Chicos 37

 

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e-zine literária de Cataguases - MG - Edição de 28/02/2013

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chicos n 37 fevereiro 2013 e-zine de literatura e ideias de cataguases ­ mg capa um dedo de prosa esta é a edição número 37 de 28 de fevereiro de 2013 devemos desculpas ao cunha de leiradella na última edição cometemos um erro imperdoável erramos o título de sua colaboração o correto é memorial em tons de azul quem não leu de gabriel franco sobre foto de vicente costa retorne ao blog e dê uma olhada em nosso número 36 um dos jornalões paulistas publicou um inédito do joão editores emerson teixeira cardoso josé antonio pereira antônio repartimos com vocês o conto apresentamos badr shakir al sayyab um poeta iraquiano quem estreia por aqui é o artista plástico sebastião nozza bielli lotti o slotti colaboradores desta edição antônio jaime antônio perin claudio sesín emanuel medeiros fernando abritta ferréz josé vecchi ronaldo cagiano rubens shirassu jr sebastião nozza bielli lotti trazemos aos nossos leitores ferréz escritor paulistano que tem como matéria prima a periferia da nossa maior metrópole como defendemos o ensino da língua espanhola em nossas escolas publicamos em espanhol a poesia de claudio sesín grande poeta e amigo lá de catamarca na argentina reaparecem também aqui emanuel medeiros e josé vecchi a edição está recheada de boa prosa e ótima poesia fale conosco em cataletras.chicos@gmail.com visite-nos em uma boa leitura para todos http chicoscataletras.blogspot.com 1

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badr shakir al sayyab badr shakir al sayyab nasceu em 25 de dezembro de 1926 na aldeia de jaykour distrito de abu al khasseb na província de al basrah no sul do iraque jaykour é a paixão da vida do poeta 1926 é o ano em que fixam a fron-teira com a turquia perto da queda e divisão do império turco entre os aliados da primeira guerra o iraque é tutelado pelos ingleses sua mãe morre durante o parto de uma irmã que nasce morta o pai casa-se novamente e deixa os filhos com o avô a poesia surge em basra para onde mudara com sua avó materna para cursar o ensino médio transfere-se para bagdá em 1944 onde entra na faculdade e frequenta o curso de língua e literatura Árabe em bagdá desenvolveu duas qualidades de sua personalidade que eram visíveis desde a sua infância e adolescência sua ideologia de compromisso social e a postura poética filia-se ao partido comunista do iraque luta pela retirada das tropas inglesas do iraque e por uma resposta mundial aos assentamentos maciços de judeus na palestina devido à sua atividade revolucionária é preso várias vezes até ser expulso em 1946 da faculdade readmitido mais tarde muda de especialidade e em 1948 forma-se em inglês e literatura por razões políticas é obrigado a deixar o iraque o exílio leva-o a pensar sua ideologia e postura comunista e inspira vários de seus poemas mais famosos seus poemas a prostituta cega e armas e crianças de 1954 revelam o poeta maduro em 1960 publica a canção da chuva onde apresenta poemas escritos desde 1952 e representa o melhor de sua obra poética no início de 1961 viaja de bagdá para basra onde seu terceiro filho nasce ocasião em que a doença paralisa sua perna esquerda em sua busca desesperada por uma cura começa uma longa jornada que se torna o seu calvário até a morte viagens ao kuwait bagdá londres paris tratamentos modernos e hospitais curandeiros contatos com seitas religiosas investigando todas possibilidades e sempre por trás sua poesia testemunhando sua luta desesperada suas últimas obras do templo rebaixado 1962 e a casa dos escravos 1963 testemunham a sua morte lenta dúvidas sobre a morte sua incerteza em relação à vida deprimido e entregue ao seu destino volta para o iraque em 1963 agravada sua saúde é transferido para o kuwait em 1964 morrendo em 24 de dezembro de 1964 no dia seguinte é enterrado em basra no mesmo dia publica-se sua última obra as persianas da filha do marquês onde plasma com intensidade assustadora seu terror seu vazio e ansiedade agora sua poesia é puro existencialismo 2

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o poeta maldito a charles baudelaire você leva à luta tua espada enferrujada agita-a na mão quase queimando o céu pelo teu sangue inflamado e iluminado querendo rasgar o ar reúne-se às mulheres a uma mulher cujos lábios são de sangue sobre o gelo seu corpo enganosamente ingênuo uma víbora caminhando sobre almofadas no leito não queres abrir as clarabóias para que entre a luz para não sentir o que é vida o oriente alça ante teus olhos os véus quase abraças a beleza junto ao trono de deus quase a vês reluzir em uma nuvem de fragrância e luz vês o mamilo de um seio que acende as estrelas com seu rubor 3

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os efeitos que saem de uma tumba arrasta a nuvem de fumaça em sua sombra dorme um pobre fugitivo um príncipe cercado por jarros de bebidas e escravos sua grandiosa morada em ruínas é uma das ilhas de coral mar que purifica lesbos com sal teu espírito o bebe do eco ao abismo como safo herdarás um fogo nas veias mas não abraçará a ti e teu sono eterno como quem abraça o seu espectro debruçado em uma janela fogo de narciso tântalo e os frutos se diria que a indolente e lânguida África seus caudalosos rios os atabaques suas densas florestas de sombras e chuvas sua seca umidade a lua se envolvera com uma mulher que perdeu a honra mamando dela veneno e chamas e sobre ela pingarás tua estranha poção 4

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se diria que da nuvem de fumaça na noite te alçarás entre um mundo que estendem o faiscar do ouro e um mundo de imaginação e pensamentos de um muro de embriaguez onde tua sombra aconchegara sem ferir a humanidade entrei pelo teu pecaminoso livro no jardim de sangue que arde com as flores bebi o néctar de suas letras seios de uma loba nas estepes seu leite é fúria e sua sombra fecundidade submergi nas ondas que me golpeavam atirando-me de uma márgem para outra margem levei do seu abismo a madrepérola do castigo eu levo a ti estenda-me as mãos afaste as pedras e a terra basra 24/03/1962 versão de antônio perin 5

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janela de wafiqa a janela de wafiqa na aldeia ébria domina o espaço como a galiléia espera caminhar espera jesus dispersa suas paisagens Ícaro roça o sol com penas de águia sente-se livre Ícaro pega-o o horizonte o atira até as profundezas à sepultura janela de wafiqa oh árvore respirem na escuridão crepuscular os olhos que junto a ti esperam espreitam a flor da maçã buwayb é um hino e o vento devolve as melodias da água sobre as folhas 6

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wafiqa olha penalizada das profundezas do túmulo e espera passar o murmúrio do rio a sombra que ondula qual sino a alvorada de uma festa assoviar qual sopro nas sementes o vento devolve as melodias da água É a chuva e o sol gargalha entre as folhas És janela rindo no brilho ou porta que se abre na parede para fugir pelas asas da fragrância um espírito que anseia pela luz oh rota para ascender ao coração imagens de amizade e amor caminho que sobe ao senhor se não fosse por ti não viria da aldeia ofegante no vento um perfume pelas ondas do rio nos arrulha e nos canta 7

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ulisses se vai com as ondas o vento lembra ilhas esquecidas da velhice vento livrai-nos o mundo abre sua janela a partir desta janela azul torna-se uno torna-se seus espinhos flores de perfume delicado uma janela como se estivesse no líbano uma janela como se estivesse na Índia sonhos de uma menina no japão como wafiqa sonho no sepulcro com raios verdes e trovões a janela dewafiqa na aldeia ébria domina o espaço como a galileia sonha caminhar sonha com jesus ardem suas paisagens wafiqa parente e companheira de brincadeiras do poeta em sua infância poemas de o templo submergido 1962 versão de antônio perin 8

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fernando abritta o nó górdio recortes entre o ato e o fato existe entre o ato e o fato existe entre o ato entre o ato entre o ato e o fato existir e o fato ex iste eof eo fat existe o

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o relógio de ponto olhos arregalados que nada vêem coração dispara todos os músculos trabalham desordenados desesperado cérebro pergunta as horas soma tempo de viagem confere hora do coletivo diminui minutos do café confere roupas documentos braços se cansam dependurados corpo se choca a muitos outros com a freada ouvido tolera xingatório pernas correm pesadas mãos na alavanca e odiado estrondo do ponto batido me acorda para menos um dia de que me valem estas horas se minha filha está presa em uma escola onde aprende a ficar sozinha sem chorar se meu filho chora no ouvido de quem nem conheço se minha mulher estica na feira meu salário se o que aqui faço não consigo ter.

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na fila conversa encurta tempo perdido ritmado pelo barulho do relógio de ponto na fila conversa comenta corpo doido enquanto espera a comida na mesa conversa ajuda engolir sem sentir arroz feito sem amor

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suor derrete corpo em calor mão cola no papel lá fora sol pensamento escorrega lápis ventilador sopra espirros lá fora árvores refrescam uma rua vazia lá fora céu azul termina em morros azuis e certamente um córrego corre por entre pedras lisas e lodosas bravamente olho resiste manhosamente pálpebras descem violento cérebro reage pálpebras correm olho ao trabalho o chefe passa lá fora não existe quantas horas a tarde vem a brisa refresca meia hora quantas horas a luz é sempre o corpo grudento a luz invariável equilibra ideias neste dia artificial quantas dores esticar pernas devagar espichar braços vigilante quantas horas para a liberdade quantas horas olhos vermelhos olheiras vinte minutos para a sua hora sorriso pálido salgado de suor.

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tirei do trabalho a emoção do dia horas vendidas da vida o cansaço e pude ver o que me dói e quem me fere o ferrão e dente que me sangram vivi noites e feriados e já me acostumara com minhas mãos e meu cérebro vendidos entendi ausência de conforto e dinheiro curto e me revoltei resignado até que facilidade de aumento extra negado me pôs de novo rugindo

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casa grande não gosto desta casa paredes altas belas salas não gosto me causa mal cansa faz doente lago jardins árvores e o peixe colorido em seu nado quadrado oprime o peito minha coluna não.

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