Revista Figuras&Negócios #130

 

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Revista Figuras&Negócios #130

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carta do editor n sumário editorial página aberta leitores ponto de ordem figuras do mês figuras de cá país dossier mundo real cultura reportagem economia e negócios em directo desporto África mundo conjuntura moda beleza tecnologia vida social figuras de lá recado social capa bruno senna 05 08 14 17 18 22 26 30 45 46 52 58 67 68 74 78 84 88 90 96 100 104 esta edição damos ainda ênfase ao processo eleitoral realizado em angola no dia 31 de agosto sendo agora o motivo de destaque o empossamento do presidente da república josé eduardo dos santos e o seu vice-presidente manuel vicente igualmente é referência a tomada de posse dos deputados eleitos para o novo parlamento que terá como presidente fernando da piedade dias dos santos indicado pelo mpla outras matérias merecem abordagem nesta edição notadamente uma reportagem sobre a educação e ensino no país com especial incidência ao primeiro nível de ensino onde se começa a forjar a consciência do homem para o desenvolvimento do país de forma sustentada a educação e ensino têm de merecer uma atenção especial das autoridades governamentais mormente no saber gizar políticas que possam permitir uma abrangência a todos para o ensino não se descurando a componente formação sobretudo dos professores de forma que a quantidade de infraestruturas a erguer possam ser sempre sustentadas por uma boa qualidade do ensino ministrado e consequentemente a elevação acentuada do nível de aprendizagem dos alunos como habitualmente fazemos incursão a assuntos de indole económica social e desportiva e priorizamos no campo internacional a analise de noticias do continente africano onde angola também se insere destaque especial ao atleta josé sayovo que nos jogos paralímpicos de londres ele conquistou mais ouro para angola o que o coloca no patamar dos atletas individuais mais premiado do nosso país por isso sayovo já é apelidado de «o menino ouro» não deixe de ler a entrevista empáginaaberta de victor almeida ele foi um eximio jogador de basquetebol e hoje assume-se como o impulsionador da cultura nacional com principal incidência para a música diz de boca cheia que tem dos melhores estúdios para gravação de angola de África e bem posicionado também a nível mundial figuras&negócios outubro pág 4

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dossier 30 reportagem 52 desporto 68 publicação mensal de economia negócios e sociedade ano 12 n.º 130 outubro ­ 2012 n º de registo 13/b/97 director geral victor aleixo redacção carlos miranda sebastião félix venceslau mateus e suzana mendes fotografia nsimba george e samy manuel colaboradores manuel muanza juliana evangelista crisa santos rita simões joão barbosa portugal mário santos inglaterra wallace nunes brasil e sousa jamba eua design e paginação humberto zage e sebastião miguel publicidade paulo medina chefe secretariado e assinaturas katila garcia revisão baptista neto distribuição e assinaturas portugal logista portugal distribuição de publicações s.a Área industrial do passil lote 1 a palhavã 2894-002 alcochete londres diogo júnior e16-1ld tel 00447944096312 tlm 07752619551 email todiogojr@hotmail com brasil wallace nunes móvel 55 11 9522-1373 e-mail wallace_nunes@hotmail.com produção gráfica cor acabada lda tiragem 10.000 exemplares direcção e redacção edifício mutamba-luanda 2º andar porta s tel 222 397 185 222 335 866 fax 222 393 020 caixa postal 6375 e-mails figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao site www.figurasenegocios.com pág pág pág mundo 78 pág figuras&negócios outubro 2012 pág 5

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editorial a princípios devem ser consideradas como justas e aceitáveis escusando-se em aceitar que não têm sempre as razões da verdade eles os políticos forçam factos políticos para deixar passar à opinião nacional e internacional que os caprichos e a resiliência das suas acções são as provas que farão amadurecer a democracia no país esquecem que nesse lapso de tempo a sociedade no seu todo ganhou consciência e maturidade moldou-se para não se deixar levar por extremismos quando a causa maior já está delineada em ambiente de paz o percurso deve tem de ser pelo desenvolvimento respeitando-se as regras que civilizadamente o jogo democrático define e aí claro como água quem vence as eleições é declarado vencedor quem perde é o perdedor ambos devem reconhecer os resultados mas não pode haver barreiras no relacionamento que dificultem o empenho de todos na colocação do cimento para se erguer o país e nisso de se erguer o país não se deve ignorar a força solidária de outros países sobretudo aqueles que nos cercam pelo que não colhe a justificação da estrutura central do mpla de que não estiveram altas individualidades estrangeiras no acto de empossamento do presidente da república porque o mpla é um partido muito grande com muitos amigos em todo o mundo pelo que se tornava difícil escolher quem deveria estar presente tanta sobranceria e vaidade não colhe antes pelo contrário deixa em evidência um certo estreitismo que infelizmente faz morada no nosso seio quando queremos nos arrogar como superiores aos outros com a realização em setembro da assembleia geral da onu que geralmente leva à nova yorque a maioria dos chefes de estado do mundo deverá ter faltado ao protocolo angolano espaço para conseguir garantir a presença em angola de indivualidades que emprestariam outro colorido ao acto uma justificação aceitável desde que feita sem rodeios nem tergiversação de palavras os angolanos ganharam maturidade e não aceitam derrapagens em explicações que se assemelham a falta de princípios de um estado reconhecido pela comunidade das nações de uma nação que se forja com verticalidade cerimónia de empossamento de josé eduardo dos santos no cargo de presidente da república eleito e consequentemente do seu vicepresidente manuel vicente ocorrida no memorial em homenagem ao presidente agostinho neto esteve envolvida em ambiente de muita pompa e circunstância ensombrada entretanto por dois actos negativos 1° a não participação como convidados à cerimónia dos líderes dos principais partidos políticos que em função dos resultados eleitorais recentes terão assento no parlamento nacional como é a unita a casa-ce e o prs 2° a não presença de dignitários de outros países sobretudo os africanos com realce para os nossos vizinhos no primeiro caso coincidente ou propositadamente concertada os líderes dos partidos convergiram na opinião de que a ausência foi uma manifestação de protesto contra o envolvimento de josé eduardo dos santos na preparação do acto eleitoral ajuizando eles que essa foi uma atitude ilegal que visou favorecer o mpla embora manifestassem disposição em tomar os seus assentos no parlamento os líderes escusaramse em reconhecer públicamente a vitória do mpla e do seu candidato atirando-se para uma postura dúbia e pouco dignificante reconhecidas por observadores nacionais e internacionais e outras instituições directamente envolvidas como eleições transparentes embora com falhas na organização compreensíveis não faz sentido essa postura musculada que as três maiores forças da oposição se vestiram constituindo esse acto inclusive um desrespeito quer aos seus eleitores como ao povo angolano se tivermos em conta que na cerimónia de empossamento o visado é o eleito presidente de todos os angolanos portanto uma pessoa que tem de se despir de todas as cores partidárias para cultivar e ver florescer os frutos indispensáveis da reconciliação da família angolana essa reconciliação da família angolana é bom que se diga encalha as vezes na forma como os diferentes actores políticos entendem o desenho do jogo democrático onde só as razões deles figuras&negócios outubro 2012 pág 7

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página aberta victor manuel pereira de almeida nasceu e cresceu no meio de uma família de desportistas tendo abraçado várias modalidades o pai como trabalhador do porto caminho de ferro e transportes em luanda foi considerado como um dos mais distintos defesas esquerdo do clube ferroviário a proximidade deste clube histórico com a família almeida projectou os dez irmãos para o mundo desportivo quer no futebol como no basquetebol passando pelo hóquei em patins e andebol o pequeno victor almeida teve uma trajectória multifacetada mas foi no basquetebol onde brilhou e conquistou fama a história desta modalidade em angola está claramente ligada a ele pois embora não tenha conquistado muitos títulos quer pelas selecções nacionais como pelos clubes por onde passou victor almeida continua a ser considerado a par do inesquecível mário octávio um dos maiores bases que o país conheceu depois de ter abandonado a carreira o nosso interlocutor virou radicalmente o percurso da sua vida transformando-se num produtor musical ímpar pois é dele a maior instituição da área no país e um dos estúdios de gravação de maior dimensão quer a nível do continente como do mundo de trato fácil mas directo victor almeida não foge das questões colocadas e dispara com objectividade quando chamado a dar a sua opinião sobre vários assuntos como nos seus bons tempos de atleta tenta estar sempre por cima dos acontecimentos e fê-lo com mestria organiza as ideias e ataca como ninguém em defesa da projecção de uma nova política desportiva e cultural no país que o viu nascer há cinquenta e um anos por carlos miranda texto fotos do entrevistado iguras e negócios f&n bom já se sabe que cresceu no meio de uma família basicamente desportista e que o seu pai para além de ser atleta chegou a ser dirigente do clube ferroviário de angola quanto a si quando é que começa a sua carreira como desportista victor almeida v.a a primeira modalidade praticada por mim foi o hóquei em patins mas naquela altura como eles qualificavam-nos de café com leite davam-nos patins de lata recordo-me que quando estava a treinar há um mês eu apercebo-me que num belo dia deram a um novo atleta da classe dominante uns patins de bota não sabia concretamente o que se passava mas senti-me mal e desisti naquela altura não sabia o que estava a acontecer não sabia se era discriminação racial mas senti-me traumatizado estamos a falar de 1967/68.abandonei o hóquei e comecei na classe dos bâmbis passei pelos galos iniciados infantis juniores e seniores sempre no ferroviário f&n -ainda se recorda do seu primeiro treinador a propósito do seu ferroviário de sempre também evoluiu noutros clubes o curioso é que passou por todos os escalões facto que não era fácil na altura pois não v.a um dos primeiros foi um americano o gregor que para além de jogar como sénior no ferrovia também tinha como tarefa a formação fui dos poucos atletas que fez todos os escalões até 1979 joguei pelo ferroviário depois saí para a taag hoje asapara mais tarde jogar pelo petro atlético de luanda onde acabei a minha carreira desportiva f&n de todos estes clubes obviamente foi o ferroviário que mais lhe marcou nesse tempo já era comparável com o célebre mário octávio v.a repare eu sou muito novo em relação ao mário octávio ele foi um dos meus mestres e acredito que tenha sido o único jogador a quem passou o seu testemunho gostava muito de mim e ensinou-me todas as manhas todos os truques se fui o base que fui acredito que devo muito ao mário octávio f&n para além do mário existem outros jogadores que lhe tenham ficado na memória pela positiva e que tenham facilitado sobremaneira a ascensão na sua carreira v.a o que aconteceu é que eu tive a sorte de treinar e jogar com grandes homens não estou a f figuras&negócios outubro pág 10

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página aberta victor almeida um dos maiores bases que o basquetebol angolano conheceu fiz parte de uma elite desportiva falar de jogadores estou a falar de grandes homens falo do antónio guimarães que foi um grande protector do antónio henriques tonecas que também foi meu treinador mas que igualmente foi um excelente condutor de homens ainda tive o privilégio de ter um líder que é o gustavo da conceição enfim estou a falar de homens que marcaram profundamente os tempos que não voltam nunca pelo nível intelectual de cada um pelo nível pessoal e social de cada um sem dúvidas que marcaram uma etapa muito importante do nosso basquetebol onde se reunia a nata da nossa cidade isto ocorreu ainda no tempo colonial e também até 1984/85 f&n mas a sua história como desportista não começa no basquetebol pois sabe-se que passou pelo futebol v.a sim temos que recuar um bocadinho mais porque além de ter sido basquetebolista também fui andebolista para ter uma ideia com 17 anos era guarda-redes titular no clube ferroviário de angola joguei num torneio o da agricultura em 1978 defrontando grandes guardaredes da época quem é que não defendia nada eu ?vamos imaginar é só ver a minha idade com a do napoleão sou muito mais novo mas se eu continuasse ele seria meu suplente risos todos seriam meus suplentes .agora interessa também contar-lhe que em andebol também fui muito craque fui titular da selecção de angola que disputou as eliminatórias da taça marien ngouabi em 1979 fui também chamado para a selecção de fute hoje abandonada e esquecida bol mas isto aconteceu quando o na altura secretário de estado dos desportos professou rui mingas promulgou uma lei segundo a qual um atleta não podia praticar mais do que uma modalidade colectiva porquê ?porque havia dois grandes atletas que fizeram com que essa lei fosse institucionalizada um era palmira barbosa que jogava ao mesmo tempo o basquetebol e o andebol outro era victor almeida que praticava três modalidades de manhã jogava futebol à tarde andebol ou basquetebol e à noite basquetebol ou andebol nesta altura chamavam-me coração de leão devido à versatilidade que tinha claro que haviam outros com potencialidades similares como o tó araújo etc etc f.n É evidente que não se terá assustado com a sua primeira figuras&negócios outubro 2012 pág 11

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página aberta chamada à selecção nacional de seniores de basquetebol ainda que na altura grandes nomes ocupavam a sua posição v.a a minha primeira chamada à selecção registou-se em 1978/79 e se a memória não me falha foi aquando da realização de um torneio integrado pelas selecções de cuba e da união soviética era uma selecção treinada pelo professou vitorino cunha nós tivemos prestações muito más e nesta altura foi alvo da chamada chicotada psicológica e para o seu lugar foi convidado o professor mário palma.foi a partir desta selecção que começamos o grande boom do nosso basquetebol antes fomos disputar em marrocos o primeiro campeonato africano em que nos posicionámos em sétimo lugar em 1980.entretanto neste mesmo ano em setembro fomos campeões de juniores em 1981,na somália descemos na tabela classificativa mas em 1983 no egipto fomos vicecampeões.a partir daí só pódiuns f&n portanto foi a partir da nata de basquetebolistas do seu tempo que angola conquistou o seu tempo de glórias e dali pra frente outras conquistas iriam surgir v.a de 1978 tudo foi para a frente mas também tenho que me referir a duas pessoas que deram um contributo decisivo para o desenvolvimento do basquetebol angolano sem falar delas estaríamos a esquecer a história são os professores vitorino cunha e mário palma sem esquecer outros sem dúvidas estes dois revolucionaram o nosso basquetebol havia um outro que foi o professor vicente costa enfim eles foram os grandes impulsionadores da modalidade temos que render uma homenagem tanto é que agora homenagearam o professor vitorino cunha acredito que não haja ninguém neste país que tenha dado tanto contributo ao nosso desporto como o professor vitorino cunha f&n victor almeida qual foi então a fase mais brilhante da sua carreira e porquê v.a a fase mais brilhante da minha carreira foi precisamente na altura em que sou afastado da selecção nacional de sénior em 1985 quando estava na melhor forma desportiva já estava no petro porquê que fui afastado porque eu contrariava todos os objectivos do professor vitorino cunha que eram os de colocar-me no primeiro de agosto tinha vinte e quatro anos pécie de reverse dos papéis para que a história seja mal contada eu fiz parte de uma elite desportiva que foi completamente abandonada e esquecida então ninguém fala ninguém se lembra mas deixei de praticar desporto eu aos 51 anos de idade posso dizer que bases como eu só havia um mário octávio realmente eu era um verdadeiro 01 ou x1 já não me lembro eu nasci para ser base não fazia outra posição desde que comecei nos bâmbis até aos seniores sempre joguei base portanto tive aquela iniciação do puro abc voltando ao meu afastamento e o final de carreira repito que vivia a minha melhor forma desportiva tinha feito um grande campeonato nacional tínhamos acabado o campeonato do egipto e eu e o zé carlos guimarães não fomos convocados para a selecção a que antes referi a imprensa batalhou batalhou mas o vitorino cunha conseguiu pôr o paulo macedo mas tudo bem foram opções dele f&n títulos pelos clubes e pelas selecções nacionais v.a infelizmente tive poucos títulos dois campeonatos nacionais um pelo ferroviário e outro pela taag sem contar os campeonatos dos bâmbis e de outros escalões pois a minha equipa ganhava tudo depois um campeonato africano de juniores de 1980 em que fui o grande impulsionador desta selecção e um vice-campeonato africano de seniores em 1983 f&n a selecção está bem entregue aos técnicos nacionais v.a aliás veja que na história do basquetebol angolano só tivemos um ou dois seleccionadores estrangeiros naquele tempo tivemos o búlgaro kujokarov depois mais um mas não se deram muito bem portanto a nossa selecção sempre foi bem entregue aos técnicos angolanos dizer que o profes eu fiz parte de uma elite desportiva que foi completamente abandonada e esquecida então ninguém fala ninguém se lembra mas deixei de praticar desporto eu aos 51 anos de idade posso dizer que bases como eu só havia um mário octávio realmente eu era um verdadeiro 01 ou x1 já não me lembro f&n mas nesse tempo as pessoas sempre conjecturaram que o seu afastamento da selecção deveu-se fundamentalmente por razões profissionais ou devido a uma provável lesão o que é que aconteceu de facto v.a não não nós temos que recuar porque a história nesse país continua a ser mal contada em todos os aspectos se vocês forem ver agora uma entrevista do eduardo paim ele diz que por exemplo a história do kuduro continua a ser desvirtuada neste país há uma es figuras&negócios outubro pág 12

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página aberta sor mário palma é luso-guineense é outra história eu acho que por tudo quanto ele fez deveria lhe ser dada a possibilidade de requerer a nacionalidade angolana.enfim deviam já conceder-lhe a cidadania angolana por aquilo que ele fez e continua a fazer pelo nosso desporto acredito no potencial que os técnicos angolanos da nova vaga têm falo do raúl duarte do josé carlos guimarães do dinis do necas do jaime covilhã actual vice-campeão africano o problema de angola é não valorizar os técnicos nacionais não sei se é por complexo f&n qual é o jogador que considera seu ídolo v.a dalic pagic.foi um jogador da selecção da jugoslávia para mim foi dos melhores jogadores que a humanidade sempre quis ver jogar f&n quando é que o seu estúdio foi criado e com que apoios contou para que este sonho se tornasse realidade v.a o estúdio foi criado em 2004.para a sua criação tenho que necessariamente agradecer ao general miala pois naquela altura o gabinete da presidência ofereceu algumas viaturas a músicos e produtores pelos serviços prestados à sociedade e eu em vez da viatura sugeri que me dessem um estúdio eram pessoas basicamente ligadas ao music-all angolano e eu acabei por ser contemplado.foi aí que ele apoiou-me neste primeiro estúdio em 2004.de lá para cá investi imenso através de créditos bancários nomeadamente do bpc do bci do bic do banco fomento aos quais agradeço pela oportunidade que me deram É bom lembrar que sem a ajuda desses bancos que acreditaram neste projecto não poderia estar aonde estou f&n em que patamar coloca o seu estúdio É o primeiro é o segundo é o terceiro comparativamente a outros criados aqui no país há um outro estúdio melhor que o seu v.a agora pergunto-lhe uma coisa já ouviu falar do meu estúdio então diga-me se ouviu falar o que é que ouviu um dos melhores risosnão é um dos melhores ouviu mal f&n risos então argumente v.a risoso estúdio vial não é um dos melhores é o melhor ele está ao nível dos grandes estúdios do mundo f&n porquê que diz isso v.a porque eu sou informado sou um auto-didacta tenho percorrido vários países do mundo tenho visto me inteirado e sei que as máquinas que tenho no meu estúdio estão entre as maiores do mundo repare não estou a dizer que é o melhor mas as máquinas que tenho estão lá quando faço o meu projecto de estúdio não é apenas para angola mas para o mundo ou seja alguém que um dia visite www.radiovial.com e vir o que lá tem sabe o que lá está qualquer engenheiro que veja o equipamento que a rádio vial tem sabe que está entre os melhores do mundo não estou a falar apenas do continente africano falo do mundo falemos por exemplo dos estúdios down town da África do sul.ok tem uma mesa de um milhão de dólares mas eu tenho aqui fatias desta mesa de um milhão de dólares não é apenas a mesa em si toda a maquinaria que tenho é a que existe nos maiores estúdios do mundo a avaliação do equipamento do nosso estúdio está na ordem dos cinco milhões de dólares f&n quais são os músicos que já produziu e que perspectivas tem na linha de orientação lógica do desenvolvimento da música angolana que se requer v.a quase todos os maiores músicos de angola já gravaram nos figuras&negócios outubro pág 14

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página aberta ram o bonga e o waldemar bastos o resto todos já gravaram quem não gostaria de ter um destes ícones da música angolana É sempre uma honra f&n acha que a música angolana está a evoluir v.a a nossa música deu saltos qualitativos e quantitativos muito grandes deus quando fez o mundo e deu esta fatia de 1.246.700 km quadrados a que deu o nome primeiro de n´gola e depois angola realmente chegou à conclusão de que nós somos um povo abençoado repare nas conquistas a nível do basquetebol masculino e no andebol feminino quanta alegria nos deram não se tem muitos apoios como no futebol que nada faz mas veja aonde se chegou a cultura é realmente um parente pobríssimo do estado isso faz com que angola não vá mais lá à frente porque quando o estado se lembrar que a cultura faz parte da identidade e apostar muito mais seriamente nós vamos crescer muito mais a seriedade que se requer não é só na música mas em tudo que é cultura por exemplo eu estava nos eua quando angola ganhou o miss universo ninguém conhecia angola e parece que ninguém conhece a força que a cultura tem a leila lopes quando ganhou eu fui idolatrado nos estados unidos como angolano porque as pessoas sabiam que ela é angolana quando nós tivermos um artista angolano como roberto carlos ou julius iglésias já não digo como o michael jackson então talvez se reconheça tudo quanto estamos a perder e só não temos porque realmente não há uma política cultural a sério que nos possa guindar a esse nível f&n acredita que nesse andar estamos irremediavelmente entregues à sorte do improviso e no surgimento de estrelas só para consumo doméstico v.a por tudo aquilo que dizem nos colóquios sobre o kuduro para mim isto é só treta realmente é uma verdadeira treta e sabe porquê É o kuduro que nos querem impingir como o baluarte ou como o principal estilo da música angolana então estamos a brincar com a história É bom que fique claro que a história nunca deve ser esquecida tem de ser contada para que as pessoas nunca se esqueçam dela eu ainda era jovem mas recordo que no tempo colonial nunca o tal de colonialista usou a música para poder dividir no seu sentido mais lato repare bem o que quero dizer naquele tempo tínhamos realmente o semba mas nós em cabinda também tínhamos o ngoma jazz o cabinda jazz e o super coba no lobito tínhamos os bongos e nós dançávamos f&n para si está a se valorizar sobremaneira o kuduro em detrimento de outros estilos musicais angolanos É um apelo que está a fazer aos homens que mandam na cultura v.a É preciso acautelarmonos com essa tal sobrevalorização do kuduro o kuduro como música não existe isto é uma dança sim é um apelo que lanço para que se preserve o nosso maior ícone musical o semba o kuduro só há-de ser realmente música nossa quando introduzirmos nele aquilo que é realmente nosso pode-se colocar os sons do piano mas não é isso que nos identifica já fui a vários espectáculos no olímpia em frança e vejo quem é o ismael lo o youssour dour e eles venceram porque preservaram a cultura africana nós não estamos a brincar com coisas sérias e conforme brincam aos futebóis também estão a brincar com a cultura estúdios vial temos condições para fazer um bom trabalho trabalho com os meus filhos que têm qualificações para tal não somos os melhores mas servimos para as encomendas e muito mais no nosso país não é crível que tão cedo a nossa música venha a atingir o topo do mundo porquê porque não temos uma política cultural que incentive por exemplo os estúdios vial chama-se estúdios acordes porque os músicos vêm gravar mas são raríssimos os que pagam você vai a um estúdio lá fora e tem de pagar portanto eu estou a contribuir para a nossa música no âmbito do mecenato ajo tipo um messias nessa contribuição que outras instituições deviam dar o retorno financeiro que tenho provém principalmente da área da sonorização nós somos a maior empresa de som deste país aí sim as pessoas têm que pagar os únicos artistas de grande nível internacional que não gravaram aqui fo figuras&negócios outubro 2012 pág 15

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