata que recebeu em 1991 e 1994 quando faleceu em 19 de setembro de 2005 tinha perto de 80 anos se acreditarmos que a vida contínua esteja onde estiver ele não deixará de ser bombeiro da régua para ajudar como motorista e bom pintor de carros no quartel delfim ferreira haverá sempre uma velha ambulância à sua espera para a conduzir como antigamente ou um pronto-socorro buick a precisar de uma pintura de um profissional como era o toninho pintor semanÁrio independente defensor do alto douro 5
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