PROPOSTA CURRICULAR EDUCAÇÃO INFANTIL

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PROPOSTA CURRICULAR EDUCAÇÃO INFANTIL

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2 proposta curricular educaÇÃo infantil secretaria de educaÇÃo duque de caxias ­ rj 2012

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3 prefeito josé camilo zito dos santos filho vice-prefeito jorge da silva amorelli secretária municipal de educação rachel barreto de oliveira assessora especial Ângela regina figueiredo da silva lomeu subsecretaria de gestão de pessoal sônia pegoral silva subsecretaria de planejamento pedagógico myrian medeiros da silva departamento de educação básica mariangela da silva monteiro divisão de educação infantil maria da penha carreiras divisão de educação infantil implementadoras débora paula ferreira elaine de barros manhanini erenice ignácio cabral fátima aurora da c correia joélia poliana lopes da silva maria claudia soares moraes maria regina pacheco do espírito santo renata lopes da silva tayná da silva duarte ogioni verônica p lópez gonçalves todos os direitos reservados à secretaria municipal de educação de duque de caxias

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4 sumÁrio apresentaÇÃo i ­ introduÇÃo ii ­ histÓria da infÂncia e da educaÇÃo infantil propostas para o presente histÓria da educaÇÃo infantil no municÍpio de duque de caxias 2.1 quem são as crianças da educação infantil 2.2 assistência preparação ou educação o que é especificamente pedagógico na educação infantil 2.3 história da educação infantil no município de duque de caxias 2.4 educar é cuidar cuidar é educar iii ­ metodologia de aÇÃo com as crianÇas na educaÇÃo infantil 3.1 princípios pedagógicos 3.2 caminhos metodológicos 3.3 a brincadeira atividade fundamental para o desenvolvimento das crianças pequenas 3.4 o planejamento por projetos e o papel mediador do professor bibliografia anexos anexo 1 quadro das creches e ccaics anexo 2 consulta pública sobre orientações curriculares nacionais da educação infantil 5 6 8 9 9 16 19 23 27 30 30 34 37 42 45

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5 apresentaÇÃo aos educadores da educação infantil É com alegria que lhes entregamos a proposta curricular da educação infantil referente ao trabalho com creches e pré-escolas este documento indica as considerações teóricas e práticas que podem nortear o atendimento educacional às crianças de 0 a 5 anos ele é fruto de estudos e debates organizados pela equipe de educação infantil da secretaria municipal de educação e representa o esforço na construção de um conjunto de ideias que auxiliam a responder aos objetivos conteúdos e estratégias pedagógicas que venham a favorecer o desenvolvimento humano buscando garantir o direito à educação a proposta fundamenta-se no que preconiza a constituição federal o estatuto da criança e do adolescente a lei de diretrizes e bases da educação nacional 9394/96 bem como o parecer do cne/ceb nº 20/09 que aponta as diretrizes curriculares nacionais de educação infantil com base nesses instrumentos legais firmamos o dever de educar e cuidar das crianças pequenas função da educação institucionalizada em parceria com as famílias a proposta apresenta muitos diálogos dos professores com a realidade de suas práticas todo o processo de construção foi entremeado de falas que refletem a realidade e as interações de quem cuida educa e também aprende na vivência cotidiana no espaço de aprendizagem que constituem as creches e as pré-escolas um exercício de reflexão sobre os saberes e fazeres fez da elaboração do estudo um tempo de formação que culminou com uma produção coletiva É necessário destacar o empenho o entusiasmo e o compromisso com que tudo foi acontecendo e também a assessoria da profª daniela guimarães que com competência disponibilidade e carinho acompanhou todo o processo constitutivo quem espera encontrar um roteiro para seguir ­ ou um plano bem delineado com uma sequencia de conteúdos ou atividades e serem seguidas ­ certamente poderá ter suas expectativas frustradas pois o caminho escolhido foi o da perspectiva interacionista sóciohistórica através da qual se objetivou um mergulho que ajuda a pensar sobre e com a criança a educação infantil e os possíveis caminhos para enfrentarmos os desafios pedagógicos temos o propósito de dar visibilidade à criança de entendê-la como cidadã e produtora de cultura na história que juntos realizamos consideramos relevante a tarefa de lutar pela valorização dos espaços que compõem a educação infantil e onde a proposta será implementada eles precisam oferecer condições para que o que pensamos elaboramos e propomos se realize todos passam a ser responsáveis por garantir as melhores condições para a educação de nossas pequenas crianças esperamos que possamos atender com qualidade a um número cada vez maior de crianças reconhecendo a necessidade de educar e cuidar em seus primeiros anos agradecemos a todos e todas que se empenharam na elaboração da proposta que ganhará significado e sentido de referência quando se tornar um instrumento que auxilie as práticas pedagógicas de qualidade em creches e pré-escolas desejamos boas realizações departamento de educação básica subsecretaria de planejamento pedagógico secretaria municipal de educação de duque de caxias

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6 introduÇÃo no brasil e no mundo observamos a expansão da educação infantil não apenas por conta das mudanças ocorridas na sociedade contemporânea tais como a intensificação da urbanização e a participação da mulher no mercado de trabalho mas também por considerarmos que cada vez mais reconhecemos a importância das experiências infantis para o desenvolvimento humano hoje em nosso país a educação infantil é direito das crianças isso demanda todo um propósito na elaboração de uma educação institucional que as atenda com qualidade do debate sobre a educação infantil no nosso município nasceu a necessidade de formular a proposta pedagógica com ela um grande sonho disponibilizar conhecimentos norteadores e alternativas práticas para a compreensão e implementação de saberes e fazeres sobre a educação em creches e pré-escolas a distinção entre ambas é feita apenas pelo critério de faixa etária como primeira construção em 2002 a proposta foi elaborada através de trocas constantes e encontros com os profissionais da educação infantil vários textos foram enviados e as questões passaram a ser discutidas contribuições retornaram como sugestões teóricas e práticas que nos fizeram avançar na construção de novos conceitos e práticas relevantes para promoverem o desenvolvimento integral dos alunos desse modo todos os que participaram dessa construção sentiram-se coautores pela elaboração e registro da proposta entendemos que o material produzido não era um modelo a ser seguido um receituário mas tratava-se da organização de ideias que fundamentavam práticas no trabalho cotidiano das unidades de educação infantil e que permanentemente poderiam ser analisadas e sujeitas a reformulações e atualizações em 2012 retomamos a proposta para apresentá-la aos educadores em um novo movimento reflexivo sobre aspectos teóricos e práticos da educação infantil a releitura possibilitou a apropriação de concepções e a reestruturação de conceitos básicos fundamentados na intencionalidade de educar e cuidar ­ ações indissociáveis na educação da criança de 0 a 5 anos a proposta se situa no quadro de alternativas e na busca constante de construir uma concepção de currículo que viabilize atender os direitos das crianças e a vivência de ações favoráveis ao pleno desenvolvimento em complementaridade com a educação familiar com esse propósito este documento discute o cenário da educação infantil no município de duque de caxias entrelaçado com parte da história do atendimento em creches e pré-escolas no brasil entendemos que na contemporaneidade é possível redimensionar as ações nessa área e atuar no sentido da efetiva prática pedagógica com a criança pequena ­ ser imersa na cultura e produtora de cultura assim compreende-se que a criança como todo ser humano é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade com uma determinada cultura em um determinado momento histórico É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve mas também o marca a criança tem uma família biológica ou não um ponto de referência fundamental apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais brasil mec referencial curricular nacional para a educação infantil 2001 p.11

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7 outro ponto destacado no capítulo inicial é a necessidade de atrelarmos a proposta à legislação vigente a dimensão do cuidado parte significativa em toda a educação e tão ressaltada na educação infantil aparece com destaque isso implica não apenas compreendê-lo como possibilidade de acesso a conhecimentos ao brincar às diversas linguagens mas também como uma dimensão relacional envolvendo educadores-crianças crianças-crianças adultos-crianças compreendendo que ao cuidar educa-se e ao educar cuida-se a proposta traz considerações sobre os processos de apropriação do conhecimento e indica caminhos para compreendermos o desenvolvimento integral das crianças destaque é dado à elaboração de projetos como metodologia pedagógica pelo seu caráter multidisciplinar e através do qual vários aspectos do desenvolvimento infantil podem ser atendidos ressalta-se na proposta o papel da linguagem que se articula nas diversas atividades do dia a dia da creche e pré-escola esperamos que este documento seja uma contribuição significativa nas mãos daqueles que participam dessa empreitada aqueles que como nós esperam garantir qualidade na educação pública e particularmente na educação da infância duquecaxiense.

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8 ii histÓria da infÂncia e da educaÇÃo infantil propostas para o presente a criança é feita a criança tem cem linguagens cem mãos cem pensamentos cem maneiras de pensar de brincar e de falar cem sempre cem maneiras de ouvir de surpreender de amar cem alegrias para cantar e perceber cem mundos para descobrir cem mundos para inventar cem mundos para sonhar a criança tem cem linguagens e mais cem cem cem mas roubam-lhe noventa e nove separam-lhe a cabeça do corpo dizem-lhe para pensar sem mãos para ouvir sem falar para compreender sem alegria para amar e para se admirar só no natal e na páscoa dizem-lhe para descobrir o mundo que já existe e de cem roubam-lhe noventa e nove dizem-lhe que o jogo e o trabalho a realidade e a fantasia a ciência e a imaginação o céu e a terra a razão e o sonho são coisas que não estão bem juntas ou seja dizem-lhe que os cem não existem e a criança por sua vez repete os cem existem as cem linguagens da criança loris malaguzzi 1996

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9 histÓria da educaÇÃo infantil no municÍpio de duque de caxias 2.1 quem sÃo as crianÇas da educaÇÃo infantil em duque de caxias há um menino há um moleque morando sempre no meu coração toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão há um passado no meu presente um sol bem quente lá no quintal toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá mão e me fala de coisas bonitas que eu acredito e não deixarão de existir amizade palavra respeito caráter bondade alegria e amor pois não posso não devo não quero viver como toda essa gente insiste em viver e não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal bola de meia bola de gude o solidário não quer solidão toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão milton nascimento liberdade movimento expressão ­ marcas que expõem a criança como sujeito ativo criativo e crítico com sua ação e palavra a criança altera o sentido cristalizado da linguagem inventa vira do avesso a ordem dominante encontrar a criança significa podermos nos surpreender trata-se de confrontarmos a lógica adulta o modo adulto cêntrico de ver e organizar o mundo É no brincar e fantasiar com a criança que encontramos novas possibilidades para a realidade as crianças com quem trabalhamos têm culturas diferentes experiências de vida diversas condições socioeconômicas variadas modo de agir próprio são questionadoras imaginativas solidárias participativas têm vontades desejos alegrias e tristezas adoram brincar são impulsivas criativas responsáveis andréa graça e marina creche municipal laura menezes de freitas lima

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10 pensando a criança dentro do nosso contexto encontramos crianças emocional e financeiramente carentes vivendo em um ambiente social agressivo ­ e isso em alguns momentos influencia suas mudanças de comportamento em sala de aula apesar desse contexto a criança é criativa em suas atividades lúdicas construindo de forma prazerosa todo o seu mundo infantil niviane nilza andréa e ana lúcia creche laura menezes de freitas lima a criança que me cerca hoje passa fome frio e é violentada de várias formas buscando suprir algumas dessas dificuldades procuro dar a elas um pouco de carinho dedicação e amor o mesmo que busco dar a meu filho em casa sheila e.m hermínia caldas trabalho com crianças alegres da zona rural de nosso município são crianças que gostam de brincar no campo de correr de dançar prestam muita atenção aos filmes que passamos gostam de mostrar seus sentimentos pois são muito carinhosas É uma turma muito boa fico observando seus movimentos suas conversas e vejo como são independentes livres ao realizarem suas atividades mesmo sendo crianças carentes financeiramente são felizes e bem cuidadas pelos pais estão sempre rindo procurando algo para fazer eliete escola municipal santa rita a criança é um sujeito de direitos sentimentos e pensamentos um cidadão que vai percebendo o mundo através das brincadeiras imitações e nas interações ou seja nas relações que estabelece com o meio construindo assim sua identidade na nossa infância tivemos a oportunidade de brincar na rua amarelinha queimado passa anel entre outras as brincadeiras eram mais calorosas havia uma relação maior entre as crianças por não serem brincadeiras eletrônicas individualizadas lúcia valéria rossana lucilei ana cláudia e judith creche são sebastião a criança com quem trabalho já nasce inserida numa sociedade contraditória e desigual aprende desde cedo a usar sua criatividade e imaginação para aprender a sobreviver e a se divertir É uma criança sem muitas possibilidades econômicas para aproveitar no que diz respeito à quantidade de lazer oferecido para o mundo infantil tendo que se contentar com o que seus pais têm a lhe oferecer com isso aprende a ser até mais questionadora em seu modo de vida e impossibilidades adriana

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11 escola sergipe É muito importante que possamos considerar a criança para além de um dado etário a expressão do desenvolvimento de uma fase mas que possamos compreender que a direção do crescimento das crianças acontece em relação ao ambiente sociocultural É em um determinado contexto histórico que se atualiza o ser criança o ser criança em cada sociedade É no diálogo com cultura que se expõe a subjetividade infantil há a criança com quem nos relacionamos e há a criança em nós quando nos permitimos brincar entrar em contato com as dimensões sensoriais e afetivas que tantas vezes o mundo adulto faz adormecer pelo trabalho o tempo veloz as obrigações a seriedade exagerada É muito importante conhecermos mais a criança que temos a criança que podemos nos tornar no dia a dia para que ela possa dar a mão à criança que está do nosso lado na escola na creche etc assim torna-se necessário conhecermos a criança de duque de caxias ou melhor as diversas infâncias que compõem nosso município a fim de estabelecermos projetos de educação para elas e com elas se por um lado às vezes enxergamos a criança como pura e ingênua por outro lado precisamos compreender que há no modo de expressão infantil uma diferença em relação ao adulto e não uma incompletude a criança produz cultura e uma visão particular da realidade que precisa entrar em diálogo com nosso modo adulto de ver o mundo para que nenhum dos dois lados se desfaça ou seja submetido pelo outro ser criança é ser transparente viver em movimento correr pular dançar fechar os olhos e imaginar passeios maravilhosos sem ter saído do quarto não ter vergonha de mostrar seus sentimentos chegar perto de quem gosta e pedir um colinho se sujar todo de tinta cola canetinha para fazer uma cartãozinho para alguém dar um beijão em quem gosta com a boca toda suja de doce viver e não ter vergonha de ser feliz michelle gonçalves creche profª armanda Álvaro alberto ainda nas palavras das educadoras a criança com quem trabalho é uma mistura de medo e coragem de choro e riso de alegria e tristeza de curiosidade e inibição enfim uma caixinha de surpresas essa seria a melhor maneira de descrever meus alunos pois a cada dia me

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12 surpreendem e me encantam também me aborrecem mas me compreendem ensinamme e não só aprendem são crianças que apesar do baixo poder aquisitivo de suas famílias na maioria dos casos não se queixam dos brinquedos que não podem ter e não os invejam apenas compartilham lindamente o que têm esse é o meu maior encanto é nesse fato em que me agarro para encorajar os pais a crerem nos pequeninos e no trabalho que juntos realizamos cristina silva diniz e.m santo agostinho a criança com quem trabalho passa dez das vinte e quatro horas de seu dia aqui na creche sei também que ela vive amedrontada e um barulhinho de bombinha faz com que se jogue no chão nisso são diferentes do que fui hoje as crianças não brincam mais como brincávamos percebemos nas diferentes falas várias visões a respeito das crianças com que trabalhamos É preciso que possamos atentar para a discussão crítica de algumas dessas ideias que nos conduzem a identificar a criança como carente e nesse sentido deficiente de algo com certeza as realidades de nossas crianças fazem com que tenham demandas e necessidades de muitas coisas é preciso que fiquemos atentos para assegurar o nosso papel de acolher cuidar junto com as famílias e não como substitutos dela por outro lado não podemos confundir deficiências com diferenças ­ especificidades culturais das crianças suas formas particulares de ver o mundo falar brincar ver o potencial de nossas crianças significa não compará-las com padrões dominantes geralmente tomados de segmentos sociais mais favorecidos em diálogo com kramer 1992 precisamos assumir que nosso desafio é partir daquilo que a criança conhece e domina não dos conteúdos e habilidades que lhe faltam partir do que ela é e não do que ela não é em seguida a escola lhe daria os instrumentos básicos necessários para a criança adquirisse a cultura padrão dominante mas de forma crítica ou seja possibilitando a sua compreensão do mundo e da realidade em que vive da sociedade da sua própria inserção na classe social a que pertence partir do que a criança é significa identificar nas crianças o movimento questionador crítico falante as brincadeiras e ações que as caracterizam como fazem as educadoras nas falas que foram expostas acima isso indica o potencial percebido nas expressões das crianças o desafio da educação ao considerar a criança é reconhecê-la como sujeito de direitos de fato direito a falar a ser reconhecida escutada valorizada não se trata de compreendermos quais as atitudes mais adequadas a termos sobre ela somente entendendo-a como quem precisa de nós mas considerar também o que ela tem como se expressa quais as brincadeiras prediletas como se organiza no espaço como se relaciona com os pares e com os adultos etc.

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13 por uma sociedade fundada no reconhecimento do outro e nas suas diferenças ­ de cultura etnia religião gênero classe social idade ­ superando a desigualdade esse é o maior objetivo da educação para lutar por essa sociedade é preciso educar contra a barbárie o que implica uma ética e exige uma perspectiva de formação cultural que assegure a dimensão de experiência crítica colocar o presente numa situação crítica numa perspectiva de humanização de resgate da experiência de conquista da capacidade de ler o mundo escrevendo a história coletiva apropriando-nos das formas de produção da cultura criando expressando mudando kramer 1999 p 278 de fato diante das situações de barbárie que envolvem as crianças de classes sociais desfavorecidas que constituem a maior parte de nossas crianças urge compreendermos a necessidade de colocar o presente em uma situação crítica como afirma kramer isso significa refletir coletivamente sobre as necessidades e as situações de aviltamento dos direitos das crianças relações com drogas violência agressões desresponsabilização dos familiares distância entre crianças e adultos etc há discussões possíveis com os pais outras que envolvem as próprias crianças outras que podem envolver membros da comunidade tornando o tema da vida e dos direitos um tema de todos a parceria com os pais a discussão sobre questões como paz e violência ­ por exemplo a produção de cartazes com o olhar das crianças a discussão com a comunidade sobre o papel das crianças são caminhos possíveis contribuindo na responsabilização de todos sobre as elas o poema nos ajuda a pensar sobre as crianças de hoje hoje dia a dia nega-se às crianças o direito de ser criança os fatos que zombam desse direito ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana o mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo e os do meio os que são ricos nem pobres conserva-os atados a mesa do televisor para que aceitem desde cedo como destino a vida prisioneira muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças eduardo galeano ­ a escola do mundo às crianças no brasil coexistem diferentes modos e oportunidades de criar e educar as crianças pequenas essas diferenças infelizmente devem-se menos a nossa rica diversidade cultural do que à imensa diferença econômica entre as classes sociais podemos perceber que não se tem aproveitado como base para educação da criança a nossa maior riqueza a diversidade sociocultural materializada nas músicas modos de falar comidas danças e outras práticas culturais.

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14 com a globalização surge a imposição da cultura de massa em que a tendência é a imposição de um modelo econômico e cultural único que desvaloriza e hierarquiza os padrões culturais das populações correndo o risco de eliminar a riqueza e as peculiaridades de cada sujeito na realidade cotidiana de muitas famílias os pais enfrentam grandes dificuldades para cuidar e educar seus filhos principalmente por razões econômicas vimos por exemplo crianças pobres com uma infância muito reduzida desde cedo cuidam dos irmãos menores ficam trancados em barracos ou perambulando e vivendo de esmolas pelas ruas a essas crianças é imposta uma autonomia precoce e subalterna uma vez que não melhoram a autoestima nem rompem com a pobreza e a submissão entretanto criar e educar filhos não é só uma questão de ter condições financeiras adequadas com a criança de família mais rica geralmente acontece ao contrário a infância é de longa duração muitas dessas crianças não experimentam nem a liberdade de brincar pelo medo de seus pais com a sua segurança e saúde nem a sensação de desejar e fantasiar pois à medida que tudo lhes é oferecido não percebem a diferença do ter não ter não aprendem a respeitar e ­ o mais grave ­ não sabem o que é realmente desejar confundem desejo com consumo por outro lado não podemos considerar sem infância todas as crianças que se relacionam com pequenos trabalhos domésticos por exemplo afinal em muitos casos há espaço para o brincar a expressão e a criatividade mesmo nesses contextos o que existe é uma diferente experiência da infância ligada a uma realidade política social e cultural específica o estudo da história da infância permite-nos conhecer como viviam as crianças em outras épocas e perceber que por exemplo a participação em tarefas domésticas já constituiu o ser criança em outros períodos sem que isso representasse exploração adulta do potencial infantil as crianças constroem história são ativas críticas e criativas É preciso ter cuidado para quando o mundo adulto sufoca suas expressões seus direitos e suas potencialidades calando-as submetendo-as explorando-as e ao mesmo tempo é preciso notar que a participação em atividades domésticas cuidar de irmãos mais novos pequenas atribuições na casa etc pode ser uma forma de estar junto pertencer contribuir ao lado da brincadeira do aprender do explorar a vida na vertente interacionista sócio-histórica de compreensão da criança e seu papel na sociedade atual focalizamos a construção da identidade enlaçada nas relações adultocriança e cultura-criança com suas atitudes em relação à criança o mundo adulto indica as direções de sua formação o que nos permite afirmar que ela se constitui nas interações sociais valorizando o diálogo a expressão de ideias a criação a autonomia o comprometimento com o coletivo o prazer contribuímos para que a criança acredite em

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15 si mesma como potente autônoma comprometida fundamentando sua autoestima e autoconfiança esses são vetores fundamentais na educação ­ especialmente na educação infantil a criança compreende o mundo a sua volta e começa a incorporar as regras e maneiras de viver através da interação e das influências que sofre do meio social em que vive jessana rodrigues de araújo pré-escola cecília meireles o que é ser criança É sonhar com o vento É não ter barreiras para seus sonhos É colocá-los todo o tempo em movimento É girar o mundo com o movimento dos seus pensamentos quem é a criança com quem trabalhamos É a criança que não sabe o que é o vento É a criança que tem barreiras para os seus sonhos e vamos tentando colocá-los em movimento girando o mundo conforme os nossos os delas pensamentos dando cor suavidade para uma dura realidade regina caeli creche armanda Álvaro alberto

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