Revista Barbante - Ano II - Num. 03 - 14 de março de 2013 - Edição especial

 

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christina ramalho, filipe couto, sylvia cintrao, rosangela trajano

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revista ediÇÃo especial ano ii nº 03 14 de marÇo de 2013 a hora e a vez da poesia em versos em tintas em reflexões

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editorial comemoramos mais um dia nacional da poesia mais uma edição especial a segunda que venham muitas muita poesia tintas e reflexões poetizar é uma arte se divina ou não deixemos que as musas respondam se for preciso respostas sejamos poetas nesta edição em cada folhear em cada leitura de versos em cada olhar de imagens em cada silêncio que se fizer na retomada da leitura de um verso que faz surgir o burburinho da alma do pensar do querer saber o que não se diz em vestido de verso meu mais do que obrigada aos colaboradores que dão vida a esta edição recebam minha poesia de ser mulher-menina em tempos em que para ser mulher é preciso largar a menina e esta não quer sair de mim poesias rosângela trajano.

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poesias

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a menina do retrato ou poema de sete espelhos christina ramalho para gabriela pelosi i ela salta do primeiro espelho as pernas loooooooooongas descem ligeiro bailando bailançando o samba da mocidade o forró de natal a tecno de madri o rockfolkcrazy de sampa ela é bamba ela é bamba ela é baaaaamba sorriso que não cabe em si canção que canta no violão sim-não plugado à caixa de som no chão mesinha bandeja estante e na música sempre a postos tv cd dvd vinil headphone fone walkman pra dancegirl em mp 3,4,5 seis ipod pode-não pode downloads loading stars potência de ritmos a tocar ella elton roberto wolfgang e a gangue do hitparade sem parar que toca aqui ali além aonde quer que vá a menina bailarina a menina do kevin a menina chorinho a menina da lapa a menina do ninho que voa junto com o passarinho de volta ao espelho na ponta dos pés ela deixa no ar

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o silêncio sincopado e a promessa do rasgadinho1 ii o segundo espelho abre as cortinas iluminando a menina caco de uma espectadorisinha só rindo com o indo e vindo do palhaço vestido de loucura feliz olhos de audrey boca de monroe rosto de streep corpo colorido da phoebe uma bee charmer encanto em fantasia palco passarela telona telinha tela universo de luzes só para ela plateia de allen scorsese almodóvar tarantino da disney menina-menino do infinito de friends de straight guys de gentes entes seres ou não seres decorados adorados interpretados tragicômica menina grace graça do will estrela de luz que conduz a máscaras vestidas de dor e alegria de volta ao espelho 1 rasgadinho é o ritmo mais famoso do carnaval do sergipe É parecido com o frevo pernambucano.

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na ponta do salto ela se vira e mostra o homenzinho dourado e o sorriso da vitória iii do espelho terceiro guardado no marcador irrompe a menina abc espanhol italiano inglês francês holandês a menina que sabe javanês fala o idioma universal e português do poema deitada na relva árcade concreta no concreto da selva maldita nos poetas que virão seleta na antologia das horas inquieta no silêncio das metáforas declamação às vezes reclamação de camões castro alves bilac da márcia poeta de semana na voz da menina pequenina que do táxi já lia o atemporal do poema e o bendito anátema2 da paixão por verso e prosa maldição de não entender rosa e ser plena em goethes shakespeares bocages bradshaws austens 2 excomunhão maldição.

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orgulho e preconceito na sina da vida escrita em letras de volta ao espelho na ponta do lápis ela escreve um the end sem fim iv em flashes o quarto espelho imprime em mate a menina preta e branca zoom no bêbado na lata de lixo no depósito de comidas extintas como fênix renascidas no cata-cata em foco zoom na cidade pichada pessoas em pé na calçada esperando a condução zoom na pomba ensimesmada bicando rotina no chão zoom no beija-flor asas em gozo-repouso na flor zoom no filhote morto símbolo da selva anunciada onde a vida é nada o nada que é tudo e se capta na lente gulosa da máquina zoom nos guarda-chuvas espargindo garoa para todos os lados zoom nos telhados arranhando os céus zoom na casa que também é g zoom no ver a cidade busca angular das verdades revelação de mentiras

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mais amor por favor olho-detetive da menina em cuja retina habitam lentes gentes e o sentimento do mundo de volta o espelho na ponta dos dedos ela guarda em segredo o próximo flash a ser acessado em www v o quinto espelho feito de gol mostra a face vascaína da mesma inusitada menina a cruz de malta vermelho sangue ora sangrando ora tingindo a camisa suada branca e negra ora ganhando ora pedindo o título desejado conquistado ou não incapaz de calar o explode coração sem partidas sem placares sem limites estrela na terra iluminando o mar herói português na gema carioca memórias de barbosa a dinamite histórias de mazinho de juninho contraditórias passagens de edmundo romário outros e outras talvez um craque na emoção da vez um drible uma defesa todas as jogadas

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ensaiadas ou não coração rimando com pendão impossível perdão a outra nação juízes e cartolas na mira na marra na garra na promessa ao são januário de volta ao espelho na ponta da chuteira ela agita a bandeira e grita um palavrão vi craquelado mosaico da vida o sexto espelho anuncia a caleidoscópica menina colecionadora de signos go go s de mil cores moedas de mil valores baralhos do mundo inteiro brincos bonés bottons fofoletes ursos cãezinhos infinitos bonequinhos a turma da mônica a turma do chaves vinte mil barbies pikachu camaleão e todos os pokemon metáforas das máscaras que exige o viver depois os games do mário a série friends inteira os normais e sua doideira mulheres urbanas e sexy cartões telefônicos cadernos adolescentes agendas de anos recentes agendas de anos passados bilhetes cartas cartões distintas línguas

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e endereços amigos amigas em faces e books e uma porção deliciosa de tranqueiras vigiadas como bandeiras trancadas a sete chaves como um mapa do tesouro que revela o ouro da menina que brilha entre peças e partes de uma história cheia de artes que não cabe em armários de volta ao espelho na ponta da prateleira ela protege as riquezas e vai ampliando tesouros vii o sétimo espelho não é selo é seio de mãe apresentando a menina pequena leoa rainha no alto de uma colina quatro dedos e uma vírgula bochechas vermelhas boquinha carnuda cachos plurais vestidos de negro adjetivos todos fazendo poema maior o sentimento do mundo inaugurado no ser que cresce dentro e fora que cresce a toda hora e faz a mãe crescer mãe filha filha mãe antíteses semelhanças paciências impaciências pertinências impertinências desesperos esperanças mudanças muitas mudanças cenas de filme de suspense

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cenas de filme de humor cenas da rima mais rejeitada amor dor dor amor dor na saudade do abraço amor na vontade do abraço espelho de paradoxos porque mãe mesmo partindo é chegada é abraço é colo é conselho é espelho espelho espelho amor amor amor amor amor amor amor de volta ao ventre na ponta da hora ela olha o espelho e sorri menina de tantas faces não cabe numa só música numa só personagem num só retrato num só livro num só time numa só coleção menina de fases tantas cabe contudo isso sim no coração espelho gigante emoldurado neste instante neste poema de sua mãe.

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down the river down flávio perri a muitos perdidos nesta cidade dura [ao imigrante encontrei-o numa rua em londres escura e cinza mas havia brilho no olhar que dizia da crença de um lugar ao sol onde o calor aquece a alma entre duas batidas do coração no outro dia vi-o em outra rua ensimesmado destruído mas havia brilho jovem no olhar entristecido a recordar a fé no retorno se tudo não der certo vi você várias vezes vários dias no ensaio impreciso de ser sem reconhecer o ruído de linguagens hiatos de silêncio discutindo o passo o peso a medida o custo em valores estranhos no cálculo insistente do que nunca se tem estranho a seus próprios sonhos você não tinha nome nem os lugares tinham em que o vi tudo isso foi há muito tempo asas desgarradas azul que não mais se vê mas a terra na memória presente que se busca fora para desencontrar-se desesperadamente dentro unknown places strange faces hostile world away from home manifold você estava só e a multidão em torno acentua a solidão no amor do nada sussurros sombras suspiros passo a passo o instinto reabre o livro do tempo e suas imprecisões ansiedades afloram fantasmas sombras em rio enclausurado

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que avança e reflui sempre indeciso um dia inútil mal pensado mal vivido mal sonhado no modo ingrato de pensar o próximo passo a hora seguinte o minuto que não passa na espera já quase eterna que o distancia de tudo e do interesse no mundo esvai-se o tempo na manhã de vidro tateia no escuro a noite exasperada também o dia morre the sun itself which makes times as they [all glory of honours all kings pass is elder by a year now 1 mais um dia e a alegria prometida o mar é longe o ar é frio preguiçosa tragédia de buscar fratura no tempo e desencontrar esse abandono nas ruas desertas a luz queimada o homem inteiro dividido ao meio estranho desgarrado anseio devassada realidade crua de sobreviver para comer o vento frio a carne nua tropical para o calor do sol você de novo em outra esquina equívoco um pouco menos fatigado esquivo ensaia palavras olhos onde mora a alma em busca perde sílabas horror do erro da linguagem do passado presente e esquecido e todo o tempo lembrado mesclado em cores sem futuro no caminho sem rumo em plena selva escura de quem desconheceu o inferno antes palavra que fenece mensagem do além mar trêmula alegria da antiga certeza da realidade perseguida noite e dia lute mas não sucumba à mera luta

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não desista mas não perca a vida desarmado deslustrado ignorado eu encontrei em você um homem disposto a tudo transposto do passado o presente pronto em plena escuridão onde não o reconhecem nem ouvem nem o vêm em plena floração usado abusado no desconsolado comércio de palavras mal ouvidas mal sentidas descomprometidas polidez fácil desamor entendimento entrecruzado entre hiatos de moedas dispendidas na sede seca de amor a qualquer preço nesta praça que não é a outra sai de cena a cada entrada no túnel em um trem de underground perseguindo túneis para lugar nenhum derradeiro olhar a dúvida muitas vezes medo do espelho estilhaçado no south bank over a bridge people strange people down down socorro down londres fevereiro de 2007 [1 john donne [1572-1631 from the anniversary flávio perri [por ele próprio sei que nasci porque vivo mas pressinto que a sorte de viver me reserva a morte fui menino ambicioso e voraz nas leituras que depois deixei não esqueço lins do rego graciliano e bandeira mas não os li só então tive a vida inteira quem jamais diria que o menino viria a ser diplomata fez carreira até foi embaixador cônsul onde brasileiros lhe tocaram o coração hoje vive supondo ser poeta

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