eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Agosto de 2012 Magazine 2012 August Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literary maga

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral agosto/2012 ano ii núm xviii inauguraÇÃo da arcÁdia ­ associaÇÃo de arte e cultura em diÁlogo por antónio justo no dia 8 de julho pelas 16 horas realizou-se a inauguração da arcÁdia ­ associação de arte e cultura em diálogo na quinta outeiro da luz em chaque ­ branca com uma vernissage de quadros da pintora carola justo estiveram presentes cerca de 150 visitantes entre eles professores de universidades de lisboa e de coimbra a eng doroteia sã respresentante da câmara de oliveira de azemeis a dra rosa tomás vereadora da cultura e da educação da câmara de anadia o presidente da junta da freguesia fernando ferreira e vários representantes de comunicação social e de várias associações locais e regionais o presidente da arcÁdia dr antónio justo apresentou a filosofia as metas e projectos futuros da arcÁdia a arcÁdia é uma associação sem fins lucrativos de projeção supraregional dr josé augusto fernandes fez a laudatio da exposição disse que a pintora tem um estilo muito original e inconfundível os seus quadros têm um efeito terapeutico a pintora carola justo discursou brilhantemente sobre a fonte da criatividade pelo enquadramento musical esteve a cargo dos guitarristas rui martins e dr carlos teixeira a vice-presidente dra dulcineia loureiro moderou o evento os quadros da pintora alemã carola justo tiveram um eco muito positivo nos visitantes a pintora esposa do presidente e fundador da arcÁdia já fez cerca de 50 exposições na alemanha e em países estrangeiros com muito boas críticas por jornalistas de jornais da especialidade e revistas a exposição continua até 3 de agosto encontra-se aberta ao público aos domingos das 10 às 12 e das 14 às 18 horas às segundas e aos sábados das 9 às 12 horas e fora dessas horas segundo acordo telefónico 963994458 a terra é feita de céu

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2 eisfluências agosto 2012 discurso do presidente da arcÁdia no evento da sua inauguração minhas senhoras e meus senhores caros árcades prezados amigos É com muita satisfação e alegria que em nome da arcÁdia associação de arte e cultura em diálogo tenho a honra de saudar público tão distinto e interessado e de agradecer a sua comparência bem-vindos à inauguração da arcÁdia e à vernissage de carola justo a direcção da arcÁdia saúda expressamente a eng doroteia sã representante da câmara municipal de oliveira de azemeis a dra rosa tomás vereadora da cultura e da educação da câmara municipal de anadia o presidente da junta da freguesia fernando ferreira os representantes da imprensa e os representantes das associações dona dália pela provança josé marques pela auranca josé manuel vieira pelo cdb dona preciosa camões sobral pelos escuteiros dona rosa ferreira pelos ecos da memória dr josé cerca pela irmandade santa mafalda altino pires pela comunicação social bem como o professor doutor joaquim teixeira o professor doutor horácio peixeiro e o professor doutor quadrado gil um agradecimento especial a todos os membros da direcção da arcÁdia que se empenharam para que este evento se tornasse realidade e amigos que de longe aqui se deslocaram caros presentes como associação sem fins lucrativos queremos ser uma casa de todos uma casa porta-aberta onde se pretende contribuir para o fomento cultural e artístico numa estratégia de integração e projecção de pessoas iniciativas associações e colectividades a nível local regional nacional e internacional conscientes de que a cultura e a arte não são espaços economicamente privilegiados a minha esposa e eu disponibilizam gratuitamente espaços da quinta para actividades da arcÁdia pretendemos por iniciativa própria ou em parceria realizar acções iniciativas projectos e estabelecer pontes de diálogo nos sectores da arte e da cultura fazendo intercâmbio entre artistas e associações localidades instituições e multiplicadores da cultura e da arte pretendemos ser também uma plataforma de implementação pública de pessoas que privadamente criam arte ou iniciativas que mereceriam o reconhecimento público no respeitante a artes plásticas artistas de perto e de longe têm a oportunidade de exporem as suas obras na galeria arcÁdia e no atelier para artistas de longe a arcÁdia tem o projecto férias extra que proporciona passar férias trabalhar e expor pintura escultura etc seria interessante se conseguíssemos artistas do estrangeiro a expor em portugal e artistas portugueses a expor no estrangeiro intercâmbio entre outras iniciativas temos serões culturais de cultura e arte ao vivo destes poderão nascer tertúlias musicais literárias poesia teatro etc pensa-se introduzir uma certa regularidade nos serões culturais o próximo será aqui no dia 27 de julho pelas 21 horas a associação também tenciona organizar grupos de trabalho específicos ligados a projectos iniciativas conferências e actividades várias não queremos fazer tudo nem ser concorrentes de ninguém para isso já há muitas associações com trabalho importante queremos qualidade e dirigirmo-nos especialmente a um público exigente e criativo a um público que mais que espectador é agente e multiplicador cultural e social como exemplo de actividade que pretendemos realizar refiro um projecto que tencionamos iniciar com o seguinte título adolescentes e jovens escrevem história apoiados por um catálogo de perguntas os jovens documentariam a vida dos avós e pessoas a partir dos 60 em que estes falariam das experiências da sua vida e diriam o que têm para nos comunicar sobre a vida que sabedoria têm para nos transmitir aqui os jovens entrevistadores poderiam descrever também a sua vivência pessoal com eles e reuniriam fotos documentais textos e fotos seriam expostos aqui na galeria arcádia e depois em colaboração a combinar com peritos com a junta de freguesia câmara municipal e bancos etc poderia ser publicado um livro com os trabalhos escolhidos paralelamente ao projecto adolescentes e jovens escrevem história poder-se-ia elaborar um outro projecto que seria crianças escrevem histórias um outro exemplo de iniciativa a concretizar poderia ser fazer uma exposição conjunta de artistas que apresentam obras elaboradas a partir de produtos de reciclagem e convidar também professores e alunos de escolas e jardins-de-infância a visitarem essa exposição com a finalidade posterior de crianças e jovens elaborarem obras a partir de coisas que se deitam para o lixo ou para o ferro-velho esse projecto realizar-se-ia aqui na quinta sob a orientação de artistas e membros da arcÁdia um outro projecto semelhante ao primeiro que narrei mas mais complexo a organizar mais tarde e depois de recolhido o conselho de departamentos municipais da cultura os traumas da guerra do ultramar um outro projecto intercamarário seria a organização duma via artística em que os artistas de cada localidade participariam num projecto conjunto com exposiões locais a serem visitados pelas pessoas das diferentes terras e com palestras em cada local relativas a cada exposião específica e ao conjunto das exposições a filosofia da arcÁdia ­ partimos duma visão de vida integral não fragmentada em verdadeiro e falso encaramos a vida toda a vida só no seu todo é verdade isto pressupõe o esforço por uma vida fora de categorias ideológicas de classe ou raça num espírito de entrega ao belo e ao bem dos outros que são dádiva nos outros está cada um de nós também num encontro dum eu e dum tu que nasce e se realiza no nós como base da ordem de trabalho da arcÁdia imagino uma mentalidade do nós o nós é o ponto de partida e de chegada do nosso pensar e agir isto pressupõe uma atitude de vida em processão onde a dialética de auto-afirmação pela contradição se pressupõe como estratégia num processamento de integração do que aparentemente parece contraditório passar da atitude e estratégia do ou ou para a atitude do não só mas também do por um lado por outro lado numa visão nova integral uma visão a-perspectiva da realidade e dos factos a palavra arcÁdia formámo-la a partir das palavras iniciais ar de arte cÁ de cultura e diÁ de diálogo arte e cultura em diálogo a arcádia histórica era uma academia que em roma em 1690 abrangia um círculo de poetas cientistas filósofos e escritores numa era em que o sentimento sufocava a razão pretendiam voltar à simplicidade clássica nas obras de arte no espírito do bem do belo e da elegância da tradição de platão e aristóteles sintetizada em descartes também houve a arcádia lusitana criada em 1756 que queria combater o mau gosto literário do séc xvii almeida garrett foi discípulo da arcádia sentimos hoje à nossa maneira a preocupação dos antigos árcades especialmente no que respeita ao espirito criativo inovador e ao respeito pelo biótopo cultural regional e nacional somos uma associação aberta agradecendo vossas sugestões e colaboração muito obrigado antónio da cunha duarte justo presidente e fundador da arcÁdia www.arcadia-portugal.com http www.facebook.com/arcadiaportugal

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eisfluências agosto 2012 3 laudatio de pe dr josé fernandes na vernissage de carola justo a terra é feita de céu a pintora carola justo nasceu em 1955 no sul da alemanha na baviera viveu a infância numa linda vila termal o pai era decorador de casas e por algum tempo teve um segundo emprego como acordeonista a mãe emigrou como refugiada da república checa para alemanha depois da guerra a beleza foi um valor constante e muito importante na família foi na idade de 13 anos que a carola justo começou a interessar-se pelas belas artes ao observar um dia uma pintura chinesa que mostrava um simples ramo com um pardal nele pousado o quadro impressionou-a profundamente refere acerca desse momento foi a minha primeira experiência de arte foi assim que aos 13 anos a carola decidiu frequentar o primeiro curso de pintura um curso para adultos o pintor era expressionista e segundo a mesma ajudou-a a entender a arte aí começou a sua atracção pelo impressionismo e pelo expressionismo os pais não apoiaram o desejo da carola de seguir belas-artes na universidade acabou por formar-se em pedagogia social e filosofia foi nessa altura que conheceu o antónio justo aquele que mais tarde se tornou seu marido o casal justo tem 4 filhos os 3 filhos adultos exercem todos eles profissões pedagógicas e todos desenvolvem algum talento artístico ou música ou pintura a filha mais velha é actriz cantora e pedagoga de teatro entre 1982 e 1984 a carola justo formou-se também em terapia familiar algum tempo depois era co-editora duma revista regional onde publicou também artigos e contos da própria autoria contemporaneamente ao serviço de docente de línguas na universidade popular após o nascimento do terceiro filho tornou-se também estudante em vários cursos de pintura durante muitos anos em 1997 começou a expor os próprios quadros até hoje tem já cerca de 50 exposições no seu portfólio com vários pintores a carola justo aprendeu sucessivamente as técnicas de pintura a óleo a aguarela a técnica de desenho e finalmente a técnica de pintura a tinta acrílica até 1996 pintou apenas quadros realistas no entanto já quanto era estudante de pintura sempre desejou ultrapassar o realismo e encontrar um estilo próprio nas suas palavras o estilo próprio não é algo que se possa forçar ou vem ou não vem É uma graça um artista encontrar o seu próprio estilo original e acabou por vir porquê ultrapassar o realismo sem dúvida que é admirável a boa arte de pintar fotorealisticamente no entanto o realismo nunca pode transmitir a sensação do misterioso e não tem a capacidade de surpreender desde a invenção da máquina fotográfica o realismo perdeu o seu valor deixou de ser necessário documentar pela pintura a realidade exterior o verdadeiro papel da pintura é expressar a realidade interior dando sobretudo acesso ao mistério e à surpresa foi esta necessidade que levou a carola a abandonar o realismo acontece que em 1992 a carola justo ficou completamente entusiasmada com uma exposição de pintura a acrílico de um pintor indiano moderno decisão imediata no futuro o acrílico será a minha tinta a partir daquele momento deixou de vez o óleo e mudou para a tinta acrílica foi nesse mesmo ano de 1992 que começou a surgir o estilo próprio que pouco a pouco se desenvolveu e aperfeiçoou até hoje a óleo nunca mais pintou algumas palavras suas para elucidar esta mudança uma experiência entusiasmante de arte pode tocar profundamente o coração e até mudar a própria vida as grandes mudanças aconteceram comigo na infância e em 1992 naturalmente que a porta da inspiração nunca fica fechada surge sempre quando se contemplam obras de arte inspiradas foi o que aconteceu ainda pelo ano de 1992 quando numa exposição contemplava quadros de um conhecido pintor austríaco hundertwasser estes quadros deram-lhe renovada coragem para exprimir o que já tinha no coração cores fortes e paisagens de fantasia no início o estilo da carola era algo semelhante ao de hundertwasser como aliás foi referido por jornalistas que comentaram a sua primeira exposição que teve lugar na sede da comissão europeia em bruxelas depois desenvolveu cada vez mais um estilo próprio que é difícil de subordinar a estilos de outros tem elementos da arte nova por vezes ainda com semelhanças a hundertwasser ou kandinsky mas o seu estilo é mesmo original e em grande parte das suas obras é mesmo difícil de encontrar um percursor do seu estilo ressalvada esta porta de inspiração sempre possível através da contemplação de obras significativas de outros artistas a inspiração da carola justo vem-lhe normalmente do ambiente onde se encontra no dia-a-dia embora o clima da região onde vive seja habitualmente chuvoso e escuro a sua criatividade nada sofre porque vive das cores fortes que lhe vêm de dentro os passeios diários na natureza são mesmo fundamentais tal como a meditação que também faz diariamente um parêntesis para uma arte de outro tipo da carola além de pintora também é docente de meditação na universidade popular de kassel e dá inúmeros cursos de meditação em conventos nos quadros de carola justo nota-se bem a sua ligação e amor à natureza nas palavras de um historiador de arte o prof dr leo weber o grande tema da pintura da carola é a ligação vernetzung a ligação de tudo com tudo especialmente a ligação do homem com a natureza a carola não gosta de falar directamente do meio ambiente mas sim da criação os homens os animais e as plantas para ela fazem parte duma grande família a sua obra quer ser uma oposição clara ao desrespeito pelas pessoas animais e as plantas que graça em todo o mundo a sua obra valoriza e acaricia toda a natureza a árvore símbolo da vida faz figura em muitos dos seus quadros a árvore significa crescimento enraizamento e alinhamento pelo céu podemos compreender os conteúdos dos seus quadros não tanto como simples figuras mas como símbolos por exemplo a menorá o candelabro judeu de sete braços aparece frequentemente na menorá a carola vê uma árvore e vê também uma cruz escondida ou então sete braços que se esticam para o céu significa luz a vela do braço do centro serve para acender as outras velas com a própria chama quatro dos seus braços também significam os pontos cardiais e os restantes dois braços significam a terra e o céu a menorá tal como a cruz é a ligação da terra e do homem com o céu e é um símbolo que se usou nos primeiros tempos do cristianismo ligando-o ao símbolo do peixe a cruz também aparece mais ou menos escondida em muitos dos quadros da carola justo ela confidenciou-me que começa muitos dos seus quadros pintando uma simples cruz partindo daí para desenvolver o motivo a cruz que para muitos se tornou apenas num símbolo de sofrimento e de morte na realidade é um símbolo da vida É duplamente símbolo da vida primeiro porque significa ressureição e também porque exprime a união dos polos do masculino e do feminino do céu e da terra.

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4 eisfluências agosto 2012 três dos seus quadros são muito verticais muito estendidos para o céu altura de 90 cm largura 20 cm mostram cruzes que têm no meio um círculo vermelho o coração ou o núcleo das coisas der kern der dinge o coração encontra-se no cruzamento do vertical com o horizontal a tendência de carola justo para pintar muitas vezes o símbolo da menorá também tem a ver com a sua inclinação pessoal pelo número 7 o número místico nos quadros encontram-se muitas vezes 7 linhas 7 troncos 7 pétalas ou 7 círculos não servirão certamente estas explicações para iniciar a contemplação dos quadros em exposição com a procura de pormenores como símbolos ou números observarão certamente cada quadro como um todo e esperarão que ele comece a falar-vos por dentro esta exposição tem um grande número de quadros expostos e por isso não é possível contemplar intensamente cada um deles É melhor escolher os que mais interessam e ficar algum tempo a contemplá-los É sempre possível e aconselhável voltar num outro dia para observar e dar largas à contemplação dos quadros preferidos em silêncio e com a guia pessoal da pintora como terão oportunidade de verificar a carola justo tem um estilo muito original e excepcional ela estudou o fenómeno de criatividade não só praticamente mas também teoricamente e já fez muitas conferências sobre criatividade diz ela quanto à maneira de ser criativo há artistas que se orientam apenas pelo exterior isto é ou para agradar à maioria das pessoas ou para causar escândalos há artistas que olham para dentro de si mesmos até ao nível auf die ebene da pura disposição e vontade lust und laune e não filtram nada e há também artistas que olham para baixo até ao nível do reprimido dos traumas da raiva do nojo do patológico estes não têm a força de nos inspirar ou de nos elevar puxam-nos é para baixo e finalmente há artistas que se deixam guiar pela força da inspiração que é uma força que vem de dentro do coração embora também venha de fora no sentido de que escutam atenta e atenciosamente o sussurrar da inspiração uma força que vem de baixo no sentido do fundo duma fonte interior e também de cima do céu estes são os artistas que nos inspiram nesta exposição está à vista de todos que a carola é uma artista como estes últimos parabéns à carola e um grande obrigado por ser uma destas artistas que mexe com a vida e nos inspira e anima a viver unidos entre nós humanos e com toda a criação desejo a todos uma contemplação profunda e deixem-se desafiar a reviver os laços originais de família com toda a natureza sobretudo com os seres humanos que são a excelência da criação boa contemplação proximidade sintonia de alma discurso de carola justo na vernissage 8 de julho 2012 excelentíssimas senhoras excelentíssimos senhores caras amigas caros amigos caros familiares obrigada por terem vindo de perto e de longe muito obrigada aos membros da presidência da arcÁdia que se esforçaram tanto para preparar esta exposição muito obrigada também ao pe dr josé fernandes pela laudatio e aos músicos dr carlos teixeira e rui martins gosto muito de entrar em comunicação com vocês não só através dos meus quadros mas também através da palavra há muita gente que quer saber que tintas é que o artista usa e que técnica quanto tempo leva pintar um quadro etc o que acho mais interessante é a pergunta donde vêm as ideias qual é a fonte da criatividade o grande pintor vincent van gogh escreveu ao seu irmão e patrocinador theo tu mal imaginas como é paralisante quando a tela branca olha para ti com um olhar fixo e quando a tela diz tu não vais conseguir nada a tela branca tem um olhar fixo idiota e hipnotiza o pintor muitos pintores têm medo da tela mas a tela tem medo do pintor corajoso e apaixonado pela arte que invalida a sugestão de tu não vais conseguir nada quando a tela branca ou a tábua de madeira branca olha para mim e me tenta de desencorajar não respondo com um plano respondo com tinta espalhando pouco mais que uma cor na superfície ­ ou azul ou verde ou vermelho assim o olhar fixo da tela é coberto depois não sigo a um plano bem pensado só tenho uma ideia vaga seguir um plano obedientemente mata a criatividade a inspiração vem-me ao olhar para a cor um plano rígido é como uma camada de betão que não deixa aparecer a inspiração mas a planta da inspiração às vezes chega a furar uma camada de alcatrão o cérebro constrói estas camadas por isso é melhor no princípio do processo criativo não pensar demasiado mas brincar esquecer a lógica e revogar as leis naturais o céu pode estar em baixo o rio pode correr para cima entre as nuvens podem passar barcos os pássaros podem ser maiores que as casas o grande é suportado pelo pequeno e mais fraco tudo é possível e esta liberdade dá alegria mas criar obras de arte não significa pura alegria e liberdade significa também disciplina significa deixar-se guiar e ao mesmo tempo controlar ser livre mas seguir regras empurrar para trás o raciocínio mas também inclui-lo como vêem a criatividade une em si contrastes.

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eisfluências agosto 2012 5 eu nunca tenho intenção de pintar árvores ou pássaros montes ou casinhas eles aparecem olhando para a cor espalhada na tela na madeira vejo alguma coisa o começo duma cara duma árvore e sigo vocês podem dizer então vem tudo do acaso as imagens não aparecem sem razão nenhuma tudo o que aparece vem duma camada interior invisível inconsciente e é símbolo às vezes um símbolo que eu mesma só entendo muito mais tarde entendi o significado do pássaro preto ou melro só depois de o ter pintado muitas vezes lembrei-me que na infância às tardinhas quentes de verão ouvi os melros cantar com o seu cantar muito especial só a estas horas cantam assim É mais uma chamada do que uma canção nestes momentos a chamada dos melros pareceu-me como uma chamada dum outro mundo uma chamada do céu o melro que aparece muitas vezes nos meus quadros significa a chamada desse outro mundo transcendente e significa também a saudade porque o que eu senti como criança nestas tardes de verão era a saudade embora nessa idade ainda não pudesse dar um nome a este sentimento senti só qualquer coisa e deu-me uma sensação de felicidade diferente de outras sensações de felicidade e ao mesmo tempo e um desejo forte e doloroso mas eu não sabia de quê hoje sei que foi a saudade que senti imagens podem ser ambíguas p e os barcos que aparecem nos meus quadros podem às vezes ser vistos como ninhos ou berços os barcos são símbolos da viagem de vida ou de transição duma fase de vida a outra o ninho ou o berço pode ser símbolo do abrigo e da protecção do lar tudo o que aparece nos quadros tem um significado mas não é totalmente explicável muita coisa fica segredo também para o artista e é bom manter o segredo quando você mata a saudade a saudade é morta quando você explica o segredo o mistério deixa de existir a palavra segredo traduzido para o alemão significa geheimnis esta palavra contém a palavra heim isto é lar o segredo é a nossa habitação o filósofo alemão gronemeyer disse em vez de querer revelar o segredo devíamos habitá-lo olhando para quadros com o desejo de os compreender totalmente só vai causar dores de cabeça e afoga o murmurar do quadro como o pintor não deve pensar demais para deixar surgir a intuição a pessoa que vê obras de arte também não devia pensar demais para também deixar a própria intuição surgir deve esperar até que o quadro comece a falar consigo como eu estou habituada a seguir a minha intuição corro menos o perigo de adaptar-me àquilo que todos dizem que todos fazem e que todos apreciam por isso tenho a liberdade de negar o culto do feio do negativo do patológico que hoje está na moda neste mundo que é ao mesmo tempo bonito e doente precisamos duma mensagem positiva precisamos da cor e da beleza que traz ordem e paz interior precisamos da esperança e de ideais para não nos tornarmos insensíveis perante a saudade do nosso coração a minha pergunta inicial era donde vêm as ideias a esta pergunta não se pode dar uma resposta completa eu concordo totalmente com fernando pessoa que falando sobre a inspiração literária ficava admirado com aquilo que escrevia este fenómeno pode se transferir aos pintores escultores a toda a gente que se abre para a intuição fernando pessoa disse depois de escrever leio porque escrevi isto onde fui buscar isto de onde me veio isto isto é melhor do que eu seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta com quem alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos esta é a experiência que artistas fazem de vez em quando que a obra parece ultrapassar as próprias capacidades são momentos de surpresa momentos de gratidão pelo que se recebeu de alguém o título desta exposição é a terra é feita de céu também é uma frase dum poema de fernando pessoa todos nós sentimos às vezes em momentos muito especiais e raros que o mundo recebeu um brilho muito especial as coisas parecem brilhar mais que normalmente então parece como se o céu tenha caído à terra como se a terra fosse feita de céu desejo que este dia contenha para vocês esses momentos de brilho carola justo poesia em forma de conto por isabel c.s.vargas desejo partilhar o encantamento com a leitura de um livro de mia couto são vinte e nove contos escritos com habilidade e com a magia característica de quem tem o dom de criar palavras neologismos e com elas brincar tecendo histórias de vidas e de sonhos alguns trechos me faziam lembrar de minha professora de literatura ao dizer parafraseando schopenhauer que literatura boa é aquela que não se esgota em uma leitura mas sim a que a cada leitura descobrimos algo novo em outras me faz lembrar minha amiga estrella cujas palavras são sempre envoltas numa aura poética que só aqueles que veem o mundo com olhos diferentes conseguem transcrever e por isto mesmo são pura magia percebem poesia em cada olhar em cada momento do cotidiano em meio a comoventes histórias como a do menino que queria morrer e por isto propôs ao avô trocar de lugar com ele descobrimos lições como as que abaixo transcrevo criancice é como amor não se desempenha sozinha faltava aos pais serem filhos juntarem-se miúdos com o miúdo faltava aceitarem despir a idade desobedecer ao tempo esquivar-se do corpo e do juízo esse é o milagre que um filho oferece ­ nascermos em outras vidas em outro conto sobre a avó que não entendia a viagem do neto para viver em um hotel onde aqueles que o acompanhariam no dia a dia eram meros desconhecidos sem saber o nome de quem lhe prepararia o alimento temos uma visão poética do cotidiano cozinhar é o mais privado e arriscado ato no alimento se coloca ternura ou ódio na panela se verte tempero ou veneno cozinhar não é serviço cozinhar é um modo de amar os outros para esta avó um país estrangeiro começa onde já não reconhecemos parente sobre o menino que fazia versos e não era compreendido motivo pelo qual foi levado ao médico como se enfermo fosse retiramos o diálogo abaixo ao ser inquirido pelo doutor sobre se algo lhe doía responde -dói-me a vida doutor -e o que fazes quando te assaltam essas dores -o que melhor sei fazer excelência -e o que é -É sonhar.

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6 eisfluências agosto 2012 na epígrafe deste conto temos o verso do menino que fazia versos de que vale ter voz se só quando não falo é que me entendem de que vale acordar se o que vivo é menor do que o que sonhei nas palavras de mia couto percebe-se ritmo como no primeiro parágrafo do conto meia culpa meia própria culpa nunca quis nem muito nem parte nunca fui eu nem dona nem senhora sempre fiquei entre o meio e a metade nunca passei de meios caminhos meios desejos meia saudade daí o meu nome maria metade de história em história vamos descobrindo encontros e desencontros dores e alegrias sonhos e realidade numa forma característica do autor que retrata a fala do homem da sua terra natal moçambique revelando entre os erros e acertos de cada personagem a humanidade de todos nós isabel c.s.vargas pelotas/rio grande do sul/br www.isabelcsvargas.com poesia de isabel vargas criaturas isabel c s vargas olho de minha porta vejo a lua escancarada no céu a reinar majestosa me faz de ti lembrar pela grandiosidade e humildade ao dividir o firmamento foste céu lua estrela À todos encantar foste sol ardente majestoso a nossa vida aquecer foste galáxia de bons sentimentos a todos envolvendo hoje magnânimo em sua humildade incólume incorruptível soberano vives entre astros duendes e elementais na nobre missão de a todos ajudar ondas isabel c s vargas mar límpido cristalino cada onda que bate em meu peito leva dissabores retém alegrias descarrega tensões armazena prazeres ensina a cada movimento lições de sabedoria como as ondas ora somos pequenos outra vez somos gigantes diverte crianças agrada aos adultos recupera a energia de idosos a todos leva felicidade no mar somos todos iguais para se sentir feliz não requer luxo só despojamento não importa a cor o credo nem opções políticas não precisa diploma ou conta bancária para ser feliz basta saber ser humilde se entregar ao movimento das ondas os seus ditames respeitar e em seu movimento se deliciar desfrutando a doce sensação de liberdade se eu fosse um pÁssaro isabel c s vargas presa ao meu chão natal com raízes solidamente fincadas pensei assim permanecer para sempre sem almejar nada diverso ventos devastadores arrancaram minhas raízes desejei ser um pássaro e por outras terras voar em uma ânsia louca de te encontrar em teus braços me aninhar para juntos voar libertos por toda eternidade pensamento imaginação é o começo da criação nós imaginamos o que desejamos somos o que imaginamos e criamos o que somos integridade é o que fazemos o que dizemos e o que dizemos que fazemos william shakespeare

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eisfluências agosto 2012 07 poegrafia a malangatana a noiva da ilha acrílico sobre unitex 19,45 x 3,56m por amosse mucavele a ilha ao acordar escuta sempre a monotonia que a solidão do mar canta assiste com os olhos dos xipocos que a namoram sem tréguas a uma velocidade da luz a luz acende o amor que se esconde no poente das mãos do homem que esta aborto do xitarutaru a caminho da ilha nos remos transborda um sonho vulcânico que explodirá quando atingir o núcleo do destino onde flores tomam o brilho do sol que clareia as margens de um sentimento que sobrevoa no dócil olhar dos ilhéus onde a bravura do mar transformar-se-á num paraíso construído pelas sombras do amor alegria sob a alçada dos ramos do embondeiro que dão mel e maça não proibida no cais da ilha os homens e os animais esperam eufóricos pelo brilho da aliança cantam dançam a mesma música agora com retoques do sopro do mosquito e do árduo trabalho de fabricar prazer a cor do mel das abelhas batuques acompanham as ovações da multidão com crianças no colo das mulheres que preservam a beleza com os lenços na cabeça a noiva já não sente os pés no chão mas vê o barco que se aproxima sente o futuro e a cor do vento do matrimónio a beijarem a sua face e por último a mulher diz É hoje que o carvão que arde no meu corpo o mel que derrama na minha boca terá dono amor até que o mar nos separe xipoco fantasma xitarutaru barco artesanal da zona sul de moçambique atravessar o silêncio ao cláudio daniel por amosse mucavel a memória é um inferno provisório onde os nossos dias visitam constantemente na penumbra de um mar de esquecimento ladeado de flores que brilham ao som do silêncio e ao entardecer a neve embarca no murmúrio da água que bate nas pálpebras das pedras na solene viagem do nada e para além do sal derramado nas margens não via-se mais nada pois o cinzento abacanhou a melancolia do céu que outrora fora azul e difícil é descortinar este lado invisível da distância que nos assiste a ilha que nos espera é feita de papel que baloiça livremente nos olhos do mar-mil umas visões espalhadas no útero do passado uma música embalada de presentes toca incansavelmente na febre do navio-onde é minha casa e no colo do futuro procuraremos acender as nossas identidades com o anzol que perdeu-se nas ondas da tempestade lembranÇa ao rui knopfil por amosse mucavele havia uma pétala vermelha que crescia no fumo de um cigarro onde um homem puxava incansavelmente na esperança de querer vencer o medo que se instalava na porta dos seus devaneios e dentro da casa onde os sonhos eram guardiões havia uma pedra encostada a janela onde sussurrava nos ouvidos de inhambane quando lembra-se de alguém de olhos abertos deve-se sonhar de boca fechada mas ninguém deu ouvidos ao sussurro da pedra encostado à inocência da pedra um sujeito levantou a mão no meio da multidão que pescava predicados e outros silêncios na sala da casa eu quero aprender a doutrina das cores que se manifestam nas pedras a pincel a saudade relampeja no arquipélago da insónia do meu poema quando durmo sinto a sensação de acordar no terceiro dia e quando morro passa-me pela cabeça a ideia de acordar no anoitecer das manhãs

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08 eisfluências agosto 2012 na corda da lembrança há um mar que desagua os incensos das suas ilhas há uma cegueira que se assiste o suicido do arquipélago na insónia dos mangais há uma lagrima que cai nos lavancos das ondas que ondulam na sepultura onde jaz a flor murcha de abandono poesia uma realidade supra sensível por amosse mucavel a poesia é o sol da imaginação que ilumina o nosso mundo real um sol que já há séculos vem queimando o iceberg dos sentimentos do poeta vs leitor mas este aquecimento da poesia diga-se global sente-se no árduo trabalho de limar a matéria-prima que fabrica o poema e esta está ao alcance de todos seres viventes vividos e ente-viventes antónio carlos cortez diz o seguinte ao fabricar um poema há ainda uma sensação de que a escrita se autonomiza não para se tornar nossa por separação do autor mas para se tornar um corpo orgânico que vive por si só cabe a nós leitores atentos da nossa realidade seja ela tangível ou intangível aperfeiçoar a técnica do saber ver o que está à frente dos nossos olhos pois exige uma luta constante george orwell subscreve a ideia da luta constante sem tréguas com a realidade que nos circunda uma vez que a produção poética tem como seu paraíso um mar de águas profundas onde a sensibilidade das geografias imaginárias e a insensibilidade das geometrias reais fazem o cerco ao mar que encarcera o poeta e é neste cárcere que o poeta sente-se livre como um pássaro no chão do seu vertiginoso voo onde antes da partida o mesmo acaricia os 4 ventos das grades que o prendem dentro das grades o poeta cria uma pluralidade de espaços de convívios de interrogações e afectos que desaguam na singularidade da poesia detentora de um estatuto topológico um lugar onde e donde coelho 1972 pag 299 um lugar onde a linguagem poética se fala e se escreve blanchot,97,pag 47 um lugar donde a imaginação resplandece e espalha-se no reino da realidade segundo leyla perrone moisés a poesia não pretende mais a primazia entre os discursos assume-se como linguagem à parte não comunicativa hermética passando a ter um valor em si mesma torna-se núcleo irradiador de sentidos infinitos desafiando o leitor a dar prosseguimento ao acto criativo 2000,pag 27 in a inutil poesia de mallarmé ilusÃo o espelho não reflecte os medos que encharcam o meu silêncio muito menos as alegrias que degolam o meu sorriso as vezes o espelho mente a dizer verdades na inocência das incertezas que se amotinam na vista alegre das minhas angústias a tocar flautas ao som do triste olhar da lupa a atirar pedras para os olhos que se olham a procura da verdade das certezas pintadas a vermelho dos semáforos paragem miragem as 4 rodas roncam a morte a angústia o silêncio a memória na abstracta estrada da ilusão onde flores apodrecem no verão esburacado da objectiva da maquina fotográfica múltipla visão ordem e caos verdades e mentiras de olhos bem abertos na fechadura da alma amedrontada pela doce aparição do labirinto as flores atravessam a primavera que a muito clama por elas com sapatos de neve cuidado o verão e eterno chutam o silêncio que habita a escuridão e lá lá e lá e lá do outro lado da margem em pleno suar do inverno uma flor esta sem arvores nega de dar a voz as pedras insiste persiste em aprender a ética da memória das flores que se escondem na estação última do tempo o sono com amarguras de alegrias e angústias deitadas no prato hasteado nas lágrimas da bandeira do futuro e no presente vejo a minha face multiplicada por 2 no quadro dos olhos deste deus da carnificina chamado espelho assim sendo este poema toma de forma subjectiva uma realidade tangível a poesia que se instala nos olhos do leitor faz nos crer que a mesma é feita de inutilidades que no decorrer da sua digressão nas mãos do leitor a tornam útil para humanidade É neste prisma que apraz me dizer o seguinte escrever poesia é colher perigos no covil do leão onde parte-se com o conhecimento de causa dos dois destinos predefinidos 1º assumir esta morte vil viagem sem volta internacionalizar as duvidas e procurar o suicídio desta voz rizomatica no rugir do leão 2º-procurar sobre na eternidade desta perigosa realidade e afirmar a coragem de que é possível plantar sonhos nas garras do leão há aqui indubitavelmente no poema acima lido uma paixão uma sensibilidade supra sensível com as coisas que a priori do ponto vista de um cidadão comum não tem nenhuma missão neste universo e este poema vem mais uma vez mostrar dar a conhecer os sentimentos do silêncio as lágrimas das pedras os sonhos das flores os labirintos da memória e o tropel que a morte provoca por exemplo quando uma pedra estatela-se na poltrona da sua arca e um homem a pisa ou a chuta e em seguida o mesmo fica a contorcerse de dores com a pedra acontece o contrário ela fica alegre pois conseguiu mostrar ao homem a sua grandeza a sua capacidade de o fazer chorar e a sua forca aglutinadora consequentemente fê-lo ouvir a sua voz e dentro dela diz eu sou capaz estas coisas sem vida mas com vida convidam e transportam todas as musas para o infindável teorema da poesia um espaço impar onde a inutilidade das coisas e a utilidade dos sonhos reais procuram o aconchego para as suas vozes vozes de medo vozes de solidão vozes de

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eisfluências agosto 2012 09 alegria cavalgam em constante mutação para o silencio onde de forma in consciente tomam de assalto a folha em branco as abelhas fabricam o seu zumbido ao anoitecer dos dias e ao clarear da noite vendem a dor na matriz do mel amargo que as nossas bocas chupam o zumbido das abelhas é multiritmico como a marrabenta doce como os desenhos afiados da navalha em linhas horizontais que a cada tracejado a vida calha e a morte não falha mais uma vez assistimos um diálogo entre o zumbido da abelha e a malevolência da navalha e assim sendo surge a seguinte questão como é que estas duas vozes que falam silêncios podem apagar a ternura da folha em branco cesariny responde ­ pela saturação duma personalidade a disparar em todas as direcções e não só nos textos quando fala-se de todas as direcções refere-se a sensibilidade do poeta a super realidade que vem de dentro a transpiração e a realidade que nos circunda a inspiração amosse eugenio mucavele nasceu aos 8 de julho de 1987 em maputo moçambique É membro fundador do movimento literario kuphaluxa sonha em ser poeta cronista e contador de sonhos faz parte da equipe editorial da revista literatas revista de literatura moçambicana e lusófona colabora no pavilhão literário singrando horizontes academia de letras do paraná ricardoriso.blogspot.com jornal coruja cida sepúlveda organizou a antologia da nova poesia moçambicana publicada na revista zunai cláudio daniel tem poemas publicados na revista eutomia e linguística da universidade federal de pernambuco e em outros blogs É membro correspondente da academia de letras teófilo otoni-minas gerais É o novo correspondente da revista eisfluências em moçambique olimpÍadas o maior espetÁculo da terra por faustino vicente londres ganha manchetes nos meios de comunicação do mundo todo não apenas pela comemoração do jubileu de diamante que marca os 60 anos no trono britânico da rainha elizabeth mas por ser a sede da 30ª edição das olimpíadas deste ano os jogos olímpicos nasceram no berço da filosofia e da democracia do ocidente ­ a grécia no ano 776 a.c na cidade de olímpia foi interrompida no ano 393 d.c por decreto do imperador romano teodósio e reativada pelo barão pierre de coubertin em 1896,em atenas transformando-se no maior espetáculo da planeta azul além das provas esportivas haverá um desfile de valores e cores usos e costumes etnias e classes sociais ritmos e idiomas religiões profissões e tradições o marketing as estratégias e as táticas serão bandeiras organizacionais as olimpíadas representam a mais bela manifestação cultural da espécie humana os avanços da medicina esportiva as descobertas científicas e as inovações tecnológicas produzirão efeitos especiais em mais um lance da arquitetura da paz entre os povos como exemplo citamos a evolução dos meios de comunicação através dos jogos olímpicos da era moderna atenas 1896 telégrafo paris 1924 rádio berlim 1936 cinema helsinque 1952 placares eletrônicos roma 1960 televisão e telex tóquio 1964 cronômetros eletrônicos e células fotoelétricas munique 1972 transmissão de tv via satélite e em cores seul 1988 fax atlanta 1996 telefone celular e em sydney 2000 internet nenhuma manifestação social econômica cultural política ou religiosa consegue globalizar todos os segmentos da sociedade internacional como esse evento singular entre as dezenas de modalidades encontramos no vôlei a expressão maior do espírito de equipe o que nos leva a refletir sobre a necessidade de abandonarmos a gestão solitária e vivenciarmos a gestão solidária se concordarmos que os movimentos realizados em conjunto pelos jogadores são chamados de tática concluiremos que é o vôlei que evidencia esse princípio de gestão com maior intensidade a maioria dos pontos é resultado da logística dos três toques das provas de atletismo ­ o dna das olimpíadas ­ em que os atletas participam tendo ao lado os seus adversários destacamos a corrida de revezamento 4x100 com bastão desta modalidade tiramos a lição de que as maiores perdas nas empresas residem na passagem de bastão entre os vários departamentos principalmente por falhas de comunicação ­ o calcanhar de aquiles ­ da gestão uma das mais fascinantes provas é a corrida dos 100 metros rasos que faz o mundo conhecer o filho do vento ­ o homem mais veloz da terra ele treina durante quatro anos para vencer uma prova em menos de dez segundos esta é maior evidência de que o aperfeiçoamento continuado agrega valor revelamos a resposta que um atleta deu ao repórter quando perguntado sobre quem será o seu maior adversário ela veio como uma flecha certeira eu mesmo tenho que superar a mim mesmo sou o meu único adversário assim cada um de nós deve encarar a vida a nossa limitação encontra-se em nossa mente para conseguir a superação alguns entendem que a palavra-chave é determinação outros pensamentos positivo e para muitos o segredo está na fé todos os esportistas que irão competir na inglaterra são tecnicamente exemplares mas somente os excepcionais gravarão com letras douradas seus nomes na história provavelmente por um detalhe ­ o equilíbrio emocional na olimpíada da vida uma carreira bemsucedida pode estar numa pequena diferença por exemplo na beleza de ser um eterno aprendiz como homenagem à grécia de todos os tempos encerramos com a frase imortal do célebre filósofo aristóteles 384-322 a.c só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar a busca da excelência não deve ser um objetivo e sim um hábito faustino vicente consultor de empresas e de Órgãos públicos advogado e professor jundiaí terra da uva ­ são paulo brasil

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10 eisfluências agosto 2012 duas poetisas e seis sonetos conversa entre poetas por marco bastos nessa publicação promovo a interação entre duas das mais talentosas sonetistas na atualidade brasileira ­ edir pina de barros e márcia sanchez luz os estilos e a temática diferem nos sonetos das duas poetisas edir trabalha mais frequentemente temas sociais ligados à sua formação de antropóloga e márcia tem poesia de cunho mais existencial o lirismo e a ecologia estão presentes no trabalho de ambas quanto à forma arrisco-me a dizer que a linguagem de edir tende ao classicismo enquanto márcia tem uma linguagem menos formal ambas são perfeitas no que concerne à qualidade literária e ao esmero na expressão em língua portuguesa a seguir o leitor poderá apreciar as respostas ao questionamento que fizeram entre si e se deleitar com os poemas de que são autoras marco bastos edir pina de barros uma pessoa extremamente inquieta apaixonada por tudo que faz e sem paixão nada faz que gosta imensamente de atravessar fronteiras culturais e gosta de desafios uma pessoa simples e que ama a liberdade uma voz que clama pelo respeito ao outro pelo direito à diferença uma cabocla matogrossense que ama o cerrado o pantanal os rios as pessoas simples a diversidade humana como poeta assina também flor do cerrado por quê porque admira a sua singeleza sua resiliência as flores do cerrado nascem sem serem plantadas e renascem das cinzas das queimadas logo que caem as primeiras chuvas lá estão elas a colorir a vida além de excelente poeta outras profissões sou antropóloga especialista em etnologia indígena sobretudo meu único ofício foi ser professora universitária docente em programas de graduação e pós-graduação em educação e em saúde coletiva mestrado e doutorado sou sempre referida como a mulher das interfaces nunca exerci uma antropologia purista sempre estabeleci diálogos transdisciplinares sobretudo com a história a saúde o direito e a educação fui também professora de povos indígenas contribuindo para a sua formação em nível de magistério e posterior prosseguimento dos estudos participei na construção de políticas públicas parâmetros curriculares nacionais referencial curricular nacional para os povos indígenas políticas de formação de agentes de saúde indígenas definição de políticas voltadas ao atendimento da saúde dos povos indígenas dentre outras fui também professora de professores leigos do campo região norte mato-grossense participando de sua formação universitária sou perita judicial em processos que envolvem terras indígenas e quilombolas agora estou a me dedicar também ao estudo dos calóns que juntamente com os rom e os sinti são conhecidos como ciganos aqui no brasil avisei sou inquieta muito inquieta você se dedica ao estudo teórico do verso e da versificação sim poeta não nasce pronto penso eu e escolhi o soneto no momento estou a reestudar teoria do verso de rogério chociay um excelente livro para quem se interessa por formas fixas não se faz sonetos você sabe márcia sem dedicação estudo e leitura de clássicos observando a métrica o ritmo escrevo rondeis cordéis indrisos trovas sextinas mas adoro soneto escrevo mais o decassílabo e gosto muito do alexandrino comecei a fazer soneto em 2009 o que produz o poeta se ele não nasce pronto penso que o poeta ­ como já disse alhures em outra entrevista é uma síntese única de todos os poetas que o precederam e que teve oportunidade de ler conhecer ou ouvir como no caso dos poetas populares o poeta é em parte produto sociocultural caligráfico ou não como é o caso do cancioneiro popular que tem raízes profundas mas sua inserção em uma dada cultura no espaço e no tempo não basta há fatores que são de outra ordem e que atuam no processo de produção do poeta depende da sensibilidade de cada um ­ do espírito da alma ­ da capacidade de sentir e traduzir em versos suas emoções mas nem todos os indivíduos de um dado grupo de pessoas que estabelecem entre si relações primárias se tornam poetas trocando em miúdos o poeta emerge de interações ímpares entre indivíduo e sociedade seja ela ágrafa ou não eu por exemplo cresci lendo clássicos da literatura olavo bilac castro alves j.g de araújo jorge augusto dos anjos machado de assis casimiro de abreu pedro de alcântara shakespeare dante camões meu pai é sonetista e foi um dos meus mestres enveredei-me pelos caminhos do clássico e isto é impossível sem estudos das teorias do verso conheço escritos indígenas que carregam em si estruturas próprias de suas culturas oralizadas marcadas por outras formas de pensar a vida o tempo o espaço como se vê essa é uma questão complexa que envolve relações objetivas e subjetivas da relação humana com o mundo o poeta é um sujeito histórica e culturalmente localizado daí a diversidade existente no campo da poética fale sobre sua poesia sou culturalmente multireferenciada e isso deixa suas marcas em meus escritos sou uma boa escutadora de mitos indígenas por exemplo os mitos são fontes elementares de poesia a força da história vivida que aprendo com tantos outros também tem seu peso na minha forma de ver e sentir o mundo a violência do jugo colonial dos povos que estudo me torna dia a dia mais sensível vários eus-líricos se fazem presentes em meus poemas que materializam o meu amor pela natureza a minha indignação diante das condições de vida de outros segmentos sociais meninos de rua povos indígenas afrodescendentes prostitutas ciganos etc ou mesmo diante de relações mais amplas como entre oriente e ocidente colonizadores e povos milenares da américa outros poemas falam da paixão do amor fraternal da saudade da vaidade da vida escrevi três dezenas de sonetos dando voz ao meu eu-lírico masculino minha poesia é isso fruto de travessia de muitas fronteiras confissões de amor eu gosto meu amor quando me fitas co esse jeitinho teu maroto e terno fogoso que me aquece o frio inverno silente como as preces mais benditas eu amo quando finges que me evitas e assim me espreitas como um ser superno se amor imploro e meu desejo externo tirando de meu corpo as minhas chitas adoro quando chegas de repente trazendo pão de queijo e vinho tinto quiçá bouquet de rosas cor carmim ou quando em mim deslizas qual serpente trocando teu recato pelo instinto e assim te rendes sem pudor a mim ao meu eu-lírico masculino denominei caçador É a primeira vez que revelo publicamente isso há 30 sonetos assinados por ele no recanto das letras mas aqui apresento apenas um pulcra melenas d oiro olhar febril vorace alabastrina tez jeitinho airoso de corpo delicado mui fermoso e mais fermosa ainda a sua face no colo feminil há duas luas replenas de fulgores purpurinas que viçam por detrás das vestes finas e mil veredas há nas curvas suas seu corpo é promessa d aventura seu alongado olhar sem quaisquer pejos promete tanta cousa ó meu deus quisera enrubescer a sua alvura co a chama do prazer dos meus desejos quisera ir morar nos sonhos seus!

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eisfluências agosto 2012 11 como a poeta edir produz poemas existe algum método escrever para mim é exercício de libertação continuada de sentimentos em meio a mais profunda solidão o texto poético me vem como uma cascata incontida de sentimentos em versos escrevo o soneto observando apenas as rimas depois de estruturado reviso a sonoridade o ritmo creio que o fato de haver estudado harmonia e piano se faz presente nesse processo de criação os versos na maioria das vezes me atropelam brotam com força dentro de mim e explodem na tela não escrevo à mão nunca o que a poesia representa em sua vida poesia para mim é isso tradução de emoções vividas na relação com o mundo com o outro transmutadas em versos escritos ou não deve ir além do ego muito além o que você pensa da poesia pós-moderna acha que ela é valorizada como deveria o que vem a ser um poema pósmoderno revolução literária ou o império do caos incapacidade de criar o mundo é diverso e diversas são as formas do fazer poético de expressar o belo mas veja o belo é a expressão de juízo de valor acho que ocupa o espaço que merece na história da literatura e quanto aos poetas vivos você acredita que somos reconhecidos ou só o seremos depois de mortos pergunto porque quase nunca vejo outros poetas fazendo referências aos seus contemporâneos não me preocupo com isso quero cantar ao mundo as experiências vividas sentidas e traduzidas em forma de poemas não tenho pretensões literárias em relação à poesia apenas necessito escrevê-las este soneto foi premiado em concurso nacional primeiro lugar ­ chave de ouro grafismo indígena essa tua pele mais parece tela toda pintada em tons da natureza materializa mito que desvela antiga história tanta profundeza em delicados traços com cautela nessas pinturas feitas com firmeza uma cultura ímpar se revela em seu silêncio encerra grã beleza morena tez trazendo ao cotidiano sagradas leis do cósmico do humano toda memória enfim dos tempos idos em cada traço prenhe de sentidos uma epopeia tempos bem vividos em território livre soberano edir pina de barros bacharel em ciências sociais e mestre em antropologia social pela universidade de brasília doutora e pós-doutora em antropologia social pela universidade de são paulo etnóloga atua principalmente nos seguintes temas saúde indígena vulnerabilidade social e aids políticas públicas diversidade sociocultural e direitos humanos antropologia pericial educação indígena diversidade sociocultural relações étnicas e laudos judiciais como perita de juízes terras indígenas e quilombolas seu livro os filhos do sol publicado pela edusp em 2003 foi indicado por essa editora ao prêmio jabuti 2004 melhor livro de ciências sociais e capa poeta sonetista trovadora e repentista literatura de cordel tem publicações em mais de quinze antologias nacionais primeiro lugar no concurso nacional de sonetos da academia de letras de jacarey sp em setembro de 2009 com o soneto grafismo indigena em 2011 publicou luzes sombras poesias em parceria com seu pai antonio lycério pompeo de barros curriculum lattes atualização em 04/10/2011 http lattes.cnpq.br/7196341336879638 márcia sanchez luz quem é a pessoa por trás desses lindos poemas que li no o imaginário a mulher que palpita em forma de poemas como é sua vida cotidiana uma pessoa simples na forma de viver mas complexa e cheia de questionamentos acerca do mundo e da vida alguém que vive um dia de cada vez como se cada dia fosse uma caixinha a ser aberta e descoberta a cada instante dizem que sou zen devo ser mesmo rss não fico pensando no amanhã como também não vivo o passado relembrá-lo já me basta o que é a poesia para márcia poesia é o ar que respiro é meu alimento espiritual a partir dela expresso vivências e a maneira como vejo o mundo quando falo em vivências não me refiro só a mim mas principalmente às diferentes pessoas que habitam meu imaginário e a realidade que me cerca você havia perguntado se só escrevo sonetos de amor respondo sim e não como isto é possível simples acredito no amor como motor da vida ­ e que está se perdendo a cada dia infelizmente não digo do amor carnal mas do amor ao próximo da empatia ­ capacidade de enxergar o outro como ele é não como gostaria que fosse o que envolve respeito e aqui incluo a empatia e o respeito pela natureza dou como exemplo um de meus sonetos recentemente agraciado com o prêmio bem te vi turbilhão no céu o amor está presente não sei viver sem amar porém não tem nada a ver com a carne ­ é o amor à vida a celebração diária e constante da existência por que escrever poemas por que não escrevê-los É uma forma de expressão das que mais gosto quais seus poetas preferidos são tantos dos que já se foram citaria baudelaire camões pessoa bilac drummond vinícius de moraes e leminsky contemporâneos e vivos graças a deus não poderia deixar de falar de leila míccolis graça graúna airo zamoner luiz de miranda soares feitosa samuca elza fraga nathan de castro marco bastos e por aí vai tem muita gente boa poetas de qualidade inegável quais as suas influências literárias os parnasianos neruda borges pessoa mas como lia muito desde pequena creio que a literatura me pegou de jeito deste modo fica difícil dar nomes como a poeta márcia produz poemas existe algum método sabe edir os poemas podem surgir de uma ideia ou de uma simples frase quando começo a colocar as ideias no papel ou melhor no editor de textos preciso fundamentalmente de privacidade solidão e silêncio para que comece a trabalhar o poema comente sobre a sua poesia creio já ter comentado acima rs na verdade deixo os comentários para meus leitores fundamentais em meu crescimento como escritora.

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12 eisfluências agosto 2012 tem preferência por sonetos outras formas fixas sim soneto exige atenção roteiro e muito trabalho isso não me impede de escrever versos livres porém por que fazer sonetos hoje por que não fazê-los não entendo expressão artística como algo estático com data e local definidos quais as principais características da poetisa márcia que se refletem em seus poemas talvez o amor à vida o que produz o poeta se ele não nasce pronto indagação dom talento e perseverança você se dedica ao estudo da teoria do verso e da versificação não mais é algo que já está interiorizado mas se precisar estudar mais vou em frente e me dedico de corpo e alma como a poeta márcia pensa vê a relação entre produção poética e internet como a internet é um espaço democrático achei que seria interessante divulgar poesia e torná-la algo mais acessível à população que não tem como escolher entre a comida e a leitura assim decidi criar um blog o márcia sanchez luz com o intuito de publicar não só meus poemas mas também os de diversos escritores como não queria me ater só à poesia optei por divulgar eventos e notícias culturais o imaginário surgiu a partir da ideia de centralizar parte de minha obra em um blog diferentemente do primeiro ­ o qual continuo sempre atualizando como a interação com os leitores é grande e extremamente gratificante em blogs comecei a pensar na possibilidade de reunir os melhores comentários em outro espaço o repercussão literária ­ fortuna crítica da obra de márcia sanchez luz como uma forma de retribuir o carinho imenso que recebo de todos que me leem mÁrcia sanchez luz natural de são paulo capital márcia formou-se em literatura inglesa e francesa É escritora poesia e prosa pedagoga e tradutora de inglês e francês iniciou sua vida profissional como tradutora e redatora tanto de manuais técnicos como de normas de documentação e projetos na área de informática É autora de diversos trabalhos de tradução e versão técnica nas áreas de alimentos refrigeração e informática n a área d e ps i co l o gi a desenvolveu um trabalho voluntário com crianças limítrofes escreve poesias desde os nove anos de idade sempre se mantendo por opção no anonimato atualmente vive no interior de são paulo onde continua com seu trabalho de tradução além de ministrar aulas de inglês e francês em novembro de 2006 decidiu que chegara a hora de partilhar relatos de suas vivências até então interiorizadas escritora imortal pela academia de letras do brasil cônsul poetas del mundo http www.poetasdelmundo.com/verinfo_america.asp?id=3759 lua negra © márcia sanchez luz amo demais que até ferida brota na cálida escondida lua negra dos meus delírios dor que desintegra calma desnuda em chuva de gaivota os olhos choram mares geram grotas fabricam densa nuvem que se integra ao corpo equivocado pela entrega sofrida num adeus desfeito em gotas amo demais eu sei mas o que faço se de outro jeito não conheço o amor a minha sina é nunca combater o que me atrai e gera descompasso se por um lado existe o dissabor tenho da vida a flor que vi nascer segredos de beija-flor © márcia sanchez luz um beija-flor pousou em meus cabelos e me contou segredos de outras terras falou dos mares rios e das serras dos seres mágicos frugais modelos do que é ser puro do que é ter desvelo pelo universo pela biosfera em nosso orbe a vida já se ulcera e dele conhecemos o novelo o trágico final que se apresenta e delineia a era que virá a natureza avisa mas se isenta se não olharmos todos seus sinais um beija-flor pousou em meus cabelos e me cobriu de beijos musicais turbilhão no céu © márcia sanchez luz o céu estava assim sem desencontros pariu o sol e a lua em pleno dia mostrou a criação que contagia e não deixou de achar que estava pronto para fazer da tarde mais que encontro um turbilhão de cores e magia como se fora aberta galeria a quem quisesse olhar de longo a longo a vida escrita pela natureza foi como o despertar de uma esperança que morta se mostrava era a beleza expondo seu vigor toda a pujança tão própria de quem luta e sempre brilha pois que é imortal guerreira e não se cansa verbete na enciclopédia escritores brasileiros da real academia de letras livros editados quero-te ao som do silêncio 2010 porões duendes 2008 no verde dos teus olhos 2007 antologias saciedade dos poetas vivos digital volumes 4 9 e 12 em blocos online onde tem suas páginas individuais de poesia e prosa trovas premiadas e publicadas na antologia projeto de trovas para uma vida melhor ubt antologia de natal em blocos online 2009 1ª antologia poética contemporânea editora protexto 2010 melhores da poesia brasileira editora all print 2012 ­ soneto agraciado com o prêmio cultural bem te vi.entrevistas concedidas À mona dorf jornalista de o estado de são paulo para o programa letras leituras a luiz eduardo caminha âncora do programa stammtisch tv galega blumenau a selmo vasconcellos para a 1ª antologia poÉtica momento lÍtero cultural publicações em mídia impressa jornal alto madeira jornal o rebate jornal rondônia ao vivo jornal fala brasil de porto alegre jornal gazeta mercantil seus espaços na web o imaginário http poemasdemarciasanchezluz.blogspot.com márcia sanchez luz http marciasl2001.blogspot.com repercussão literária http marciasanchezluz.blogspot.com

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eisfluências agosto 2012 13 in memoriam de joaquim evónio um poeta um amigo por nuno rebocho chocou-me a notícia da morte de joaquim evónio brutal seca distante É sempre duro e triste o conhecimento de que houve o falecimento de alguém poucas houve que me alegraram que me fizeram saltar aos ares de contente ­ tirante as de oliveira salazar e de pol pot suponho que mais ninguém mas esta a do evónio na sua singeleza feriu-me imenso até porque me chegou ao exílio de cabo verde no mesmo dia em que recebi a informação do perecimento de um outro grande amigo meu o director da revista cargo o luís filipe duarte mas esta já era esperada há muito que há anos o luís filipe se encontrava gravemente doente uma apertada camaradagem me ligava ao evónio sempre que se propiciava quando ia em serviço a lisboa procurava uma troca de galhardetes com ele por vezes uma simples conversa telefónica às vezes mas era sem dúvida uma amizade que eu prezava e cultivava para mais éramos oficiais do mesmo ofício ­ quer dizer amadores das musas poetas ou o que queiram chamar a essa coisa de poetar pelos cantos conheci o joaquim já há uns anos publiquei mesmo poemas seus em duas antologias que editei ­ gabravo e na liberdade apresentei-o em sessões públicas onde servi de animador como foram a festa da poesia num bargaleria de sintra do também meu amigo o pintor ernesto neves ou poesia à mesa num restaurante em carnaxide então pertença de outro grande compincha cheio de ideias malucas como as nossas o jornalista josé leite convidei-o para o lançamento de alguns livros meus com realce para os poemas do calendário que foi no museu da república e resistência em alvalade o que me deu muito gozo o evónio fora militar preso pela pide polícia política do fascismo português na trafaria por envolvimento na tentativa de golpe de estado das caldas da rainha em março de 1974 a sua ida ao museu seria talvez um engulho para muita gente toda ela esquerdalha já que era patente que o evónio torcia o nariz a muita coisa que aconteceu em portugal após a revolução de 25 de abril nisto ele tinha muito em comum com outros amigos meus que fizeram o golpe militar de abril ou para ele contribuíram por exemplo o tenentecoronel dos comandos jaime neves um dos heróis do golpe de abril que eu então conheci no assalto ao quartel da legião portuguesa e em cujo carro de assalto eu estive nessa acção ou o já falecido antónio ramos que esteve preso com o evónio na trafaria ou casanova ferreira para já não falar nesse homem a todos os títulos notável que foi o capitão melo antunes as minhas relações com o joaquim de certo modo esfriaram nas vésperas de eu partir para cabo verde já lá vão uns doze anos foi num encontro julgo que em rio de mouro em que ele à viva força me quis trazer para a sua ordem de escritores suponho que para isso animado por um outro seu amigo radicado no brasil expliquei-lhe que a melhor ordem que eu conhecia era a desordem numa tentativa de não o desanimar e de que compreendesse as suspeitas que a referida ordem me suscitava debalde enfim os desentendimentos despontam mesmo nas maiores amizades continuei contudo a cultivar o nosso companheirismo e cheguei a colaborar na sua varanda das esterlícias cujo labor me recordava de certa maneira os anos da brasa quando entusiasmadamente com o pseudónimo de l h afonso manta hoje assumo-o colaborei no comércio do funchal o jornal cor-de-rosa juntamente com o vicente jorge silva o ricardo frança jardim o ançã regala o carreira bom e tantos outros entristeci com a debandada do joaquim evónio fiquei muito mais pobre enfim lá nos encontraremos um dia nuno rebocho cidade da praia cabo verde eleições autárquicas em cabo verde não houve tira-teimas que valesse por nuno rebocho houve tira-teimas com a repetição do escrutínio em duas mesas de assomada santa catarina de santiago por estúpida decisão do supremo tribunal de justiça arvorado em tribunal constitucional à falta de argumentos substantes e obedecendo às ordens do poder político paicv os senhores juízes até falharam na arimética nas decisões vindas a público nas quais acusavam os escrutinadores de erro de somas enfim valeu tudo mesmo assim o paicv voltou a perder neste círculo eleitoral ­ o executivo da câmara foi para o mpd ganhando todavia por dois votos a sua assembleia municipal valeu tudo menos o arrancar de olhos até os votos nulos entraram na contabilidade paicêvista numa desgraçada macaqueação de democracia feitas as contas finais o paicv sofreu a maior derrota de sempre em eleições embora num golpe de demagogia ­ o primeiro-ministro reinante em cabo verde josé maria neves num artigo que fez publicar no jornal a semana tenha querido transformar a coisa num excelente resultado.das 22 câmaras prefeituras existentes num país com 450 mil habitantes a larga maioria é governada pela oposição o mpd detém 14 brava praia ribeira grande de santiago s domingos santa catarina de santiago tarrafal de santiago calheta de s miguel maio boavista tarrafal de s nicolau sal s vicente paul ribeira grande de santo antão e o paicv fica reduzido a 8 câmaras s filipe mosteiros santa catarina do fogo s salvador do mundo santa cruz s lourenço dos Órgãos ribeira brava e porto novo ou seja o mpd detém as principais cidades praia mindelo e assomada apenas deixou que a ilha do fogo continuasse como baluarte paicêvista perdendo embora porto novo na ilha de santo antão mas recuperando paul e tarrafal de s nicolau os democratas cristãos ucid estão sem representação autárquica tendo sido varridos em s vicente onde chegaram a prever a vitória.feita a votação e realinhados os poderes prevêem-se dias muito difíceis em santa catarina de santiago onde a força dos principais partidos está anulada executivo da câmara para o mpd e a assembleia municipal para o paicv tendo que dentro de um ano ir a novas eleições por estar bloqueada a aprovação do respetivo orçamento o mesmo pode acontecer em s filipe do fogo onde a maioria do paicv por divisão no seio do partido ficou em minoria política o número de vereadores e deputados é menor que a soma dos vereadores do mpd e da lista do independente eugénio veiga deste modo estando no governo controlando a comunicação as forças armadas e os tribunais o paicv suporta a vigilância ativa da presidência da república que lhe é contrária e a inimizade da larga maioria das autarquias dias perigosos para a sobrevivência de um primeiroministro josé maria neves em aparente fim de ciclo e sem fôlego para os prodigiosos malabarismos a que a demagogia política usa habitualmente deitar mão nuno rebocho cidade da praia/cabo verde

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14 eisfluências agosto 2012 las dos caras de la moneda de maría sánchez fernández en los primeros días de julio de este año 2012 en que vivimos se han producido en españa unos sucesos tan dispares que han tenido y tienen a nuestra sociedad pendiente en el sube y baja de una balanza caótica que da vértigo primero esta balanza se inclina hacia el positivismo a la euforia y a la gloria ¡¡goles ¡¡vivas ¡¡risas ¡¡gritos lágrimas de emoción la selección española ha triunfado y es nuevamente campeona es la ganadora de la eurocopa del noble deporte que es el futbol españa está en el ánimo de la gente como en el mismísimo cenit de la gloria es la moneda lanzada al aire que cae mostrando su cara de sonrisas de promesas y de júbilos 1este triunfo nos ha absorbido el seso de tal manera que hemos olvidado por unos días la terrible crisis por la que está sufriendo europa y lo que más nos concierne a los españoles lo que está padeciendo españa inmediatamente la balanza se inclina al lado opuesto al negativo y la moneda vuelve a caer mostrándonos su otra imagen la cruz del pesar y el desaliento vemos que después de un descontrol sin medida en nuestra propia administración privada estamos sufriendo el descontrol sin límites de la administración estatal que es la más importante puesto que ella es la que nos rige todos hemos sufrido el engaño la manipulación el fraude sí hemos sido manipulados y engañados ahora están presentes las vacas flacas hambrientas que quieren engullirnos a base de recortes que son los pedacitos que nos quedan de nuestra propia dignidad subida de impuestos y bajada de salarios míseras pensiones congeladas y la paga extra de navidad que fue la ilusión y el desahogo para la economía familiar de muchos hogares también anulada diluida empresas cerradas y por supuesto puestos de trabajo eliminados familias que han perdido sus viviendas en el pozo sin fin de los bancos por no poder pagar la hipoteca al no contar con un sueldo fijo a causa del paro ¡¡los recortes si la economía de un país está al borde del caos unámonos todos a salvarla pero ¡¡todos ¿por qué unos sí y otros no solamente ha recaído en los funcionarios y en los trabajadores de distintos sectores ¿es que el ciudadano de a pié no paga religiosamente sus impuestos siempre los ha pagado ¿no somos la clase media la que con esos impuestos y distintas cotizaciones ayudamos a construir autopistas hospitales y universidades y con ello creamos puestos de trabajo ahora los suben y bajan los salarios ¿no nos damos cuenta que con esto también baja la economía de un país si no hay dinero no hay poder adquisitivo y el comercio se va a pique si no hay trabajo la seguridad social no tiene entradas y la sanidad y las prestaciones se resquebrajarán esa evasión masiva de capitales a paraísos fiscales y que dejó a nuestro país tiritando esas cuentas clandestinas que han ido engordando muchos bolsillos ¿no tienen sanción ninguna ¿por qué el honrado trabajador que se gana su salario con sudor y esfuerzo es el que ha de pagar los platos rotos y el que tiene que sacarnos de la crisis el día 11 de julio fue la manifestación en madrid llamada la marcha negra de los mineros de asturias león y aragón sumándose a ella en acto de solidaridad trabajadores del mismo sector venidos de distintos puntos de españa ellos curtidos y duros trabajadores se han unido como un solo hombre para defender sus derechos al trabajo y a la defensa del carbón de sus minas sustento de muchas familias desde años inmemoriables a ella se unieron ciudadanos de madrid y otras provincias respaldando con simpatía esta concentración dicen que la unión hace la fuerza y la solidaridad hace milagros este comentario es una reflexión del yo imperativo que invade a la sociedad endiosamos al campeón porque él mismo nos endiosa a nosotros ante el mundo ¡somos los mejores aquí está nuestro ego el gobernante se endiosa y dice yo mando porque me habéis elegido e impongo mi voluntad que es ley ¡ay queridos lectores ¿qué es el ser humano algo muy hermoso creado por la voluntad de dios pero nada más.

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eisfluências agosto 2012 15 aquí os ofrezco un mínimo relato bilingüe que lo condensa todo mi agradecimiento a mis amigos eduardo e irany lecea que han tenido la gentileza de traducirlo al portugués un breve relato maría sánchez fernández he aquí un relato tan breve como la vida y tan eterno como la muerte vino a la vida siendo empujado a ella bruscamente ¿de dónde vino nunca lo supo ¿de la nada ¿del vacío ¿del silencio traía una envoltura frágil su único equipaje nada más ver la luz emprendió su andadura por un largo camino que bordeaba riscos y remansos vergeles y desiertos fue feliz e infeliz rió y lloró odió y amó a veces se preguntó ¿quién soy mas nunca supo darse una respuesta el camino era duro y la mochila cada vez más pesada llegó a un puerto aéreo y se dispuso a tomar un vuelo no quería equipaje lo tiró a un pozo negro y frío y se sintió libre y voló y voló pero ¿hacia dónde Él no lo sabía ¿cuál era su destino ¿su vuelo tenía un destino ¿qué puerto le esperaba lo envolvió una inmensa paz que le respondió ¡quien sabe si el de la nada el del vacío el del silencio um breve relato maría sánchez fernández versão em português por eduardo e irany lecea eis aqui um relato tão breve como a vida e tão eterno como a morte veio à vida sendo empurrado bruscamente para ela de onde veio nunca soube do nada do vazio do silêncio trazia uma envoltura frágil sua única bagagem ao ver a luz empreendeu sua andadura por um longo caminho que bordeava picos e remansos vergéis e desertos foi feliz e infeliz riu e chorou odiou e amou Às vezes se perguntou quem sou mas nunca soube dar-se uma resposta o caminho era duro e a mochila cada vez mais pesada chegou a um porto aéreo e se dispôs a tomar um voo não queria bagagem atirou-a a um poço negro e frio e sentiu-se livre voou e voou mas para onde ele não sabia qual era o seu destino seu voo teria um destino qual o porto lhe esperava envolveu-o uma imensa paz que lhe respondeu quem sabe se o do nada o do vazio o do silencio maría sánchez fernández Úbeda ­ españa 15 de julio de 2012

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