Valentina

 

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Revista Valentina, feita por acadêmicas do 6º semestre de Jornalismo da Faculdades Maringá

Popular Pages


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violência de gênero um problema mundial e antigo enfrentado ainda hoje por muitas mulheres dentro de suas próprias casas falta dinheiro e reconhecimento mas sobra vontade e determinação na busca pela independência financeira carreira cacheadas além dos cabelos lisos os cachos também fazem a cabeça das mulheres valentin a setembro 2012 1

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índice saÚde medicina torna sonho de ser mãe uma realidade na vida de maringaense implante de ovário é novidade mas dá esperança a mulheres pag 5 relacionamento mães e filhas nessa relação única e cheia de surpresas só o tempo prova o quanto o amor de ambas pode ser imperfeito mas verdadeiro pag 20 sexualidade insegurança na hora h não gosta de seu órgão genital vaginoplastia pode ser a solução pag 8 beleza cabelos lisos que nada os cachos são característica da mulher brasileira e não há chapinha que tire isso da nossa cabeça pag 22 carreira mãe esposa filha com jornada tripla a vida de muitas mulheres segue esse ritmo sim elas são felizes e sonham cada vez mais alto pag 15 polÍtica moda estar bem vestida ou confortável sem estar na moda é possível afinal importante é gostar do que veste e descobrir seu próprio estilo pag 18 subimos no salto na profissão na vida familiar e na política provamos que mulheres têm competência para gerir muito mais que um fogão sem perder a elegância pag 25 cultura dicas de filme livro e cd pag 32 olga agulhon é o tipo de mulher que não foge à luta sua história trabalhos e livros são dignos de destaque pag 30 biografia violÊncia contra mulher adeus às surras diárias valentes mulheres que sempre enfrentaram o machismo e as surras caladas aprenderam a denunciar e se descobriram independentes do sexo oposto pag 10 2 valentin a setembro 2012

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editorial valentina vigorosa e cheia de disposição diz um livro qualquer desses que trazem significados de nomes traduzindo para o bom português valentina significa mulher sim qualquer mulher eu você nossas repórteres mulheres valentes valentina nasceu pensando na mulher atual que é mãe filha esposa profissional ao criar valentina pensamos nessa mulher multifuncional do século xxi destemida corajosa decidida que não foge à luta feita por mulheres e para mulheres esta publicação visa quebrar paradigmas e conceitos idealizados sobre o sexo feminino não nós não precisamos estar magérrimas ter cabelo lisinho pilotar fogão ou sermos submissas aos homens aliás nós podemos tanto ou mais que eles afinal é preciso ser muito macho para encarar sorrindo uma dupla ou tripla jornada estudar cuidar de filhos ou gerir o mundo sim fazemos tudo isso e sem medo de cair do salto quando a queda é inevitável tiramos logo a poeira do corpo jogamos o cabelo de lado colocamos o salto de volta e partimos para a luta outra vez enfrentamos conflitos diários e isso vai além dos problemas causados pela violência doméstica que também é um tema a ser discutido nas próximas páginas falo aqui da falta de reconhecimento do nosso trabalho e de nossos esforços falo do quão ridícula é a nossa remuneração diante do que se paga aos homens falo da obrigatoriedade de estarmos sempre com o corpo em dia unhas feitas cabelo escovado salto alto nos pés e sorriso no rosto saiba que você leitora desta edição pode ser linda eu diria até que perfeita como é sem silicones com rugas celulites e tudo mais É um pouquinho disso que queremos mostrar nas próximas páginas e você homem que também lê valentina não subestime uma mulher aprenda a estar ao nosso lado tratando-nos de igual para igual não somos superiores nem inferiores mas acredite somos mais resistentes mais valentes somos valentinas expediente editora chefe cínthia carla rocha repórteres iasmyn calegari cínthia carla rocha maira marques elizabeth pinheiro maria joana casagrande rosana baio daiany santana fernanda pedrone célia martinez rosilene de fátima pollis mariana de oliveira natália stiehl larissa grella projeto gráfico e diagramação isadora casavechia foto da capa isadora casavechia coordenação da disciplina prof ronaldo nezo faculdade maringá av prudente de moraes 815 maringá pr 44 3027-1100 valentin a setembro 2012 3

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mural por iasmyn calegari do o nquistan r vem co ade mas a mulhe ocied dela na s ito alto por isso espaço mu o um preç o é fácil ela paga tripla jornada nã ue ou os dias q a dupla ar todos mens nós prov além de quanto os ho ordem tanto asa em pode anter a c volpato 45 ue m temos q alegari ristina c a de música iara c r rofesso anos p nte profisar ao sol sua vida independe as mulheres buscam seu lug inuída pela antiquada de não ser dim sional e sexual e a satisfação ou ter relacionamenhomem pode ganhar mais rarquia de que só o hie r tem grande so a sensibilidade da mulhe tos sexuais sem compromis renata m de oliveira ação humana colaboração em qualquer situ empresa àrea de criação de uma 24 anos trabalha na a mulher tem que tirar da cabeça que ela é inferior ao homem está na hora de virarmos protagonistas da história e não meras figurantes falta atitude e ousadia adriane ribeiro ferraz formada em turismo e hotelaria 29 anos baterista da banda panndora sa e ainda sou lavo passo cozinho sou mãe mulher espo motorista de van mulher do sexo frágil já era motorista de cacilda moreira da silva volp 47 anos van valentin valentin a a 4 4 setembro 2012 setembro 2012

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saúde implante de ovário é a aposta da medicina para a infertilidade a motivação para o desenvolvimento da pesquisa foram as pacientes diagnosticadas com câncer já que o tratamento pode causar infertilidade devido à radioterapia reportagem larissa grella foto ygor cordeiro ser mãe é o sonho de muitas mulheres mas em alguns casos a realização deste desejo torna-se um pesadelo pela dificuldade de engravidar mariana gerep de morais 29 teve a fertilidade comprometida aos 19 anos provocada por uma menopausa precoce após sete anos de tentativas frustradas e do insucesso de tratamentos buscados com 10 médicos mariana espera que agora a cegonha lhe faça uma visita no dia 28 de julho ela foi submetida a um novo método o implante de ovário a técnica ainda está em fase de desenvolvimento e já resultou na gravidez das mulheres que participaram dos testes valentin a setembro 2012 5

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as pesquisas vêm sendo desenvolvidas há 12 anos inicialmente em coelhas e ovelhas os primeiros estudos experimentais com animais foram apresentados nos estados unidos em 2002 trazendo bons resultados em mulheres começou a ser testado em 2005 por médicos belgas que comprovaram a eficácia da técnica desenvolvida pelo pesquisador brasileiro especialista em reprodução humana carlos gilberto almodin segundo almodin a motivação para a o desenvolvimento da pesquisa foram as pacientes diagnosticadas com câncer já que o trata mento pode causar infertilidade devido à radioterapia apesar de o tratamento ter sido criado por um pesquisador brasileiro a novi na cirurgia a equipe médica retirou uma parte do tecido ovariano saudável de elisa gerep de morais 29 e implantou em sua irmã gê se forem meninas vão se chamar isabel e ana eliza sendo meninos samuel e isac dade só chegou por aqui no dia 28 de julho deste ano e maringá foi a primeira cidade do país a realizar a cirurgia no hospital são marcos mea mariana de acordo com almodin outra parte do tecido foi congelada caso tenha necessidade de realização de um novo transplante havendo a aceitação do organismo ao ovário a paciente poderá engravidar em caso de rejeição recorremos ao material que foi preservado quanto a recuperação da paciente os médicos acreditam que em oito meses os ovários de mariana estejam regenerados e ela volte a ovular normalmente podendo em breve engravidar prevendo a concretização do sonho de ser mãe ela já escolheu até o nome dos bebês e aposta que serão gêmeos se forem meninas vão se chamar isabel e ana eliza sendo meninos samuel e isac para eliza ajudar a irmã a 6 valentin a setembro 2012

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ter filhos é uma grande conquista pessoal estou muito feliz por ter podido ajudá-la será um presente para toda família não vejo a hora de estar com os meus sobrinhos conta emocionada mariana foi a primeira mulher na américa latina a passar pela cirurgia de implante de ovário a técnica ainda é limitada pois o procedimento é realizado apenas em irmãs gêmeas pois a combinação genética reduz a quase zero a probabilidade de rejeição de acordo com os especialistas as pesquisas continuam os médicos estudam a possibilidade de o transplante ser realizado em mulheres que não sejam irmãs gêmeas valentin a setembro 2012 7

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sexualidade vaginoplastia você faria com o aumento considerável de cirurgias íntimas no mundo todo a revista valentina foi conhecer a técnica e provar que ser diferente é normal reportagem rosana baio foto danilo nicodemo 8 valentin a setembro 2012

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existem mulheres que têm vergonha da aparência de seu órgão genital e por isso acabam deixando de lado seus desejos devido a esse incômodo felizmente hoje através da cirurgia plástica elas podem passar a sentir muito mais confiantes pouco se fala sobre esse procedimento mas ele é muito mais simples do que se imagina na verdade a vaginoplastia não é um único tipo de cirurgia dentro deste termo estão englobados a perineoplastia o estreitamento do canal vaginal lipoaspiração no monte de vênus clareamento vaginal transplante de pelos himenoplastia e a clitoriplastia cada procedimento tem sua determinada função sendo assim capazes de melhorar esteticamente as áreas íntimas e trazer conforto e confiança para as pacientes afirma o cirurgião plástico elber marciliano esses procedimentos geralmente são simples e não envolvem cirurgia nestes casos é feito um processo ambulatorial que dura em média uma hora uma das intervenções mais comuns é a labioplastia esse procedimento é indicado para corrigir o tamanho dos pequenos e dos grandes lábios onde é realizada a retirada do excesso de tecido suturando a região a estudante de psicologia anita malvazi fez a cirurgia em janeiro de 2011 os meus pequenos lábio de pequenos não tinham nada então resolvi procurar o médico além de simples é eficaz afirma a estudante os incômodos causados pelo desconforto são inúmeros a cozinheira marta coalhada também se incomoda com o tamanho do lábio vaginal e diz que tem intenção de fazer a cirurgia em breve fora essa razão estética o que mais incomoda é colocar uma roupa mais justa completa o ginecologista leandro bataglini escla o procedimento pode melhorar esteticamente as áreas íntimas e trazer conforto e confiança para as pacientes rece que os órgãos genitais das mulheres têm naturalmente uma grande variedade de aparências normais que são anatomicamente corretas não existe um modelo de vagina perfeita explica para decidir é importante considerar a diferença entre cirurgia reconstrutiva e cirurgia plástica a primeira melhora a função de uma parte do corpo enquanto a segunda também chamada de cirurgia cosmética muda a estética da anatomia essencialmente normal você pode pensar nisso como uma plástica no nariz um cirurgião pode reestruturar as cavidades nasais interiores para ajudá-lo a respirar melhor ou remodelar o nariz apenas por uma questão de aparência a vaginoplastia é coberta pelos principais planos médicos brasileiros o encaminhamento geralmente é feito através do ginecologista isso porque o plano só dá cobertura quando a cirurgia é reparadora e não estética ou seja caso se comprove risco à saúde ou até mesmo se o órgão estiver anatomicamente deformado não se encaixando em nenhuma destas qualificações você buscar uma clínica privada o custo desse tipo de cirurgia varia de r$1.300,00 a r$9.000,00 no mesmo dia a paciente pode voltar pra casa e em cinco dias voltar à rotina normal porém para atividade sexual é necessário repouso de 45 dias se você tem dificuldade em aceitar seu corpo avalie primeiramente porque isso está interferindo em sua vida e em seus relacionamentos e somente depois com muita certeza procure uma cirurgia plástica e mesmo assim após consultar mais de um médico para saber a opinião de cada um só não vale se submeter a uma cirurgia somente para agradar gosto é muito relativo os relacionamentos às vezes não duram pra sempre seu corpo sim labioplastia ou ninfoplastia para reduzir ou redefinir os pequenos ou grandes lábios vaginais indicada em casos de flacidez hipertrofia volume excessivo ou problemas de má-formação em casos de murchamento utiliza-se um enxerto de gordura extraída da própria paciente para preencher os grandes lábios perineoplastia cirurgia para reconstruir a musculatura do períneo que pode ficar alterada após sucessivos partos naturais ou com a idade muitas vezes é feita pelo próprio obstetra o problema muitas vezes provoca a queda da bexiga e causa incontinência urinária além de interferir na vida sexual estreitamento do canal vaginal também indicada nos casos em que houve alargamento devido a sucessivos partos naturais ou com a idade e que a perda de elasticidade interfere no sexo lipoaspiração no monte de vênus procedimento para eliminar o excesso de gordura na região púbica em geral são necessárias duas ou três incisões de menos de um centímetro cada clareamento vaginal cirurgia para amenizar o es curecimento dos lábios vaginais que pode ter causa hormonal ou uma característica natural da mulher parte da mucosa em que estão concentrados os pigmentos é retirada transplante de pêlos indicada para mulheres que apresentam redução de pêlos na região púbica devido a problemas hormonais ou cesáreas himenoplastia a reconstituição do hímen é um procedimento simples em que o cirurgião usa um retalho extraído da mucosa vaginal da própria paciente médicos têm opiniões diferentes sobre os casos em que a operação se justifica clitoriplastia É a cirurgia que visa alcançar uma maior exposição do clitóris É realizado através da remoção do excesso de pele ao redor do clitóris com um aumento da área de excitabilidade do órgão por consequência isso leva a um aumento da intensidade e duração do orgasmo É muito utilizado para o tratamento de frigidez também é indicada para reconstituição do clitóris em casos de circuncisão feminina ou quando por problemas de má-formação o clitóris fica encoberto prejudicando o prazer sexual valentin a setembro 2012 9

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especial 10 10 valentin aa valentin setembro 2012 setembro 2012

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maria da penha ajuda mas nÃo rompe o ciclo de violÊncia a quebra do silêncio de mulheres que passaram por momentos de terror com seus parceiros e o recomeço de uma história que pode sim ter solução reportagem:célia martinez e mariana oliveira fotos isadora casavechia valentin a valentin a setembro 2012 setembro 2012 11 1

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a mulher que apanha precisa olhar para si mesma e enxergar que aquela realidade pode ser mudada É preciso ter coragem para dar um basta no ciclo vicioso da violência e ser feliz izabel faz dez anos que luciana 33 apanha do marido ele é ex-presidiário e todos os dias agride a dona de casa ela conta que a violência começou quando enfrentou as primeiras crises de ciúmes do marido ele não me respeita em nada eu sei que tem outras mulheres e recentemente descobri que teve um filho com uma das amantes mas eu ainda não consegui sair de casa ou mandá-lo embora parece um vício luciana tem 2 filhos e diz não saber como sair do relacionamento no qual o respeito nunca existiu eu já apanhei por vários motivos por conversar com uma vizinha por me negar a ir pra cama com ele entre outras coisas banais já pensei em denunciá-lo mas sei que se fizer isso ele volta pra cadeia e daí perco a coragem assim como luciana quase 20 mil mulheres são agredidas diariamente em casa em todo o brasil os números são da central de atendimento à mulher ­ 180 vinculada a secretaria de políticas para mulheres da presidência da república elas conquistaram direitos novas posições sociais carreiras e aos poucos foram mudando a tradicional estrutura familiar brasileira apesar disso muitas mulheres ainda não conseguiram se libertar da violência dentro de casa uma pesquisa divulgada em agosto deste ano pelo centro brasileiro de estudos latino-americanos revelou o número de casos o perfil dos agressores das vítimas e o tipo de violência os dados foram baseados no sistema de informações de mortalidade sim da secretaria de vigilância em saúde svs do ministério da saúde ms o mapa da violência doméstica no brasil mostrou que entre 1980 e 2010 92 mil mulheres foram assas sinadas no país sendo 43,7 mil só na última década com esse índice o brasil ocupa a 7ª posição dos países que mais têm casos de violência contra a mulher a pesquisa classificou que os agressores são parceiros e ex-parceiros das vítimas que têm entre 20 e 29 anos a arma de fogo é o instrumento mais usado na prática dos homicídios o paraná é o terceiro estado do país em assassinatos de mulheres conforme o mapa da violência 2012 elaborado pelo instituto sangari e pelo ministério da justiça o estado registrou em 2010 um índice de 6,3 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres ficando atrás apenas do espírito santo com 9,4 e de alagoas com 8,3 foram 338 assassinatos de mulheres no estado o que representa quase um por dia o amparo às vítimas no sexto ano de vigência a lei maria da penha é uma grande aliada na punição dos agressores a lei modificou o código penal o código de processo penal e a lei de execução penal acabando com as penas de multas e doações de cestas básicas hoje a lei configura crime qualquer ação que cause lesão sofrimento físico sexual moral ou psicológico o agressor pode ser penalizado em até três anos de prisão e as denúncias são feitas por qualquer pessoa mesmo que a vítima recuse com a lei em vigor aumentou o número de denúncias mas de violência doméstica no brasil ainda não diminuíram em maringá os números da violência também acompanham a média nacional de acordo com a delegacia da mulher da cidade são apuradas cerca de duzentas denúncias por mês 90 das agressões são motivadas pelo uso do álcool e outras drogas 70 são cometidas por companheiros segundo a delegada emilene locatele após a lei maria da penha as denúncias aumentaram 132 mas ainda não reduziu o número de casos com as campanhas realizadas pelo governo federal as mulheres têm tido mais coragem para denunciar porque acreditam que o agressor será punido infelizmente isso não intimidou quem pratica violência em casos mais graves nos quais a mulher é ameaçada de morte antes de instaurar o inquérito a polícia precisa pedir uma medida protetiva esse termo judicial permite afastar o agressor em até 200 metros da vítima quando não procuram ajuda na delegacia essas mulheres acabam sendo encaminhadas pelos hospitais ou pelo ministério público ao centro de referência e atendimento a mulher cram o local é mantido pela prefeitura e oferece abrigo provisório atendimento jurídico psicológico e assistência social a cerca de 100 mulheres por mês a casa abrigo que ampara as mulheres que estão sob a medida protetiva da justiça é mantida sob sigilo e tem capacidade para abrigar 10 mulheres com média de três filhos cada uma delas foi a dona de casa izabel 38 que apanhou do ex-marido durante 12 anos cansada das humilhações e ameaças de morte decidiu buscar ajuda do cram durante o namoro ela percebia que as crises de ciúmes do antigo parceiro eram constantes mas pensou que iriam acabar no início do casamento o relacionamento entre os dois eram bom no entanto após o falecimento do pai dela e a gravidez do primeiro filho o ex-marido passou a agredi-la as surras eram diárias e motivadas 12 12 valentin aa valentin setembro 2012 setembro 2012

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por situações triviais se ele chegasse em casa e eu estivesse preparando bife me batia porque queria outra coisa eu apanhei na dieta do meu filho após uma cesária ele chutou minha barriga e tive de ser socorrida às pressas para não morrer com hemorragia izabel ficou alojada na casa abrigo até que o agressor fosse afastado de casa por meio da medida protetiva atualmente ela trabalha e mora com o único filho mas para manter uma vida saudável ainda precisa de acompanhamento psicológico eu sei que o mundo pode me oferecer outras chances de ser feliz e de superar os traumas que tive a mulher que apanha precisa olhar para si mesma e enxergar que aquela realidade pode ser mudada É preciso ter coragem para dar um basta no ciclo vicioso da violência e ser feliz diz a dona de casa segundo a psicóloga do centro de referência laíssa muniz da silva as mulheres chegam emocionalmente abaladas e com baixa autoestima porque não conseguem enxergar saídas para a situação a maioria dos 100 atendimentos que faz por mês é para mulheres que apanharam ou sofreram violência psicológica há pelo menos um ano em casos mais extremos algumas chegam a 15 anos e por não suportarem mais a condição humilhante em que vivem decidem procurar ajuda o agressor destrói o emocional e psicológico da vítima aos poucos por isso a cura dos traumas também é lenta algumas mulheres levam mais de dois anos para se recuperarem porque acreditam que aquele modelo de homem violento era o ideal essa foi a única referência que tiveram na infância porque sofreram algum tipo de abuso por parte do pai ou parente então a referência masculina é de criada em 2005 pela secretaria de políticas para as mulheres a central de atendimento à mulher ligue 180 é um serviço de utilidade pública que orienta as mulheres em situação de violência sobre seus direitos tem o intuito de acolher e ouvir mulheres que foram violentadas e fornecer informações sobre onde podem recorrer caso sofram algum funciona 24 horas todos os dias da semana inclusive finais de semana e feriados tipo de violência o atendimento valentin valentin valentin aa a setembro 2012 setembro 2012 setembro 2012 13 1313

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turpada a desconstrução desse perfil é fundamental no tratamento e isso leva tempo algumas não conseguem a gerente do centro de referência maria cecília esteves rosa trabalha como uma espécie de anjo da guarda das vítimas de violência em seis anos afastou milhares de mulheres dos agressores e já perdeu as contas de quantas livrou da morte segundo ela esse apoio é essencial para as mulheres começarem uma vida nova mulheres que sofrem violência geralmente dependem do companheiro e não conseguem sair de casa porque não sabem como sobreviver longe do marido com o serviço social elas se sentem protegidas e sabem que podem ser amparadas até terem condições para mudar de vida tipo de violência relatada 56,65 fonte central de atendimento à mulher ligue 180 spm pr 14 14 valentin valentin aa setembro 2012 setembro 2012

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mulheres trabalham demais com direitos de menos no programa federal brasil sem miséria ações voltadas para a autonomia financeira e inclusão produtiva de mulheres fazem a diferença na hora da aprovação de projetos de assistência técnica e extensão rural ater a cota de 5 dos recursos do programa de aquisição de alimentos paa vai para as cooperativas de agricultura familiar formadas por mulheres o governo apóia mulheres chefe de famílias que estão no campo ou nas cidades na cidade elas também não têm hora para começar o dia sueli tosoni benites 46 veste seu sorriso como veste suas roupas sempre no horário não gosta de se atrasar timidamente começou aos 25 anos quando as filhas eram pequenas com a renda de 1/2 salário mínimo na época ela alimentava o desejo do próprio negócio de lá para cá sueli deu um bom salto na economia familiar e de independência feminina desde 2007 ela trabalha durante o dia em seu próprio atelier de costura na confecção de uniformes e reformas e há três anos quando a noite chega vem para o outro emprego alegre conta que no ano passado comprou o primeiro carro foi só com o meu dinheiro diz sueli carreira carreira e profissões meios de realização e independência da mulher em nossos dias o trabalho feminino estimula a economia e premia a criatividade das mulheres hoje elas estão realizadas e com dinheiro na bolsa com sorriso no rosto maquiado os passos firmes não se deixam abater reportagem rosilene de fÁtima pollis nos últimos cinco anos a renda mensal superou os r 2 mil reais e a costureira se diz satisfeita com o fruto de seu trabalho segundo conta construiu o atelier comprou o terreno e terminou a casa própria equipou seu negócio com cinco máquinas de costura industrial e hoje escolhe encomendas durante o dia prefere trabalhar sem patrão nem empregados em valentin a setembro 2012 15

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