A nova comunicação: fenômenos emergentes da cultura mediática

 

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Este livro discute as práticas comunicacionais da atualidade, a partir da emergências das novas tecnologias de comunicação.

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centro universitário adventista de são paulo fundado em 1915 www.unasp.edu.br missão educar no contexto dos valores bíblico-cristãos para o viver pleno e a excelência no servir visão ser um centro universitário reconhecido através da excelência dos serviços prestados dos seus elevados padrões éticos e da qualidade pessoal e proissional de seus egressos administração da entidade mantenedora ucb presidente domingos josé de souza secretário udolcy zukowski tesoureiro Élnio Álvares de freitas reitor euler pereira bahia pró-reitora de pós-graduação pesquisa,extensão e ead tânia denise kuntz pró-reitora de graduação sílvia cristina de oliveira quadros pró-reitor administrativo Élnio Álvares de freitas secretário geral marcelo franca alves diretor geral josé paulo martini diretor acadêmico afonso ligório cardoso diretor geral hélio carnassale diretor acadêmico ilson tercio caetano diretor emilson dos reis coordenador acadêmico ozeas caldas moura diretor geral euler pereira bahia diretora acadêmica elna cress administração geral do unasp campus eng coelho campus são paulo faculdade de teologia faculdade adventista de hortolândia imprensa universitária adventista editor renato groger editor associado rodrigo follis conselho editorial josé paulo martini afonso cardoso elizeu de sousa emilson dos reis wilson paroschi amin a rodor a unaspress está sediada no unasp campus engenheiro coelho sp .

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2012 1ª edição imprensa universitária adventista

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a nova comunicação fenômenos emergentes da cultura mediática imprensa universitária adventista caixa postal 11 unasp engenheiro coelho-sp 13.165-000 19 3858-9055 www.unaspress.unasp.edu.br coordenação editorial martin kuhn editoração tales tomaz revisão jaqueline herodek rodrigo follis normatização giulia pradela programação visual flávio luís diagramação pedro vanença capa tales tomaz marcio trindade 1ª edição 2012 tiragem sob demanda todos os direitos em língua portuguesa reservados para a unaspress proibida a reprodução por quaisquer meios salvo em breves citações com indicação da fonte dados internacionais da catalogação na publicação cip câmara brasileira do livro sp brasil a nova comunicação fenômenos emergentes da cultura mediática tales tomaz org 1 ed engenheiro coelho sp unaspress imprensa universitária adventista 2012 isbn 978-85-89504-41-6 bibliograia 1 cibercultura 2 comunicação de massa 3 comunicação e cultura 4 comunicação e tecnologia 5 indústria cultural 6 meios de comunicação 7 mídia i tomaz tales 12-05047 Índices para catálogo sistemático 1 meios de comunicação e tecnologia comunicação e cultura 302.23 2 tecnologias digitais e meios de comunicação comunicação e cultura 302.23 cdd-302.23

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sumário introdução 7 tales tomaz parte i 19 indústria cultural musculação e big brother 21 lucas rocha análise das capas da revista nova 37 ellen miranda corpo como mercadoria 49 fabíola ferreira da publicidade moderna à pós-moderna 61 otávia scharlack publicidade infantil 77 jéssica guidolin a liquidez dos relacionamentos no filme amor sem escalas 91 vanessa moraes mídia como arena de lutas 105 deborah calixto

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parte ii 119 pós-moderno indústria cultural e cibercultura em wall-e 121 ketlin brito produção jornalística desenfreada 137 willian vieira ritmo da vida humana 151 liana feitosa ferreira relações mediadas 165 autores 185

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introdução notas sobre a nova comunicação tales tomaz a palavra comunicação está na ordem do dia tudo parece comunicar neste século 21 não por acaso emergem também perspectivas que airmam o contrário a saber que é justamente na época em que a humanidade mais parece comunicar que a comunicação rareia escapa se faz ausente de um lado ou de outro o que não se nega é a importância da tecnologia mediática na contemporaneidade e isso e não a comunicação interpessoal presencial sem recursos tecnológicos é que queiramos ou não se tornou conhecido como comunicação como um tema praticamente inexistente na academia e no senso comum há dois séculos foi alçado a tamanha importância a explicação certamente passa pela sua íntima relação com a proliferação das máquinas de produzir e reproduzir signos os meios de comunicação tem que ver com os media e portanto com tecnologia desde que o rádio e a tv adquiriram proeminência histórica a cultura pensada no sentido lato do termo se vê fortemente marcada pela informação pela imagem pelo tempo real a ponto de não ser nenhum equívoco nomeá-la como cultura mediática o ápice do desenvolvimento

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a nova comunicação tecnológico é portanto a constituição da cultura mediática como padrão da vida humana isso não signiica dizer obviamente que a técnica moderna está determinando o processo mas signiica admitir que é impossível pensar o lugar da comunicação no mundo contemporâneo sem recorrer à história recente da tecnologia e com os seus desdobramentos ulteriores culminando nas tecnologias digitais já se pode vislumbrar um aprofundamento da cultura mediática cujas características ainda não foram completamente dissecadas parte da teoria social propõe inclusive a existência de uma nova cultura que abrangeria a mediática mas iria muito além do alcance desta articulando práticas e processos cotidianos em praticamente todas as áreas da vida humana outrora tão díspares como política economia cultura educação saúde e lazer se mesmo tal diferenciação em áreas parece hoje temerária não é por outra razão senão a confusão epocal operada justamente pela prevalência de um novo eixo civilizatório que a todas elas perpassa e modula a rede informática essa fase de aprofundamento da cultura mediática convencionou-se chamar de cibercultura isto é uma cultura marcada pelas tecnologias digitais falar em cibercultura não é reduzir tudo o que existe à técnica moderna e aos seus desdobramentos mais recentes a informática e a rede o real é muito mais complexo do que isso encontros presenciais continuam acontecendo apesar dos chats e messengers a sala de aula está mais cheia do que nunca embora a educação à distância já seja realidade jornal revista tv e rádio sentem o baque da concorrência da web e via de regra perdem audiência no mundo desenvolvido contudo até agora não deixaram de existir como apregoavam os profetas da icção cientíica e esse futuro iminente não parece tão próximo assim apontar hoje o im do jornal e da tv é puro ato de fé jornalismo publicidade editoração de livros e outras práticas comunicacionais tradicionais certamente têm sido repensadas no novo contexto mas continuam subsistindo e em seus melhores momentos têm cumprido a inalidade social que sempre lhes coube em suma a comunicação está em muitos lugares para além do ciberespaço locus privilegiado da cibercultura ao mesmo tempo nomear a época dessa forma signiica reconhecer que o cotidiano está entremeado desses gadgets tecnológicos tendo passado por mutações que permitem dizer que está em voga uma nova 8

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introdução cultura de fato há muita coisa para além do ciberespaço mas este já se tornou o próprio referencial segundo o qual as coisas de fora são comparadas veja-se este exemplo por que existe tal coisa como o chamado encontro presencial porque existe o seu contrário fala-se no presencial porque sabe-se bem que há outras formas de encontro se é verdade que o encontro presencial é tão antigo quanto a existência humana não se pode dizer o mesmo do fenômeno percebido enquanto tal como fenômeno o encontro presencial é recente porque somente com a aparição do encontro não presencial na era da técnica moderna e da comunicação à distância em tempo real aquele se tornou objeto da percepção e passou de fato a existir raciocínio ensinado pela tradição fenomenológica semelhantemente ainda que a comunicação televisiva fosse rigorosamente a mesma de quarenta anos atrás já seria outra coisa porque no âmbito da percepção convive com outros fenômenos especialmente com a rede informatizada como exemplo prático dessa questão basta lembrar que o que se espera da tv mudou radicalmente nos últimos anos e mudou não em função de a tv repentinamente ter tomado rumos inesperados mas porque a percepção do seu público mudou em virtude da recente presença no campo dos entes existentes de um fenômeno tal como a interatividade É por isso que não há nenhum reducionismo no campo da comunicação quando se reconhece que a cultura contemporânea é predominantemente a das tecnologias digitais se compreendido como época o conceito de cibercultura abrange outras manifestações comunicacionais mas ao mesmo tempo se constitui em um antídoto contra a ideia de que o que há com a internet é apenas o advento de mais uma mídia ele aponta corretamente para a centralidade da informática e da rede na civilização contemporânea assim sendo práticas de comunicação mediática de outrora continuam existindo ao passo que simultaneamente já são novos fenômenos a partir das mudanças socioculturais e tecnológicas que tingiram a história nas últimas décadas daí que discutir a nova comunicação não implica apenas o ciberespaço e práticas circunscritas a essa espacialidade a nova comunicação é sim a velha comunicação que de companhia das novidades decorrentes das mutações tecnoculturais se traduz em algo diferente em novo fenômeno a nova comunicação é 9

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a nova comunicação o velho jornalismo que uma vez vivenciado em meio à sensibilidade pós-moderna e à hiperaceleração tecnológica do cotidiano ganha sentido inédito se houver nele algum sentido a nova comunicação é o velho cinema que concorrendo com o cinema de um minuto na tela de cada gadget individualizado se reinventa e ao mesmo tempo de tão sensível que é às tendências socioculturais constitui excelente índice da matéria-prima do imaginário coletivo atual as revistas femininas e o apelo para a modelização do que é ser mulher mas também suas correspondentes do lado masculino são ainda exemplos da nova comunicação neste mundo em que a visibilidade mediática é desejo mais ardente do que nunca melancolia do único típica da sociabilidade on-line trivinho 2010 tudo parece se reduzir à questão agônica de se fazer visível para o outro nessa cena competitiva e sem referenciais os modelos oferecidos pelas revistas com fórmulas renovadas periodicamente caem quase que como luvas e a nova comunicação inclui claro processos especíicos do ciberespaço como as redes sociovirtuais o banco eletrônico o noticiário permanente a publicidade pop-up o livro digital entre outros nele ciberespaço se manifestam mais decididamente as tendências que regem o contemporâneo e impactam os demais fazeres do dia a dia na sociabilidade on-line ica explícita a melancolia do único trivinho 2010 e a autopromoção semiótica individualizada tomaz 2010b nos altos e baixos das bolsas de valores funcionando em tempo real aparece a violência da velocidade mediática típica da cibercultura tomaz 2011a trivinho 2007 na silenciosamente imposta difusão urbi et orbi do acesso que se traduz para a maioria em mero operar a rede canalizado para o que até o conhecido apologeta desse novo mundo pierre lévy 1999 p 30 ridiculariza como sendo bobagem coletiva rumores conformismo em rede ou em comunidades virtuais acúmulo de dados sem qualquer informação `televisão interativa ica claro que a inclusão digital é antes fenômeno de reforço de poder das elites ciberculturais cazeloto 2008 até mesmo características tipicamente relacionadas à cultura pós-moderna parecem antecipar tendências cuja essência é cibercultural numa temporalidade que lembra a relação entre física moderna e técnica moderna no aclamado ensaio a questão da técnica 2007 do ilósofo martin heidegger É o caso 10

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introdução por exemplo da fragmentação e da dispersão falta de sentido pós-modernas harvey 2009 que não surpreenderia se tivessem vindo à tona apenas com a caótica web e o eterno navegar do usuário que liga a máquina com um objetivo e após duas horas de cliques ininterruptos não se lembra da razão pela qual havia se conectado e sai frustrado a nova comunicação é portanto esse cenário em que práticas novas e antigas convivem caoticamente regidas pela lógica de mercado e todas elas constituem fenômenos emergentes o centro pulsante é sem dúvida a rede informática o ápice do desenvolvimento tecnológico crítica uma questão de método fica a questão sobre as lentes a serem usadas para a leitura dos fenômenos citados reclamar objetividade e imparcialidade após um século 20 que deitou por terra de forma arrasadora tais mitos seria apenas prova de ingenuidade e não ajudaria em nada toda consciência é consciência de alguma coisa para retomar o postulado clássico da fenomenologia de forma que o objeto só existe em cumplicidade com o próprio pensar e com o sujeito que o pensa é no ato do pensar sempre ligado a um sujeito que o objeto passa de fato a existir como um fenômeno ferreira 1970 esse é só mais um argumento contra a ilusão da objetividade e também não há aqui margem para justiicar no âmbito da fenomenologia existencial a celebração inescrupulosa do presente como se a cumplicidade do objeto com o pensar implicasse abraço tácito às tendências majoritárias da existência aos fenômenos conforme se apresentam na verdade é justamente o contrário que se põe aí saber que a consciência é sempre consciência de algo permite saber-se diferente distinto desse algo ao invés da colagem perpétua aos objetos a que os animais estão submetidos assim sabe-se que não se é o algo apenas quando há certa negação quando se pode pôr esse algo à distância perspectivá-lo enfrentá-lo que é justamente o que faz do humano um ente livre ferreira 1970 p 18 a liberdade está nesse saber-se diferente do objeto o que implica certo distanciamento subjetivo em outras palavras crítica a priori especialmente no âmbito da técnica moderna somente tal postura permite uma livre relação para com o real para além tanto da mera recusa quanto da simplória adesão ao universo tecnológico vigente heidegger 11

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a nova comunicação 2007 nessa linha de pensamento seguindo heidegger de perto chamar a tecnologia e mais especiicamente a rede informatizada de meio ou instrumento concepção antropológica da técnica é fechar uma porta para a liberdade correta que seja à primeira vista tal acepção não capta o verdadeiro isso só se obtém se se questiona a essência da técnica aquilo que de fato a domina e que se oculta a cada vez que a técnica é compreendida como mero instrumento assim não se pode aceitar a via celebratória de que a tecnologia veio para facilitar a vida ou a via da suposta neutralidade segundo a qual a técnica está nas nossas mãos e fazemos dela o que bem entender essas são as vias pelas quais a própria técnica moderna se apresenta e portanto aquilo que ica apenas no âmbito do correto sem contudo adentrar no âmbito do verdadeiro.1 ficar com a forma como ela se apresenta é o mesmo que permanecer colado ao objeto da consciência É preciso distanciar-se do objeto perspectivá-lo cercá-lo de negação É preciso ter olhar menos entregue em relação à época É por isso que levando-se em conta tais fundamentos teóricos a via escolhida não pode ser outra não ser a da crítica a priori somente com as lentes da crítica às tendências majoritárias do presente pode-se caminhar em direção à liberdade a uma consciência que se sabe distinta do objeto que visa de outro modo seguindo o luxo natural vive-se como o animal que não se sabe posto que está permanentemente colado ao objeto da consciência seria o mesmo que saudar o desenvolvimento tecnológico como segunda natureza relegando-o a invisibilidade inédita típica da natureza o peixe é o último a saber da existência da água exatamente quando se está mais envolto em tecnologia na fase comunicacional a nova comunicação como visto acima não é ruptura em relação ao desenvolvimento tecnológico antes é aprofundamento deste seu ápice quando se converte na própria cultura e paradoxalmente em segunda natureza a condição naturalizada da técnica moderna somente aumenta a urgência de uma relexão que parta da desconiança e da suspeita em relação ao presente mais do que nunca se faz necessário o distanciamento crítico a desnaturalização do objeto 1 12 não há espaço aqui para aprofundar o raciocínio de heidegger ainda mais no que tange à questão da verdade o correto não é necessariamente verdadeiro diz ele para tanto recomenda-se o estudo do texto do próprio autor a questão da técnica 2007

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introdução criticar a época não é dizer que o mundo pré-tecnológico era melhor ou desejável nem defender novas formas de reclusão monástica para escapar da cultura vigente a crítica a um princípio não endossa seu contrário assumir uma perspectiva crítica é buscar aquilo que a época oculta sem dizê-lo é fazer dissipar o véu de ilusões que cada cultura no caso especíico a cultura mediática em sua forma avançada ou se se quiser a cibercultura estende por detrás do palco onde a peça se desenrola a crítica não pode depender também de novas metanarrativas ou teleologias como se para recusar as falácias de uma determinada cultura se izesse necessário apresentar uma alternativa um novo telos essa é uma tentação quase irresistível contra a tentação vale rememorar a história já icou bastante claro ao longo do século 20 aonde as ideologias à direita e à esquerda conduziram a humanidade ao mesmo tempo a dissolução do pensamento teleológico não é o im dos problemas não é o im da história como o querem alguns novas armadilhas se abrem novas ilusões se apresentam e aí está um campo fecundo para a pesquisa crítica em comunicação portanto com base em tal arcabouço conceitual se se pode sugerir um lado a ser tomado no campo da luta teórica propõe-se aqui a crítica 13 processo de composição e estrutura da obra os apontamentos teórico-conceituais acima são os norteadores desta obra como um todo são temáticas estudadas pelos membros do grupo de estudos em cibercultura e comunicação geccom sediado no centro universitário adventista de são paulo unasp as discussões intelectuais travadas nesse contexto deram a oportunidade de os autores amadurecerem sua compreensão sobre as teorias do contemporâneo e se reletiram na concepção de diversos artigos que foram apresentados ao debate público em congressos e seminários e aprimorados constituem esta obra.2 eles foram quase todos os capítulos tiveram ao menos uma exposição pública prévia muitos deles inclusive foram apresentados em congressos regionais e nacionais da intercom sociedade brasileira de estudos interdisciplinares da comunicação o intercâmbio de ideias e perspectivas possível graças à pluralidade e à diversidade promovidas nesses congressos permitiu aos pesquisadores o reinamento das concepções desenvolvidas esta obra surge portanto como a oportunidade de reapresentar ao público as respectivas pesquisas mas agora em estágio mais avançado 2

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