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bi a h a id l es d história 1 · identificar e caracterizar as diversas formas de organização do trabalho na civilização grega · inferir de que forma a instituição da guerra contribuição processo de formação e organização do estado e às relações de poder estabelecidas · identificar as relações sociais econômicos e de produção nas sociedades antigas · identificar o papel dos mitos e das práticas religiosas na antiguidade clássica · analisar as formas de organização o trabalho na sociedade egípcia · identificar e caracterizar as diversas formas de organização do trabalho na civilização romana · inferir de que forma a instituição da guerra contribui para o processo de formação e de organização do estado em diferentes sociedades · compreender a instituição do trabalho compulsório como elemento de exclusão da condição de cidadania.
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grÉcia tópico 1 1 localizaÇÃo geogrÁfica grécia antiga localizava-se na península balcânica estabelecendo limites ao norte com a macedônia ao sul com o mar mediterrâneo ao leste com o mar egeu e a oeste com o mar jônico o relevo montanhoso e demais acidentado dificultava a comunicação entre vários pontos do interior dessa região este fator contribuiu para o desenvolvimento de cidades-estados isoladas entre si quase sem comunicação apresentavam-se com diferentes organizações políticas e muitos outros antagonismos entre as mais importantes destacaremos as cidades-estados de esparta e atenas podemos entretanto afirmar que o mundo helênico nasceu e se desenvolveu em um quadro geográfico bem mais amplo do que o da grécia contemporânea a ilha de creta a grécia continental a costa egéia da Ásia menor as ilhas dos mares jônico e egeu foram o seu berço inicial a grécia antiga abrangia o sul da península balcânica grécia européia ou continental as ilhas do mar egeu grécia insular e o litoral da Ásia menor grécia asiática a módulo iii 429
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2 povoamento da grÉcia antiga o povoamento da grécia antiga ocorreu de forma variada e esteve ligada a um intenso processo migratório de povos de origem indo-européia que de forma sucessiva foram subjugando a população local os pelasgos a partir do século xx a.c a ordem de chegada foi a seguinte · aqueus por volta de 2000 a c fundadores de micenas e da civilização creto-miecênica · eÓlios por volta de 1700 a c fundadores de tebas na região da tessália · jÔnios por volta de 1400 a c fundadores de atenas na Ática · dÓrios por volta de 1200 a c fundadores de esparta no peloponeso a desintegração do sistema gentílico no entanto foi quase que inevitável frente às circunstâncias do momento e que levaram a essa desintegração entre os diversos fatores destacamos entre eles o aumento demográfico proporcional ao declínio da agricultura que significou a eclosão de inúmeros problemas econômicos e sociais a tendência individualista crescente ao final do período foi também fator relevante a desagregação do sistema gentílico ocorreu praticamente em toda a grécia provocando divergências sociais e profundas transformações econômicas-políticas que levaram ao aparecimento da cidade-estado polis grega · gerÚsia dela participavam 28 anciãos com cargos vitalícios responsáveis pela orientação da política externa e da elaboração dos projetos de leis para a cidade-estado · apela participavam todos os cidadãos maiores de 30 anos com função de votar os projetos apresentados pelos gerontes podendo aprová-los ou reprová-los · eforato formado por 5 membros detinham o poder de interpretar as leis decidir pelos tratados fiscalizar as leis e aplicar a pena aos infratores apenas uma pequena parcela da população tinha o direito de exercer a cidadania em esparta eram os espartanos grupo de indivíduos que formavam a camada dominante descendentes direto dos conquistadores dórios e detentores de privilégios sociais e políticos esse grupo era proprietário das melhores terras do vale da lacônia e de uma quantidade de trabalhadores que garantiam uma produção voltada para o sustento como membros da camada dominantes estavam expressamente proibidos de se envolverem em atividades produtivas suas funções eram as atividades políticas e principalmente militares da qual exerciam o monopólio Únicos dotados do direito de cidadania possuíam um cotidiano que se resumia em atividades militares da qual estavam sempre ligados objetivando a conquista de novos territórios e mão-de-obra escrava a educação dispensada aos espartanos era dirigida intensamente para a obediência à autoridade e para as aptidões físicas fundamentais os espartanos valorizavam três costumes considerados vitais para a sobrevivência do exército e conseqüentemente do estado · militarismo esta foi indubitavelmente a principal característica da cultura espartana que se explicava pela necessidade de garantir o controle interno sobre os hilotas · eugenia consistia no aprimoramento da raça espartana através da prática de sacrificar crianças com defeitos físicos logo ao nascer lançando-as no abismo do taigueto bem como a seleção de homens e mulheres fortes para o casamento · laconismo o espartano era educado para o hábito de falar pouco somente o necessário de preferência em monossílabos · xenofobismo a aversão ao estrangeiro e as suas idéias foi também fomentada pelo estado que pregava o ódio e repudio aos mesmos · syssitia eram banquetes públicos nos quais os espartanos eram submetidos à uma alimentação regrada garantido que os soldados não engordassem as mulheres espartanas também recebiam educação dispensada pelo estado deveriam a partir dos 7 anos de idade freqüentar uma instituição que lhe orientavam o seu papel dentro da sociedade espartana a saber procriar filhos fortes e sadios para o exército e o estado recebiam aula de educação física e treinamentos básicos de defesa pessoal em esparta é possível identificar uma certa autonomia da mulher pois seu marido sendo um guerreiro e estando constantemente em campos de concentração militar ela passa a tomar as decisões e cuida da proteção do lar e da família durante a sua ausência embora na sua presença haja uma completa submissão esparta localizada na península do peloponeso na planície da lacônia a cidade-estado de esparta foi fundada por volta do século ix a.c pelos dórios povo guerreiro que se estabeleceu às margens do rio eurotas defendidas por um conjunto de montanhas cujos desfiladeiros formavam fortificações naturais e a isolavam das regiões vizinhas a cidade de esparta conquistou uma porção relativamente grande do interior do peloponeso numa época primitiva primeiro na lacônia para o leste e depois em messênia para oeste e escravizou o total dos habitantes das duas regiões que se tornaram hilotas do estado este engrandecimento geográfico e a sujeição social da população envolvida foram realizados sob um governo monárquico no decorrer do século vil a.c no entanto a conquista inicial de messênia e a posterior repressão de uma rebelião tiveram como conseqüência algumas mudanças radicais na sociedade espartana tradicionalmente atribuídas à figura mítica do re-formador licurgo a origem belicosa dos dórios o receio constante de insurreição dos povos dominados a resistência pertinaz a qualquer tipo de mudança político-social e econômica foram alguns dos elementos responsáveis pelos aspectos militaristas conservador e fechado dos espartanos os dórios organizaram esparta baseando-se em um governo oligárquico e militarista que se manteve ao longo dos tempos pois diferente de atenas não ocorreram levantes sociais comprometendo a estrutura de estado o sistema político surgido das bases das propriedades kleroi era um sistema adequadamente novo para seu tempo a monarquia jamais desapareceu inteiramente como aconteceu nas outras cidades gregas mas foi reduzida a um generalato hereditário e restringida por uma dupla gestão outorgada a duas famílias reais anderson perry p-34 politicamente esparta era organizada através das seguintes instituições · diarquia composta por dois reis com a função de co-mandar as funções militares a justiça e presidirem os cultos da cidade produÇÕes e relaÇÕes de trabalho a economia espartana era basicamente agrícola e pastoril uma economia fechada o comércio era pouco exercido nessa cidade-estado pois os cidadãos acreditavam que uma relação comercial intensa poderia trazer prejuízos a estrutura política conservadora uma vez que possibilitaria um maior contato com idéias estrangeiras 430
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consideradas subversivas em esparta assim controlaram as atividades comerciais impedindo a sua expansão À frente dessas atividades estavam os periecos eram homens livres provavelmente os primeiros descendentes dos conquistadores dórios habitavam a periferia da cidade-estado e embora dotados de liberdade eram marginalizados e tratados como categoria inferior sendo portanto excluídos do processo de cidadania viviam da produção de artesanato e do comércio interno desse produto as atividades agropastoris se concentravam nos kleros terras do estado doado aos cidadãos guerreiros para a garantia de seu sustento juntamente com as terras era enviada uma quantidade de hilotas prisioneiros de guerra eram servos pertencentes ao estado espartano provavelmente nativo de regiões conquistadas pelos dórios não possuíam direito algum de cidadania sua função era produzir o sustento dos cidadãos além de pagar impostos e colaborar com as guerras segundo o historiador m finley alguns hilotas conseguiam enriquecer e gozar de um certo pri-vilégio entre os espartanos sua obrigação era o pagamento de uma renda fixa ao espartano no final de um período agrícola e o excedente era de sua propriedade e voltado para o seu próprio sustento e de sua família estavam ligados a terra e não eram propriedade privada de um particular portanto não poderiam ser vendidos ou maltratados pelo seu senhor uma vez que pertenciam ao estado eram também obrigados a participar das atividades militares na condição de carregadores de armas e como guerreiros quando era necessário enfraquecer os inimigos viviam sob o julgo do terror das kriptias ocorridas anualmente consistia na matança coletiva dos hilotas pelos espartanos no sentido de manter o controle populacional dos mesmos evitando assim possíveis sublevações a relação econômica e social entre a elite espartana e o seu servo chamava-se hilotismo que apresentava as seguintes características · servo era propriedade do estado a serviço do governo e da elite e seu destino era definido pelo estado · servo espartano trabalhava essencialmente na agricultura e pecuária preso ao meio rural nas terras do estado mantendo a economia para sustentar a elite vale ressaltar que esse hilota também foi utilizado para reforçar foi utilizado para reforçar as fileiras do exército espartano · constantemente o estado espartano utilizava a kriptéia que era a matança de servos com objetivo de conter o aumento populacional dessa classe treinar os guerreiros da elite e causar terror sobre os servos · hilotas ficava com uma pequena parte do que ele produzia a fim de garantir a sua precária sobrevivência pelos gerontes a cidadania em atenas a sociedade ateniense evoluiu de acordo com sua própria estrutura econômica essa foi responsável pelas crescentes desigualdades sociais que possibilitaram o desenvolvimento de categorias sociais diferentes entre si essa diferença era refletida no sentido econômico e político a elite ateniense era formada pelos eupÁtridas proprietários das melhores terras da Ática o pédium eram filhos de pai e mãe ateniense desprezavam as atividades comerciais e se dedicavam quase que exclusivamente as atividades políticas da qual exerceram o monopólio durante alguns séculos os atenienses eupátridas recebiam uma educação voltada para a formação intelectual e política que já iniciava desde a infância as classes sociais a sociedade ateniense apresentou uma população de aproximadamente 400.000 habitantes dividida em seis grupos sociais eupÁtridas que era a nobreza considerado os bem nascidos monopolizavam o poder político controlavam as melhores terras demiurgos que eram os comerciantes do litoral e em alguns casos trabalhavam como artesãos georgÓis que eram os pequenos agricultores eram proprietários de terras pouco agricultáveis sendo assim viviam em grandes dificuldades constantemente endividados o que os redizia à condição de escravos thetas uma espécie de sem terra que vivia de forma miserável no meio urbano tratam-se de ex-escravos por dívida que conquistaram a liberdade após a lei de sólon não eram considerados cidadãos devido sua condição de liberto eram qualificados como semi-cidadão podendo os seus filhos tornarem-se cidadãos metecos geralmente são representados como estrangeiros mas na verdade eles são considerados não-cidadãos pois a maior parte dos metecos são formados por gregos que não nasceram em atenas que viviam no meio urbano exercendo o artesanato e o pequeno comércio interno e o escravo que era propriedade pública ou privada escravo a escravidão em atenas apresentou uma dinâmica ja-mais vista em esparta pois a mão de obra escrava estava relacionada com todos os setores da economia e da vida privada o escravo em atenas era propriedade estadual e também privada sendo utilizado na construção de prédios estradas e também trabalhavam na agricultura pecuária artesanato trabalhos administrativos remando navios e em diversas tarefas domésticas o processo escravista ateniense contava com duas es-pécies de escravos público e privado ligado as atividades eco-nômicas e o escravo doméstico o escravo doméstico muito mais próximo do senhor recebia um tratamento especial sendo até mesmo muito bem tratado e dentro desse contexto acabava assimilando muito mais a escravidão nutrindo a esperança de um dia ser libertado pelo seu senhor tópico 2 atenas atenas situada na Ática apresenta uma paisagem movimentada onde colinas e montanhas parcelam pequenas planícies fundada pelos jônios próximo ao egeu estabeleceu-se ali de forma pacífica a formação de atenas começou de forma bem diferente de esparta afinal a Ática não sofreu nenhuma invasão belicosa que justificasse a existência e a permanência de uma sociedade militarista bem como não estabeleceu nenhum conflito com habitantes locais a economia mercantil de atenas atenas desenvolveu uma expressiva economia mercantil que conseqüentemente a projetou rumo a uma hegemonia econômica perante as outras cidades-estados gregas sua localização e quadro geográfico podem ser apontados como importantes elementos de contribuição a tal hegemonia seu litoral bastante recortado e um intenso contato com o mar egeu facilitaram a propagação das atividades comerciais entre atenas e as colônias entre os principais fatores que motivaram o pro 431
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cesso de expansão destacam-se os de natureza socioeconômica vimos que a desagregação das comunidades gentílicas na grécia primitiva desencadeia um processo de apropriação privada da terra por parte de uma minoria privilegiada a aristocracia a crise econômica é intensificada ainda pelo grande aumento demográfico presente durante o período arcaico fato que aumenta consideravelmente a parcela dos homens sem propriedade em suma não havia terra para atender a uma população em crescimento o solo relativamente pobre não garantia uma produção suficiente para atender às necessidades de consumo e para agravar a crise as poucas terras férteis concentravam-se nas mãos de poucos além das importantes transformações econômicas que o movimento de expansão colonialista gerou para a sociedade grega não podemos deixar de analisar o intenso progresso cultural trazido pela colonização elementos culturais de outros povos como egípcios e persas foram assimilados pela rica cultura grega bem como ocorreu à difusão desta cultura nas regiões colonizadas em todo o mediterrâneo no período arcaico a escassez de terras férteis e o aumento populacional impulsionaram algumas cidades como corinto mégara e destacadamente atenas a estabelecer colônias com fins comerciais e de povoamento em vários pontos do mediterrâneo era o período da segunda diáspora durante o transcurso do século viii vii e vi a.c os gregos instalaram entrepostos e colônias principalmente no sul da península itálica em torno do mar negro chamado então de ponto euxino e na Ásia menor a categoria social ligada às atividades comerciais em atenas eram os demiurgos homens livres que não tinham direito a cidadania e se dedicavam a produção e o comércio do pequeno artesanato e mais tarde de produtos agrícolas o comércio entre essas áreas baseava-se nas exportações de azeite vinhos e peças de artesanato gregas e na importação de artigos de como trigo metais preciosos cobre vinho e madeira das regiões mediterrâneas as atividades comerciais empregavam alguns escravos e também os metecos eram os não-cidadãos geralmente estrangeiros que residiam em atenas e não desfrutavam de direito algum quer seja de cidadania quer seja de propriedade no entanto em alguns casos especiais o governo ateniense poderia vender a cidadania aos metecos choques sociais as leis de drácon de modo algum feriram o monopólio político da aristocracia assim como não ameaçavam sua dominação social a situação material e social dos camponeses mantinham-se inalterada e a escravidão por dúvida com o monopólio político dos eupátridas continuava sÓlon os comerciantes mais próspero com o comércio marítimo colonialista conseguem em 594 a.c eleger sólon para o cargo de arconte representante dos demiurgos deu início a reformas mais ambiciosas eliminou as hipotecas por dívidas libertou os escravizados por elas suas reformas desarticularam a estrutura oligárquica de estado em atenas dando início a uma outra estrutura a timocracia ou plutocracia as e no entanto prejudicaram a nobreza eupátrida profundamente além de não atenderam as reivindicações populares mais imediatas como divisão de terras e direito a cidadania as tensões continuaram e uma nova rebelião popular eclodiu em atenas sob a liderança de psístrato que depôs sólon do poder psÍstrato a partir de 560 a.c atenas viveu sob um regime de tirania nesse período quem esteve a frente do governo ateniense foi o general psístrato que tratou de promover reformas mais significativas para as camadas populares e de comerciantes psístrato foi responsável por um confisco de parte das terras pertencente a antiga nobreza eupátrida e redistribuindo-as a grupos pertencentes as camadas populares como georgóis e thetas de 561 a 510 a.c o povo foi desarmado alguns dos aristocratas foram exilados ou executados e suas terras talvez divididas entre camponeses pobres psístrato instituiu juizes itinerantes para o território da Ática e um sistema de empréstimos aos cultivadores ao morrer foi sucedido por seus filhos hippias e hiparco esses não deram continuidade as reformas iniciadas pelo pai e sua aproximação com a nobreza o fez perder a popularidade o regime tornou-se duro após o assassinato de um deles que seria derrubado por uma insurreição popular liderada por clístenes as lutas sociais os eupátridas dono das maiores terras na planície pédium buscavam conservar seus privilégios e o poder já os comerciantes controladores do litoral parália enriquecendo constantemente buscavam poder de participação política georgóis e thetas que se encontravam em condições piores almejavam mudanças significativas que pudessem beneficiá-los as lutas sociais a instabilidade o crescimento da pólis e o desenvolvimento do comércio foram fatores que motivaram o surgimento de manifestações sociais que pressionavam cada vez mais a nobreza eupátrida a promover reformas clÍstenes em 510 a.c eclode uma revolta liderada por clístenes finaliza-se o período de tirania e inaugura-se a democracia ateniense clístenes deu início a um conjunto de reforma s que inauguraram gradativamente o regime democrático em atenas de início redividiu atenas em dez tribos em lugar das quatro anteriores dessa forma foi neutralizada a influência dos eupátridas eliminando-se o papel político tradicional de genos tribos e fratrias procedendo à reorganização dos órgãos públicos foi designada uma redefinição no funcionamento das instituições políticas · bulÉ transformada em conselho dos quinhentos mantinha as suas funções anteriores de caráter legislativo os participantes eram escolhidos em grupo de dez que representavam cada tribo da Ática · eclÉsia possuía um caráter de assembléia popular onde participavam todos os cidadãos reconhecidos era sua função também decidir pelos assuntos externos como guerra e paz a eclésia também tinha o poder de votar o ostracismo exílio por um período de dez anos a todo e qualquer indivíduo que oferecesse ameaça ao estado instituído por clístenes · estratÉgia ao conjunto de nove arcontes foi acres drÁcon em 621 a.c drácon consegue a aprovação de seu código antes o direito era consuetudinário costumeiro baseado nas tradições monopolizadas e interpretadas pelos eupátridas que dessa forma aplicavam a justiça o cÓdigo legal de drÁcon entretanto além de ser extrema mente severo manteve os privilégios sociais e políticos existentes assim mesmo com as leis escritas as desigualdades continuaram ativando o descontentamento levando conseqüentemente à ocorrência de 432
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centada mais um cada escolhido representava das uma tribo ateniense e tinha a função de comandar o exército o poder de aplicar as leis clístenes foi denominado o pai da democracia e suas reformas trouxeram a estabilidade social que permitiu a expansão econômica ateniense eram fortes inteligentes e belas enfim viviam como os homens tinham necessidade de alimento e sono e possuíam os mesmos sentimentos humanos 2 os cultos o culto entre os gregos não visava à remissão dos pe-cados tratava apenas de agradar aos deuses para obter sua ajuda e proteção consistia em cantos oferendas de objetos e alimentos e ainda em sacrifícios de animais como o boi e o carneiro além do culto público havia o familiar privado nesse caso o pai exercia as funções de sacerdote cultuando zeus a principal divindade e héstia protetora do lar em ocasiões como o casamento o nascimento e os funerais realizavam-se cerimônias sagradas com a participação de toda a família o perÍodo clÁssico pÉricles o período compreendido entre os anos 461 a.c e 429 a.c é considerado a idade de ouro de atenas quando a cidade viveu o seu auge econômico militar político e cultural nesse período atenas foi governada por péricles e nesses trinta anos tornou-se a cidade mais importante da grécia graças às reformas implantadas tanto no nível político aperfeiçoando-se a democracia quanto no cultural produzindo-se obras-primas até hoje modelos de beleza embora aristocrata de nascença péricles deu maior amplitude à democracia ateniense permitindo o ingresso e a participação política de parcelas da população antes excluídas atenienses de baixa renda envolvidos no trabalho constante para garantir a sobrevivência não podiam dedicar-se à participação política entre as reformas políticas estão a instituição do misthoy soldo para os integrantes do exército assim como uma pequena remuneração para as funções e cargos públicos o que possibilitou maior participação popular péricles retirou também diversas outras restrições à cidadania embora os cidadãos ainda constituíssem uma minoria homem consultando a pitonisa no templo de apolo nessa época atenas possuía quarenta mil cidadãos que somados às suas famílias completavam um total de 150 mil indivíduos os metecos estrangeiros filhos de não-nascidos em atenas chegavam a cinqüenta mil e os escravos perto de 120 mil assim de uma população estimada de 320 mil pessoas apenas quarenta mil participavam da democracia ateniense tópico 3 religiÃo e mitologia grega 1 aspectos gerais da religiÃo grega a religiosidade entre os gregos foi marcada pela exis-tência de muitos deuses politeísmo eles habitavam o monte olimpo eram os senhores do céu e da terra e idolatrados pelos homens que buscavam sua proteção além dos deuses pan-helênicos os quais eram venerados em toda a grécia havia a divindade principal protetora de cada cidade assim como cada atividade humana também possuía seu protetor por exemplo hermes dos comerciantes deméter dos agricultores posêidon dos na-vegadores ares dos guerreiros e outros todas essas divindades eram representadas de maneira antropomórfica sob a forma humana isto é possuíam as mesmas virtudes e os mesmos defeitos as mesmas fraquezas e os mesmos desejos dos homens as consultas aos deuses eram práticas comuns entre os gregos desejosos de conhecer o futuro os homens consulta-vam a sabedoria dos deuses e pediam seus conselhos o templo destinado à consulta era o oráculo o mais conhecido deles foi o de delfos situado nas escarpas do monte parnaso local que os gregos imaginavam ser o centro do mundo neste templo o deus apolo comunicava-se com os homens pela boca de uma sacerdotisa a pitonisa as sacerdotisas passavam dias preparando-se para receber apolo que após analisar o que fora questionado enviava sua resposta 3 a mitologia grega a palavra mitologia vem do grego mythos que quer dizer fábula as mitologias são narrativas primitivas que serviam para explicar o que acontece no mundo e tais explicações guardam certa semelhança com as fábulas são quase sempre estórias maravilhosas e fantásticas no entanto por trás dessas narrativas fantásticas estão quase sempre fatos reais os mitos tratavam da criação do mundo dos inúmeros fenômenos naturais e da luta dos homens para dominar a natureza narravam também sempre de forma fantástica acontecimentos da história como foi o caso da guerra de tróia narrada na ilíada os seres que povoavam as estórias da mitologia eram deuses ou heróis com um misto de formas humanas e divinas na ilíada os heróis como aquiles representavam a nobreza grega com façanhas que exigiam coragem e 433
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habilidades guerreiras ulisses o herói da odisséia é uma figura mais popular que se valia continuamente da esperteza para vencer os inimigos a mitologia constituiu a base para a religião grega a mitologia portanto é considerada como elemento definidor da ideologia da mentalidade e do comportamento do homem grego isto é os gregos explica-vam o seu mundo por meio do pensamento mítico-religioso anotações 434
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roma tópico 1 1 localizaÇÃo e povoamento a civilização romana nasceu e se desenvolveu na península itálica ou italiana que divide o mar mediterrâneo em suas bacias distintas a oriental e a ocidental limitava-se ao norte com a cordilheira dos alpes e a fértil planície do pó ao sul encontra-se com o mar mediterrâneo ao leste com o mar adriático divisor das civilizações clássicas e finalmente a oeste com o mar tirreno o relevo da península se de um lado foi dadivoso com os habitantes da mesma não favoreceu ao desenvolvimento simétricos de uma civilização única isto explica o fato de encontrarmos no período de formação áreas na civilização do bronze e outras na civilização do ferro a grande vantagem do mesmo no entanto foi sua excelente posição geográfica que avançada sobre o mediterrâneo dividindo-se em duas bacias e vocacionando sua população para a futura conquista do mare nostrum mar nosso como chamaria mais tarde ao mediterrâneo 2 fundaÇÃo de roma rômulo e remo a história lendária da fundação de roma atribuída aos gêmeos rômulo e remo foi registrada pelo poeta virgílio em sua obra eneida ele conta que um príncipe troiano enéias fugindo de sua cidade após ter sido tomada pelos gre módulo iii 435
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gos levou consigo seu pai anquises e o seu filho ascânio após longos anos vagando pelos mares os três chegaram ao lácio região da itália onde ascânio filho de enéias fundou a cidade de alba longa posteriormente um dos reis de alba longa numitor descendente de ascânio e enéias foi deposto por seu irmão amúlio a filha de numitor réia sílvia teve dois filhos gêmeos rômulo e remo amúlio com medo de que os netos de numitor pudessem futuramente reclamar o trono do avô mandou jogá-los em um cesto no rio tibre os gêmeos foram salvos por uma loba que os amamentou até serem encontrados por um pastor que os criou adultos os gêmeos voltaram a alba longa destronando amúlio e devolvendo o trono ao avô numitor o qual como recompensa permitiu que fundassem uma cidade posteriormente rômulo se desentendeu com remo matando-o dessa forma tornou-se o primeiro rei da nova cidade a qual em sua homenagem recebeu o nome de roma 3 o estado e a cidadania em roma em roma a estrutura político-social também esteve fundamentada inicialmente sob o regime gentílico os homens estavam organizados em torno das gens o mesmo que genos para os gregos as quais reuniam as famílias identificadas por laços de consangüinidade ou religiosos que cultuavam os mesmos antepassados conforme já estudamos não havia propriedade privada da terra e a autoridade dentro de cada gens cabia ao pater famílias a base econômica era a pecuária e a exploração das terras coletiva mas com a dominação etrusca e a conseqüente expansão do comércio e o crescimento da população surgem as desigualdades sociais o domínio etrusco vai significar portanto um período de transição marcando a passagem das antigas comunidades aldeãs de pastores e agricultores para o agrupamento político-social característico da antigüidade clássica a cidade-estado ou seja o comércio e o artesanato se desenvolvem transformando roma em um grande centro urbano dividido socialmente de acordo com as diferentes atividades econômicas desempenhadas pelos homens o processo de divisão do trabalho é acompanhado pela apropriação privada da terra por parte dos chefes das famílias gentílicas podemos então assim classificar a sociedade romana · patrÍcios segunda a tradição que lhes era conveniente seguir descendiam das primeiras famílias que habitaram roma aristocracia de nascimento formavam a nobreza aristocrática detentora de grandes terras férteis gados e escravos que haviam assumido o poder objetivando o monopólio político e os privilégios econômico sobre as demais categorias sociais · clientes entre patrícios e plebeus encontravam-se os clientes parte da população que havia chegado posteriormente a roma representavam a grande quantidade da população que não possuíam terras e para sobreviverem prestavam serviços políticos aos patrícios em troca de favores econômicos · plebeus constituídos por pequenos agricultores pastores e artesãos que formavam a maior parte da população romana obrigados a pagar altos impostos servir ao exército em caso de guerra e exercer as funções mais servis e braçais assemelhando-se na execução muitas vezes aos escravos não possuíam qualquer tipo de direito e muitas vezes eram vítimas de decisões injustas em processo judiciais podendo ainda ser escravizados pelos credores em caso de dívidas não saldadas · escravos no início da republica era em pequeno número sem grande importância na sociedade romana somente por ocasião da expansão territorial sobre a península e posteriormente sobre o mediterrâneo ocidental foi que se dilatou a escravidão normalmente se originavam por duas formas distintas quer pelas conquistas onde era de costume submeter a escravidão grupos derrotados em guerras ou pela injusta estrutura social que permitia a escravidão por dívidas a monarquia 753 a.c 509 a.c durante a monarquia roma teria sido governada por sete reis quatro latinos e sabinos e os três últimos de origem etrusca o primeiro teria sido rômulo e o último tarquínio o soberbo no período monárquico o rei acumulava as funções executiva judicial e religiosa e era eleito por uma assembléia ou cúria assembléia curiata a partir de uma lista de três candidatos sugeridos pelo senado o senado ou conselho dos anciÃos espécie de assembléia de caráter consultivo era composto de 300 membros representados pelos patrícios mais ilustres e poderosos a aristocracia romana o senado controlava o poder do rei e quando este morria cabia a esse órgão preparar uma nova lista de futuros candidatos a assembléia curiata formada por todos os homens em idade militar escolhiam então o novo rei tópico 2 a republica 509 a.c a 27 a.c a queda da monarquia representou uma nova organização na estrutura política romana a republica foi a dotada como novo regime de poder no qual o senado passava a se sobrepor aos demais composto pelos descendentes do pater o antigo chefe das gens exerciam um cargo vitalício e tinham como prerrogativas preparar as leis decidir pelo comando e recrutamento das tropas além de resolver todas as questões referentes à política interna e externa do estado romano o poder executivo até então pertencente ao rei é exercido por dois magistrados os cÔnsules eleitos anualmente pela assembléia centuriata os cônsules presidiam o senado e tinham funções administrativas e militares cada cônsul possuía o poder de veto sobre a decisão do outro pois desta forma os patrícios evitavam o exercício do poder pessoal em roma e caso isso ocorresse escolhia-se um ditador com poderes absolutos que governaria pelo prazo de seis meses para pôr fim à instabilidade política e restabelecer a ordem os demais magistrados que compunham o corpo burocrático da república romana eram os seguintes os pretores responsáveis pela justiça os censores promoviam o censo da população os edis responsáveis pela política urbana os questores fiscalizavam a cobrança de impostos pontÍfice mÁximo chefe do colégio de pontífice interpretava os dias fastos e nefastos ou seja dias em que poderiam ministrar a justiça era o responsável pela religião e os tribunos da plebe magistratura criada somente em 494 a.c quando eclodiram revoltas populares em roma ainda como parte da estrutura republicana destacam-se as assembléias que tiveram o seu papel redefinido a partir da queda da monarquia podemos dividi-las em · assemblÉia centurial comitia centuriata a mais importante delas era dividida em centúrias isto é em grupos de cem soldados cidadãos os chamados centu 436
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riões cuja função era votar os projetos apresentados havia 98 centúrias patrícias e 95 centúrias plebéias e como o voto dos projetos era votado por centúria a aristocracia controlava as decisões · assemblÉia curial examinava assuntos de caráter religioso · assemblÉia tribal nomeava os questores e os edis 1 as lutas sociais analisando a estrutura administrativa do período republicano em roma podemos perceber que os patrícios controlavam direta ou indiretamente as instituições políticas a plebe afastada do poder procura seus direitos mediante a uma revolta popular os plebeus ameaçaram a aristocracia romana afastando-se da cidade e declarando o anseio de fundar uma cidade independente completamente separada de roma esse episódio ficou conhecido como a revolta do monte sagrado como os plebeus participavam do exército e eram eles quem administravam o comércio em roma os patrícios perceberam que a saída da plebe seria prejudicial para a economia e a força militar dos romanos os plebeus no entanto tomando consciência dessa importância aproveitaram para exigir reformas que pudessem beneficiá-los os patrícios se viram obrigados a praticar algumas concessões aqui podemos enumerar algumas delas · em torno de 494 a.c os plebeus passavam a ter representação política no senado através dos tribunos da plebe em número de dois que em 471 a.c passavam a ser em número de dez os tribunos possuíam o poder de veto sobre as decisões do senado e eram considerados intocáveis imunidade · atendendo uma das principais reivindicações da plebe foi realizada a redação de um código de leis em 450 a.c com a elaboração da lei das doze tÁbuas até então predominava entre os romanos o chamado direito consuetudinário baseado nos costumes e nas tradições cujas leis eram interpretadas exclusivamente pelos magistrados patrícios · em 376 a.c a lei licÍnias foi aprovada e determinou a extinção da escravidão por dividas em roma além de estabelecer que um dos cônsules seria sempre um plebeu determinava que todas as terras conquistadas pelo exército a partir daquela data deveria ser partilhada entre patrícios e plebeus · a lei canulÉia 445 a.c permitia o casamento entre patrícios e plebeus estabelecendo assim a igualdade civil · a lei ogÚlnia 300 a.c atendeu as reivindicações religiosas dos plebeus que a partir de então passavam a ter acesso aos colégios sacerdotais e ao cargo de pontífice máximo estabelecendo assim a igualdade religiosa · a lei hortÊnsia 287 a.c representou a vitória final dos plebeus as resoluções da assembléia popular o plebiscito adquiriram força de lei independentemente da aprovação do senado 2 a expansÃo territorial romana a expansão territorial ocorreu em duas fases que pode ser denominada em conquista da itália e a conquista do mediterrâneo do século v a.c ao iii a.c roma se empenhou em conquistar a península itálica devido a necessidade de obter gêneros para o abastecimento essencial bem como de pôr fim as ameaças de invasão dos povos da região em 272 a.c roma alcançou o extremo sul conquistando tarento na magna grécia a expansão deu dinâmica própria à estrutura escravista que estabelecida passou a exigir novas conquistas para aumentar o número de cativos os quais cada vez mais passavam a ser indispensáveis à estrutura socioeconômica do mundo romano embora tivesse conquistado a península itálica a hegemonia cartaginesa no mediterrâneo impedia a expansão romana na região a cidade de cartago fundada pelos fenícios com cerca de 250 mil habitantes localizava-se ao norte da África mas possuía inúmeras colônias na córsega sardenha sicília e península ibérica a disputa pela posse da sicília originou guerras entre roma e cartago que se estenderam de 264 a 146 a.c e foram conhecidas como guerras pÚnicas foram momentos de grandes tensões tanto para os romanos quanto para os cartagineses mesmo assim os romanos iam pouco a pouco conseguindo expressivas vitórias e por conseguinte ampliar sua área de dominação em 146 a.c roma conseguiu arrasar definitivamente cartago dizimando sua população e continuou sua expansão tomando para si o mar mediterrâneo que passava a se chamar de mare nostrum nosso mar outras conquistas romanas que podem ser destacadas foram no oriente a macedônia 197 a.c a síria 189 a.c a grécia 146 a.c e o egito 30 a.c e no ocidente a península ibérica 133 a.c e a gália transalpina 55 a.c durante o período de conquistas a sociedade romana transformou-se profundamente devido ao clima imperialista que subsistia favorecendo o modo de produção escravista que se efetivou a partir da derrota de cartago a expansão territorial romana foi de certo bem expressiva e possibilitou uma série de transformações no mundo antigo essas mudanças seriam bem notadas também no cenário interno da cidade-estado uma vez que roma passaria a contar com um numero expressivo de colônias e províncias enumerando algumas dessas mudanças podemos destacar as seguintes · comÉrcio marÍtimo o aumento das colônias significou um crescimento nas relações comerciais de roma coma as mesmas os romanos passaram a deter a hegemonia e o domínio sobre o mediterrâneo desenvolvendo um intenso comércio marítimo e controlando as atividades comerciais · expansÃo de mercados o mercado internacional por via terrestre também se desenvolveu de forma significativa e para tanto foi necessário a construção de vias estradas pavimentadas e bem distribuídas e guarnecidas a cada trecho objetivando evitar saques assaltos e conseqüentemente perdas de mercadorias o reordenamento da sociedade a expansão territorial que teve como protagonista o exército romano foi decisiva para o enriquecimento e o empobrecimento de muita gente a sociedade romana passava então a redefinir os grupos sociais a aristocracia patricia composta por aristocratas tradicionais na sociedade romana e que ocupavam postos elevados no exército romano os cavaleiros eqüestres ou homens novos formados por grandes comerciantes plebeus e usuários dos romanos que através de seus recursos passaram a comprar votos cargos públicos influenciando conseqüentemente nas eleições e nas decisões políticas os nobilitas que representavam a fusão de plebeus ricos com patrícios 437
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pobres por ultimo a baixa plebe formada por artesãos e pequenos camponeses que continuaram empobrecidos e enfrentando situações cada vez mais graves · sem dúvida alguma o aumento de territórios possibilitou para os romanos também o aumento da escravidÃo o que resultou na proletarização da classe de trabalhadores livres reduzindo os seus salários e provocando um constante êxodo rural que buscava uma fonte alternativa para resolver seus problemas 3 as reformas dos gracos diante das transformações ocorridas em decorrência das conquistas romanas entre elas o empobrecimento generalizado da baixa plebe desapontaram líderes populares que na condição de tribunos apresentaram projetos de leis no senado que visava solucionar os problemas das camadas mais pobres eram os irmãos graco tibÉrio graco eleito tribuno da plebe em 133 a.c conseguiu a aprovação de uma lei agrária visando reconstruir a classe dos antigos proprietários rurais romanos através da restauração da pequena propriedade agrária com a divisão da terra a idéia de se implantar uma reforma agrária em roma entretanto segundo o projeto de tibério as terras públicas ager publicus deveriam em grande parte ser retomadas e distribuídas em lotes inalienáveis entre os cidadãos pobres os antigos ocupantes conservariam pequena parcela dessas terras públicas ager publicus recebendo no entanto indenização pelas terras que voltassem ao estado para evitar que as idéias de tibério fossem adiante a oligarquia romana consegue comprar o veto de um outro tribuno da plebe otávio colega de tribuna de tibério a lei não entrou em vigor uma vez que seu mandato de um ano havia expirado diante deste fato resolve se reeleger o que viola os dispositivos constitucionais que estabelecia apenas um ano de poder para os tribunícios aproveitando a ocorrência deste fato ilegal a oligarquia recorreu a violência que culminou no assassinato de tibério em plena sessão no senado caio graco eleito tribuno da plebe em 123 a.c era irmão mais velho de tibério fez votar a lei frumentÁria que instituiu a venda de trigo pelo estado pela metade do preço de mercado propôs leis que favoreciam aos homens novos afim de esses se dissociassem das oligarquias e se aliarem ao partido popular introduziu os homens novos como jurados ao lado de trezentos senadores acabando com o monopólio dos mesmos na matéria criminal estabeleceu a lei viÁria que preconizava a construção de estradas e obras publicas para dar trabalho e salário aos desempregados tentou implantar a reforma agrária e estender a cidadania romana foi no entanto derrotado na sua reeleição em 121 a.c os aristocratas reagiram contra caio e seus seguidores o que resultou em inúmeros confrontos armados até que cercado em uma das colinas romanas caio ordenou a um escravo que o matasse foi atendido e logo em seguida o escravo suicidou-se 5 a revolta de espÁrtacus a situação interna de roma agravada pelas lutas civis possibilitaram o enfraquecimento da mesma diante das províncias nesse contexto eclodiram inúmeras revoltas escravas da qual a mais expressiva foi a de espártaco 7370 a.c gladiador originário da trácia assolou a campânia depois de ter fugido de cápua com 60 de seus colegas e levantando um exército de 100.000 escravos a luta resumia-se em invadir fazendas e libertar prisioneiros objetivavam fugir da itália mas foram derrotados pelo exército romano comandado pelo licínio crasso seis mil rebeldes foram crucificados 6 os triunviratos nesse quadro de turbulências foi estabelecido o primeiro triunvirato divisão dos domínios entre três generais que objetivam restabelecer a ordem o primeiro foi constituído por jÚlio cÉsar pompeu e crasso crescia a disputa entre os triúnviros nessa época crescia no egito a disputa pelo poder entre o faraó ptolomeu e sua irmã cleópatra júlio césar foi para alexandria apoiou cleópatra e colocou-a no poder em seguida dirigiu-se à Ásia menor onde aniquilou as tropas sírias inimigas retornando a roma júlio césar foi proclamado ditador vitalício em clara oposição ao senado que organizou uma conspiração contra ele em 44 a.c foi assassinado a punhaladas em pleno senado sua morte gerou uma grande revolta na população fato habilmente explorado por marco antÔnio um dos fortes generais de júlio césar que juntamente com otÁvio e lÉpido formou o segundo triunvirato após eliminarem os opositores de césar os novos triúnviros iniciaram suas disputas internas otávio aproveitando-se da ausência de marco antÔnio que se encontrava no egito tentou ampliar sues poderes desconsiderou lépido e declarou guerra a marco antônio o qual foi derrotado na batalha de actium em 31 a.c em seguida otávio recebeu do senado o título de princeps primeiro cidadão primeira etapa para obter o titulo de imperator o supremo otávio tornou-se progressivamente senhor absoluto de roma recebendo além de dois títulos o de augustus o divino até então inédito entre os governantes romanos tópico 3 o impÉrio romano 27 a.c 476 d.c o advento do estado imperial romano reorganizou a estrutura política romana propiciando a concentração de poderes nas mãos do imperador este período que durou até a ano de 476 pode ser dividido em duas etapas o alto império século i a.c a iii a.c e o baixo império século iii a v roma teve muitos imperadores que se revezaram no poder promovendo reformas e medidas que o destacaram enquanto governantes 1 alto impÉrio século i a.c a iii a.c roma atingiu o seu apogeu durante o alto impÉrio devido ao desenvolvimento sem precedentes do modo de produção escravista e às conquistas territoriais alcançando riqueza e poder como nenhuma outra civilização ao imperador supremo mandatário cabia exercer totalmente o controle político sobrepondo-se ao senado a ele competia nomear magistrados controlar os exércitos interferindo até mesmos nas questões religiosas com plena centralização conseguia-se a estabilidade anulando os tradicionais conflitos entre as várias facções políticas o império foi enfim a solução governamental encontrada para por fim ao descontrole político que prevaleceu no período republicano administrativamente foi criada uma nova estrutura que visava modificar desde a forma de cobrança de tributos pondo fim ao usual arrendamento da arrecadação até as divisões sociais e a convocação de homens para o exército o funcionalismo público também foi ampliado sendo o conseqüente aumento de despesas coberto pelos crescentes fluxos de riquezas que roma usufruía 438
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para uma população imperial de quase 60 milhões de habitantes a sociedade romana passou a ser dividida em cidadãos cerca de 5,5 milhões de pessoas e províncias os cidadãos por sua vez eram hierarquizados de acordos com suas fortunas no topo da sua escala social ficavam a ordem senatorial um conjunto aproximado de duas mil pessoas os possuidores de mais d 1 milhão de sestércios moeda de prata em seguida vinha a ordem eqüestre cerca de vinte mil indivíduos com fortuna superior a 400 mil sestércios e finalmente abaixo ficava a ordem plebéia 2 baixo impÉrio século iii a v o baixo império foi marcado pela decadência pela desestruturação da ordem estabelecida e a própria derrocado do estado imperial que finalizaria com as invasões bárbaras as crises passaram a assolar o império romano no século iii as províncias já demonstravam sinais de esgotamentos o que conseqüentemente diminuiria o fluxo de riquezas para roma no sentido de manter a demanda anterior de riquezas foi estabelecido que o escravismo seria intensificado a exploração da mão-de-obra agora mais intensificada provocou por sua vez uma crise no escravismo provocada por uma maior exploração dos escravos o que vai diminuir a quantidade cativos devido a mortalidade generalizada dos mesmos também pelo fim das guerras de conquistas que também contribuiu para escassear o número de cativos tornando-se um obstáculo à produção a crise econÔmica advinda da crise escravista resultou como já vimos na diminuição de receitas para cobrir os gastos com a manutenção da burocracia e do exército ao lado disso houve uma nítida diminuição de áreas cultivadas também pela falta de mão-de-obra o que veio a encarecer os produtos o estado em crise se mostrou debilitado em manter a política de assistência que evitou por muito tempo as revoltas populares e a situação de crise em que as camadas populares se encontravam tornou-as inevitáveis o imperialismo romano e as guerras civis internas foram responsáveis pela ampliação do aparelho militar e burocrático bem como pela instabilidade política as sucessivas lutas pelo poder geraram corrupção descontrole político queda de valores tradicionais desencadeando uma série de valores morais no século iii impôs-se a anarquia militar as legiões entronavam e desentronavam imperadores segundo interesses imediatos os soldados que gozavam de grandes prestígios apoiavam irrestritamente os generais que se apossavam mesmo que por curtos períodos de regiões provinciais o que contribuía para o acirramento da crise 2.1 o cristianismo no governo de otávio augusto 27 a.c 14 d.c nasceu em belém da judá jesus cristo o fundador de uma nova religião o cristianismo suas pregações foram bem diferenciadas da religião pagã do império romano o cristianismo tinha como fundamento a pregação do amor à deus e ao próximo a igualdade a justiça e a esperança o que crê em mim como diz a escritura do seu ventre correrão rios de água viva bíblia sagrada livro de s joão capítulo 7 versículo 38 as pregações de fé em um deus onipotente onisciente e onipresente diferente dos deuses até então existentes começava a contrariar a religião oficial do império amarás ao senhor teu deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo faze isso e viverás bíblia sagrada livro de s lucas capítulo 10 versículo 27-28 a promessa de salvação após a morte o igualitarismo e o caráter universal criaram novos estímulos a uma grande massa populacional descrentes em cultos que representavam instrumentos de controle e dominação do estado a situação de crises que o império enfrentava e a situação das camadas populares seriam para as pregações cristãs um terreno fértil pois eram exatamente o que estes precisavam ouvir o imperador otÁvio augusto 27 a.c 14 d.c se destacou de forma expressiva na organização do exército romano organizado e ao mesmo tempo poderoso passou a contar com mais de 300 mil homens divididos em 25 legiões cada uma com 5.620 combatentes composto por cidadãos e tropas auxiliares das províncias cujos membros só recebiam a cidadania após o serviço militar foi graças ao poder e à estabilidade iniciada por augusto que roma pode desfrutar de um período de grandes prosperidade constituindo a pax romana que duraria por mais de dois séculos para cuidar da sua segurança criou-se a guarda pretoriana cuja principal função era defender o imperador e vigiar a capital o período do alto império no entanto também foi marcado por uma enorme concentração de riquezas nas mãos de uma pequena parcela da sociedade romana pois estes enquanto membros da elite ficariam com as riquezas extraídas das províncias a concentração fundiária também foi bem expressiva grandes latifúndios produtivos foram tomados pelas elites onde passaram a realizar uma produção de vários gêneros agrícolas principalmente o trigo a concentração fundiária provocou a ruína dos pequenos lavradores na medida em que estes passaram a enfrentar dificuldades em sua produção pois impossibilitados de concorrer com a produção realizada em grandes latifúndios agregavam-se aos grandes proprietários sujeitando-se a qualquer pagamento pelo seu trabalho o empobrecimento camponês poderia trazer problemas ao estado imperial romano as revoltas sociais poderiam eclodir a qualquer momento a fome e a miséria generalizada moveriam revoltas contra o estado este procurou desenvolver um mecanismo no sentido de evitá-las otávio augusto distribuía trigo à população e organizava sistematicamente grandes espetáculos públicos de circo a panis et circenses política do pão e circo ampliando muito a sua popularidade 439
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mais tarde o cristianismo foi declarado religião oficial do império no final do século iv a proibição dos cultos pagãos deu maior força ainda à igreja de cristo templos cristãos foram erguidos em todo o império e a igreja se tornou influente e poderosa atingindo seu máximo prestígio durante a idade média 2.2 a divisÃo do impÉrio momentos finais nos momentos finais do império romano merecem destaques os seguintes imperadores · diocleciano 284-305 na tentativa de salvar o império da falência baixou o edito mÁximo fixando os preços máximos para as mercadorias e salários sendo os infratores condenados a morte a medida não surtiu efeito pois as mercadorias continuaram a ter os seus preços se elevando descontroladamente outra decisão importante de diocleciano foi a criação da tetrarquia divisão do império entre quatro generais buscando conseguir a paz social e o controle político perdido · constantino 313-337 uma das importantes medidas tomada pelo imperador foi a fundação de uma segunda capital do império constantinopla situada no oriente com a finalidade de garantir a proteção na fronteira leste através do edito de milÃo concedeu liberdade de culto aos cristãos já importantes em número e influencia buscou também estabilizar a produção rural frente à escassez de mão-de-obra decretando com a lei do colonato a obrigatoriedade de fixação do colono à terra que trabalhava era a intensificação do trabalho servil em substituição ao trabalho escravo · teodÓsio 378-395 através do edito de tessalÔnica 391 oficializou o cristianismo reconhecendo-o como a religião do império em 395 dividiu o império romano em dois o do oriente que tinha como capital constantinopla e o do ocidente que tinha como capital roma ao final do seu governo os bárbaros conseguiram se infiltrar por todo o império o que culminou nas invasões e na queda definitiva do império ocidental em 476 quando a tribo dos hérulos chefiada por odroaco derrubou o último imperador romano rômulo augusto anotações 440
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