Literatura - 1° Ano - Módulo III

 

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bi a h a id l es d literatura 1 relacionar os poemas líricos e satíricos o episódio do poema épico e a peça teatral com aspectos históricos e culturais da época em que foram escritos e de outras épocas 2 reconhecer os fatos pertinentes ao enredo do episódio do poema épico e da peça teatral 3 identificar nas obras aspectos estilísticos da época a que pertencem arcadismo 1.1.arcadismo e seu momento histórico 1.2.arcadismo e suas características 1.3.bocage 1.4.tomás antônio gonzaga

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o arcadismo 1756-1825 na tradição poética grega a arcádia região montanhosa do peloponeso era habitada por pastores que ao contato com a natureza levavam uma vida familiar suave e tranqüila era uma espécie de paraíso bucólico onde era possível dedicar-se a prazeres amenos e ingênuos quando ao final do século xvii principiou a reação ao barroco os poetas voltaram-se para a poesia campesina grega e seus devaneios sobre os pastores da arcádia esperando encontrar nela a fórmula da simplicidade poética desaparecida no século xvi fundaram agremiações culturais que denominaram arcádias e consequentemente passaram a denominar-se seus membros árcades o termo `neoclássico é empregado por haver uma tentativa de imitação dos autores clássicos bem como uma volta aos idéias imitativos da arte greco-romana homero virgílio anacreonte horácio etc e do classicismo quinhentista petrarca camões etc e por haver surgido basicamente nos anosde setecentos este movimento estético pode ser denominado de setecentismo o movimento árcade nasceu na itália com a fundação da arcádia romana em 1690 foi uma reação ao barroco caracterizado por aquelas formas obscuras e excessivamente rebuscadas o arcadismo reflete o espírito de sua época século xviii o século das luzes trazendo o iluminismo que apregoava o domínio da razão o culto da ciência e do progresso o humanismo valorizando o homem e o trabalho dos enciclopedistas a estética arcádica também denominada neoclássica visando atingir a simplicidade postula a volta dos ideais renascentistas pela revitalização dos modelos clássicos greco-latinos para tanto os autores adotaram pseudônimos pastoris bocage é elmano sadino e o próprio nome arcÁdia refere-se a uma região grega de pastores onde se vive em meio a uma atmosfera idílica passava a significar agora uma associação de poetas que buscavam o ideal de simplicidade bucólica uma existência tranqüila em face à natureza assim o árcade vê a arte como imitação da natureza módulo iii 207

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caracterÍsticas a arcádia lusitana tinha por lema a frase latina inutilia truncat acaba-se com a inutilidades o que vai caracterizar todo o arcadismo visavam com isso truncar os exageros o rebuscamento a extravagância cometidas pelo barroco retornando a uma literatura simples os modelos seguidos são os clássicos greco-latinos e os renascentistas a mitologia pagã é retomada como elemento estético daí a escola ser conhecida também por neoclassicismo inspirados na frase de horácio fugere urbem fugir da cidade e levados pela teoria de rousseau à cerca do bom selvagem os árcades voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples bucólica pastoril É a procura do locus amoenus de um refúgio ameno em oposição aos centros urbanos monárquicos a luta do burguês culto contra a aristocracia se manifesta pela busca da natureza cumpre salientar que este objetivo configura apenas um estado de espírito uma posição política e ideológica uma vez que todos os árcades viviam nos centros urbanos e os burgueses que eram lá estavam seus interesses econômicos isto justifica falar-se em fingimento poético no arcadismo fato que transparece no uso dos pseudônimos pastoris assim tomás antônio gonzaga adota o pseudônimo de dirceu sobre pastor cláudio manoel da costa é o guardador de rebanhos glauceste satúrnio estas contradições patenteiam-se em suas obras uma vez que tentam ofuscar o progresso urbano que os próprios árcades geravam no arcadismo a idealização de uma vida pobre e feliz no campo em oposição à vida luxuosa e triste nas cidades era conhecido como áurea mediocritas vida medíocre materialmente mas rica em realização espirituais presente nas obras árcades as idéias iluministas onde os pensamentos iluministas defendiam o uso da razão em contraposição à fé cristã o convencionalismo amoroso na poesia árcade as situações são artificiais não é o próprio poeta quem fala de si e de sue reais sentimentos no plano amoroso quase sempre é o pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza ou seja o que mais importava para o poeta árcade era seguir a convenção fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos e não expressar os sentimentos além disso mantêm-se o distanciamento amoroso entre os amantes já que poesia clássica a mulher é vista como um ser superior inalcançável o carpe diem desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível é retomado pelos árcades assim que as características do arcadismo no brasil seguem a linha européia a volta dos padrões clássicos da antigüidade a simplicidade a poesia bucólica pastoril o fingimento poético e o uso dos pseudônimos quanto à forma temos o soneto os versos decassílabos a rima optativa e a tradição da poesia épica e a natureza como cenário mo europeu transformando o século xviii no século das luzes que mostrava toda a força da burguesia marques de pombal expulsa os jesuítas dos domínios portugueses tal fato acelera a marginalização do clero na vida lusitana e estabelece o fim da influência e do ensino jesuítico · no brasil os últimos cinco anos do século xvii assistem à morte de vieira e de gregório as duas figuras máximas do seiscentismo que não encontram substitutos no século xviii a cultura jesuítica começa a dar lugar ao neoclassicismo o centro econômico transfere-se no nordeste para a região de minas gerais e do rio de janeiro daí vem à vida política social e cultural minas gerais em particular vila rica é a sede dos acontecimentos mais significativos dos anos setecentos a mineração a inconfidência e os poetas do arcadismo arcadismo no brasil o início do arcadismo no brasil é marcado por dois fatos a fundação da arcádia ultramarina em vila rica e a publicação de obras poéticas de cláudio manoel da costa o arcadismo representa um momento de transição entre o fim do sentimento nativista e o início do sentimento nacionalista pois a chegada da família real 1808 a transformação do brasil de colônia para reino unido preparam o espírito do homem local o sentimento de amor à pátria que se materializa através do desejo de independência e de insatisfação do povo em relação à metrópole lusitana contidos nas obras doa autores no início do século xviii dá-se a decadência do pensamento barroco para a qual vários fatores colaboram o exagero da expressão barroca havia cansado o público surgem as primeiras arcádias que procuram à pureza e a simplicidade das formas clássicas no combate ao poder monárquico os burgueses cultuam o bom selvagem em oposição ao homem corrompido pela sociedade textos do arcadismo quem deixa o trato pastoril amado pela ingrata civil correspondência ou desconhece o rosto da violência ou do retiro a paz não tem provado atrás de portas fechadas à luz de velas acesas entre sigilo e espionagem acontece a inconfidência liberdade ainda que tarde ouve-se em redor da mesa e a bandeira já está viva e sobe na noite imensa o ser herói marília não consiste em queimar os impérios move a guerra espalha o sangue humano e despovoa a terra também o mau tirano consiste o ser herói em viver justo e tanto pode ser herói o pobre como o maior humano minha bela marília tudo passa a sorte deste mundo é mal seguro se vem depois dos males a ventura vem depois dos prazeres a desgraça ah queira deus que minta a sorte irada mas de tão agouro cuidadoso só me lembro de nise e de mais nada momento histórico · na inglaterra e na frança no século xviii surge uma burguesia que passa dominar economicamente o estado através de um vasto comércio ultramarino · a velha nobreza arruina-se · em terras americanas ocorre a independência dos estados unidos no ano de 1776 dando início a várias independências conquistadas na américa latina · em portugal os sintomas da nova maneira de pensar aparecem já no reinado de d joão v · na europa tais circunstâncias são semelhantes e as influências do pensamento burguês se alastram · É dentro desse quadro que se desenvolve o iluminis 208

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se não tivermos lãs e peles finas podem muito bem cobrir as carnes nossas as peles dos cordeiros mal curtidas e os panos feitos com as lãs mais grossas mas ao menos será o teu vestido por mãos de amor por minhas mãos cosidas 1 carpe diem 4 áurea mediocritas 2 idéias iluministas 5 fugere urbem 3 convencionalismo amoroso arcadismo em portugal o século xviii sobretudo a partir de 1750 representa uma fase de importantes transformações no campo da cultura européia dar-se o nome de iluminismo a esse período de renovação cultural que se caracteriza em linhas gerais pela valorização da ciência e do espírito racionalista todo esse clima de renovação atingiu portugal que no começo do século xviii passava pelo período final de sua reestruturação econômica política e cultural cabendo ao marquês de pombal ministro do rei d josé 1750-1777 concretizar efetivamente essas aspirações agindo com plena autonomia de poderes o despotismo esclarecido de pombal operou verdadeira transformação nas direções da cultura portuguesa expulsou os jesuítas em 1759 e incentivou os estudos científicos afrouxando a repressão que era exercida pela inquisição condicionado por exigências sociais hipócritas a que não poucas vezes bocage teve de transgredir frequentemente a força dos seus sentimentos faz estalar a crosta das convenções e então o poeta revela efetivamente alguns traços em comum com o gosto romântico a aguda consciência do eu a perseguição se um destino infeliz a submissão total ao amor quase divinizado e muitas vezes oposto à razão uma veemência fremente dos sentimentos um pendor noturno fúnebre por vezes quase necrófilo estes aspectos gerais refletem-se em traços particulares associados ao sujeito que trazem as marcas de um gosto novo o prazer da solidão das paisagens sombrias a confiança em profecias e agouros que se traduzem num profundo egotismo e uma inadaptação em relação ao ambiente em que viveu tal inadaptação palpita em toda a sua obra cujos temas refletem em síntese · uma forte indisciplina moral miseranda inocência és nome abstract · um amor frenético e desesperado quantas vezes amor me tens ferido · e a obsessão da morte a morte para os tristes é ventura este temperamento transparece em inúmeros emblemas fúnebres tipicamente românticos o luar florestas sombrias mochos que piam feiticeiras ciprestes tochas túmulos oh trevas que enlutais a natureza longos ciprestes desta selva anosa mochos de voz sinistra e lamentosa e depois a noite noite medida da morte a noite câmara de meditação do universo ainda outra obsessão temática de bocage são todos os lugares horríveis da terra o cárcere o inferno os antros os abismos que parecem atrair o poeta com uma força irresistível se por um lado o poeta testemunhou experiências vividas por si próprio eu me ausento de ti meu pátrio ceado por outro demonstrou um prazer sádico em ambientar com imaginados exteriores horrendos os igualmente horrendos conflitos que lhe iam à alma aqui onde arquejando estou curvado Á lei pesada lei que me agrilhoa de lúgubres ideias se povoa o prÉ-romantismo nas poesias de bocage idade da nossa cultura que foi ao mesmo tempo paradoxalmente de requintes do classicismo ortodoxo e de gestação do romantismo a soares amora as leituras deste tópico do programa selecionadas para o vestibular têm uma configuração pré-romântica por este motivo nossa interpretação tanto significação quanto identificação das marcas inovadoras que a poesia de bocage traz a vontade de romantico não era em bocage uma verdadeira atitude literária mas provinha muito mais de uma sensibilidade exacerbada pelo sofrimento esse foi como o reconhecem muitos dos seus críticos o seu maior drama viveu num tempo que não lhe era adequado uma época de poesia medíocre um tempo em que o seu fado de ser poeta foi terrivelmente meu triste pensamento horrorizado por ser um poeta de faces múltiplas a obra literária de bocage não pode ser simplesmente incluída no gênero literário do neoclassicismo ou arcadismo o bocage que ficou conhecido em portugal e no brasil é o poeta boêmio satírico e erótico que freqüentava o bar do nicola e o botequim das parras além disso apesar de bocage dominar a técnica do verso sendo considerado devido a isso como clássico sua poesia vai muito além das convenções literárias da época essa transgressão às normas faz de bocage um poeta de transição entre o neoclassicismo e o romantismo por isso e porque é sua poesia que sem sobra de dúvidas anuncia os primeiros valores do romantismo em portugal que bocage é considerado por vários estudiosos como um poeta pré-romântico 209

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apesar de ser fortemente influenciado pelo estilo dominante em sua época e fazer concessões ideológicas políticas sociais e religiosas para sobreviver é comum encontrar na poesia de bocage principalmente nos poemas escritos depois de sua prisão uma luta constante entre a razão iluminista e a emoção nessa luta dolorosa e angustiante a emoção sobrepuja a razão como se pode ver no fragmento do soneto abaixo importuna razão não me persigas cesse a ríspida voz que em vão murmura se a lei de amor se a força da ternura nem domas nem contrastas nem mitigas se acusas os mortais e os não obrigas se conhecendo o mal não dás a cura deixa-me apreciar minha loucura importuna razão não me persigas somente um romântico escreveria versos como importuna razão não me persigas ou deixa-me apreciar minha loucura um neoclássico ou arcádico jamais faria algo semelhante se nos versos acima já encontramos algumas características do movimento literário que está por vir no tema da morte é que se pode perceber claramente que bocage é uma espécie de profeta do romantismo isso se dá porque todo o sofrimento da vida acaba com a morte ela a morte é a única verdade da vida incapaz de encontrar uma forma nova que melhor correspondesse à novidade dos seus sentimentos bocage permaneceu um típico produto de transição citando as palavras de david mourão ferreira com um pé nos degraus da arcádia com o outro suspenso ante os abismos enigmáticos do futuro a sua posição de tão instável tão depressa nos comove como logo nos impacienta texto 1 por esta solidão que não consente nem do sol nem da lua a claridade ralado o peito já pela saudade dou mil gemidos a marília ausente de seus crimes a mancha inda recente lava amor e triunfa verdade a beleza apesar da falsidade me ocupa o coração me ocupa a mente interpretaÇÃo na 1ª estrofe a solidão que elmano sadino sente está personificada ela tira-lhe a claridade a razão seu peito está ferido pela ausência de marília e isso provoca-lhe dor É esta dor que o faz confessar já na 2ª e 3ª estrofes percebemos que a intensidade doa mor alegórico porque é indefinido provoca-lhe a vontade de fugir da realidade opressora escapismo ele evade escapa da dura verdade dos erros graves crimes cometidos pela amada motivo de sua dor a partir daí observa-se que a lembrança sedutora dos gestos de marília domina seu pensamento mas é na 4ª estrofe que o eu lírico lança mão de um gesto desesperador elmano roga às ilusões e aos sonhos que lhe tragam a amada de volta ao menos em sonhos caracterÍsticas prÉ-romÂnticas escapismo saudosismo e subjetivismo texto 2 meu ser evaporei na lida insana do tropel das paixões que me arrastava ah cego eu cria ah mísero eu sonhava em mim quase imortal essência humana de que inúmeros sóis a mente ufana a existência falaz não me doirava mas eis sucumbe a natureza escrava ao mal que a vida em sua origem dana prazeres sócios meus e tiranos esta alma que sedenta em si não coube no abismo vos sumiu dos desenganos deus ó deus quando à morte a luz me roube ganhe um momento o que perdera anos saiba morrer o que viver não soube interpretaÇÃo na 1ª estrofe o forte tom confessional faz elmano transfigurar a imagem de seu criador bocage o passado de pecado de vida mundana é rechaçado pelo poeta veja que na 2ª estrofe ele desenvolve essa idéia de rejeição pois relata fora enganado por seus pensamentos voltados para os prazeres do mundo isso se intensifica de tal modo que na 3ª estrofe o eu-lírico faz uma auto-avaliação ele acusa-se de ter fracassado na vida por ter tido como companheiro os prazeres do mundo considerados como tiranos no final um apelo dramático na 4ª estrofe dirigindo-se à deus ele pede perdão e orientação divina para que o seu momento da morte compense os anos de vida perdida lembram-me aqueles olhos tentadores aquelas mãos aquele riso aquela boca suave que respira amores ah trazei-me ilusões a ingrata a bela pintai-me vós ó sonhos entre flores suspirando outra vez nos braços dela 210

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caracterÍsticas prÉ-romÂnticas religiosidade subjetivismo emotividade texto 3 Ó retrato da morte ó noite amiga por cuja escuridão suspiro a tanto calada testemunha de meu pranto de meus desgostos secretária antiga naquele arbusto o rouxinol suspira ora nas folhas a abelhinha pára ora nos ares murmurando gira que alegre campo que manhã tão clara mas ah tudo que vês se eu não te vira mais tristeza que a morte me causara interpretaÇÃo na 1ª estrofe elmano convida marília a perceber carpe diem o harmonioso som da flauta dos pastores a curva sorrindo do rio tejo e o vento balançar as flores locus amoenus na 2ª estrofe ele observa que a presença de outros amantes lhe provoca desejos afetivos aponta as borboletas hipérbole mil cores entre as flores bucolismo na 3ª e 4ª estrofes descreve o canto do rouxinol e o movimento da abelhinha que voa enfim,exclama a felicidade e a claridade que o locus revela mas observa que se a amada não compusesse a paisagem tudo o que descrevera seria hipérbole mais triste que a morte tom fúnebre que ressalta a efemeridade da vida pois manda amor que a ti somente os diga dá-lhes pio agasalho no tem manto ouve-os como costumas ouve enquanto dorme a cruel que a delirar me obriga e vós ó cortesãos da escuridade fantasmas vagos mochos piadores inimigos como eu da claridade em bandos acudi aos meus clamores quero a vossa medonha sociedade quero fartar meu coração de horrores caracterÍsticas lócus amoenus carpe diem convencionalismo interpretaÇÃo na 1ª estrofe identifica-se com a morte trevas e escuridão como sua confidente que à noite confessa ser uma espécie de amante desejada por ele na 2ª estrofe pede acolhimento à noite personificada e fala de uma 3ª pessoa a ingrata a bela que dorme enquanto ele delira a que o faz sofrer na 3ª e 4ª estrofes elmano invoca um locus horrendus o ambiente noturno misterioso e medonho dos fantasmas e das corujas chamados de cortesãos da escuridade seres que como ele rejeitam a claridade caracterÍsticas prÉ-romÂnticas subjetivismo emotividade morbidez texto 4 olha marília as flautas dos pastores que bom que soma como estão cadentes olha o tejo a sorrir-se olha não sentes os zéfiros brincar por entre as flores vê como ali beijando-se os amores incitam os nosso ósculos ardentes ei-las de planta em planta as inocentes as vagas borboletas de mil cores magro de olhos azuis carão moreno bem servido de pés meão1 na altura triste de facha 2 o mesmo de figura nariz alto no meio e não pequeno incapaz de assistir 3 num só terreno mais propenso ao furor do que à ternura bebendo em níveas 4 mãos por taça escura de zelos infernais letal veneno devoto incensador de mil deidades 5 digo de moças mil num só momento inimigo de hipócritas e frades eis bocage em quem luz algum talento saíram dele mesmo estas verdades num dia em que se achou cagando ao vento glossário 1 mediano medíocre médio 2 de rosto de cara 3 usado no sentido de morar 4 brancas como neve 5 divindades venerações 211

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comentários esse soneto é considerado o auto-retrato do poeta ele foi corrigido pelo próprio bocage na edição de 1804 os versos inimigo de hipócritas e frades e num dia em que se achou cagando ao vento foram substituídos respectivamente por e somente no altar amando os frades e num dia em que se achou pachorrento no qual pachorrento tem o significado de paciente optamos por divulgar a primeira versão do poema porque a consideramos mais original nesse soneto no qual o poeta vê com humor e um certo cinismo as suas desventuras percebe-se toda a instabilidade do poeta tanto no sentido físico quanto no moral ele é incapaz de assistir aqui empregado no sentido de morar num só terreno da pérfida1 gertrúria o juramento parece-me que estou inda escutando e que inda ao som da voz suave e brando encolhe as asas de encantado o vento no vasto infatigável pensamento os mimos da perjura2 estou notando eis amor eis as graças festejando dos ternos votos o feliz momento mas ah da minha rápida alegria para que acendes mais as vivas cores lisonjeiro pincel da fantasia bastam cega paixão loucos amores esqueçam-se os prazeres de algum dia tão belos tão duráveis como as flores glossário 1 traidora desleal infiel que mente a fé jurada 2 que jura em falso comentários tudo leva a crer que esse soneto foi inspirado na traição de gertrudes gertrúria que casou-se com o irmão de bocage gil bocage quando o poeta estava na Índia nesse poema percebe-se a dor e amargura do eu-lírico ao perceber que sua amada o traiu a conclusão do poema é muito cínica o amor é comparado com as flores belas porém pouco duradouras já bocage não sou À cova escura meu estro vai parar desfeito em vento eu aos céus ultrajei o meu tormento leve me torne sempre a terra dura conheço agora já quão vã figura em prosa e verso fez meu louco intento musa tivera algum merecimento se um raio da razão seguisse pura eu me arrependo a língua quase fria brade em alto pregão à mocidade que atrás do som fantástico corria outro aretino1 fui a santidade manchei oh se me creste gente ímpia rasga meus versos crê na eternidade glossário 1 -pedro aretino famoso escritor satírico italiano que dosa desregramento malevolência com humor a frouxidão no amor é uma ofensa a frouxidão no amor é uma ofensa ofensa que se eleva a grau supremo paixão requer paixão fervor e extremo com extremo e fervor se recompensa vê qual sou vê qual és vê que diferença eu descoro eu praguejo eu ardo eu gemo eu choro eu desespero eu clamo eu tremo em sombras a razão se me condensa tu só tens gratidão só tens brandura e antes que um coração pouco amoroso quisera ver-te uma alma ingrata e dura talvez me enfadaria aspecto iroso mas de teu peito a lânguida ternura tem-me cativo e não me faz ditoso os elementos constitutivos do texto poÉtico o lexical o vocabulário usado por bocage nesses sonetos é simplesmente coloquial percebe-se uma ou outra palavra pouco usual mas nada que comprometa o entendimento do poema observa-se que nomes referentes à tradição cultural greco-latina zéfiros vênus estão presentes podemos concluir que o nível de linguagem posto que seja culto é simples o sintÁtico nesses poemas a sintaxe está subordinada à rima e ao ritmo empregados pelo poeta isso favorece a utilização de hipérbatos como no verso naquele arbusto o rouxinol suspira o semÂntico do ponto de vista semântico há pouca utilização de figuras daí nasce a facilidade de entendimento que preenche os analisados a metáfora e a hipérbole são as principais figuras utilizadas o sonoro um dos maiores sonetistas em língua portuguesa teve como modelos literários camões dante petrarca entre outros seus sonetos possuem esquema rímico regular com versos decassílabos heróicos acentos na sexta e décima sílabas ou sáficos acentos na quarta oitava e décima sílabas 212

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momentos antes da morte de bocage 1a fase obediência aos clichês árcades · convencionalismo/artificialismo fingimento · pastoralismo ­ a musa o pseudônimo e a paisagem pastoril · fugere urbem fugir da cidade ­ geralmente uma comparação entre o campo e a cidade com expressa opção pela paisagem e costumes campestres · áurea mediocritas o equilíbrio de ouro geralmente a preferência por uma vida primitiva simples ou rústica despojada de bens material e conforto · locus amoenus lugar tranqüilo bucolismo geralmente a exaltação da natureza uma adjetivação dela um expressão sobre o bem-estar que ela produz · carpe diem aproveitar a vida o momento presente um convite feito a musa para aproveitarem o momento · inutilia truncat corta o inútil consiste na expressão de imagens totalmente simples uma rejeição do cultismo barroco 2a fase dissidência com o arcadismo e aproximação do romantismo forma clássica e conteúdo romântico · quebra o artificialismo construindo uma poesia confessional totalmente subjetiva volta-se para sua individualidade · forte sentimentalismo com tendência para morte arrependimento e saudade temas complexos e conflituosos tendendo para o confronto entre razão e emoção · substituição do lócus amoenus pelo lócus horrendus · a forma e as musas do neoclassicismo persistem · imagens noturnas e medo da morte 1792 quando foi exilado para moçambique apesar dos sofrimentos passados na prisão conforme os tristes versos escritos no cárcere gonzaga levou uma vida quase normal casando-se com juliana de sousa mascarenhas enriquecendo e envolvendo-se na política local morre em 1810 durante sua permanência em minas gerais escreve cartas chilenas poema satírico em forma de epístolas uma violenta crítica ao governo colonial promovido a desembargador da relação da bahia em 1786 resolve pedir em casamento maria doroteia dois anos depois o casamento é marcado para o final do mês de maio de 1789 como era pobre e bem mais velho que ela sofreu oposição da família da noiva o poeta na inconfidência por seu papel na inconfidência mineira ou conjuração mineira primeira grande revolta pró-independência do brasil trabalhando junto de outros personagens dessa revolta como cláudio manoel da costa silva alvarenga e alvarenga peixoto é acusado de conspiração e preso em 1789 cumprindo sua pena de três anos na fortaleza da ilha das cobras no rio de janeiro tendo seus bens confiscados foi portanto separado de sua amada maria doroteia permanece em reclusão por três anos durante os quais teria escrito a maior parte das liras atribuídas a ele pois não há registros de assinatura em qualquer uma de suas poesias em 1792 sua pena é comutada em degredo a pedido pessoal de marília à rainha de portugal e o poeta é enviado a costa oriental da África a fim de cumprir em moçambique a sentença de dez anos tomÁs antÔnio gonzaga nascido no porto portugal em 1744 gonzaga era filho de pai brasileiro e mãe portuguesa passou parte da infância no brasil e formou-se em direito por coimbra após sua graduação escreveu uma tese dentro dos princípios iluministas e a dedica ao marquês de pombal tratado de direito natural consta que com a intenção de concorrer a uma cátedra na universidade de coimbra aos 38 anos vem definitivamente para o brasil instalando-se em vila rica como ouvidor e juiz quando estava prestes a casar com a jovem maria dorotéia joaquina de seixas é preso e mandado ao rio de janeiro acusado de participar da inconfidência ficou no rio de janeiro encarcerado até http www.canalkids.com.br/cultura/historia/imagens/tomas_antonio_gonzaga.gif no mesmo ano é lançada em lisboa a primeira parte de marília de dirceu com 33 liras nota-se que não houve participação portanto do poeta na edição desse conjunto de liras e até hoje não se sabe quem teria feito provavelmente irmãos de maçonaria no país africano trabalha como advogado e hospeda-se em casa de abastado comerciante de escravos vindo a se casar em 1793 com a filha dele juliana de sousa mascarenhas pessoa de muitos dotes e poucas letras com quem teve dois filhos ana mascarenhas gonzaga filha de dona juliana anterior ao seu casamento com tomás antônio gonzaga 213

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a quem este lhe seu seu nome e alexandre mascarenhas gonzaga vivendo depois disso durante quinze anos rico e considerado até morrer em 1810 acometido por uma grave doença em 1799 é publicada a segunda parte de marília de dirceu com mais 65 liras no desterro ocupou os cargos de procurador da coroa e fazenda e o de juiz de alfândega de moçambique cargo que exercia quando morreu gonzaga foi muito admirado por poetas romantismo/românticos como casimiro de abreu e castro alves É patrono da cadeira de número 37 da academia brasileira de letras suas principais obras são tratado de direito natural marília de dirceu coleção de poesias líricas publicadas em três partes em 1792 1799 e 1812 hoje sabe-se que a terceira parte não foi escrita pelo poeta cartas chilenas impressas em conjunto em 1863 a data de sua morte não é uma data certa mas sabe-se que ele veio a falecer entre 1809 e 1810 marília é ora morena ora loira o que comprova não ser a pastora maria doroteia na vida real mas uma figura simbólica que servia à poesia de tomás antônio gonzaga É anacronismo destinar ao sentimento existente entre o poeta e maria doroteia a motivação para a confecção dos poemas tendo em vista que esse pensamento só surgiu com o pensamento romântico no século xix É mais cabível a teoria de inspiração no ideal de emulação que configurava o sentimento poético da época baseado nas filosofias retórico-poéticas vigentes em que o poeta seguindo inúmeras regras de confecção imitava os poetas antigos procurando superá-los muitos pouco conhecedores de literatura podem acreditar que o poeta cai em contradições ora assumindo a postura de pastor que cuida de ovelhas e vive numa choça no alto do monte ora a do burguês dr tomás antônio gonzaga juiz que lê altos volumes instalados em espaçosa mesa mas o fazem por analisar os poemas com critérios anacrônicos à época analisam com pensamentos surgidos após o romantismo textos que o precedem É interessante atentar para alguns aspectos dessa obra de gonzaga cada lira é um dialogo de dirceu com sua pastora marília mas embora a obra tenha a estrutura de um diálogo só dirceu fala trata-se de um monólogo chamando marília em geral com vocativos como bem lembra o crítico antônio candido o melhor título para a obra seria dirceu de marília mas o patriarcalismo de gonzaga nunca lhe permitiria pôr-se como a coisa possuída.sem esquecer que tomás antônio gonzaga morreu de paixão.ele foi mandando para a ilha das cobras no rio de janeiro,depois para moçambique na África.casando-se com uma filha de um mercador de escravos;diga-se de passagem:logo ele que era totalmente contra a escravidão também percebemos na poesia de gonzaga algumas inovações que apontam para a transição entre arcadismo e romantismo http www.essaseoutras.com.br/wp-content/uploads/2011/10/marilia-de-dirceu.jpg marÍlia de dirceu as liras a sua pastora idealizada refletem a trajetória do poeta na qual a prisão atua como um divisor de águasa segunda parte do livro é contada dentro da prisão antes do encarceramento num tom de fidelidade canta a ventura da iniciação amorosa a satisfação do amante que valorizando o momento http images01.olx.com.br presente busca a simplicidade do refúgio na natureza ui/9/24/63/1290618276_141382163_1-fotos-de livro-mariliaamena que ora é européia -de-dirceu-tomas-antonio-gonzaga-1290618276.jpg e ora mineira depois da reclusão num tom trágico de desalento canta o infortúnio a injustiça ele se considera inocente portanto injustiçado o destino e a eterna consolação no amor da figura de marília são compostas em redondilha menor ou decassílabos quebrados expressam a simplicidade e gracioso lirismo íntimo decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos sentimentos e da escolha linguística ao delegar posição poética a um campesino sob cuja pele se esconde um elemento civilizado gonzaga demonstra mais uma vez suas diferenças com a filosofia romântica pois segue o descrito nas regras para a confecção de éclogas nos manuais de poética da época que instruem aos poetas que buscam a superação dos antigos imitando-os a utilizações de eu-líricos que se aproximem as figuras de pastores caçadores hortelãos e vaqueiros http 3.bp.blogspot.com 5xod8f73cma/ty-nvu90dji/aaaaaaaaa4u/qqvgvjavejs/s320/marilia.jpg textos de gonzaga enquanto pasta alegre o manso gado minha bela marília nos sentemos À sombra deste cedro levantado um pouco meditemos na regular beleza que em tudo quanto vivo nos descobre a sábia natureza atende como aquela vaca preta o novilho seu dos mais separa e o lambe enquanto chupa a lisa teta atende mais ó cara 214

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dessa boca linda nos ares espalham suspiros ardentes se alguém me perguntar onde eu te vejo responderei no peito que uns amores de casto desejo aqui te pintaram e são bons pintores mal meus olhos te riam ah nessa hora teu retrato fizeram e tão forte que entendo que agora só pode apagá-lo o pulso da morte isto escrevia quando ó céus que vejo descubro a ler-me os versos o deus louro ah dá-lhes um beijo e diz-me que valem mais que letras de ouro como a ruiva cadela suporta que lhe morda o filho o corpo e salte em cima dela eu vi o meu semblante numa fonte dos anos inda não está cortado os pastores que habitam este monte respeitam o poder do meu cajado os teus olhos espalham luz divina a quem a luz do sol em vão se atreve papoula ou rosa delicada e fina te cobre as faces que são cor de neve os teus cabelos são uns fios d ouro teu lindo corpo bálsamos vapora ah não não fez o céu gentil pastora para glória de amor igual tesouro graças marília bela graças à minha estrela estou no inferno estou bela marília e numa coisa só é mais humana a minha dura estrela uns não podem mover no inferno os passos eu pretendo voar e voar cedo a glória dos teus braços quando a vida vira arte a poesia de tomás antônio gonzaga se comparada à dos demais árcades brasileiros apresenta algumas inovações que apontam para uma transição entre arcadismo e romantismo incorporando muito de sua experiência pessoal à poesia escrita antes e durante a prisão gonzaga conseguiu quebrar em grande parte a rigidez dos princípios árcades por exemplo em contraposição à contenção dos sentimentos sua poesia é mais emotiva e mais espontânea em vez de uma mulher ideal como a nise de cláudio manuel da costa a marília de gonzaga mostra-se mais humana próxima e real observe esta descrição do rosto de marília http us.123rf young-female-face-bordered-by-bright-yellow-mimosa-flowers.jpg nesta triste masmorra de um semi vivo corpo sepultura inda marília adoro a tua formosura amor na minha idéia te retrata nesta cruel masmorra tenebrosa ainda vendo estou teus olhos belos a testa formosa os dentes nevados os negros cabelos vejo marília sim e vejo ainda a chusma dos cupidos que pendentes na sua face mimosa marília estão misturadas purpúreas folhas de rosa brancas folhas de jasmim dos rubins mais preciosos os seus beiços são formados os seus dentes delicados são pedaços de marfim mal vi seu rosto perfeito dei logo um suspiro e ele conheceu haver-me feito estrago no coração punha em mim os olhos quando entendia eu não olhava vendo o que via baixava a modesta vista ao chão 215

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lira 01 resumo as partes da obra a obra se divide em duas partes há uma terceira cuja autenticidade é contestada por alguns críticos 1ª parte contém os poemas escritos na época anterior à prisão de gonzaga nela predominam as composições convencionais o pastor dirceu celebra a beleza de marília em pequenas odes anacreônticas em algumas liras entretanto as convenções mal disfarçam a confissão amorosa do amor a ansiedade de um quarentão apaixonado por uma adolescente a necessidade de mostrar que não é um qualquer e que merece sua amada os projetos de uma sossegada vida futura rodeado de filhos e bem cuidado por suas mulher etc eu marília não fui nenhum vaqueiro fui honrado pastor da tua aldeia vestia finas lãs e tinha sempre a minha choça do preciso cheia tiraram-me o casal e o manso gado nem tenho a que me encoste um só cajado para ter que te dar é que eu queria de mor rebanho ainda ser o dono prezava o teu semblante os teus cabelos ainda muito mais que um grande trono agora que te oferte já não vejo além de um puro amor de um são desejo se o rio levantado me causava levando a sementeira prejuízo eu alegre ficava apenas via na tua breve boca um ar de riso tudo agora perdi nem tenho o gosto de ver-te ao menos compassivo o rosto ah minha bela se a fortuna volta se o bem que já perdi alcanço e provo por essas brancas mãos por essas faces te juro renascer um homem novo romper a nuvem que os meus olhos cerra amar no céu a love e a ti na terra se não tivermos lãs e peles finas podem mui bem cobrir as carnes nossas as peles dos cordeiros mal curtidas e os panos feitos com as lãs mais grossas mas ao menos será o teu vestido por mãos de amor por minhas mãos cosido nas noites de serão nos sentaremos cos filhos se os tivermos à fogueira entre as falsas histórias que contares lhes contarás a minha verdadeira pasmados te ouvirão eu entretanto ainda o rosto banharei de pranto quando passarmos juntos pela rua nos mostrarão co dedo os mais pastores dizendo uns para os outros olha os nossos exemplos de desgraça e são amores contentes viveremos desta sorte até que chegue a um dos amores 2ª parte escrita na prisão da ilha das cobras os poemas exprimem a solidão de dirceu saudoso de marília nesta segunda parte encontramos a melhor poesia de gonzaga as convenções embora ainda presentes não sustentam o equilíbrio neoclássico o tom confessional e o pessimismo prenunciam o emocionalismo romântico vi considerações finais em minas gerais quatro poetas e magistrados constituem os mais importantes cultores do arcadismo se bem que otto maria carpeaux separe cláudio manuel da costa pelo maior racionalismo e menores vestígios do sentimentalismo pré-romântico grande entre todos eles pelo sentido do ritmo e domínio artesanal aparece tomás antônio gonzaga autor popularizado através das liras que celebram os amores de marília e de dirceu o tema do livro é amor amor cheio de pureza em que se constrói um universo ideal o poeta encarnado em pegureiro a sua amada em pastora conforme o vocabulário da escola os motivos são os tradicionais da despedida adeus cabana adeus adeus ó gado o das excelências do tempo passado então só inocente era de luso o reino oh bem perdido ditosa condição ditosa gente a indecisão do amante de duas amadas o mon coeur balance entre alteia e dircéia o mesmo lema do muito celebrado soneto de alvarenga peixoto ou faz de dous semblantes um semblante ou divide o meu peito em dois pedaços em gonzaga é ou forma de lavino dous sujeitos ou forma desses dous um só semblante a versificação é pouco variada e a par dos versos de quatro sílabas melhor ditos células métricas vêm a redondilha menor com acentuação em 2a e 5a sílabas heróico quebrado sempre em combinação a redondilha maior o decassílabo É possível começar com uma curiosidade a das liras xxii e xxv 2a parte e ii 3a parte entre outras em que a palavra final de cada estrofe é oxítona ou monossílabo tônico em ê de timbre fechado salvo uma rima de timbre aberto na ordem rimam ter vê tem ofender cruel seu acolher crer outra curiosidade é a rima interna posta sobre a cesura em final do soneto pois quando só na idéia m a retrata debuxa os dotes com que prende vista esconde as obras com que ofende ingrata e as figuras de repetição sem muita pesquisa podem ser registradas na sua freqüência a começar pela epizeuxe ganhei ganhei um trono ­ verás verás marília eu vou eu vou subindo 216

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a nau possante esta mão esta mão que ré parece já já me vai marília braqueando só foi só foi lucrecia mas o gonzaga não nos oferece apenas abundante material de retórica e arte poética oferece e isso é mais importante poesia para o gosto dos eruditos e poesia que gera popularidade sentimento e sentimental intelecto e sensorial melancolia e lamentação e porque se trata de um grande poeta vem sendo incluído nas histórias literárias de portugal e do brasil nasceu no porto fez-se voluntariamente luso nos depoimentos da devassa procurando descomprometer-se com a inconfidência amou em vila rica em verdade era pela liberdade do jugo português um homem amedrontado não é um homem se bem que se desdissesse ante o inquisidor mas o brasil anda na sua poesia saudoso recompõe o itinerário que vai do rio à terra de sua bem procura o porto da estrela sobe a serra e se cansares descansa num tronco dela toma de minas a estrada na igreja nova a que fica ao direito lado e segue sempre firme a vila rica antes da prisão otimismo confiança depois da prisão dor e sofrimento pré ­ romântico pseudônimo dirceu obra satírica cartas chilenas pseudônimo critilo o arcadismo em textos contemporâneos vamos fugir deste lugar baby vamos fugir `tô cansado de esperar que você me carregue vamos fugir pr outro lugar baby vamos fugir pr onde quer que você vá que você me carregue pois diga que irá irajá irajá pra onde eu só veja você você veja a mim só marajó marajó qualquer outro lugar comum outro lugar qualquer guaporé guaporé qualquer outro lugar ao sol outro lugar ao sul céu azul céu azul onde haja só meu corpo nu junto ao seu corpo nu sÍntese do arcadismo 01 carpe diem aproveitar o dia viver aproveitando o máximo 02 inutilia truncat cortar o inútil acabar com o exagero 03 fugere urben fugir da cidade ir para o campo em oposição à cidade 04 locus amoenus lugar agradável 05 Áurea mediocritas vida medíocre mas rica em realizações espirituais 06 convencionalismo amoroso fingimento poético não é o poeta quem fala de sí 07 uso de pseudônimos dirceu glauceste satúrnio 08 simplicidade na forma e no conteúdo 09 bucolismo exaltação da vida no campo a natureza como cenário 10 equilíbrio entre razão e fantasia iluminismo 11 presença da mitologia num retorno aos valores clássicos neoclássicos 12 academicismo os autores formavam as chamadas arcádias para apreciar os seus trabalhos e o dos outros 13 mimetismo é a palavra associada a mimese imitação valores clássicos às normas poéticas da antigüidade 14 universalismo o poeta escolhe como tema situações que servem para ilustrar ocorrências comuns a maioria dos homens situações normais nada de exagero síntese do arcadismo inÍcio É fundada a arcádia lusitana em 1756 tÉrmino publicação do poema camões de almeida garret 1825 painel de Época revolução industrial iluminismo século das luzes revolução francesa produÇÃo literÁria i bocage portugal escrevia com o pseudônimo elmano sadino existência desregrada e libertina dificuldades financeiras amorosas doenças prisão etc a natureza agradável descrição tranqüila do amor pureza e ao mesmo tempo apresenta uma alma atormentada conhecido como grande sonetista ii tomÁs antÔnio gonzaga brasil sua obra de destaque marília de dirceu fala do grande amor nutrido pela noiva música:skank/letra:gilberto gil alÉm do horizonte autor roberto carlos erasmo carlos música j quest além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz onde eu possa encontrar a natureza alegria e felicidade com certeza lá nesse lugar o amor é lindo com flores festejando mais um dia que vem vindo onde a gente pode se deitar no campo se amar na relva escutando o canto dos pássaros aproveitar a tarde sem pensar na vida andar despreocupado sem saber na hora de voltar bronzear o corpo todo sem censura gozar a liberdade de uma vida sem frescura se você não vem comigo tudo isso vai ficar no horizonte esperando por nós dois se você não vem comigo nada isso tem valor do que vale o paraíso sem amor além do horizonte existe um lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar 217

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exercitando casinha branca gilson jorn eu tenho andando tão sozinho ultimamente que nem vejo à minha frente nada que me dê prazer sinto cada vez mais longe a felicidade vendo em minha mocidade tanto sonho perecer eu queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde pra plantar e colher ter uma casinha branca de varanda um quintal e uma janela para ver o sol nascer 01 a letra acima apresenta como característica a barroca a idéia da brevidade da vida b Árcade como o fingimento pastoril c Árcade como o ideal de fugere urbem e locus amoenus d Árcade como a delegação poética e barroco como o dualismo 02 o poema abaixo é um poema árcade e expressa o pré-romantismo porque nesta doce loucura arrebatado anarda cuido ver bem que distante mas ao passo que a busco neste instante me vejo no meu mal desenganado a b c d e apresenta a verossimilhança apresenta expressões emotivas apresenta mitologia clássica apresenta a idealização do amor apresenta objetividade 05 neste bosque alegre e rindo sou amante afortunado e desejo ser mudado no mais lindo beija-flor todo o corpo num instante se atenua exala e perde e já de oiro prata e verde a brilhante e nova cor os versos de silva alvarenga lembram traços freqüentes na estética árcade a a procura de plenitude a visão mística e transcendente da realidade a idealização e sacralização da mulher e do amor b a recusa do sentido conotativo das palavras do lado transcendente da realidade o apego aos aspectos comezinhos e imediatos do mundo c o descritivismo incontinente que resulta da busca da fisionomia exata da realidade a imoderação verbal o excesso de metáforas perífrases e hipérboles d o sentimentalismo apaixonado que dá forma a realidade o tom oratório a expressão marcada por fortes contrastes antíteses e metáforas e a busca da simplicidade formal a clareza dos enunciados a idéia de que na natureza está a harmonia para as coisas do mundo 06 fuvest de bocage pode-se dizer que a passou a maior parte de brasil b é o expoente máximo da poesia portuguesa do século xviii c foi grande cultor do soneto barroco d escreveu contos eróticos e representa a poesia parnasiana em portugal 07 leia a seguinte estrofe de cláudio manoel da costa quem deixa o trato pastoril amado pela ingrata civil correspondência ou desconhece o gosto da violência ou do retiro e paz não tem provado observa-se nela a seguinte mensagem a b c d e a vida pastoril é cheia de paz todos serão felizes levando uma vida urbana o poeta está apaixonado a violência é inútil a paz é inútil 03 assinale a opção correta sobre o texto abaixo quem deixa o trato pastoril amado pela ingrata civil correspondência ou desconhece o posto da violência ou do retiro a paz tem provado a expressa o ideal do bom selvagem ao sugerir a superioridade do campo em relação à cidade b fala da violência do campo lugar que deveria ser de paz c expressa sentimentalismo e individualismo d fala da saudade da natureza destruída pelo homem e expressa o ideal de carpe diem 04 assinale a opção incorreta sobre os poetas árcades a seguindo a verossimilhança falam de suas próprias vidas b imitam a tradição grego-romana c buscam a aurea mediocritas e o locus amoenus d praticam o fingimento pastoril e usam pseudônimos pastoris 08 ainda sobre a estrofe transcrita na questão anterior entende-se por ingrata civil correspondência ao a b c d e domínio dos militares sobre os civis chegada das cartas com notícias ruins vida urbana fase de revoltas de fins do século xvii satisfação do poeta em receber correspondência da metrópole i e ii corretas iii incorreta i incorreta ii correta iii incorreta i correta ii e iii incorretas i ii e iii corretas i incorreta ii e iii corretas 09 responda de acordo com o código abaixo a b c d e 218

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