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bi a h a id l es d filosofia
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revoluÇÃo do pensamento de acordo com a mitologia grega no princípio de tudo havia o caos aquilo que não tem forma e representa o vazio desordenado obscuro e infinito e foi o caos que criou o mundo todos os deuses e o homem ora um mundo criado pelo caos era necessariamente um mundo imperfeito imprevisível misterioso entretanto foi com os filósofos gregos jônicos que as crenças mitológicas começaram a ceder lugar ao saber racional e a idéia de caos começou a ser dissolvida nascendo para substituí-la o conceito de cosmo dentro desse novo e revolucionário conceito o universo passou a ser encarado como algo ordenado harmônico previsível capaz de ser compreendido racionalmente pelo homem o conceito grego de cosmo desenvolveu-se com os pré-socráticos encontrando novas formulações com os filósofos do período clássico entre eles platão e aristóteles estes legaram ao ocidente medieval a idéia de um cosmo demasiadamente ordenado no qual a terra tinha um lugar privilegiado era um cosmo finito fechado dividido e dois planos básicos os céus e a terra no texto a seguir você vera como os fundadores da ciência e da filosofia modernas galileu descartes etc aluaram de modo decisivo para dissolver a idéia de cosmo grega consagrada sobretudo na física aristotélica a revolução científica moderna e a dissolução do cosmo grego não tentarei aqui explicar as razões e as causas que provocaram a revolução espiritual do século xvi para nossas finalidades basta descreve-la caracterizar a atitude mental ou intelectual da ciência moderna através de dois traços que complementam um ao outro são eles 1º a destruição do cosmo e consequentemente o desaparecimento na ciência de todas as considerações baseadas nessa noção 2ª a geometrização do espaço isto é a substituição pelo espaço homogêneo e abstrato da geometria euclidiana da concepção de um espaço cósmico qualitativamente diferenciado e concreto o espaço da física pré-galileana podem-se resumir e exprimir essas duas características da seguinte maneira a matematização geometrização da ciência a dissolução do cosmo significa a destruição de uma idéia a idéia de um mundo de estrutura finita hierarquicamente ordenado essa idéia é substituída pela idéia de um universo aberto indefinido e até finito unificado e governado pelas mesmas leis universais um universo no qual todas as coisas pertencem ao mesmo nível do ser contrariamente à concepção tradicional que distinguia e opunha os dois mundos do céu e da terra doravante as leis do céu e as leis da terra se fundem a astronomia e a física tornam-se independentes unificadas e unidas isso implica o desaparecimento da perspectiva científica de todas as considerações baseadas no valor na perfeição na harmonia na significação e módulo iii 619
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no desígnio tais considerações desaparecem no espaço infinito do novo universo É nesse novo universo nesse novo mundo onde uma geometria se faz realidade que as leis da física clássica encontram valor e aplicação a dissolução do cosmo repito me parece a revolução mais profunda realizada ou sofrida pelo espírito humano desde a invenção do cosmo pelos gregos É uma revolução tão profunda de conseqüências tão remotas que durante séculos os homens com raras exceções entre as quais pascal não lhe apreenderam o alcance e o sentido ainda agora ela é muitas vezes subestimada e mal compreendida o que os fundadores da ciência moderna entre os quais galileu tinham de fazer não era criticar e combater certas teorias erradas para corrigi-las ou substituí-las por outras melhores tinham de fazer algo inteiramente diverso reformular novamente e rever seus conceitos encarar o ser de uma nova maneira elaborar um novo conceito do conhecimento um novo conceito da ciência e até substituir um ponto de vista bastante natural o do senso comum por um outro que absolutamente não o é isso explica por que a descoberta de coisas e de leis que hoje parecem tão simples e tão fáceis que são ensinadas às crianças leis do movimento lei da queda dos corpos exigiu um esforço tão prolongado tão árduo muitas vezes vão de alguns dos maiores gênios da humanidade como galileu e descartes alexandre koirÉ estudos de história do pensamento cientifico p 154-55 3 qual a tarefa realizada pelos fundadores da ciência moderna 4 análise filosófica da representação iconográfica referente à origem do conhecimento exercícios 1 lendo o autor do texto quais são os dois traços característicos que marcam a ciência moderna 2 o que significa segundo o autor a dissolução do cosmo qual a nova idéia que substitui a antiga 620
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conhecimento e linguagem relações e contradições conhecimento se dá através da força e da dominação isto é todo o conhecimento implica poder sobre essa relação entre ciência e poder horkheimer e adorno diriam tempos depois o ditador trata o homem como o homem trata a natureza ele os conhece para melhor os controlar assim nessa visão negativa da ciência a insaciável sede de conhecimento transformou o mundo num inferno tecnológico e causou certa regressão dos valores humanos cabe portanto ao filósofo refletir sobre essa ambigüidade da ciência suas pretensões suas possibilidades seus acertos e seus erros buscando compreender algumas questões como por exemplo qual a especificidade do saber científico quais as condições e limites desse conhecimento qual o sentido da ciência qual o valor da ciência para a vida humana quais os limites da atividade cientifica muitos filósofos contemporâneos criticam a ciência pelo seu poder de destruição e dominação da natureza e dos homens método científico cada coisa no seu lugar comumente pensamos que o conhecimento científico se alcança através de um método cientifico mas o que é um método científico o modo de proceder dos cientistas ao conduzirem suas investigações envolve um núcleo comum de atividades que costuma ser chamado método científico o método científico apresenta de modo geral uma estrutura lógica que se manifesta nas etapas a serem percorridas para a solução de um problema vejamos um esquema básico dessas etapas mÉtodo probolema hipÓtese esperimentaÇÃo conclusÃo 1 enunciado de um problema observando os fatos do mundo o cientista enuncia um problema que o intriga e que ainda não foi explicado pelo conjunto de conhecimentos disponíveis nesta etapa o cientista deve expor seu problema com clareza e precisão e procurar todos os instrumentos possíveis para tentar resolvê-lo 2 formulação de hipótese tentando solucionar o problema o cientista propõe uma resposta possível que constitui uma hipótese a ser avaliada na sua investigação isso significa que a hipótese é uma resposta não comprovada que deve ser testada cientificamente 3 testes experimentais da hipótese o cientista testa a validade de sua hipótese procurando investigar as conseqüências da solução proposta essa investigação deve ser controlada por ele para que o fator relevante previsto na hipótese seja suficientemente destacado na ocorrência do fator-problema 4 conclusão o cientista conclui a pesquisa cientifica confirmando ou corrigindo a hipótese formulada e testada método científico não é receitável esse método não pode ser visto como receita rígida de regras capaz de garantir soluções para todos os problemas nunca existiu essa receita única pois método científico não é conjunto fixo e estereotipado de atos a serem adotados em todos os tipos de pesquisa cientifica quanto maior a visão em profundidade menor a visão em extensão a tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos a palavra ciência vem do latim scientia que significa sabedoria conhecimento podemos dizer de modo bem simples que a ciência se caracteriza pela busca de conhecimento sistemático e seguro dos fenômenos do mundo um dos objetivos básicos da ciência é tornar o mundo compreensível proporcionando ao ser humano meios de exercer controle sobre a natureza assim desenvolvendo uma visão positiva da ciência bronowski afirma que através do conhecimento cientifico o homem domina a natureza não pela força mas pela compreensão mas será isso possível o filósofo alemão nietzsche já dissera que não para ele não é natural e pacífico conhecer a natureza o 621
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o que chamamos de método científico consiste na percepção de uma estrutura lógica de ações frequentemente utilizadas na pesquisa cientifica mas que por si só não é suficiente para garantir o êxito desse empreendimento os resultados satisfatórios de uma pesquisa dependem de amplo conjunto de fatores que abrange desde a natureza do problema a ser pesquisado até os recursos materiais aplicados na pesquisa e depende sobretudo da criatividade e da inteligência do pesquisador leis e teorias científicas explicar para prever analisando os inúmeros fatos do mundo percebemos a ocorrência de fenômenos regulares como por exemplo a sucessão do dia e da noite das estações do ano o nascimento dos seres vivos a atração dos corpos em direção ao centro da terra etc para reconhecermos a ocorrência de regularidades devemos observar os fenômenos semelhantes e classifica-los segundo suas características comuns ao examinar as regularidades a ciência procura chegar a uma conclusão geral que possa ser aplicada a todos os fenômenos semelhantes através desse processo ela procura formular leis científicas nesse sentido leis são enunciados generalizadores que procuram apresentar relações constantes e necessárias entre fenômenos regulares as leis cientificas científicas desempenham duas funções básicas · resumem uma grande quantidade de fenômenos regulares favorecendo uma visão global do seu conjunto · possibilitam a previsão de novos fenômenos que se enquadrem na regularidade descrita as leis costumam fazer parte de uma teoria cientifica que especifica a causa ou mecanismo subjacente tido como responsável pela regularidade descrita na lei portanto a teoria tem como objetivo explicar as regularidades entre os fenômenos e deles fornecer uma compreensão ampla costuma-se dizer que explicar e prever constituem a função fundamental das leis e teorias científicas no entanto é senso comum entre os defensores da ciência que embora as teorias científicas possam ser refutadas reformuladas ou corrigidas ela cumpre a sua função uma vez que pode alcançar êxito no seu propósito de fornecer explicações dignas de confiança bem fundadas e sistemáticas para numerosos fenômenos um bom exemplo da transitoriedade das teorias cientificas pode ser encontrado na história do desvendamento do mecanismo imunológico que levou entre outras coisas a criação das vacinas a charge se refere à revolta da vacina de 1904 quando a população do rio de janeiro se revoltou contra o espeto obrigatório ou seja a campanha de vacinação contra a vacinação refletia uma mudança na teoria cientifica sobre a prevenção da doença mudança esta desconhecida pela população a filosofia investiga a ciência essas e outras discussões levam ao surgimento de um campo de reflexão sobre a ciência e seus métodos a filosofia da ciência o tema geral da filosofia da ciência é o desenvolvimento da reflexão crítica sobre os fundamentos do saber científico esse tema geral desdobra-se numa série de questões tais como · o estudo do método de investigação científica · a classificação da ciência · a natureza das teorias científicas e sua capacidade de explicar a realidade · o papel da ciência e sua utilização na sociedade a filosofia da ciência destacou-se como ramo da filosofia no final do século xix a partir de uma polêmica entre os pensadores ingleses william whewell 1794 1866 e john stuart mill 1806 1873 as principais contribuições iniciais para a crítica da ciência foram dadas pelo físico e filósofo francês pierre duhem 1861 1916 e pelos pensadores do círculo de viena que estudaremos adiante transitoriedade das teorias científicas a ciência propõe-se atingir portanto conhecimentos precisos coerentes e abrangentes caracteriza-se por tentar deliberadamente alcançar resultados que o senso comum por suas condições não pode alcançar o estudo da história das ciências revela no entanto que inúmeras teorias científicas que por algum tempo reinaram como absolutamente sólidas e corretas certo dia foram refutadas substituídas ou modificadas por outras teorias durante séculos e séculos por exemplo o mundo ocidental acreditou de forma inabalável que a terra fosse o centro do universo entretanto nicolau copérnico com a obra da revolução das esferas celestes publicada no ano de sua morte 1543 demonstrou que a terra se movia em torno do seu próprio eixo e ao redor do sol era a teoria heliocêntrica que refutava o geocentrismo de ptolomeu isso significa que os conhecimentos científicos não são inquestionavelmente certos coerentes e infalíveis para todo o sempre É como se eles tivessem certas condições de validade além disso como apontou ironicamente o dramaturgo irlandês bernard shaw 1856 1950 a ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos dez outros essa permanente possibilidade de que uma teoria cientifica seja revista ou corrigida por outra pode conduzir à noção pessimista de que a ciência é uma instituição falida ou também à posição cética de que todos os conhecimentos científicos são crenças passageiras que serão condenadas no futuro saber científico e saber filosófico em sua busca de explicar e compreender o mundo a ciência procura ampliar ao máximo o conhecimento racional do homem nessa trajetória ela se desenvolve investigando setores específicos da realidade que constituem as diversas áreas especializadas das disciplinas científicas como a física a matemática a química a biologia a astronomia etc o saber científico em última análise não se opõe ao saber filosófico o que os diferencia é sobretudo uma questão de enfoque a ciência interessa-se mais em resolver problemas específicos delimitados enquanto a filosofia busca alcançar uma visão global harmônica e crítica do saber humano albert einstein conseguiu unir sua atividade como cientista à reflexão filosófica,estando uma visão global e crítica do mundo contemporâneo um homem não é necessariamente melhor filósofo graças ao conhecimento de maior número de fatos científicos caso a filosofia seja matéria de seu interesse deverá aprender da ciência os princípios os métodos e as concepções gerais a ciência tenta agrupar fatos por meio de leis científicas estas leis mais que os fatos originais são a matéria-prima da filosofia a filosofia envolve uma crítica do conhecimento cientifico de um ponto de vista menos preocupado com detalhes e mais comprometido com a harmonia do corpo genérico das ciências especiais bertrand russel fundamentos de filosofia p 8 texto adaptado 622
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dogmatismo a certeza da verdade uma doutrina é dogmática quando defende de forma categórica a possibilidade de atingirmos a verdade dentro do dogmatismo podemos distinguir duas variantes básicas · dogmatismo ingênuo predominante no senso comum consiste em acreditar plenamente nas possibilidades do nosso conhecimento o dogmatismo ingênuo não vê problema na relação sujeito conhecedor e objeto conhecido acredita que sem grandes dificuldades percebemos o mundo tal qual ele é · dogmatismo crítico acredita em nossa capacidade de conhecer a verdade mediante um esforço conjugado de nossos sentidos e de nossa inteligência confia que através de um trabalho metódico racional e científico o ser humano se torna capaz de conhecer a realidade do mundo a palavra empirismo tem sua origem no grego empeiria que significa experiência sensorial o empirismo defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais visão audição tato paladar olfato em outras palavras ditas por locke nada vem à mente sem ter passado pelos sentidos o filósofo empirista inglês john locke 1632 1704 afirmava também que ao nascermos nossa mente é como um papel em branco completamente desprovida de idéias de onde provém então o vasto conjunto de idéias que existe na mente humana a isso locke responde com uma só palavra da experiência que resulta da observação dos dados sensoriais racionalismo a confiança exclusiva na razão a palavra racionalismo deriva do latim ratio que significa razão o termo é empregado de muitas maneiras aqui racionalismo está sendo empregado para designar a doutrina que atribui exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade ou como recomendou o filósofo racionalista descartes nunca nos devemos deixar persuadir senão pela evidência de nossa razão os racionalistas afirmam que a experiência sensorial é uma fonte permanente de erros e confusões sobre a complexa realidade do mundo somente a razão humana trabalhando com os princípios lógicos pode atingir o conhecimento verdadeiro capaz de ser universalmente aceito para o racionalismo os princípios lógicos fundamentais seriam inatos isto é eles já estão na mente do homem desde o seu nascimento daí por que a razão deve ser considerada como a fonte básica do conhecimento vimos que o empirismo considera a experiência dos sentidos como a base do conhecimento já o racionalismo afirma ser a razão humana a verdadeira fonte do conhecimento procurando um meio-termo para essas duas visões opostas e radicais existem outras posições filosóficas entre as quais podemos destacar o apriorismo kantiano buscando uma solução para o impasse criado pelo racionalismo e o empirismo kant afirma que todo conhecimento começa com a experiência mas que a experiência sozinha não nos dá o conhecimento ou seja é preciso um trabalho do sujeito para organizar os dados da experiência criticismo a superação do ceticismo e do dogmatismo o criticismo desenvolvido pela filosofia de kant no século xviii representa uma tentativa de superação tanto do ceticismo quanto do dogmatismo tal como o dogmatismo acredita na possibilidade do conhecimento mas se pergunta pelas reais condições nas quais seria possível esse conhecimento não se trata mais de uma posição ingênua mas de uma posição crítica diante da possibilidade de conhecer o resultado dessa postura crítica leva a uma distinção radical entre o que o nosso entendimento pode conhecer e o que não pode ou seja o criticismo admite a possibilidade de conhecer mas esse conhecimento é limitado e ocorre sob condições específicas descritas na obra crítica da razão pura de kant origem as fontes do conhecimento para aqueles que admitem a possibilidade do conhecimento humano resta perguntar de onde se originam os conhecimentos de onde se originam as idéias os conceitos as representações de acordo com a resposta dada a esse problema podemos destacar as seguintes correntes filosóficas o empirismo e o racionalismo empirismo a valorização dos sentidos como fonte primordial para os racionalistas os sentidos não são confiáveis porque podem nos fornecer ilusão da realidade como por exemplo o bastão que mergulhado na água parece estar quebrado nessa obra o artista trabalha com o ilusionismo dos sentidos a cascata 1961 m c escher 623
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por isso ele buscou saber como o é o sujeito a priori isto é antes de qualquer experiência e concluiu que existem no homem certas faculdades ou estruturas que kant denomina formas da sensibilidade e do entendimento que possibilitam a experiência e determinam o conhecimento para kant portanto a experiência forneceria a matéria do conhecimento os seres do mundo enquanto a razão organizaria essa matéria de acordo com suas formas próprias estruturas existentes a priori no pensamento daí o nome apriorismo ser logo despachada devido aos ares que ostenta a saber se há um tal conhecimento independente da experiência e mesmo de todas as impressões dos sentidos tais conhecimentos denominam-se a priori e distinguem-se dos empíricos que possuem suas fontes a posteriore ou seja na experiência por conhecimentos a priori entenderemos não os que ocorrem desta ou daquela experiência mas absolutamente independente de toda a experiência opõem-se os conhecimentos empíricos ou aqueles que não são possíveis apenas a posteriore isto é por experiência immanuel kant crítica da razão pura introdução anotações pintura da catedral de rouen 1892 1894 na frança em momentos diferentes do dia o pintor monet retrata não a catedral a coisa-em-si no dizer de kant mas a catedral tal como ela se apresenta ao longo das variações de luz de um dia o fenômeno da distinção entre conhecimento puro e empírico não há dúvida de que todo o nosso conhecimento começa com a experiência do contrário por meio do que a faculdade de conhecimento deveria ser despertada para o exercício senão através de objetos que toquem nossos sentidos e em parte produzem por si próprios representações em parte põem em movimento a atividade do nosso entendimento para compará-las conecta-las ou separa-las e desse modo assimilar a matéria bruta das impressões sensíveis a um conhecimento dos objetos que se chama experiência segundo o tempo portanto nenhum conhecimento em nós precede a experiência e todo o conhecimento começa com ela mas embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência nem por isso todo ele se origina justamente da experiência pois poderia bem acontecer que mesmo o nosso conhecimento de experiência seja um composto daquilo que recebemos por impressões e daquilo que a nossa própria faculdade de conhecimento apenas provocada por impressões sensíveis fornece de si mesma cujo aditamento não distinguimos daquela matéria-prima antes que um longo exercício nos tenha chamado a atenção para ele e nos tenha tornado aptos a abstraí-lo portanto é uma questão que requer pelo menos uma investigação mais pormenorizada e que não pode 624
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1 Ética ou filosofia moral toda cultura e cada sociedade institui uma moral isto é valores concernentes ao bem e ao mal ao permitido e ao proibido e à conduta correta válidos para todos os seus membros culturas e sociedades fortemente hierarquizadas e com diferenças muito profundas de castas ou de classes podem até mesmo possuir várias morais cada uma delas referida aos valores de uma casta ou de uma classe social no entanto a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética entendida como filosofia moral isto é uma reflexão que discuta problematize e interprete o significado dos valores morais ao contrário como dissemos toda a sociedade tende a naturalizar a moral de maneira a assegurar sua perpetuação através dos tempos de fato os costumes são anteriores ao nosso conhecimento e formam o tecido da sociedade em que vivemos de modo que acabam sendo considerados inquestionáveis e as sociedades tendem a naturaliza-los isto é a toma-los como fatos naturais existentes por si mesmos não só isso para assegurar seu aspecto obrigatório que não pode ser transgredido muitas sociedades tendem a sacralizá-los ou seja as religiões os concebem ordenadas pelos deuses na origem dos tempos como as próprias palavras indicam ética e moral referem-se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade e que como tais são considerados valores e obrigações para a conduta de seus membros a filosofia moral ou a disciplina denominada ética nasce quando se passa a indagar o que são de onde vêem e o que valem os costumes na língua grega existem duas vogais para pronunciar e grafar nossa vogal e uma vogal breve chamada espsílon e uma vogal longa chamada de eta ethos escrita com a vogal longa significa costume porém se escrita com a vogal breve éthos significa caráter índole natural temperamento conjunto das disposições físicas e psíquicas de uma pessoa nesse segundo sentido éthos se refere a características pessoais de cada um as quais determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é capaz de praticar a ética nasce quando além das questões sobre os costumes também se busca compreender o caráter de cada pessoa isto é o senso moral e a consciência moral individual podemos dizer com base nos textos de platão e de aristóteles no ocidente a ética ou a filosofia moral inicia-se com sócrates 2 sócrates o incansável perguntador percorrendo praças e ruas de atenas contam platão e aristóteles sócrates perguntava aos atenienses fossem jovens ou velhos o que eram os valores nos quais acreditavam e que respeitavam ao agir que perguntas sócrates lhes fazia indagava o que é a coragem o que é a justiça o que é a piedade o que é a amizade a elas os atenienses respondiam dizendo serem virtudes sócrates voltava a indagar o que é a virtude retrucavam os atenienses É agir em conformidade com o bem e sócrates questionava que é o bem as perguntas socráticas terminavam sempre por revelar que os atenienses respondiam sem pensar no que diziam repetiam o que lhes fora ensinado desde a infância como cada um havia interpretado à sua maneira o que aprendera era comum no diálogo com o filósofo uma pergunta receber respostas diferentes e contraditórias após um certo tempo de conversa com sócrates um ateniense via-se diante de duas alternativas ou zangar-se e ir embora irritado ou reconhecer que não sabia o que imaginava saber dispondo-se a começar na companhia socrática a busca filosófica da virtude e do bem por que os atenienses sentiam-se embaraçados e mesmo irritados com as perguntas socráticas por dois motivos principais em primeiro lugar por perceberem que confundiam valores morais com os fatos constatáveis em sua vida cotidiana diziam por exemplo coragem é o que fez fulano na guerra contra os persas em segundo lugar porque inversamente tomavam os fatos da vida cotidiana como se fossem valores morais evidentes diziam por exemplo É certo fazer tal ação porque meus antepassados a fizeram e meus parentes a fazem em resumo confundiam fatos e valores pois ignoravam as causas ou razões por que valorizavam certas coisas certas pessoas ou certas ações e desprezavam outras embaraçando-se ou irritando-se quando sócrates lhes mostrava que estavam confusos tais confusões porém não eram e não são inexplicáveis nossos sentimentos nossas condutas nossas ações e nossos comportamentos são modelados pelas condições em que vivemos família classe e grupo social escola religião trabalho circunstâncias políticas etc somos formados pelos costumes de nossa sociedade que nos educa para respeitarmos e reproduzirmos os valores propostos por ela como bons e portanto como obrigações e deveres dessa maneira valores e maneiras parecem existir por si e em si mesmos parecem ser naturais e intemporais fatos ou dados com os quais nos relacionamos desde o nosso nascimento somos recompensados quando os seguimos punidos quando os transgredimos sócrates embaraçava os atenienses porque os forçava a indagar qual a origem e a essência das virtudes valores e obrigações que julgavam praticar ao seguir os costumes de atenas como e por que sabiam que uma conduta era boa ou má virtuosa ou viciosa por que por exemplo a coragem era considerada virtude e a covardia vício por que valorizavam positivamente a justiça e desvalorizavam a injustiça combatendo-a numa palavra o que eram e o que valiam realmente os costumes que lhes haviam sido ensinados sócrates embaraçava os atenienses porque os forçava a indagar qual a origem e a essência ou significações verdadeira e necessária das virtudes valores e obrigações que julgavam praticar ao seguir os costumes de atenas como e por que sabiam que uma conduta era boa ou má virtuosa ou viciosa por que por exemplo a coragem era considerada virtude e a covardia vício por que valorizavam positivamente a justiça e desvalorizavam a injustiça combatendo-a numa palavra o que eram e o que valiam realmente os costumes que lhes haviam sido ensinados dirigindo-se aos atenienses sócrates lhes perguntava qual o sentido dos costumes estabelecidos os valores éticos ou morais da coletividade transmitidos de geração em geração mas também indagava quais as disposições de caráter características pessoais sentimentos atitudes condutas individuais que levam alguém a respeitar ou transgredir os valores da cidade e por quê ao indagar o que é a virtude e o bem sócrates realiza na verdade duas interrogações por um lado interroga a sociedade para saber se o que ela esta habituando em considerar virtuoso e bom corresponde efetivamente à virtude e ao bem e por outro interroga os indivíduos para saber se ao agir possuem efetivamente consciência do significado e da finalidade de suas ações se seu caráter e sua índole são bons são virtuosos e bons realmente a indagação ética socrática dirigi-se portanto à sociedade e ao indivíduo as questões socráticas inauguram a ética ou filosofia moral porque definem o campo no qual valores e obrigações morais podem ser estabelecidos ao encontrar seu ponto de partida a consciência do agente moral É 625
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sujeito ético moral somente aquele que sabe o que faz conhece as causas e os fins de sua ação o significado de suas intenções e de suas atitudes e a essência dos valores morais sócrates afirma que apenas o ignorante é vicioso ou incapaz de virtude pois quem sabe o que é o bem não poderá deixar de agir virtuosamente a pintura mostra sócrates discutindo sobre a morte e a imortalidade da alma prestes a efetuar sua sentença de morte 3 aristóteles e a práxis se devemos à sócrates o inicio da filosofia moral devemos a aristóteles a distinção entre saber teorético ou contemplativo e saber prático o saber teorético é o conhecimento de seres e de fatos que existem e agem independentemente de nós e sem a nossa intervenção isto é de seres e fatos naturais e divinos o saber prático é o conhecimento daquilo que só existe como conseqüência de nossa ação e portanto depende de nós a ética e a política são um saber prático o saber prático pode ser de dois tipos práxis ou técnica na práxis o agente a ação e a finalidade de agir são inseparáveis pois o agente o que ele faz e a finalidade de sua ação são o mesmo assim por exemplo dizer a verdade é uma virtude do agente inseparável de sua fala verdadeira e de sua finalidade que é proferir uma verdade não podemos distinguir o falante a fala e o conteúdo falado na práxis ética somos aquilo que fazemos e o que fazemos é a finalidade boa e virtuosa ao contrário na técnica diz aristóteles o agente a ação e a finalidade da ação são diferentes e estão separados sendo independente um do outros um carpinteiro por exemplo ao fazer uma mesa realiza uma ação técnica mas ele próprio não é essa ação nem é a mesa produzida por ela a técnica tem como finalidade a fabricação de alguma coisa que é diferente do agente a mesa não é o carpinteiro diversamente por exemplo de uma ação virtuosa pois esta é o ser do próprio agente que realiza além disso enquanto na práxis a ação e sua finalidade são idênticas a virtude é a finalidade da ação virtuosa na técnica a finalidade do objeto fabricado é diferente da ação fabricadora a ação técnica de fabricar uma mesa por exemplo implica o trabalho sobre a madeira com instrumentos apropriados mas isso nada tem haver com a finalidade da mesa uma vez que o fim que ela trará é determinado pelo uso e pelo usuário dessa maneira aristóteles distingue a ética e a técnica como práticas que diferem pelo modo de relação do agente com a ação e com a finalidade da ação também devemos a aristóteles a definição de campo das ações éticas estas não só são definidas pela virtude pelo bem e pela obrigação mas também pertencem aquela esfera da realidade na qual cabem a deliberação e a decisão ou escolha em outras palavras quando o curso de uma realidade segue leis necessárias e universais não há como nem porque deliberar e escolher pois as coisas acontecerão necessariamente tais como as leis que as regem determinam que devem acontecer não deliberamos sobres as estações do ano o movimento dos astros a forma dos animais ou vegetais não deliberamos nem decidimos sobre aquilo que é regido pela natureza isto é pela necessidade mas deliberamos e decidimos sobre tudo aquilo que para ser e acontecer depende de nossa vontade e de nossa ação não deliberamos e não decidimos sobre o necessário pois o necessário é o que é e será sempre tal como é independentemente de nós deliberamos e decidimos sobre o possível isto é sobre aquilo que pode ser ou deixar de ser porque para ser e acontecer depende de nós de nossa vontade e de nossa ação com isso aristóteles acrescenta a idéias de consciência moral trazida por sócrates a idéias de vontade guiada pela razão como o outro elemento fundamental da vida ética por isso mesmo devemos a aristóteles uma distinção que será central em todas as formulações ocidentais da ética qual seja a diferença entre o que é por natureza ou conforme a physis e o que é por vontade conforme a liberdade o necessário é por natureza o possível por vontade eis porque desde aristóteles afirma-se que a ética e a política se refere as coisas e as ações que estão em nosso poder a importância dada por aristóteles à vontade racional é deliberada É importante salientar que o estudo da filosofia a nível de ensino médio e cursos pré-vestibulares não tem como único objetivo a aprovação no vestibular mas em especial a análise reflexiva sobre si e seu contexto social de sua maneira mais ampla cultural artístico ético ideológico científico a partir do pensar o próprio pensamento derrubar ideologias pré-conceitos e morais que sufocam a liberdade humana para sua melhor reflexão optamos em por um trecho da entrevista de uma das principais pensadoras brasileiras marilena chauí professora de filosofia na universidade de são paulo com sua presença atuante do debate político nacional e na construção da democracia no brasil É autora de inúmeros livros entre estes convite à filosofia o que é ideologia a nervura do real entre outros esta entrevista foi extraída da revista cult em junho de 2000 cult a senhora considera que a filosofia tem algo a dizer hoje ou ela foi engolida pela história marilena eu acho que ela tem muito a dizer antes e hoje e em geral a filosofia tem muito a dizer em momentos de crise e de grande fechamento de horizontes e o fato de que a dimensão prática da filosofia seja medida por um trabalho especulativo da à filosofia uma liberdade muito grande de se movimentar pelo tempo portanto de operar com o alargamento das fronteiras temporais agora eu penso que nós vivemos num tempo de crise de fechamento de expectativas sociais econômicas e políticas e de fechamento das expectativas culturais penso que a filosofia tem esse poder de abertura de chave temporal você pode observar que os instantes mais fecundos da filosofia costumavam ser os instantes nos quais você tinha uma sociedade em crise isto é uma sociedade que não conhece muito bem ou não sabe muito bem qual é o seu próprio sentido e a interrogação filosófica acaba se voltando para essa questão ao fazer uma crítica das opi 626
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niões dos preconceitos das ideologias a filosofia propõe para a própria sociedade senão um sentido pelo menos a busca de um sentido da sua própria existência sob essa perspectiva eu considero que a filosofia tem muito a dizer sobretudo porque eu considero que a filosofia tem objeto e que este é a interrogação do sentido do existir das coisas cult o que a senhora considera essencial para pensarmos a nossa contemporaneidade marilena eu diria que em primeiro lugar recuperar algo que ficou muito fora de moda sobretudo se você leva em conta a ideologia pós-moderna que é a idéia de que existem determinações materiais necessárias da vida social e que portanto a inteligibilidade da vida social não pode fazer conta silenciar ocultar essa determinação material da existência então eu diria que uma primeira coisa é fazer a crítica da ideologia pós-moderna que confunde a aparência social o parecer social com a estrutura e a essência da própria sociedade isso significa que nós temos de retornar às questões econômicas temos de reconduzir a interrogação insatisfeita ou satisfeita com o tempo presente niilismo dos que consideram que não há sentidos e que não há valores e resignação dos que consideram que há um tempo empírico que escoa e que não existe a história e que a história é um mito totalitário que deve sair da nossa cabeça tudo isso é para dizer que do ponto de vista da filosofia eu penso que o que esta na ordem do dia é a discussão daquilo que é a crise na e para a filosofia e que é a crise da razão a maneira pela qual esse universo pós-moderno transformou a razão no veículo de todas as formas de autoritarismo e de totalitarismo o pós-moderno atri8bui esses acontecimentos a razão quando na realidade ela sempre teve um papel libertador e transformador a atividade racional · não é por conseguinte no ato de raciocinar e não de outro modo que a alma apreende em parte a realidade de um ser ·sim e é este então o pensamento que nos guia durante todo o tempo em que tivermos o corpo e nossa alma estiver misturada com essa coisa má jamais possuiremos completamente o objeto de nossos desejos ora esse objeto é como dizíamos a verdade platÃo fédon traduc jorge pateikat e joão cruz costa são paulo nova cultural 1987 p 66-67 com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de verdade em platão é correto afirmar a o conhecimento inteligível compreendido como verdade está contido nas idéias que a alma possui b a verdade reside na contemplação das sombras refletidas pelo exterior e projetados no mundo sensível c a verdade consiste na fidelidade e como deus é o único verdadeiramente fiel então a verdade reside em deus d a principal tarefa da filosofia esta em aproximar o máximo possível a alma do corpo para dessa forma obter a verdade e a verdade encontra-se na correspondência entre um enunciado e os fatos que ele aponta no mundo sensível 03 entre inúmeros relatos de nossos índios encontramos o da origem do dia e da noite ao transportarem um coco certos índios ouviram de dentro dele ruídos estranhos e não resistiram à tentação de abri-lo apesar de recomendações contrárias de dentro do coco escapuliu então a escuridão da noite por piedade a aurora determinou de que nunca mais haveria só claridade como antes mas alternância do dia e da noite semelhantemente os gregos homéricos relatam a lenda de pandora que enviada aos homens abre por curiosidade uma caixa de onde saem todos os males pandora consegue fechar a caixa a tempo de reter a esperança única forma de o homem não sucumbir às dores e aos sofrimentos da vida a partir do relato acima podemos afirmar iobservando os dois relatos percebe-se alguma semelhança entre eles ambos falam da curiosidade da desobediência e do advento de um castigo a escuridão e os males numa leitura apressada buscando o sentido do mito podemos pensar que se trata apenas de uma maneira fantasiosa de explicar a realidade que ainda não foi justificada pela razão essa posição a respeito do mito não se esconde preconceito comum de ver o mito como uma forma menor de explicação do mundo prestes a ser superada por formas mais racionais examinando as manifestações coletivas do cotidiano da vida urbana descobriremos componentes míticos no carnaval no futebol ambos como manifestações delirantes do imaginário nacional e da expansão das forças inconscientes e falsas da mesma forma os psicanalistas aproveitam a riqueza do mito e descobrem neles modelos que se acham nas raízes do desejo humano a pedra angular da psicanálise se encontra na interpretação feita por freud do mito de Édipo o mito não é algo que ocorre apenas entre os povos primitivos nos primórdios da nossa civiliza exercícios 01 uma pessoa age injustamente sempre que pratica tais atos voluntariamente quando os pratica involuntariamente ele não age injustamente nem justamente a não ser de maneira acidental o que determina se um ato é ou não um ato de injustiça ou de justiça é sua voluntariedade ou involuntariedade quando ele é voluntário o agente é censurado e somente neste caso se trata de um ato de injustiça de tal forma que haverá atos que são injustos mais não chegam a ser atos de injustiça se a voluntariedade também não estiver presente aristÓteles Ética a nicômaco são paulo nova cultural 1996 p 207 a um ato de justiça depende da consciência do agente e de ter sido praticado voluntariamente b a noção de justo desconsidera a discriminação de atos voluntários e involuntários quanto ao reconhecimento de mérito c a justiça é uma noção de virtude inata ao ser humano a qual independe da voluntariedade do agente d o ato voluntário desobriga o agente de imputabilidade devido à carência de critérios para distinguir a justiça da injustiça e quando um homem delibera prejudicar outro a injustiça está circunscrita ao ato e portanto exclui o agente 02 quando é pois que a alma atinge a verdade temos de um lado que quando ela deseja investigar com a ajuda do corpo qualquer questão que seja o corpo é claro9 engana radicalmente ·dizes uma verdade ii iii iv v 627
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ção nem apenas entre os gregos da antiguidade o mito não é resultado de um delírio nem uma mentira das formas do existir humano estão corretas a i ii iv v c iii v e i ii iii iv v b i ii v d i iii iv v 10 a sociedade ideal de platão reflexão da obra república estabelece uma divisão social tripartida baseando-se na seguinte divisão a reis comerciantes e trabalhadores b rei-filósofo guerreiro e trabalhadores c sacerdotes filósofos e guerreiros d rei-filósofo sacerdotes e trabalhadores e governantes povo e guerreiros 11 enquanto os filósofos não forem reis ou os reis e príncipes não possuírem o espírito e a força da filosofia de forma que a sabedoria e a liderança política se encontrem no mesmo homem as cidades e a raça humana jamais se libertará do mal platão república a citação acima nos remete a uma reflexão sobre o contexto humano especificadamente a sócio-político c psico-social e sócio-artístico b sócio-econômico d sócio-tecnológico 04 de acordo com a tradição histórica a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como período pré-socrático segue-se a esse período uma nova fase da filosofia marcada no inicio pelos sofistas seguida pelos socráticos os períodos acima são denominados respectivamente em grande parte pela investigação a b c d e da natureza e cosmologia cosmológica e da natureza cosmológica e antropológica cosmogônica e cosmológica natureza e antropológica 05 a filosofia escolástica cujo representante maior foi santo tomás de aquino autor da suma teológica foi uma tentativa de a negar o pensamento cristão b mostrar aos cristãos a necessidade de expulsar os mulçumanos do mundo europeu c aniquilar o pensamento teológico d harmonizar a razão com a fé e mostrar a supremacia da razão sobre a fé 06 platão pri8ncipal discípulo de sócrates através dos diálogos estabelece a base da sua filosofia conhecida como a teoria positivista b teoria estruturalista c teoria das idéias ou das formas perfeitas d teoria dialética-metafísica e teoria da maiêutica 07 na obra a república platão estabelece um debate sobre o governo ideal baseando-se na reflexão de que o governante deve ter atingido o mundo a sensorial c espiritual e inteligível b material d empírico 12 então vem a democracia os pobres vencem seus oponentes degolando alguns e desterrando o resto e dão ao povo uma cota igual de liberdade e poder platão república qual era a visão política e filosófica de platão em relação à democracia a um desastre para a sociedade visto que o povo não esta devidamente preparado para selecionar os melhores governantes e a ação mais sábia b um benefício visto que a vontade da maioria sempre tem razão e baseia-se na justiça e na verdade c algo de extrema importância para uma sociedade dominada pelos cidadãos que através do debate público construíram as leis mediante a vontade da maioria d um sistema perfeito pois da igualdade política e educacional para todos e o modelo de governo importante para a pólis grega 13 a ciência trabalha com juízos de realidade já que de uma forma ou de outra pretende mostrar como os fenômenos ocorrem quais as suas relações e conseqüentemente como prevê-las de modo diferente a filosofia atua com a juízos de valor porque o filósofo parte da experiência vivida e vai além dessa constatação não vê apenas como é mas como deveria ser b um conhecimento específico e experimental da realidade atuando com uma intervenção prática sobre o contexto social c uma reflexão ampla lógica e específica sobre os problemas humanos utilizando experiências e leis de causa e efeito d juízos da realidade visto que o conhecimento filosófico é igual ao conhecimento científico e juízo de valores objetivando a compreensão da realidade sem propor mudanças 14 os socráticos desenvolveram um debate filosófico essencialmente centrado na condição do ser humano dando inicio a um debate antropológico e ético para sócrates o conhecimento seria fundamental para levar o indivíduo e conseqüentemente a sociedade ao bem logo a filosofia socrática buscava a separação entre a conceito e conhecimento b filodoxia e filosofia c filosofia e ciência d conceito e reflexão e razão e lógica 08 o mito da caverna é uma metáfora da filosofia platônica que estabelece a existência de uma realidade ilusória e uma realidade verdadeira sendo a caverna de platão a realidade a da dialética perante a mutabilidade do mundo das idéias b da ilusão do mundo da matéria que sofre constante mutabilidade c das idéias foemas perfeitas e eternas d da psicológica espiritual mediante o auto-conhecimento e do conceito e do conhecimento atingidas através da filosofia 09 na obra o banquete de platão a filosofia trata de uma reflexão sobre a a política c o amor e a morte b a arte d a guerra 628
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a questão da origem do conhecimento de locke até kant o caminho para um tal exame havia sido preparado pelos trabalhos de locke berkeley e hume e no entanto aparentemente seus resultados eram também hostis à religião john locke 1632 1704 havia se proposto aplicar à psicologia os testes e métodos indutivos de francis bacon em seu grande essay on human understanding ensaio sobre a inteligência humana 1689 a razão pela primeira vez no pensamento moderno voltara-se para si mesma e a filosofia começara a investigar o instrumento em que por tanto tempo confiara este movimento introspectivo na filosofia cresceu passo a passo com a novela introspectiva que vinha sendo desenvolvida por richardson e rousseau tal como os romances sentimentais e emotivos clarissa harlowe e la nouvelle héloise punham ênfase na exaltação filosófica do intelecto e da razão como surge o conhecimento temos nós como supõem algumas pessoas idéias inatas por exemplo de certo e errado de deus idéias inerentes à mente desde o nascimento anteriores à toda experiência nenhum conhecimento precede a experiência todos começam por ela teólogos aflitos temerosos de que a crença na divindade desaparecesse por deus não haver ainda aparecido em nenhum telescópio pensaram que a fé e os costumes morais poderiam ser fortalecidos se fosse demonstrado que as idéias centrais e básicas eram inatas em todas as almas normais mas locke ainda que fosse bom cristão pronto a defender eloquentemente a razoabilidade do cristianismo não podia aceitar essas suposições proclamou tranquilamente que todos os nossos conhecimentos vêm da experiência e através de nossos sentidos que nada existe na mente a não ser o que existiu primeiro nos sentidos a mente é no nascimento uma folha limpa uma tabula rasa e as experiências sensoriais escrevem nela de mil maneiras até que as sensações produzem a memória e a memória produz idéias isso parecia levar à surpreendente conclusão de que des módulo iii 629
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de que somente as coisas materiais podem afetar nosso sentidos nada conhecemos a não ser a matéria e temos de aceitar uma filosofia materialista se as sensações são o estofo do pensamento argumentavam os apressados a matéria tem de ser o alimento da mente de forma nenhuma disse o bispo george berkeley 1684 1753 essa análise lockeana do conhecimento prova antes que a matéria não existe a não ser como forma da mente a idéia era brilhante refutar o materialismo com o simples expediente de mostrar que não temos conhecimento de coisa alguma que seja material em toda a europa somente uma imaginação gaélica poderia ter concebido essa mágica metafísica mas vejamos como é óbvio disse o bispo não nos disse locke que todos os nossos conhecimentos são derivados de sensações consequentemente todo o nosso conhecimento de qualquer coisa é meramente a sensação que temos dela e as idéias derivadas dessas sensações uma coisa é meramente um aglomerado de percepções isto é sensações classificadas e interpretadas protestas que teu café é muito mais substancial que um aglomerado de percepções e que o martelo que te esmagou o polegar tem uma grandiosa materialidade mas teu café a princípio não é nada a não ser um conjunto de sensações de visão olfato e tato depois paladar e em seguida conforto e calor interno da mesma forma o martelo é um aglomerado de sensações de cor tamanho forma peso etc sua realidade não está para ti em sua materialidade mas sim nas sensações que vêm de teu polegar se não tivesses sentidos o martelo não existiria para ti ele poderia martelar teu polegar incessantemente e no entanto não receber de ti a menor atenção ele é apenas um amontoado de sensações ou um amontoado de lembranças é uma condição da mente toda a matéria ao que saibamos é uma condição mental e a única realidade que conhecemos de imediato é a mente isso é tudo sobre o materialismo mas o bispo irlandês não contara com o cético escocês david hume 1711 1776 que com a idade de vinte e seis anos escandalizou toda a cristandade com o seu altamente herético treatise on human nature tratado sobre a natureza humana um dos clássicos e uma das maravilhas da filosofia moderna conhecemos a mente disse hume somente como conhecemos a matéria através da percepção embora esta neste caso seja interna nunca percebemos a mente como uma entidade percebemos apenas idéias separadas lembranças sentimentos etc a mente não é uma substância um órgão que produz idéias ela é apenas um nome abstrato para a série de idéias as percepções lembranças e sentimentos são a mente não há uma alma o tempo pode ser que se possa observar por percebido exteriormentrás dos processos do pensa te assim como o espaço mento o resultado foi que não pode ser considerahume destruiu a mente tão do como algo interior eficazmente quanto berkeley em nós mesmos havia destruído a matéria não restava nada e a filosofia se encontrou no meio de ruínas por ela mesma causadas mas hume não se satisfez em destruir a religião ortodoxa pelo arrasamento da alma propunha-se também destruir a ciência pela dissolução do conceito de lei tanto a ciência como a filosofia desde os tempos de bruno e galileu davam grande importância à lei natural à necessidades de sequência do efeito após a causa espinosa criara sua majestosa metafísica com base nessa explêndida concepção mas observai disse hume que nunca percebemos causa ou leis percebemos acontecimentos e sequências e inferimos em decreto eterno e necessário ao qual os acontecimentos estão sujeitos mas apenas um sumário e abreviação mental de nossa experiência caleidoscópica não temos garantia de que as sequeências até aqui observadas reaparecerão sem alteração nas experiências futuras lei é um hábito observado na sequência de acontecimentos mas não existe necessidades num hábito somente as fórmulas matemáticas possuem necessidade apenas elas são inerente e inalteravelmente verdadeiras e isso somente porque tais fórmulas são tautológicas o predicado já está contido no sujeito 3 x 3 9 é uma verdade eterna e necessária apenas porque 3 x 3 e 9 são uma única e a mesma coisa expressa de forma diferente o predicado não acrescenta nada ao sujeito a ciência então terá que se limitar estritamente à matemática e às experiências diretas não poderá confiar em deduções não verificadas das leis quando percorremos bibliotecas convencidos desses princípios escreve o nosso fabuloso cético que destruição teremos de fazer se por exemplo tomarmos em nossas mãos qualquer volume de metafísica escolar perguntemos `contém qualquer raciocícnio abstrato referente à quantidade ou número não `contém qualquer raciocínio experimental tratando da realidade e da existência não jogue-o então nas chamas pois não pode conter nada a não ser sofismas e quimeras imaginem como as orelhas dos ortodoxos zumbiram com esas palavras a tradição epistemológica a investigação da natureza das fontes e da validez dos conhecimentos cessara de ser um apoio para a religião a espada com que o bispo berkeley abatera o dragão do materialismo voltara-se contra a mente imaterial e a alma imortal e no turbilhão a própria ciência sofrera graves ferimentos não é de admirar que emanuel kant ao ler em 1755 uma tradução alemã dos trabalhos de david hume tenha ficado chocado com esses resultados e tenha sido despertado como disse ele próprio da sonolência dogmática na qual aceitava sem indagações as partes essenciais da religião e as bases da ciência teriam então a ciência e a religião de ser entregue aos céticos o que se poderia fazer para salvá-las a crítica da razão pura ual o significado desse título crítica é empregado neste caso como análise crítica kant não está propriamente atacando a razão pura exceto no final para mostrar suas limitações pelo contrário tem esperança de mostrar suas possibilidades e colocá-la acima do conhecimento impuro que nos vem através dos canais deformantes dos sentidos pois razão pura significa o conhecimento que não vem através dos sentidos e é independente de toda a experiência sensorial o conhecimento que nos pertence pela natureza e estrutura da mente q 630
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