O PENITENCIARISTA- edição Maio/Junho

 

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ano 2 n° 07 distribuição interna tiragem bimestral maio/junho 2012 museu penitenciário em ação museu penitenci o museu penitenciário paulista em parceria com o museu do tribunal de justiça de são paulo deu início em 11 de maio passado à exposição o poder judiciário e o sistema penitenciário um panorama da memória institucional que se realizou no salão dos passos perdidos do palácio da justiça à praça da sé s nº em são paulo o evento foi fruto do trabalho em conjunto dos dois museus para integrar a 10ª semana de museus organizada pelo instituto brasileiro de museus ­ ibram o se de olho no acervo cretário da administração penitenciária lourival gomes representando o governador do estado geraldo alckmin e o vice presidente do tribunal da justiça josé gaspar gonzaga fransceschini descerraram a fita e convidaram a todos para conhecer a exposição estavam presentes também outros desembargadores além do presidente arthur alegretti da diretora executiva lúcia maria casali de oliveira e da chefe de gabinete rosália maria andreucci naves andrade da fundação prof dr manoel pedro pimentel ­ funap a exposição contou com acervo proveniente dos dois museus além de materiais oriundos do trabalho de ressocialização dos presos emprestados pela fundação esse trabalho é desenvolvido nos programas sociais da funap destacando-se em especial os produzidos pelas presas para a daspre o acervo selecionado pelos dois museus mostrou um pouco o que faz parte da memória e da história do poder judiciário e do sistema penitenciário ainda em comemoração à 10ª semana de museus no auditório da sede da pasta da administração penitenciária foi realizada no dia 15 de maio a palestra intitulada museu penitenciário a gênese de um museu institucional e as transformações do sistema penitenciário em conjunto com a escola da administração penitenciária dr luiz camargo wolfann ­ eap a mesa contou com a presença do diretor do mpp sidney soares oliveira da diretora da eap leda maria gonzaga e do executivo público joão carlos gomes da silva além dos convidados tatiana tavares de melo diretora da escola de gestão penitenciária e josé paulo moraes diretor do museu penitenciário ambos da secretaria da administração penitenciária do estado do rio de janeiro as palestras além de outros temas abordaram os rumos do museu desde sua criação subordinação à eap transferência para a cidade de araraquara e posterior ligação direta ao gabinete do secretário os representantes do rio de janeiro também falaram sobre a trajetória da escola carioca sua missão definição e estrutura foi abordada ainda a necessidade de transformação do centro de memória e documentação do museu penitenciário daquele estado título da obra jimi hendrix autor não identificado ano 1999 fotos eric moura o penitenciarista· 1

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carabina casa de detenção talvez a mais famosa prisão do estado dados os marcantes acontecimentos que a envolveram era uma unidade comangelino silvestre conhecido por carabina posta de seis pavilhões com seus respectivos chefes ou melhor senhores feudais que comandavam com mão de ferro e critérios próprios não abrindo mão do controle da disciplina e da segurança cada qual exercia seu comando sendo temidos e respeitados não só pelos presos como também pelos funcionários o mais folclórico deles foi o chefe do pavilhão nove forte como um touro barriga proeminente cabelos ralos penteados para trás possuía marcas registradas que eram bem pessoais vestia camisas estampadas e coloridas sempre bem passadas trazia penduradas em uma grossa corrente muitas chaves que de longe denunciavam sua presença parecia ser o porteiro da cadeia havia ainda sua inseparável sandália tipo franciscana que completava o traje falava-se no seu angelino que era seu nome todos tremiam tal era o respeito que o mesmo impunha naquela imprevisível prisão os presos mais perigosos ná época tinham por ele respeito impressionante lembro-me de algumas confusões surgidas no pavilhão nove que como sempre surgiam num repente e terminavam de maneira mágica quando da presença do seu angelino que com seus métodos especiais tudo resolvia luizão assumiu a casa de detenção em 1980 como membro de sua equipe fui especificamente designado para chefiar o pavilhão oito lembro-me bem do seu angelino que lá já trabalhava e que chamou todos os funcionários e em altas palavras falou deem toda ajuda que este jovem necessitar demonstrando seu espírito solidário este era seu angelino silvestre conhecido por carabina nascido aos 12 de junho de 1920 e no sistema penitenciario desde 1945 por muito tempo dirigiu o pavilhão nove tornando-se um dos mitos naquele impressionante universo prisional tempo onde faziam a diferença a coragem e a sabedoria aposentou-se no auge da sua incrível carreira deixando aos que o conheceram saudades guilherme silveira rodrigues você sabe o que é e para que serve uma exposição expor é revelar comungar evidenciar elementos que se desejam explicitar o museu é um lugar de comunicação e a exposição essência da linguagem museológica caracterizase como um discurso uma estratégia para comunicar algo um recurso de esclarecimento convencimento a exposição não deve ser entendida como o fim do museu mas sim como veículo de produção de conhecimentos ferramenta para que se estabeleçam interações com os públicos de um museu assim um museu entendido como instituição democrática tem o papel de explicitar conhecimentos por meio dos diversos recursos que dispõe colocados ao alcance dos cidadãos o projeto de montagem de uma exposição ou expografia ocupa-se assim da estruturação de uma linguagem complexa plurissensorial de grande intensidade de comunicação e grande capacidade de rearticulação de conhecimentos prévios que opera com os objetos tomados como vocábulos e por meio de uma sintaxe abrangente que inclui o confronto a cronologia e a contextualização em suas mais diversas articulações atualmente o projeto expografico do mpp está sendo desenvolvido pela museóloga gisele e pelo arquiteto maximiliano do departamento de engenharia deng/sap texto retirado da oficina de expografia ministrada pela museóloga profª assistente do curso de museologia da universidade federal da bahia museu de hábitos e costumes de blumenau da fundação cultural de blumenau/sc e museu da língua portuguesa/sp 2 ·o penitenciarista

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histÓria dos estabelecimentos penais penitenciária de avaré também roupas de cama posteriormente já nos pavilhões o setor de lavanderia se encarregava de sua lavagem e troca o que ocorria em dias preestabelecidos recebiam também mensalmente 01 rolo de papel higiênico 1 sabão convencional 01 sapólio 01 esponja de aço e 01 sabão de coco o cotidiano na penitenciária era a prática de um autêntico e rigoroso regime penitenciário os sentenciados sozinhos ou quando em fila sempre se deslocavam à direita nas galerias como em mãos de trânsito a parte central das galerias era para a movimentação dos funcionários os sentenciados sempre se apresentavam de sapatos e devidamente trajados mesmo quando eram encaminhados para os pátios ou praça de esportes além da praça de esportes havia o cinema uma sala em desnível,com cadeiras almofadadas e banheiro na praça de esportes havia apresentações de conjuntos musicais da cidade e até da unidade além de artistas conhecidos como sérgio reis na área externa funcionava o parque agrícola os sentenciados que nele trabalhavam eram encaminhados de manhã lá almoçavam retornando à tarde para suas celas ocupavam as celas ociosas do hospital para trabalhar no parque agrícola o sentenciado devia preencher vários requisitos além de ter boa conduta e principalmente situação processual definida entre os sentenciados do parque agrícola era escolhida uma nova turma a da pavimentação nesse caso os sentenciados trabalhavam sob a orientação de funcionários da prefeitura municipal de avaré especializados no calçamento de vias públicas várias ruas em torno da penitenciária foram pavimentadas nessas condições também trabalhavam em escolas onde procediam à poda de árvores e limpeza de jardins texto enviado pelo diretor gilson gomes jardim inaugurada em 29 de agosto de 1970 pelo governo abreu sodré a penitenciária dr paulo luciano de campos de avaré foi orientada segundo os melhores preceitos em prática nas instituições semelhantes do exterior bem como nos moldes da penitenciária do estado e tinha como principal objetivo desafogar as superlotadas cadeias da região foi concebida para ser uma das maiores e mais modernas do país com quatro pavilhões celulares subdivididos em dois pavilhões cada um com 113 celas para abrigar um total de 452 presidiários numa área construída de 22 mil metros quadrados contava ainda com prédios isolados para portaria administração enfermaria e hospital dois pavilhões para oficinas salas de aula espaço ecumênico auditório cozinha lavanderia e campo de esportes com gramado para futebol oficial cercado com alambrado iluminado e dotado de uma arquibancada coberta além de pista de atletismo a soma das lotações das diversas oficinas existentes na penitenciária correspondia à lotação total do estabelecimento portanto não havia ociosidade quanto das inclusões os sentenciados recebiam roupas para uso pessoal camisas calças uma japona de feltro sapatos e museu nacional das prisÕes a prisão domiciliar de fontainebleau na frança foi construída em 1845 junto ao tribunal superior e fechou suas portas em 1990 a arquitetura prisional é do século xix e segue o modelo do panóptico na prisão existiam dois corredores com trinta celas já no porão havia uma cela de castigo cela disciplinar o museu nacional das prisões abriu suas portas em 1995 e neste edifício que abrigavam a prisão domiciliar de fontainebleau estão armazenadas coleções de todas as prisões da frança atualmente abriga coleções que visam retratar a história da prisão desde o século xvi as coleções estão distribuidas em etnográficas fotográficos incluindo a coleção de henri manuel do ínicio dos anos 30 e documentação manuscritos gravuras desenhos arquitetônicos o museu abre as portas para visitação somente com agendamento prévio e hora marcada através de visitas em grupos liderados por um alto-falante conta ainda com exposições temporárias entrada principal galeria central o penitenciarista· 3

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sistemas penitenciÁrios dicas livros e filmes motivado pela sensação de ter acompanhado como nascia um criminoso durante seus 30 anos na lide com criminosos o autor condensou algumas histórias interessantes que raramente se lê em jorpenitenciária central nais revistas como nasce um criminoso ou livros peni autor mário mércio teniária central é uma história que prende atenção do leitor e o conduz à imaginação do mundo criminoso o autor jogou com sua veia de escritor e imaginou como aconteceram os fatos e como acabaram veremos como o homem se adapta ao regime carcerário passivamente como massa amorfa sem vontade e que se deixa moldar sobre tudo o regime auburniano era o regime comum e um dos princípais regimes na penitenciária do estado de 1921 a 1941 em 1796 o governador jhon jay de nova iorque enviou uma comissão à pensilvânia para estudar o sistema celular nesse mesmo ano ocorreram mudanças importantes nas sanções penais substituindo-se a pena de morte e os castigos corporais pela pena de prisão conseqüência direta das informações colhidas pela referida comissão em 1797 foi inaugurada a prisão de newgate esse estabelecimento era muito pequeno e foi impossível desenvolver o sistema de confinamento solitário diante dos resultados insatisfatórios em 1809 foi proposta a construção de outra prisão no interior do estado para absorver o número crescente de deliquentes a autorização definitiva porém para construção da penitenciária em auburn só ocorreu em 1816 a princípio as celas eram duplas abrigando simultaneamente dois presos anos depois as celas passaram a ser individuais no sistema auburniano o isolamento era noturno e durante o dia o trabalho poderia ser coletivo e realizado em silêncio em auburn a chamada regra do silêncio exigia que todos os prisioneiros evitassem qualquer conversa com os demais presos tanto durante o trabalho quanto durante as refeições ou em qualquer outra ocasião auburn costumava ser chamado de o sistema silencioso the silent system para distinguí-lo do sistema solitário the solitary system da filadélfia o sistema auburniano alcançou maior difisuão nos estados unidos do que o filadélfico isso foi devido em parte ao fato de que o trabalho coletivo permitia a instalação de indústrias dentro das penitenciárias o que o tornou mais produtivo e rentável do que o trabalho realizado em células individuais oferecendo assim uma perspectiva ecônomica mais favorável do que a filadélfia outro argumento utilizado para o sistema de auburn foi de prisão em blocos retangulares era menos onerosa do que o projeto filadélfia de asas radiais leite e ferro direção cláudia priscilla prezados é com muita satisfação que venho por meio deste cumprimentá-los pelo excelente trabalho realizado parabéns cássio martins santos silva executivo público assessoria técnica de gabinete sap nota de falecimento É com profundo pesar que esta secretaria comunica o falecimento do doutor luiz camargo wolfmann conheci luizão como era popularmente conhecido na década de 70 quando esteve na penitenciária de avaré desde aquela época o tenho como um dos meus mestres depois conheci luizão como diretor da casa de detenção de são paulo e como coordenador dos estabelecimentos penitenciários do estado coespe mais recentemente como brilhante profissional da funap mas acima de tudo conheci luizão como ser humano sempre disposto a colaborar para a melhoria profissional e de vida de seus colegas ótimo esposo contador de histórias nos aniversários de dráuzio varela onde sempre juntos estivemos homem que levavam alegria nos lugares que frequentava peço a cada um dos servidores que integram a família penitenciária que elevem ao pai uma prece a esse grandioso homem eu eternamente o estarei homenageando todos os dias lourival gomes com a palavra o servidor o documentário de claudia priscila retrata o dia a dia das prisioneiras do centro de atendimento hospitalar à mulher presa atualmente desativado através dos depoimentos das presas o espectator entra em contato com a realidade de mulheres que cometeram crimes e por um curto espaço de tempo passaram a conviver com a maternidade dentro da unidade em questão entre os personagens reais a presa daluana traficante desde os 10 anos de idade e hoje casada aos 40 revela detalhes de sua trajetória no mundo do crime e das prisões equipe sap/mpp sidney soares de oliveira edson galdino gisele ribeiro guimarães colaboradores joão carlos gomes da silva guilherme silveira rodrigues rosa alice taschetti ricci cássio martins santos silva gilson gomes jardim programa de difusÃo cultural o penitenciarista acompanhe-nos participe envie-nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição de o penitenciarista mande sua opinião para o informativo museupenitenciário@sap.sp.gov.br visite nosso blog www.museupenitenciario.blogspot.com.br 4 ·o penitenciarista

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