Informativo O Penitenciárista Março/Abril

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

territÓrio penitenciÁrio santana é o mais antigo núcleo de povoamento da cidade de são paulo ao norte do rio tietê o local foi conhecido por muito tempo como fazenda tietê ou guaré os portugueses que ocuparam a região inicialmente escravizaram os índios mas a seguir os padres jesuítas instalaram nessas terras um colégio para a catequização e realizaram as primeiras melhorias como plantações e criação de animais em 1673 suas terras iam desde as imediações do jardim da luz seguindo o rio tietê e terminando aproximadamente em mairiporã cerca de 41 km com o nome de sant`ana a fazenda tornou-se a mais importante de são paulo sua sede foi construída em 1734 local onde hoje funciona o centro de preparação de oficiais da reserva de são paulo em 1887 viviam ali pouco mais que 130 pessoas depois foi criada a paróquia de sant ana tendo por sede provisória a capela de santa cruz no alto de santana até 1897 as habitações encontravam-se apenas ao longo das atuais ruas alfredo pujol e doutor césar no início do século xx o estado buscava um local que pudesse abrigar uma nova penitenciária concluiu-se que santana seria o local ideal pois estava a seis quilômetros do centro da cidade mas o bairro ainda mantinha características de zona rural em 1911 na avenida general ataliba leonel foi lançada a pedra fundamental da futura penitenciaria do estado pe em 21/04/1920 foi inaugurada a pe funcionando até os dias de hoje como penitenciaria feminina de sant`ana durante as décadas de 1920 e 1940 a pe foi considerada o local com um dos projetos mais relevantes do mundo sobre ressocialização de presos a partir da década de 1950 ao redor da penitenciária do estado foram construídos a casa de detenção 1956 a penitenciária feminina da capital 1973 e o centro de observação criminológica 1983 juntos tornaram-se o complexo penitenciário do carandiru um marco dentro do universo prisional brasileiro tanto no seu sentido jurídico-policial quanto no seu aspecto simbólico cultural e social com isso o bairro de santana ficou mundialmente conhecido por ser a manjedoura do sistema prisional paulista a casa de detenção de são paulo popularmente conhecida como carandiru foi implodida em 2002 e no local foi construído o parque da juventude do antigo complexo do carandiru são remanescentes o centro hospitalar do sistema penitenciário a penitenciaria sant`ana antiga penitenciaria do estado e a penitenciaria feminina da capital além de dois prédios da antiga casa de detenção que viraram escola técnica estadual etec e o prédio administrativo das freiras da congregação do bom pastor que gerenciavam a penitenciaria feminina da capital É nesse ultimo prédio na tentativa de manter viva a história do sistema prisional paulista que a secretaria da administração penitenciaria implanta a nova sede do museu penitenciário paulista mpp e entre seus objetivos pretende também levar às escolas do entorno do carandiru qual a importância histórica deste território solar dos andradas fazenda sant`ana centro de preparação de oficiais da reserva construção da pe o penitenciarista · 1

[close]

p. 2

quinze longos anos foi o tempo em que residi no parque agrícola da penitenciária do estado de são paulo com minha família não só eu também outros diretores moravam ali com seus familiares no local vimos nossos filhos passarem praticamente sua adolescência num lugar cercado de árvores e jardins isto sem falar do imenso pomar com suas laranjeiras e cuja entrada era uma alameda cercada por grandes pés de peras que em épocas próprias cobriam-se de frutos nesse ambiente nossos filhos cresceram curtiram a natureza ali proliferavam pássaros répteis e batráquios de varias espécies vivíamos num condomínio no centro de são paulo onde a única entrada e saída era o portão da subportaria da penitenciária do estado este imenso parque ficava na área externa da penitenciária lá trabalhavam à época 40 a 50 presos escoltados por guardas que cuidavam deste cartão de visitas da penitenciária do estado o parque agrícola ficava encravado entre a penitenciária do estado a casa de detenção a penitenciária feminina e o c.o.c antigo centro de observação criminológica hoje centro hospitalar do sistema penitenciário e a av general ataliba leonel falar do parque e não referir-se à casa de pedra é omitir detalhes de uma importante edificação ela era uma construção sólida que parecia um imponente casarão situando-se no centro do pomar do parque agrícola naquele casarão os presos se trocavam para o trabalho e faziam suas refeições também no parque agrícola havia um campo de futebol onde colegas da penitenciária e de outras unidades disputavam partidas valendo troféus e onde também nossas crianças se divertiam nos finais de tarde tudo era alegre e saudável quem hoje vê o rio carandiru que corta o atual parque da juventude atravessa os distritos de santana e tucuruvi recebendo afluentes dos bairros de carandiru jardim são paulo parada construído em 1796 na irlanda na cidade de dublin um dos maiores presídios da europa o chamado kilmainham gaol desativado desde 1924 nele foram encarcerados diver sos rebeldes e executados muitos líderes de revoltas a prisão acolhia homens mulheres e crianças todos juntos nas mais duras condições de 1845 a 1850 a irlanda atravessou uma severa crise na produção agrícola provocando um período de fome que culminou na morte e emigração de cerca de um milhão de pessoas a situação foi tão extrema que algumas pessoas preferiam serem presas pois assim poderiam ter o que comer em 1916 foram executados na prisão 14 líderes de um importante levante popular o sofrimento enfrentado por esses líderes pode ser visto nas correspondências que atualmente estão expostas no museu as cartas trocadas entre grace gifford e seu noivo quando soube que ele seria executado persuadiu as autoridades para que pudessem se casar na própria prisão então no dia 3 de maio de 1916 eles se casaram na manhã seguinte joseph plunkett foi executado logo após ela mesma se tornou uma prisioneira de kilmainham em fevereiro de 1923 durante a guerra civil nos dias de hoje kilmainham é um importante museu considerado um monumento nacional o local recebe visitantes do mundo todo 2 · o penitenciarista

[close]

p. 3

inglesa e vila guilherme para depois desaguar no rio tietê não imagina que ele era um marco divisor entre a penitenciária do estado e a casa de detenção do lado direito ficava a casa de detenção com sua complexidade e as residências dos funcionários da penitenciária do estado havia umas oito ou nove casas junto às muralhas do lado esquerdo existia o parque agrícola pertencente à penitenciária do estado vimos com pesar governos anteriores destruírem o parque agrícola e tudo o que havia nele para ali construir a nova casa de detenção apesar disso depois da construção bem avançada a obra foi embargada e o projeto foi por água abaixo atualmente no local existem muralhas que nem chegaram a ser utilizadas e que cercariam a nova detenção agora servem apenas para pessoas em visitação hoje a área às margens do carandiru forma o atual parque da juventude ao passear na região rememoro antigos locais e edificações que não existem mais só lembranças guilherme silveira rodrigues a unidade foi inaugurada no dia 23 de abril de 1990 com a denominação de casa de detenção de presidente prudente porém seu funcionamento ocorre de fato no ano anterior no dia 08 de fevereiro de 1989 nesta data a cadeia pública da cidade em 2001 seu nome foi alterado para penitenciária de presidente prudente no ano de 2008 teve seu nome alterado para penitenciária wellington rodrigo segura de presidente prudente em homenagem ao servidor assassinado no centro de detenção de mauá/sp acervo mpp quadro vista aÉrea do carandiru passou por uma violenta rebelião e foi parcialmente destruída sendo necessária a imediata remoção dos presos para a casa de detenção a casa de detenção foi projetada para atender presos provisórios com capacidade para abrigar 360 pessoas em março de 1999 foi inaugurada uma ala anexa visando abrigar inicialmente 216 sentenciados em regime semiaberto atualmente a penitenciária abriga 1.300 presos sendo 884 em regime fechado e 416 em regime semiaberto desses 427 desempenham atividades laborterápicas sendo 87 em empresas externas semiaberto ocorre ainda atividade educacional com alfabetização ensino fundamental e médio na unidade existe também uma horta mantida com o trabalho dos presos o penitenciarista · 3

[close]

p. 4

o código penal de 1890 estabeleceu novas modalidades de penas prisão celular banimento reclusão prisão com trabalho obrigatório prisão disciplinar interdição suspeição perda do emprego público e multa as penas restritivas de liberdade individual eram temporárias e não deveriam exceder 30 anos eram elas prisão celular reclusão prisão com trabalho obrigatório e prisão disciplinar a prisão celular menina dos olhos dos juristas na época e grande novidade da revisão penal de 1890 foi considerada punição moderna foi sob essa modalidade penal que se construiu a abóbada de todo o sistema repressivo brasileiro a estrutura penitenciária ideal a partir deste novo código passou a exigir os seguintes quesitos segurança dos detentos higiene apropriada ao recinto da prisão segurança por parte dos vigilantes e guardas execução do regime carcerário aplicado inspeções frequentes às penitenciárias a questão penitenciária tratava do ponto de vista ideal mais do que nunca das funções que a pena deveria exercer na vida social contudo toda essa boa vontade entrou em colisão com as condições deprimentes dos presídios brasileiros detectáveis através de estudos e depoimentos de época os problemas referentes à execução das penas foram previstos nas disposições gerais do código ao estabelecer que enquanto não entrasse em inteira execução tanto a pena de prisão celular como a de prisão com trabalho seriam cumpridas nos estabelecimentos existentes segundo o regime atual convertida em prisão simples com aumento da sexta parte do tempo o regime carcerário provisório prosseguia na pena de prisão com trabalho a desorganização a falta de produtividade a ausência de matérias-primas e de utensílios para o labor interno nas oficinas era uma constante com isso o preso tornava-se desocupado promíscuo e preguiçoso nesse sentido de que valia o aparato carcerário se a meta de recuperar o preso estava sendo realizada erroneamente cláudio tucci junior 39 advogado mestre em filosofia do direito especialista em políticas públicas e gestão governamental foi secretário adjunto da administração penitenciária titulo tiradentes um presídio da ditadura gênero drama ano 1997 editora scipione esta obra traz 35 depoimentos com o pensamento e as lembranças de ex-presos políticos que passaram pelo presídio tiradentes durante a ditadura dos militares abordando os mais diversos assuntos relativos à vida carcerária filme mandela luta pela liberdade duração 140 minutos genero drama ano 2007 diretor bille august a reorganização do museu como já se afirmou não é trabalho para um mas dependerá da cooperação integral da administração de seus frutos se beneficiarão amanhã as gerações estudiosas que se voltarão ao problema dos primeiros estudos e observações criminológicas e antropológicas levados a efeito pelo dr moraes mello aos estudos técnicos medico-psiquiátricos psicológicos e sociológicos da atualidade do pontaço de ferro feito pelo preso aos quadros de pintura criações de objetos em miniatura com rigor arquitetônico a demonstrarem que a mão de obra do sentenciado não é a mão morta ou improdutiva mas útil tão produtiva como qualquer outra em outras prof coriolano silveira da motta membro da c do museu penitenciário condições na década de 1960 o filme trata da história de nelson mandela no período em que ficou preso contado através das memórias de um agente penitenciário james é um típico branco sul-africano que enxerga os negros como inferiores situação típica da maioria da população branca que vivia na África do sul sob o apartheid dos anos 60 crescido no interior ele fala bem o dialeto xhosa e atua como informante do governo sobre o grupo de nelson mandela mas a convivência com mandela cria um forte laço de amizade entre eles e o transforma em um defensor dos direitos negros na África do sul sidney soares de oliveira edson galdino designer william costa santiago gisele ribeiro guimarães estagiários bruno neves evellyn cristina elaine vasconcellos colaboradores guilherme silveira rodrigues claudio tucci junior revisão jorge de souza apoio imprensa sap programa de difusÃo cultural o penitenciarista acompanhe-nos participe envie nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição de o penitenciarista mande sua opinião para o informativo museupenitenciario@sap.sp.gov.br visite nosso blog www.museupenitenciario.blogspot.com.br 4 · o penitenciarista

[close]

Comments

no comments yet