Revista Mediação - edição 22

 

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revista de educação do colégio medianeira nÚmero 22 ano vii issn 1808-2564 projeto por mayco delavy de vida seu ou nosso retornável a vida sem sacola natureza plástica pensa que brincadeira por bárbara remonato e mônica tonocchi brincar é hablar de mí por ana paula luz mediação 1 maletas dos por cláudio piechnik

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revista de educação editada e produzida pelo colégio medianeira issn 1808-2564 sumário expediente 3 7 quando brincar não é brincadeira bárbara maria remonato e mônica d barddal tonocchi diretor pe rui körbes s.j diretor acadêmico prof adalberto fávero diretor administrativo gilberto vizini vieira resignificando a tv no contexto socioeducacional um estudo de caso adriana alves novais souza e daniele santana de melo coord comunitário e de esporte prof francisco alexandre faigle coordenação editorial cezar tridapalli luciana nogueira nascimento mtb 2927/82v revisão cezar tridapalli 12 17 22 a importancia da alfabetização matemática para a vida escolar de um aluno janine taís weiss kern redação diego zerwes projeto gráfico liliane grein a compreensão da linguagem mediada pelo professor juliana scheibner dellafavera ilustração e imagens shutterstock colaboraram nesta edição adriana alves novais souza e daniele santana de melo alberto heitor molinari ana paula luz bárbara maria remonato e mônica d barddal tonocchi carlos torra cláudio piechnik gloria kirinus janine taís weiss kern jerson darif juliana scheibner dellafavera mariana formighieri hoffmann mayco martins delavy educação e projeto de vida caminhos mayco delavy tiragem 3500 papel capa papel reciclato 180g miolo papel reciclato 90g 25 29 34 37 42 45 50 vivência ética indíviduo e sociedade jerson darif numero de páginas 52 impressão gráfica radial tel 3333-9593 o conhecimento do sagrado ou o sagrado como conhecimento carlos torra equipe pedagógica supervisão pedagógica claudia furtado de miranda danielle mari stapassoli juliana cristina heleno mayco delavy educação infantil e e fundamental de 1º a 5º ano coordenação profª silvana do rocio andretta ribeiro a palavra miga e outros quantas gloria kirinus ensino fundamental de 6º e 7º ano coordenação profª eliane dzierwa zaionc ensino fundamental de 8º e 9º ano coordenação profª roberta uceda alice no mundo dos sonhos alberto heitor molinari ensino médio coordenação profº marcelo pastre coordenação de pastoral pe guido valli s.j você está pronto claudio piechnik coordenação de midiaeducação cezar tridapalli assessoria de comunicação e marketing luciana nogueira nascimento os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião dos editores e do colégio nossa senhora medianeira a reprodução parcial ou total dos textos é permitida desde que devidamente citada a fonte e autoria mariana formighieri hoffmann veganismo ética saúde e sustentabilidade 2 mediação linha verde av josé richa nº 10546 prado velho curitiba/pr fone 41 3218 8000 fax41 3218 8040 www.colegiomedianeira.g12.br mediação@colegiomedianeira.g12.br la vida en dos maletas ana paula luz

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epois que o número 21 da nossa revista mediação falou exclusivamente sobre a cidade e em especial sobre curitiba eis que voltamos à nossa prática de variar o cardápio pensar educação do ponto de vista de sua diversidade e contamos para essa edição com novos colaboradores entre os quais pessoas de fora da cidade e do estado gente que conheceu a revista e contribuiu com reflexões bastante pertinentes para o perfil que buscamos manter em nossa linha editorial temos duas articulistas do interior do rio grande do sul e duas de sergipe embora distantes espacialmente poderemos perceber a proximidade quanto aos assuntos de que tratam compreensão da linguagem na constituição do sujeito educação matemática e uma análise da tv como formadora do indivíduo ainda de longe recebemos artigos vindos de quem está em barcelona nossa ex-aluna e ex-professora ana paula luz faz uma crônica de viagem por meio da qual reflete a própria identidade É a primeira vez que publicamos um artigo em língua estrangeira quem manda notícias dos estados unidos é o nosso também ex-aluno e ex-professor cláudio piechnik fazendo uma análise nada óbvia sobre o uso das sacolas plásticas e seus impactos no ambiente outros artigos e crônicas vão povoar as páginas que você está prestes a folhear se temos colaboradores de longe temos também aqueles muito próximos pai de alunos professores orientadores todos os assuntos poderiam render uma capa mas escolhemos um tema principal que no fundo perpassa os demais projeto de vida É comum associarmos projeto de vida ao sucesso na carreira ao sucesso da família às conquistas materiais mas não somos ilha por que então pensarmos em projeto de vida apenas do ponto de vista individual para vivermos melhor não seria interessante termos um mundo com mais oportunidades com mais solidariedade e justiça É essa articulação entre o projeto individual e o coletivo que trazemos como tema de capa a fim de que possamos pensar no melhor para todos afinal em nosso projeto cabem todos vale chamar a atenção do leitor para um encarte que estamos colocando junto com esta mediação 22 são as recomendações e boas práticas para o uso seguro da internet para toda a família escritas pela oab de são paulo e que acreditamos são excelentes orientações para todas as pessoas preocupadas com uma navegação saudável nos meios digitais já trabalhamos a cartilha com nossos alunos e julgamos importante compartilhar isso com as famílias e demais leitores por fim depois do quase agora podemos dizer sem ressalvas a revista mediação está integralmente disponível na internet você pode folheá-la virtualmente e lê-la na íntegra acessando o www.midiaeducacao.com.br lá você vai encontrar o botão revista mediação É só clicar e escolher qualquer uma das 23 edições feitas até o momento começamos com a número 0 É isso este editorial é apenas um convite para o que se segue uma série de artigos preocupados em pensar a educação de forma ampla capaz de nos transformar pelo viés acadêmico e humano um abraço e boa leitura cezar tridapalli envie sugestões e comentários para mediacao@colegiomedianeira.g12.br acesse www.colegiomedianeira.g12.br www.midiaeducacao.com.br mediação editorial 3 d

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brincar não é as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade vygotsky 1984 por bárbara maria remonato e mônica d barddal tonocchi quando 4 mediação brincadeira

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boneca bola carrinho palavras cheias de significado que remetem qualquer um de nós à infância alguns brinquedos continuam os mesmos em contrapartida nesse mundo tecnológico os interesses e brincadeiras mudaram o nome dos brinquedos continua o mesmo mas hoje temos carrinhos de controle remoto bonecas que falam hoje em dia as crianças são atraídas pela magia da tecnologia o vídeo game celulares tablets computadores estão presentes na vida de nossas crianças alguns filósofos afirmam que brincar é a base da cultura de um povo para percebermos o quanto esta afirmação é certa basta observar como são as brincadeiras em diversos lugares do mundo e como evoluíram com o passar do tempo refletindo culturas e estilos de vida específicos de cada lugar e/ou época um verdadeiro espelho da sociedade já no século xx alguns estudiosos discutem a questão das brincadeiras entre eles piaget quando afirma que a brincadeira permite à criança construir conhecimentos para vygotsky a brincadeira é vista como o resultado de influências sociais que a criança recebe ao longo do tempo o brincar é inerente à infância a primeira ação do bebê sem que precise interagir com o outro a interação se dá principalmente com seu próprio corpo mas também com objetos ao seu redor aos poucos vai estabelecendo contato com o mundo desenvolvendo os órgãos dos sentidos a afetividade coordenação motora entre outras habilidades necessárias para o seu desenvolvimento as crianças gostam e precisam da brincadeira elas têm necessidade de brincar e na brincadeira elaboram situações interpretando e dando significado à realidade ao brincar a criança tem a oportunidade de experimentar o mundo interagir com ele e expressar cada uma à sua maneira como compreende esse mundo para nós pais e educadores a brincadeira deve ser considerada coisa séria pois muito mais que diversão é um ato que amplia e estabelece valores culturais mo rais afetivos e sociais É a forma mais completa que a criança tem de se comunicar consigo mesma e com o mundo enquanto brinca está desenvolvendo a verbalização ampliando o vocabulário o pensamento e estabelecendo formas cada vez mais refinadas de comunicação além disso o ato de brincar pode incorporar valores morais e culturais possibilita o autoconhecimento a cooperação o desenvolvimento da imaginação da criatividade e da criticidade geralmente ao brincar a criança está envolvida em uma atividade que exige raciocínio fazendo com que ela levante hipóteses e solucione problemas em uma brincadeira a criança constrói conhecimentos e se desenvolve não só social mas também intelectualmente e como fica o brincar dentro do contexto atual desse mundo e sociedade contemporânea em que estamos inseridos hoje nossa sociedade vive a cultura do medo vivemos trancados dentro de casa em condomínios fechados clubes as historicamente o homem sempre brincou através dos diversos povos e culturas e no decorrer da história sem distinção nas ruas praças feiras rios praias campos mas ao longo do tempo as formas de brincar os espaços e tempos de brincar os objetos de brincar e os brincantes foram se transformando adriana friedman mediação 5

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crianças não brincam mais nas ruas pois temos medo do trânsito ruas movimentadas pessoas desconhecidas dentro dessa cultura do medo as crianças brincam cada vez mais em casa com amigos e jogos virtuais que têm também o seu mérito muito desses jogos fazem com que a criança trabalhe o raciocínio a coordenação motora fina porém o que vemos hoje é que as principais brincadeiras se limitam a isso só se aprende a brincar brincando e esta é uma ação fundamental para aprender a conviver a cooperar respeitar as regras e para representar sentimentos e emoções É por meio da brincadeira que a criança interpreta a realidade desenvolve sua fantasia pensa e soluciona problemas sem interferência do adulto a busca pelo prazer imediato e o individualismo que está diretamente vinculado ao consumismo ícones da sociedade hoje não favorecerem o imaginário o brincar vemos que o individualismo toma conta das relações e amizades relacionamentos não virtuais são cada vez mais escassos com isso o brincar se torna também individual além disso as frustrações não são bem vistas pela sociedade pois o prazer e realização imediata dos desejos são outros valores caros à sociedade e consequentemente por alguns pais a frustração a resolução de problemas e conflitos são presentes em nosso dia a dia porém muitos pais no intuito de proteger os seus filhos não os deixam vivenciar essas situações e muitas vezes preferem que fiquem em casa assistindo a televisão ou brincando sozinhos não percebem que só aprendemos ou adquirimos uma habilidade ao sermos expostos à situações capazes de nos desafiar durante a brincadeira essas situações surgem de forma espontânea e a criança tem oportunidade de aprender a superar suas dificuldades e conviver com a frustração a sociedade de hoje também apela para o consumismo e o brinquedo passa a ser um bem de consumo e não uma necessidade da infância cria no indivíduo a necessidade de consumir valorizando o ter e não o ser muitas crianças só se satisfazem se tiverem o produto que é anunciado em propagandas só se sente satisfeita se possuir o carrinho ou boneca de determinada marca o computador da moda ou mais ainda só brinca se for com brinquedos eletrônicos industrializados e padronizados e o discurso que ouvimos é que todos os amigos precisam ter o mesmo brinquedo e ainda pior logo que deixa de ser novidade a criança passa a exigir outro lançamento do mercado deixando de lado o brinquedo recém-comprado o descartável e o imediatismo se fazem presente nesse momento os brinquedos já estão prontos fazem toda a simulação choro som movimentos e a criança apenas permanece em sua frente passivamente olhando e observando deixa de ser autora da brincadeira e passa a ser espectadora esses novos modelos de brinquedo não estimulam a imaginação pois seu enredo já vem pronto por outro lado quando uma menina brinca com a sua boneca imagina o enredo cria as falas e as cenas está recriando a sua própria história demonstrando a maneira como percebe o mundo e aprendendo como agir em situações reais a partir de situações imaginárias É fato que a sociedade pósmoderna traz mudanças no brincar ao apresentar novas tecnologias e o `brincar deve ter lugar prioritário na vida da criança brincar é fundamental na infância por ser uma das linguagens expressivas do ser humano proporciona a comunicação a descoberta do mundo a socialização e o desenvolvimento integral adriana friedman 6 mediação

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possibilidades de brinquedos nessa sociedade contemporânea a relação com o tempo e as relações interpessoais se alteram desta forma as mudanças no brincar são decorrentes de mudanças na sociedade como um todo porém é importante continuar fazendo com que a criança sonhe fantasie imagine crie seja com brinquedos prontos criando suas histórias enredos personagens ou inventando brincadeiras e brinquedos de forma que assim observe e interprete o mundo que a cerca comente este artigo mediacao@colegiomedianeira.g12.br referências bibliográficas atzinger maria cristina von ­ história do brinquedo ­ para as crianças conhecerem e os adultos se lembrarem são paulo alegro 2001 friedmann adriana o desenvolvimento da criança através do brincar o são paulo moderna 2006 kishimoto t m jogo brinquedo brincadeira e educação são paulo cortez 1999 vygotsky l s a formação social da mente o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores 4ª ed são paulo martins fontes 1991 piaget j a formação do símbolo na criança imitação jogo e sonho imagem e representação 3ªed rio de janeiro zahar editores a psicologia da criança ed rio de janeiro bertrand brasil 1998 spodek b saracho o n ensinando crianças de três a oito anos porto alegre artmed 1998 bárbara maria remonato é professora do 2º ano do ensino fundamental do colégio medianeira formada em pedagogia puc-pr é especialista em modalidades de intervenção no processo de aprendizagem puc-pr mônica d barddal tonocchi é professora do 1º ano do ensino fundamental do colégio medianeira e ex-aluna formada em pedagogia pucpr é especialista em currículo e práticas educativas puc-rj fica a dica o desenvolvimento da criança através do brincar autora adriana friedmann editora moderna a autora da obra pedagoga especialista em educação infantil conduz o leitor por uma série de reflexões sobre o valor teórico e prático das brincadeiras para o desenvolvimento das crianças levando em consideração os pontos de vista de jean piaget e lev vygotsky apresenta também uma série de estudiosos do brincar e definições sobre o lúdico dadas por eles um incentivo para pesquisa a formação social da mente autor lev seminovich vigotsky editora martins ha muito tempo o psicólogo russo l s vigotski é reconhecido como um pioneiro da psicologia do desenvolvimento no entanto sua teoria do desenvolvimento nunca foi bem compreendida no ocidente `a formação social da mente vem suprir grande parte dessa falha trata-se de uma seleção dos ensaios mais importantes de vigotski mediação 7

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artigo tv no contexto um estudo de caso embora alvo de severas críticas a tv também se configura como importante facilitador da aprendizagem do indivíduo aliado a uma proposta pedagógica coerente seu uso na escola tem se mostrado positivo tanto na formação do professor quanto na complementação da aprendizagem do aluno por adriana alves novais souza e daniele santana de meloelo resignificando a socioeducacional 8 mediação

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d entre os meios comuni cativos criados pelo homem a televisão merece destaque pela surpreendente capacidade de acompanhar a evolução aperfeiçoando-se buscando sempre garantir a presença nos lares apesar do avanço crescente das novas tecnologias da informação e comunicação tic tela plana de led touch screen high definition recepção digital as novidades têm feito com que a televisão alcance elevados números de venda de aparelhos promovendo uma acirrada concorrência entre emissoras e transmissores de televisão a cabo hoje no brasil o número de domicílios que possuem televisão segundo dados do ibge corresponde a 90,5 embora alvo de severas críticas tanto por sua influência nociva na socialização do indivíduo quanto pela indução ao consumismo exacerbado que ela veicula a tv como as demais mídias também se configura como importante facilitador da aprendizagem do indivíduo aliado a uma proposta pedagógica coerente seu uso na escola tem se mostrado positivo tanto na formação do professor quanto na complementação da aprendizagem do aluno a capacidade da tv de afetar negativamente a criança ou o jovem provoca questionamentos entre pais estudiosos e professores preocupados com a formação da identidade do menor exposto à sua programação por um período de tempo muito longo tornandose assim vítima de uma sociedade caracterizada pelo excesso de trabalho e falta de tempo dos pais no acompanhamento pedagógico e social de seus filhos muitos pais tentam compensar tal ausência mantendo-os devidamente ocupados dentro de casa por meio da tv computador e vídeo-games ca o desenvolvimento perceptual e emocional da criança dentre outras questões que nos elenca elza dias pacheco em televisão criança e imaginário e educação dilemas e diálogos diante dessa reflexão pais e professores podem diagnosticar as interferências causadas pela tv verificando até que ponto esta pode se tornar nociva para a criança e o jovem isso requer controle sobre o tempo gasto por ele em frente a ela e sobre a qualidade dos programas assistidos pois não existe entretenimento vazio de conteúdos e de valores afinal a criança está o tempo todo em processo de formação se a tv oferece programas de qualidade eles costumam apresentar baixa audiência preferindo-se programas que veiculam temas como violência sexo preconceito dentre outros sob uma ótica mais conservadora seria necessário que acontecesse uma reforma profunda nas emissoras o que implicaria enorme prejuízo e pouca adesão da população em geral pois a tv no brasil não é apenas um produto destinado ao entretenimento de massa mas consiste num sistema cujo alcance é tão grande que sem ela toda comunicação tornase impraticável por seu caráter público acessível a toda nação capaz de dominar os limites sociais do país se a maioria dos telespectadores gosta daquilo que vê certamente teremos a programação tal qual conhecemos por muito tempo restando àqueles televisão formadora deformadora social ou diariamente cerca de 75,2 milhões 49,2 da população de brasileiros de diferentes idades param diante da tv a fim de assistir a seus programas frente a tamanho alcance e adesão é preciso refletir por exemplo se os programas televisivos propiciam oportunidade de questionamento ou geram passividade e conformismo se educam para a criticidade e autonomia ou para a domesticação se interfere positivamente no rendimento escolar ou se prejudi mediação 9

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que defendem uma veiculação mais educativa a sensibilização e preparação do indivíduo para assistir à televisão de maneira mais crítica e consciente televisão como prática suscitando reflexões em relação ao mundo devem atentar para a intencionalidade e um planejamento no uso desse recurso a fim de não incorrer no erro de disseminar preconceitos e informações equivocadas É papel da educação em geral especialmente das escolas desenvolver práticas e processos que colaborem com a inserção crítica e livre de conflitos do indivíduo na sociedade através de ações que incitem a reflexão e a tomada de decisões conforme nos alerta pedrinho guareschi em seu mídia educação e cidadania tudo o que você deve saber sobre a mídia a capacitação dos professores para fazer a mediação e reflexão mação embora pouco atrativas para o jovem o professor pode apresentar o conteúdo de maneira mais criativa evitando a mera exibição de filmes documentários e tele-aulas que se limitam a ver discutir e relacionar o que viu ao conteúdo programático reduzindo sensivelmente o papel da televisão como instrumento de educação informal a formação do leitor audio pedagógica para josé manuel moran em o uso das novas tecnologias da informação e da comunicação na ead uma leitura crítica dos meios é possível educar a criança pela tv já que é possível obter informações conhecer o mundo e os que fazem parte dele sentir relaxar e sentir variadas emoções através do contato com aquilo que se vê e ouve na tela ninguém a utiliza por obrigação ao contrário ela é muito sedutora o que para a criança em período escolar é extremamente válido pois fala com o sentimento facilitando a interação dessa forma profissionais da educação que enxergam na tv um recurso didático capaz de fazer a interligação entre disciplinas os acontecimentos sociais políticos e culturais locais e globais sobre aquilo que se transmite através dos meios de comunicação se faz necessária pois nem sempre o profissional sabe ver tv conscientemente a partir desse olhar citamos theodor adorno para quem em seu educação e emancipação o papel dos educadores em quaisquer níveis de ensino diante do trabalho com a mídia televisiva deve ser o de oferecer aos alunos a experiência de refletir sobre o que assiste tanto na escola como em casa estabelecendo critérios para avaliar determinadas programações assim o material veiculado na tv servirá como recurso pedagógico evitando olhares distorcidos acerca da falsa realidade apresentada o que já ocorre com algumas emissoras que oferecem matérias educativas em toda a sua progravisual estudo de caso a fim de verificar a forma como o jovem em idade escolar assiste à tv se possui senso crítico se ele se mostra influenciado por sua programação buscou-se desenvolver a presente pesquisa através de entrevista semiestruturada utilizando-se de um questionário contendo questões abertas aplicado a um percentual de 10 de alunos de uma turma da 2ª série do ensino médio do colégio estadual senador walter franco em sergipe foram abordadas questões que sinalizam as escolhas e percepções dos jovens em relação à tv sendo 60 dos entrevistados do sexo masculino e 40 do sexo feminino 10 mediação

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gráfico 2 10 8 6 4 2 0 a tv pode ensinar coisas exemplo a tv pode ensinar conhecimento trapacear coisas 90 dos entrevistados afirmaram que se sentiam preparados para ver tv sob as seguintes alegações porque divido meu tempo corretamente assisto ao que for necessário tenho plena consciência de tudo que se passa nela seja de boa ou de má qualidade perguntou-se aos entrevistados gráfico 01 se estes já participaram de algum curso aula ou se já leram alguma obra que teve por objetivo prepará-lo para assistir a tv de forma crítica que citasse qual em caso afirmativo e ainda questionou-se a importância de se oferecerem cursos desse tipo os jovens atribuíram importância à existência de cursos preparatórios mas os desconhecem oferecendo os seguintes argumentos porque pode nos ajudar a formar uma consciência crítica acho muito importante sim pois existem pessoas que ainda não compreendem o que se passa na tv ou seja a mensagem que ela quer passar no terceiro questionamento ver gráfico 02 sobre se a tv ensina coisas boas e exemplos a maioria respondeu que sim somente um afirmou que não e apenas um não respondeu entre os exemplos citam-se os conhecimentos diversos adquiridos pela tv observa-se o uso do termo trapacear os entrevistados reafirmaram a importância da tv em sua aprendizagem reconhecendo que já aprenderam algo por ela como técnicas de futebol trabalho de artistas regras de comportamento social etiqueta dentre outros e criticaram programas televisivos como os de auditório reality shows políticos de humor crítico etc quanto à influência positiva ou negativa da tv na vida das pessoas houve um grande número de escolhas para a opção depende do que assiste demonstrando uma certa maturidade acerca daquilo que pode ou não exercer boa influência e os critérios para tanto considerações finais de acordo com a análise dos dados alguns alunos demonstraram uma escolha seletiva e crítica com relação às programações da tv apresentando certo anseio por qualidade percebe-se que apesar de se considerarem preparados para assistir a tv de forma crítica os jovens não diferem uma programação de qualidade pedagógica das outras além do gráfico 1 10 8 6 4 2 0 participou de algum curso aula com o objetivo de preparar para assistirtv de forma crítica não respondeu curso de libras não curta sim não não sim mediação 11

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desempenho crucial do professor em direcionar as práticas educativas estimuladas à percepção crítica reflexiva é preciso uma ressignificação da mídia televisiva no contexto escolar e que esta seja voltada aos interesses da sociedade como potencial transformador o papel dos educadores é o de preparar esse telespectador do futuro do indivíduo que reagirá criticamente àquilo que a mídia televisiva apresenta para umberto eco apocalípticos e integrados uma comunicação para se converter em experiência cultural exige postura crítica uma consciência clara das relações envolvidas no processo o que ocorre normalmente é que em vez de o espectador modificar seu gosto pelo programa há uma consciência política cultural que determina o tipo de espectador portanto a tv não deve ser uma forma de condicionamento mas uma fonte de informação que permita contextualizar conteúdos escolares tornando a formação do aluno ampla e integral preparando-o para os desafios futuros se o indivíduo é levado a assistir a televisão de forma consciente desde cedo e a buscar qualidade naquilo que vê pode-se pensar numa mudança da programação oferecida comente este artigo mediacao@colegiomedianeira.g12.br referências bibliográficas horta m.de l.p o que é educação patrimonial disponível em http www.tvebrasil.com br/salto/boletins2003/ep/pgm1.htm 2003 sítio eletrônico da coordenadoria de patrimônio cultural do paraná http www.patrimoniocultural.pr.gov.br adriana alves novais souza é graduada no curso normal superior pela universidade norte do paraná especialista em educação e gestão pela faculdade pio décimo graduanda em letras português e pós-graduanda em mídias na educação ambas pela universidade federal de sergipe daniele santana de melo é graduada em pedagogia mestranda em educação no núcleo de pós-graduação em educação da universidade federal de sergipe e pós-graduanda em mídias na educação também pela ufs fica a dica apocalípticos e integrados autor umberto eco editora perspectiva esta obra é uma leitura obrigatória para quem estuda a questão da cultura de massas na era tecnológica com sua enorme perspicácia crítica e domínio da pesquisa teórica e interpretativa umberto eco escreveu uma série de ensaios com este temário abordando-o particularmente em perspectiva estética daí resultou sob o nome de apocalípticos e integrados um livro que é um verdadeiro marco na exegese do fenômeno em tela tornando-se o seu título uma chave de uso corrente na definição dos dilemas desta nova cultura educação e emancipação autor theodor adorno editora paz e terra em `educação e emancipação theodor w adorno reafirma sua importância na discussão de temas em favor da cultura e contra a `falsa cultura contrariando a imagem de um pensador denso e de difícil acesso adorno reúne ensaios como `o que significa elaborar auschwitz e `elaborar o passado além de textos como `a filosofia e os professores e `tabus acerca do magistério `televisão e formação `educação contra a bárbarie entre outros 12 mediação

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artigo a importância da alfabetização matemática de um aluno para a vida escolar por janine taís weiss kern mediação 13 foto renata.santoniero qual a finalidade da educação e da alfabetização matemática nas séries iniciais este artigo discute o tema aliando-o à reflexão sobre a inclusão de crianças com deficiências intelectuais trazendo vivências práticas da vida dos alunos para uma melhor compreensão e entendimento do conteúdo estudado.

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esde os primeiros anos de vida todos os seres humanos estão ligados à matemática ela está presente em grande parte das atividades cotidianas como nas relações comerciais contas bancárias etc sabe-se também que grande parte das crianças mesmo que nasçam com algum tipo de deficiência convive em um mundo no qual o número tem importância e sentido em suas atividades sejam compras vendas troca de objetos com seus amigos e muitas vezes a simples contagem dos mesmos isso ocorre sem que o ensino formal seja adquirido mas de forma natural livre espontânea para uma criança com deficiência intelectual por exemplo essa relação com o meio em que vive é fundamental para um bom entendimento já que a deficiência intelectual tem como referência o baixo nível de abstração e a limitação da atividade intelectual que inclui as habilidades lógico-matemáticas nesse aprendizado natural que acontece antes de a criança chegar à escola ela desenvolve várias habilidades com relação aos números primeiramente aprende a dizer sua idade e a compará-la com a dos amigos e parentes É comum que os números sejam expressos pela criança com os dedos das mãos mais adiante começam a fazer pequenas somas e subtrações o que aumenta o grau de complexidade das operações por exemplo na coleção de figurinhas ou outros objetos assim como com qualquer outra criança esse conhecimento também ocorre em crianças com necessidades educacionais especiais talvez em tempos ou etapas diferentes pois as funções intelectuais ficam situadas abaixo dos padrões considerados normais para a sua idade já que a caracterização dos problemas ocorre no cérebro um exemplo da possibilidade de as crianças desenvolverem estas habilidades antes mesmo de chegarem à escola são os procedimentos desenvolvidos pelos meninos de rua que antes dos cinco e seis anos de idade realizam cálculos e resolvem problemas nas suas vidas diárias quando engraxam sapatos ou vendem objetos no sinal fazendo operações com dinheiro valor das notas e troco essas habilidades se desenvolvem a partir das práticas sociais nas quais o número está presente práticas essas que em certas classes sociais ­ ao contrário do que acontece com os meninos de rua ­ os pais proporcionam com jogos educativos e computadores que desenvolvem o raciocínio rápido e lógico das crianças ou até mesmo em situações corriqueiras como a troca de canais na televisão o reconhecimento de endereços e números de telefone das pessoas mais próximas à família e também em passeios e viagens com relação ao dia e às horas esses conhecimentos e habilidades cotidianas são corriqueiros para qualquer criança seja ela com ou sem necessidades especiais no momento em que a criança começa a frequentar a escola é que ela aprende a usar a linguagem matemática e a sistematizar o saber matemático adquirido antes do ingresso escolar passando a explorar os seus conhecimentos sobre o número para criar o seu domínio matemático pois sabemos que o simples recitar dos números e a distinção entre eles e outros conhecimentos adquiridos não garantem essa apropriação do saber matemático muitas vezes nem os exercícios e nem a manipulação de objetos ou seja formas tradicionais de ensinar matemática garantem o conhecimento acredito que o conhecimento matemático é constituído a partir de resolução de problemas e em um ambiente significativo para o aprendiz principalmente quando se trata de criança com deficiência intelectual em que a construção do conhecimento deve ser de forma clara e objetiva ela deve aprender a construir conceitos relacionar objetos e sujeitos pois a deficiência não é por si só responsável pelas limitações de sua aprendizagem para os alunos com diagnóstico de deficiência intelectual o professor deverá durante o processo de aprendizagem utilizar objeto concreto que contribua para que o aluno perceba a capacidade que tem de pensar e utilizar a inteligência de que dispõe para resolver uma situação-problema qualquer assim utiliza-se da linguagem como objeto principal da sua forma de desenvolvimento formação de conceitos e significados dos discursos utilizados pela própria criança a simples observação de classificações ou seriações prontas não é o suficiente para a criança cabe ao professor oportunizar 14 mediação

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desde a educação infantil várias situações que permitam ao aluno elaborar esses processos fazendo com que eles descubram com que eles pensem e reflitam assim como fazem em casa com seus jogos que adoram tanto infelizmente não é o que acontece a aplicação da matemática nas séries iniciais está deixando a desejar não valorizando o que o aluno sabe o que ele traz na sua bagagem quando chega à escola as crianças chegam à escola com inúmeras ideias e conceitos que a partir daí se tornarão objeto de seus estudos no entanto os professores não exploram e muitas vezes desconhecem o que se passa antes de a criança ser iniciada na matemática tornando o ensino ainda mais problemático quando se trata de uma criança com necessidades educacionais especiais normalmente o professor ensina a matemática principalmente nas séries iniciais não levando em consideração os passos dados pela criança antes da aprendizagem formal ou como se estivesse alfabetizando em outra língua devido ao fato de a matemática constituir uma forma específica e determinada de interpretar e observar a realidade que é diferente das linguagens naturais ­ como por exemplo a língua materna ­ as pessoas alheias à matemática ou que não gostam dela caracterizam-na como uma língua estrangeira ou algo pouco compreensível assim quando estão diante dos alunos tentam fazer uma tradução para essa linguagem natural nesses casos os alunos sofrem pois a professora não conversa com eles sobre o que estão fazendo nem sobre o significado do que está sendo escrito já que aprender matemática não é uma simples tradução para a linguagem própria de cada professor e sim aprender a observar a realidade matematicamente adentrando na lógica do pensamento e da linguagem matemática usando os seus significados e formas próprias chegando então ao verdadeiro sentido da alfabetização matemática que permitiria a todos circular e entrar nos domínios matemáticos como se estivéssemos em nossa própria casa e não num país estrangeiro gómez-granell apud teberosky e tolchinsky 1997 se a matemática for tratada de maneira abstrata sem sentido os alunos não se sentirão capazes de compreender a linguagem utilizada nas atividades apenas agem mecanicamente induzidos muitas vezes pela professora que também age de forma mecânica pois conduz os alunos a uma resposta já elaborada por ela não havendo espaço para eles desenvolverem sua compreensão e elaborarem suas ideias desse modo as atividades escolares não têm sentido para o aluno ela deixa de ser significativa ainda mais em se tratando de alunos com deficiência intelectual para os quais a abstração é praticamente inexistente não se dá portanto o envolvimento da criança com a matemática nem com a linguagem da professora o ato de pensar a matemática é muitas vezes um processo induzido pelo professor não criando possibilidades para que a compreensão e a interpretação mediação 15

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