Revista Internacional de FolkComunicação

 

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volume 10 número 19 2012 revista internacional de folkcomunicaÇÃo ano 10

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expediente revista internacional de folkcomunicação volume 10 número 19 1º quadrimestre de 2012 issn 1807-4960 a revista internacional de folkcomunicação rif é um periódico acadêmico da área de folkcomunicação com caráter interdisciplinar e publicação semestral É elaborada pela agência de jornalismo da universidade estadual de ponta grossa uepg em parceria com o programa de mestrado em jornalismo da uepg rede de estudos e pesquisa em folkcomunicação rede folkcom cátedra unesco/umesp de comunicação para o desenvolvimento regional e centro folkcom de pesquisa cfp/uepg editoria executiva editora executiva karina janz woitowicz editores associados kevin willian kossar furtado e sérgio luiz gadini conselho editorial alberto pena rodríguez universidade de vigo espanha betânia maciel universidade federal rural de pernambuco ufrpe cristina schmidt universidade de mogi das cruzes umc denis porto renó universidad del rosário colômbia emerson urizzi cervi universidade federal do paraná ufpr josé marques de melo cátedra unesco de comunicação para o desenvolvimento regional/universidade metodista de são paulo umesp juliano maurício de carvalho universidade estadual paulista júlio de mesquita filho unesp karina janz woitowicz universidade estadual de ponta grossa uepg marcelo pires de oliveira universidade estadual de santa cruz uesc marcelo sabbatini universidade federal de pernambuco ufpe maria cristina gobbi universidade estadual paulista júlio de mesquita filho unesp maria Érica de oliveira lima universidade federal do rio grande do norte ufrn osvaldo trigueiro universidade federal da paraíba ufpb renata marcelle lara pimentel universidade estadual de maringá uem roberto benjamin universidade federal rural de pernambuco ufrpe roberto reis oliveira universidade de marília unimar sérgio luiz gadini universidade estadual de ponta grossa uepg yuji gushiken universidade federal de mato grosso ufmt design grÁfico projeto gráfico kevin willian kossar furtado diagramação kevin willian kossar furtado e kelvin vieira capa montagem de kelvin vieira sobre fotos de roseli stepurski marco favero e gildo antonio vicente da silva do projeto lente quente do curso de jornalismo da universidade estadual de ponta grossa uepg coordenado por rafael schoenherr professor de jornalismo na uepg mestre em ciências da comunicação pela universidade do vale do rio dos sinos unisinos arte montagem de kelvin vieira sobre fotos de roseli stepurski marco favero gildo antonio vicente da silva e maykon lammerhirt.

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sistema de avaliaÇÃo de trabalhos as contribuições são apreciadas em primeiro lugar pela editora e editores associados objetivando a verificação dos requisitos formais de apresentação de trabalhos uma vez aceitos em primeira instância os textos sem identificação de autoria são submetidos a dois pareceristas membros do conselho editorial em caso de pareceres contrários o texto é submetido a um terceiro avaliador os resultados são comunicados aos autores tanto em caso de rejeição como de aprovação ou aprovação com necessidade de ajuste os editores e o conselho editorial não assumem a responsabilidade pelo material publicado os textos representam exclusivamente o pensamento dos autores e coautores a revista internacional de folkcomunicação utiliza o sistema eletrônico de editoração de revistas seer software desenvolvido para a construção e gestão de publicações periódicas eletrônicas traduzido e customizado pelo instituto brasileiro de informação em ciência e tecnologia ibict a rif está indexada nas seguintes bases de dados ibict/seer latindex portal livre portal periódicos da capes red iberoamericana de revistas de comunicación y cultura sumários.org ficha catalogrÁfica revista internacional de folkcomunicação ponta grossa v 10 n 19 jan abr 2012 ponta grossa pr agência de jornalismo da uepg 2012 quadrimestral issn 1807-4960 1 folkcomunicação 2 cultura popular

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sumÁrio editorial 6 apresentação 8 artigos e ensaios capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga são paulo brasil 10 luiz fernando de almeida candelária junior monica franchi carniello de marginal a oficial a fabricação do bumba-meu-boi como símbolo de identidade do estado do maranhão 27 letícia conceição martins cardoso em busca da folkconvivialidade aproximações entre a teoria da folkcomunicação e o pensamento filosófico-educacional de ivan illich 44 marcelo sabbatini maria do ingá uma lenda paraibana que se configurou no nome da cidade de maringá 60 selson garutti ana barbosa de souza memória coletiva folclore e turismo o folclore das flores na festa da cerejeira em garça são paulo brasil 79 tamara de souza brandão guaraldo o processo folkcomunicacional como estratégia para o desenvolvimento local o caso da associação de mamulengueiros de glória do goitá pernambuco 100 everaldo costa santana severino alves de lucena filho

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o simbólico e o imaginário na fotografia 111 itamar de morais nobre vânia de vasconcelos gico discografia folkcom memórias da cultura do trabalho em vozes femininas 126 karina janz woitowicz ensaio fotogrÁfico salve jorge devoção popular em vermelho e branco em reza e samba 131 diego dionísio entrevista hélio leites um artesão comprometido com a cultura popular 142 elaine javorski resenhas entre sons e palavras a musicalidade afro como resistência 147 ana paula maciel soukef mendes inodoro pereyra um gaúcho separado por tordesilhas 152 ben-hur demeneck registro de festejos populares brasileiros as simbologias de rios e mares como locais da manifestação da espiritualidade 159 weslley dalcol leite

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rif editorial revista internacional de folkcomunicação 10 anos a edição comemorativa dos 10 anos de revista internacional de folkcomunicação rif de número 19 traz aos interessados em folkcomunicação e cultura popular um conjunto de treze artigos resenhas e ensaios com relevantes contribuições para a área resultantes de pesquisas de campo reflexões teóricas observações da realidade e análises da produção cultural os textos convidam a conhecer a folkcomunicação sob diferentes perspectivas na seção de artigos/ensaios constam sete trabalhos de pesquisadores de diversas cidades brasileiras com o tema da comunicação e desenvolvimento local situam-se o trabalho de luiz fernando de almeida candelária júnior e mônica franchi carniello da universidade de taubaté que trata do capital social como forma de desenvolvimento do turismo e do marketing em são luiz do paraitinga/sp e o estudo de everaldo da costa santana mestrando da universidade federal rural de pernambuco sobre a experiência da associação de mamulengueiros e artesãos de glória do goitá/pe que aborda a cultura popular como forma de fomentar o desenvolvimento folclore identidade e memória coletiva são temas tratados por outros três artigos com enfoques diferenciados letícia conceição martins cardoso professora da universidade federal do maranhão discute a construção da identidade maranhense a partir da apropriação do bumba-meu-boi por atores políticos oferecendo uma leitura histórica das transformações de marginal a oficial ocorridas nesta manifestação cultural que se tornou símbolo do estado selson garutti professor da secretaria de educação do estado do paraná e a jornalista ana barbosa de souza abordam a lenda paraibana da maria do ingá como fenômeno folkcomunicacional que deu origem ao nome da cidade de maringá/pr investigando a presença da lenda no imaginário social dos moradores e tamara de souza brandão guaraldo doutoranda da universidade estadual paulista júlio de mesquita filho marília/sp discute os aspectos folclóricos e turísticos da festa da cerejeira em garça/sp a partir do processo de reelaboração da festividade das flores de tradição japonesa desvendando o processo de transformação em evento massivo e a permanência de elementos da identidade nipônica na memória coletiva a rif traz ainda uma contribuição ao debate teórico proposta por marcelo sabbatini da universidade federal de pernambuco em uma aproximação entre a folkcomunicação de luiz beltrão e a filosofia da educação de ivan illich a partir deste diálogo desenvolve-se o conceito de `folkconvivialidade referente às redes de aprendizagem presentes na comunicação dos excluídos por fim a seção artigos conta ainda com a contribuição dos professores itamar de morais nobre e vânia de vasconcelos gico da universidade federal de rio grande do norte,

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rif editorial que discutem a construção de imagens na comunidade de diego lopes macau/rn acionando o caráter simbólico e imaginário da fotografia para abordá-la como narrativa da vida cotidiana na discografia folkcom a revista publica uma resenha do disco cantos de trabalho da cia cabelo de maria produzido pelo serviço social do comércio sesc/são paulo produzida por karina janz woitowicz da universidade estadual de ponta grossa a resenha mostra aspectos do cotidiano e da cultura popular presentes nas letras singelas e poéticas das músicas valorizadas em vozes e coros femininos na seção ensaio fotográfico o jornalista diego dionísio membro da comissão paulista de folclore apresenta um registro da festa de são jorge no rio de janeiro em imagens repletas de significados o ensaio traz a origem e os aspectos folk da festa em devoção ao santo guerreiro destacando elementos como fé música e tradições populares a rif traz também uma entrevista com o artista popular hélio leites autor de teatro minimalista que reutiliza peças variadas para produzir histórias marcadas pela beleza e simplicidade da vida cotidiana realizada pela jornalista elaine javorski professora da unibrasil curitiba/pr e da universidade estadual de ponta grossa/pr a entrevista traça um perfil do artista em sua relação com a cultura popular trata-se de um personagem que encanta pelas peças criativas e pelas mensagens repletas de poesia por fim a seção resenhas traz três obras relacionadas à folkcomunicação e à cultura popular weslley dalcol leite mestrando da universidade federal do paraná apresenta a simbologia dos festejos relacionados a rios e mares como forma de manifestação da espiritualidade em sua leitura do livro festas nas águas fé e tradição nos rios e mares do brasil de roberto amado 2011 ana paula soukef mendes professora da universidade estadual de ponta grossa e da faculdade secal faz uma análise do livro blues e hip hop uma perspectiva folkcomunicacional de thífany postali 2011 destacando a musicalidade afro como resistência a partir da história de grupos periféricos que deram origem ao blues e ao hip hop e o doutorando em ciências da comunicação da escola de comunicação e artes da universidade de são paulo ben-hur demeneck propõe uma interessante aproximação entre a folkcomunicação e os quadrinhos do personagem inodoro pereyra do cartunista argentino roberto fontanarrosa enfocando os aspectos populares e massivos do 15º volume de uma série de coletâneas do autor com estas contribuições e olhares sobre a cultura e a comunicação a presente edição da rif é um convite para conhecer um pouco mais sobre o amplo campo da folkcomunicação a partir dos ângulos propostos por autores da área boa leitura e análise crítica rif

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rif apresentação no poema intitulado `sobre a maneira de construir obras duradouras bertolt brecht observa que as obras duram tanto quanto ainda não estão completas e requerem trabalho participação de modo que sua existência dura tanto quanto convidam e retribuem inspirados no poeta podemos dizer que a presente edição da revista internacional de folkcomunicação rif é um convite e uma retribuição um convite para comemorar os 10 anos da revista que desde 2003 tem se constituído como espaço de fortalecimento da pesquisa em folkcomunicação e uma retribuição pelo esforço desenvolvido por diversos pesquisadores da área que com suas contribuições têm permitido a consolidação e a renovação dos estudos folk revelando que estes se ampliam e estão longe de se encerrar caracterizando-se como uma obra duradoura a trajetória de 10 anos da rif é reveladora do amadurecimento acadêmico da folkcomunicação e da sua promissora incompletude nas 18 edições da revista no período 2003-2011 editadas semestralmente foram publicados 118 artigos além de dezenas de outros textos e ensaios1 que tematizam diversos aspectos da folkcomunicação ­ desde a obra fundadora de luiz beltrão até os novos olhares e objetos contemplados neste campo de estudos com o apoio desde o início da cátedra unesco/umesp de comunicação para o desenvolvimento regional e da rede de estudos e pesquisa em folkcomunicação rede folkcom a rif criou as bases para se legitimar como um espaço de produção científica em comunicação inicialmente editada em parceria com o instituto de estudos superiores de brasília iesb sob coordenação do professor antônio barros a revista internacional de folkcomunicação logo se tornou referência na publicação de textos e resultados de investigações folkcomunicacionais cada vez mais frequentes em todo o brasil em novembro de 2004 com o lançamento da quarta edição o periódico passa a ser editado em parceria com a agência de jornalismo da universidade estadual de ponta grossa uepg/pr onde se mantém até hoje este percurso foi marcado por um gradual aprimoramento do periódico a ampliação de editorias na rif ­ tais como entrevista ensaio fotográfico resenhas e discografia ­ permitiu experimentar diferentes formatos da produção acadêmica em folkcomunicação além disso a submissão de trabalhos pelo sistema eletrônico de editoração de revistas seer garantiu a profissionalização do processo de produção do periódico nos últimos anos para marcar os seus 10 anos de existência a revista passou por um processo de reformulação para se tornar mais atrativa e profissional as mudanças envolveram principalmente aspectos gráficos com a proposta de um novo layout que possibilitou o uso de 1 levantamento realizado em pesquisa sobre a rif desenvolvida por sérgio gadini 2011

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rif apresentação cores e recursos para uma melhor visualização do conteúdo a cada edição a rif ganha uma capa construída com imagens que remetem à cultura popular resultantes do projeto lente quente coordenado pelo professor rafael schoenherr na universidade estadual de ponta grossa que consiste na produção de fotos da cena cultural além disso a partir deste número é possível acessar a revista na íntegra oferecendo uma visão do conjunto da produção outra novidade é o lançamento anual de uma edição extra da revista em forma de dossiê temático que se propõe a canalizar demandas emergentes de pesquisa em folkcomunicação o primeiro número deve ser publicado em setembro deste ano com artigos que tratam da temática `folkcomunicação gastronomia e cultura popular resultantes de uma pesquisa integrada realizada pela rede folkcom no que diz respeito à equipe editorial foi realizado neste ano de 2012 o cadastramento de todos os editores associados que serão colaboradores da rif pelos próximos dois anos de modo a renovar o conselho de pareceristas a esta equipe de pesquisadores nossos agradecimentos pelo rigor acadêmico e pelo apoio imprescindível para a produção regular da revista no momento em que folkcomunicação registra o reconhecimento acadêmico e o fortalecimento junto a pesquisadores de diferentes gerações apresentar a 19ª edição da revista internacional de folkcomunicação é motivo de comemoração afinal chegar ao 10º ano de existência traduz o compromisso de desenvolver uma obra duradoura que convida para o constante repensar sobre os desafios e perspectivas da folkcomunicação no século xxi rif karina janz woitowicz kevin willian kossar furtado sérgio luiz gadini acesse a rif em www.revistas.uepg.br ou em http www.sumarios.org/revistas/revistainternacional-de-folkcomunica%c3%a7%c3%a3o.

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rif artigo/ensaio capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil luiz fernando de almeida candelária junior1 monica franchi carniello2 resumo este trabalho realiza o levantamento de informações sobre o papel dos atores sociais na formação do capital social local e das possíveis ações de marketing como ferramentas promotoras das atividades turísticas no município de são luiz do paraitinga estado de são paulo compreende-se o capital social como o conjunto de arranjos sociais e relações que possibilitam direcionar ações individuais e coletivas em benefício de causas que atendam positivamente aos anseios da coletividade e as ações de marketing como os processos sociais e de gestão que são desenvolvidos para atender às satisfações das necessidades dos indivíduos e das organizações a pesquisa caracteriza-se como descritiva e qualitativa com coleta de dados por entrevista com atores sociais do município verificou-se que as relações dos moradores ­ que resultaram em um representativo patrimônio cultural ­ e a cooperação entre os distintos atores sociais implicou a potencialização do turismo no município ainda que sem um planejamento formal mas decorrente de objetivos comuns que puderam ser alcançados por meio da participação e trabalho conjunto da população local portanto a existência de elevado grau de capital social constitui uma variável diretamente relacionada com o desenvolvimento do município estudado palavras-chave desenvolvimento regional capital social turismo social capital and development of tourism in the city of são luiz do paraitinga/sp brazil abstract this paper discusses about the role of social actors in local social capital formation and possible marketing actions such as tools for promoting tourist activities in são luiz do paraitinga são paulo state social capital is understood as the set of social arrangements and relationships which allow direct individual and collective actions on behalf of causes that respond positively to the wishes of the community and marketing actions such as the social processes and management that are developed to meet the satisfaction of the needs of individuals and organizations the research is characterized as descriptive and qualitative with data collection through interviews with social actors in the municipality it was found that the relationships of the residents ­ which resulted in a representative cultural heritage ­ and cooperation between different social actors to involve in the enhancement of tourism in the city even without a formal plan but due to common goals could be achieved through participation and joint effort of the local population therefore the existence of high degree of social capital is a variable directly related to the development of the municipality keywords regional development social capital tourism 1 mestre em gestão e desenvolvimento regional pela universidade de taubaté unitau 2 doutora em comunicação e semiótica pela pontifícia universidade católica de são paulo puc/sp docente do programa de mestrado em gestão e desenvolvimento regional da universidade de taubaté unitau

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rif ponta grossa/pr volume 10 número 19 p 10-26 jan abr 2012 introduÇÃo na busca de potencializar os processos de desenvolvimento econômico e social de regiões entende-se que a aplicação de ações dirigidas e específicas podem trazer resultados positivos se levarem em consideração as particularidades de cada região e suas relações com os processos exógenos econômicos políticos e conjunturais com os quais interage a formulação de políticas públicas generalistas mostra-se cada vez menos apropriada por não levar em consideração as desigualdades e as potencialidades existentes em cada localidade as discussões tendo como tema o desenvolvimento regional sinalizam caminhos nos quais as necessidades e características dos locais devem ser consideradas por possibilitarem a elaboração de estratégias adequadas à realidade de cada local a participação dos atores sociais nos processos de formação do capital social dos locais e a possibilidade de se desenvolverem planejamentos capazes de equacionar as dificuldades e sinalizar caminhos mais adequados à solução das mesmas também se constituem como ferramentas que se mostram úteis na busca de processos de desenvolvimento econômico e social mais eficiente que busquem o aumento do grau de liberdade e de qualidade de vida dos indivíduos sen 2000 o capital social que tem como premissa práticas participativas para a manutenção de redes duráveis de relações é uma das variáveis que interfere no desenvolvimento de uma região bandeira 1999 p 12 corrobora essa perspectiva ao destacar a cooperação como das hipóteses que explica as diferenças de desenvolvimento entre regiões segundo estudos recentes o capital social que é composto por um conjunto de fatores de natureza cultural que aumenta a propensão dos atores sociais para a colaboração e para empreender ações coletivas constitui-se em importante fator explicativo das diferenças regionais quanto ao nível de desenvolvimento esse artigo trata do capital social de são luiz do paraitinga e sua relação com o desenvolvimento do turismo local o município destaca-se por ser palco de intensas manifestações das tradições religiosas e de inúmeras festas populares principalmente pelas que receberam influências da península ibérica caracterizando-se como a cidade mais festeira da região comitÊ prÓ-associaÇÃo para o desenvolvimento cultural e ambiental de sÃo luiz do paraitinga 1997 o município apresenta um vasto e eclético calendário de atividades que se estende por todo o ano e contribui para fortalecer a sua identidade cultural 11 capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil

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rif ponta grossa/pr volume 10 número 19 p 10-26 jan abr 2012 pelas atividades culturais a partir da década de 1990 o município passou a ser mais conhecido e beneficiado por valorizar do turismo cultural e também pela crescente procura do turismo de entretenimento e do turismo ecológico despertando a atenção do público às suas características suas tradições culturais e suas potencialidades ecológicas o centro urbano da cidade com seus casarões de taipa constitui-se como patrimônio histórico-cultural tombado em 1977 pelo conselho de defesa do patrimônio histórico arqueológico e turístico do estado condephaat e mantém ainda hoje as características da época estabelecendo uma ligação entre o passado ao presente e estabelecendo a identidade arquitetônica do município3 sobre estas características luz 2004 p 20 comenta que o município de rico folclore antigo local de pouso dos tropeiros e celeiro de grãos fumo e café apresenta o maior acervo de arquitetura colonial do estado tombado pelo patrimônio histórico e representa três ciclos o ciclo do ouro o ciclo do café e o atual ciclo do turismo algo singular a bela cidade em sua diversidade berço e palco de tantas glórias singular no seu raro acervo arquitetônico pouco alterado cuja defesa se impõe contra o falso progressismo também na permanente lembrança do sólido passado em que movem seus habitantes e em suas impecáveis festas e comemorações com uma população de 10.397 pessoas ibge 2010 a maior parte dos vínculos empregatícios está no setor de serviços seade 2010 no qual se enquadra a atividade turística balizado por essas reflexões e contexto o artigo tem o objetivo de compreender o papel dos atores sociais sua participação e a sua percepção sobre o capital social local como ferramenta promotora das atividades turísticas no município de são luiz do paraitinga situado no vale do paraíba no estado de são paulo brasil desenvolvimento regional e capital social acompanhando a história do desenvolvimento contemporâneo é fato que o avanço desenfreado das relações de produção e consumo de bens trouxe inúmeros desequilíbrios e problemas a serem enfrentados pela população mundial o processo de abertura dos mercados aos investimentos de capital estrangeiro e as consequências negativas do processo de globalização propiciaram que algumas nações fossem beneficiadas no entanto deflagraram 3 em janeiro de 2010 a cidade foi devastada por uma enchente que destruiu parte dos casarões do centro histórico e a igreja matriz tal fato repercutiu em escala nacional e resultou em ações coletivas lideradas por instituições distintas que envolveram os moradores universidades e governo para recuperação do patrimônio histórico as ações coletivas realizadas demonstraram o alto capital social da população e permitiram uma rápida recuperação e retomada das atividades culturais e turísticas do município 12 capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil

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rif ponta grossa/pr volume 10 número 19 p 10-26 jan abr 2012 paralelamente um processo de enfraquecimento das atividades econômicas locais e regionais neste sentido becker 2000 p.30 considera que gerar as condições favoráveis ou mais atrativas para localizar os investimentos em seus territórios transformou-se em uma necessidade do próprio processo de desenvolvimento contemporâneo e segundo alguns governos na única possibilidade importante ressaltar que paralelamente a esse processo de internacionalização dos espaços econômicos emerge um processo de regionalização dos espaços sociais que se caracteriza pela defesa dos recursos naturais e culturais e pela busca de alternativas competentes como forma de resistir e sobreviver ao processo de globalização sobre esse processo de regionalização dos espaços sócio-culturais becker 2000 p 132 afirma que num primeiro momento as iniciativas se caracterizam pela resistência pela defesa conformando estratégias defensivas num segundo momento poderá ou não ocorrer dependendo da experiência e da tradição de cada espaço em ações cooperadas a adoção de ações ativas e cooperadas que poderão configurar estratégias baseadas nos recursos naturais e culturais de cada espaço localidade municipalidade região estado nação outros assim por consequência foi se constituindo uma situação na qual se observa de um lado o processo de globalização como tentativa de equalização e de outro o processo de regionalização tentativa de diferenciação becker 2000 É certo que compreender o desenvolvimento local requer indispensavelmente que se reflita sobre conceitos básicos que em última análise estão diretamente implicados no cenário formado pela própria dinâmica da vida e o ambiente de entorno martins 2002 p 51 nesse contexto os atores sociais e institucionais são essenciais para dinamizar e articular ações em esfera local quanto maior a cooperação articulação e reciprocidade entre os atores maior o capital social a despeito de outras citações do termo é na voz de pierre bourdieu 1980 que o conceito se delineia com mais força pautando definitivamente estudos acadêmicos de distintas áreas do conhecimento bourdieu 1980 define o capital social como uma força agregadora dos recursos reais ou potenciais que tornavam possível o sentimento de pertencimento às determinadas instituições ou grupos nos anos 1990 o banco mundial fez menção ao conceito de capital social referindo-se às instituições relações e normas sociais que dão qualidade às relações interpessoais em uma sociedade 13 capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil

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rif ponta grossa/pr volume 10 número 19 p 10-26 jan abr 2012 para joseph 1998 o capital social pode ser percebido como um conjunto de arranjos sociais relações instituições e de ideias e ideais que possibilitam aos indivíduos direcionar suas energias e ações individuais em benefício das causas coletivas neste mesmo sentido baas 1997 reforça a condição de coesão social quando considera que o capital social se constitui pela forma com que a identificação dos indivíduos com as formas de governo as expressões culturais e o conjunto dos comportamentos sociais tornam a sociedade mais coesa e mais forte que a soma das individualidades que a compõe já rosas e cândido 2008 p 74-75 se referem ao capital social como sendo aquele relacionado às diversas formas condições e possibilidades de interação parceria e cooperação entre as instituições entre as pessoas e entre as instituições e as pessoas a partir de práticas de reciprocidade e relações de confiança entre eles sobre as relações entre os indivíduos e as instituições reis 2003 p 38 sinaliza que de um lado a existência de laços de confiança mútua reforça os mecanismos de cooperação entre os habitantes e favorece o desempenho das instituições políticas esse mesmo desempenho institucional eficiente atua positivamente sobre o contexto reduzindo a incerteza e reforçando ainda mais o nível de confiança e cooperação no interior da população fazendo parte desse conjunto de diversas noções sobre o conceito de capital social encontram-se e com bastante relevância as opiniões de coleman 1990 quando defende o conceito num plano individual em que aponta a capacidade do indivíduo se relacionar com sua rede social mediante as expectativas de reciprocidade e o grau de confiabilidade existente nas relações já putnam 2007 observa mais o sentido das relações de grupos sociais no qual o capital social estaria refletido no grau de confiança existente nas relações entre os diversos atores sociais nas suas habilidades e competências em se associar para conquistar os devidos fins entre outras coisas agilizando os fluxos de informação aceitação e cumprimento dos `deveres cívicos em amplos aspectos e visando sempre os interesses coletivos importante perceber que tanto na visão de coleman quanto de putnam fica claro que o `valor que se infere ao capital social é a sua fundamentação direta ou indireta nas relações coletivas entre atores ou grupos de atores sociais que acabam por gerar expectativas e obrigações mútuas favorecendo o estabelecimento de normas padrões e condutas que visam os interesses públicos e da coletividade 14 capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil

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rif ponta grossa/pr volume 10 número 19 p 10-26 jan abr 2012 na busca de compreender o conceito de capital social faz-se pertinente relacioná-lo com o processo de desenvolvimento do município de são luiz do paraitinga objeto de estudo desse artigo destaca-se também a relação entre o desenvolvimento do município caracterizado pelo turismo cultural e a folkcomunicação que nesse caso pode ser compreendida como uma relação intrínseca interdependente uma vez que o maior atrativo turístico é a cultura popular e folclórica mais do que isso a articulação dos atores dada por processos folkcomunicacionais se estabelece em várias vertentes e é fundamental no caso estudado a saber na transmissão cultural intra e inter gerações na articulação da cultura local com as mídias de massa encarregadas pela divulgação externa das atividades turística bem como na organização das atividades festivas a forma como se constitui o turismo cultural de são luiz do paraitinga é um reflexo de fatores que convergem com o conceito de folkcomunicação proposto por luiz beltrão 1980 como um conjunto de procedimentos de intercâmbio de informações ideias opiniões e atitudes dos públicos marginalizados que podem ser urbanos e rurais através de agentes ligados ao folclore mÉtodo a pesquisa caracteriza-se como qualitativa e descritiva com coleta de dados por meio de entrevista as entrevistas foram realizadas com atores sociais de destaque na formação social do município divididos em três blocos o primeiro ligado aos setores da administração pública atual o segundo ligado às tradições culturais e o terceiro ligado à iniciativa privada empresariado portanto a técnica de seleção de amostra é não probabilística por julgamento sendo eles a atores ligados ao poder público administração 2004/2008 prefeito diretora de promoção social secretária de planejamento diretor de turismo diretor de cultura b atores ligados às tradições culturais cenira pereira santos vó nira viúva de elpídio dos santos e mãe de integrantes do grupo paranga ligada às tradições culturais e religiosas josé felipe amado jô amado jornalista e presidente da ong sosaci benedita antunes de andrade dona didi ligada às tradições religiosas e culturais da cidade pedro luis dos santos negão músico compositor cantor grupo paranga e filho de elpídio dos santos marcelo toledo historiador e ex-vereador benito euclides de moura campos artista plástico e fundador do bloco juca teles 15 capital social e desenvolvimento do turismo no município de são luiz do paraitinga/sp brasil

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