500 Milhas de Água Doce

 

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Uma família velejando no extremo sul do Brasil.

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500 milhas de Água doce uma família velejando no extremo sul do brasil.

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celso rossi 500 milhas de Água doce primeira edição

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sumário capítulo i capítulo ii capítulo iii capítulo iv capítulo v capítulo vi capítulo vii capítulo viii capítulo ix capítulo x capítulo xi capítulo xii capítulo xiii capítulo xiv capítulo xv capítulo xvi capítulo xvii esforço em família 9 artes do comandante 19 aulas de comércio 31 o banco cristóvão pereira 37 ilha do vitoriano 45 são lourenço do sul 51 lagoa pequena 59 pelotas 73 canal de são gonçalo 79 santa isabel do sul 87 arroio bretanha 93 jaguarão 99 ilha grande do taquari 107 rio cebollati 113 o extremo sul do brasil 121 santa vitória do palmar 133 arroio curral d arroios e dos afogados 143 capítulo xviii rio taquari 155 capítulo xix enfim o sol 163

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capítulo xx capítulo xxi de volta à lagoa dos patos 173 barra falsa e bojuru 179 capítulo xxii porto barquinho 185 epílogo 193 fotos 211 glossário de termos náuticos 233 sugestões de leitura 239 waypoints 243

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agradecimentos aos amigos emílio de tapes pepe de pelotas e adriel de rio grande pelas dicas e waypoints que fizeram dessa viagem muito mais um passeio que uma aventura ao pessoal do clube náutico tapense pelo apoio e simpatia que nos fizeram sentir em casa durante a nossa permanência aos pescadores das lagoas que encontramos pelo caminho e nos auxiliaram sempre que precisamos a luiz alberto rossi meu pai pela revisão dos originais deste livro e à minha mãe lieselotte por ter suportado com bravura ver seus netos velejando tão longe das suas asas a gabriel e valentina filhos e tripulantes por ter escolhido nascer na nossa família e pelos momentos inesquecíveis que passamos juntos a paula andreazza minha parceira de sonhos e realizações pela ousadia pela coragem e determinação que viabilizaram a realização dessa e de muitas outras histórias.

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capítulo i esforço em família

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m barulho diferente na cabine me desperta às duas e cinco da madrugada o tubo de detergente que estava sobre a pia da cozinha tinha caído no chão tudo escuro penso que poderia ser algum bicho mas logo mudo de idéia ao acender a lanterna e compreender o que estava realmente acontecendo o mojud estava adernando lentamente para bombordo e esta inclinação havia derrubado o tubo de detergente estamos encalhados acordo a paula e busco no meio da penumbra da cabine ainda mal iluminada pela lanterna de pilhas as minhas roupas que procuro deixar sempre à mão quando ergo a perna para vestir a calça do abrigo sinto uma fisgada um choque na base da coluna que me arranca um grito de dor chegamos esta tarde ao abrigo do farol cristóvão pereira vindos do pontal de santo antônio e do clube náutico tapense dando início à nossa tão sonhada viagem à lagoa mirim ao extremo sul do brasil na divisa com o uruguai logo após a velejada da tarde com algumas horas de vento fresco ancoramos o mojud contra o barranco de areia da pequena enseada abrigada logo atrás do farol e me rendi aos apelos do gabriel para ir pescar com ele de tarrafa atrás de tainhas para o jantar que segundo ele estavam pulando ao redor do barco na nossa chegada tirei o agasalho e coloquei apenas uma camiseta já suja e um pouco úmida com a intenção de proteger o tórax do vento frio ajoelhei11 u

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500 milhas de Água doce me na proa do bote inflável e enquanto o gabriel manejava os remos buscando uma melhor posição ia tarrafeando com alguma dificuldade de equilíbrio ao lado dos juncos que margeiam o lado sul da enseada depois de umas vinte ou trinta tentativas infrutíferas ou impeixíferas voltamos para o barco a tarde já estava um pouco mais fria mas eu não tinha percebido quando fui entrar na cabine curvando um pouco o corpo senti uma dorzinha aguda na coluna lombar em questão de segundos essa dor foi tolhendo os movimentos das minhas costas e pernas e em menos de quinze minutos só conseguia me locomover pela cabine tal qual um paraplégico sustentado exclusivamente pelos braços não era apenas a dor que me impedia de sustentar o corpo sobre as pernas era como se simplesmente não houvesse resistência física para tanto há vinte anos eu sonhava com esta viagem durante muito tempo a paula e eu a planejávamos e tínhamos trabalhado muito duro para conseguir estar ali com o barco e o tempo justos para aquela viagem logo na nossa saída tendo ainda mais de trinta dias pela frente um descuido bobo estava arriscando seriamente a realização desse sonho pior o mojud já tinha sido vendido e esta era a viagem de despedida sem chance de um adiamento pois o novo dono estava ansioso para levar o barco para o estaleiro e promover uma reforma geral após a qual não teríamos mais direito de usá-lo logo comecei a questionar todas as minhas crenças indagandolhes qual seria o seu senso de justiça para me proporcionar tal infortúnio a natureza e a localização da dor faziam supor uma hérnia de disco ou outra lesão do gênero que me obrigaria a ficar em repouso absoluto a paula percebeu meu estado de espírito despencando ladeira abaixo pôr-do-sol na lagoa dos patos 12

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esforço em família abaixo e logo me despertou desse pesadelo de autopiedade trazendo-me à luta para uma nova estabilidade emocional algumas horas mais tarde entretanto era ela quem se deixava abater por um mau humor terrível acompanhado de tpm ao constatar que todo o meu serviço de bordo especialmente o de convés à noite agora lhe caberia quando anoiteceu o convés estava realmente uma bagunça com cabos emaranhados redes de pesca balde toldos mal dobrados enfim um caos tudo bem amanhã se arruma não há vento e nenhuma indicação de que venha a ocorrer qualquer mudança nas próximas doze horas pensei puro engano pelas dez da noite o vento rondou para leste fazendo o barco girar noventa graus ficando de proa para a praia preocupado com esta nova situação sugeri à paula que subisse ao convés e colocasse outra âncora pela popa fazendo o mojud retornar à posição inicial com o costado ao longo da praia num local fundo ao lado da areia sem qualquer risco para o barco em qualquer situação de vento com a cara amarrada e resmungando muito ela subiu ao convés para fazer o que eu havia sugerido pelo assobio nos estais e pelo martelar das adriças no mastro eu percebia que o vento aumentava de intensidade o barulho da corrente da âncora reserva arrastada pelo convés misturando-se aos gritos da paula dando orientações ao gabriel em meio ao rugido do vento eram as peças de um angustiante quebra-cabeças que deitado em meu beliche atormentado mais pelo peso da responsabilidade que pelas lancinantes dores na base da coluna eu tentava montar mais alguns minutos e os dois voltaram para dentro da cabine encharcados com a chuva que além do vento também compunha o quadro e a paula sentenciou como sempre enfática vai ficar assim mesmo está muito perigoso lá fora e não podemos perder mais ninguém da tripulação aquele olhar inconfundível de repreensão não deixava dúvidas quanto a quem ela culpava pela água gelada que escorria pelo seu rosto enquanto despia o casaco impermeável como se aquilo ainda não tivesse sido o suficiente agora eu a acordava com o barco encalhado de lado com tudo inclinado e inclinando cada vez mais pior que isso o leme tinha sido amarrado para 13

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