Chicos - 36

 

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A e-zine literária de Cataguases MG

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chicos n 36 novembro 2012 e-zine de literatura e ideias de cataguases ­ mg capa um dedo de prosa esta é a edição número 36 de 10 de novembro de 2012 em 3 de agosto comemorou-se o centenário de nascimento de de gabriel franco sobre foto de vicente costa nelson rodrigues com atraso o homenageamos com a publicação de sua famosa crônica que se tornou definidora da subserviência de editores emerson teixeira cardoso josé antonio pereira um país ronaldo werneck apresenta-nos à grande poeta celina ferreira dante milano é um dos maiores poetas brasileiro não pode nem colaboradores desta edição antônio jaime antônio perin cunha de leiradella fernando aguiar leonardo campos marcelo benini ronaldo cagiano ronaldo brito roque ronaldo werneck rubens shirassu jr zeca junqueira deve ser esquecido eduardo dalter é o poeta argentino que compartilhamos com nossos leitores desta vez cunha de leiradella lá de portugal nos premia com mais uma ótima colaboração de sua rica e bela prosa exibimos a poesia visual da italiana carla bertola publicamos também uma fantástica entrevista de gary snyder ao escritor jornalista e professor rodrigo garcia lopes a edição está recheada de boa prosa e ótima poesia uma boa leitura para todos fale conosco em cataletras.chicos@gmail.com visite-nos em http chicoscataletras.blogspot.com 1

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sumário carla bertola poemas visuais de one two dante milano alguns poemas zeca junqueira dois poemas eduardo dalter destinos e outros poemas leonardo campos margasmo e mais dois poemas antÔnio perin dois poemas ronaldo werneck celina ferreira uma palestra que não houve emrson teixeira cardoso mocidade revisitada rubens shirassu jr a procura de uma dignidade ronaldo brito roque o original marcelo benini compendio da anatomia dos amores mortos josÉ antonio pereira uma frustrada sessão de cinema antÔnio jaime versos ascânicos cunha de leiradella memorial em tons azuis ronaldo cagiano marcelo benini um olhar sutil sobre o quotidiano nelson rodrigues complexo de vira-latas gary snyder preciso estar pronto para a poesia uma entrevista a rodrigo garcia lopes 03 06 12 14 19 24 30 32 36 43 46 48 55 59 62 64 66 2

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carla bertola nasceu e vive em turim itália desde 1960 ela contribui e participa de revistas e eventos de poesia já teve livros publicados na frança estados unidos e irlanda em 1968 fundou a revista offerta speciale mais tarde começou a produzir poesia visual e som na década de 80 começa a realizar como convidada diversos eventos na frança inglaterra bélgica sérvia letónia alemanha méxico cuba brasil e em várias cidades italianas 3

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poeta nascido no rio de janeiro em 16 de junho de 1899 de uma família de músicos de origem italiana servidor público aposentado morreu em petrópolis rj onde morou nos seus últimos tempos em 15 de abril de 1991 foi amigo e companheiro pelo tempo afora de manuel bandeira aníbal machado villa-lobos portinari celso antonio e jaime ovalle manuel bandeira o situa entre as cinco principais figuras do modernismo e dizia milano escreve muito só que não publica os poemas é o mais retraído de nossos grandes poetas como bem disse virgílio costa em uma edição que reunia sua poesia e prosa de 1979 só há poema se houver poeta e assim sua poesia não é antiga nem nova mas é a poesia do tempo presente 6

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mendigo meu corpo é um andrajo apoiado a um bordão em meio à estrada paro além o sol beija a montanha agradeço-te deus a esmola de mais um dia 7

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tercetos eu sou um rio a água fria de um rio profundo cabe em mim todo o vazio um reflexo me causa um calafrio sou uma pedra de cara escalavrada uma testa que pensa e sonda o nada uma face que sonha ensimesmada sou como o vento rápido e violento choro mas não se entende o meu lamento passo e esqueço meu próprio sofrimento sou a estrela que à noite se revela o farol que vê longe o olhar que vela o coração aceso a triste vela sou um homem culpado de ser homem corpo ardendo em desejos que o consomem alma feita de sonhos que se somem sou um poeta percebo o que é ser poeta ao ver na noite quieta a estrela inquieta significação grande mas secreta 8

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paragem só com os meus bois os meus bois mugem e comem o chão os meus bois parados chorando olhando o boi da minha solidão o boi da minha tristeza o boi do meu cansaço o boi da minha humilhação e esta calma esta canga esta obediência 9

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salmo perdido creio num deus moderno um deus sem piedade um deus moderno deus de guerra e não de paz deus dos que matam não dos que morrem dos vitoriosos não dos vencidos deus da glória profana e dos falsos profetas o mundo não é mais a paisagem antiga a paisagem sagrada cidades vertiginosas edifícios a pique torres pontes mastros luzes fios apitos sinais sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais as aves os montes as nuvens não nos reconhecem mais deus não nos reconhece mais 10

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o beco no beco escuro e noturno vem um gato rente ao muro os passos são de gatuno os olhos são de assassino esgueirando-se soturno ele me fita no escuro seus passos são de gatuno seus olhos são de assassino afasta-se taciturno espanta-o o meu vulto obscuro meus passos são de gatuno meus olhos são de assassino 11

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interior o relâmpago risca e o trovão ribomba tremendo a tarde na cidadezinha uma criança atende grita e bate lata a meia-distância a mãe ralha tem gente morta na capela seu excomungado pára com isso os mais velhos apavoram-se e preparam rezas e simpatias para enfrentar o tempo escurece corisca o relâmpago explode o trovão zune o vento a criança responde bate de novo a lata a tempestade desaba os mais velhos rezam a mãe em pânico grita tira a roupa do varal respeita os mortos entra na sombria capelinha da igreja o silêncio ensurdece na casa o menino ri e bate a lata a mãe zanga lá fora na tarde fechada que põe-se a clarear indiferente a tempestade ruge a sua sinfonia para os vivos e os mortos 12

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nascer e tombar seria bom deixar a vida sem nenhuma mágoa serenamente tombar como uma velha árvore que deu frutos e não durou mais que o tempo certo no lugar da consciência e da vaidosa sabedoria apenas folhas e galhos silenciosos e um derradeiro fruto talvez em derradeira dádiva no lugar do angustiado espírito a plenitude de antigas raízes morrendo sem arquejar num estrondo ­ não em revoada abandonando a terra sem ressentimentos muito mais para os homens pobres homens que para as árvores a vida é um inútil ato de nascer e tombar um melancólico e interminável outono de sonhos que caem como folhas mortas rolando esquecidas sobre as calçadas e ruas do tempo num tênue farfalhar uma folha caiu zeca junqueira cataguases -mg 13

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eduardo dalter nasceu em buenos aires argentina em 1947 em 1971 publicou seu primeiro livro de poesia tem participado ao longo do tempo com sua poesia em importantes publicações em seu país e na américa como revista crisis buenos aires a revista alero universidade de guatemala shantih revista nova york a revista national cultura caracas e da revista casa de las américas havana entre outras durante os anos da ditadura militar na argentina viveu no oriente e na cidade venezuelana de maracaibo onde em 1982 e publicou um de seus livros participou de palestras reuniões e leituras poéticas internacionais entre outras o ginsberg tribute no central park em nova york destinos tu destino te sorprenderá cada momento william blake desde qué orilla abrir cerrar los ojos desde cuál punto de qué orilla cada orilla cada punto de orilla adelanta en su cielo y horizonte una respuesta diferente 14

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