cin'surgente: o livro

 

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coletânea de textos que analisa cada filme que assistimos no cineclube "cin'surgente" nos anos de 2009 e 2010. escrito e organizado por léo pimentel e sandra nascimento.

Popular Pages


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léo pimentel souto sandra m nascimento http amantedaheresia.blogspot.com http institutoautonomia.org.br cin surgente em o livro com um posfácio de julio cabrera ­ filósofo do cinema http filosofojuliocabrera.blogspot.com ­ brasília instituto autonomia 2012 coletânea de textos que analisam os filmes assistidos no cineclube cin surgente no lounge nômade perfume do deserto ­ http perfumedodeserto.blogspot.com entre os anos de 2009 e 2010 [2012 as imagens que ilustram cada texto e sua versão ampliada que estão em anexo são colagens que serviram como convite às sessões do cineclube organização textos e projeto gráfico léo pimentel souto revisão e textos sandra m nascimento

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não sou um profissional de cinema mas um militante dele cacá diegues ­ cineasta ­

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Índice insurge o subvercine terça-feira 30 de junho de 2009 p 07 se sexta-feira 3 de julho de 2009 p 08 zero pela conduta jean vigo e nós suas crianças segunda-feira 10 de agosto de 2009 p 08 a origem do subvercine sci-fi quinta-feira 8 de outubro de 2009 p 09 subvercine bunbu itchi segunda-feira 26 de outubro de 2009 p 11 2010 maio o retorno quarta-feira 5 de maio de 2010 p 14 latcho drom de tony gatlif e a superação do urbano quinta-feira 13 de maio de 2010 p 15 waking life um ensaio sobre a cegueira cotidiana quarta-feira 19 de maio de 2010 p 16 sweet movie contra todos os regimes quinta-feira 10 de junho de 2010 p 17 a vida dos outros ou o que fazemos com a nossa finitude domingo 27 de junho de 2010 p 19 valsa com bashir dançando com a dor dos outros terça-feira 6 de julho de 2010 p 21 i love you ou podemos amar qualquer coisa inclusive pessoas segunda-feira 19 de julho de 2010 p 23 a montanha sagrada ou a teologia materialista do real domingo 8 de agosto de 2010 p 25 veludo azul ou nada decidiu a forma de existência que observamos quinta-feira 12 de agosto de 2010 p 27 senhor das moscas ou a arte tribal das crianças da realidade suficiente domingo 22 de agosto de 2010 p 29

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sociedade do espetáculo ou a narração da ontologia do vazio domingo 5 de setembro de 2010 p 31 lucio o anarquista ou quem tem medo do anarquismo quarta-feira 8 de setembro de 2010 p 33 virada movies 2010 quarta-feira 15 de setembro de 2010 p 35 vida cigana ou adesão à existência sem remorso nem segundas intenções quarta-feira 29 de setembro de 2010 p 37 wood stock ou o futuro de uma ilusão sexta-feira 1 de outubro de 2010 p 39 solaris matando a coisa e mostrando o a coisa mesma domingo 17 de outubro de 2010 p 41 stalker ou a transvaloração do turismo domingo 7 de novembro de 2010 p 43 outubro ou a partir do modelo chinês terça-feira 16 de novembro de 2010 p 45 surplus ou o arcaismo revolucionário domingo 21 de novembro de 2010 p 47 queimada ou brincando com fogo quarta-feira 24 de novembro de 2010 p 50 lilian m ou liberdade só a libertinagem vos libertará quarta-feira 1 de dezembro de 2010 p 52 el topo ou por uma mística do trágico segunda-feira 13 de dezembro de 2010 p 55 libertárias ou um exército disposto a desaparecer terça-feira 14 de dezembro de 2010 p 57 tetsuo the iron man save the green planet a experiência final sexta-feira 17 de dezembro de 2010 p 59 por um posfácio nada difícil ­ sobre politizar conceitos-imagens julio cabrera p.61 anexo convites para as sessões do cin surgente p 61

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introito o cinsurgente nasceu de duas necessidades de ver cinema deseducação imagética e cinema-limite a deseducação imagética é necessária pois desde que nascemos somos inseridos em um universo de imagens que nos condiciona a uma específica interpretação imagens são substitutos de realidades a propaganda cujo objetivo é vender algo encharca as imagens de consumo rápido educa nossa sensibilidade de modo que cada imagem torna-se um objeto de desejo para ser consumido de imediato a televisão cujo aparelho tornou-se objeto impossível de ser dispensado em cada lar encharca as imagens com interesses e compromissos dos donos e associados das estações de tv educa nossa sensibilidade de modo que cada imagem torna-se tanto duplo do real com pretensão de substituí-lo enquanto tal quanto informação de assimilação imediata sem silêncio algum para ser pensada avaliada medida comparada o cinema cujo status de representação foi logo substituído pelo de entretenimento encharca as imagens de linearidade e grandiosidade educa nossa sensibilidade de modo que cada imagem torna-se começo meio e fim formador de pensamentos unidimensionais portanto esta tríade mínima de criação e reprodução de imagens cria uma educação unilateral que naturaliza a imagem ocultando seus artifícios naturais desejo consumo rápido interesse apreensão imediata e narrativa entertainer no entanto há uma fenda nessa educação o cinema-limite este não deixa de ser desejo interesse e narrativa no entanto não faz a opção pela unidimensionalidade e pela exegese imagética de fácil absorção não está comprometido em vender propagar interesses em massa ou entreter a fenda cinema-limite é propriamente a criação e a reprodução da imagem cujo processo opera como necessidade deseducadora para se reeducar deseducação necessária tanto aos conteúdos quanto às formas reeducação necessária tanto aos conteúdos quanto às formas o cinema-limite é beira do abismo o horizonte de eventos de um buraco-negro a revolução permanente é a impossibilidade da quietude e a irreversibilidade da volta É ferramenta para ao mesmo tempo destruir e construir pois bem em 2009 o lounge nômade perfume do deserto abre-se como espaço para essa deseducação abre semanalmente para realização de um cineclube os livros sobre cinema de julio cabrera tornam-se inspirações deseducantes já que muitos daqueles e daquelas frequentadoras eram leitores de seus livros e o cinema-limite um horizonte assistir pensar e realizar assim surge o cinsurgente onde fizemos exibições públicas de filmes reunimos convidados e convidadas discutimos após a exibição sobre as situações limites que os filmes propunham ora em seus conteúdos ora em suas formas e ora em ambos e a cada sessão produzimos um texto cujo conteúdo não era resumo da discussão mas sim apropriação livre de seus tópicos mais interessantes e que hoje em 2012 reunidos tornam-se e-livro e manifesto para outro cinema é possível esse e-livro é na sua forma original a historicidade dos encontros que resultaram na elaboração dos textos como expressão atemporal É assim um diário selado.

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intermezzo no cinsurgente a presença mais ausente e ao mesmo tempo a ausência mais presente foi a de julio cabrera filósofo desenvolvedor da interpretação original do cinema como sendo um modo de pensar ao mesmo tempo em que este pensa o cinema como pensamento e algo pensante simultaneamente como produto de criação representação e composição simultâneo à polissemia que o faz escapar das mãos e das cabeças de seus próprios realizadores e realizadoras o cinema como dependência e autonomia julio cabrera espécie de obi wan kenobi e darth vader do cinsurgente deve tornar-se presente ecce homo 1 julio antes de tudo como é saber que suas ideias sobre cinema podem abrir estranhos horizontes como por exemplo o cinsurgente sendo um espaço para a deseducação imagética através de filmes-limite a influência antecedente 2 julio como você vê entende essa ideia de deseducação imagética perspectiva negativa da educação ­ desobediência hermenêutica sobre ausência-presença 3 como você entende o que venha a ser filmes-limites já que inclusive você mesmo sugeriu alguma para nosso cineclube como i love you e senhor das moscas as bordas e beiras do fazer filmes sobre presença-ausência 4 julio comente e complete a seguinte frase os crítico os teóricos os filósofos e intelectuais de toda sorte têm apenas interpretado o cinema de maneiras diferentes a questão porém é a influência subsequente mas antes das respostas de julio cabrera

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o lounge nômade perfume do deserto tem o orgulho de apresentar antes porém insurge o subvercine terça-feira 30 de junho de 2009 enquanto o ser conformista se transveste em ser realista enquanto a juventude se torna prudente e carreirista enquanto a futilidade da opulência se torna meta enquanto o conceito de liberdade se transforma no conceito de responsabilidade o sonho não dorme o sonho conspira subverte a vigília avalia nossa condição consciente e compreende libidinalmente nossas aspirações um sonho jamais pode ser forçado no entanto pode ser invocado não por encomenda mas podemos maximizar a possibilidade de seu florescimento a conspiração do sonho é claramente sensível ao ritual e à magia da sugestão e o cinema é um tipo de máquina onírica que se deixa infiltrar dentre seu contraponto o silêncio de quem o assiste a realidade que desejamos viver a grande conspiração do sonho assim o subvercine insurge aparece para mover a si mesmo libertar ou criar as condições do florescimento de outra realidade mais viva e pulsante nada mais pode ser o que era antes se bem deliciada inverte a ordem das coisas que sabemos não é nada abstrata e sim a tradução concreta da dominação e já estava anunciada nos muros de uma velha paris a sociedade da alienação deve ser varrida da história nós estamos inventando um mundo novo e original a imaginação está tomando o poder que o cinema a conversa a magia o sonho e até as estrelas sejam guias de tudo o que desejamos.

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se sexta-feira 3 de julho de 2009 uma das frases orientais mais célebre e usada em uma infinidade de contextos ­ já apareceu até mesmo em um episódio da série os simpsons ­ pode ilustrar o que aconteceu ontem em nosso lounge nômade vamos lá qual é o som de uma árvore que cai no meio de uma floresta mas não tem ninguém para ouvi-lo enquanto vocês pensam a resposta farei algumas considerações sobre o filme if um dos mais interessantes filmes da história do cinema primeiro por que vai muito além de uma experiência estética devem-se ter olhos e ouvidos nada apressados deve-se ter força e delicadeza aguçadas deve-se estar prestes a celebrar uma insurreição depois por que é um acordar-se ao nascer do sol totalmente desperto revigorado pois quem ainda se atreve a realizar uma mitopoese para si mesmo/a a responder três vezes que não se acredita em deuses ídolos e celebridades e assim realizar milagres através de seus próprios poderes e forças esse filme evita a necessidade de um professor e até mesmo de seu diretor lindsay anderson transborda em inspirações e sintomas oníricos possíveis até mesmo aos espíritos distantes de quem não vivenciou a contracultura dos anos 1960 É caos nos moldes do pensamento chinês está cheio de potencial como a experiência da água em um vaso que aos poucos transborda e assim cada gota acha seu caminho fertiliza a terra e traz tudo à vida mick traveis malcom mcdowell encontra seu significado mas se potencializa ao dançar com o super-id nos porões escuros porém amplamente visível de nossa libido ah sim e então encontraram a resposta se não então nos vemos em nosso próximo subvercine.

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zero pela conduta jean vigo e nós suas crianças segunda-feira 10 de agosto de 2009 não é de se excitar a kundaline ler essa frase do poeta raoul vaneigem tudo aquilo que pode ser destruído deve ser destruído para que as crianças possam ser salvas da escravidão ah ela nos reconecta às questões mais fundamentais de nossa existência o que fazemos com aquilo que fizeram de nós lembram de jean paul sartre em seu ser e o nada os dias na escola do ensino fundamental à universidade devem ser algo mais do que a soma de coações humilhação isolamento sofrimento e decadência deve haver algo mais do que uma estrutura pedagógica voltada à ideia de que devemos aprender a sobreviver e não aprender a viver professoras e professoras devem estar empenhados/as em fazer muito mais do que nos educar para que pensemos que existe apenas uma forma certa de viver pensemos na tragédia e do patético de estudantes professores e professoras por todo o planeta quantos/as estudantes já se suicidaram ou assassinaram e ainda se suicidarão e assassinarão devido a anos de conscientização cega estimulada e cultivada nas escolas abro aqui um parêntese curioso o modo de a psicologia interpretar o suicídio devo lembrar aqui que não estou tratando do suicídio como boa-morte 1 como um modo que revela as condições as quais se viveu os/as culpados/as enforcam-se os/as que se sentem sacrificados/as cortam suas gargantas quem se atira de prédios e de pontes são os/as rejeitados/as já os/as que têm mentes atormentadas se dão um tiro na cabeça mas voltando e os/as estudantes os/as que não fazem a opção por esse tipo pandêmico de suicídio mas optam pelo assassinato e assim se tornam assassinos/as luciferinos/as revoltosos/as como o ocorrido em 1999 na columbine high school por exemplo e o patético professores e professoras que morrem de medo por se considerarem não responsáveis pela educação como um todo em entrar em sala de aula pois podem ser espancados por seus estudantes sejam escolas públicas ou particulares aqui mesmo no distrito federal há outro tipo de tragicomédia pedagógica adultos/as frustrados/as em carteiras de faculdades particulares exigindo de seus/suas professores/as que façam de tudo para entretê-los/las que lhes deem ocupações anti-estresse ou 1 tipo de suicídio que potencializa o modo como se viveu como por exemplo aquelas pessoas que se suicidam exatamente por estarem em uma fase muito boa da vida ou aquelas que querem sim viver mas rejeitam de boavontade a forma de vida em que se vive.

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que os façam correr atrás de coisas que não precisam que tipo de subjetividade se está construindo nas escolas eis que entra em cena zéro de conduite zero pela conduta de jean vigo que assistimos no subvercine passado para lançar luzes à nossa questão sartreana fundamental o que fazemos com aquilo que fizeram de nós o filme é de 1933 sem dúvida alguma atemporal tranquilamente faz parte de uma corrente subversiva que ainda não disse tudo ­ a qual o próprio diretor do filme anterior if lindsay anderson abertamente dizer ter se inspirado em zero de conduite para fazer o seu portanto também nos inspiremos na perspectiva dessas crianças que tiram zero pela conduta que a garantia de não morrer de fome não se troque pelo risco de morrer de tédio assim orientalmente falando esse filme também excita a kundaline em zero pela conduta a opção por viver é antes de tudo uma opção política esta que está nos limites entre a antiga luta de classes e as atuais ações afirmativas ah essas crianças bagunceiras É um mergulho em nossos sonhos É uma fuga bem sucedida do lugar-comum cunhado a ferro e fogo o mundo está aí para ser refeito o quanto for necessário especialista algum conseguirá impedir vontades que não estão fadigadas pelo cotidiano não há álibi nenhum para a resignação a inocência é lúcida e se organiza por uma exuberância libidinal própria de uma insurreição bem sucedida contra a violência de um mundo repressivo e tecnocrata crianças nos lembrando de que se esquecermos das misérias da militância do desespero do terrorismo e do voyerismo ao bom selvagem teremos um mundo de prazeres a ganhar e nada além do tédio a perder

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a origem do subvercine sci-fi quinta-feira 8 de outubro de 2009 essa é a exploração que espera por você não mapear estrelas e o estudo de nebulosas mas catalogar as possibilidades da existência q para o capitão jean-luc picard em all good things Às margens de um horizonte de eventos da fusão entre dois buracos-negros galáxia ngc 6240 aviñoká resolveu reunir todo seu povo mansos e bravos para distribuir poderes o primeiro foi kuikúru este tomou o arco de gravitação quântica feito isto seus parentes todos passaram a usar esse tipo de arco depois outro apareceu escolheu pegar um arco de relatividade geral finalmente outro pegou o arco de supercordas logo aviñoká com uma mão apontou em direção à constelação de ophiuchus com a outra apontou para o centro da fusão mandou que escolhessem escolhido que por lá se distribuíssem como essa constelação tem muitos bandeirantes mercenários latifundiários planetários e businessmen intergalácticos os nativos ficaram tentados aviñoká ficou zangado os nativos então energizaram só as mãos e correram para desenergizar num punhado de antimatéria esse punhado tornou-se matéria escura prenúncio de um micro universo bebê um menos medroso aproximou de aviñoká tocou sua testa em sinal de entendimento e seguiu nesse instante do meio da fusão dos dois buracos-negros um grito de guerra os nativos estremeceram aviñoká disse todo o universo morrerá um dia também todos nós novo grito

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foi ouvido desta vez vindo do centro de ophiuchus era o grito de pavor dos civilizadores então aviñoká predisse buracos-negros nunca morrerão e portanto de lá nunca desapareceremos todos vislumbraram que lá no meio da fusão entre os dois buracos-negros há uma grande aldeia com bonitas roças e portanto munidos de tais maravilhosos arcos terão que protegê-las de novos civilizadores custe o que custar subvercine bunbu itchi segunda-feira 26 de outubro de 2009 de um modo geral qualquer cidadão letrado aqui pelas bandas do ocidente imagina que a pena a palavra é mais poderosa que a espada porém lá pelas ilhas japonesas imaginam bunbu itchi ou a pena e a espada juntas estes modos de imaginação têm consequências vitais o primeiro modo nos torna ou pessoas falastronas ou pessoas que acreditam demasiado que apenas conversando tudo se resolve superestimamos de tal maneira o poder da palavra que nos esquecemos da espada desta seguimos ao segundo modo espada não significa resolver a situação na porrada ela significa ação bunbu itchi é o princípio o qual nos traz a sabedoria de que agir sem pensar é tão inútil quanto pensar sem ação es te modo nos torna pessoas ao mesmo tempo mais corajosas e mais sábias ah que belíssima estrela errante para nos servir de guia no entanto subvercine além da palavra imagens em movimento ideografia dinâmica aqui imaginamos que tal movimento seja o de um exímio espadachim assim como o de escrever ideogramas nenhuma tensão no corpo tudo é flexível mesmo diante de uma morte trágica como um bambu ao vento na beira de um precipício imagens sem a espada é tão inútil quanto espada sem imagens.

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talvez os povos que escrevem por ideogramas tenham mais algo a diz que os povos que escrevem por fonemas e sílabas com que então pertenço aos céus não fosse assim por que é que os céus me olhariam assim com seu eterno olhar azul me chamando e à minha mente mais alto sempre mais alto sempre mais acima me chamando sempre para o máximo para alturas que homem algum imagina por que estudado o equilíbrio e o vôo planejado até a última minúcia até não haver margem para o infortúnio por que até aí deve a ânsia de subir ser associada à insânia nada nesta terra vai me ver satisfeito novidades do mundo logo monótonas algo me chama lá em cima para cima cada vez mais perto da faísca do sol por que me queimam estes raios da razão por que me destroem estes raios trecho do poema Ícaro de yukio mishima traduzido por paulo leminski

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