Boletim CIM/CRF-PR 2ª ed 2012 ano X

 

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- Riscos da automedicação se a orientação do farmacêutico; - Farmacovigilância; - Orientação sobre embalagens de medicamentos que podem ser comercializadas em farmácia

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en sin o publicações cim ® crf-pr informação ass ess ori a formando boletim do centro de informaÇÃo sobre medicamentos riscos da automedicaÇÃo sem a orientaÇÃo do farmacÊutico jackson c rapkiewicz farmacêutico do cim/crf-pr há atualmente nas farmácias brasileiras dois tipos de medicamentos os que só podem ser adquiridos mediante apresentação de receita de profissional habilitado e aqueles aprovados pela agência nacional de vigilância sanitária anvisa para serem utilizados sem a necessidade de acompanhamento de um médico ou cirurgião-dentista chamados medicamentos isentos de prescrição mips apesar de serem aprovados pela anvisa de acordo com critérios como índice terapêutico toxicidade legislações internacionais e lista de medicamentos essenciais o uso de mips também pode trazer riscos razão pela qual devem ser utilizados com critério apenas em quadros leves e autolimitados e por curtos períodos atualmente a resolução da diretoria colegiada da anvisa no 44/2009 estabelece que mesmo os mips devem ser mantidos em área restrita aos funcionários da farmácia de forma que sua dispensação fique condicionada à avaliação de um farmacêutico É dele portanto a responsabilidade por avaliar as queixas dos pacientes investigar possíveis contraindicações e riscos e decidir se o uso do medicamento será apropriado ou se aquela condição clínica deverá ser avaliada por um médico caso mips sejam expostos em gôndolas de autoatendimento e possam ser adquiridos sem a avaliação de um farmacêutico a população ficará exposta a diversos riscos os quais são discutidos a seguir medicamentos isentos de prescrição são aprovados pelo órgão sanitário com base em critérios como índice terapêutico e toxicidade eles podem ser identificados facilmente pela ausência de tarja 24 o farmacÊutico em revista|edição nº 98 3º|2012

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en sin o publicações informação ass esso ria cim formando risco mascarar sintomas de uma doença em desenvolvimento queixas gastrintestinais como desconforto gástrico queimação e azia são causas comuns que levam pacientes até as farmácias estes sintomas podem ser consequência de uma refeição que não foi bem tolerada pelo paciente entretanto também podem ser decorrentes de um problema de saúde em desenvolvimento pacientes com queixas gastrintestinais recorrentes que se automedicam com antiácidos podem estar apenas aliviando os sintomas de uma doença como úlcera péptica gastrite ou doença do refluxo gastroesofágico de forma semelhante pacientes que apresentam cefaleia repetidamente devem ser avaliados por um médico para que sejam descartadas possibilidades preocupantes como tumores no sistema nervoso central além disso o uso frequente de analgésicos por automedicação não é recomendado em certos pacientes uma vez que pode ocasionar progresso do quadro caso os mips fiquem expostos em autoatendimento não será fonte http www.osoyooslakeshorecottage.com/stopheadache.html pacientes com sintomas recorrentes ex cefaleia devem ser encaminhados ao médico para uma avaliação dos sintomas a automedicação nestes casos pode mascarar os sinais de uma doença em progresso necessário que os pacientes relatem suas queixas ao farmacêutico que nestas situações recomendaria uma visita ao médico sem a orientação adequada o paciente poderá continuar se automedicando sem que haja um diagnóstico permitindo assim que a doença continue avançando risco desconhecer possíveis reações adversas apesar de serem considerados relativamente seguros mips não são isentos de risco o uso do ácido acetilsalicílico por exemplo parece estar de alguma forma relacionado ao desenvolvimento da síndrome de reye sr condição que acomete principalmente o fígado e o sistema nervoso central e pode evoluir para coma e morte estudos revelaram que vários casos de sr haviam ocorrido em crianças que apresentaram quadro de infecção viral por influenza ou varicela tratados com ácido acetilsalicílico devido a esta constatação autoridades sanitárias de diversos países passaram a restringir o uso desta substância em crianças com quadros semelhantes apesar disso medicamentos pediátricos contendo ácido acetilsalicílico continuam disponíveis como produtos isentos de prescrição no caso da disponibilidade de medicamentos em autoatendimento crianças podem ser medicadas por seus responsáveis sem que estes recebam orientação sobre a sr o que é preocupante principalmente caso ocorra uma pandemia de gripe medicamentos utilizados no alívio de sintomas de alergias podem causar sonolência o que deve ser observado para que sejam evitados acidentes com automóveis e máquinas perigosas este efeito ainda pode ser potencializado pelo uso concomitante de bebidas alcoólicas e outros medicamentos depressores do sistema nervoso central como sedativos e alguns antidepressivos um levantamento realizado pelo departamento de transportes dos estados unidos em 2007 revelou que o uso de mips foi um dos fatores que mais contribuiu para acidentes com caminhões aparecendo em cerca de 20 dos casos sem orientação apropriada de um farmacêutico motoristas podem perder suas vidas e causar grande prejuízo econômico e humano.

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cim formando risco possibilidade de interferência com outros fonte http www.umm.edu/imagepages/8940.htm on oãçamrofni isn e seõçacilbup airo sse ssa tratamentos em certos casos alguns medicamentos podem interferir na ação de outros o que pode resultar em toxicidade ou perda do efeito terapêutico antiácidos isentos de prescrição amplamente utilizados pela população frequentemente possuem em sua composição hidróxido de alumínio hidróxido de magnésio e/ou carbonato de cálcio os íons alumínio magnésio e cálcio podem formar compostos pouco solúveis quando interagem com antibióticos da classe das fluoroquinolonas ou tetraciclinas estes complexos pouco solúveis têm sua absorção diminuída no intestino o que pode resultar em falha no tratamento da infecção estudo publicado por campbell et al 1992 revelou que a biodisponibilidade do antimicrobiano norfloxacino foi reduzida em até 90 quando utilizado com mips contendo alumínio magnésio ferro ou zinco outro caso de interação pode ocorrer em pacientes 180º 160º 140º 120º 100º 0º fonte http www.nlm.nih.gov/medlineplus/highbloodpressure.html o uso de fluoroquinolonas e certos tipos de antiácidos pode resultar na formação de compostos pouco solúveis que serão absorvidos de maneira irregular no intestino que utilizam medicação anti-hipertensiva e anti-inflamatórios não esteroidais aines isentos de prescrição estudos revelaram que pacientes em tratamento com anti-hipertensivos podem apresentar elevação de até 5 mmhg na pressão arterial média quando utilizam aines este valor é significativo uma vez que uma redução de aproximadamente 5 mmhg em pacientes com hipertensão leve resulta em uma diminuição no risco relativo de acidente vascular encefálico de 45 pacientes que utilizam estes mips precisam da orientação do farmacêutico para evitar falhas terapêuticas e riscos à saúde estudos mostram que em alguns casos o uso de aines pode prejudicar a efetividade de fármacos anti-hipertensivos esta interação resulta em um maior risco de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares importantes risco utilizar medicamentos por tempo prolongado atualmente muitos pacientes sofrem com dores crônicas apenas nos estados unidos estima-se que mais de 20 milhões de pessoas sejam afetadas pela osteoartrite pacientes que sofrem com dores crônicas podem decidir utilizar aines isentos de prescrição para o alívio dos sintomas por tempo indeterminado este uso pode resultar em reações adversas gastrintestinais como sangramentos úlceras e perfurações gástricas ou intestinais as quais podem ocorrer sem que haja sintomas prévios idosos têm maior risco de desenvolver estas reações adversas e infelizmente estão entre os pacientes mais acometidos pela osteoartrite apesar de ser um tema ainda sob investigação acredita-se que o uso prolongado de aines possa estar associado a um maior risco de desenvolver eventos cardiovasculares e cerebrovasculares como infarto e acidente vascular encefálico esta é uma preocupação adicional relativa ao uso de aines por automedicação por períodos indeterminados 26 o farmacÊutico em revista|edição nº 98 3º|2012

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en sin o publicações informação ass esso ria cim formando risco utilizar doses incorretas há vários anos os medicamentos são as substâncias que mais causam intoxicação em humanos no brasil segundo os dados mais atualizados publicados pelo sistema nacional de informações toxico-farmacológicas em 2009 os medicamentos foram responsáveis por 26,5 dos casos totalizando 26753 ocorrências principais agentes causadores de intoxicação em humanos no brasil em 2009 medicamentos 26,5 escorpiões 11,4 domissanitários 10,6 fonte sistema nacional de informações toxico-farmacológicas segundo o national institutes of health dos estados unidos o uso de altas doses de paracetamol é uma das causas mais comuns de intoxicação no mundo todo apesar de ser comprovadamente seguro e eficaz quando utilizado em doses corretas o uso de doses acima das recomendadas pelo fabricante e o consumo de mais de um medicamento contendo paracetamol tem causado intoxicações e preocupado as autoridades desta forma sem o auxílio do farmacêutico para orientar sobre o uso de doses seguras é possível que os casos de intoxicação por mips continue sendo um problema de saúde pública risco comprar medicamentos em quantidades excessivas atualmente a anvisa discute formas de minimizar o descarte inapropriado de medicamentos no ambiente sendo a não geração de resíduos uma das estratégias propostas uma vez que o paciente tenha acesso a mips em sistema de autoatendimento ele poderá adquirir quantidades superiores às necessárias possibilitando que os produtos não sejam consumidos dentro de seu prazo de validade estes produtos podem então ser descartados no ambiente causando poluição ambiental ou ser utilizados por pessoas que vivem em condição de pobreza.

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cim formando conclusão on oãçamrofni isn e seõçacilbup airo sse ssa a disponibilização de medicamentos isentos de prescrição em gôndolas de autoatendimento permite que o usuário escolha os medicamentos e as quantidades que deseja utilizar sem o auxílio do farmacêutico apesar desses medicamentos serem acompanhados por bulas sua utilização sem a avaliação do farmacêutico permitirá que o paciente fique sujeito a riscos como reações adversas progressão do problema de saúde interferência com outros tratamentos uso de doses erradas e consumo por tempo prolongado a consequência provável será um aumento no número de mortes e morbidades decorrentes do uso inapropriado de medicamentos referências agÊncia nacional de vigilÂncia sanitÁria descarte de medicamentos disponível em

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en sin o publicações informação ass esso ria cim farmacovigilância formando bulas de contraceptivos contendo drospirenona terão novas informações medicamentos nos estados unidos apesar desta medida não é possível ter certeza de que os contraceptivos contendo drospirenona aumentam o risco de desenvolvimento de trombos embora alguns estudos tenham demonstrado aumento desse risco quando anticoncepcionais com drospirenona foram comparados com os que contêm progestógenos diferentes outros estudos não revelaram diferenças entre preparações com ou sem drospirenona além disso alguns trabalhos não levaram em consideração características das pacientes que podem colaborar para um aumento no risco de desenvolver trombos ex tabagismo a orientação do fda é que as mulheres discutam com seus médicos sobre os riscos de desenvolver eventos tromboembólicos antes de decidir qual método contraceptivo usar a agência norte-americana food and drug administration fda concluiu que contraceptivos contendo drospirenona podem estar associados a um maior risco de formação de trombos que anticoncepcionais que contêm outros progestógenos como consequência novas orientações serão acrescentadas às bulas desses probabilidade de formação de trombos período pós-parto 12 semanas gestante usuária de coc não gestante e não usuária de coc 0 10 20 30 40 50 60 70 casos por 10.000 mulheres-ano gráfico 1 probabilidade de desenvolvimento de trombos mulheres que utilizam qualquer contraceptivo oral combinado coc têm maior chance de desenvolver trombos que as que não utilizam cocs 3 a 9 contra 1 a 5 casos por 10.000 mulheres-ano este risco no entanto é menor que o observado na gestação e no período pós-parto 5 a 20 e 40 a 65 casos por 10.000 mulheres-ano respectivamente referência food and drug administration fda drug safety communication updated information about the risk of blood clots in women taking birth control pills containing drospirenone disponível em

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cim formando on oãçamrofni isn e seõçacilbup airo sse ssa orientações sobre embalagens de medicamentos que podem ser comercializadas em farmácias material orientativo elaborado pelo conselho regional de farmácia do paraná texto jackson c rapkiewicz revisão rafaela grobe e eduardo carlos theodoro de freitas importante o texto a seguir não substitui as informações disponíveis na legislação vigente as quais devem ser consultadas em caso de dúvida dispensados em suas embalagens primárias ex blíster ampola enquanto outras devem ser comercializadas sem que haja rompimento da caixa embalagem secundária para uma melhor compreensão é importante conhecer as definições presentes na resolução rdc no 71/2009 da agência nacional de vigilância sanitária anvisa e stão disponíveis no mercado farmacêutico diferentes tipos de embalagens para medicamentos algumas podem ser abertas para que os medicamentos sejam embalagem primária embalagem que mantém contato direto com o medicamento embalagem secundária embalagem externa do produto que está em contato com a embalagem primária ou envoltório intermediário podendo conter uma ou mais embalagens primárias para saber quais medicamentos podem ser comercializados em farmácias privadas deve-se analisar as embalagens dos produtos embalagens secundárias de medicamentos com destinação exclusivamente hospitalar que só podem ser vendidos para hospitais clínicas e ambulatórios trazem no rótulo a frase embalagem hospitalar de forma similar medicamentos que só podem ser administrados em ambiente hospitalar devem trazer nos rótulos das embalagens secundárias a frase uso restrito a hospitais outro tipo disponível é a embalagem múltipla definida pela resolução rdc no 47/2009 da anvisa como embalagem secundária de medicamentos de venda sem exigência de prescrição médica cujas embalagens primárias são disponibilizadas para o usuário estes produtos podem ser comercializados em farmácias e devem ser dispensados com bula exceto nos casos em que as informações do rótulo a substituam medicamentos fracionáveis trazem no rótulo a expressão embalagem fracionÁvel e podem ser comercializados por farmácias que cumpram as determinações da resolução rdc no 80/2006 da anvisa exemplo o dramin® dimenidrinato é um medicamento sujeito a prescrição médica portanto não pode ser dispensado em sua embalagem primária ex blíster as farmácias só podem comercializar o dramin® em embalagens comuns caixas ou através do fracionamento de embalagens próprias para este fim neste último caso o blíster e sua respectiva bula devem ser acondicionados em uma embalagem secundária para fracionados fornecida pelo estabelecimento 30 o farmacÊutico em revista|edição nº 98 3º|2012

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en sin o publicações informação ass esso ria cim formando medicamentos destinados exclusivamente ao sistema Único de saúde possuem em suas embalagens secundárias e/ou primárias a expressão proibida a venda no comÉrcio e não podem ser comercializados em farmácias privadas caso as vigilâncias sanitárias encontrem tais embalagens o estabelecimento poderá ser punido de acordo com o disposto na resolução no 166/2011 da secretaria de estado da saúde do paraná conforme orienta a resolução rdc no 44/2009 da anvisa as farmácias só devem adquirir medicamentos de distribuidores legalmente autorizados e licenciados além disso no momento do recebimento deve ser exigido que o nome o número do lote e o nome do fabricante dos produtos estejam discriminados na nota fiscal de compra caso haja dúvida sobre a embalagem do medicamento orienta-se entrar em contato diretamente com o fabricante do produto não podem ser comercializados em farmácias privadas medicamentos destinados ao sus características das embalagens contêm a expressão proibida a venda no comÉrcio nas embalagens secundárias e/ou primárias contêm a frase embalagem hospitalar no rótulo da embalagem secundária contêm a frase uso restrito a hospitais no rótulo da embalagem secundária medicamentos em embalagem hospitalar medicamentos cuja administração é permitida apenas em ambiente hospitalar podem ser comercializados em farmácias privadas medicamentos em embalagens comuns características das embalagens são dispensados em embalagens secundárias fechadas não exigem receita as embalagens primárias são fornecidas ao usuário acompanhadas da bula trazem no rótulo a expressão embalagem fracionÁvel o fracionamento deve ser feito conforme a rdc 80/2006 medicamentos em embalagens múltiplas medicamentos em embalagens fracionáveis referências brasil agência nacional de vigilância sanitária resolução rdc no 71 de 22 de dezembro de 2009 estabelece regras para a rotulagem de medicamentos diário oficial da união brasília 23 dez 09 brasil agência nacional de vigilância sanitária resolução rdc no 47 de 8 de setembro de 2009 estabelece regras para elaboração harmonização atualização publicação e disponibilização de bulas de medicamentos para pacientes e para profissionais de saúde diário oficial da união brasília 9 set 09 brasil agência nacional de vigilância sanitária resolução rdc n 80 de 11 de maio de 2006 dispõe sobre o fracionamento de medicamentos em farmácias e drogarias diário oficial da união brasília 12 mai 06 paranÁ secretaria de estado da saúde resolução n 166/2011 disponível em

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