Revista Espinho D'água edição número 1

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

entrevista mano j da rima crônicas cotidianas comportamento sociofilosófico matéria de capa big brother uma história de protesto transformada em reality show cinema v de vingança mÚsica canções de protesto dos anos 70 e 80 e mais dicas curiosidades literárias textos inéditos alienaÇÃo the big brother is wacthing you fala aí professora a importância do livro em sala de aula

[close]

p. 2

revista espinho d água seu canal aberto de literatura e artes editorial março/2013 ­ ano i no 01 editores leona volpe rodrigo delfino will kiko zampieri ilustrações leona volpe e rodrigo delfino colaboradores profa maria helena alves a busca pelo desconhecido sempre foi um ato principal e primordial da humanidade buscamos os caminhos das Índias circunavegamos o globo alcançamos profundidades abismais e até chegamos à lua conseguimos ir tão longe mas por que perdemos o trato com o nosso próprio mundo por que deixamos de olhar as outras pessoas na mesma altura de nossos olhos por que nos tornamos tão alienados pela nossa vaidade e suposta evolução intelectual a ponto de deixarmos de ter pensamentos e sentimentos universais levados por estes e muitos outros questionamentos inquietudes e necessidades artísticas resolvemos publicar essa revista com o intuito de gerar um sarau de discussões estender um tapete vermelho para as críticas opiniões e soluções ouvir um concerto de novos autores colaboradores e amigos e desenhar uma nova mentalidade em pequenos quadros constantes carregamos em nossa bagagem um pouco da experiência individual que queremos repartir dividir somar e multiplicar com cada um dos nossos leitores não temos a soberba de termos encontrado as minas do rei salomão nem o cálice do santo graal muito menos a fórmula da alquimia de transformar o chumbo em ouro mas com certeza estaremos deixando a porta da sala de estar dessa nova casa totalmente aberta ou você vai preferir continuar sendo um mero coadjuvante alienado da sua própria história revista espinho d água contatos site www.revistaespinhodagua.com blog http revistaespinhodagua.blogspot.com e-mail revistaespinhodagua@gmail.com as palavras voam a escrita permanece.

[close]

p. 3

Índice especiais cinema v de vingança pg .04 17 big brother de obra de arte antedespótica a programa de puro entretenimento na tv mÚsica as músicas de protesto dos anos 70 e 80 pg 08 literatura 12 entrevista mano j da rima a nova voz independente do rap nacional 1984 de george orwell pg.17 e ainda comportamento sociofilosófico crônicas cotidianas 40 fala aí professora a profa maria helena alves fala da importância do livro em sala de aula e mais curiosidades dicas de livros filmes discos teatro e artes visuais o espinho d Água contos poemas e textos exclusivos dos autores e colaboradores da revista www.revistaespinhodagua.com

[close]

p. 4

03 equilibrium num futuro onde a liberdade é proibida os rebeldes são os verdadeiros heróis equilibrium ano 2002 diretor kurt wimmer elenco christian bale emily watson sean bean distribuidora dimension films com muito custo john consegue encontrar o esconderijo dos rebeldes e lhes perguntar por que e como tudo aquilo aconteceu por que eles mantinham aquela forma de vida horrível e rude se escondendo e colocando suas vidas em risco sendo que as emoções eram volúveis e dolorosas as emoções não são boas o tempo inteiro mas queremos ter o direito de senti-las líder dos rebeldes e esse direito é pago muitas vezes pelo herói dessa maravilhosa trama principalmente quando suas emoções são postas a prova quando os soldados do grammaton encontram alguns cães mantidos pelos rebeldes e john tem de dar a ordem para que seja dado um fim a todos eles eles se perguntam por que eles mantêm esses animais a resposta para nós é óbvia para john é óbvia mas para pessoas que não tem sentimentos que não conseguem perceber o amor que um cão devota a seu dono a sua lealdade e a sua coragem para defendêlo o animal não é nada mais do que uma criatura agressiva e inútil que deve ser eliminada por fim diferente de muitos filmes e livros equilibrium tem um final agradável mas o seu final não é importante e sim o que essa magnífica produção nos conta atualmente não sentimos apenas rimos ativados pelo som das risadas em uma comédia nos concentramos em cenas de tiroteios e explosões e esperamos lentamente pelas informações mastigadas que nos são dadas em doses homeopáticas não vemos quadros não admiramos obras de arte não ouvimos músicas eruditas e por fim não sentimos porque nos foi roubado o direito de sentir não por uma droga não por um governo que deseja nos dominar mas todos nós desejamos encontrar um culpado porque é mais cômodo apontar para alguém mas o controle remoto está em suas mãos e a opção de mudar pertence a cada um assim como o nosso direito de possuirmos ou não uma arma mas essas são escolhas difíceis e devem ser meditadas pois pensar requer um trabalho árduo mas exemplos fáceis podem ser utilizados portanto pare e pergunte a você mesmo por um instante se você fosse obrigado a julgar um assassinato quem você culparia o homem que utilizou a faca ou a faca agora pense novamente e vai perceber que a verdade está diante de seus olhos e que o ladrão está mais dentro do que você imagina pois como diz o genial v de vingança em seu filme homônimo se quer achar um culpado olhe-se no espelho apesar de se descrever como um filme de ação a primeira cena de equilibrium é de um criminoso observando um quadro uma entrada bastante peculiar e bela que mostra até onde os seres humanos seriam capazes de chegar suprimindo sua própria necessidade de sentir pelo desejo de controle supremo sobre tudo e todos apesar da direção excepcional de kurt wimmer e da fantástica atuação de christian bale este não foi um filme bem aceito pela crítica ou mesmo pelo público talvez por não ter sido compreendido na época como ele é neste momento onde vemos os horrores previstos por george orwell em 1984 e ray bradbury em 451 fahrenheit cada vez mais claros acontecendo bem diante de nossos olhos a geração x e y considerou equilibrium um clássico que deve ser assistido talvez por seus longos tiroteios e por suas cenas de ação hipnotizantes mas acima de tudo porque há uma historia por trás dessa miraculosa fantasia que faz com que nós tenhamos medo do que virá pela frente apenas por observar o curso que a humanidade tem tomado no filme as emoções são terminantemente proibidas e para tal as pessoas são diariamente obrigadas a ingerir uma droga que as priva desse terrível incômodo causador de guerras como descreve o pai no decorrer da sci-fi sentir emoções é tão assustador e prejudicial a ponto de john preston um soldado treinado para detectar e eliminar infratores ter de aceitar a morte de sua própria esposa que havia quebrado a regra mas as emoções são tentadoras e mais uma vez john é obrigado a lidar com uma nova infração desta vez a de seu próprio colega de trabalho mas o que torna a sensação de sentir tão necessária a ponto de as pessoas se permitirem serem levadas e mortas apenas para apreciar um efeito do cérebro o personagem principal desse ícone do cinema atual precisa entender o que há de tão maravilhoso por trás da veemente proibição do governo que faz com que rebeldes se escondam e lutem desesperadamente para manter suas vidas e sentir por mais tempo portanto indeciso e com medo de ser percebido pela gigantesca população fria que o encontra em seu caminho todos os dias ele toma sua decisão de ficar sem prozium fazendo com que lentamente a sua mente não consiga mais enxergar a vida em tons de cinza e cores comecem a brotar a sua frente leona volpe

[close]

p. 5

04 lembrai lembrai o cinco de novembro a pólvora a traição e o ardil por isso não vejo porque esquecer uma traição de pólvora tão vil livro v de vingança autor alan moore lustrado por david lloyd ano de lançamento 1983 adaptado para o cinema em 2006 roteiro de the wachowski brothers direção james mcteigue elenco natalie portman hugo weaving stephen rea and john hurt distribuído por warner bros pictures v de vingança é aberto com um prefácio de david lloyd extremamente inspirador que conta a história de um bar cuja dona se interessa por programas que mostram apenas pessoas alegres e descontraídas e desliga a televisão no momento em que começa o noticiário porque nele não há muitos personagens alegres e descontraídos seria um prazer colocá-lo nesse artigo mas suas últimas palavras descrevem perfeitamente a ideia por trás da obra e por trás dessa reverência à obra em v de vingança também não há muitos personagens alegres e descontraídos e é para gente que não desliga na hora do noticiário considerado uma obra prima por muitos v de vingança é uma poética junção de obras que ganharam seu espaço na história como 1984 de george orwell e mais do que isso é uma visão prática e realista do que aconteceria caso um governo totalitário fosse edificado nos tempos atuais muitos olharão com choque as suas idéias mas outros cujas mentes são mais abertas às possibilidades perceberão com que grandeza essa visão se materializa em nosso universo e com que necessidade latente precisamos de um herói nesse caso um que se intitula de um vilão pois estaria tirando da população a sua falsa noção de tranquilidade mais do que tudo a graphic novel mostra o quanto uma população pode se esquecer do que foram seus ideais de liberdade e se deixar levar pela bela utopia de não precisar ter controle da própria mente o quanto um governo bem estruturado pode promover uma lobotomia em massa para que tudo e todos sejam esquecidos e haja apenas o sistema a única liberdade que resta ao povo é passar fome a liberdade de morrer de viver num mundo caótico mas mesmo os maiores sistemas são frágeis v um psicopata como os seus inimigos o intitulam logo encontra a pequena e desesperada evey que vive em um albergue e tenta arrecadar um pouco mais de dinheiro na prostituição como fazem as meninas mais velhas mas sua inocência a leva a fazer sua primeira proposta a um oficial do governo um homem-dedo a pena por prostituição cabe ser escolhida perante a lei pelo homem-dedo e ele e seus comparsas decidem pela morte da pequena menina pobre de apenas dezesseis anos nesse momento aparece v seu salvador que em meio a uma deliciosa declamação de macbeth extermina os oficiais o resto da história a versão cinematográfica de james mcteigue um diretor de cinema excepcional que para nossa tristeza como todos os diretores excepcionais tem poucos filmes para deleitar seus apreciadores conta com requintes em questão de efeitos fotografia e paixão e por ter se tornado uma referência entre os blockbusters todos já conhecem ainda assim muito da narrativa se perdeu as cenas mais marcantes são sem dúvida aquelas em que v discute com a estátua da justiça precedida pela poética declamação de seu arquiinimigo para o seu computador destino seu nome é anarquia e ela me ensinou mais como amante do que você imagina v de vingança nos trás uma história tão estranha e completa que chega a ser difícil acreditar que ela não tenha acontecido conforme vemos cada um dos seus pontos se identificarem com algo que vemos em nosso dia-a-dia que assistimos em nosso noticiário amores profundos às coisas são mostrados a todo tempo e nos enojam mas são reais vemos esse tipo de amor a todo o momento quando uma pessoa escolhe o próprio carro à vida de um igual mostrando o quão frio e

[close]

p. 6

asqueroso pode se tornar o nosso comportamento conforme a sociedade cresce e perde com cada vez mais facilidade o seu caráter humano transformamos-nos no nosso pior pesadelo e não somos capazes nem sequer de reconhecê-lo acho curioso o modo como a história se desmembra com pontos tão destoantes mas que juntos realmente formam a sociedade desde o radialista até o padre pessoas com posições tão distantes que poucos fariam uma ligação mas que sabemos que compõe o imenso cenário em que estamos imersos o amor fraternal que evey sente por v é algo que qualquer garota que enxergasse a sua genialidade sentiria É um tipo de amor muito palpável e muito real fazendo com que ela decida se envolver nos seus projetos mas recue quando descobre que ele está matando pessoas lembrai lembrai o cinco de novembro a pólvora a traição e o ardil por isso não vejo porque esquecer uma traição de pólvora tão vil o filme auxilia nesse momento mostrando cenas de o conde de monte cristo uma história que caí como uma luva sobre toda a ideia de v de vingança e demonstra os sentimentos que rodeiam os personagens principais mostra que v está matando por vingança e que não vai parar enquanto não terminar mas tive pena de mercedes diz evey durante o filme porque ele queria mais a vingança do que a queria a ela apesar dos sentimentos dela serem infantis e a todo o tempo projetar a imagem do pai em v até chegar ao ponto de acreditar que seja ele às vezes conforme relemos a história é possível acreditar que v sente alguma atração pela menina e essa confusão o irrita profundamente para os fãs do par romântico o beijo durante o filme foi o momento de deixar as lágrimas caírem de amor por esse estranho e maravilhoso anti-herói todos nós pensamos se poderia algum dia surgir alguém tão mítico quanto uma figura de chapéu que grite a cantiga de um herói que por conveniência do governo se tornou um vilão uma história que poucos conhecem mas que fundamentou a ideia de alan moore guy fawkes tentou explodir o parlamente inglês visando à melhora das condições do povo que sofria nas mãos do rei mas quando o golpe foi descoberto a história se virou contra o revolucionário o transformando no grande traidor da nação e se tornando conhecido pelo épico poema declamado por v v de vingança deve ser lembrado e relido por muitos aspectos o mais importante deles é que as pessoas devem ter noção de que partidos não descem dos céus para regerem na terra e que é o voto delas que faz com que homens corruptos subam ao poder somos nós cidadãos que lhes damos esse poder deve se lembrado porque nos mostra que grandes atitudes devem ser postas em prática em conjunto e que a sociedade deve ser unida objetivando o melhor para si mesma e para o ambiente onde existe e que essa visão não deve vir apenas de um grupo de homens e sim de um todo pensante que está acima da manipulação que a rejeita que o governo deve temer o seu povo e não o povo que deve temer seu governo deve ser lembrado por que nos mostra que escolhemos ser alienados nada nos foi imposto mas somos nós que perdermos nosso tempo com programações baratas e conteúdos que não tem absolutamente nada a nos oferecer em questão de cultura nossas peças de teatro são tolas nossos filmes são tolos e nossos livros são tolos um evento que eu julgo inédito na literatura mundial já que nunca houve tantos livros que não tem definitivamente nada a dizer que são apenas um conjunto de palavras que quando terminamos de ler percebemos que não acrescentou um único conhecimento utilizável em nossa vida o que para uma pessoa como eu é deprimente e principalmente deve ser lembrado porque uma ideia ainda pode mudar o mundo e não importa o quanto tentem tirá-las de nós o quanto façam com que nos esqueçamos do que realmente nos importa o quanto tentem matar a nossa ânsia por revolução porque acima de tudo ideias são a prova de balas leona volpe www.revistaespinhodagua.com

[close]

p. 7

você já teve um sonho que juraria ter sido real e se não pudesse acordar desse sonho como saberia a diferença entre o mundo do sonho e o mundo real fala do personagem morfeu 06 em 2199 o mundo está dominado pelas máquinas a matrix que tomaram o poder e escravizaram as mentes dos seres humanos para tirar-lhes a energia criada pelas descargas e existiria um humano nascido dentro da matrix que seria capaz de modificar o que quisesse nela impulsos elétricos mentais alguns humanos conseguiram se libertar da matrix e eram perseguidos por agentes do sistema porém existia a profecia citada pelo oráculo de que e que seria ele o libertador dos humanos poria fim à guerra e destruiria a matrix parecia uma vida comum vivida por neo um programador de software que considerava a si mesmo como um cara como outro qualquer mas ele também se questionava era inquieto isso mudou quando conheceu morfeu que o procurou e revelou-lhe a verdade todos os seres humanos eram escravos das máquinas que os faziam crer que eram livres mas na verdade eram escravos mantidos vivos apenas para produzir energia física para mantê-las junto com trinity morfeu acreditava que neo era o escolhido aquele que poria fim à guerra e libertaria os humanos da escravidão o filme em muitos aspectos se tornou uma obra singular tanto na história bastante original quanto na técnica que os irmãos wachowski autores e diretores do filme usaram para filmar nunca antes certos ângulos câmeras e técnicas havia sido usadas num filme isso o tornou um estrondoso sucesso É claro que as criativas lutas coreografadas o figurino gótico e modernoso e as cenas exageradas de trocas de tiros armas pesadas e explosões sobretudo nos dois filmes que se seguiram ao primeiro matrix reloaded e matrix revolutions trazem um tom forte de entretenimento à película mas a história contada se sobrepõe a esses exageros em comparação a outras obras de ficção científica feitas antes matrix dá um passo adiante e um olhar diferenciado não há conflitos políticos nem embates entre ideias de facções diferentes toda humanidade tornou-se vítima das máquinas da inteligência artificial pouco importam as filosofias religiões ideologias políticas ou embate entre bem e mal o que é real como você define realidade se estamos falando do que sentimos cheiramos saboreamos e vemos então a realidade não passa de sinais elétricos que o cérebro interpreta disse morfeu ao explicar ao perplexo neo que a realidade que ele cria ser real não passava de um programa de computador o que é matrix controle a matrix é um mundo ideal gerado por computadores feito para mantê-lo sob controle para transformar o ser humano numa pilha É uma ideia que nos faz pensar se seria possível que na vida real algo nesse sentido poderia acontecer e esse é o maior mérito desse filme o questionamento além disso é claro que como produto cinematográfico o filme é incrivelmente bem realizado seus cenários planos e seqüências bastantes influenciados pelos animes japoneses os filmes de kung-fu e toda a cultura pop da informação tecnologia uma pitada de filosofia e reflexão existencial e muito do que agrada ao público do cinemão comercial lutas tiros e um pouco de sentimentalismo altamente recomendado aos pouquíssimos que ainda não o viram e aprendam a lição não tente entortar a colher isso vai ser impossível ao invés disso porque você não procura ver a verdade a colher não existe então você vai ver que não é a colher que entorta é você will a trilogia completa matrix matrix reloaded matrix revolutions

[close]

p. 8

07 earth from above a terra acima em uma tradução literal é um maravilhoso documentário protagonizado pelo mundialmente famoso fotógrafo yann arthus-bertrand seu objetivo é mostrar como algumas empresas e pessoas estão se tornando conscientes da exploração humana e natural que tem havido no planeta e como estão reagindo a isto quanto um agricultor deve receber por seu trabalho como retirar madeira de uma floresta sem causar muitos danos como preservar as tartarugas quanto tempo o petróleo ainda vai durar o que irá acontecer quando ele acabar as pessoas têm noção de que ele não é inesgotável podemos auxiliar mantendo hospitais ainda em funcionamento podemos fazer isso por amor atravessar fronteiras para ajudar outras pessoas quanto uma pequena aldeia precisa para prosseguir seu trabalho e sair da miséria os bancos estão dispostos a emprestar pequenas quantias de dinheiro sem garantia de retorno e se alguém fizesse isso e descobrisse o quanto auxilia pequenos povoados recomendo com muito gosto essa maravilhosa obra humana que nos mostra que o mundo não está completamente perdido e que ainda existem pessoas que pensam umas nas outras e estão dispostas a colaborar para ter um mundo mais justo leona volpe

[close]

p. 9

08 a música tem um poder tão único e transcendental que qualquer verdade qualquer ideia dor ou sentimento se torna mais forte e legítimo quando transmitida em acordes de uma canção como se uma verdade fosse mais verdade quando cantada numa música e os versos usados para enaltecer o amor para lamentar uma perda ou descrever uma paisagem também servem para documentar uma época criticar um determinado comportamento e protestar contra as desumanidades e injustiças sociais e políticas durante o período da ditadura militar que tomou conta do país durante a década de sessenta e se estendeu ainda pelas décadas de setenta e oitenta muitas foram as vozes que se insurgiram contra o estado político em que o país havia mergulhado a liberdade era limitada e liberdade limitada não é liberdade os jornais impressos não podiam publicar fatos e opiniões que desagradassem o governo como protesto muitos periódicos publicavam receitas de bolos e manuais de corte e costura ao invés do noticiário político e enquanto alguns alienados cantavam a plenos pulmões os versos bobos e ufanistas eu te amo meu brasil eu te amo meu coração é verde amarelo branco azul anil eu te amo meu brasil eu te amo ninguém segura a juventude do brasil e o regime militar ou como chamou carlos heitor cony a quartelada recrudescia alguns ousavam levantar sua voz ainda que de maneira implícita contra aquela situação senão vejamos os versos hoje você é quem manda falou tá falado não tem discussão são esses os versos iniciais da canção apesar de você de chico buarque de holanda que nessa canção tratava a opressão com o verbo na terceira pessoa como se ela fosse uma pessoa aquela era uma forma de driblar a censura pois àquela altura tudo quanto fosse destinado ao público quer fosse músicas livros peças de teatro filmes opiniões resenhas tudo deveria passar antes pelo dops departamento de ordem pública e social uma espécie de polícia do pensamento citada no livro 1984 de george orwell que detinha o poder de autorizar ou não sua exposição ao público a minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão viu você que inventou esse estado e inventou de inventar toda a escuridão você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão seguem os versos da primeira estrofe o inimigo era comum a quem queria mudar aquele estado muitos foram presos e torturados por motivos dos mais diversos aqueles que se opunham ao regime eram chamados de subversivos comunistas e até de terroristas quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros juro a música continuava sua denúncia seu desagrado sua revolta com a realidade obscura daquele ano de 1970 o presidente de então era o militar emilio garrastazu médici a música termina com o refrão esperançoso apesar de você amanhã há de ser outro dia os anos foram passando e as coisas não melhoram muito reflexo disso são os versos da música como nossos pais de belchior lançada em 1976 que a certa altura da canção declara eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens esta canção tem um tom pessimista como a maioria das canções de belchior datadas daquela

[close]

p. 10

época a tal ponto de em tom de lamentação o compositor afirmar na mesma canção minha dor é perceber que apesar termos feito tudo que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais em 1979 joão figueiredo último presidente militar assumiu a presidência da república dono do prendo e arrebento ficou notório por afirmar que gostava mais do cheiro dos seus cavalos do que o cheiro do povo ainda em seu mandato 1984 caetano veloso lançou podres poderes cujo título já definia bem do que se tratava será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da américa católica que sempre precisará de ridículos tiranos será será que será que será que será será que esta minha estúpida retórica terá que soar terá que se ouvir por mais zil anos essa canção tem uma pegada mais roqueira um reflexo do ritmo que dominava as rádios e a tv e o seu refrão é um alerta temeroso ou então cada paisano e cada capataz com sua burrice fará jorrar sangue demais nos pantanais nas cidades caatingas e nos gerais em 1985 assumia josé sarney um civil mas na prática as coisas não mudaram muito e embora a era da exceção parecesse estar perto do seu fim a realidade social em nada se alterara e os protestos musicados também não a televisão visão me deixou burro muito burro demais agora todas as coisas que eu penso me parassem iguais cantavam os titãs uma das mais famosas bandas de roque do brasil nesse ano de 85 e uma outra banda importante menos famosa é verdade mais de muita importância para o roque de brasília junto com o aborto elétrico que mais tarde daria lugar à legião urbana e ao capital inicial trata-se da plebe rude talvez a mais contestadora das bandas de roque de brasília da década de oitenta a canção se chama proteção e logo no começo já afirma será verdade será que não nada do que eu posso falar e tudo isso pra sua proteção nada do que eu posso falar a música é simples e direta e prossegue no seu discurso tanques lá fora exército de plantão apontados aqui pro interior e tudo isso pra sua proteção pro governo poder se impor a pm na rua nosso medo de viver o consolo é que eles vão me proteger a única pergunta é me proteger do que e segue tropas de choque pm s armados mantêm o povo no seu lugar mas logo é preso ideologia marcada se alguém quiser se rebelar oposição reprimida radicais calados e como uma espécie de grito de insurreição a canção afirmava sou uma minoria mais pelo menos falo o que quero apesar repressão hoje é muito raro ver um artista se manifestar musicalmente sobre as injustiças sociais e os desmandos políticos há o rap que veio como um sopro mas parece que os músicos estão numa letargia numa anestesia que os impede de denunciar de protestar e tentar mudar as coisas mas não se pode calar diante do torto da injustiça pois como diz a canção é preciso estar atento e forte não temos tempo de temer a morte will abaixo os discos de chico buarque caetano veloso e plebe rude respectivamente www.revistaespinhodagua.com

[close]

p. 11

10 em comemoração aos trinta anos da banda os titãs lançaram uma versão ao vivo do disco cabeça dinossauro lançado em abril de 1986 disco que reputo como o maior disco de rock do país É porrada do início ao fim apontando o dedo nas feridas mais profundas da sociedade brasileira o disco abre com a música que dá título ao lp cabeça dinossauro na qual os titãs fizeram uma adaptação do cerimonial para afugentar os maus espíritos dos índios do xingu depois segue aa uu uma gutural e ritmada canção que faz você ficar rouco de tanto gritar a terceira faixa é igreja onde nando reis teve a coragem de cantar os versos eu não gosto de bispo/eu não gosto de cristo/eu não digo amém dizem que quando essa música era tocada pelo grupo arnaldo antunes que fora contra a gravação dessa música saía do palco voltando depois para continuar o show a quarta música talvez a melhor de todas é a clássica polícia obrigatória em todos os shows seguem-se estado violência a face do destruidor e porrada que é simplesmente sensacional depois vem tô cansado e bichos escrotos que teve na época sua radiodifusão e execução pública proibidas pelo departamento de censura e diversões públicas da s.r do d.p.f quem tiver a curiosidade pode ver no encarte do lp ou do cd remasterizado família é a música digamos assim mais light do disco depois vem homem primata um hino que sergio britto já confessou que não tem mais saco para cantá-la hoje em dia dívidas é a penúltima e menos conhecida faixa do álbum a música que fecha o disco é o que a melhor expressão da influência da poesia concreta na música de arnaldo antunes o lp foi produzido pelo excepcional produtor musical liminha que teve fundamental importância na concepção e arregimentação do disco junto com o cd comemorativo foi lançado também um dvd do show dirigido por oscar rodrigues alves vale a pena conferir will banda titãs Álbum cabeÇa dinossauro ­ ao vivo ano de lançamento 2012 participações especiais arnaldo antunes e nando reis site www.titas.net www.revistaespinhodagua.com

[close]

p. 12

11 acústico da madhouse na fnac resolvi fazer as minhas considerações a respeito do show até porque acredito que projetos maravilhosos como esse dos meninos da madhouse que começaram sua carreira em minas gerais e agora estão em são paulo deveriam ter ainda mais repercussão na mídia e eu como escritora devo fazer a minha parte fiquei realmente admirada pois não imaginava que seria tão bom apesar de alguns pequenos errinhos brasileiros por parte da equipe da fnac que foram relevados com o bom humor de célio junior e suas piadas ele realmente sabe como fazer uma crítica no momento certo acredite e apenas quem estava lá vai compreender o que eu disse o talento deles é incomparável eles criaram exatamente o tipo de projeto que eu estava procurando há muito tempo e do qual o brasil necessitava desesperadamente inovador criativo e completamente diferente do que temos visto na mídia em questão de musicalidade e irreverência representam uma mistura de diversos estilos musicais bem alinhados e com um único objetivo e você consegue perceber isso apenas observando os integrantes são artistas completos que sabem improvisar e até se aventuraram em alguns mashups que poucas pessoas imaginariam mas que combinaram assim como eles mesmos acredito que se os conhecesse separadamente não poderia prever uma parceria até porque eles parecem ter personalidades diferentes o que complementa ainda mais a ideia chocolate com pimenta o repertório estava impecável e o publico bastante animado eu inclusive pude fazer amizade com o jornalista marcelo de assis que achou que eu fosse da banda senti-me nas nuvens óbvio que vai escrever uma matéria a respeito da banda e me interou um pouco mais nesse fantástico universo musical ainda pude bater um papo sobre o problema da mídia brasileira com o thiago jungers que aliás é um exemplo de simpatia com um sorriso fácil super carismático ambos são muito alegres corajosos e receptivos ao público o que torna ainda mais fácil se envolver com o projeto e querer que eles cheguem o mais longe possível na sua carreira pude fazer algumas perguntas que esclareceram bastante o que significa e qual a finalidade do projeto entre elas qual a opinião de vocês a respeito da mídia musical atual madhouse bom quanto à mídia atual sabemos mais que nunca que hoje em dia a música se difunde com uma facilidade enorme graças a redes sociais dispositivos móveis facilidade para gravação e reprodução isso acabou com o www.revistaespinhodagua.com império e monopólio que as gravadoras tinham sobre os artistas assim como todo o pedestal inalcançável da fama que um artista só conseguiria atingir se tivesse uma poderosa gravadora agora é cada um por si em home studios com câmeras e se lançando com vídeos se promovendo através das redes sociais e utilizando da tecnologia que está cada vez mais acessível e útil saber como se vender quem atingir e quando é o que divide amadores e profissionais vocês já chegaram quebrando paradigmas o que é maravilhoso essa é a motivação do projeto madhouse exatamente essa sempre foi nossa pretensão e meta convenhamos que de pessoas artistas líderes iguais o mercado e a sociedade já estão cheios e o papel da arte em si sempre foi esse modificar construir quebrar reciclar deglutir e cuspir se utilizar da essência do velho para estruturar o novo de uma maneira mais direta e eficiente fazendo importar na verdade a verdade de uma forma mais visceral mais íntegra nossa intenção é causar uma agradável decepção é criar todo o tipo de julgamentos e dúvidas nas cabeças para instigar causar o interesse e curiosidade em descobrir qual é nossa proposta causar uma reação que se auto-tematiza de que porra É essa por que o jazz madhouse o jazz também porque é um gênero livre ao contrário do que muitos pensam o jazz não tem barreiras é solto se baseia muito em improviso o que o deixa mais verdadeiro e dinâmico o deixa mais humano menos padronizado menos robotizado mais sentimentalizado fazemos essa mistura com o rock n roll e o blues também por tratarem nesse ponto da mesma linguagem menos regras mais coraÇÃo leona volpe

[close]

p. 13

entrevista 12 surgido na jamaica na década de 1960 este gênero musical foi levado pelos jamaicanos para os estados unidos mais especificamente para os bairros pobres de nova iorque no começo da década de 1970 jovens de origens negra e espanhola em busca de uma sonoridade nova criaram o rap termo que significa rhythm and poetry ritmo e poesia estilo musical que se vale de um discurso direto versando sobre o cotidiano da vida urbana social e política das grandes cidades e suas periferias cantado em letras enormes sobre bases musicais de batidas eletrônicas e ritmadas tem cada vez mais conquistado espaço e visibilidade na mídia e no mercado musical ou o chamado mainstream através de artistas como criolo emicida e projota mas existe ainda uma resistência com um estilo mais pesado mais incisivo e direto usando mais gírias e até palavrão que denunciam o abuso da autoridade policial o descaso do poder público e alertam sobre a alienação das pessoas que sobrevivem nas periferias das grandes metrópoles artistas como racionais mc s realidade cruel thaide e dj hum ndee naldinho e facção central precursores do estilo musical no brasil que vieram do gueto e que ainda sofrem restrições por parte da grande mídia um desses artistas de estilo mais pesado é o entrevistado dessa edição da revista espinho d água o paulista mano j da rima rapper jovem da nova safra independente da música brasileira paulistano nascido no jaguaré e residente em itapevi 23 anos de idade penúltimo dos cinco filhos da dona sineide casado com daniela há cinco anos e pai de denzel de quatro anos jair cruz da conceição conhecido no mundo do rap como mano j da rima rapper de estilo mais pesado e incisivo mas que também versa sobre o amor e as coisas boas da vida prestes a lançar uma demo agora em carreira solo falou à revista espinho d água sobre rap literatura alienação e sobre esse seu novo trabalho mano j da rima sempre ouvi rap desde pequeno meus irmãos colocavam na rádio 105 fm e eu escutava junto e me identificava com as letras que falavam da realidade que era a mesma que eu vivia isso me identificou com o rap quando ouvi isso aqui é uma guerra do facção central que até eu gosto foi definitivo r.e.d e quando decidiu fazer rap mano j da rima foi aos 16 anos eu era grafiteiro e sempre havia os que gostavam de rap eu mostrava as coisas que escrevia e eles me incentivavam me chamavam para ir aos shows e diziam que eu tinha que gravar daí eu decidi correr atrás r.e.d como foi no começo mano j da rima foi difícil no começo eu achava que cantar rap era escrever as palavras e cantar encima da base mas não é assim tem que ser bem produzido e é difícil arranjar boas bases cantar no tempo certo dizer algo que tem a ver com o que você tem de ideia tive praticamente que aprender e fazer tudo sozinho algumas pessoas me instruíram me mostraram o r.e.d a primeira pergunta é óbvia mas é inevitável por que o rap o que viu nesse estilo de música que não viu em outros estilos?

[close]

p. 14

caminho mas a rima o aprendizado e o conhecimento sobre como fazer letra e gravar isso foi comigo r.e.d você fazia parte de um grupo o modo de expressão e agora está seguindo sozinho por que mano j da rima permaneci no grupo por mais de um ano fizemos muitos shows e chegamos a gravar um cd chamado mundo loko que distribuímos de maneira independente e já estávamos até produzindo mais um novo trabalho mas decidi sair do grupo e fazer as coisas mais do meu jeito buscando outra motivação mais comprometimento com o trabalho dei um tempo pra repensar algumas coisas e agora estou investindo na carreira solo nesse ano de 2013 r.e.d e esse novo trabalho fala um pouco sobre ele mano j da rima É uma demo com três faixas que saiu agora no dia 23 fevereiro r.e.d do que falam essas músicas mano j da rima uma das faixas é a os muleke cresceu narra a história dos moleques que conheci na infância que cresceram tomaram um rumo diferente na vida a segunda faixa se chama me perdoa que é uma espécie de declaração de amor pra minha mulher e um pedido de perdão pelas mancadas que já dei e a terceira faixa é a sonhei com um mundo bom uma música antiga que regravei agora e que retrata um pouco da minha infância quando eu sonhava com um mundo bom melhor onde eu pudesse ajudar minha família e criei outro personagem na música para servir de contraponto personagens dos livros ler é super importante e é importante dar espaço aos autores que estão chegando agora r.e.d e os livros na escola mano j da rima tem que estimular a criançada desde cedo com gibis usando os livros que eles querem ler e não impondo livros que eles não se interessam em ler r.e.d pra você qual a pior coisa que pode acontecer com uma pessoa ou um povo alienado mano j da rima a pior coisa é as pessoas acharem que a vida delas é como um conto de fadas É alguém dizer que o azul é verde e que o ver é azul e a pessoa acreditar não questionar todo mundo já sabe como a novela vai acabar mas todos querem ver r.e.d como você vê o rap hoje o alienado acha que tem o opoder que na realidade não alienado acha que tem o tem que na realidade não poder são pessoas conduzidas a são pessoas quem está tem.fazerem o queconduzidasno poder o que por isso que a fazeremquer Équem está no o rap ainda isso que poder quer É portem muita o resistência das pessoas rap ainda tem muita porque ele das pessoas resistência fala da realidade das pessoas que passam porque ele fala da realidade fome do abuso da autoridade das pessoas que passam policialabuso da autoridade e fome do e da realidade social as pessoas preferem viver num policial e da realidade social mundo de preferem a mídia e as pessoasilusão que viver num mundo vende que a de ilusão mídia vende mano j da rima vejo uma divisão em um lado o rap mais acessível mais suave e que está na mídia como o emicida criolo rashid e projota e há o rap mais pesado que é o meu estilo como os racionais facção central trilha sonora do gueto esses não tocam no rádio nem aparecem na tv r.e.d e os planos para o futuro mano j da rima continuar fazendo rap faço isso porque me faz feliz me realiza gostaria muito de viver do rap quem não gostaria de viver daquilo que gosta querendo ou não todos buscam o holofote eu também não quero ser um coadjuvante só batendo palma pra quem está no palco eu também quero estar no palco também tenho algo a dizer se virar virou se não vou continuar na caminhada com o meu discurso r.e.d e hoje qual o seu sonho mano j da rima sonho com a paz a paz de todos não só a minha e da minha família não é preciso de muita coisa pra ser feliz desde pequeno meu sonho era ter uma família uma casa e um carro hoje tenho uma esposa um filho minha casa um carro e ainda conto rap o que mais posso querer risos r.e.d e falando de literatura qual a importância dela para você mano j da rima com sinceridade eu nunca fui fã de literatura mas todos me diziam que ler era importante que havia muito conhecimento nos livros mas de uns tempos pra cá comecei a ler mais seriamente li uns livros cujo conteúdo foi muito forte pra mim hoje eu penso que literatura é tudo hoje conheço palavras novas os livros ensinam coisas que não se aprende na escola a literatura é parte fundamental na minha vida hoje me fez desenvolver meu rap de uma forma a me fazer abordar temas que antes eu nem pensava em abordar eu viajo nas histórias que leio junto com os www.revistaespinhodagua.com

[close]

p. 15

perfil mano j da rima artista musical favorito gog ator favorito denzel washington um livro bicho solto um lugar a casa da minha mãe com certeza seus contatos site www.produtoclandestino.com.br facebook manoj_rap@hotmail.com abaixo um texto do artista produzido exclusivamente para a revista espinho d água os caminhos são difíceis são poucos os que querem guiar se você cair no chão quem vai te levantar aqui na terra é cada um por si e deus por todos as pessoas não tem mais compaixão neste louco mundão me revolta ver esta situação gente passando fome mutilada sem opção criança cheirando cola e políticos com dinheiro no calção hospitais precários sem assistência faltando funcionários até na emergência e o político em milão gastando nosso cifrão depois pergunta porque o moleque de treze anos porta um oitão e deixa corpo no chão É que o dinheiro do iate era para ser investido na educação político rouba de um lado a policia bate do outro o sistema implanta ódio e a favela responde pedindo socorro infelizmente esta é a dura realidade que muitas pessoas não querem enxergar muito menos escutar este é mais um simples relato de um humilde cidadão não dá para esconder o sol com a peneira mano j um beijão no coração www.revistaespinhodagua.com

[close]

Comments

no comments yet