Eram verdes os campos

 

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eram verdes os campos alma lusa página 1

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a palavra no princípio era o verbo e o verbo estava com deus e o verbo era deus ele estava no princípio com deus todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez nele estava a vida e a vida era a luz dos homens e a luz resplandeceu nas trevas e as trevas não a compreenderam joão 1-1;5 página 2

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introduÇÃo no místico mar da sabedoria ergue-se a terra prometida em fragrâncias de luz e rios cristalinos de água viva longos são os ramos de frondosas árvores anciãs que através dos tempos muito viram e muito sabem longos são os raios de luz que iluminam almas peregrinas de branco vestidas olhos incandescentes de sabedoria vetusta transbordando de harmonia e equilíbrio altas montanhas ao longe deixam passar os sussurros do vento que ondulando em espirais lançam a brancura da neve eterna para o infinito azul num quadro de magia e pureza o verde dos campos orla rios de água viva correndo para o manancial da vida alimentando esses seres que de olhar alegre e agradecido contemplam lá no alto essa cruz de vida em raios de luz branca derramando bênçãos alimentando e renovando a vida sons alegres e musicais em harmonia elevam-se para o alto em agradecimento louvado seja o senhor criador de todas as coisas eram verdes os campos que ladeavam o caminho empoeirado á hora do meio-dia dois homens caminhavam em passo certo rosto sereno e olhar sagaz de tempos imemoriais este caminho de terra dura e poeira macia é como o ensinamento do alto por baixo uma capa dura e simples para que quem procura adquira a experiência do ensinamento e a viva por cima a maciez da capa protectora de quem ensina para que ninguém que se esforce se desvie para caminhos cómodos que levam á estagnação página 3

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o silêncio do campo só era cortado pelo movimento dos ventos que em dança simples se esgueiravam por entre as folhas das árvores e pelo trinar das aves que com movimentos rápidos tentavam acompanhar os entes do vento com cantos redobrados os olhos claros dos viajantes fulguravam de alegria ao contemplar o espectáculo que a natureza lhes ofertava como é possível que diante de tal obra plena de beleza e equilíbrio a humanidade escolha o caminho cómodo da estagnação e não aceite o que lhe é ofertado com tanta singeleza de semblante baixo a tristeza por um momento dominou o segundo viajante que retorquiu infelizmente o homem prefere aceitar sem analisar o que lhe é ofertado e colocar-se numa situação de dependência espiritual e comodidade atirando para terceiros a responsabilidade do que aceita engano fatal para tal homem ele é responsável por tudo o que aceita certo ou errado as leis que regem os universos aplicam-se inexoravelmente e em tempo certo colhem o seu tributo só por um momento a tristeza dominou os viajantes logo a alegria e a luz que os rodeava prevaleceu sobre tais almas plenas de amor e felicidade pela obra do altíssimo eram verdes os campos que ladeavam o caminho empoeirado á hora do meio-dia os entes dos ventos deslizavam velozes no arvoredo rodeando as fadinhas que assomavam por entre o colorido de flores silvestres esvoaçando com suas asas cristalinas e semblante singelo tranquilos e de olhar vivo gnomos e elfos contemplavam com carinho os viajantes que placidamente se tinham recostado debaixo dos ramos frondosos de uma árvore anciã em frente não muito longe também um grupo de animais ditos ferozes descansavam do calor do meio-dia contemplando os homens que perto deles os miravam também harmonia e confiança deslocavam-se no etéreo e a natureza seguia o seu curso indiferente às filosofias dos homens mas atenta às suas acções eram verdes os campos luminoso o ambiente página 4

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i a palavra rogo-vos porém irmãos pelo nome de nosso senhor jesus cristo que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões antes sejais unidos num mesmo sentido e num mesmo parecer primeira epístola de paulo aos coríntios ­ 1;10 caía mansamente a neblina sob o sol da manhã refrescando cada folha cada flor gotas de orvalho contendo o mundo humedeciam o solo pleno de vida e vigor latente aos poucos os ruídos nocturnos emudeciam e os seus habitantes retiravam-se para o calor e segurança de suas tocas as aves chilreavam numa algazarra sinfónica conduzidas pela batuta de maestro anónimo no chão o restolho era revolvido e o vento espalhava-o num manto de cor e forma ao longe na planície os animais movimentavam-se em manadas seguras procurando a melhor erva verde e tenra que pela manhã estava fresca por entre colinas e montes vestidas de verde os filhos de zéfiro brincavam numa correria ondulante fazendo estremecer as fadinhas das flores que olhavam para eles com ar reprovador sorriam os elfos que a tudo observavam com olhar brilhante cintilava de vida e movimento a natureza ao redor de uma fogueira um grupo de homens arrumava os seus pertences para se porem ao caminho em mais um dia de jornada lentamente reuniram-se para a oração de graças da manhã o seu olhar era límpido e os seus pensamentos em reverência adoraram o senhor dos mundos página 5

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senhor a ti pertenço que a minha vida seja uma prece de gratidão constante a ti aceita pela tua bondade o meu agradecimento e dá-me por este dia o auxílio de tua força Ámen serenidade envolvia o grupo dirigiam-se para a costa e até já podiam ouvir o bramir do oceano à distância o seu destino era a ilha branca e esperavam receber de neptuno o seu favor e escolta de ondinas para a travessia um grupo de centauros acompanhava-os a distância curta como que a montar guarda precioso era o grupo de homens vestidos de branco e de olhar secular iam prestar auxílio a uma comunidade que se encontrava em dissensão por causa do modo como a palavra sagrada haveria de ser transmitida e esta postura estava a dividi-los e a criar sombras escuras que os atormentava e alimentava ainda mais a divisão o querer saber melhor e a falta de clareza espiritual estava a ofuscá-los após tomariam a jornada marítima para o seu destino a ilha branca a chegada ao pequeno burgo foi saudada efusivamente depois de um curto descanso dirigiram-se para a sala das devoções reunida a assembleia e após curta oração de pedido de auxílio o ancião do grupo falou caríssimos a palavra do senhor segue por muitos caminhos porque muitos são os caminhos do homem É dever que adoremos o altíssimo sem quaisquer dogmas ou pretensas sabedorias e interpretações se o fizerdes de espírito aberto certamente a sua força vos trará auxílio a sua luz iluminará o caminho e o seu amor será bálsamo espiritual nem todos os homens estão preparados pela sua formação a receber a palavra da mesma forma então divulguem-na conforme o grau de evolução do ouvinte façam-no como servos do senhor simples e devotos e não como aqueles que repetem o que aprenderam com o cérebro e não ouvem a voz interior a voz do espírito sede tolerantes mas firmes na defesa da palavra lembrai-vos que a verdade só a deus pertence tudo o que o ser humano conhece e divulga está sujeito ao espaço e ao tempo à mutação dos conceitos e à evolução do conhecimento que ele domina no momento e que moldam esses mesmos conceitos o nosso saber é imperfeito e só nas nossas peregrinações através da vida ele se aperfeiçoará por isso tolerância e humildade são aliados da firmeza venerai o altíssimo porque a palavra é una com ele no princípio era o verbo e o verbo estava com deus e o verbo era deus procurem a verdade em espírito e o vosso intelecto compreenderá dividir a palavra é enfraquece-la não o façam não o façam em silêncio o ancião dirigiu-se para o seu assento e visivelmente abatido recostou-se na sala nem um movimento se fazia sentir os semblantes denotavam o efeito das palavras no ar as formas de pensamento eram confusas crispadas mas também de aceitação e tudo isto o ancião sentia a assembleia foi fechada pelo sacerdote da comunidade que com voz pesarosa disse página 6

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cometemos o pecado da estultícia não estivemos alerta e pretendemos saber melhor que o nosso próximo com isso olhamos para nós e esquecemo-nos de pedir auxílio aos guias fomos vaidosos ao querer dominar o saber que o nosso intelecto nos proporcionava e surdos aos avisos da nossa voz interior com boa intenção é verdade mas com orgulho e intolerância actuamos agora vede o resultado divisão antagonismos após a oração de agradecimento o grupo dirigiu-se para o porto onde um barco de velas vermelhas os esperava o vento soprava de feição prometendo uma viagem calma lentamente se afastou do porto seguro a embarcação desfraldando as velas ao sopro de Éolo o ancião na ponte olhava para as pessoas que no cais acenavam em despedida e a tristeza tomou conta do seu espírito quantos daqueles se iriam perder na voragem da intolerância e mesmo na melhor boa vontade para difundir a palavra fá-lo-iam deteriorando o amor e alimentando a arrogância o seu olhar ergueu-se aos céus sem nuvens e um rosto feminino sorriu animando-lhe o espírito géia a senhora da terra assim o alentava pouco a pouco a nave se fundiu no horizonte página 7

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ii a ilha tão brandamente os ventos os levavam como quem o céu tinha por amigo sereno o ar e os tempos se mostravam sem nuvens sem receio de perigo camões no horizonte o céu fundia-se com o mar numa simbiose de plenitude só separados pelos tons de azul navegavam há três dias e as horas Éolo e a sua comitiva tinham-se retirado passavam devagar numa calmaria constrangedora um vulto branco à proa do navio mirava o horizonte olhar fixo o seu pensamento vogava para a ilha que já não distava muita distância as casas brancas sobressaiam do verde da vegetação luxuriante o ancoradouro estava protegido por uma muralha de pedras que só titãs poderiam ter construído tal o tamanho e peso na costa oriental as escarpas eram altas e a pique um templo erguia-se nesta continuidade inserido numa gruta uma alta torre branca completava um conjunto de casa amplas formando um complexo habitacional e de devoção perfeitamente inserido na arquitectura da paisagem virou-se devagar para os nautas e disse-lhes zéfiro regressa aprontai os vossos afazeres que uma brisa vai soprar daqui a pouco a calma foi substituída por uma azáfama de cabos e velas ordens e gritos de instruções semblantes animados e prontos para a continuidade da viagem que até ali tinha recebido o favor dos deuses as velas enfunaram e o ranger do cordame e da madeira deu inicio ao balançar característico do movimento do navio a avançar cortando a água que se tornava ondulante entardecia quando o navio aportou no ancoradouro cuja baía estava plena de vida página 8

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a comitiva que esperava o grupo era constituída por vários homens e mulheres todos vestidos de branco embora em silêncio os seus rostos mostravam a alegria do momento e a espontaneidade do bem-estar eram os sacerdotes do templo que no alto da ilha marcava a diferença na paisagem a luz difusa do entardecer era cortada por archotes cujas chamas trémulas lambiam o ar morno transmitindo um aspecto etéreo ao ambiente do grupo adiantouse um homem jovem cujos olhos cintilavam com a luz de tempos idos bem-vindo a casa é com alegria que te recebemos de volta nobre sacerdote sentimos a tua falta e de teus preciosos ensinamentos estamos ansiosos para ouvir de tuas viagens o ancião visivelmente feliz adiantou-se e de mãos estendidas segurou as mãos do seu interlocutor pupilo desde a infância estou grato por tuas palavras certamente contarei de minhas viagens agora é hora de recolher estou muito feliz por estar de volta ao vosso meio que para mim é fonte de alegria e de bem-estar com visível satisfação e como se de crianças se tratassem o grupo seguiu o ancião no caminho de volta que por entre veredas e árvores anciãs emolduravam a escada de pedra com degraus lisos e rebordo arredondado fruto do uso milenar os barulhos nocturnos começavam a substituir o canto alegre das aves que em profusão esvoaçavam no céu azul num bailado coreografado pelos filhos de zéfiro nas tocas aninhavam-se os animais diurnos para descanso e segurança porque a noite perigos inesperados escondia a natureza seguia o seu curso que desde milénios fora estabelecido no princípio dos tempos seguia o caminho para o alto da ilha em direcção ao templo onde a luz dos archotes o iluminava circundando o complexo num halo de luz visível muito longe no mar e conduzindo almas em perigo para um porto de abrigo seguro a noite cobriu a ilha branca de manto escuro o silêncio aqui e acolá era cortado pelo pio nocturno da coruja sempre atenta ao mais pequeno movimento no solo quando os pequenos roedores corriam em procura de alimento no restolho no seu quarto virado ao mar o sumosacerdote usufruía da paisagem nocturna e ouvia o barulho cadenciado das ondas a desfazeremse em novelos de espuma branca contra as rochas da falésia ao longe pequenas luzes denunciavam a presença de veleiros em suas viagens de comércio o sumo-sacerdote pensava nos acontecimentos dos últimos dias em relação à palavra sagrada e o desvio sub-reptício que os ensinamentos estavam a tomar sombras de preocupação toldavamlhe o espírito as várias interpretações obsessivas de alguns crentes estavam a tomar caminhos sinuosos de onde seria difícil voltar sem sofrimento estas atitudes levaram muitos a afastaremse da palavra confusos e amedrontados e a procurarem apoio onde fossem bem recebidos e satisfeitas as suas necessidades a intolerância e o oportunismo lentamente encharcavam as almas dos devotos as mãos postas em devoção olhar cerrado espírito aberto o sumo-sacerdote louvou o altíssimo senhor teu servo eu sou conduz o meu espírito em tua luz no cumprimento de tua vontade para que o caminho que eu trilhe me conduza à pátria aos jardins eternos em repouso adormeceu o corpo mas o espírito procurou os centros de iluminação e conhecimento página 9

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iii dualidade da vida existe apenas um criador um deus e portanto também apenas uma única força que perflui tudo o que existe e o faz viver e progredir essa força divina pura e criadora flui constantemente através de toda a criação reside nela e é inseparável da mesma abdruschin amanhecia o sol espreitava no horizonte e devagar subia no etéreo resplandecendo sobre o manto de água que circundava a ilha qual pedra preciosa engastada em jóia dourada cedo levantava-se o sumo-sacerdote e ritmicamente fazia o seu passeio matinal descia até ao povoado casas brancas engastadas na natureza misto de cor e harmonia arquitectural o respeito pela natureza era bem visível o abate de árvores para a construção da área residencial era mínimo e só as zonas onde as habitações e os caminhos eram necessários seriam limpas entre as habitações espaçadas umas das outras sempre se mantinha o arvoredo fazendo sobressair a sua brancura daí o nome de ilha branca em todo o lado reinava o equilíbrio o povoado era limpo as pessoas alegres a azáfama começava cedo e o burburinho dos afazeres e das conversas elevava-se como o sol no horizonte o sumo-sacerdote estava acompanhado de sikar seu pupilo e sacerdote ambos caminhavam lentamente em amena conversa -tanta é a beleza que nos rodeia que nos esquecemos de a apreciar pelo hábito disse sikar olhando em redor com desvelo alphek passou o olhar pela paisagem exuberante e multi-colorida como a certificar-se do que o seu pupilo dissera página 10

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É verdade por isso a natureza das coisas é dual a vida é comparativa só assim podemos ter a noção e a perspectiva compara a vida a uma moeda a moeda tem duas faces impossível ter uma ou separá-las a espiritualidade e a intuição a materialidade e o intelecto a beleza é apreciada e valorizada porque existe o feio como comparativo todos os sentimentos existentes neste plano da criação têm uma função de utilidade e estes sentimentos são ligados pelo equilíbrio o equilíbrio é fundamental na actuação repara na natureza é equilíbrio puro por isso as nossas leis e comportamento se regem pelas leis da criação que expressam a vontade criadora do altíssimo no mar pequenas estrelas acendiam-se e apagavam-se reflexos do sol no balanço da ondulação que se envolvia na areia dourada da praia a falta de equilíbrio está a fazer com que o egoísmo predomine entre os homens da grande cidade sikar olhava para o horizonte como que a querer visualizar a grande cidade que no outro lado do mar prosperava desordenadamente tudo o que está debaixo dos céus é bom desde que em equilíbrio retrucou alphek egoísmo estado humano indispensável para a evolução na sociedade e no seu caminhar individual no sentido espiritual ferramenta indispensável na tecedura complexa que é o estado comportamental do individuo como tudo o que se rege pelas leis naturais também o egoísmo tem que estar em equilíbrio sob pena de adulterar e desviar o espírito humano de sua peregrinação infelizmente como tudo no comportamento humano o egoísmo foi exacerbado e adulterado deixando de cumprir o que lhe estava reservado auxiliar o individuo na sua evolução espiritual património da alma acumulado por experiência o egoísmo não dá só acumula e como a moeda tem a outra face que é o altruísmo a partilha do saber acumulado pelo egoísmo entre o egoísmo e o altruísmo ambos necessários à evolução espiritual está o equilíbrio é impossível dar o saber o conhecimento os valores adquiridos acumulado por alguém estes valores fazem parte do património espiritual e cultural é-lhe intrínseco fruto da sua experiência vivencial é a sua riqueza diferente evidentemente de pessoa para pessoa como seres espirituais que somos a individualidade é a nossa referência para equilibrar o egoísmo existe o altruísmo que partilha o saber acumulado pelo egoísmo num misto de amor e doação ao próximo o saber acumulado se não for partilhado de nada serve nem para o seu proprietário É como o planeta se este através da sua actividade vulcânica não aliviasse a tensão no seu interior explodiria equilíbrio neste plano material em que vivemos necessitamos do intelecto e da carga sentimental a ele ligada para a nossa evolução espiritual por isso o controlo das emoções e dos sentimentos ligados à matéria ser necessário se esta nos dominar tornar-nos-emos mais pesados e maior dificuldade teremos no regresso à pátria aos jardins eternos de onde provimos página 11

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há três pilares básicos no nosso comportamento que não devemos descurar olhar dentro da nossa alma e rever o resultado das nossas acções confidenciar o que nos vai na alma ao nosso melhor amigo o nosso guia e protector espiritual não mentir a nós próprios este é o primeiro passo para a verdade se não descurarmos estes procedimentos então o equilíbrio manter-se-á e seremos felizes só então estaremos capacitados para ajudar o nosso semelhante em verdade por momentos silenciaram a olhar a imensidão azul à sua frente perscrutavam sinais dos elementos da comitiva de neptuno a eles tão queridos mestre quando me relatarás os acontecimentos de tua viagem alpkek o sumo-sacerdote sorriu com tristeza mais tarde sikar mais tarde alegres e confiantes regressaram para se dedicarem aos seus afazeres no templo pela velha escadaria antiga como o tempo incrustada na rocha e que entrava na montanha em direcção ao alto página 12

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iv o ribeiro segundo for esse sentimento intuitivo e os consequentes pensamentos a força divina de actuação autónoma será dirigida por ele para bons ou maus efeitos eis a responsabilidade com que o ser humano tem que arcar nisso encontra-se também seu livre arbítrio abdruschin corria devagar o ribeiro que a pressa de chegar ao mar era pouca deambulava por prados verdes e de vez em vez caía de alturas para mergulhar na cálida água de bacias formadas pela arte do tempo esgueirava-se por entre a vegetação cerrada das margens usufruindo da sombra amiga que lhe ofertavam cálidas e cristalinas eram as suas águas quando o sol as beijava fresca quando a sombra da vegetação as cobria a tudo isto alphek observava com olhar tranquilo perscrutando o movimento alegre e ladino de seres elementares que só o seu olhar espiritual podia ver há muito que o ser humano tinha perdido esta dádiva por sua própria vontade ao alimentar a arrogância do querer saber melhor e afastar-se do auxílio rejeitando-o dos seus guias na paisagem só o barulho da brisa e o marulhar do ribeiro misturado aqui e acolá pelo trinar de aves canoras se faziam ouvir tranquilidade convidando a introspecção página 13

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e assim alphek pensava para onde caminhas humanidade porque escolheste o caminho para baixo o caminho que conduz à perdição alimentas vaidades e arrogância fechaste o teu espírito à condução de guias espirituais que pelo amor do altíssimo te foram disponibilizados escolheste a face negra da dualidade da vida e nas suas profundezas alimentas a miséria corres de olhar cerrado para o precipício surda aos avisos desprovida de amor ninguém se furta à lei da gravidade e quando chegar a hora que virá o peso das tuas acções envolver-te-ão num abraço fatal toda a materialidade a seu tempo será destruída e renovada para um novo ciclo de vida não queiras estar cá quando esse tempo chegar porque a destruição também te atingirá tiveras escolhido o caminho para o alto e a paz e alegria perenes seriam o teu galardão vida eterna porque a lei da gravidade inflexível e no cumprimento da vontade do altíssimo teria elevado o teu espírito para os jardins eternos onde pertences em vez de para baixo para as profundidades escuras da matéria mais densa onde o fenecer é lei lá no paraíso só o sentido da vida é real e o equilíbrio é lei que alimenta e progride felizes os que chegarem perto dos degraus do trono do altíssimo a esses é permitido usufruir das alegrias dos justos e do seu amor o toque de um sino repicou à distância era hora do meio-dia e o seu passeio estava terminado devagar levantou-se e com olhar embevecido olhou em redor a despedir-se das pequenas criaturas que alegremente acenavam a face do ancião expressava bem o equilíbrio entre o seu corpo e o espírito naquele recanto do mundo a sua ilha as sombras escuras ainda não tinham chegado mas o tempo se encarregaria de as conduzir pela mão do homem o semblante de alphek sombreou por momentos e por momentos anteviu as imagens desagradáveis desse futuro que de longínquo estava perto a extensão do prado verde terminava no penhasco fundindo-se no horizonte numa mescla de cores verde e azul matizes alimentadas pela luz do astro rei que no etéreo irradiava a sua benfazeja luz para sustento e alegria de suas criaturas no momento a ilha era a fortaleza da palavra e alphek o seu guardião longos eram os tentáculos que se agitavam no outro lado do mar cinzentos e obscuros no meio da neblina opressiva e cerrada desordenadamente traduziam o caminho que os seus mentores seguiam e o caminho era longo página 14

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epÍlogo tempos passaram novas civilizações nasceram sobre os escombros das caídas terras foram sugadas pelo mar e outras nascidas para um novo ciclo novas filosofias novas crenças novas religiões outros saberes outros conhecimentos e a humanidade regista na memória do tempo a sua história o seu património cultural e espiritual para as gerações futuras a sua civilização o seu legado memórias de tempos ancestrais que do passado clamam por verdade agigantam-se no presente para a remissão das acções deus não é fruto da filosofia do homem mas o homem é fruto da vontade de deus alma lusa página 15

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