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da vida e outros temas raissa aguiar Óbvio simples e sempre em todas as tardes ensolaradas ia ao jardim a árvore grande e velha inclinava cada vez mais para perto da janela do meu quarto eu achava que as árvores falavam e ouviam como nós seres humanos pensei que fosse até curiosidade que a árvore velha tinha eu adorava ver os passarinhos cantando nos longos galhos das velhas mangueiras mas não gostava de vê-los presos em gaiolas seu canto alegre e dançante passava a ser melancólico sofriam presos ou pelo menos eu achava que eles sofriam como nós minha mãe dizia deixa de ser ingênua garota bicho é bicho sempre foi e será assim e eu resmungava
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por ter escutado a palavra sempre eu a detestava principalmente quando era usada contra meus ideais quando encontrei um pássaro morto no jardim fiquei chocada as penas refletiam a luz do sol como se ainda houvesse vida as asas abertas pareciam prontas para voar rumo à liberdade eterna o bico entreaberto era o símbolo de uma última tentativa de cantar uma melodia porém fúnebre minha mãe sempre errava as palavras quando falava comigo principalmente quando tentava com muita paciência consolar-me uma coisa meu bem é óbvio todo mundo vai virar estrelas lá no céu um dia eu amava o desconhecido e tinha repugnância ao óbvio É meu amigo este é o último filme a que assistimos o da nossa doce e ingênua infância porque a morte sempre nos presenteia ansiosa aos meus oitenta e quatro anos ela aguarda silenciosamente que eu abra seu presente uma pneumonia uma brisa gélida entra pela janela onde a imortal mangueira da minha infância está eu adorava pássaros inclusive os periquitos barulhentos eram dez ao total quando um fugiu fiquei preocupada pois poderiam ficar muito tristes e até mesmo morrer mas não continuaram alegres e barulhentos comecei a perceber que os animais não tinham sentimentos humanos chorei isso sempre foi assim estava crescendo amadurecendo embora arduamente a quebra de vários ideais as palavras sempre e óbvio utilizadas recentemente as mudanças a morte até então silenciosa ficou impaciente eu queria ver o final do filme e ela o meu final falava blasfêmias mas eu relutava era uma tarde de inverno as arvores sem folhas não alegravam nem entristeciam o jardim e sim o deixava vazio havia passado vários anos e eu estava cansada do senso óbvio dos adultos dos seus sempres mas eu era agora um deles e não havia nada como impedir isso decidi abandonar meus ideais infantis a morte ao meu lado sorria alegremente era minha hora o filme foi cortado e eu já me sentia ofegante e o coração disparou a árvore velha estava ali inclinada talvez dizendo vi você nascendo e agora a vejo morrendo a respiração parou e a morte cobriume com o manto da imortalidade de modo simples óbvio e como sempre o pintor talvez seja uma boa história esta que irei contar a você É a história de aristóteles mas não o filósofo mas o pintor melhor ainda a minha história tudo começou na semana de arte moderna no teatro municipal de são paulo em 1922 eu era sem dúvida o mais excêntrico dos pintores não pelos quadros mas pelo modo que eu os fazia desde criança eu tinha um dom o de pintar o futuro de modo espontâneo e inconsciente eram colapsos ou devaneios que previam o futuro no dia seguinte acordei exausto e vi um quadro que mostrava quatro rostos o primeiro era de uma pessoa que todos conheciam o segundo era apenas familiar o terceiro era indistinguível e o quarto era desconhecido demonstrava a população multifacetada dei-lhe o nome bellum fui vendê-lo mas eu continuava com a imagem em minha cabeça em poucos anos fiz grandes amigos ou não mas a parte curiosa da história aconteceu em 1925.
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enquanto eu tinha um de meus colapsos um amigo observou a cena a blusa manchada de tinha vermelha e um quadro sangrento eu pintei a cena do assassinato do governador no dia seguinte tentei preveni-los mas disseram que eu estava louco não haveria problemas se o governador continuasse vivo mas o futuro dele estava condenado e somente eu tinha consciência disso no dia seguinte o político foi assassinado e como não havia provas eu seria acusado fiquei alguns dias preso na penitenciária mas a minha sagacidade serviu para algo útil fugi agora eu era um acusado fugitivo da policia fui para um minúsculo município do interior de outro estado fiquei lá por poucos meses pois apareci em um noticiário e fui denunciado puseram-me em uma cadeia de segurança máxima enquanto pensavam em uma punição bastante severa após longos seis meses puseram em minhas costas o peso da morte todos apontavam para mim e diziam que eu tinha matado o governador ganhei repudio e fui para uma cela isolada de todos É meu caro pode falar que fui tolo em não dizer a verdade e provar minha inocência somente agora com a corda no pescoço e várias pessoas falando blasfêmias de mim eu falei toda a verdade e essas meu caro são minhas ultimas palavras o monstro era um monstro perseguia-me o dia inteiro todos os dias olhava diretamente para meus olhos com uma expressão de raiva e desprezo eu não tinha sossego nem privacidade ele estava sempre ali parado o silencio de lê era perturbador o silêncio gritava em meus ouvidos como uma criança com fome a minha família nunca me apoiou porque eu era irresponsável e mal-criado talvez eu fosse realmente o que eles diziam perdi dois empregos por incompetência o monstro estava me enlouquecendo ele fazia gestos negativos com a cabeça eu gritava desesperadamente dentro do escritório na esperança de que ele respondesse aos meus insultos para os colegas de trabalho isso era taco de loucura e como eu ficava muito estressado tomaram uma atitude despedir-me o motivo para eles era bastante claro problemas psicológicos fui explicar o que acontecera durante o dia aos meus pais e pergunte-lhes se eu poderia morar com eles já que não teria dinheiro suficiente para pagar o aluguel a resposta era óbvia não então fui para a velha e abandonada casa do campo que era da família isolada de tudo e de todos o monstro como sempre estava perto de mim passei a viver sozinho com o monstro que não dava trégua aos poucos fui me acostumando com a presença do monstro para fugir da solidão eu falava com ele sem êxito embora fosse meu único companheiro nunca falava ou respondia nada após alguns meses isolado fiquei preocupado será que eu estava mesmo louco a ponto de minha insanidade ser minha sanidade fui ao banheiro lavei o rosto e olhei para o espelho o monstro estava de braços cruzados olhando como sempre para meus olhos com um sorriso discreto e eu arrependido por tudo que fiz.
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uma noite raul vestiu a camisa calmamente apertou a gravata e pegou o guarda-chuva a noite estava fria e a garoa caía calmamente saiu mesmo chovendo o couro do sapato desgastavase pouco a pouco nas poças de água suja da rua foi convidado para uma reunião com os amigos embora não gostasse andou durante poucos minutos e chegou ao local os amigos acenaram para que os localizasse sentou-se à mesa dos cinco rapazes falaram sobre jogos folhetins e mulheres até que um deles falou de vida após a morte neste momento apenas dois cavalheiros falavam vida após a morte não existe vida após a morte rodrigo tu já estás ébrio raul sorriu e falou calmamente alexandre está errado existe sim vida após a morte são tomás de aquino e swedemborg falavam com pessoas do outro mundo já ovídio achava que a alma após a purificação iria para outras orbes e tu ainda duvidas disso ah meu caro raul como és tolo nietzsche já dizia que a fé é querer ignorar tudo que é verdade e as convicções são cárceres não existe vida após a morte deus não existe cala-te alexandre para virgílio todas as almas depois de haverem durante milhares de anos girando em torno dessas existências são chamadas por deus e privadas das lembranças querem voltar para seus corpos vês tudo indica que existe uma outra vida tolices concordo com hume em dizer que o prazer é o fim do homem e com os versos de augusto dos anjos ao morrer vamos todos à frialdade inorgânica da terra ora lá vens tu com versos lúgubres herculano pires um verdadeiro filósofo-espírita caminha de platão a sartre com muita habilidade vê todos os filósofos e suas contribuições para constituir a verdade belo discurso raul mas falaste em algo bastante interessante a verdade neste ponto concordo com schopenhauer a vontade única é paixão e aspiração ela está presente em todos os seres dá sentido à vida e é fundamento de qualquer movimento a consciência humana é uma mera superfície tendendo encobrir ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo a irracionalidade inerente à vontade que constitui todo sofrimento e esta é a única verdade por isso amigos bebam pois a vida é só uma ilusão!
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loucura cabelos negros pele parda e um exímio observador calculista sua áurea misteriosa e o fascínio pela solidão o tornavam bastante diferente o olhar frio era uma análise profunda da alma das pessoas o seu silêncio era perturbador não tinha amigos nem colegas apenas a solidão era apaixonado pela solidão só a queria como sua única companheira adriano detestava multidões fugia sempre de reuniões trabalhos em grupo e de colegas tudo isso piorou na segunda faculdade decidiu tirar férias do trabalho e viajou para sua fazenda devido à chuva demoraram quatro horas para chegar ao destino mas logo sentiu o cheiro do chão e da areia molhada chegou quando já era noite era uma casa pequena um alpendre suspenso no acide uma cozinha e um minúsculo banheiro a casa era cercada pela mata o açude estava cheio devido às chuvas as gaivotas repousavam na margem do lago e os carões cantavam alegres segundo a cultura sertaneja quando estes cantam era sinal de chuva mas o inverno estava passando depressa três meses passaram rapidamente e a fartura do inverno acabou a última chuva foi as lágrimas dos agricultores era época de seca o açude reduziu sua capacidade para menos da metade de seu volume os animais começavam a passar fome pois o pasto acabara os arbustos eram secos e dos animais restavam suas carcaças no solo rachado sentou-se no alpendre e observou uma cena rara e interessante uma aranha devorando uma mosca que ao distrair-se por um segundo caiu na teia do aracnídeo faminto pensou por um instante que se a seca for prolongada poderia morrer de fome o cerrado suspirava e o bafo quente vinha do poente o solo árido rachava cada vez mais deixando marcas da violenta seca que atingiu a região alimentando-se de frutas e de alguns animais passaram-se meses e a seca castigava cada vez mais os incêndios ficaram freqüentes e queimavam hectares de árvores frutíferas que prosperavam e junto delas os animais pouco a pouco a área que circundava a fazenda foi sucumbindo adriano começou a ficar desesperado pois o açude secara e não restara muito das plantações a caçada à procura de animais tornou-se uma corrida contra a morte adriano sabia que um homem pode passar 28 dias sem se alimentar mas três dias sem água era morte certa os animais foram dizimados e a água potável acabou restariam apenas três dias de vida ficou parado sem gastar energia esperando algo que ele não acreditava que chovesse como esperava a sua força acabaram a boca ficou seca e logo perdeu a consciência acordou lentamente com o cheiro forte do éter tinha desmaiado na rua ao fugir do hospital onde estava internado na ala psiquiátrica guerra existencial
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andava pelas ruas sujas sozinho e aflito seus olhos lassos procuravam um caminho que não existia as roupas que vestia eram sempre alinhadas camisa engomada calça de linho cinto ajustado e sapato engraxado sempre fora um bom homem gêneros e respeitador trabalhava no comércio com seu pai que estava doente meses depois o velho teve que ficar na cama sem trabalhar e aproveitando seus últimos dias de vida fez o filho prometer que quando morresse serviria ao exército deve estar cogitando caro leitor o motivo pelo qual o velho queria que o filho fosse um militar o motivo é que não fora aprovado no exame devido a sua alta miopia e este sonho foi depositado pouco a pouco na cabeça do filho algumas semanas depois o velho morreu a tristeza tomou conta da família e dos amigos o jovem alistou-se e foi aprovado o sonho de seu pai foi realizado porém foi o pior momento iniciou uma grande guerra e todos alistados seriam chamados e viajariam para outro continente onde a grande tropa aliada estava foi enviado a outro país para defender os ideais que não eram seus foi para matar pessoas que lealmente defendiam sua pátria na guerra o lema era matar para sobreviver e lá o jovem matou muitas pessoas até mesmo inocentes que o agredia após vários anos a guerra acabou entre os milhares de mortos civis e militares o jovem rapaz sobreviveu e retornou à terra natal É meu caro foi depois dessa guerra que o rapaz transformou-se em um homem de olhos lassos após tudo isso ele continua com suas roupas perfeitamente ajustadas uma organização que no exército foi exigida já não tinha muitos familiares e agora vive sozinho pois filhos o exército não permitiu tê-los vivia somente com suas más lembranças da guerra em uma de suas caminhadas durante a noite o militar já reformado começou a assustar-se com vozes estranhas eram suas vítimas da guerra todos os dias ele se lembrava da guerra dos mortos das pessoas sofrendo desde esse dia ele deixou de caminhar durante a noite passando a ter certa angústia suas pernas já cansadas não tinham a mesma velocidade do tempo que era jovem em um a de suas caminhadas pela manhã viu uma mulher sendo assaltada tentou ajudá-la mas a idade não permitiu voltou triste pois já não podia exercer seu militarismo foi para casa cansado sentou-se com os olhos rasos de lágrimas mas chega de chorar lutar pensar foi até seu quarto pegou a escada e a encostou-se ao guarda-roupa subiu e pegou uma mala velha abriu pegou sua farda de soldado vestiu-se olhou para a foto do pai prestou continência pegou a velha arma e atirou em sua cabeça pôr-do-sol o pôr-do-sol estava lindo desta vez talvez fossem meus olhos que já não o via como o tecido sangrento talvez eu estivesse com vontade de viver talvez eu estivesse me conformando com a realidade vivendo menos dentro do meu mundo veio-me uma vontade de chorar não sei se é raiva amor tristeza ou felicidade apenas choro como a chuva que banha o pôr-do-sol em poucos segundos o sol e o mar fundem-se formando apenas a linha do horizonte infinito distante e invisível vai além do que se vê vai através das nossas lembranças boas ou ruins ambas são apenas fluxos de consciência em um momento epifâmico revivemos todas em um simples piscar de olhos quanto às lembranças ruins são como tatuagens impossíveis
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de apagar a não ser que retiremos junto com a pele arrancando um pedaço de si mesmo certo dia eu perdi minha felicidade junto com o pôr-do-sol felicidade é como se fosse água na mão se for demais derrama e se transforma em lágrimas se for pouco evapora rápido e mesmo que consiga ter um equilíbrio ela sempre vai escorrer entre seus dedos e não há como reverter isso se por algum devaneio ou sonho você conseguir não deixar a água escorrer o mesmo sol que te ilumina vai tomá-la e evaporá-la a felicidade pode ser tão destrutiva como a água tanto no excesso como na falta logo a água felicidade tem que ter constantemente pois é essencial a todo ser vivo só que diferente da água a felicidade não tem um ciclo tenho vontade de sair deste mundo e passar a viver no meu mundo o mundo em que não há hipocrisia nem violência o mundo em que não há maldade espero que em algum dia da minha vida eu veja o pôr-do-sol como uma grande rosa vermelha desabrochando-se irradiando a felicidade mas isso é só um devaneio volto à realidade não passo de um ser insignificante perante o universo e seu criador que teima em passar a vida correndo atrás do pôr-do-sol como uma fuga da realidade um ser que tenta entender a vida mesmo sem entender a si mesmo dívida ficava ali todo dia o mesmo semblante de tranqüilidade escondido entre a alma e a barba sempre com a mesma blusa branca encardida e uma calça comprida bem rasgada as unhas sujas e o sorriso banguela as pessoas o ignoram mas eu um ser fraco tenho o coração mole e sempre lhe pago comida além das gorjetas altas quando alguém lhe dava esmola nem olhavam para seus olhos talvez nesses vis corações ainda tenha compaixão esparsa ele sempre falava com a voz baixa e meiga deus te pagará as pessoas passavam e jogavam o dinheiro nele que sempre falava a mesma coisa algumas crianças chegavam perto o cutucava e os pais cheios de preconceito tiravam seus filhos de perto embora tenha o mesmo jeito dos mendigos havia algo que me chamava à atenção mas nem eu mesma sei o que é talvez fossem caraminholas da minha tão pobre cabeça fui para o ponto de ônibus pegar o primeiro dos três ônibus que eu preciso tomar voltando do trabalho fiz algo no ônibus que nunca fiz antes sentei próximo ao trocador eu estava bastante inquieta por um segundo entraram três homens armados que assaltaram o trocador e as pessoas próximas deste fiquei desesperada como iria pagar este e as outras passagens senti uma pancada no ombro e em seguida uma voz eu pago este disse o velho mendigo da praça eu disse que deus te pagaria
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entre a madrugada e a loucura era tarde da madrugada tudo parecia distorcido e eu mal reconhecia as pessoas que estavam ao meu lado notei rostos preocupados principalmente o de uma bela jovem de cabelos longos e dourados senti fortes dores de cabeça e notei meu corpo desabando no chão quando acordei não estava no mesmo lugar estava em um hospital todos me olhavam fixamente como se eu fosse um louco perguntei a uma enfermeira porque eu estava ali ela continuou calada e jogou meus remédios e deu-me um copo com água finalmente um médico entrou no quarto estava com uma prancheta em mão e começou a fazer perguntas estranhas e ele falou rispidamente que eu tentei cometer suicídio este médico está louco vi apenas um rosto belo mas muito chateado saí o dia estava lindo o vento várias vezes viu durante a madrugada os suicidas entrarem em ação um ato feio e triste muito triste levantou cedo e percebeu que todos os amigos afastaram-se o seu quarto cheio de madrugada exibia as estantes com as coleções completas de pedro salgueiro moreira campos airton monte rubem fonseca e augusto dos anjos há tempos que não lia passou a mão levemente sobre os livros e olhou para uma pasta em que continha seus rascunhos estava tentando escrever um livro mas não conseguia estava angustiado demais para continuar seus projetos suas desilusões caíam sobre sua alma rasgando-a e machucandoa profundamente a noite era absoluta quando se sentou na cama olhava para uma foto onde ele estava abraçado com a mesma moça bela de olhos verdes e cabelos dourados com as mãos trêmulas pegou o retrato e o queimou sua alma era uma colméia por mais calma que pareça há um turbilhão interno sentiu vontade de morrer chegou perto da janela e olhou para a rua recuou sentiu apenas o cheiro do ar e viu as lindas estrelas caiu inconsciente acordou no hospital com o mesmo olhar recriminador da enfermeira mas não tinha consciência do que havia acontecido o medico falou rispidamente a palavra suicídio.
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sentiu-se bem desta vez achava-se apenas um pouco cansado não se lembrava do que tinha acontecido a moça acenava para ele e o chamava curioso acompanhou a moça durante horas que apenas sorria Ébrio continuava a segui-la escurecera seu corpo suado e dolorido estancou e a jovem sorriu apenas sorria num breu a moça pulou em um pequeno abismo pulou a pancada na cabeça o deixou desmaiado suicídio o jovem acordou e viu um corpo no chão decidiu virá-lo para ver se o reconhecia era madrugada gritou era o seu corpo uma delicada mão fria encostou-se ao seu ombro ainda tremulo perguntou que era uma voz feminina e melodiosa respondeu loucura a madrugada riu e a jovem de olhos verdes e cabelos dourados continuava a falar loucura loucura loucura respirou fundo fechou a pasta e ficou olhando a rua ser banhada pela chuva noturna e assim vivia entre a boca da madrugada e a loucura espelho pedro acordou atordoado havia bebido demais comemorou com os amigos a sua formatura na faculdade agora ele poderia mudar-se para uma boa casa começou a empacotar aos livros as roupas e os pertences o caminhão chegou rápido e levou a mudança para seu novo destino era uma casa velha mas muito boa a fachada tinha três colunas e um largo alpendre quando entrou a coluna o olhou diretamente como se não gostassem da presença do rapaz arrependeu-se havia comprado uma casa grande demais o vento viajou várias vezes com pedro o vento descobriu que ele era muito tímido e pessimista mas muito educado e generoso seu pessimismo provavelmente surgiu na adolescência com suas desilusões sociedade vestibular mundo e garotas sempre fora idealista achava que os valores estavam na palavra e no caráter tentava pregar isso mas esforço em vão sempre fora considerado o mais diferente dos amigos devido ao seu cavalheirismo e educação alguns diziam brincado que nascera na época errada sua timidez nem os ventos descobriram a causa certamente teve origem na infância seus pais passaram por vários problemas financeiros e ele fora desprezado porque não tinha roupas nem objetos como os dos amigos daí veio sua revolta contra os valores modernos entrou na casa e percebeu o considerável número de espelhos andou até o quarto e foi ver-se nos espelhos gritou não viu o seu reflexo retirou imediatamente todos os espelhos não sabia o que estava acontecendo não conseguia entender porque as pessoas conseguiam ver-lhe e no espelho não tinha reflexo talvez inexistisse na própria sua própria existência não teria coragem de contar para ninguém o que acontecera pois certamente o chamariam de louco foi a um psicólogo palavras complicadas pediu para que explicasse novamente mas o medico falou que era apenas estresse foi embora com os olhos castanhos cintilantes e com os cabelos lisos assanhados ao vento estava tremulo temendo a inexistência de uma cura para o fato o jovem não tinha ambições apenas ideais seus pais brigavam por esse motivo com muitas brigas e discussões pedro decidiu sair de casa por isso fez sua mudança começou a estudar novamente queria formar-se em outro curso provavelmente tentando manter-se ocupado para esquecer os espelhos essa dedicação o fez ganhar muito dinheiro mas isso pouco importava não estava preocupado com o capitalismo por isso fez doações só pensava em si e nos espelhos.
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certo dia quando estava indo ao teatro pedro avistou uma senhora que tentava atravessa a avenida mas não conseguia chegou perto e ofereceu ajuda a mulher era cega após atravessá-la a velha falou que iria recompensá-lo ele negou mas a senhora insistiu com muito esforço ele aceitou a velha senhora tirou da bolsa um colar cujo pingente era um espelho ele fitou o cordão por um momento e viu o reflexo de um rosto de olhos castanhos cintilantes e cabelos lisos olhou para trás não havia ninguém e a velhinha já tinha partido papel mora com seus avós pois seus pais morreram cedo sua mãe morrera logo após o parto e seu pai em um acidente de trânsito foi criado com muita liberdade pois seus avós estavam realmente velhos para controlar a rebeldia do neto que passava boa parte do tempo fora de casa em uma noite o menino chegou em casa com um pacote de biscoito na mão tentando esconder do avô que estava lendo jornal na cadeira de balanço o que é isto menino nada vovô como nada estende as tuas mãos agora o menino mostrou suas mãos e o biscoito já estava com os olhos vermelhos chorou mas não falaram nada onde você conseguiu isso lucas uma senhora que me deu disse amassando a embalagem de papel do biscoito hum não quero que você roube É feio tudo bem vovô disse olhando para baixo saiu rapidamente mastigando dois biscoitos ao mesmo tempo foi para a casa de um dos colegas e ficou brincando os avós já estavam cansados e já não tinham mais disposição para cuidar do neto porém não falavam nada e insistiram para ficar com ele o menino crescera rápido e não fora à escola passava o tempo todo na rua de cima lucas ficara agressivo e chegava em casa com objetos furtados o avô delirava eu não te disse que roubar é feio fora fora desta casa menino a avó de lucas chorava e o levou para a casa de sua filha mais velha ele chegou com raiva trancou-se no seu novo quarto a tia conversou e resolveu que ele iria À escola também o fez prometer que iria parar de roubar prometa mas eu prometa tudo bem eu prometo respondeu amassando o papel onde escrevera o endereço do colégio durante anos ele estudou e sua formatura foi realizada agora ele podia ser empresário e ganhar dinheiro de maneira honesta não parou de estudar ganhou medalhas e foi considerado o melhor administrador do país formou sua empresa e conseguiu ficar rico era agora o orgulho da família um exemplo de vida sua vida estava feita e estava contente tinha dois filhos e uma mulher que o amava em um domingo quando estava com sua família em um restaurante ouviu uma má notícia o dinheiro do cofre da empresa e do empréstimo que fizeram para reformá-lo sumiu a tia que estava a seu lado perguntou em voz baixa você está envolvido não tia falou tristemente amassando o cardápio de papel que recebera olhou para a tia e foi embora do lugar.
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outono na floresta como todo dia levantou em cima da hora tomou café rapidamente e pegou o ônibus muito cheio para ir ao trabalho chegou sorridente cena que se repete há 15 anos tapas amigáveis nas costas e seu bom humor inatingível trabalhava como arquivador no escritório de advocacia falava com todos e ainda havia quem não gostasse dele sempre fora um bom aluno tanto na escola como na faculdade era o orgulho da família ganhara até bolsas em vários países mas nunca quis sair da cidade-natal não queria se afastar da família que era seu apoio psicológico principalmente nos finais de ano quando havia muitos trabalhos tanto na faculdade como no emprego nestes dias mal tinha visto a família pois o escritório estava crescendo e acumulando cada vez mais trabalho até seu sorriso tinha mudado de longas piadas e gargalhadas fez-se apenas um sorriso amarelo quase forçado e para piorar a faculdade ainda o ocupava seu tempo restante como mal tinha tempo de alimentar-se bem acabou passando mal e desmaiou estaca muito abatido e a família bastante preocupada passou vários meses assim apesar do outono com o aroma doce das flores e dos ventos ficou mais sério já não era mais simpático e não falava com os colegas do trabalho após dias começou a faltar no emprego e sua casa era seu mundo depois o quarto virou seu universo não falava nem com a família decidiram levá-lo ao médico forçaram-no a ir seu filho está com uma grave disfunção no hipotálamo depressão grave mas ele era tão animado sempre radiante de alegria estresse piorou dia após dia apesar do tratamento mal saía da cama nem para beber água os olhos vermelhos taciturnos e a respiração ofegante amanheceu e a esperança de que melhorasse vinha com o sol mas a nuvem o cobria abriram a porta do quarto e o viu caído sobre o chão inerte com os comprimidos do tratamento em mãos a cama estava desarrumada e as portas do armário onde os remédios eram guardados estavam abertas o vento batia fechando-a e abrindo-a tocando uma melodia triste mesmo a floresta sempre exuberante cheia de folhas e alegrias no outono perde-as algumas chegam até a morrer o bosque a praça grande e redonda estava sempre cheia e alegre era uma entrada chamativa para o bosque dizem que o interior deste é muito belo mas nenhum ser humano adulto disse isso apenas as crianças confesso que nunca tive coragem de entrar mas vi pessoas boas e lúcidas saírem loucas de lá na maioria das vezes são pais das crianças que saem desse modo as crianças saem risonhas como se acabassem de brincar com o melhor amigo fico
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preocupado com a quantidade de bons médicos professores políticos e vários profissionais saírem incapacitados pergunto às crianças o que elas vêem lá dentro mas elas falam apenas eu quando chego perto dos adultos afastam-se o silêncio absoluto logo e quebrado pelos comentários desconcertantes das crianças todos temiam o bosque ricos pobres honestos desonestos ali não havia ladrões os que entraram nunca saíram tenho até medo quando chego perto do bosque mas acho que contribuiu para a diminuição da violência exceto a dos suicídios acho que o bosque não passa de uma lenda mas ao mesmo vejo que é real penso que tem vida própria pensa e age por conta própria devera parece loucura minha mas é o q penso por que será que só adultos são atingidos o que as crianças possuem para anular este mal somente estes seres alegres e ingênuos têm a capacidade de entrar e sair do bosque a qualquer hora só as crianças somente estas puras e indefesas têm a capacidade de ver a felicidade sem o medo da consciência informação tenho andado rude com muitas pessoas talvez estivesse envolta de meus pensamentos inúteis e prosaicos andava como se apenas existisse uma pessoa no mundo eu e quando nada girava ao meu redor fingia que nada acontecia É a hipocrisia já nascemos com ela quando éramos crianças simulávamos o choro para chamar a atenção de nossos pais era domingo e saí para minha caminhada matinal serei mais uma velha ranzinza e metódica espero chegar até lá quando um homem pediu dinheiro para voltar ao seu interior mentira vejo nos olhos quando alguém mente respondi rudemente o homem ele saiu resmungando baixo mas eu continuei minha caminhada como se nada houvesse acontecido em casa liguei a televisão e coloquei em um programa fútil Ás vezes é necessário ver futilidades nossa vida já é seria demais passado meia hora a campainha tocou quem será que veio perturbar-me uma hora dessa quando abro a porta vejo o rosto de um velhinho
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aparentemente simpático por favor não tenho esmola mas eu o senhor não ouviu não tenho esmolas quando ia fechar aporta o velhinho falou tristemente só queria saber onde era a igreja de são francisco envergonhada olhei nos olhos do velhinho e apontei para uma igrejinha ao lado do mercado duas casas após a minha ele agradeceu ainda envergonhada entrei e sentei no sofá só queria saber onde era a igreja com a face corada voltei aos meus prosaicos pensamentos inabaláveis e inúteis sementes sobre minha origem ou história não irei falar mas da vida de três pessoas e provavelmente você pense na sua não por egocentrismo ou por pressão minha mas pela sensibilidade que os seres humanos têm a sensibilidade de ver além do horizonte além de si todos nós temos compaixão solidariedade estas são as sementes que foram plantadas de você mas cabe a ti mesmo aguá-la e colhê-la caso conheças alguém que não tenha estas sementes plante-as mas nem sempre elas progridem o solo é infecundo os nomes nem sempre são necessários por isso não irei usá-los lerás minhas frases falando sobre a mulher o homem e o poeta talvez eles estejam mais próximos do que imaginas irei começar pela mulher teve uma vida pais equilibrados família tudo que um ser humano é digno de possuir mas falta-lhe u8ma semente tenhas calma e descobrirás a mulher reclamava de tudo da comida que todo dia tinha da sua família sempre unida da casa onde morava da vida vivia dizendo que não era feliz mas coitada nem sabe o que é felicidade não sabe como cresce essa semente dizia que não conhecia o amor ela confundia a semente do amor com o desejo ela era cega não sabia ver a realidade vivia num lugar escuro como uma caverna idêntica a alegoria da caverna de platão por não ver a luz ela acreditava que sua vida era só treva e por isso para sucumbir essa escuridão tentou suicídio.
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durante o ato ela subiu numa cadeira e pôde ver que existe luz e que a treva era à sombra da cadeira por um instante ela se arrependeu levantou-se e levou a cadeira para um lugar onde ela não faça sombra ela aprendeu a ver mas a visão nem sempre é perfeita a semente se machuca e pode ate mesmo dormir eternamente mas irá cuidar dela vamos falar do homem ele não tem semente alguma vive para tirar vidas destruir sementes tudo em prol de si mesmo e do dinheiro certo dia ele tocou numa rosa cuja semente era o amor suas mãos grossas e calosas secaram tão bela flor pela primeira vez chorou com sua lágrima salgada e amarga aguou inconscientemente o solo e nele surgiu um broto sem compreender ele foi embora num dia de chuva lembrou-se no dia em que foi obrigado a destruir sua amada sim mesmo aqueles que não têm semente já tiveram uma correu para o lugar onde o broto surgira e viu que mesmo com as chuvas esse não cresceu ele compreendeu havia plantado uma semente e sim mesmo assim passou a adubar outros solos preparando os para serem fecundados ate mesmo nas terras mais infecundas pode se transformá-lo o poeta um ser tão simples e ao mesmo tempo tão complexo vive buscando a razão de sua existência como se o próprio existir não bastasse o poeta-filósofo o poeta que vê além do horizonte que passa a vida toda atrás das belezas da vida para escrevê-la em versos o poeta aquele que a musa é aquela que em um único sorriso faz o dia valer à pena o poeta que joga suas angustias no papel aquele que muitas vezes timidamente tenta plantar em ti sementes muitas sementes mesmo rude ou sincero ele só que classificar e plantar novas sementes pessimista realista ou otimista qual poeta esta ao seu lado não todos um poeta é um armazém de sementes embora que nele faltem muitas o que você é quem você é se tiveres lido mas achou que não passa de uma narrativa tenhas calma algum homem como tu virá adubar teu solo caso viu a luz tira tua cadeira o poeta saberá se identificar quanto a mim sou um narrador apenas aquele que às vezes é esquecido incompreendido um narrador apenas.
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a cadeira a cadeira ali estava sozinha e orientada era imóvel e imutável seus movimentos não passavam de fluxos imaginários silenciosamente no canto da parede ela gritava para si mesma como se ninguém pudesse ouvi-la a não ser ela mesma já as paredes que a envolviam como um casulo que esconde o turbilhão constante da metamorfose eram envelhecidas pelo tempo e pelo vento estas paredes passavam por dentro da casa desconhecidas essas passavam por reformas e mudanças para que parecessem sempre firmes e fortes para protegerem a cadeira a sua existência resumia-se em ali existir em ser em proteger eram simples paredes de concreto efêmeras e destrutíveis eram complexas e pequenas partes juntas para que no final fossem grandes armaduras da cadeira o ar denso do quarto e sua solitária cadeira nunca haviam visto ou tocado nada principalmente além da grande porta que as trancavam não viam porque não precisavam os seus universos eram apenas sua própria existência no quarto escuro o limite era apenas o saber de suas coexistências estavam intimamente ligadas mesmo sem se tocarem a cadeira não poderia ver porque as paredes impediam seu olhar além-parede as paredes não viam porque o tempo não tinha passado para que a crisálida mostrasse sua essência pois nesta ainda havia algo inacabado pensou a cadeira que nada existia porque não via e nunca poderia ver era uma cadeira apenas uma cadeira isolada de todo seu ser as paredes envelheciam mas a cadeira continuava jovem um dia essas já não sustentavam mais a si mesmas e desabaram inertes e mortas como a pétala de uma tênue flor que é machucada pelo vento finalmente pensou a cadeira finalmente pode ver tudo mas nada via nem deveria mesmo com as paredes ela tudo era mas sem estas não passava do nada disperso no tudo.
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