O PENITENCIARISTA- edição SETEMBRO/OUTUBRO

 

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no dia 24 de setembro no auditório da sede ii da secretaria da administração penitenciária sap foi realizada a abertura da exposição histórica o trabalho como meio de reintegração do preso à sociedade organizada pela secretaria por meio do museu penitenciário paulista mpp da fundação prof dr manoel pedro pimentel-funap e da coordenadoria de reintegração social e cidadania crsc integraram a mesa de abertura os secretários de estado da administração penitenciária lourival gomes e da justiça eloisa de sousa arruda o presidente e a diretora executiva da funap arthur alegretti joly e lúcia maria casali de oliveira respectivamente o diretor do museu penitenciário paulista sidney soares de oliveira e o coordenador de reintegração social e cidadania mauro rogério bitencourt na cerimônia o diretor do museu penitenciário citou que as coleções que compõem o acervo do mpp levam à compreensão de uma estética que reflete a cultura prisional e ajudam a pensar sobre a aplicação da pena e do cerceamento da liberdade nosso acervo nos dá pistas de que a solução para o crescimento no índice do aprisionamento está na educação nesse ponto encaixam-se também as ações para a profissionalização de pessoas em situação de aprisionamento essa exposição que hoje inauguramos apresenta situações imagens e casos sobre o trabalho como uma ferramenta para inserção social e alternativas profissionais para o egresso o secretário lourival gomes afirmou em sua fala os números revelam que mais da metade dos homens e mulheres presos e condenados no estado de são paulo trabalham nosso objetivo é que todos sejam alcançados já que o trabalho é parte essencial no processo de ressocialização o penitenciarista · 1

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trabalhei na casa de detenção profº flamínio favero por cinco anos na assessoria do diretor luizão lá conheci um preso incomparável lupa mala nego lupércio estes eram alguns de seus apelidos figura de boa índole contava ele que tinha mais ou menos 60 anos de idade não tinha família era sua décima quinta entrada na casa de detenção e pasmem todas por tráfico de drogas durante o período em que lá estive lupa foi e voltou três vezes e curioso todas as vezes que saía em liberdade já no portão de saída virava-se para o interior da unidade e dizia com sua voz rouca não fiquem tristes volto logo e voltava era comum nego lupa juntar uma roda de funcionários e contar suas histórias contava ele nos tempos de juventude ter sido massagista de times grandes o que sempre acreditei tal seu conhecimento a respeito era o massagista da seleção da casa sempre rindo para ele não havia tristeza contava também ter sido lutador de box e olha levava jeito dentre suas histórias algumas eram fruto de sua imaginação conto a que mais me marcou numa de minhas saídas em liberdade contou ele estava sem dinheiro e procurei logo um conhecido meu que mexia com entorpecente e claro consegui uma quantidade de fumo para enrolar uns parangos e arrumar uma nota tudo em consignação peguei a mercadoria e lá fui para a pensão onde morava ali na tiradentes onde eu já era conhecido da dona peguei uns cigarros e o resto escondi na cama de um bobo que também dormia no local se rodasse ele sim ia em cana saí dando umas voltas até chegar na práça princesa isabel eu já estava ligadão e procurava um lugar para esconder os pacau mas parecia que todo mundo estava de olho em mim até que passou por mim uns otários que queriam comprar mandei os tontos irem andando na frente e fui atrás para servi-los sempre esperto pois não podia marcar bobeira foi quando de repente me vi encurralado por dois soldados a cavalo que ficaram me cheirando caguetando que a droga estava na cueca cana dura não teve acerto tentei fazer a cabeça dos policiais chorei na nossa mas não tive oportunidade vamos nessa e me grampearam oh oh oh lá ia eu de volta para a casa da banha cheguei no bondão maior recepção tinha até banda os malandros não são brinquedo uns tremendo chico anysio em setembro de 2012 a penitenciária de pacaembu completou quatorze anos de funcionamento localizada às margens da rodovia comandante joão ribeiro de barros sp-294 com capacidade para abrigar aproximadamente 792 presos foi inaugurada oficialmente em 29 de setembro de 1998 em 2012 a penitenciária passou a denominar-se penitenciária ozias lúcio dos santos de paca embu atualmente conta com 595 presos trabalhando internamente e 178 estudando 04 bibliotecas uma em cada pavilhão habitacional com aproximadamente 1.000 títulos disponíveis além disso foi implantado um projeto para plantação de 10 espécies de árvores frutíferas somando 72 plantas visando a suplementação da alimentação de presos e funcionários imagens da inauguração e 2 · o penitenciarista

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seu guilherme contou não ouvi os cavalos fazendo barulho então olhei nos pés deles calçavam tênis montreal essa é mais uma das histórias da casa de detenção esse tipo de preso não existe mais lamentavelmente nego lupércio terminou seus dias em liberdade morando de favor em um box de visita na casa de detenção hoje deve estar sorrindo no céu na tese de mestrado da historiadora angela artur a pesquisadora esclarece que o presídio de mulheres de são paulo foi a primeira instituição prisional orientada pelo código penal de 1940 que exigia que mulheres cumprissem sua pena em estabelecimentos penais próprios segundo ela embora o encarceramento de mulheres em seções separadas dos homens fosse prática recorrente até o ano de 1940 não havia qualquer diretriz legal que a exigisse ou regulamentasse sendo assim diferentemente da versão adotada na edição n° 8 de o penitenciarista o primeiro presídio específico para mulheres no brasil pode ter sido o presídio de mulheres de são paulo dartmoor prison museum esse museu conta a história de um dos presídios mais famosos da inglaterra dartmoor prison com uma interessante coleção de artefatos que oferecem uma perspectiva sobre a vida na prisão do passado e do presente em dartmoor se desenvolveu um dos sistemas prisionais mais bem sucedidos e respeitados em uma história fascinante o museu expõe a vanguarda da prática penal moderna que busca proteger a sociedade desenvolvendo formas de ajudar criminosos a mudar suas vidas lupÉrcio site www.dartmoor-prison.co.uk do trabalho dos presos o penitenciarista · 3

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as desigualdades sociais presentes em todas as sociedades modernas criam em seus núcleos mais esquecidos pelo poder público e pela sociedade mais criminosos do que os já superlotados sistemas penitenciários podem absorver esse é um fenômeno mundial com a catalogação do acervo histórico do sistema penitenciário que vem em curso e com a nova sede do museu penitenciário paulista que deverá ser inaugurada no primeiro semestre de 2013 a administração penitenciária passou a dispor de um olhar histórico permitindo análises comparações e reflexões esse olhar privilegiado da execução da pena nos permite entender que vivemos um momento de grandes desafios um dos maiores é o de tentar encontrar soluções para a super população do sistema penitenciário vários especialistas e estudiosos da área acreditam numa ação em duas frentes a primeira com a aplicação mais efetiva das penas restritivas de direito em especial às alternativas à prisão mas isso implica num trabalho árduo de convencimento junto ao poder judiciário que desde 1994 passou a considerar essa possibilidade em face da introdução desse tipo de pena no atual código penal a segunda que consiste na recuperação e ressocialização do apenado essa é muito mais complicada pois envolve dar um voto de confiança para quem já pagou à sociedade por seu delito digo ser mais complicada também por envolver um juízo de valores da sociedade que é extremamente subjetivo e que por falta de conhecimento das ações desenvolvidas seja pelo governo seja por demais entidades com finalidade social que atuam no sistema penitenciário ou ainda por puro desinteresse é previamente desacreditada enfim reduzir a população carcerária priorizando a reeducação dos presos são medidas a ser alcançadas com urgência e a atual administração está no caminho certo cláudio tucci junior 38 advogado é mestre em filosofia do direito especialista em políticas públicas e gestão governamental titulo a dona das chaves gênero biografia memória pÁginas 266 ano 2010 editora record o livro conta as memórias de julita lemgruber na época em que esteve à frente do sistema penitenciário do estado do rio de janeiro a socióloga relata a participação em diversas situações importantes e perigosas filme deus e o diabo em cima da muralha duração 54 minutos genero drama estréia 2006 diretores tocha alves e daniel lieff imagine uma prisão com cerca de 10 mil detentos muitos deles perigosos e reincidentes para controlá-los apenas alguns funcionários desarmados que vivem como quase-presos numa rotina de tensão mas também de humor e emoção o documentário mostra como funcionava o presídio sob a ética desses funcionários que detinham as chaves e o delicado equilíbrio das relações com os detentos sidney soares de oliveira edson galdino designer gisele ribeiro guimarães colaboradores guilherme silveira rodrigues rosa alice taschetti ricci claudio tucci junior eric de moura alves fotos exposição luiz carlos berbare de souza josé victor da cunha gerson jeronimo programa de difusÃo cultural o penitenciarista foi para mim muito valiosa a gravação para o projeto de memória oral do sistema penitenciário paulista louvável importante e altamente significativa a ideia da colheita de dados a serem utilizados numa peça única sobre as atividades desenvolvidas pelo sistema penitenciário vivenciado por antigos servidores propiciando melhor entendimento dos visitantes na apreciação das peças que irão compor a nova sede do museu na minha manifestação procurei vencer as dificuldades de abordagem aberta de um tema que implica grande variedade de conhecimentos doutrinários e empíricos referentes ao desempenho da administração penitenciária dando sequência lógica apresentação discussão ­ e conclusão embora de forma genérica e superficial própria de um mero pronunciamento no caso específico da minha abordagem entendo que ela pode ser comentada discutida analisada etc luiz carlos berbare de souza ex diretor de estabelecimentos penais acompanhe-nos participe envie-nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição de o penitenciarista mande sua opinião para o informativo museupenitenciário@sap.sp.gov.br visite nosso blog www.museupenitenciario.blogspot.com.br 4 · o penitenciarista

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