Alice no País das Maravilhas

 

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Classico da literatura de Lewis Carroll, que conta a aventura de uma menina ALice, através de um buraco a um mundo surreal, um livro cheio de fantasia.

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alice no paÍs das maravilhas

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lewis carroll alice no paÍs das maravilhas ilustrações peter newell tradução introdução e notas isabel de lorenzo tradução dos poemas nelson ascher apresentação francisco achcar 2.ª edição revista são paulo 2000

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título original alice s adventures in wonderland direção editorial capa e notas suplementares francisco achcar.

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Índice apresentaÇÃo 7 introduÇÃo 9 alice no paÍs das maravilhas capítulo 1 15 na toca do coelho 19 capítulo 2 o mar de lágrimas 28 capítulo 3 uma corrida eleitoral e o longo rabo de uma história 38 capítulo 4 o coelho dá um encargo a bill 48 capítulo 5 conselhos de uma lagarta 61 capítulo 6 porco e pimenta 73

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capítulo 7 um chá de loucos 86 capítulo 8 o campo de croquet da rainha 97 capítulo 9 a história da falsa tartaruga 111 capítulo 10 a quadrilha da lagosta 120 capítulo 11 quem roubou as tortas 132 capítulo 12 o depoimento de alice 142

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apresentaÇÃo francisco achcar alice no país das maravilhas não é ­ como pensam muitos ­ um livro para crianças por que então indicar sua leitura para quem não é mais criança a duquesa uma das personagens mais loucas deste livro louco diz a alice seja aquilo que você pareceria ser e logo passa a explicar a coisa de um modo mais simples nunca imagine que não ser diferente daquilo que pode parecer aos outros que você fosse ou pudesse ter sido não seja diferente daquilo que tendo sido poderia ter parecido a eles ser diferente o célebre gato de alice prova que é louco com uma curiosa demonstração lógica para começar disse o gato um cachorro não é louco concorda acho que sim respondeu alice bem prosseguiu o gato você vê um cão rosnar quando está bravo e abanar o rabo quando está feliz agora eu rosno quando estou feliz e balanço o rabo quando estou bravo logo sou louco as numerosas e divertidíssimas loucuras dos dois livros de alice este e através do espelho e o que alice encontrou lá implicam questões de lógica com uso freqüente do absurdo física antecipando em relação às dimensões de tempo e espaço o horizonte espantoso da ciência contemporânea e filosofia neste último caso estão o enigma da identidade pessoal tema que veio a se constituir num dos assuntos centrais da filosofia contemporânea controvérsias sobre ética portanto sobre valores associados ao nosso comportamento disputas sobre linguagem o problema do sentido das palavras que aparece na discussão com a duquesa é central na lingüísti7

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ca e na filosofia a relação corpo-mente uma das preocupações mais intrigantes da filosofia em todos os tempos etc diante disso não seria exagero afirmar que este foi considerado um livro para crianças porque discrepava muito dos padrões convencionais para poder ser pacificamente aceito pelo universo adulto de sua época depois isso deixou em parte de ser verdade porque as histórias de alice passaram a ser lidas tanto por crianças em adaptações pois para elas o livro é demasiado complexo quanto por pessoas mais velhas desde jovens em busca de diversão até especialistas em literatura ou filosofia cada um buscando o que corresponde a seu interesse e cada um vendo um lado real deste livro de muitos lados não obstante alice nunca deixou de ser o que sempre foi um livro de prazer para leitores de todas as idades uma experiência das mais surpreendentes e deliciosas que o mundo dos livros pode oferecer narrativa fluente e rica linguagem brilhante e simples diversão num ritmo de inteligência veloz não de burrice veloz como ocorre hoje em clips games e em muito da televisão e do cinema que uma obra assim pudesse ser lida até por crianças hoje parece um verdadeiro milagre e que sua leitura seja dever escolar é para um estudante que não se deixe levar por preconceitos a demonstração de que escola e prazer não precisam estar separados sobre as ilustrações optou-se pelas ilustrações do gravador americano peter newell 1862-1924 por serem bem menos conhecidas que as de john tenniel que acompanham a maior parte das edições da obra desde a primeira o trabalho de newell publicado em 1901 causou controvérsia pois não se concebiam as histórias de alice separadas das imagens já clássicas de seu primeiro ilustrador hoje podemos ter visões muito diversas do mundo mágico deste livro como demonstra o quadro utilizado na capa do artista alemão contemporâneo sigmar polke 8

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introduÇÃo isabel de lorenzo 1 vida e obra de lewis carroll em 27 de janeiro de 1832 na cidade de daresbury região de cheshire,1 inglaterra nasceu charles lutwidge dodgson,2 que mais tarde se tornaria escritor famoso com o pseudônimo de lewis carroll.3 filho de um pastor protestante homem culto e severo carroll estudou em renomados colégios religiosos e desde cedo se destacou como aluno brilhante revelando forte interesse por literatura e principalmente por matemática em 1854 formou-se em ciências matemáticas no christ church college,4 na universidade de oxford e já no ano seguinte foi aceito como professor daquela célebre instituição permanecendo nesse cargo até o fim da vida publicou com seu verdadeiro nome diversos livros e artigos sobre lógica e matemática com o pseudônimo de lewis carroll publicou livros infantis dos quais os mais conhecidos são alice no país das maravilhas 1865 e através do espelho e o que alice encontrou lá 1872 para crianças publicou ainda o extraordinário poema em oito cantos a caça ao snark 1876 o romance sylvie e bruno 1889 e sua seqüência conclusão de sylvie e bruno 1893 e também em 1889 uma 1 2 3 4 daresbury e cheshire pronúncias aproximadas dérsbcry e tchéchc onde o c indica uma vogal breve de timbre entre â e ê charles lutwidge dodgson pronúncia aproximada tchárlz lâtwcdj dódjscn lewis carroll pronúncia lúis kércl christ church college pronúncia aproximada kráist tchârch cóledj college aqui significa faculdade 9

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versão reduzida de alice para crianças pequeninas a timidez excessiva sempre foi o mais notável dos traços do caráter de carroll talvez por isso ele nunca se casou no entanto sempre manifestou grande afeição por meninas pequenas curiosamente ele não suportava meninos em companhia de suas amiguinhas carroll transformava-se inteiramente deixava de lado o acanhamento e revelava um temperamento amável e até mesmo descontraído em todas as suas viagens carregava consigo uma bolsa cheia de brinquedos e pequenas curiosidades para entreter as meninas com quem se encontrava além do enorme talento e interesse que demonstrava por lógica e literatura carroll desenvolveu também uma outra atividade artística ainda nova em seu tempo a fotografia especializou-se em retratar meninas chegando a ser considerado por muitos como um dos mais importantes fotógrafos do século xix a fotografia possibilitou-lhe também aproximar-se de muitas menininhas e travar pequenas amizades que por vezes chegaram a perdurar longos anos em 1855 seu primeiro ano como professor em oxford tornou-se amigo do novo decano da faculdade henry george liddell.5 no ano seguinte conheceu suas três filhas lorina charlotte alice pleasance e edith esse dia foi registrado em seu diário com particular entusiasmo num dia de verão de 1862 carroll e um seu amigo o reverendo duckworth fizeram um passeio de barco pelo rio tâmisa com as irmãs liddell alice sua preferida entre as três contava então dez anos de idade esse passeio marcou para sempre a vida do escritor foi ali com a mera intenção de divertir e agradar suas queridas crianças que lewis carroll inventou boa parte das aventuras de alice no país das maravilhas ele as inventava enquanto animadamente remava e as contava para as meninas para grande espanto do amigo que chegou a perguntar-lhe se ele já 5 liddell pronúncia aproximada lídl 10

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não tinha elaborado antes aquela narrativa extraordinária a pedido da própria alice carroll escreveu a história depois de muitas alterações e de submeter o manuscrito à apreciação de alguns amigos publicou o texto em 1865 só muito mais tarde veio a escrever através do espelho e as suas outras obras voltadas para o público infantil embora tenha lecionado até o final de sua vida carroll nunca chegou a fazer uma brilhante carreira como professor nem tampouco se dedicou à oratória eclesiástica que seria uma das possibilidades oferecidas por seu cargo em oxford porque se envergonhava profundamente de sua gaguez abandonou a fotografia em 1880 recusando-se a adotar inovações técnicas como o uso da película em vez da antiga chapa fotográfica nos últimos meses de vida charles dodgson passou a repudiar tudo o que dizia respeito a lewis carroll recusando-se até mesmo a receber as cartas endereçadas a este nome morreu em 1898 em conseqüência de uma bronquite 2 alice no país das maravilhas nas aventuras de alice no país das maravilhas duas são as características mais notáveis a presença do maravilhoso e principalmente do nonsense.6 o elemento maravilhoso em uma narrativa é aquilo que irrompe subitamente no mundo real negando ou contradizendo suas regras é algo mágico ou absurdo que de repente se manifesta em meio ao universo cotidiano trata-se de uma característica que na verdade remonta aos contos de fadas mas nesses contos o elemento mágico surge somente em determinadas situações como aquelas em que uma fada com sua varinha de condão intervém para realizar um sonho ou desejo impossível já nos livros de alice o maravilhoso penetra na vida cotidiana e a transforma em algo estranho num mundo 6 nonsense pronúncia nónsens sem-sentido absurdo 11

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inteiramente imaginário e desconhecido o maravilhoso desponta logo no início do primeiro capítulo quando alice entra na toca do coelho a partir desse momento toda a narrativa vai transcorrer num plano mágico até o retorno para o plano da realidade no capítulo final o nonsense é um elemento típico da literatura inglesa do século xix e foi lewis carroll quem mais inventivamente o utilizou caracterizado pelo emprego do absurdo o nonsense é uma forma literária que por meio da subversão da linguagem revela diversos níveis de crítica crítica às normas naturais que regem nossa vida crítica à sociedade conservadora e moralista daquela época crítica da própria linguagem são manifestações do nonsense as brincadeiras com a lógica a exploração dos vários sentidos das palavras as situações absurdas a impressão de um mundo de pernas para o ar outra característica de alice a ser levada em conta é a presença de poesia em meio à narrativa o poema de abertura do livro diz respeito evidentemente ao célebre passeio de barco que o autor fez em 1862 com as irmãs liddell e não se relaciona com a narrativa propriamente dita tendo antes a função de dedicatória do livro à menina alice já os poemas que apresentam relação articulada com a narrativa são de dois tipos um é a paródia isto é a imitação distorcida e cômica de poemas e cantigas tradicionais inglesas que naquele tempo eram bem conhecidos de todos e portanto deviam provocar riso imediato são exemplos deste tipo olha o pequeno crocodilo cap.2 estás velho pai william cap 5 a cantiga de ninar da duquesa cap 6 a quadrilha da lagosta cap 10 o preguiçoso falou cap 10 a sopa de tartaruga cap.10 ainda hoje compreendidos no contexto da narrativa esses poemas são engraçados mesmo para um leitor que já não conheça os versos originais a que se referem satiricamente o outro poema que aparece em alice o da cauda do rato cap 3 é um tipo de poesia especial muito raro embora exista desde a antigüidade É um poema figurado ou em forma de 12

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coisa em que os versos são organizados para compor figuras neste exemplo notável carroll utiliza o tamanho das letras cada vez menores e a disposição inusitada das linhas no espaço da página para produzir a figura do rabo de um rato 3 fortuna de alice ao contrário de muitos livros que inicialmente foram concebidos como literatura para adultos e que somente depois passaram a ser considerados como literatura infantil exemplos robinson crusoe de daniel defoe e as viagens de gulliver de jonathan swift alice no país das maravilhas foi desde sempre imaginado como texto para ser lido por crianças mas curiosamente sofreu um caminho inverso passando com o tempo a ser considerado um texto para adultos que chegava até as crianças apenas em versões adaptadas ou simplificadas perdendo muito da sutileza e graça originais desde sua primeira edição na inglaterra alice foi um grande sucesso estima-se que tenha vendido até a morte do autor cem mil cópias um número estrondoso tanto na época como hoje desde então alice já teve inúmeras edições em inglês e foi traduzido em dezenas de línguas inclusive em chinês e em alguns dialetos africanos muito contribuíram para a difusão mundial de alice o desenho animado de walt disney 1951 e o filme para televisão dirigido por jonathan miller 1966 e interpretado pelos ótimos atores ingleses john gielgud e peter sellers no brasil a história de alice tornou-se conhecida entre as crianças graças à adaptação feita por monteiro lobato 18821948 interessante do ponto de vista da ampla divulgação do texto propiciada pelo renome de lobato porém empobrecedora da rica linguagem de carroll com soluções muitas vezes simplórias merece destaque a cuidadosa tradução efetuada por sebastião uchoa leite são paulo fontana/summus 1977 pioneira na proposta de recriação não só da fábula ou seja a 13

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seqüência narrativa das aventuras mas também dos complexos jogos de linguagem que constituem o principal sabor deste livro É de salientar que em alguns dos poemas constantes do texto uchoa leite utilizou brilhantes traduções de augusto de campos a presente tradução apesar de destinada a um público jovem recusa a diferenciação entre um texto para crianças e um texto para adultos e pretende oferecer leitura agradável para todos aqueles que desejem conhecer acompanhar e divertir-se com as aventuras de alice mais uma vez recriadas na medida do possível em português os poemas que permeiam o texto com a exceção de dois sopa de tartaruga e a rainha de copas assou umas tortas foram traduzidos especialmente por nelson ascher 14

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alice no paÍs das maravilhas

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