Revista Barbante - Ano I - Nº 01 - Fevereiro de 2012

 

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revista o mundo da contação de histórias ano i nº 01 fevereiro de 2012

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não é só a história que importa é a maneira de contá-la cecília meireles

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rosângela trajano contando histórias no projeto giges em 2002.

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contar histórias contar histórias para crianças é fazer com que a criança viaje no mundo da imaginação e que traga para a sua realidade os personagens estabelecendo assim uma reflexão sobre o tema em seu dia a dia devemos aproveitar que a criança tem por natureza um lado interrogativo com os seus porquês trazendo-a cada vez mais para a reflexão chegando assim a uma opinião própria seguindo seus próprios critérios se é certo ou errado estimular comportamento ético como que ela respeite a opinião alheia da qual poderá ser igual ou diferente da sua saber a hora de ouvir e a hora de falar etc a criança bem estimulada terá respostas para questões como afetividade criatividade cognitiva e estímulos verbais preparando-as para a linguagem escrita É importante que haja por parte do educador a orientação sobre a coerência e lógica dos assuntos em sua roda de conversa com os alunos contar histórias transforma a educação tradicional em uma educação mais aberta ao pensamento ao diálogo crítico investigativo melhorando o raciocínio da criança e que lhe beneficiará às outras áreas de ensino e a sua vida adulta cida flores

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ora histórias alzenir araújo santos era uma vez uma menina muito inquieta peralta corajosa e valente tinha três irmãos homens desde cedo aprendeu a se defender do autoritarismo deles não admitia que os irmãos lhe dessem ordens ou decidissem por ela sobre assuntos estritamente pessoais ela era livre até certo ponto ou melhor até a palmatória ou o cinturão falar mais alto apanhava do pai do mesmo jeito que seus irmãos era só dar motivo uma de suas brincadeiras prediletas era brincar em cima da casa quebrando as telhas o acesso não era muito difícil para quem estava acostumada a subir em árvores as árvores eram seu esconderijo predileto parece até que elas estendiam os braços quando o vento balançava seus galhos e folhas dizendo venha menina conte pra gente o que você anda aprontando e ela não contava conversa começava a subir experimentando um galho ou outro lá em cima no olhinho da árvore conversava com os galhos e as folhas observando as outras casas as pessoas que passavam e assim a menina se esquecia das horas os pais tios e irmãos vendo que demorava para aparecer começavam a procurar por ela nas casas vizinhas ninguém sequer desconfiava que o grande pé de castanhola localizado em frente da casa era o guardião das peraltices da menina despreocupadamente esperava uma boa ocasião para descer sem que ninguém visse hoje morre de medo de altura!

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ah como gostava de ler lia tudo que aparecia principalmente os livrinhos de bang-bang dos irmãos e as revistas de fotonovelas das primas mais velhas tudo escondido quando percebia que alguém se aproximava escondia debaixo do colchão dentro do travesseiro era uma tortura quando estava na melhor parte da leitura lá vinha alguém para estragar sua alegria uma dos momentos mais esperados por ela era quando o pai depois do almoço ou da janta contava histórias da vida dele da vida sofrida no sertão e de assombrações na escola apaixonou-se pelo livro as mais belas histórias de lucia casasanta jamais se esqueceu da história de epaminondas e da cabra cabriola até hoje procura pelos sebos algum exemplar deste livro para comprar magricela inteligente independente curiosa amava juntar a criançada para contar histórias e brincar de ser professora.

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a contação de histórias para crianças matilde pontes contar histórias para crianças não é perda de tempo é um investimento a longo prazo com dividendos garantidos É o texto literário o passaporte para adentrar no universo infantil o ensino/aprendizagem do texto literário e do texto imagético é de fundamental importância para as crianças isto é aprendizes na faixa etária que contempla a educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental ou seja crianças de três a dez anos aproximadamente através do universo da ficção do jogo do faz de conta o leitor/ouvinte se apresenta e se representa no mundo imaginário na e pela linguagem subjetiva nesse jogo simbólico ele reconstrói representações sociais que muito contribuem na formação social da mente e nas relações interpessoais quer seja através da oralidade quer seja através da escrita e do fazer artístico É pertinente lembrar que a literatura assim como a arte possibilita um olhar macro sobre as realidades e ficções dos protagonistas de forma que através delas podemos visitar as demais áreas do conhecimento a dinâmica de atividades significativas a partir da contação de histórias envolvem expressão corporal e leitura expressiva do conto quanto à leitura do texto narrativo ocorre em três momentos prÉ-leitura que consiste na leitura do contexto a fim de que possamos fazer o levantamento de hipóteses leitura que corresponde à leitura silenciosa e/ou a

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oralização e dramatização do texto e a pÓs-leitura que diz respeito ao novo evento como afirma braggio 1998 nesse momento há uma recuperação textual que não permite ao leitor ter a mesma compreensão que teve na primeira leitura porque é feita de forma coletiva são dicas de atividades significativas exercícios de concentração música instrumental leitura expressiva utilização de teatro de fantoche teatro de sombra dobradura dança entre outras projetos de contação de histórias contribuem para o processo de formação do leitor/escritor crítico e reflexivo preparando a criança para o verdadeiro exercício da cidadania promovendo-a quanto a seu crescimento nos âmbitos pessoal e social para tanto devem ser utilizados elementos facilitadores que integrem palavra e imagem resultando na expressão artístico-literária sob um prisma consciente e transformador de uma sociedade.

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matilde contando histórias para crianças em uma escola.

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infância elaine mourad na primeira vez em que a vi acabara de chegar de uma longa viagem e sentia que o mundo era assustadoramente grande para alguém tão pequeno agarrei-me às pernas de meu pai e na ingenuidade dos meus três anos supus que assim poderia me esconder do medo que sentia daquele olhar que me fitava profundamente com um misto de preocupação e compreensão minhas irmãs e eu crescemos sob a contemplação deste olhar minha avó era uma mulher simples forte direta e franca não adulava ninguém e assim nos criou na lida da roça se fez moça se fez mulher e entre uma folga e outra do cafezal da panha do algodão do corte de cana vivia seu sonho secreto aprender a ler conseguiu praticamente sozinha o que considerava pouco mas suficiente para ler a sua bíblia seu jornal escrever suas receitas cartas para os amigos e fazer no papel as leituras que fazia no mundo fomos criadas de maneira muito rígida entretanto tínhamos uma deliciosa liberdade para ser criança em casa todos tinham uma tarefa como colocar o lixo na rua lavar a louça depois das refeições e arrumar a própria cama sem falar da mais importante responsabilidade a escola toda tarde depois das obrigações cumpridas podíamos brincar até cansar nosso quarto se transformava no que quiséssemos o beliche por vezes foi cabana sobrado apartamento e a cama de solteiro casa de bonecas sofá biblioteca

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loja de roupas e o que mais a imaginação inventasse podíamos tirar tudo do lugar desde que arrumássemos depois no quintal tomávamos banho de mangueira pulávamos amarelinha jogávamos bola muitas vezes pulávamos o muro baixo para mexer na terra pegar matinho para fazer comidinha ou então nos juntávamos à molecada da rua e brincávamos a tarde inteira de pega-pega mãe da rua queima escondeesconde e tantos outros jogos que inventávamos nos finais de semana a casa ficava cheia de primos e primas de todos os temperamentos e idades e ali aprendíamos a lidar com todos ter cuidado com os mais novos nos defender dos agressivos ter paciência com os chorões esta era eu resolver nossas brigas nossos impasses enfim um mundo de situações e brincadeiras que nos ensinaram tanto sobre tudo ninguém ficava nos vigiando o tempo inteiro nem dizendo tantos nãos desnecessários ser criança era mais simples e muito mais feliz fomos educadas pelo poder do olhar do exemplo e da palavra pelo olhar porque era assim que nos comunicávamos principalmente fora de casa onde ele era nosso termômetro e nos dizia exatamente até onde podíamos ir pelo exemplo porque vivenciávamos valores e princípios de forma natural apenas sorvendo as relações dos adultos e pela palavra porque minha avó nos contava muitas histórias de sua vida seus amores de outras vidas de seus antepassados do interior herdadas da mãe de sua mãe lembro-me que não havia um momento programado para as histórias nem nos sentávamos ao redor de uma avó que ia e vinha ao ritmo de uma cadeira de

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de balanço nossas histórias simplesmente aconteciam acho que minha avó as contava quando sentia que por alguma razão precisávamos ouvi-las durante o banho no caminho para a escola ou quando faltava energia elétrica onde quando não importava e sim o quanto elas nos tocavam arrebatavam e nos transportavam quando ia nos ensinar algo importante sobre a vida começava sempre por uma história ouvíamos atentas as aventuras do pastorzinho e os tormentos causados por suas mentiras as tristezas atraídas pela mulher que praguejava contra a vida o triste fim do homem que desrespeitava seus pais o homem que mandou seguir o próprio enterro por preguiça de preparar um arroz sem contar as histórias da vida real que por vezes nos comoviam e nos mostravam que todos passam por tristezas a diferença entretanto está nas escolhas que cada um faz a partir de seus infortúnios assim nos ensinou o valor da vida do amor do respeito ao outro da dignidade dos estudos do trabalho e de ser mulher seguir adiante apesar dos momentos difíceis hoje sou mãe e por vezes me pego repetindo para a minha filha as histórias que aprendi com a minha avó sei que faço isso em sua memória como uma maneira de agradecer e reviver mesmo de maneira inversa estes momentos que me marcaram definitivamente no entanto busco proporcionar a mesma oportunidade que tive de entender o mundo as pessoas e a mim mesma de forma tão verdadeira afetiva e prazerosa mas principalmente incentivar a minha pequena a ser dona do próprio destino escolher os pincéis e as tintas para pintar a vida como quiser e escrever a sua própria história.

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o meu juazeiro a árvore na praça É um juazeiro quase no quintal de casa eu ainda criança sei que ela é a mais linda do mundo jean sartief

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