A Remar contra a Maré

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

publicações anteriores a comissão administrativa democrática da câmara municipal de viana do castelo não é democrática edição policopiada do autor 1976 o maldito encontros do maldito organizados pela companhia de teatro contracena edição policopiada do autor 1998 acuso crónicas de urbanismo e arquitectura estratégias criativas 2001 dedicatória para a rosa e a patrícia aos meus amigos manel nicolau o mais ausente joão vieira de castro teresa andresen teresa alves cristina pinto alfredo gomes bernardo macedo o mais surpreendente e aos outros que vejo e com quem falo ou comunico só de tempos em tempos mas que estão no meu coração agradeço ao alfredo gomes meu companheiro de jornada desde 1970 que tem co-autoria em todos os trabalhos que fizemos juntos ao dr paulo duarte o apoio que me permitiu entrar na área da jurisprudência do direito da arquitectura ao eng.º luís pereira a disponibilidade exagerada de que me aproveitei e a paciência que teve para me fazer progredir no manuseio dessa máquina infernal que é o computador 1

[close]

p. 2

prólogo todos os dias se podem ler nos jornais ­ bastam os recortes de imprensa do público ou do dn ­ declarações que provam a existência de práticas ilegais a enorme força das leis paralelas mafiosas e o pouco respeito pela lei por parte de quem nos governa para confirmar isso não seria necessário este livro ele é um documento de prova particularmente consistente da existência de práticas ilegais e viciosas na área da arquitectura o urbanismo é um ramo da arquitectura mas ficar só na constatação do facto não adianta nada e mantém a situação quero devo passar para além disso quero fazer propostas sugerir caminhos e procedimentos É essa a razão de ser deste livro que pode ser útil a muita gente de boa índole e com propósitos sérios assim ele chegue a mãos que o saibam utilizar prefacio o arquitecto é deve ser tem de ser um criador de espaços um jovem arquitecto recém ­ formado está cheio de vontade de se confrontar com a difícil profissão que escolheu e de mostrar quanto vale a si próprio e aos outros acontece que a vida profissional de quem quer singrar na área da prestação de serviços ou até na dos serviços está organizada de tal modo que em pouco tempo o jovem arquitecto desiste de se realizar na profissão para poder viver como a sociedade o força a viver ou deixa a arquitectura e arranja um modo de vida diferente ou acaba cedendo às pressões e se integra nas práticas correntes prostitui -se as dificuldades que o sistema opõe ao legítimo exercício da profissão as pressões para que deixe de inovar e faça aquilo que as câmaras e outros serviços pretendem a falta de ajuda e compreensão dos colegas e demais funcionários com quem tem de se confrontar a falta de ideias e de projectos dos políticos as máfias instaladas e os grupos de pressão são obstáculos que ninguém vence isoladamente como tudo isto é sabido esperar-se-ia que a ordem dos arquitectos oa tenha como missão a defesa e a moralização da classe para que a arquitectura neste país possa ser uma profissão digna e 2

[close]

p. 3

respeitada tal não acontece assim o jovem arquitecto vai envelhecendo sem conseguir fazer valer as suas ideias inovadoras mesmo aqueles que com apoios especiais conseguem sair do anonimato têm de ceder deixar-se integrar no ambiente existente as suas obras são sempre um compromisso e muito raramente são o resultado da criação livre de pressões ou obstáculos daqui se conclui que a profissão de arquitecto é uma profissão sem apelo sem gratificação moral e psicológica no entanto pode dar muito dinheiro a ganhar a quem a pratique conformado e subserviente este livro por si só não consegue alterar seja o que for no entanto é necessário que se dê uma pálida ideia do estado miserável em que a cultura e a moral se encontram quanto mais não seja para que conste e não se diga que ninguém se opõe a este estado de coisas que elas não são conhecidas mas toda a gente do meio sabe ora se sabe sabem a ao e os arquitectos sabem os engenheiros que trabalham nesta área sabem os juizes e advogados sabem os construtores e sabem aqueles que pretendendo construir são vítimas deste estado das coisas estas crónicas foram escritas ­ de 30 de abril de 2002 a 29 de abril de 2004 ao ritmo de duas por mês o que obrigou a criar uma organização de trabalho que permitisse fazer com que chegassem ao jornal a tempo e horas a tensão criada por esta situação prejudicou os raciocínios até a escolha dos temas que muitas vezes foram publicados com falhas a qualidade geral foi menor apresentam-se revistos e corrigidos pelo facto de os textos aparecerem de quinze em quinze dias muitos dos temas mais importantes aparecem recorrentemente ao longo das peças publicadas a razão está em ser muito pouco provável que os leitores fossem sempre os mesmos pelo que sempre que vinha a propósito esses assuntos foram sendo referidos tentando tornar as ideias cada vez mais claras portanto os temas que aparecem recorrentemente são apresentados de maneira que há sempre algum aspecto que torna as exposições das ideias diferentes pelo que mantivemos as várias versões 3

[close]

p. 4

a arquitectura é uma arte menor 26-11-02 não há dúvida de que a arquitectura é a arte que tem mais presença por estar constantemente à nossa volta no entanto é a que menor visibilidade tem isto deve-se a vários factores o mais importante dos quais é o facto de a arquitectura ser uma arte menor lembremos que nem sempre foi assim houve tempos em que a arquitectura era a expressão da cultura dos povos a que pertencia por ser aquela que naturalmente era exercida pelo conjunto daqueles que a ela se dedicavam de acordo com os seus conhecimentos técnicos e científicos e nos casos de ser sumptuária de acordo com os gostos daqueles que libertavam os meios económicos necessários infelizmente na sequência da revolução industrial o saber e a técnica começaram a divergir e pior que isso apareceram as firmas especializadas nas tarefas de construção completamente divorciadas da sociedade culta enquanto antes a população que se dedicava à construção mantinha a ligação com a cultura mais avançada da época de finais do século xix para cá as tais empresas construtoras perderam totalmente a influência e a direcção dos que mais sabem sobre esses assuntos porque funcionam com o objectivo do lucro e não da perfeição do trabalho feito as inovações são procuradas nos campos industrial e comercial não criam condições para que haja investigação nas áreas que melhoram quer as condições técnicas das construções ­ durabilidade facilidade de manutenção conforto isolamento etc ­ quer naquelas que podem permitir novos modelos e novas propostas de utilização dos espaços tudo o que há de novo vem de fora e é oriundo de firmas constituídas para ocupar nichos específicos do mercado as experiências que eram feitas nos estaleiros das obras com o fim de se conseguir novas técnicas e materiais passaram a ser feitas em laboratórios desligados da prática de todos os dias e do conjunto daqueles que se dedicam a esses trabalhos de 4

[close]

p. 5

construção não espanta pois que hoje quem constrói tenha um nível de alfabetização deplorável e nenhuma qualificação técnica própria endossando responsabilidades a técnicos contratados que nada decidem no que respeita à administração da empresa na área da pesquisa ou da concepção passou a haver no sector da construção os técnicos e os artistas os primeiros os engenheiros tratam da técnica da exploração da indústria da construção os segundos os arquitectos passaram a só poder conceber imaginar criar sem o apoio do estaleiro das obras diga-se desde já e nunca é demais repeti-lo que um artista não está dispensado de saber da técnica só que geralmente o arquitecto não consegue inventar técnicas e materiais novos dado que a sociedade não lhe dá condições para isso além de ter ficado com o seu campo de experimentação reduzido no que respeita ao domínio e controle da técnica o arquitecto viu também o seu trabalho condicionado por novas regras condicionantes do próprio exercício da profissão que o tornam um trabalhador exterior ao processo produtivo isto porque hoje não é necessário que haja bons projectos de arquitectura ou mesmo projectos feitos por arquitectos para que o pib produto interno bruto seja um ou outro o que é preciso é que se construa a qualidade do trabalho do arquitecto é irrelevante aqui chegados ficamos a saber que o arquitecto para se realizar profissionalmente tem de se integrar no processo produtivo à força se ele não é necessário já que outros fazem os processos de licenciamento e está sempre dependente do patrão cliente ou empregador ­ que altera o seu trabalho para além disso o arquitecto está como eu venho dizendo há anos na dependência daqueles que por força de leis idiotas e estapafúrdias avaliam os seus projectos claro que a partir do momento em que outros vão opinar sobre o seu trabalho condicionam-no alteram-no não tem as condições necessárias para criar livremente o resultado do seu trabalho é outro de muito menor mérito várias vezes colegas me têm dito que aquele projecto não será aceite na câmara no entanto não identificaram qual o preceito legal que não é respeitado porque sim porque eles não deixariam passar a independência criativa e a liberdade para conceber e imaginar ficam fortemente diminuídas imagine-se um arquitecto quando projecta e pensese que ele tem de estar constantemente a interromper o seu 5

[close]

p. 6

trabalho para verificar se há alguma possibilidade de haver uma interpretação da lei que não permita aquilo em que ele está a pensar o que é impossível porque as pessoas variam dentro da mesma câmara e de uma para outra pior imagine-se o medo que ele tem de que as suas ideias que entende respeitarem as leis não sejam compreendidas e ou aceites por quem vai julgar o seu trabalho perde totalmente a tranquilidade e as condições necessárias ao bom exercício da profissão daí que para ganhar a vida o arquitecto desista de inventar nas áreas em que o deve fazer se submeta às tiranias várias que condicionam o seu trabalho e vá perdendo oportunidades para ensaiar experimentar enfim tentar dar um passo em frente no que à arquitectura diz respeito o arquitecto estiola e deixa de ser arquitecto passa a fazer processos de licenciamento e quanto muito decoração exterior e interior passou a ser um desenhador de moda da arquitectura se o arquitecto quer fugir deste destino e quer ensaiar uma outra utilização de um material ou produto tem de se socorrer da boa vontade das firmas desse ramo de actividade que não vêm com bons olhos as perturbações que isso acarreta no seu sistema produtivo porque não sentem a necessidade de mudar se quer fazer uma leitura da lei mais avançada e compatível com as necessidades actuais ou mesmo futuras esbarra na burocracia e na estupidez dos funcionários se quer investigar deixa a vida prática pois não lhe é permitido fazer simultaneamente as duas coisas perde o contacto com o estaleiro mas é no estaleiro que o arquitecto tem o seu laboratório aí confronta-se com os procedimentos e as técnicas usados comummente com o que tem a oportunidade de imaginar soluções diversas e eventualmente inovadoras portanto parece se o arquitecto abandonar a prática profissional livre para se dedicar à investigação o resultado do seu trabalho só será inovador se a investigação for feita dentro de um organismo produtor ligado à construção que lhe permita projectar e construir como se estivesse na profissão liberal sem constrangimentos quantos são os industriais que têm uma visão que exija este tipo de investigação que não tem rentabilidade garantida seja a que prazo for quantos investem como os laboratórios que produzem medicamentos em equipas material e equipamento para que um arquitecto possa investigar um arquitecto isolado que investigasse nessas condições utópicas de nada serviria já 6

[close]

p. 7

que um laboratório de investigação necessita sempre de equipa ou equipas que lhe garantam a continuidade e o sucesso quanto ao progresso técnico com o sistema produtivo que hoje existe os arquitectos nada podem contribuir para além de esporádicas contribuições pontuais saídas do acaso das circunstâncias tudo o que é novo vem de fora e nem sequer há a conveniente adaptação às condições próprias do país portanto nada de maior se pode esperar do arquitecto nesse domínio comparem agora o arquitecto com o pintor o escultor o compositor/músico o romancista o poeta o actor e mesmo o intérprete músico destes só os dois últimos trabalham em equipas que como acontecia antigamente com a arquitectura são responsáveis pelo produto acabado os outros são ou podem ser completamente independentes e podem criar aquilo que muito bem lhes apetecer sem constrangimentos de qualquer espécie as suas obras podem ficar em arquivos ou gavetas durante séculos sem que deixem de ter o valor real que têm podendo vir a ter o mesmo papel no futuro que aquele almejado pelo artista quando as criou verificarão que isso é vedado ao arquitecto pois se não houver um território ou terreno e um programa objectivo o fim a que se destina a construção ou o plano a obra não pode existir pois o arquitecto trabalha sempre por encomenda É um artista menor 7

[close]

p. 8

8

[close]

p. 9

pôr a ordem na ordem 18-02-03 este foi o lema da candidatura da actual bastonária da ordem dos arquitectos oa na campanha eleitoral na qual afirmou que se fosse eleita daria baixa do seu lugar de deputada como já teria feito noutra circunstância nem há sinais de que a oa esteja a ser posta na ordem nem que a bastonária tenha abandonado são bento percebe-se que os partidos queiram ter gente sua em tudo o que é sítio mas não se aceita nem compreende que um profissional que ganha a confiança e a responsabilidade de uma classe traia aqueles que o elegeram de resto nada de notável tem vindo a público que corresponda a novos rumos e melhores ares para a classe dos arquitectos na verdade há assuntos com relevância para a vida nacional e para a dos arquitectos que deviam ser tratados com urgência no interior da classe e alguns deles na praça pública mas as águas mornas da classe e da vida nacional não são agitadas por nenhuma acção da oa que pretenda dar soluções ou respostas poderá dizer-se que os critérios de quem governa a oa podem não dar a esses assuntos que eu julgo importantes a menor importância mas custa a crer já que tem havido por parte da comunicação social notícias que obrigavam a tomadas de posição pública por parte da oa sem que tal tenha acontecido por exemplo o desrespeito recorrente das câmaras pelos planos directores municipais nas câmaras há arquitectos É verdade que contrariando as posições da oa o governo resolveu fazer marcha atrás na questão da atribuição do exclusivo da arquitectura aos arquitectos e resolveu também pôr o assunto em banho-maria este foi o único caso em que a oa tomou posição pública visível ao pedir aos nossos concidadãos apoio exigindo a imediata revogação do dec lei 73/73 e a criação de um instrumento legal que definitivamente dê o exclusivo da arquitectura aos arquitectos É muito pouco para um ano de mandato e não contribui para pôr ordem na ordem tem sido frequente os jornais e as televisões darem cobertura a encomendas feitas por câmaras a arquitectos nacionais ou estrangeiros algumas com vista a ultrapassar certos aspectos legais nomeadamente imposições de p.d.m s sem que a oa se 9

[close]

p. 10

tenha manifestado para dentro da classe processando os arquitectos culpados de cumplicidade nessas ilegalidades e para fora defendendo a solução legal prevista do concurso público aberto quando há alteração de um p.d.m encoberta pelo nome do arquitecto com a desculpa de que vai valorizar o património da cidade com o seu projecto há crime de desrespeito por textos legais os arquitectos que são funcionários das autarquias que assim têm agido não tomaram a defesa da legalidade e do cumprimento da lei arquitectos que nas suas informações e despachos invocam interpretações erradas a lei para propor indeferimentos de projectos de colegas os que projectam para essas câmaras e têm conhecimento dessas fraudes também não se manifestam pelo que a oa deve nesses casos denunciar o facto ao ministério público como manda a lei e iniciar ela própria processos disciplinares aos arquitectos em causa e acções que protejam as leis de modo a que sejam aplicadas como devem e não como apetece ao senhor presidente da câmara trata-se de crime tão grave que pode e deve provocar a perda de mandato daqueles que assim procedem É verdade há presidentes de câmara que para fazerem o que lhes apetece mas não é permitido pela lei se socorrem de arquitectos com nome na praça para com a sua colaboração alterarem indevidamente os planos directores municipais norman foster e ghery em lisboa siza em barcelos e lisboa távora siza eduardo souto moura mais outros menos conhecidos em viana do castelo são de momento os que me lembro são cumplicidades graves que devem ser objecto de processos disciplinares tanto mais que em quase todos os casos o resultado é uma agressão ao património construído no caso de viana do castelo permitiram a demolição do mercado municipal uma obra do arquitecto joão andresen com inegável valor arquitectónico e patrimonial que de modo algum aqueles arquitectos deviam ter deixado demolir só não sei não vi não ouvi não li que a senhora bastonária ou a direcção nacional da oa tenham iniciado luta interna para que os arquitectos que assumem estas práticas ética e deontologicamente condenáveis sejam punidos como compete a uma associação profissional de interesse público 10

[close]

p. 11

a oa deverá exigir que os p.d.m s e planos de pormenor sejam respeitados pelas câmaras e não pode desconhecer as barbaridades que seus associados estão a permitir quando não a fazer a oa tem de dar aos cidadãos deste país a ideia de que algo de errado se passa e que não é cúmplice com este estado de coisas na verdade está mais que provado que os presidentes de câmara são muitas vezes déspotas arrogantes agressivos prepotentes desrespeitadores das leis e dos cidadãos pouco ou nada preparados convencidos e por aí fora isto e o facto de qualquer um poder fazer um projecto que passa por ser de arquitectura fez nascer na classe dos arquitectos uma parte significativa de acomodados subservientes timoratos e cobardes sem qualquer poder e capacidade reivindicativa que têm que ser postos na ordem para isso é também necessário dar força aos arquitectos apoiá-los ir na frente desbravar a teia de cumplicidades e demissões que aqui como noutros sítios se instalou no país agora o governo pediu à assembleia da república autorização para alterar o dec lei 555/99-177/01 que estabelece o regime jurídico da edificação e da urbanização e o regulamento geral de edificação urbana rgeu leis fundamentais par o exercício da profissão de arquitecto será uma oportunidade para a oa aparecer e dar a cara pela correcção deste decreto que nasceu torto com graves prejuízos para o país e para os arquitectos de caminho deve começar a luta por uma classe escorreita competente afastada das negociatas enfim como deve ser aqui ficam alguns pontos importantes para essa luta corajosamente propor que a fiscalização dos projectos seja independente da emissão do alvará os projectos deixarão de ficar presos nas câmaras meses e anos à espera do despacho final de deferimento deferimento esse que torna a câmara coresponsável pelo que se vier a construir ao abrigo do alvará basta separar os dois procedimentos o da fiscalização e o da emissão dos alvarás para tal é necessário responsabilizar o arquitecto e os engenheiros exigindo que os termos de responsabilidade sejam garantia do respeito pelas leis e regulamentos pelo que o alvará seria emitido desde logo antes de expirado o prazo que as câmaras têm para verificar/fiscalizar o respeito dos projectos pela lei portanto logo depois da 11

[close]

p. 12

entrega dos processos nas câmaras e enquanto o construtor se instala e inicia os trabalhos se forem detectados erros ou dolo dentro do prazo estabelecido para que as câmaras se pronunciem sobre os processos as obras serão embargadas e os processos contra os arquitectos e outros responsáveis pelos projectos seguiriam para os tribunais e para as respectivas ordens deste modo o arquitecto passa a ser o único responsável pelo seu trabalho e pelas declarações constantes do seu termo de responsabilidade e será fiscalizado como qualquer outro profissional depois de praticar o acto antes da construção adiantada mas sem a suspeição que agora existe que o obriga a esperar pelo acordo da câmara acordo esse que como se tem visto nos jornais e televisões resulta muitas vezes em ofensas do p.d.m ou de outras leis não se percebe para que servem quer a obrigação de fiscalizar que recai sobre a câmara quer as demoras que ela acarreta a câmara é cúmplice quando aprova e pratica um crime quando desobedece ao pdm se a oa não tiver capacidade para ver que separar a emissão dos alvarás e a fiscalização dos projectos é a única solução madura e adulta sem subserviências e sem cobardias por parte dos arquitectos ao menos que exija que o deferimento tácito volte na forma que tinha no dec lei 455/91 e que aos arquitectos seja reconhecido o direito de se defender nos tribunais quando o seu projecto for recusado hoje só o requerente do licenciamento pode reclamar acresce que os serviços das câmaras estão organizados de tal modo que não podem assumir a responsabilidade de julgar um projecto e declarar se respeita ou não a lei porque não têm técnicos especialmente formados e preparados para tanto quem julga os projectos é incompetente e necessariamente cria situações de incorrecta aplicação da lei que os políticos impreparados e mal apoiados juridicamente subscrevem fazendo assim graves atentados aos direitos dos cidadãos praticam nesses casos crime de desrespeito pela e abuso da lei os indeferimentos e consequentes prejuízos para o requerente são decididos por os projectos na interpretação frágil dos serviços não respeitarem a lei sendo assim quem deve defender o projecto é o seu autor e não o proprietário do terreno e requerente do alvará ao arquitecto deve como se diz atrás 12

[close]

p. 13

ser permitido o recurso aos tribunais sempre que considere que o seu trabalho foi mal avaliado ou interpretado quando assim se fizer pelo menos nesta área tão importante da construção e do urbanismo seremos um país adulto e culturalmente maduro a oa nomeou um grupo de trabalho gt para estudar e propor correcções à proposta de novo rgeu esse gt pegou na proposta do governo que nada de substancial e inovador traz e fez-lhe uns retoques É a demonstração cabal de que os arquitectos estão bem com as coisas como estão que não encontraram nestes sessenta anos em que o rgeu está em vigor nada a dizer quanto à sua estrutura conceitos e articulado parece que não houve mais de meio século para ver as limitações e insuficiências e principalmente os defeitos e erros que ele tem É uma vergonha triste triste o texto saído do gt mantém a estrutura da proposta do governo e complica não propõe um texto novo actual dinâmico simples sucinto aberto como a prática tem demonstrado ser necessário 13

[close]

p. 14

o direito da arquitectura ­ coisas de espantar i 16.09.03 i ­ uma câmara do norte a de felgueiras em boa hora fez a compilação dos projectos entrados para apreciação nos anos de 1999 2000 2001 e 2002 e respectivas autorias ficou a saberse o seguinte número de projectos entrados nesses anos respectivamente 792 835 394 e 460 total 2481 número destes projectos assinados por arquitectos respectivamente 40 41 24 e 29 total 134 ou seja 5,4 do total número dos arquitectos que assinaram esses projectos 50 número de arquitectos que assinaram só um projecto nesses quatro anos 32 número de arquitectos com mais que um projecto nunca mais de quatro nesses quatro anos 18 número de engenheiros técnicos que assinaram projectos nesses quatro anos 42 número de engenheiros que assinaram projectos nesses quatro anos 39 porque os arquitectos foram em maior número do que os engenheiros a trabalhar para o concelho poder-se-ia tirar a conclusão de que os arquitectos conquistaram uma posição relevante no mercado do projecto que devia ser só dos arquitectos mas tal não acontece uma vez que o número de arquitectos com um projecto por junto nesses quatro anos é de 32 ou seja 64 do total dos arquitectos daí que só dezoito 50-32 18 obras foram requeridas à câmara com termo de responsabilidade de um arquitecto com mais de um projecto temos que concluir que aos arquitectos só são encomendados projectos em muito pequena percentagem e que a maioria serão obras pequenas remodelações e moradias o que é confirmado pelo volume da construção que lhes coube que é manifestamente reduzido quando comparado com os dos outros responsáveis pelos processos de licenciamento há mesmo o caso de um dos arquitectos que apresentou um projecto nesses quatro anos ter uma estimativa do custo da obra de 353 euros 14

[close]

p. 15

no geral o panorama para os arquitectos não é satisfatório pois há menos de meia dúzia de projectos a serem estimados entre os 500 mil e um milhão de euros a confirmação do que acabou de se dizer está no facto de haver seis responsáveis não arquitectos por processos de licenciamento que têm cada um mais processos que o total dos projectos dos arquitectos com mais de um projecto isto é há seis técnicos que individualmente têm mais projectos que os dezoito arquitectos comparemos os 102 projectos da autoria dos dezoito arquitectos com os projectos de cada um desses seis técnicos 175 244 134 106 922 não é erro e 129 40 do total dos processos de licenciamento entrados nesses quatro anos oitocentos por cento mais que os arquitectos descobre-se assim pelo menos seis fábricas de processos de licenciamento mas naquela zona há mais câmaras e nada nos diz que estes empresários não assinem projectos em muitas outras câmaras o caso dos 922 processos de licenciamento merece ser detalhado pelos quatro anos 330 290 138 164 quer dizer que em 1999 essa fábrica fez entrar naquela câmara mais que um processo de licenciamento por dia útil nesse ano o custo desses 330 processos de licenciamento foi estimado em 18.051.202,00 euros no ano seguinte embora em menor número de processos o volume estimado foi de 22.438.303,00 euros nos dois anos seguintes os valores foram de menos de sete milhões e meio e de pouco mais que dez milhões gostava de saber quanto pagou esta firma de impostos nesses anos É prática corrente em todo o país estimar os custos das obras muito abaixo do valor final real mesmo os valores oficiais são consideravelmente inferiores aos reais mesmo assim considerando estes valores e arbitrando um valor baixo para os honorários já que se trata de uma fábrica nesse ano os cofres da empresa devem ter recebido cerca de 361 mil euros cerca de setenta e dois mil contos se a gestão não foi boa pelo menos metade será passível de impostos cerca de 36 mil contos o irc sobre este valor ascende a 30 portanto 10.800 contos gostava de saber quanto foi pago 15

[close]

Comments

no comments yet